História Gemini - Capítulo 1


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Palavras 761
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Gemini - Capítulo 1 - Capítulo 1

Taeyeon

 

Meu pai costumava dizer que nada acontece por acaso e que devemos ser capazes de perceber os sinais de que algo bom virá em qualquer situação. É o modo de pensar que ele aprendeu com meu avô e ensinou a mim e ao meu irmão. Sempre ver o lado positivo, sempre buscar o “se não acabou bem, é porque não terminou ainda”.

Ele gostava de frases de efeito. Acho que faz parte do publicitário dentro dele. Fazia, fazia parte. O mais brilhante e importante publicitário de Seul. Ele certamente teria a frase mais tocante para este momento, que se encaixaria como uma luva.

Meu pai não deixou de acreditar nem quando a vida lhe sentenciou à morte. “O que tiver de ser será... Vou ficar bem. A vitória pertence a quem acredita nela por mais tempo”.

Sei que isso é citação de alguém. Ele adorava citações em qualquer língua. Todo dia ouvíamos uma.

Quando papai conseguiu ultrapassar os seis meses de vida que lhe foram estipulados pelo câncer no pulmão, minha fé redobrou e acreditei que ele venceria, mas eu não era parâmetro. Eu acreditava em qualquer coisa que ele fizesse ou dissesse.

Agora, 2 de janeiro de 2016, dez meses após o diagnóstico, acabo de assinar os documentos para liberar seu corpo, enquanto meu avô tenta inutilmente confortar minha avó.

Minha mãe ainda dorme, sob forte efeito de calmantes. Se optei por acreditar até o fim, ela — talvez por enxergar algo que eu não pude — optou por se esconder, por negar a perda iminente.

Olho ao redor e não vejo meu irmão em nenhum lugar. Preciso encontrá-lo.

Ando em direção à entrada do hospital, pensando que ele pode estar lá fora.

Pessoas entram e saem, cada uma vivendo seu próprio momento. Algumas comemoram nascimentos, outras lamentam perdas como a minha.

Olho para os lados, apressada. Preciso encontrar JiWoong.

Deixo a recepção e, quando encosto no vidro para empurrar a porta, vejo alguém tocar no outro lado para entrar. Ele usou a mão fechada.

Noto quando ele dá um passo atrás para que eu possa passar.

Trocamos um olhar, que não dura mais que dois segundos.

Olhos castanhos, marcados de vermelho, como se tivesse acabado de chorar. O lábio inferior está cortado e há um arroxeado no queixo.

Ele puxa o gorro escuro para baixo, como se eu o tivesse pegado em flagrante, e vejo apenas pontas de cabelos castanho.

Ele para e me encara, como se fosse dizer algo, ou pelo menos julgo que fosse.

Aperto mais meu casaco, que se perde em um tom entre o rosa e o salmão, ao sentir o ar gelado passar e se chocar contra a camisa branca de gola rendada que uso por baixo. A saia preta e curta, repleta de babados, não protege minhas pernas. Como o tempo pode mudar tanto em Seul? Pela manhã, por pouco não pego o casaco, mas meu pai me deu um último conselho: “Taeng, o que eu sempre digo? Não saia de casa sem casaco”.

A botinha de cano baixo e salto fino já fez com que eu perdesse a habilidade de sentir os dedos após uma tarde inteira andando de um lado para o outro, e isso me desvia do fato de que eu gostaria de poder não sentir nada.

Avisto meu irmão. JiWoong é só dez meses mais velho do que eu, o que nos faz ter a mesma idade, vinte anos, pelo menos até o mês que vem, quando ele fizer aniversário. Ele é a versão adolescente do meu pai. Não consigo evitar um sorriso triste. É como se meu pai andasse até mim outra vez, com seus cabelos negros contrastando os olhos.

Ele me abraça silenciosamente, e, quando me solta, percebo que o rapaz ainda está parado, mas algo em seu olhar mudou ao ver meu irmão. Um brilho de inconfundível fúria surge antes que ele coloque as mãos nos bolsos do blusão cinza-chumbo e se afaste.

Se meu irmão percebe, não diz nada. É estranho e me pergunto a razão de me preocupar com isso. Talvez seja a ligação instantânea que a dor estabelece entre as pessoas. Ou talvez seja só um modo de desviar a atenção do que eu mesma estou vivendo.

Novamente, volto a pensar na conversa que tive com meu pai, e uma frase explode em meu coração, à medida que caminho com JiWoong pelos corredores brancos e congelantes do hospital: “A vida é muito mais que uma sucessão de fatos ao acaso. Quando você acha que nada mais pode acontecer, é exatamente aí que tudo muda”.



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