História Garotinhas - Capítulo 15


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 15 - Até os filhos partem


15

Até os filhos partem

 

Fernando esperou os furgões da imprensa deixarem a rua. Eles deveriam estar no centro da cidade, plantados na porta da igreja, esperando os familiares de Murilo para conseguirem declarações sobre o caso.

            O garoto aperta o botão do controle e o portão da garagem abre. Ele iria para a casa de Débora. Ela estava sozinha. Seria a oportunidade perfeita para ficarem juntos, já que ontem os pais dela a esperavam para recebê-la e nenhum dos dois estava no clima para algo acontecer, levando em conta os últimos acontecimentos.

            Pronto para dobrar a esquina, Fernando espera um carro passar para entrar na avenida principal, até que alguém bate no vidro da janela de sua HB20.

            – Só pode ser brincadeira! – após o susto, ele soca o volante do veículo ao ver quem estava esmurrando a janela.

            – Saia do carro! – agora, a mulher também chutava a porta.

            Era Janice Tomaz, a mãe de Murilo.

            Fernando desce do automóvel, batendo a porta com força. O que ela queria? Já não bastou ser perseguido por ela durante o primeiro ano do ensino médio completo, tendo, inclusive, que ser escoltado por seguranças em seus calcanhares vinte e quatro horas por dia?

            – É melhor você parar de chutar o meu carro! – ele grita para a senhora.

            Ela estava com os olhos inchados, não dormira noite passada e não parara de chorar um só minuto. A roupa parecia ser a mesma do dia anterior, completamente amassada.

            – Você o matou! – Janice aponta para o menino, como se eles estivessem no meio de uma grande multidão.

            – Eu não fiz isso com o seu filho – Fernando controla a voz. Afinal, a mulher poderia ser perigosa.

            – Você o colocou naquele reformatório – ela deixa os braços caírem sob o capô da HB20. As suas unhas estavam todas ruídas. – Sabe quantas vezes não pude vê-lo? Chegava a parecer mentira a frequência com que um cano estourava, os alunos queimavam colchões... Eu nunca sabia como Murilo estava.

            – Ele era um monstro!

            Janice passa as mãos pelos cabelos amendoados e funga.

            – Murilo me contava que você o perseguia na escola – ela balança o dedo indicador na direção de Fernando. – Eu nunca fiz nada, porque não queria problemas com os vizinhos. O meu marido não queria problemas com os vizinhos! – Janice faz uma careta ao se lembrar do homem com quem casara e, depois, a abandonara ao saber a verdade sobre o filho.

            – O mundo é um lugar melhor para se viver sem ele – Fernando se prepara para entrar no carro, não se importava com o fato dela ainda estar apoiada nele.

            – Tudo bem, Fernando. Mas, agora, é a minha vez de te perseguir. 

            Ela se afasta. Sem olhar para trás, entra em sua antiga casa, mesmo não sendo mais de sua autonomia. Também, quem mais iria querer morar nela? Depois de encontrarem um monstro dentro do porão?

            Fernando fecha a porta do veículo. Ele passa as mãos pelos cabelos enquanto expira pela boca. Como poderia recomeçar com a família naquele lugar? Parecia que tudo seria tão perfeito com a nova namorada por perto, no colégio com os amigos de sempre, a maior preocupação seria escolher uma boa faculdade.

            O seu celular toca. Era Débora. Ele chega a pensar duas vezes, antes de atender.

            – Oi, amor.

            – Onde você está? – ela fala do outro lado da linha. – Estou te esperando.

            – Já estou chegando.

            – Certo. Beijo.

            Ela desliga. Em suas mãos parecia ter um teste. Não um daqueles que se fazem em revistas para meninas, como a Capricho, mas um que oscila entre o negativo e o positivo.

            Fernando dobra à direita.

 

 

 



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