História Génie dans une bouteille - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Hopemin, Jihope, Pirataria
Exibições 50
Palavras 4.172
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


O título do capitulo de hoje significa "Traições e invasores"
Espero que goste <3

Capítulo 2 - Trahisons et envahisseurs


Fanfic / Fanfiction Génie dans une bouteille - Capítulo 2 - Trahisons et envahisseurs

 Um amigo pode te atrair, mas o inimigo,

ah, este sempre vai permanecer o mesmo. 

 

— Terminamos de colocar tudo aqui dentro capitão! — O homem platinado subia os degraus para a parte superior do navio, enxugando o suor de sua testa com um pedaço de pano sujo e úmido por bebida. 

  — Muito bem Namjoon, foram mais rápidos do que eu esperava. — O outro, que estava sentado nos degraus que davam acesso à proa, levantou-se e andou até o amigo, colocando a mão em seu ombro e apertando em uma parabenização. 

O outro apenas sorriu e assentiu com um gesto de cabeça, desviando o olhar para o mar aberto e tranquilo que os cercava. O sol era de derreter os miolos e a claridade absurda fazia com que todos tivessem que ficar o tempo todo franzindo o cenho para ver melhor, o calor queimava-lhe as peles já morenas e como consequência o desgaste físico que sentiam após realizar qualquer tarefa era maior, entretanto, a água doce em abundância que agora possuíam fazia com que ninguém mais reclamasse daquilo. 

Todos os homens bebiam de sua água gelada que era dos fardos furtados de um pequeno comerciante, sentados no chão ou apoiados em qualquer lugar que fosse possível, descansando com um sorriso no rosto. 

Aquilo definitivamente ajudou a aumentar o ânimo e amainar a forma mecânica que os tripulantes do  Orchestra  adotaram. 

Após o ocorrido da reunião que tivera com a realeza em que apontara sua espada para eles, Hoseok soube que seu nome estaria escrito na lista negra, que seria barrado em praticamente todos os lugares, vigiado, perseguido. Mas além de sua tripulação, ele era outro que não tinha gostado nem um pouco de ter que servir àquela gentinha maldita, estava sentindo-se uma marionete e queria sua liberdade de volta, odiava sentir um urubu nas suas costas medindo seus passos. 

Assim, unindo o útil ao agradável e a fim de dissipar a raiva que tinha daqueles miseráveis, propôs à sua tripulação um saque. Mas não qualquer tipo de saque. Um que entraria para a história e os tornaria lendas. Um saque realizado contra o Rei.

Sentiu certo orgulho ao ver todos em seu barco acatarem a ideia de prontidão, eram realmente cheios de grande coragem — e também burrice. E que  não era? A chance de finalmente ter uma vingança depois de serem feitos de escravos sem nenhuma alternativa deveria ser agarrada como podiam. Fodam-se as consequências. 

Depois de muito planejamento, testes, espera e barganhar os policiais e seguranças e também garantir um modo de os dopar - ou matar silenciosamente - chegara o grande dia. Era para ser um dia normal de Novembro onde a rainha iria para uma conferência em algum outro estado e às 15:30 o rei teria que tratar acordos comerciais e, ao voltarem, ter o banquete dos deuses que os aguardava como de costume. Sem nenhuma preocupação extra, dor de cabeça, nervosismo. 

Entretanto, aquela vida ótima que conseguiam levar estava prestes a mudar. 

A começar quando James e George, ambos ex-marinheiros britânicos e prendados com uma incrível destreza em relação ao arco e flecha, lançaram suas armas pontiagudas de metal — flechas absurdamente caras, mas que eles podiam cobrir na época e ainda as mantinham —  diretamente no crânio dos seguranças que vigiavam o grande portão. 

Após os dois primeiros terem sido mortos, os outros três trataram de desesperadamente correr em direção à cabine de segurança e tentar alertar a central, mas não eram páreos para as habilidades dos agora piratas muito bem escondidos. Caíram por terra sem nem ter a chance. Não conseguiam ver de onde estava vindo o ataque, logo, se proteger era duplamente mais difícil. 

Após as pegarem de volta e arrastarem os corpos para o meio da mata de boas plantas e árvores que cercava todo aquele lugar, constituindo um cenário de floresta controlada, George e James chamaram os outros, aqueles que realizariam a segunda parte do plano. 

Ao todo eram quatro etapas e graças aos deuses todas foram bem executadas, levando-os ao êxito. Como aqueles que guardavam o cofre, que eram os mais importantes, estavam comprados pelo que receberiam, aquilo tinha sido o menos complicado. 

Jogavam baldes e baldes de joias pesadas dentre elas coroas e brincos dentro da cabine traseira de um tipo muito antigo de carro. Um tipo que servia exclusivamente para transportar cargas e que, bizarramente, não fora saqueada como a maioria das coisas que eles possuíam. 

Só acabaram o que estavam fazendo quando realmente não dava mais. Todo o espaço estava ocupado e o peso tinha que ser controlado ou o veículo perderia muita velocidade. O resto dos seguranças foram mandados para o outro lado extremo da mansão enorme em que se encontravam, logo, não tinham com o que se preocupar.

Fecharam o baú de cargas com um sorriso no rosto. Jogaram para os homens alguns sacos e deram no pé, sumindo da vista deles com a intenção de nunca mais aparecer. 

Foi um percurso de mais ou menos duas horas até chegarem a um porto recém-construído e praticamente nunca utilizado, onde Orchestra  estava fincado na areia, em espera, com seu capitão apoiado no mastro e um brilho de orgulho nos olhos. 

 

 

  ∆  

 

A situação tinha ficado estranha pouco tempo depois que içaram as velas e ergueram a âncora. Mais precisamente, depois que o navio fora embalado em uma velocidade razoável. 

Hoseok estava na proa do navio, ambas as mãos no timão e tentando se concentrar em manter o navio na corrente marítima que havia pego. Esta tarefa que supostamente devia ser algo simples, já que uma vez nela é difícil de sair, e nem é necessário ficar manipulando o timão o tempo todo, estava tornando-se um martírio. Namjoon que estava há poucos passos atrás de si não parava quieto, andando de um lado para o outro, deixando seu nervosismo terrivelmente exposto. 

O platinado era sinônimo de discrição, então não foi muito complicado para Jung perceber que ele queria ser notado. 

Aquele barulhinho irritante do pequeno salto da sola do sapato alheio contra a madeira já estava lhe dando nos nervos. 

Bateu ambas as mãos no timão em desistência e soltou-o, virando para o amigo com expressão de preguiça. 

  — Diga logo. 

Ele levantou a cabeça e olhou para Hoseok com inocência. 

  — Não se faça de otário. — Jung sorriu de lado, falando em um tom ameno, geralmente era paciente tratando-se de Namjoon, já que este tinha frequentes conflitos internos. — Eu sei que você quer me contar alguma coisa, pois diga. 

O outro suspirou e colocou as duas mãos na cintura. Uma grande nuvem havia entrado na frente do sol e agora a quentura não estava mais tão desagradável, deixando o clima morno. Soltou o ar pela boca depois de fazer uma sequência de caretas e depois do que parecia ser reunir toda a coragem que tinha, olhou no fundo dos olhos de Hoseok. 

  — A marinha britânica está vindo atrás de nós. — Ele disse aflito, soltando de uma vez só como se jogasse uma bomba. 

O capitão suspirou agradecendo mentalmente por ter sido aquilo e não algum assunto complexo o qual o faria pensar até fritar os miolos para ajudar o amigo. Se bem que, do jeito que as coisas estavam, não fazia isso há um bom tempo.

— Bom, isso é óbvio, assaltamos o cofre real e somos um dos primeiros a ser revistados e etc. — Respondeu com calma. Estavam indo deixar a mercadoria em algum lugar para que não houvessem pistas de que foram eles afinal. — Não se preocupe com isso, Namjoon! É pedir para ter desgaste emocional a toa. 

— Você não está entendendo, capitão, eles estão vindo agora. — Ele passou as mãos pelos cabelos desgrenhados. — Temo que não chegaremos rápido o suficiente. E, não bastasse isso, eles têm certeza de que fomos nós. 

— Ah! Isso é impossível. Que merda andou bebendo recentemente para ter essas ideias? 

Não sendo o suficiente terem pagado uma quantia altíssima para os seguranças, dando-lhes vinte porcento do que tinha lá dentro, ainda estavam calados sobre ameaça de morte. Eles não eram loucos! 

 —  Eu não bebi nada Hoseok. — Ele suspirou e jogou-se contra uma cadeira de madeira que estava próximo à escada. Estava claramente abalado e Jung estava começando a se preocupar. 

Deu alguns passos até o amigo e sentou-se no chão, usando as duas mãos para apoiar o corpo e esticou as pernas. Relaxado, pôde olhar com mais paciência para as feições do amigo e, com muito custo, dentro de seus olhos, de forma mais intensa. 

A perna dele mexia repetitivamente em um movimento controlado.

  — Tem alguma coisa que você não está me contando, não tem?  — Jung questionou. 

Namjoon assentiu. 

— Eu... Eu estava no convés inferior... Pegando bebida... — Ele começou a falar, com um jeito hesitante. — Isso não importa, a questão é que.. 

Ele não queria falar. 

A realidade estava clara para todos menos Jung. O Kim não queria abrir a boca, estando em um conflito interno que consumia seu ser com a dúvida de contar-lhe sobre aquilo ou não. Hoseok estava passando por uma fase difícil, tinha feito uma pequena melhora mas nada tão significante ao ponto de confiar em sua tripulação novamente. 

Dar-lhes ordens e acreditar no potencial que tinham para realizá-las era algo. Dar confiança, apesar de não parecer, era outra. Sabia que seus homens tinham coragem e destreza, sabiam lutar e ir à missões. Mas não confiava-lhes seus planos ou informações, ou até mesmo ficar no mesmo cômodo de costas enquanto o outro possuí uma faca. 

Aquilo só iria agravar mais ainda a situação. 

Hoseok estava de bom humor, mas e quando aquilo acabasse? 

  — Namjoon! Diga-me logo antes que eu vá atrás de cada homem nesse navio que também sabe de alguma coisa e os faça abrir a boca. — Dessa vez sua voz foi carregada de firmeza e autoritarismo.    

 — Eu ouvi dizer por um dos nossos homens que os policiais têm certeza de que somos nós. Ele estava comentando isso com o amigo dele, estavam sussurrando, o que deixou claro que apenas eles sabem e não toda a tripulação. 

— E por que você está dando tanto crédito ao que ele diz, Nam? — Tombou a cabeça para o lado, fazendo com que seu chapéu caísse no chão e causasse um baque mudo. Não se preocupou em pegar de volta. 

— Porque eu tenho certeza de que ele está falando a verdade! — Insistiu com teimosia na voz e inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. 

— E como caralho você pode ter essa certeza? — Jung stava começando a se irritar, francamente!  

  — E-eu... — Ele suspirou, tinha que contar a verdade ou Hoseok nunca acreditaria em si. — Joshua nos traiu e contou para a marinha britânica em troca de proteção e pérolas. Ele estava sussurrando para Greg sobre isso, que estava cansado desse navio, dessa tripulação, que merecíamos nos foder e ele fez questão de fazer isso. — Namjoon suspirou, fitando o timão à sua frente a fim de não olhar para o amigo. — Isso foi enquanto ainda colocávamos a encomenda  dentro do convés, bem no final, ele não sabia que eu estava ali. Se serve como prova para confirmar o que estou te falando, pode procurar os dois em qualquer canto desse navio e vai ver que não os encontrará. Eles desceram antes de darmos partida. 

O moreno piscou. Sua expressão era impassível e por dentro ele estava tão perplexo quanto poderia. 

Ainda não tinha entendido muito bem, uma grande quantia de informação foi jogada em seu colo de uma vez só e ele não sabia o que pensar primeiro, qual prioridade colocar no topo de sua lista. 

Estava puto. Sabia que não devia confiar naqueles vermes, fora questão de virar as costas três segundos e a traição lhe veio por trás, e não só a si mas a todos. Queria sair xingando e rasgando a garganta de cada um ali. 

Estava também receoso quanto a que atitude tomar. Seria melhor ir logo para uma ilha, largar seus homens e ir para aquela que o tornaria milionário? Ou guardar aquele tesouro e agir como se nada estivesse acontecendo, aproveitando com eles e só depois que a poeira abaixar, tomar alguma atitude? 

Devia estar focando-se na segunda, mas infelizmente a época em que tivera uma boa estabilidade emocional ficara lá atrás. 

Com a raiva esquentando seu sangue e fazendo seu corpo sentir uma quentura, que subia de onde seu coração bombeava com força por todo o peito, pescoço e chegava em seu rosto, Hoseok se levantou com os punhos fechados. Podia praticamente sentir a amargura em sua boca. 

  — Reúna todos. Eu vou descer ali embaixo e mostrar o que acontece com quem me trair. Tiro a vida de quem for necessário para mostrar a estes filhos da puta que não se brinca comigo. — Começou a andar de um lado para o outro, e em um ataque de fúria chutou seu chapéu para longe, este parando quando bateu contra a madeira. 

— Se controle Hoseok! Essa não é a coisa mais importante do que eu te contei e você sabe! Podemos estar sendo seguidos ou ter uma emboscada em nosso aguardo. — Namjoon se levantou também e entrou na frente do amigo. 

— Sai da minha frente! — Brandou irritado e empurrou-o com força. — Como posso ter a certeza de que a emboscada não está aqui dentro? Diga-me!  

— Apenas Joshua e o outro sabiam capitão, eles estavam silenciosos demais e pelo que me lembre de ter dito, eles não  gostavam de nossos homens.   — Ele colocou entonação firme no não.

— E espera que eu faça o que então? Não conseguirei conviver mais nesse barco com essas pessoas após essa porra. — Disse entredentes, contrariado. Sua mandíbula estava marcada de tanto que apertava os dentes. 

  — Eles não têm culpa disso e você, bem ai no fundo, sabe disso. Não é porque um te traiu que todo o resto não presta. Estes homens passaram pelo pior contigo Hoseok, aguentaram firme até hoje mesmo quando você não merecia, e talvez ainda não mereça. — Ele foi rígido em suas palavras, estava perdendo a paciência com seu capitão. 

— Não consigo acreditar em uma palavra do que diz. 

— Isso é problema seu. Resolva isso depois, o que temos que fazer agora é buscar uma atitude benéfica e com garantia de que vai dar certo. — Namjoon retrucou e o outro nada respondeu. Ficaram nesse silêncio por um tempo, somente o ruído de respiração ocupava o ar. O platinado suspirou. — Seok, isso é sério. É para o seu próprio bem. Eles não sabem o que aconteceu e é melhor assim, ou sua credibilidade decairá ainda mais. 

  — Como assim "ainda mais"? — Fez aspas com o dedo e virou-se para o amigo com uma careta, não queria entrar naquele assunto.   

  — Você sabe o que quero dizer com isso, não é tolo, sabe bem de sua atual reputação. Ela está melhorando um pouquinho a cada dia, não foda com isso, Seok.   — Namjoon pediu ameno. Não queria mais conflitos por ali, não queria seu amigo mal, não queria lutar, estava cansado. 

  — Eles serão mais idiotas do que penso se forem levados por isso de reputação.  Eu recrutei cada um a dedo e dei-lhes abrigo e comida, nada muito farto eu admito mas sobrevivemos bem! E agora com esse assalto estamos milionários Namjoon, é tudo questão de tempo. 

  — Ah é? Quanto tempo? Estamos indo para uma ilha que você nem pode afirmar a existência, confiando plenamente nos Ventos do Oriente e nós sabemos muito bem que a marinha japonesa não é das mais confiáveis, para depositar todo esse tesouro que pode ser saqueado de nós, isto é, se chegarmos vivos até lá...   — Ele começou a matracar sem parar, enfiando verdades ouvido adentro de seu capitão.   

  — BASTA! Ventos do Oriente não são loucos de brincar desse jeito conosco. E se está se doendo tanto assim por seus amiguinhos leais os tire desse navio então! Juraram fidelidade, não é mesmo? Você não me diz que são leais? Nada mais justo do que a morte caso for necessário.

— Olha a merda que você está dizendo Jung!  Eles são leais ao senhor por acreditarem que você está passando por uma maré ruim e logo voltará. Eles não estão se importando com o tesouro, eles procuram felicidade e confiança, e você não está dando nenhum dos dois. — Namjoon engoliu a seco ao ter o olhar de Hoseok o fuzilando, mas precisava ser honesto, ele precisava saber da verdade ou o navio ruiria e não seria por culpa da marinha britânica. 

  — Não há como eu depositar crédito neles, são como porcos! Pau mandado de quem quer que apareça e ofereça alguma coisa, basta ver o que eu fiz! — Estava desacreditado. Aquela tripulação era um bando de incompetentes, traiçoeiros que jamais colocariam o indicador no tesouro que ele iria descobrir.   

   — ELES SÃO HUMANOS! — Namjoon esbravejou, fechando o punho com força e depositando um soco certeiro no nariz de Hoseok, fazendo este cair no chão.  — Se por acaso estão desse jeito que você viu, ou inclinados à traição a culpa é unicamente sua! Você deveria lhes dar a motivação em vez de deixá-los cegos. E mais importante, não os mandar para a morte. 

O silêncio tomou conta do local, o capitão preferiu não responder. Ao erguer o olhar que antes encarava o chão onde seu sangue pingava, Jung deparou-se com o olhar quebrado e pesado do amigo fitando-o de um jeito que fez seu estômago se embrulhar todo. 

  — Se você não estivesse precisando de uma séria ajuda nesse momento, Hoseok, eu juro que te mandaria nunca mais olhar em meu rosto. —  Kim disse baixinho, desistindo de dialogar com aquele que considerava seu amigo, mas que não reconhecia mais. 

Hoseok levou as mãos até cabeça e escondeu seu rosto nas duas palmas. Em seguida, deslizou-as pelo rosto, sentindo suas têmporas pulsarem assim como o nariz. Aquele assunto estava o deixando com uma dor de cabeça terrível e parecia não se findar. Estava com dificuldade até mesmo para engolir a saliva por conta da raiva. Ele não era assim, e não sabia quando foi que passou a descontrolar-se tanto. 

Depois de pensar superficialmente sobre o assunto, disse:

 —  Está com medo de uma armadilha? Que estejam nos aguardando? Não seja isso um problema. Pararemos em uma cidade, ficamos por uns dois dias, e depois nós vamos.     

O platinado abriu a boca para o responder, mas a fechou em seguida. Sabia que aquilo era o máximo que conseguiria de Hoseok, então agarraria como podia a oportunidade de fazer algo dar certo. Assentiu com a cabeça, minimamente, e limitou-se a isso. 

Os dois encaravam-se profundamente, cada um com o olhar cheio de significados que o outro não era capaz de entender. O capitão se levantou e jogou o peso de seu corpo para a perna direita, inalou fundo, olhou para as próprias botas pretas com os cadarços estourados e suspirou. Segurando um revirar de olhos, subiu todo o tronco de Namjoon até olhá-lo nos olhos. 

Droga!  Ocorreu em sua mente então a dúvida de o que fariam então caso os inimigos atacassem subitamente, enquanto estivessem indo para a cidade?  Com todos desavisados a chance de serem massacrados eram maiores. Mas se era ele  falando, e também não queria estar com a reputação tão fodida assim com ele ao ponto do outro não querer olhar em seu rosto. Daria um voto de crédito, Kim não era o contramestre apenas por ser um titulo bonito.

Quando abrira a boca para comunicar que aceitava a decisão do outro e que permaneceria quieto, a voz de Yoongi ecoou mais alta. 

  — CAPITÃO! Acho que você vai querer dar uma palavrinha para esse daqui. — O outro loiro estava subindo o último degrau para a proa do navio, onde se encontravam, próximos do timão. Um sorriso travesso estava em seu rosto, e sua mão segurava o colarinho da camisa de um garoto que não aparentava ter mais de dezenove anos. 

O moleque vinha resmungando coisas e ordenando que o outro o soltasse pois não estava fazendo nada, tentando livrar-se de Yoongi, mas o outro era bem mais forte que si e arrastou-o até onde os outros dois da tripulação estavam. Jogou o corpo no chão com certa brutalidade. 

  — Qual é o problema? — Hoseok analisou o moleque de cima abaixo com uma expressão rígida. Seu rosto já estava doendo, francamente...

  — Peguei esse bonitinho aí tentando roubar o seu convés.  — O loiro falou orgulhoso de si mesmo e ao ver o que estava no chão começando a se levantar, ergueu o pé e chutou contra a costela do ruivo, que gemeu de dor e estatelou-se novamente no piso de madeira. — Quando o achei ele estava roubando isso daqui. 

Os olhos do capitão instantaneamente arregalaram-se. Fora impossível manter-se impassível ao ver Yoongi retirar do bolso e erguer o pedaço de papel mais precioso do mundo, ele ousaria dizer. Reconheceria aquele dobrado de qualquer lugar. Com uma pressa que não era de si, tirou com brutalidade o papel das mãos de seu Imediato e guardou em seu próprio bolso. 

O outro o encarou estranho, e a cutucada do dedo de Namjoon em seu baço e seu olhar repreensor mandaram um claro aviso de que teria que reparar seu erro. 

Deu alguns passos para mais perto do baixinho e sorriu para ele. Pôde reparar que ele olhava curioso para seu nariz, mas preferiu não falar nada a respeito. 

— Muito obrigado, Yoongi, isso não será esquecido você pode ter certeza. — Hoseok apertou o ombro dele como sempre fazia para agradecer alguém. O loiro sorriu orgulhoso. — É bom saber que há gente prestativa nesse navio como você. 

— Ao seu dispor Capitão! Quer que eu me retire agora? — Perguntou com a sobrancelha arqueada e olhou para o menino sentado no chão sugestivamente, para então voltar para si. 

Ah, a conversinha que ele teria com o ladrãozinho. 

  — Sim, e me faça um favor, procure Joshua por todos os cantos deste navio e se o achar, diga-o que quero falar com ele. — Ordenou e o dispensou com um gesto de mãos. Não custava arriscar, caso o achassem seria sorte grande. 

Olhou então para seu contramestre que estava parado, analisando severamente o ruivo que possuía um olhar afiado. Estavam em um tipo de guerra de olhares ridícula na opinião de Hoseok, mas entendia o amigo, odiava quando crianças o desafiavam também.  

 — Namjoon, você vem comigo. Vamos interrogar o pirralho. — Ditou para o outro. 

  — Yah! Eu não sou pirralho, olha bem como fala comigo. — Sua voz estridente brandou irritada para o capitão do navio.  

Uma risada alta rasgou a garganta de Hoseok. Mas não era possível, quem o pirralho achava que era?    Olhou para o platinado que estava sorrindo também e fez um gesto em negação. Aquilo seria um bom remédio contra a dor de cabeça que tinha. 

Torceu o pescoço de um lado para o outro e foi em direção ao moleque ruivo, agachando-se ao seu lado para então dar-lhe um peteleco na testa com a maior força que poderia naquele toque simples. O ruivo prendeu os lábios em uma linha fina para não deixar escapar nenhum som de dor e o olhou feio, com a mão na testa. 

  — Eu não me dirigi à você, não sou inferior tão inferior para falar com ladrãozinho, mas que fique claro aqui que eu te chamo do jeito que eu bem entender. — Pronunciou cada palavra em forma de ameaça, praticamente trincando os dentes, e então levantou-se. 

— É Jimin. — Ele respondeu novamente. — Meu nome é Jimin, e é assim que você vai me chamar. 

Hoseok que já estava de costas para o garoto, indo para sua própria sala, apenas respirou fundo, não perderia tempo se estressando com ele, sua mente já estava sobrecarregada demais assim como seus ombros. 

— Namjoon, traga-o. — Ditou novamente antes de seguir reto para seu destino.  

— Sim Capitão. — Sua voz grave respondeu calmamente, em seguida, estralou os dedos e suspirou. Parecia que o final da conversa ficaria para depois.

Jimin ainda ostentava aquela expressão teimosa e desafiadora que tirava todos os nervos do Kim do sério. Sua mão gordinha ainda estava na testa quando fora puxado brutalmente pela camiseta pelas mãos de Namjoon, sendo arrastado pelo mesmo caminho que o capitão seguira posteriormente, e do mesmo jeito que Yoongi fizera.

  — Vocês vão ter que me dar uma outra camiseta, só para deixar avisado. — Ele retrucou com certa dificuldade por conta da gola em sua garganta, mas com um sorriso de canto firme no rosto. 

O garoto tropeçava nos próprios pés sem conseguir acompanhar o ritmo do homem; alguns dos tripulantes paravam seus serviços para encarar feio aquele que havia tido a coragem de invadir o barco que possuía o capitão mais temível de todos. Ou ao menos um deles. O barulho contra a madeira era alto, as risadas e som de metal contra metal também. 

Mais próximos à sala do capitão, Namjoon parou abruptamente e virou-se para trás com a fúria correndo por seus olhos. Diversos pares de olhos os encaravam curiosos, com sorrisos maldosos nos lábios ressecados. 

— Voltem ao trabalho que isso daqui não é assunto de vocês!  — Esbravejou antes de virar-se de volta e abrir a grande porta de madeira em um rompante. Até ele havia se rendido ao mal humor. 

 

 

 

 


Notas Finais


Yey, Jimminie entrou na história! Tiveram um pouco de diálogos entre o nam e o seok, foi algo mais superficial já que vou ir aprofundando as questões de traição e etc aos poucos, não descrevi TANTO a ação contra o rei pois não era necessária, já que esse assunto vai voltar mais pra frente, e tiveram um pouquinho do yoongi tbm que tem um papel importante.

Vejo vocês semana q vem, uhul.


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