História Garotinhas - Capítulo 6


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - O buraco em que te colocaram


– Por que demorou tanto? – Tainá abraça o irmão. – Pensei que não fosse chegar a tempo para a festa.

            – Você achou que eu ia perder essa? – Fernando cheira o cabelo da menina. Como estava molhado, não deu para sentir o aroma de seu condicionador.

            – Estas são as últimas, senhorita – disse um homenzinho pequeno de uniforme, carregando algumas bagagens embaixo dos braços curtos. Era o chofer da família.

            – Obrigada, Matias – a voz da garota despertou Tainá. A namorada de Fernando. 

            Tainá solta o irmão para vê-la. Ela era ainda mais bela pessoalmente. A sua pele era branca, como a neve; e o seu cabelo longo e... negro.

            – Oi – Tainá sorri para a namorada do irmão.

            – Oi, linda! – ela a abraça, mesmo estando ensopada pelo banho com Carlos. – Fernando só falava de você o caminho inteiro, já estava ficando com ciúmes.

            – E de mim? Ele não falou, não? – o Sr. Borges chega à sala. Ele estava usando uma camisa florida azul ridícula.

            A morena se vira para o anfitrião.

            – De você? – ela o encara. – Fernando só falou o básico, ou seja, tudo.

            – Pai – Fernando coloca o braço em torno do pescoço do Sr. Borges. – Esta é Débora, a minha namorada.

            – Prazer, Sr. Borges.

            Débora o abraça.

            – O que é isso? Pode me chamar de Henrique, querida.

            Ele a aperta com mais força.

            – Débora, quero lhe apresentar meus amigos... – Tainá vira os calcanhares, procurando por algum deles. Clara estava ali, na escada, o tempo todo. Por que ela não se aproximou? – Clara! Venha aqui!

            Clara desce o último degrau e vai até a amiga. Estava com vergonha. Primeiro, porque estava interrompendo um momento que era em família. Segundo, porque não conseguiu fingir estar mexendo no celular, distraída, pois estava sem celular – quem leva um celular para a piscina? Terceiro, porque não conseguia parar de olhar para Fernando, que parecia maior a cada piscada e não ligar para o fato de ter a camisa encharcada o deixada mais seguro e mais homem, diferente de todo menino de Catolé do Rocha.

            – Deb, posso te chamar assim, né? – a anfitriã sorri. Queria dar uma chance para uma namorada do irmão desta vez, seria diferente agora. Ter Fernando longe havia sido difícil. – Esta é minha irmãzinha do coração, Clara.

            Tainá beija a bochecha da baixinha. Débora sorri com a cena.

            – Prazer, Cla – ela a abraça. – Posso te chamar assim, né?

            Clara enrijece. Débora estava tentando pegar as manias delas? Até a abreviação dos nomes?

            – Claro – responde, ao tocar as costas da novata.

            – Venham, vamos procurar os outros – Tainá segura as mãos das duas meninas e as levam para o centro da festa.

            A música estava mais alta, agora, e mais agitada. Elas passam pela piscina e Clara tem um déjà vu. Já esteve ali antes, naquele mesmo ponto da grama, podia até dizer o exato local onde fincou o pé. Ela se lembrou do toque de Lucas... Precisava contar a Tainá que ele foi quem havia enviado o convite a Rafaela, mas Débora não podia escutar. O assunto era particular.

            – Ali está Bruna – Tainá aponta para o gazebo. – Aquela de maiô, dançando com o menino de sunga azul.

            – Ela é bem espontânea, não é? – Débora arregala aos olhos ao ver Bruna beijar o garoto. Era Eron, um garoto que estava na faculdade.

            – Ela sabe o que fazer – Tainá segue, deixando a amiga ter o momento dela com privacidade.

            – Aquele ali é o Carlos.

            Ele estava na piscina, no mesmo canto onde ela o deixou.

            – Aquele é o seu namorado? – Débora aponta para o meninos. Quando nota, Clara e Tainá a encaram.

            – O quê? – Tainá responde.

            – Fernando falou dele. Você tem um rolo com ele, não é?

            Clara ri alto.

            – De vez em quando.

            – Clara! – Tainá a repreende.

            – Não tem porque ter vergonha, Tainá! – Débora bate no ombro da cunhada. – Se você o quer, faça com que ele fique. Pelo que Fernando me contou, ele vale a pena o esforço.

            Clara não estava mais rindo. Tainá não as olhava mais. Estava mais interessada em Carlos, no modo como batia as pernas na água e conversava com um e outro, sem prender a atenção em nenhum deles. O que o coração dela sentia por ele?

            O DJ tocava um sucesso de David Guetta, mas, aos poucos, uma sirene se tornava mais alta. Não vinha da balada, ou de nenhum dos brinquedos que o Sr. Borges havia comprado para os convidados fazerem vídeos, ou tirarem fotos para postarem nas redes sociais. Vinha de algum lugar do lado de fora.

Na verdade, ela descia a rua e parava na casa ao lado. Mas não era para pedir para baixarem o volume da música...

Um pedreiro entra acompanhado por um dos seguranças que estavam na entrada da mansão. Ele parecia aflito. A sirene continuava a soar.

– Ali está ela! – ele aponta para a sua patroa.

Beatriz estava sentada em uma espreguiçadeira com a filha, Maria Eduarda. Elas conversavam sobre os garotos, quais dele eram os mais bonitos da festa. Um dez elas dariam para um ruivo que aparentava ser solteiro.

– Senhora – o pedreiro chega até as duas.

Beatriz se vira para ele. O seu sorriso desaparece ao ver a cara do empregado.

– Algum problema? – ela pensa no que poderá ser. Será que derrubaram uma parede? Será que a casa caiu?

– Encontraram... – ele abaixa a cabeça. – Encontraram um corpo no porão da casa!

– Meu Deus! – Maria Eduarda levanta do colo da mãe em um pulo.

– Você só pode estar brincando! – o olhar da loira vagava pela festa. Ainda não entendia por completo a notícia. Beatriz só pedira para ver um vazamento em um dos canos que vinha do porão... Não pediu para que cavassem até o subsolo, encontrassem um... corpo que poderia ser de um antigo cemitério, onde a casa fora construída em cima... Não era só um vazamento?

– Minha senhora, a polícia quer lhe ver! – o pedreiro estava mais nervoso. Ele sacudia o capacete de um lado para o outro.

– Vamos – Beatriz segura a mão de Eduarda. As duas tremiam. – Um corpo? – ela grita. As pessoas na festa na festa começavam a olhar para as duas.

– Mãe... Eu não quero ir! – a menina estava começando a chorar. Ela havia dormindo naquela casa por duas noites.

– Temos que ir, Eduarda! – Beatriz arrocha o aperto da mão.

Mãe e filha seguem para fora da festa. Os convidados também iam saindo da balada para ver o que estava acontecendo lá fora. O barulho da sirene estava aumentando, como se mais viaturas da polícia estivessem chegando e um dos convidados disse que um carro do necrotério estava em frente à mansão.

O frio da noite fez o corpo de Maria Eduarda tremer. Ela não conseguia acreditar no que ouviu. Não seria o corpo de um animal? Os antigos donos da propriedade não criavam um cachorro? Ou seria um papagaio?

– Senhoras, estamos interditando a área – disse um policial na varanda da casa, impedindo a passagem de Beatriz.

– Eu... – a senhora estava com os olhos vermelhos. Em suas costas, ela sentiu os olhares dos curiosos. – Eu sou a dona da casa.

O policial abriu espaço para as duas entrarem.

Beatriz chorou ao ver o tapete que sua mãe lhe dera manchado com pegadas de areia. Ele havia sido comprado na Índia.

– Mãe, não... – Eduarda segura o rosto da senhora.

– Me deixe, Edu – Beatriz tenta retomar o fôlego. – Um... Dois...

– Senhoras, saiam do caminho, por favor!

Um policial maior do que o que estava na varanda as empurra para a parede. Atrás dele, vinha a equipe da polícia e do sistema de necropsia. Juntos, levavam uma maca com um... corpo.

– Não, Senhor! – Beatriz coloca a mão no rosto, não porque fedesse, mas porque não estava mais conseguindo segurar o choro. Ela soluçava, porque acreditava poder recomeçar naquela cidade.

– Eu quero ir embora, mãe! – Eduarda não ver a maca passando, pois estava com os olhos fechados e a testa encostada a parede pintada de rosa. Mas, de repente, ela se afastou. Estava com nojo daquela casa, como se ela toda fosse um grande defunto entrando em decomposição.

Depois da ordem de Beatriz, os pedreiros encontraram uma pequena passagem na despensa que dava para o porão. Ao descerem as escadas, sentiram o cheiro de mofo do ambiente, ele parecia abandonado há muito tempo. As paredes tinham os tijolos expostos e havia muita infiltração no local. Eles ficaram felizes com a ideia de terem mais trabalho na casa. Afinal, a nova dona iria querer um local aconchegante e que pudesse oferecer segurança a ela e a filha.

No centro do cômodo, havia um monte de areia. Parecia que os antigos proprietários planejavam reformar o porão, pois também havia materiais de construção espalhados pelos cantos. Eles começaram a juntar o arisco. Um fedor os cercava, como algo... podre. O que seria? Continuaram a tirar a areia até o ponto em que notaram que um buraco raso havia sido cavado. Continuaram a cavar... Um dos pedreiros tocou em algo mais duro... Outro tirou mais um punhado da terra... O mestre de obra, que usava óculos, viu que aquilo que o colega de trabalho tinha tocado era uma mão.

– O corpo, que estava com documentação, foi identificado como o de Murilo Tomaz, foragido do reformatório São Pedro desde o mês passado – disse a repórter do plantão de notícias do canal a cabo da cidade.

Já não tinha mais ninguém na festa. Carlos, entre a multidão, via a maca com o corpo de Murilo coberto passar. Ainda se lembrava do rosto dele. Mais a frente estava Tainá lembrando a última vez em que esteve naquela calçada, que, por coincidência, havia sido o dia em que Murilo foi levado para o reformatório.

Bruna estava mais para o meio. O pânico subia de novo para as suas mãos. Aquela sensação de impotência lhe vinha fazendo querer puxar os cabelos até arrancá-los. No meio dos braços descobertos dos convidados, ela sentia a sensação do toque frio e suado de Murilo.

Rafaela estava mais distante de todo aquele barulho. Escondida entre as palmeiras da mansão Borges, ela olhava para Fernando, que estava com a namorada, como se fosse apenas mais um inocente telespectador daquele circo.

– Vamos entrar, Débora – ele segura o ombro da garota. – Não gosto de ver essas coisas.

– Certo – ela passa o seu braço em volta das costas dele, apóia a cabeça em seu peito e o deixa levá-la para dentro.

Rafaela se esconde mais ainda nas sombras das árvores. Débora olha para trás, na direção do jardim onde a loira estava, antes de entrar pelas portas de madeira, como se soubesse que ela estava ali. Ou, talvez, soubesse que Lucas estava mais atrás, vendo Rafaela observar Fernando.

 



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