História Geborgenheit - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Yuri!!! on Ice
Personagens Victor Nikiforov, Yuri Katsuki
Tags Daeho, Victuri, Yuri!! On Ice
Exibições 180
Palavras 2.166
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Esporte, Shoujo (Romântico), Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


E vos trago mais uma fanfic de Yuri!!! On Ice. :)

Já faz algumas semanas que eu tenho planejado essa oneshot. Na verdade, ela inicialmente era para ser uma drabble focada no Yuri, usando alguns elementos da história, porém eu mudei drasticamente o enredo (arquivei a ideia original, para, quem sabe, usá-la no futuro ~) e acabou nisso aqui. Essa fanfic surgiu da minha necessidade de escrever algo em segunda pessoa, hahahaha.

A história representa uma compilação de headcanons minhas (sim, eu tenho uma listinha em que anoto minhas próprias headcanons), juntamente com uma análise do Victor, porque ainda continuamos sem saber muito sobre ele. A fic também foi planejada antes do episódio 7, então vocês podem encarar como uma realidade alternativa, já que eu mudei algumas coisas relacionadas, principalmente, a O Beijo™. Resolvi postar hoje por causa do aniversário do Yuri, não quis deixar a data passar em branco. ~

No más, espero que gostem da fanfic tanto quanto eu gostei de estruturá-la! Boa leitura. ;)

Capítulo 1 - Capítulo Único.


Fanfic / Fanfiction Geborgenheit - Capítulo 1 - Capítulo Único.

Nunca passou pela sua cabeça que, em menos de um ano, a sua vida pudesse mudar tanto.

Você era Victor Nikiforov, um ícone da patinação artística. Era adorado e idolatrado por muitos, conquistando os corações alheios sem piedade. Seus fãs te ovacionavam a cada minuto, incapazes de pensar em quaisquer outras coisas quando você estava no rinque. Ainda que, no momento que os primeiros acordes ecoavam por todo o espaço, só existissem o gelo e a melodia em seus pensamentos.

Talvez por isso estivesse tão frustrado — o tempo passava, e levava sua capacidade de surpreender os espectadores. Sua inspiração esvaía-se como água escorrendo por entre as falanges. Você se empenhava em buscar uma solução, porém nada cabível lhe vinha à cabeça. E, de repente, você já não sabia o que lhe esperava no ano seguinte.

Até que veio aquele vídeo.

Você assistia compenetrado a um patinador japonês interpretar seu programa livre. Ele não possuía tanto aperfeiçoamento de técnica e alguns movimentos não foram devidamente executados, no entanto, isso não importava. Havia um algo a mais, um algo que havia lhe prendido e lhe proporcionado um sentimento completamente novo.

Naquele instante, você percebeu. Você percebeu, enquanto assistia ao vídeo pela terceira vez, segurando Makkachin com mais firmeza em seu colo.

Ali estava o seu futuro. Tudo o que precisava fazer era verificar quando sairia o próximo voo com destino a Fukuoka.

§

Yuri Katsuki nunca falhava em te surpreender.

Já fazia alguns meses desde que você decidira treiná-lo para ganhar o Grand Prix e, durante esse tempo, você se viu afeiçoando ao seu aprendiz. Tudo em Yuri te deixava extremamente maravilhado — a determinação que vinha à tona quando estava prestes a se apresentar; o jeito adorável com o qual as maçãs do rosto se avermelhavam quando você ousava se aproximar mais do que o necessário; a relação dele com a família e com os amigos; o amor por katsudon, de modo que o olhar se iluminava ante a comida; até mesmo traços mais simples como o sorriso suave que Yuri exibia quando brincava com Makkachin lá fora. Todos os detalhes faziam você se importar ainda mais, interessar-se cada vez mais por ele.

Havia momentos em que você o incitava com provocações, limitando-se a apreciar o modo como Yuri reagia. Mas também existiam momentos mais delicados, em que você constatava o quão inexperiente era quando se tratava dos sentimentos de ambos. Você cometia deslizes, afinal a idealização de um Victor Nikiforov isento de defeitos era algo que somente fazia parte de fantasias. Você também havia muito a aprender, apesar de ser o técnico. Yuri Katsuki também te ensinava a encontrar sua própria humanidade.

Era impossível para você não se apaixonar por Yuri, visto a infinidade de sensações que ele lhe proporcionava.

Você se viu sendo atingido por um calor propício, que aqueceu até mesmo seu coração. Você se viu consumido pelo desejo de estar sempre perto de Yuri, assim como lhe fora pedido. Você não conseguia imaginar sua vida sem os momentos que o faziam mais humano do que suas habilidades.

Houve, por exemplo, todas aquelas vezes em que flagrara Yuri e Makkachin juntos, sob o clima ameno de Hasetsu. Você os observava com um olhar calmo, contemplando a expressão serena de Katsuki enquanto sua face era lambida pelo cachorro múltiplas vezes. Você se esforçava para ouvir a risada sutil que ele soltava, sendo cauteloso o suficiente para que sua presença não fosse percebida. Você amava dias como aquele; brisa gelada, sol ameno e Yuri. Uma combinação mais que perfeita.

Igualmente, você guardava em sua memorabília o momento em que passara a chama-lo por solnyshko¹. Na primeira vez, saíra espontaneamente e por uma fração de segundos você próprio se surpreendeu, enquanto observava a expressão confusa de Yuri. Contudo, você não o explicou e continuou usando o termo — ao passo em que seu aprendiz não parecia se importar.

— Victor… O que significa isso? — ele questionou finalmente, após alguns dias. Carregava grande curiosidade no olhar e, diante daquelas írises tão adoráveis, você não pôde deixar de responde-lo.

E, apesar do rubor que o tomou a face, você não parou de chama-lo desta forma.

Porque, afinal, não deixava de ser uma verdade — Yuri era seu precioso solnyshko.

Você se viu, então, evocando outros preciosos momentos, deliciando-se com as lembranças e deixando seus próprios sentimentos reviverem os dias em sua mente.

Teve aquela vez em que ele estava contigo, sentado num galho baixo duma árvore qualquer. Você conversava sobre trivialidades, vez ou outra mencionando algo relacionado à patinação. O dia não estava tão ensolarado quanto os anteriores, visto que nuvens formavam imensos desenhos nos céus. Apesar disso, não havia indício algum de chuva.

Yuri respondia às suas perguntas de forma reservada, evitando te encarar por muito tempo. Parecia retraído, como se algo o estivesse incomodando recentemente.

— Yuri, está tudo bem? Você parece incomodado com alguma coisa — você disse da forma mais sutil possível, aproximando-se até sua mão pousar sobre a dele. Preocupação tingia sua face.

— Uh? N-não é nada! — ele exclamou nervoso, desfazendo-se do contato quase que imediatamente. O silêncio permeou por alguns segundos, até Yuri continuar: — É só que… — virou-se para te fitar, numa coragem súbita. — Victor, eu… Eu queria…

Entretanto, antes que ele pudesse completar a sentença, um barulho problemático surpreendeu a ambos, e logo você se encontrava na grama, com fragmentos de madeira sob si e o corpo de Yuri tangenciando o seu. O galho partira e, como resultado, suas costas doíam.

No fim, você não foi capaz de ouvir aquelas palavras. Apesar de que, atualmente, você faça ideia de quais poderiam ter sido.

Apesar disso, na época, você continuou pensando sobre aquilo. E então exatamente dois dias depois, vocês estavam novamente na praia, dominados por aquele clima nostálgico. Um céu nublado fazia apenas alguns raios de sol refletirem no mar. Você tinha sua mão sobre a de Yuri novamente, mas dessa vez ele não se afastou.

Você lentamente tirou os óculos dele e permaneceu admirando-o por um breve momento, para gravar cada centímetro daquele rosto. Logo o tato substituiu a visão, e você dedilhava a pele macia com um sorriso, divertindo-se com a impaciência nos olhos cor de chocolate.

Porém, você não esperava que Yuri fosse segurar sua mão para cessar o contato, abaixando-a para, enfim, inclinar-se para firmar um beijo deliberado. E você provou dos lábios doces e cálidos dele, enquanto gotas raivosas de chuva os encharcavam, pouco a pouco. Mas você não se importou muito e prosseguiu com o beijo, deitando-se sobre Yuri naquela pedra e estendendo a carícia para o queixo, pescoço, clavícula. Os murmúrios positivos em resposta eram como música para seus ouvidos. Enfim você teve ciência do quão precisava daquilo, da dimensão do efeito que Yuri Katsuki tinha sobre si.

Você amou isto naquele dia, uma alegria provocada pela beleza estonteante dele te enlaçando. Você então era Victor Nikiforov, apaixonado por Yuri Katsuki e seus pormenores.

Você também foi o único a pegar uma gripe naquele mesmo dia, mas seu namorado cuidou muito bem de você.

A partir daí, você já não era mais capaz de imaginar sua vida sem o patinador japonês. Talvez ele tivesse se tornado a sua vida. Cada beijo que trocavam às escondidas — por não haver necessidade de espalhar sobre o relacionamento, pelo menos não ainda —, cada olhar significante, cada toque, cada palavra… Eram coisas com as quais você nunca sonhara alguém poder fazer contigo.

E você estava feliz, portanto. A sua felicidade era tamanha que às vezes não conseguia contê-la.

Como naquele dia em Hasetsu, quando estava jantando juntamente à família Katsuki. Yuri acomodou-se a seu lado com visível animação, trazendo consigo seu celular. Aquela súbita alegria era tão encantadora que você mal prestou atenção no motivo, e a única coisa coerente a se fazer no momento — pelo menos em sua cabeça — fora puxá-lo para um beijo rápido e com gosto de katsudon.

Quando se separaram, porém, você se deparou com os olhos arregalados e o constrangimento de Yuri. Você franziu a testa e pareceu confuso por alguns segundos, até que lembrou. Lembrou que a família dele estava ali.

Oh.

Bom, já era tarde demais, manter o relacionamento em segredo estava fora de questão.

Principalmente alguns dias depois, quando estavam na China e você beijou Yuri na frente do mundo inteiro.

Não que você se arrependesse, aliás — o amor que sentia por ele transbordou ao final da apresentação, e tudo o que você conseguia pensar era nele. Você só enxergava Yuri naquele instante, sentindo-se extremamente grato por tê-lo em sua vida e por também fazer parte da dele.

Você queria expressar o quão apaixonado estava, e por isso as câmeras pouco importavam. Havia apenas Yuri.

Logo, na mesma noite você comemorou com ele a seu modo. No quarto do hotel, longe dos olhares — onde só a necessidade de estarem próximos existia. Você sentia a tez quente ao encontro da sua, um choque prazeroso conectando os dois. Você sentia os lábios dele deixarem marcas por toda a extensão de seu corpo, enquanto as roupas eram jogadas em algum canto qualquer. Você arfava, suas mãos percorrendo as costas desnudas de Yuri. Sentia alguns arrepios quando a língua encontrava sua pele. Seu corpo arqueava minimamente a cada mordida.

E você se viu querendo proporcionar o mesmo deleite a seu amado, não sendo tão delicado tampouco tão voraz. Você se viu explorando-o com o olhar, a boca e as mãos, de diversas formas diferentes. Seus dedos envolviam a ereção do outro em movimentos libidinosos, numa explosão de sensações. Você estava extasiado com a melodia que escapava pelos lábios dele à medida que o tocava; a incitação para que continuasse o processo somente perpetuava aquele prazer. Então você ergueu a cabeça para olhá-lo uma última vez, antes de substituir seus dedos por sua própria boca.

Daquele jeito, Yuri acabaria lhe levando à loucura. Não que você fosse contra.

Aquela fora uma noite de regozijo.

§

Você estava, enfim, em Hasetsu. Não sob as circunstâncias que gostaria, pois Yuri não estava contigo; mas você não deixaria Makkachin de forma alguma. O cachorrinho era sua família há bastante tempo, e saber que ele estava em apuros te deixara extremamente preocupado. Ainda que uma parcela de culpa tivesse se apropriado de você por ter deixado seu aprendiz, sabia que Yuri ficaria bem mesmo sem sua presença física.

Apesar disso, você sentia saudades. Mandara inúmeras mensagens para seu namorado antes do programa livre, depositando sua confiança nele e relatando a melhora de Makkachin. Você até mesmo enviara uma foto sua com o poodle e Minako, os três torcendo por Yuri. Contara que, embora esteja cuidando do cachorro com afinco, não deixaria de assistir à performance. Afinal, você nunca tiraria os olhos de Yuri Katsuki.

E, céus, você não via a hora de estar ao lado dele novamente, porque era isso o que lhe arrancava os mais genuínos sorrisos. Como esse que você exibia para a tela, num misto de orgulho, ternura e completo idílio; Yuri era o único capaz de lhe expor às mais profundas emoções. Você sentia tanto orgulho que achava injusto estarem separados num momento como aquele.

Desse jeito, seria obrigado a matar a saudade de forma apropriada quando Yuri retornasse ao Japão.


 

OMAKE

Yuri estava novamente no Japão, e todos estavam reunidos na casa dele para comemorar o aniversário. Você sorria, observando o quão alegre ele parecia pela surpresa — e não deixava de sentir-se um tanto ansioso, pois planejara algo inusitado para ele.

Enquanto Yuri conversava com os Nishigori, você cautelosamente se levantou e foi até a cozinha para ajudar Hiroko. Todos — obviamente, com exceção do aniversariante — sabiam do presente que preparara, e compactuaram com você nesse aspecto.

Você pegou duas tigelas com katsudon e as levou consigo, entregando uma a Yuri que agradeceu com um sorriso.

Ele era absurdamente encantador, você pensou.

Todos se acomodaram à mesa e se puseram a jantar. Você comia sem muita pressa, direcionando olhares cautelosos e sucintos a Yuri, que se encontrava a seu lado. Você observava a expressão inocente de satisfação no rosto do Katsuki, alheio à conversa instaurada na mesa. Apenas esperava pacientemente.

Até que Yuri começou a tossir subitamente, engasgando-se com algo. Você o assistiu cuspir alguma coisa e então contemplar o objeto.

Os olhos dele se arregalaram e logo encontraram os seus. E você sorriu da forma mais sincera possível, aproximou-se e sussurrou no ouvido dele, num fio de voz e num tom galanteador:

— Yuri, você aceita se casar comigo?

Você gentilmente tomou a aliança da mão de Yuri, estendendo-a. Admirou o quão, inicialmente, ele pareceu atônito; mas aos poucos sua expressão suavizou, transformando-se em ternura plena. Deixou que você pusesse a aliança enquanto exclamava uma afirmação. Na voz, percebia-se que aquela era a maior certeza que tinha.

Você corou minimamente quando seus olhos encontraram os dele, vendo sua própria imagem refletida levemente nas írises. Encostou sua testa a dele e o beijou, ignorando as exclamações de surpresa de Minako, Takeshi e Yuko, assim como as palmas que irromperam por parte das trigêmeas.


Notas Finais


GEBORGENHEIT (s.); em alemão: sensação de segurança e bem-estar como se nada pudesse prejudicá-lo. sentimento geralmente ligado a um determinado lugar ou pessoa.

¹ - é um termo de afeto. Significa "raio de sol" (da mesma forma que sunshine). Pronuncia-se 'sol-nishcá'.

Então, o que acharam? <3

Obs.: eu estou organizando um evento pra trazer mais fanfics para vocês. Fanfics de YOI estão inclusas no pacote. <3 Se quiserem saber mais, podem ler o meu jornal: https://spiritfanfics.com/perfil/junkenoshit/jornal/-daeholand-series-7170558


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