História Garotinhas - Capítulo 5


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - E quando não se trata de uma bruxa?


– Preciso ir ao banheiro – Bruna emerge da piscina. – Estou apertada.

            Clara estava sentada na beira, ao seu lado.

            – Certo. Vou te esperar aqui.

            Ela ver a garota partir. Ainda não tinha entrado na água. Preferia ficar batendo os pés, imaginando ser alguma deusa grega do mar formando ondas.

            – Ei! Estou tentando me secar!

            Clara dá um pulo. Por pouco não caiu na piscina e, com a sua altura, facilmente se afogaria.

            Ela se vira.

            – Obrigado – um menino ao seu lado secava os cabelos que desciam até os olhos. Ele usava aparelho dentário azul-claro. Clara tentou lembrar de seu rosto em algum colega de sala, ou de um aluno de uma série mais avançada. Ela nunca o tinha visto na vida.

            – Você poderia se afastar da piscina, então – diz ela, antes de dá-lo as costas.

            – Eu só estou esperando a minha namorada sair da água.

             Ela volta a olhar para o garoto. Clara pensou que ele a estivesse cantando. Era um truque antigo e não havia como notar logo de cara que ele segurava uma toalha cor de rosa. Uma garota se aproxima – a prova de que a baixinha o estava incomodando. Clara continua a bater os pés na água. Por sorte, ela os escuta se afastando. Não teria que ficar sob os olhares do casal, esperando a amiga voltar do banheiro.

– Ai, droga! – Clara sentiu a familiar dorzinha na barriga que antecedia a sua menstruação. – Ai, ai! – estava aumentando.

            Uns garotos se viraram para ver o que estava lhe ocorrendo. As meninas fingiam não ouvir. Sabiam o que estava acontecendo e se sensibilizaram, o que não mudava o fato dela ter que correr. Estava na água.

             Não daria tempo de chegar ao banheiro da suíte de Tainá. Teria que usar o do deck.

Talvez, se tentasse...

            – Ai, ai!

            Se tentasse, sangraria pelo caminho.

            Ao chegar ao banheiro, procurou uma divisória vaga. As meninas estavam rindo dela? Elas não entendiam? Será que pensavam que ela estava com dor de barriga? Clara teve vontade de apertar as pernas contra o peito, como fazia antes, quando era uma... perdedora, no sétimo ano.

Sentada no vaso, ela sentiu a dor aliviar. Parecia a primeira vez. Clara desejou ter a mãe por perto para explicá-la de novo o que estava acontecendo e a dissesse que a dor teria fim, como todas as outras.

            Desta vez, não seria necessário que a ensinasse a usar o... O absorve! Clara não os trouxera nenhum em sua bolsa. Mas pouco adiantaria, já que também não a trouxera para a festa. Ela poderia ligar para Bruna e pedir para pegar os de Tainá, se estivesse com o celular por perto. Precisaria recorrer às meninas.

            Ela abre a porta da cabine.

            – Ei, vocês – Clara estava com a cabeça baixa. Analisava as unhas dos pés em francesinhas –, podem me emprestar... – ela engole em seco – o celular?

            Uma garota magríssima ri enquanto veste um top sobre o biquíni molhado.

            – Aqui, Cla – uma loirinha entrega o seu celular para a menina. Clara a reconheceu. Era Amita Maia, uma aluna do segundo ano. Ela parecia estar muito zangada, como se estivesse farta.

            – Obrigada – Clara retribui o favor com um sorriso, o mesmo com o que agradecia quando as garotas veteranas a aceitavam no time de vôlei, na aula de educação física, como se fosse um estorvo tê-la por perto, mesmo ela sendo uma excelente jogadora.

            Enquanto fecha a cabine, a menina disca o número da amiga. Torcia para que Bruna estivesse com o celular.

            No terceiro toque, Clara escuta a música vinda das caixas de som da área de lazer e a voz aguda da colega.

            – Alô?

            – Bruna – Clara parecia estar segurando o choro. Por qual motivo? Ela não era assim. – Onde você está?

            – Aqui fora. Estava te procurando.

            – Estou no banheiro.

            Ela imaginou Bruna fazendo sua cara de Como assim, gata? e, por um momento, pensou que iria sorrir.

            – Eu menstruei – esclareceu.

            – Ah – Bruna fica quieta do outro lado da linha.

            – Preciso que me arranje uns absorventes.

            – Ah, sim. Claro! Me espere aí desta vez.                     

            – Bruna, eu não tenho para onde ir.

            – Sabe Lucas Pinheiro? – era a voz de Amita. Devia ser esse o motivo dela estar zangada.

            – Sei, amiga – respondeu a magrinha.

            Clara encosta o ouvido na porta da divisória para escutar a conversa.

            – Pois bem, ele me cantou esta noite – Amita faz uma pausa. Não são apenas os meninos que podem se vangloriar de suas conquistas.– Eu até aceitei dançar uma vez com ele. Você sabe... Lucas não é feio e nem nada. Mas ele não parava de olhar para a Rafaela...

            – Rafaela? – perguntou a amiga com corpo de top model.

            – Rafaela. Rafaela Lúcio.

            – Lembrei! Pode continuar.

            – Ele não parava de olhá-la. Quando ia encher o copo, ficava falando com ela... Ele é um imbecil. Pensar em me trocar por aquela garota... – Amita bufa.

            Clara o conhecia muito bem. Lucas estava no mesmo ano escolar que ela. De vez em quando se sentava à mesa com Tainá e as outras meninas. Antes de conhecê-lo melhor, já chegou a se interessar pelo garoto. Mas Tainá a advertiu. Disse que o irmão dela, Fernando, não o achava confiável... Por alguém Lucas acabou descobrindo o que a morena havia lhe contado e começou a zoá-las na escola. Ele era um outro garoto. Clara se perguntava como seria se, um dia, namorassem e terminassem. Ele iria contar como eram na intimidade?

            Um envelope escorrega para dentro da cabine, fazendo Clara pular.

            – Que susto! – ela coloca a mão na boca.

            – Desculpe – Bruna bate na porta da divisória. – Não queria te assustar.

            As meninas voltavam a rir. No entanto, Clara procurou não ligar.

            Ela tirou o absorvente da embalagem e o colocou no biquíni. Agora, sabia quem tinha convidado Rafaela. Lucas sabia o quanto as meninas a odiavam e queria magoá-la, ficando com outra garota na frente dela. Na festa em que tinha ajudado a organizar.

            Mais confiante, ela abre a porta.

            – Obrigada, Bruna – ela sorri para a amiga. – Aqui, Amita. O seu celular. Muitíssimo obrigada.

            – Por nada – a loira sorri para a garota. Ela nem fazia ideia do quanto havia sido útil naquele momento.

            Amita volta a se virar para a magrinha.

            – Eu nem acredito que vou ter que estudar com Lucas este ano. Eu não podia ter repetido!

            – É como minha mãe diz, se você estuda, encontra uma grande oportunidade, se você não estuda, encontra um grande canalha.

            Mas elas não precisavam mais se preocupar com os joguinhos de Lucas. Clara estava abrindo a temporada de Caça ao bruxo.

 

Ela não deixou que Bruna a acompanhasse. Queria resolver esse assunto sozinha. Aliás, ele era mais seu do que das outras.

            Clara o procura pela multidão.

            A menina pareceu reconhecê-lo perto da piscina, conversando com um colega. Ela se aproxima. Lucas parecia estar mais gordo, porém, continuava com o mesmo penteado para o lado, deixando uma parte equilibrada sobre a testa, formando um topete. O seu rosto aparentava ter mais espinhas e o aspecto de ter sido barbeado recentemente. Há quanto tempo Clara não o via?

            – Lucas? – ela o chama. O garoto com quem conversava pulou na piscina. Clara procurou manter a postura altiva ao vê-lo vir em suar direção. 

            – Clarinha! – Lucas ostentava o sorriso descolado de sempre.

            – Você mandou um convite para Rafaela? – ela queria ser rápida com ele. Porque estava cansada de ser motivo de diversão e piada, ainda mais para garotos.

            – Por que eu mandaria? – Lucas não tirou o sorriso do rosto, muito menos demonstrava nervosismo. Ele não se preocupava com o fato de ter sido descoberto.

            – Foi você, ou não?

            – O que te faz pensar isso?

            Clara se afasta um pouco. Lucas estava se aproximando e ela tinha medo de reconhecer o garoto imprudente de dois anos atrás, armando planos para chamar a sua atenção. Será que ele ainda existia?

            – Foi você, não foi? – ela pára de recuar. Agora, fincava o pé na grama. Também necessitava demonstrar a sua força. – Queria me causar ciúmes. Lucas, eu não me importo com quem você sai.

            Ele ri alto. Estava batendo os pés no chão com força, como se estivesse sufocando. Chega a derramar um pouco da bebida, no copo, nas pernas da menina. O Lucas por qual uma menina se apaixonaria se tornava uma farsa.

            – E quem disse que me importo com você? – Lucas a encara com os seus olhos despreocupados. Ele não a estava levando a sério. Estava chamando atenção e se divertindo com a situação. Clara começava a ficar vermelha. – Você pensa que todos giram ao seu redor, mas é enganada pelas pessoas em quem mais confia. Por que não pergunta a Tainá o que ela te esconde?

            – É isto o que você quer? Acabar a minha amizade com Tainá? Porque ela abriu meus olhos em relação a você?

            – Isto não tem nada haver com você. Nem com nós. Só pergunte a Tainá o que ela esconde de você.

            Lucas a toca. A sua mão estava gelada e suada, como a de... Murilo, quando ele tocou Bruna no verão a dois anos.

            Clara se afasta ainda mais dele. Não por medo de voltar a se interessar por ele, porque ela acreditava que aquele fosse o seu joguinho: fazê-la querê-lo de novo. Contudo, Lucas queria destruir a sua amizade com Tainá. Se existia segredos entre as meninas? Sim, como em todas as amizades. Tainá teve uma história com outra garota antes de Clara, mas não tocavam no assunto. Porque, de alguma forma, a magoava. Clara não tinha o direito de perguntar, assim como Tainá não a lembrava do tempo em que não se conheciam e Clara quase não existia na escola.

            Ainda assim, Tainá sabia a história de Clara. Diferente dela, que fugia do passado da melhor amiga... porque tinha medo dela não gostar e querer se afastar. A solidão a assustava.

            Clara bloqueia o pensamento da cabeça. Lucas estava tentando colocá-la contra a amiga. E estava conseguindo! Tainá não esconderia nada dela.

No entanto, como ela poderia ter certeza, se Tainá não lhe prometera nada?

            A garota corre para contar a verdade para a anfitriã da festa. Queria que ela o tirasse dali. O seu toque ainda a fazia arrepiar os cabelos dos braços. Naquele momento, Clara tinha nojo de Lucas.

             Ela corre para dentro da casa, onde encontrou Tainá com outro garoto. Ela o reconheceu pelos álbuns de fotos da família Borges. Ele era o irmão mais velho de sua melhor amiga, Fernando. Ele estava diferente. Mais... maduro. Clara teve vergonha do pensamento. Afinal, ela reconheceu a sua namorada, pois ele não soltava a sua mão. Também notou que não era a única a examiná-lo. Rafaela também o encarava do outro lado da sala. A loira o via de uma forma mais intensa. Sem saber o porquê, Clara se lembrou da mensagem que Lucas havia escrito no convite que entregara a garota.

Você vai encontrar o que mais quer esta noite.

            E se o que Rafaela mais quisesse no mundo não fosse Lucas e, sim, Fernando?

            Mas por que ela o iria querer?

            Porque Clara também o quis, mesmo que por apenas um segundo.

 

 



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