História Garotinhas - Capítulo 7


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 7 - Os mortos não sofrem de ressaca


Bruna se lembrava de sua primeira vez, como se fosse ontem. O primeiro beijo foi há três anos e, como costumam dizer, não foi tão bom quanto parecer ser. Ainda bem que foi com alguém mais experiente.

            – Você poder ver todos eles – Murilo estava de costas para a garota fazendo, alguma coisa que não a interessava.

            Era um sábado de janeiro, há exatamente três anos, quando Bruna tinha treze anos. Ela disse a sua mãe que vinha para a casa de sua nova amiga, Tainá, para tomar limonada e nadar. Contudo, ela tinha outros planos melhores. Sabia que Tainá ficaria entediada com as suas histórias e a deixaria sozinha, na beira da piscina, para contar segredos a Sara.

            – Você tem todos os gibis do Homem-Aranha? – Bruna se vira para Murilo.

            Ele a estava olhando com os olhos castanho-claros. Para ela, os olhos dele estavam em seu rosto, mas, na verdade, estavam em seus seios, que começavam a crescer, e depois desciam para mais baixo. Bruna estava de biquíni.

            Murilo sai de trás da instante de livros e senta na cama de seu quarto.

            – Tenho todos – ele a responde.

            – Eu não gosto dele – Bruna deixa o livro na escrivaninha e se senta na cama, ao lado do garoto de cabelos amendoados. – Por que você me chamou aqui?

            Na verdade, ela sabia a resposta. Sabia que ele era sozinho na escola, porque Fernando, o irmão de Tainá, era um imbecil e não gostava dele. Por isso, Murilo ficava escondido nos vestiários dos meninos durante o intervalo, comendo sanduíches de peito de peru deliciosos preparados por sua mãe. Bruna, um dia, o seguiu até lá e, ao invés dele gritar com ela e a mandar embora, ele dividiu um sanduíche – o pedaço que tinha mais peru.

            – Você sabe que eu gosto de você – Murilo olha no fundo dos seus olhos.

            – Eu também gosto de você.

            – Teria coragem de me beijar?

            Ele chega mais perto dela. Bruna não temeu a aproximação, porque gostava de sentir os pêlos dos braços dele se arrepiarem com a sua presença.

            – Eu quero te beijar.

            Murilo sorri e elimina o espaço vazio entre eles.

            O selinho que ele a deu não a assustou. Era um gostinho do chiclete de morango que ele mascara, antes dela chegar. Depois, Murilo foi tentando fazer com que Bruna abrisse a boca. Ela não sabia como fazer, então ele foi a guiando, como um cão guia os cegos. Com todas aquelas sensações estralando no corpo de Bruna, ela não notava que estava sendo deitava por Murilo na cama dele. Ela só queria aprender a beijá-lo e fazê-lo feliz, porque estava apaixonada pelo garoto que sofria com as brincadeiras de Fernando.

            Ele já estava em cima dela e, devagar, passava os dedos pelas coxas da menina. Bruna era uma das mais fortes candidatas a serem líderes de torcida do colégio. A mesma sensação que ela sentia, Murilo também sentia, porém, ele, sim, sabia o que era aquilo e que não tinha nada haver com amor.

            Bruna levanta a perna e o seu joelho toca a região próxima a virilha de Murilo. Ela recua.

            – Murilo... – ela se afasta do beijo dele. – O que... O que você quer fazer?

            – Não tenha medo... – Murilo alisa a sua bochecha. – Shh... Não tem pra que ficar com medo. Nós só estamos fazendo o que namorados fazem.

            – Eu... Eu não quero...

            Bruna tenta tirar o corpo dele de cima dela. Mas ele era muito mais forte e velho do que ela.

            – Por favor, Murilo... – ela já estava chorando. Estava apavorada com o que ele faria.

            – Eu já disse que você vai gostar.

            Ele volta a beijá-la, mas Bruna comprime os lábios, o que faz com que ele desça para o pescoço e, depois, para o...

            – Não, Murilo, por favor... – ela estava gritando. Queria ir embora para casa. Não contaria a ninguém.

            Bruna ver um ponto vermelho piscando na estante. Ele estava gravando aquilo?

            Murilo deita o corpo em cima do dela e Bruna sente de novo...

 

Ao abrir os olhos, Bruna sabe que é apenas a volta de seus pesadelos. Como poderia não tê-los, depois do corpo de Murilo sair de dentro do porão da antiga casa dele? Pelo menos já era manhã e ela não precisaria ficar sozinha em seu quarto escuro.

            Bruna desce a escadas da sua casa que dá para a sala de visitas.

            – Bruna, filha – dona Sônia estava sentada em um dos sofás de couro legítimo da sala de estar. – Por que acordou tão cedo, amor?

             – Estou com uma dor de cabeça terrível.

            Ela não olha a mãe nos olhos. Realmente, a cabeça doía, porque não parava de pensar no pedófilo que quase destruiu toda a sua vida.

            – Os comprimidos estão no armário de cima.

            A voz da Sra. Lavínia estava alta demais para uma pessoa que estava falando de outro cômodo. Bruna se vira. Ela havia a seguido até a cozinha.

            – O que você quer, mãe? – Bruna pega uma aspirina e abre a geladeira.

            – Estive pensando em como será a partir de agora.

            – Será como sempre foi – a mulata coloca o comprimido na boca e bebe um pouco d’água.

            – Tem certeza? – Sônia a encara.

            – Mãe, eu só estou de ressaca.

            – Ressaca nunca te fez sonhar com o Murilo.

            Ela estava mesmo espionando a filha? Conhecendo bem a Sra. Lavínia, Bruna diria que sim.

            – Eu não vou voltar para o Sr. Pig.

            Pig era o apelido do terapeuta de Bruna, o melhor e mais distante psicólogo para crianças da região. Com sorte, os pais da menina conseguiram subornar o delegado que ficou a frente do caso de Murilo para esconderem o vídeo dela. Ninguém em Catolé do Rocha sabe que Bruna fora uma vítima do menino que não pegava garotas, pegava garotinhas.

            – Podemos procurar outro especialista...

            – Eu não vou para nenhum terapeuta, mãe! – Bruna a interrompe. A dor parecia piorar.

– Eu estou preocupada, filha! – Sônia parecia que ia desabar em cima da mesa. – Eu não tenho mais o seu pai aqui comigo, estou sozinha cuidando de você!

            – Eu não vou dar trabalho – a menina olha para o quintal dos fundos pela janela. Quem enterrou Murilo no porão?

            – Você nunca deu trabalho, amor. Eu só quero lhe ajudar.

            – Então, me deixe escolher o que é melhor para mim – Bruna a encara. – Vamos assistir um pouco.

            Ela pega o controle remoto e liga a televisão de LED instalada à parede da cozinha. Estava no canal 13.

            “Mais informações sobre o caso Murilo Tomaz.”, dizia a repórter. Bruna muda para o canal 14. “Murilo estava foragido do reformatório para meninos São Pedro desde o mês passado, segundo a polícia de Catolé do Rocha, responsável pelo caso.”, informava um apresentador de talk show. Ela volta a mudar o canal. Agora, era o 15. “Eu fui uma de suas vítimas”, dizia uma garota para o jornalista em uma clínica psiquiátrica.

            Sônia desliga a televisão. Murilo estava mesmo em todos os lugares. Na mente de sua filha e na TV a cabo.



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