História Garoto perdido - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 2.635
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Famí­lia, Fluffy, Luta, Romance e Novela, Terror e Horror, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Não sei como descrever este capitulo, mas meu coraçãozinho tá muito triste.
Espero que gostem...

Capítulo 5 - Perdendo o controle!


Fanfic / Fanfiction Garoto perdido - Capítulo 5 - Perdendo o controle!

Narrador Aline on:

O som do despertador tirou-me do sono profundo. Estiquei as mãos até o objeto barulhento e tentei desligá-lo, mas não conseguia ver onde o mesmo estava. Aquele som irritante continuou a reverberar em meus ouvidos, levando-me a loucura. Sentei na cama em um disparo e, subitamente, arranquei aquela desgraça da tomada. Respirei aliviada ao ver que Miguel não havia acordado e voltei a me deitar ao seu lado.

Agora podia observá-lo com atenção. Sua boca estava entreaberta, suas bochechas ainda estavam coradas e suas pálpebras pareciam inchadas. Ele estava chorando? Como eu não ouvi?  Um sentimento de culpa tomou conta, é como se me sentisse responsável por tudo o que fizeram com ele.  Miguel estava tão vulnerável, tão indefeso, tão inocente... Pensando bem, ele sempre esteve assim. Mas agora eu posso cuidar dele.

Porque mesmo eu deixei o despertador ligado em um domingo? Ah, é mesmo, tenho que fazer hora extra hoje. Meu chefe, às vezes, força eu e os outros funcionários a trabalhar demais, mas ele paga bem, então não quero reclamar. Levantei da cama com muito cuidado para não acordar o pequeno, peguei algumas peças de roupas no armário e decidi vestir-me no banheiro.

Meu cabelo nunca foi de colaborar muito, mas acho que hoje seria possível tentar uma trança de lado. Coloquei uma blusa preta com decote V, calça de moletom cinza e calcei meu all star preto favorito. Acho que isso é o suficiente por hoje. Joguei água no rosto e aproveitei para molhar o cabelo também, abaixando alguns fiozinhos rebeldes.

Ao voltar para o quarto, encontrei um Miguel sentado sobre a cama com as pernas dobradas como se fosse um cachorrinho. Ele esfregou os olhos sonolentos e percebi que se assustou ao encontrar o espaço ao seu lado vazio, mas logo sua expressão suavizou quando me vio parada na porta.

-Dormiu bem? – perguntei me aproximando.

-Sim, e você?

-Sim. – tentei disfarçar a mentira. Não sou acostumada a dividir a minha cama e, mesmo que ele seja um menino pequeno, foi um pouco desconfortável para mim.  Mas acordar e ver seu rostinho tão fofo e tranqüilo atuou como um analgésico.

-Você vai sair?

-Preciso trabalhar, mas o Alan vai ficar aqui com você.

Ele abaixou a cabeça e fez um beicinho. Senti-me tentada a ficar em casa, mas hoje em dia faltar ao trabalho não é exatamente uma opção.

-Eu vou voltar no almoço e trarei um presente para você. – essa idéia surgiu do nada, mas acredito que alguma coisa para brincar possa ser boa para ele.

Um sorriso tímido brotou em seu rosto. Tenho que sair de casa antes que mude de idéia e não saia mais de perto dele. Como pude criar tanto afeto por ele em menos de dois dias?

-Bom, eu vou ir. Thau, Miguel.

-Thau ma...  Aline. – ele parou no meio de uma palavra. Do que será que iria me chamar?

Sai do quarto desci até a cozinha, aonde encontrei Alan preparando algo com aroma de chocolate.

-Acho que vou começar a fazer um curso de culinária. – murmura empolgado assim que me vê.

-Pensei que detestava cozinhar. – peguei uma xícara e comecei a preparar um café. – isso é por causa do menino?

Alan não respondeu, apenas concentrou seu olhar no Ganache que estava preparando.   

-Você está se apegando a ele, não é? – sorri provocando-o.

-Eu assisti uma reportagem ontem antes de dormir. – sussurrou. – a repórter contava sobre uma mulher encontrada morta na calçada.

Sentei-me de frente para ele.

-E o que isso tem a ver com o Miguel?

-Foi mencionado também sobre um garoto de quinze anos, o filho dela, que está desaparecido por quase cinco dias.

Deus do céu! Será que é a mãe dele?

-Você acha que ela era a mãe do Miguel? – perguntou com sua capacidade de ler meus pensamentos.

-Talvez. – murmurei. – sabe se tem alguém da família procurando por ele?

-Sim, parece que foi o pai do menino quem deu queixa na policia.

Não sei bem o porquê, mas fiquei meio aborrecida com a noticia. Pensei que se descobrisse algo sobre os pais do Miguel, eu ficaria feliz. Mas, no fundo, não quero ter que entregá-lo.

-Deveríamos ter certeza antes de entregar o Miguel. – falei levantando-me da cadeira e indo até a pia. Fiquei de costas para ele enquanto lavava a xícara, não queria que visse minha expressão frustrada.

-Eu não disse nada sobre entregarmos ele.

Virei-me assustada para Alan.  Por um momento, senti-me entre a espada e a parede.

-Você deduziu isso tão rápido... Por acaso esta pensando em escondê-lo? – sua voz estava ríspida, totalmente acusadora.

-Não pensei exatamente nisso, Alan.

-Eu sei que você detesta a idéia de deixar Miguel nas mãos de outra pessoa. Não pode disfarçar isso, Aline.

Logo, um calor surgiu dentro de mim. Mas não era como se me aquecesse, na verdade, eu estava com raiva.

-Não podemos largar o menino nas mãos de qualquer um que diz ser o pai dele!  – fale mais alto do que deveria.

-Ele não é seu, Aline! – ele rugiu e fiquei com vontade de sair e me esconder, mas não vou deixá-lo pensar que esta certo.

-Não me acuse assim. Afinal, você também se apegou a ele.

-Isso é diferente! – Alan se levantou e veio até mim, ficando bem próximo. – Você quer ter o Miguel em suas mãos, quer que ele sege seu e de mais ninguém. Acha que eu não percebi isso?

-Mentira! – gritei dessa vez.

Ele está certo!

-Não diga que é mentira! – senti que agarrou meu braço com força. – você é tão perversa quanto os homens que estupraram ele!

Essas palavras atuaram como uma facada no coração, um soco no estomago e um tapa no rosto. Tudo ao mesmo tempo. Ele tem razão? Eu sou um monstro? Um monstro que machuca crianças inocentes?  Antes que me desce conta, já estava chorando.

Alan soltou meu braço e se afastou um pouco. Minha visão já estava turva por causa das lágrimas, mas consegui ver sua expressão de arrependimento.

-Me desculpa. – pediu puxando-me para um abraço. – não queria falar isso.

Não!

Não me importa!

 Está doendo!

Eu sou um monstro!

-Eu sou um monstro? – perguntei mais para mim do que para ele.

-O que? É claro que não, Aline.

-Eu... não quero... devolver ele. – falei entre soluços.

-Eu sei. Desculpe-me, vamos conversar outra hora sobre isso. É melhor você ir trabalhar agora, não é?

Abri a boca para responder, mas outra voz me interrompeu.

-Estavam brigando? – olhamos ao mesmo tempo para a porta, Miguel nos observava já com os olhos enchendo de água. – é por minha culpa?

-Não, querido. – tentei pensar em algo rápido. – é que esse jumento aqui quer te dar chocolate de café da manhã, mas isso não é uma boa idéia. – percebi o olhar surpreso de Alan por causa da minha acusação, mas fingi não ver.

Miguel solto uma risadinha, aliviando meu peso na consciência por mentir para ele.

-Tudo bem, eu gosto de chocolate. – seu sorriso inocente apertou meu coração já ferido pela facada causada pelas palavras de Alan.

-Bom, é melhor eu ir trabalhar. – falei caminhando até a porta.

Depositei um beijinho na testa de Miguel e acenei para Alan. Nós já discutimos várias vezes, mas nada tão sério comparado a hoje. Não quero que Miguel descubra sobre seus pais, ainda não. Quero dar a ele amor e carinho, proteção e cuidado. Mas eu sei que não posso esconder a verdade por muito tempo. Sei que Alan vai contar mais cedo ou mais tarde.

Não quero impedir isso. Não quero impedir o menino de encontrar sua família. Mas, não vou deixar ninguém machucá-lo de novo. Se eu pudesse, trancaria o Miguel em uma bolha gigante que pudesse protegê-lo de todo perigo.

Isso me tornaria egoísta? Tornaria-me ciumenta?

Narrador Alan on:

Assim que Aline saiu, senti-me muito mal pelo que disse. Não sei o que me deu, perdi o controle e fiz com que ela se sentisse a pior pessoa do mundo. Sei que ela só queria proteger o menino, mas não podemos segura-lo para sempre.

Senti algo puxar minha camisa tirando-me dos devaneios. Por um momento, pensei ter me enroscado em algo, mas logo percebi duas bolinhas âmbar brilhantes me encararem.

-Está com fome? – perguntei no meu tom mais gentil.

Ele assentiu desviando o olhar.

-Porque ela estava chorando? – sua pergunta me jogou contra a parede.

-O que?

-Eu vi os olhos vermelhos da Aline, ela estava chorando. Você fez alguma coisa?

Queria poder atravessar essa parede na qual ele me jogou.

-Não! Quer disser... eu disse algo que a ofendeu, mas foi sem querer. A gente briga o tempo todo. – tentei forçar um sorriso, acho que ele acreditou.

-Desculpa, não é da minha conta. – Miguel soltou minha camisa e, cabisbaixo, foi se sentar a mesa.

-Não precisa pedir desculpa. Você é bastante perspicaz, Miguel. – preciso mudar o assunto.

-É que ela chorando me lembra uma pessoa.

Peguei a Ganache, que estava abandonada sobre a mesa até então, e voltei a mexer com uma colher. Sem tirar os olhos do garoto ainda cabisbaixo.

-Quem?

-Eu.

Ah! O que?

-Quando eu chorava muito, meus olhos também ficavam vermelhos.

-Ah, entendi. Mas o que fez você chorar muito? – minha pergunta saiu da forma mais ingênua e inocente possível, mas percebi um leve tremor tomar conta do menino.

-E-eu chorava quando eles iam... quando... eles iam... – Miguel não conseguia falar. Isso parece muito humilhante para ele.

-Tudo  bem. Eu sei como você se sente.

-Sabe? Como?

-Eu apenas entendo. Sua masculinidade foi afetada, você tem vergonha de contar o que aqueles homens fizeram com você e tem medo que te julguem.

-Nossa! Como sabe de tudo isso? É exatamente como eu me sinto.

-Bom, Aline diz que eu tenho o poder de ler pensamentos. – sorri para ele que riu baixinho. – mas, meu pai falava que um homem pode entender outro. Eu acho que é verdade.

-É. – suspirou.

Essa é minha chance de descobrir mais sobre ele!

-Quer conversar sobre o que aconteceu?

Ele deu de ombros.

-Eu posso tentar.

Assim que terminei a minha receita infalível, entreguei o Ganache para Miguel que aprovou seu café da manha. Aha, toma essa Aline! Ele respirou fundo e percebi que contaria sua trajetória.

-Eu me lembro de estar voltando para casa quando uma van branca parou do meu lado e varias mãos me puxaram para dentro.  Eu estava gritando por ajuda, mas ninguém aparecia. Então, eu vi minha mãe correndo até mim, ela estava quase chegando quando um homem... pegou uma arma e... – Miguel parou e voltou a tremer enquanto suas lágrimas escorriam em abundancia. – eles mataram a minha mãe bem na minha frente e me doparam logo em seguida. Quando acordei, já estava preso pelos braços e um cara estava... fazendo coisas dolorosas em mim.  Fiquei desse jeito por três dias e no final eles me trancaram em um baú escuro e eu fui enterrado vivo.

-Meu Deus! – deixei escapar. Não consigo acreditar que exista alguém capaz de fazer isso com uma pessoa, com uma criança.

-Só estou vivo porque pedi a DEUS que me ajudasse, então o baú despencou e eu fui parar em um tipo de labirinto de esgotos. Caminhei por ele até chegar aqui.  Acho que é isso.

Fiquei boquiaberto. Eu sabia que esse menino tinha passado por maus bocados, mas nunca imaginei ser enterrado vivo. Além disso, a mãe dele foi assassinada na frente dele e... Espera! A mulher morta na calçada! O pai dele! Será que devo contar algo?

-O que você quer fazer? – perguntou.

-Gosta de vídeo-game?

-Sim, muito mesmo!

-Eu tenho um Playstation 4. Pode ser?

Sua admiração e empolgação chegavam a ser palpáveis. Talvez fosse melhor distraí-lo com jogos agora e conversar com Aline sobre isso depois.

Narrador Aline on:

Passei por uma loja de brinquedos e logo me lembrei da promessa que havia feito para Miguel. O que eu deveria comprar para ele? Deveria ter pedido o que queria. Graças a Deus Emily estava comigo e poderia me ajudar a comprar algo. É claro que não contei para quem era o presente, mas foi fácil convencê-la de que minha infantilidade precisa de agrados.

-Ah, você tinha razão. – ela falou enquanto procurava algo nas prateleiras da loja ao meu lado.

-Sobre o que?  

-O amigo virtual do meu namorado, é somente um amigo mesmo.

Que alivio!

-Ângelo me explicou tudo e contou que o nome do amigo dele é Marco. – Emily falava tudo muito empolgada. – nós até saímos juntos para jantar. Marco é um amor.

-Eu disse. – peguei um ursinho marrom de tamanho médio e o ergui na frente dos olhos de Emily. – o que acha desse?

-É bem a sua cara.

Depois que paguei o brinquedo e me despedi de Emily, fui direto para casa. Surpreendentemente, não tive muito trabalho na livraria e consegui fazer os deveres da faculdade nos tempos livres. Analisei o ursinho de pelúcia mais uma vez, ele era bastante simples, mas muito fofo. Igualzinho ao Miguel, mas talvez eu fique com o pelúcia para mim, afinal não estava mentindo quando disse a Emily que minha infantilidade precisava de agrados. Gargalhei com esse pensamento.  

 

/**/

Assim que cheguei na porta de casa, pude ouvir as vozes alegres das duas crianças jogando alguma coisa.

-Vira a esquerda, rápido!

-Eu vou bater!

-FREA!!!!

-Tá bom, calma.

-Acelera, agora!

-Pronto.

-Meu Deus, FREA!

-É para acelerar ou para frear?

-Acelera freando!

-Como eu faço isso?

Não pude controlar a risada. Alan realmente colocou o garoto para jogar Need for Speed. Essa discussão deles me levou a entrar em casa gargalhando feito uma louca.

-Não ri muito não, porque o garoto é melhor do que você. – Alan atacou.

-Ah é? Depois eu quero jogar contra você Miguel.

-Eu sou invencível! – finalmente ele aparentava ter a idade que tem. Um garoto forte, competidor e alegre.  

-Então. Não. Ganha. Presente. – falei entre pausas para provocar.

Miguel desligou o jogo colocando a programação da TV aberta e veio correndo na minha direção com um sorriso radiante.

-O que é?

Retirei lentamente o urso da sacola e percebi a empolgação aumentando no olhar do garotinho conforme o brinquedo ia saindo do embrulho.

-É lindo! – ele praticamente gritou ao abraçar o pelúcia.

-Achei que combina com você. – falei afagando seu cabelo.

-Muito obrigado! – ele me abraçou o mais forte que podia, na verdade, ainda estava meio anêmico.

Alan me lançou um olhar que parecia disser “mandou bem”. Senti-me ótima com isso, aliviada e agradecida.

-Ultimas noticias do caso do seqüestro do menino Miguel Fontes.  – uma repórter começou a falar na TV. – depois de encontrar a esposa morta e prestar uma queixa sobre o desaparecimento do filho, Eliot Fontes cometeu suicídio.

Alan e eu se olhamos apavorados. Antes que pudéssemos alcançar o controle e desligar a televisão, Miguel depositou lentamente o ursinho sobre o sofá e prendeu seus olhos nas imagens de um homem enforcado na TV.

-Papai... – sua voz quase indecifrável foi a única coisa que conseguimos ouvir de verdade.

Alan arrancou a tomada da TV com tanta violência que foi surpreendente não ter arrebentado o fio. Ele chamou por Miguel, mas, pela primeira vez, não consegui decifrar a sua expressão.

De repente, Miguel correu até a cozinha como se estivesse em um transe. Nós dois o seguimos chamando por seu nome, mas ele parecia não ouvir e nem ver nada. Não sei o que fazer! Sinto-me culpada por isso. Miguel retirou uma faca de carne da gaveta e se virou na nossa direção. Então ele sorriu, mas não foi um sorriso psicótico ou alegre, foi um sorriso de adeus.

Antes que Alan ou eu pudéssemos reagir, Miguel fincou com toda a sua força a ponta da navalha em seu pulso esquerdo, atravessando-o até o cabo da faca travar na parte superior de seu pulso. Ele perdeu o controle! Ele esta tentando se matar! 


Notas Finais


Não percam o proximo capitulo... Bjs, fiquem com DEUS.


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