História Génie dans une bouteille - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Hopemin, Jihope, Pirataria
Exibições 90
Palavras 4.880
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Seis dias se passaram e aqui estou!

O título do capitulo de hoje significa História mal contada.

Peço que prestem atenção nesse capitulo, ele é de boa, nada muito intenso, porém tem algumas coisas importantes e que é essencial que vocês captem para não ficarem boiando depois huh?!
Boa leitura!

Capítulo 3 - Histoire de faire semblant


Fanfic / Fanfiction Génie dans une bouteille - Capítulo 3 - Histoire de faire semblant

Uma vez que contas uma mentira, 

todas as verdades tornam-se 

questionáveis. 

 

Park Jimin considerava aquele momento o mais irritante e desagradável momento de seu dia. Não o bastante para Namjoon levá-lo como se fosse um filhote de cachorro pela pele do pescoço, após ter sido empurrado de forma bruta em direção à mesa do capitão, tropeçou nos próprios pés e não tivera a agilidade necessária para desviar a tempo da quina de madeira. 

Após ter sido jogado (de novo) pelo Kim, mas dessa vez contra uma cadeira, esparramou-se desleixadamente nela, e, com o queixo ferido, era obrigado a continuar com a mão direita pressionada para evitar mais dores, enquanto a outra tremia descontroladamente e ele nem sabia a razão. 

O sangue escorria pelos vãos de seus dedos mas ele nem se importava; estava mais ocupado encarando mortalmente um Hoseok que ostentava uma pose autoritária e olhar mandão. Não sentia-se exatamente intimidado por isso, diria mais com medo do que podia acontecer nos minutos seguintes. 

O platinado estava em posicionamento de guarda logo ao lado da porta, com os braços cruzados frente ao peito e fitando sem pausa o capitão, que pegara uma cadeira e colocara bem em sua frente para se sentar. 

  — Acredito que você vai ser um bom garotinho e responder todas as perguntas sem mentiras ou hesitações, certo? Não quero ter que sujar minhas mãos com mais um. — Falou suavemente enquanto pegava o papel de seu bolso para mostrar ao garoto. — Vamos lá, primeira pergunta, você sabe o que é isso? 

Jimin cerrou os olhos para ver melhor o papel de depois engoliu a seco. 

Negou com a cabeça. 

Mas é claro que Hoseok não iria deixar aquilo simplesmente para lá. 

  — Colabore comigo, eu sei que você sabe o que é isso, moleque. — Ele insistiu com o ar de arrogância, balançando no ar o papelzinho. 

  — Eu 'tô falando sério, eu não sei. — O ruivinho teimou e riu nasalmente, coisa que Jung nem prestou atenção.

  — Quanto mais você negar pior vai ser quando eu decidir arrancar a verdade de você. — Ele estreitou os olhos e ameaçou Park, logo depois guardando o papel no bolso e usando as duas mãos para arrastar a cadeira em que estava sentado mais para frente. 

— Se você nega-se a aceitar a verdade então eu não tenho nada a ver com isso! — Park rebateu e dessa vez fora longe demais. A troca de olhares intensa que trocavam denunciava que eram praticamente inimigos naturais, algo instintivo. — Próxima pergunta?

Hoseok não teve tempo de pensar em mais nada, ergueu a mão pesada no ar e desceu-a com força contra o rosto de Jimin, causando um estalo absurdamente alto no cômodo em que estavam. A vermelhidão que começou a pigmentar toda a lateral direita da bochecha do garoto era a prova de que tinha praticamente lhe dado um soco. 

— Espero que isso sirva como um primeiro aviso. Quanto mais se negar a colaborar, pior estes tapas vão ficar. — Falou entredentes olhando para o ruivinho que o fitava com a boca aberta. 

Jimin, que ainda segurava o queixo, estava estático. Sabia que aquilo aconteceria uma hora ou outra mas preferia utilizar a cegueira seletiva. Era como se não acreditasse realmente que aquilo fosse acontecer, não tivesse caído a ficha. Só depois de sentir aquela ardência infernal no rosto que combinava com a pulsação de seu machucado que reparara que talvez, só talvez, estivesse mais fodido  do que imaginava. 

Ali ele não era filho de quem era afinal. 

Era como qualquer outro homem que poderia muito bem ter sua vida ceifada por qualquer um, em qualquer momento, e nunca ter seu corpo encontrado. A maioria das mortes causadas por piratas eram assim. Não havia provas, apenas o corpo morto jogado em alto-mar para nunca mais ser encontrado. 

Respirou fundo e pensou rapidamente em uma resposta superficial, não estava disposto a ter uma conversa complexa. Talvez aceitasse em uma negociação, mas abrir a boca durante um interrogatório era bem menos agradável. 

 Respirou fundo e abaixou as duas mãos, limpando seu sangue no tecido da bermuda que trajava. 

— Se estou falando que não sei é porque eu não sei. — Respondeu em um murmúrio, olhando para baixo onde estava suas mãos.   

— Eu sei reconhecer a face de um homem que está omitindo verdades. Se não sabe, por que parece tão na defensiva?  — Ele perguntou mais firmemente, chamando sua atenção para olhar para ele. 

Park Jimin suspirou. Aquele homem estava começando a irritar seus nervos! Se queria tanto saber de alguma coisa, tudo bem, ele lhe daria esse alguma coisa. O máximo que podia e nada que fosse lhe comprometer num futuro próximo. 

Resmungou algo ininteligível e olhou para o outro lado daquele convés, encarando uma imensa estante com tantos livros que alguns chegavam até a quase cair, amontoados um por cima dos outros, folhas soltas enfiadas nos vãos disponíveis e os maiores atlas ocupando o topo da construção de madeira velha. A estante parecia ser feita de caixotes. 

— Me responda!

— Eu já disse que não sei, 'tá legal? Assim que eu entrei aqui eu fui direto pra lá — Disse olhando ainda para a estante, mais precisamente, para o meio vago que havia entre dois livros de capa negra na segunda prateleira. — Eu estava procurando algum livro que me permitisse saber dos segredos da Inglaterra, cartas  de suborno ou qualquer coisa parecida. 

Namjoon jogou o peso do corpo para a perna direita e desfez sua postura, andando calmamente e em passos largos para onde o ruivo estava olhando, para averiguar tudo por ali. Hoseok apenas escutava tudo em silêncio, apoiando o cotovelo no joelho e com a sobrancelha levantada mostrando descrença. Porém, sem o interromper. 

 Jimin suspirou antes de continuar. 

— Então eu vi esse papel. Ele parecia estar bem afundado lá atrás, como se fosse um dos mais importantes que alguém precisasse esconder e, se for ver, é um bom lugar. Poucas pessoas enfiariam a mão em algo que não dá pra enxergar. Mas como eu vi a ponta do papel, decidi arriscar. — O garoto deu de ombros e tirou a mão do queixo, deixando visível o corte aberto e apoiando a mão ensaguentada na calça. — Assim que eu peguei ele na mão, eu ouvi uma voz grossa, a daquele loiro de antes, chamando por você. Na hora eu fiquei frustrado por não ter conseguido nada e acabei pegando esse mapa  aí, no futuro saberia se era de importância ou não. 

— E então Yoongi entrou, te viu no convés do capitão e levou-o até onde nós estávamos. — Completou Namjoon que retirava o braço do buraco vazio que realmente estava entre os livros. Olhou para seu capitão esperando que ele não tomasse nenhuma atitude drástica, estava estranho  nos últimos dias e ainda por cima furioso com tudo o que estava acontecendo. 

A traição de um homem cegava-lhe os olhos para tudo. 

O moreno passou os dedos por seu cabelo ensebado, jogando os fios para trás e levantou-se da cadeira, com a expressão impassível, colocou-a de volta no lugar e se apoiou na própria mesa, próximo o suficiente de Jimin. 

Havia um baú perto dele que o capitão fez questão de empurrar com o pé para que fosse longe. Não tinha ouro ali, mas do jeito que o ruivinho parecia ser perigoso no ponto atrair coisas que não devia, poderia achar coisas que nem si próprio lembrava.   

Estava em um conflito interno. O outro poderia estar lhe falando a verdade e realmente ter invadido o convés em busca de tesouro ou algo que poderia tirar uma boa grana em cima ou subornar alguém, tinha cara de criança, de gente que faz coisa estúpida nos cinco segundos de coragem. Mas ele também era afiado demais para não pensar antes de agir, não parecia ser alguém muito impulsivo. Mantinha aquela aura desafiadora mesmo apanhando, como se fosse um marinheiro de caráter. 

Não acredite nele, você esta sendo manipulado, gritavam seus instintos interiores com toda a força. Estava quase cobrindo o rosto com o braço e tentando afundar-se em si mesmo para não ter que lidar mais com aquele tipo de situação. Estava tão cansado de tudo recentemente. Enquanto isso Jimin o fitava sem pausas, no máximo, para piscar. 

—  Você parece um homem de mais ou menos trinta anos. — Ele comentou, pela primeira vez como quem não quer nada. 

Hm, tentando me distrair. 

—  E daí? 

— Nada, só 'tô comentando. Acho que tem uns vinte e três mas com essa cara de acabado eu chuto trinta. — Respondeu fazendo gracinha, com um sorriso aparecendo em seu rosto. Sua expressão denunciou que doía fazer aquilo. 

— Uau, me sinto profundamente abalado com o que falou! — Respondeu sem emoção levando a mão ao coração, por cima da camiseta, com a expressão mais cínica possível. 

 O ruivo no entanto apenas deu um riso baixo. 

Nenhum dos dois sabia o que estava para acontecer ali. Em seu âmago Jung queria apenas liberá-lo logo, deitar-se em sua cama e desmaiar, acordando apenas dois anos após. Sentia seus músculos rígidos doerem todo o tempo. Já Jimin, bem, estava cansado e queria dormir, mas agora estava dentro de um navio e não sabia quando poderia sair. 

Continuaram a saborear um pouco o frescor do silêncio e ignorando a presença de Namjoon no lugar até o capitão resolver que estava na hora de tomar uma iniciativa. 

Se tinha algo que ele confiava cegamente e no entanto não deveria, era em seus instintos.

Remexeu-se um pouco e então fechou a cara, adotando a aparência de pessoa que é obrigada a fazer alguma coisa e logo realiza a tarefa de má vontade. Andou até Jimin, agachou-se em sua frente e levou a destra até os cabelos de cobre do outro de um jeito suave, retirando-os de seus olhos castanhos.  Olhou no fundo dos olhos dele. 

Então desceu com certo zelo e até carinho as pontas dos dedos indicador e o do meio de sua testa, contornando a bochecha até cair em seu maxilar. Fitava-o como se pudesse ler sua alma, tão perto que sentia a respiração do outro e era capaz de ver qualquer mínima mudança que ele fazia em sua expressão. 

Quanto mais Jimin reagia e fechava-se, franzia o cenho minimamente ou tentava desviar o olhar por estar desconfortável,  mais o sorriso de canto que Hoseok segurava se alargava. 

O ruivo não gostava de ter seu espaço pessoal invadido daquele jeito. Preferia mil vezes que o outro o batesse ou acometesse violência moral do que estar daquele jeito. Sentia que todas as suas defesas não existiam pois foram deixadas para trás.  

Isso sem mencionar que o capitão estava parecendo de certa forma mais... assustador  daquela forma. Como se tivesse um plano macabro em mente e conseguisse ler toda sua mente, conhecendo seu ponto fraco, ao menos um deles, e estivesse já o usando a seu favor. 

Então Jung cansou da brincadeira, abaixou as duas mãos e murmurou para o garoto:

  — Eu não acredito em você. 

Aquela era sua decisão final. Não correria o risco de levar mais uma facada pelas costas quando podia ter evitado ao ser um pouco mais racional e utilizar seu cérebro. Deu duas palmadinhas consoladoras no ombro de Park e se levantou.

  — Perdão Capitão mas devo dizer que acredito no garoto. — Namjoon manifestou-se pela primeira vez depois de tudo aquilo. 

Os outros dois praticamente se assustaram pois haviam esquecido completamente a existência do Contramestre. Ao passar a língua pelos lábios Hoseok pensava se estava mesmo tudo resolvido em sua cabeça ou o outro lhe faria mudar de ideia. De novo. Como sempre. 

— Está na cara que ele 'tá mentindo, Kim. 

— Mas eu acho que ele disse a verdade! — Insistiu.

— Se fosse a verdade ele não nos diria. — Cruzou os braços em frente ao peito, olhando de um para o outro o tempo todo. 

  — A não ser que ele saiba que mesmo falando a verdade nós não acreditaríamos. 

Ah, como queria arrancar o coração de Namjoon e comer! Queria enfiar-lhe a espada no crânio, odiava quando estava certo —  ou praticamente certo —  de algo e ele vinha com aquelas ideias loucas e opiniões fortes que o faziam reconsiderar. Era inteligente de um modo que talvez não deveria.

Ele ao lado de Baekhyun então, era como estar na companhia de demônios. 

O silêncio então voltou ao local, Jung estava sério ao que levou a mão no queixo e pôs-se a alisar a barba mal feita. Não tinha pensado por aquele lado. Fazia todo o sentido contar alguma coisa sabendo que o outro não acreditaria e ainda assim ter sido honesto, logo, se isentaria de qualquer coisa. 

Mas como sua mente também era ágil e a imprevisibilidade não estava aflorada no momento, colocou-se a pensar: Mas teria Jimin inteligência o suficiente para fazer algo assim ou Namjoon apenas estaria o acobertando sem saber?

De qualquer jeito, os dois o olhavam com uma expectativa diferente que ele não sabia identificar. 

Jogou as mãos para o ar em desistência, onde estava seu psicológico mesmo? Detonado, com certeza. 

  — É um ponto a se considerar. — Foi curto e grosso, contornando toda sua mesa até chegar na grande cadeira e jogar-se nela, colocando ambos os pés em cima da madeira onde muitas folhas estavam espalhadas sobre.  

Suspirou pesadamente.

Ninguém ali ousava dizer nada. Estavam respeitando o que percebiam ser o tempo que ele tiraria para pensar sobre aquilo. O capitão retirou então uma bussola de bolso e pôs-se a rodá-la por entre os dedos, colocando sua mente para funcionar em toda a velocidade. Abriu um espaço entre os dois pés e mirou o pequeno papel dobrado na outra ponta da mesa. Fechou os pés. Que confusão...

— Mas então, Capitão, o que faremos com ele? — Namjoon perguntou o óbvio. 

Jimin passava a mão pela bermuda com sangue como se estivesse esperando que ao secar, fosse formar uma casquinha retirável. O que não aconteceu.  Queria também saber qual a profundidade daquele corte que pulsava de segundos em segundos, causando-o irritação, mas não ousaria se mexer dali. Era melhor ficar na dele enquanto o adorável Jung pensava sobre sua vida. 

Fingia que não, mas estava com a curiosidade para lá de aflorada. Era seu futuro e sua vida que estava em jogo afinal. 

  — Ele fica por aqui até eu decidir o que farei com ele. — Decidiu por fim. Ao ser fitado de jeito repreensor pelo Kim, respondeu: — Eu não vou matá-lo, Namjoon. Por que sempre pensa o pior de mim? — Questionou retoricamente e com um leve toque de diversão. — Eu realmente não sei o que fazer com ele, não quero matá-lo mas também não posso deixar ele livre. 

Suspirou audivelmente e recuou as pernas, se sentando normalmente. Apoiou os cotovelos na mesa e o queixo na palma da mão, olhando fixamente para Jimin. Seu pescoço alvo, os ombros largos e o peito inflado que mostrava um adolescente um pouco desenvolvido demais em questão física, mas atrasado em altura, pois Hoseok arriscava dizer que o outro lhe batia pouco abaixo dos ombros. 

— Vamos levar ele junto para onde formos. Sobre a nossa supervisão ele não fará nada, não é tão tolo assim. — Colocou um ponto final no assunto e abaixou o olhar para o livro sobre o triângulo das bermudas que estava logo ao lado. 

— Sim Capitão! — Disse Namjoon, já rumando para a porta para sair e ir resolver os assuntos que tinha ignorado para ajudar Hoseok até aquele momento. 

O ruivo arrumou-se na cadeira com uma carranca no rosto, só podia ser brincadeira que agora ficaria preso naquele navio até quando o moreno quisesse! Ele não era obrigado a nada, não podiam fazer isso com ele. E se virasse um escravo? Odiava ser mandado, só de pensar já ficava enjoado, todos aqueles caras com dentes podres cuspindo em sua cara e mandando-o ir rápido. 

Tomou um pequeno sustou ao ouvir novamente a voz de Hoseok alta. 

  — Namjoon! Chame nosso médico, peça para ele trazer alguns curativos pro pirralho e alguma comida também. — Ordenou sem nem erguer o olhar. 

— Sim capitão. — Ele assentiu e então passou porta a fora. 

O ruivo ficou ligeiramente surpreso e isso ficou estampado em sua expressão. Em sua mente já estava antecipando sua morte por fome, sede e sangramento. Seu estômago tentou agradecer Hoseok mas o 'obrigado' parara na garganta mesmo. Não estava com boas expectativas sobre ficar ali.

Logo o silêncio virou parte da casa novamente e aquilo o corroía por dentro, era maçante, nada lhe interessava. Tossiu algumas vezes para limpar a garganta e tentara ficar imerso em seus próprios pensamentos, mas nem isso fora capaz. Nenhum som chegava aos seus ouvidos, como era possível?  A tripulação barulhenta estava logo ali ao lado.

Passou a movimentar a perna direita em um tique como válvula de escape, para descontar toda aquela ansiedade que estava começando a sentir. Ficaria no navio, e aquilo era praticamente sinônimo de força bruta, coisa que ele até tinha mas não era em abundância. Era bem mais habilidoso com as palavras assim como fora treinado. Ou melhor, estava sendo. 

Para ser completamente sincero nem era essa sua área ou seu melhor talento. 

Não tinha a menor ideia de qual função desempenharia naquele lugar, mas esperava do fundo do coração que fosse algo em que ele tivesse ao menos a mínima habilidade, para mostrar-se útil. 

Não tinha reparado quando parou de movimentar a perna, mas já estava quieto novamente ao que decidiu observar o convés onde estava melhor.

Havia aproximadamente uns dez baús empoeirados, alguns abertos e outros lacrados com grandes correntes e cadeados. Todos com pigmentação dourada e diversos desenhos entalhados em sua madeira de alto preço. Os que estavam abertos permitiam que Jimin visse jóias e objetos estranhos como réguas, vasos e taças. Mais da metade dos utensílios Park não poderia estipular um valor alto. 

Deduzira então que aquilo era usado para manter a parte mais básica do navio como limpeza e compras de certas mercadorias em mercantes mais ao leste. 

Havia também um belo lustre pendurado no teto acima da mesa do capitão. Não muito grande e também não muito reluzente, já que a poeria ofuscava sua cor e brilho. Pôde notar que Hoseok não era muito de limpeza para aquele lado.

Pensou em se levantar e olhar por uma das janelas que estavam por ali, fechadas, bloqueando a passagem do vento mas mantendo o local cheio de luz, mas optou por continuar quieto onde estava. Queixava-se mentalmente por estar naquela cadeira dura e ter sua existência ignorada. 

Passou a língua pelos lábios e estalou a língua no céu da boca. 

Estalou de novo. 

Fazia barulho. 

Repetiu o ato mais umas três vezes. 

  — Dá 'pra calar a boca? — Esbravejou Hoseok largando o livro que estava lendo em cima da mesa. 

— Mas eu não estou falando nada! 

  — Você entendeu o que eu quero dizer. Para não mexer essa linda boquinha que fica fazendo esse som irritante! — Hoseok queixou-se e imitou o estalar de língua. 

— Não é assim que se faz, é assim. — E então Jimin o fez de novo, com um ar de deboche. 

Hoseok abriu a boca cheia de ofensas na ponta da língua para despejar, mas calou-se assim que batidas altas na porta desviaram sua atenção.  

  — Capitão? — A voz um pouco aguda demais chamou do lado de fora, em um pedido mudo de permissão. 

— Pode entrar. — Mandou Hoseok e logo a porta se abriu, revelando um garoto de cabelos laranjas e aparência miúda. Seu rosto estava um pouco sujo e a roupa também, mas Jimin pôde notar que era de um bom tecido, melhor até mesmo do que muitas pessoas por todo o continente usavam. 

A tripulação de Hoseok não era assim tão dura afinal. 

O garoto tinha no máximo 1.60, mas os braços eram mais malhados do que os seus ou os do capitão. Em uma de suas mãos carregava um balde pequeno com água e em seu ombro um pano. Havia uma caixinha apoiada em cima do balde, grande o suficiente para não cair lá dentro, e na outra mão uma bandejinha com comida.

Ficou perto o suficiente de Jimin e entregou-lhe a bandeja primeiro. 

  — Apoie isso em suas pernas enquanto eu faço o curativo. — Respondeu, e apesar da aparência meio delicada, sua voz era autoritária. 

O ruivo apenas obedeceu e deixou que o outro limpasse-o e passasse a pomada, não conseguindo evitar algumas caretas de dor que fazia vez ou outra quando o corte ardia. 

Estando perto o suficiente não evitou reparar que ele definitivamente era daquela região em que estavam anteriormente, traços britânicos fortes na modelagem de seu rosto e olhos  bem abertos, e a pele, assim como a de quase todos pelo que pôde ver — com exceção de Yoongi — era amorenada. Observou logo depois a água do balde que antes era transparente adotar a pigmentação vermelha. Tinha sangrado bastante. 

Quando o outro garoto estava terminando de colar o fim do curativo, Hoseok jogou o livro com brutalidade na mesa, causando um estrondo que assustara os dois. 

  —  Mas é claro que a rainha iria mandar dominarem a ilha Hayless! — Disse com escárnio. Não acreditava que ela pegara aquela ilha também. — Acabo de ter a informação que uma corsega  foi construída lá para ela vigiar as rotas marítimas mais próximas. 

O livro que caíra aberto mostrava que sua capa servia apenas para disfarçar o real conteúdo. Um relevo destacava-se nas folhas de papel amareladas do livro. Era uma folha de carta, com o selo do Ventos do Oriente que nenhum dos que estavam naquele cômodo além de Hoseok sabiam de quem era. 

Não que aquilo fosse muito ruim para os negócios, não influenciava tanto assim ter posse sobre aquela ilha e todos os capitães sabiam bem disso, mas o problema era a vigilância implantada, toda a verificação dos navios que passavam pelas ilhas que eram tomadas e como sua localização ficaria de fácil acesso à qualquer um, pois estariam sendo controlados. 

Isso sim era mal para os negócios de quem trabalhava com contrabando. Deuses, nem mesmo pessoas se salvavam. Havia largado aquele tipo de negócio fazia um tempo, mas a fama permanece, e no pé que estava com a realeza, qualquer mínimo motivo seria o suficiente para que levassem-no para a cadeira. 

Isto é, estava esquecendo-se que na verdade já estavam em sua cola e queriam levá-lo para a cadeia. Ou matar. O que viesse primeiro. Às vezes até desmemoriava-se da largura da escala do que havia acabado de fazer. 

  — Essa ilha seria o nosso destino, Capitão? — O médico perguntou curioso. 

Hoseok olhou para ele, analisando até onde poderia falar.

  — Não, não. — Bateu os olhos então para a carta que estava escondida no livro, que continha a informação da localidade de onde deveriam ir. — Temos apenas que passar por ela para irmos à ilha mais escondida, uma que ainda não fora mapeada. É lá que vamos esconder o nosso tesouro atual para que não corramos riscos, e do jeito que a situação anda, não me surpreenderia se um pequeno bote estiver nos seguindo. 

— E não existe algum outro meio de chegar até ela sem ser por essa única corrente? 

— Infelizmente não. Teremos que encarar o que vier, arriscar as chances e torcer para não sejamos vistos. Merecemos cada moeda de ouro que está aqui e também uma chance de viver. Ao menos eu sei que eu mereço. Se nossa localização vazar, em questão de pouco tempo não estaremos sozinhos nessa corrida e prepararão uma emboscada para nós. 

O silêncio se instaurou no local. O de cabelos laranjas mostrou-se bem interessado naquela circunstância prejudicial e tremenda falta de sorte, sua expressão facial mudara várias vezes em um curto espaço de tempo, e era óbvio pra Hoseok que ele estava remoendo algum tipo de informação, considerando-a, averiguando-a. 

Jamais fora de dar confiança à seus tripulantes ou considerar as ideias daqueles que não fossem as vindas das exceções, afinal, não poderia manter um navio sem pessoas que realmente arriscaria a vida por. No entanto, contra todo o costume, chegou-se até um dos baús que estavam próximos de sua espécie de trono e o abriu, retirando de lá uma garrafa de vinho antiga e de boa safra.

Precisava retirar qualquer informação possível e esmiuçar ela o que desse, para extrair tudo de útil. 

As duas taças levemente empoeiradas que estavam sob a outra mesa, logo ao lado, foram bem servidas do líquido roxo e escuro, cujo cheiro era forte o suficiente para empestear o local, impregnando no ar aquele adocicado que tanto apreciava. 

Deixou a garrafa logo ali por cima e pegou as duas taças. Uma, levou até perto dos lábios que ansiavam por provar do conteúdo, cheirou, e então dera um gole generoso, fechando os olhos para aproveitar melhor o gosto. A outra, teve que andar até perto de onde estavam e deixou-a na ponta da mesa principal, onde, por sinal, Jimin havia batido o queixo. 

 Era um claro agradecimento  para o médico. Sobre algo que ele ainda nem sabia o que era, mas esperava descobrir. 

O outro não era nenhum burro. Passara a língua pelos lábios onde formava-se um sorriso maldoso e jogara o pano ensaguentado na água, prensando-o contra o interior do balde, lavando-o e torcendo em seguida, para limpar desta vez as mãos do garoto que ainda estavam cheias de vestígios. 

O médico jogou o pano para o garoto e adotou a postura reta que tinha. Jimin o agarrou no ar e passou a se limpar, prestando atenção em cada coisa que conseguia captar, também era esperto e não deixaria ser passado para trás nesse assunto.

  — Um conhecido meu, da marinha, onde você sabe que eu fiz parte no passado antes de me juntar à vocês, comentou algo comigo enquanto estávamos em uma taverna. — Ele começou. — Ele foi um dos que fora enviado para tomar aquela ilha. Contou-me que apesar de ir boa parte da tripulação principal, Capitão, após o farol ser construído, apenas dois ficaram de guarda.

 — E o que te garante que essa informação é verídica? — Hoseok se mostrou interessado, tomando mais um gole de seu vinho.

Ele olhou para o capitão brevemente e depois para a taça de vinho ao lado deste. Todo o dinheiro que possuía e que não era muito era usado para bebidas um pouco mais chulas do que aquela ou prostitutas. Gostava de viver daquela forma, logo, não conseguia juntar dinheiro para comprar coisas mais sofisticadas. Estava instigado a provar o quanto pudesse, e a taça que Hoseok havia o servido fora bem generosa. 

Jung sorriu de lado e disse-lhe que não precisava ficar acanhado, eram amigos. Pegou a taça por si mesmo e estendeu até ele, que tomou metade do conteúdo de uma vez só em goles sequenciais. O rum e a cachaça eram diferentes daquilo afinal. Assim que matou sua seca absurda, soltou um suspiro de quem goza de prazeres. 

Com o semblante satisfeito o ex marinheiro britânico abriu a boca para responder, mas quem falara em sua vez fora Jimin. 

— O rei quer poupar gastos e está mais preocupado com a quantidade de ilhas que toma do que em realmente fazer delas propriedade sua, como se por apenas colocar dois guardas de merda numa torre fosse impedir um ataque. Um analisa o sul, o outro, o norte. Basta ir pelas rotas dos outros polos e ninguém te acha. Todos sabemos que as correntes, apesar de únicas, tem diversos trechos por onde podemos entrar.  — Disse tudo sem sequer olhar para o rosto de um dos dois, jogou o pano no balde e então pegou o primeiro lanchinho de sua bandeja. 

O outro garoto o olhava pasmo, não acreditava que o outro sabia de tanta informação assim, aquilo era impressionante —  e ao mesmo tempo suspeito. Jimin deixou um sorriso grande formar-se em seus lábios, adorava se provar para os outros.

Hoseok, no entanto, que havia parado de andar para fitá-lo curiosamente, deu de ombros e voltou a andar, não cairia no óbvio jogo que o outro estava fazendo para irritá-lo. Fora uma boa resposta, mas sabia que o ignorando deixaria o ruivo com os nervos à flor da pele. O que funcionou muito bem, já que conforme mantinha sua expressão impassível o sorriso do garoto ia diminuindo.

Falara uma informação extremamente inteligente e era aquilo que ganhava? Não ajudaria mais depois daquilo! 

Será que ele tinha tanto orgulho que custava para ele até mesmo agradecer? Tinha que agir com desprezo em relação ao próximo? Tanto desdém? Talvez estivesse sendo muito dramático, mas não conseguiu evitar naquele momento, fazendo uma careta. 

  — Obrigado, Park. 

A voz de Hoseok fora até mesmo um pouco terna, fazendo o ruivo olhá-lo imediatamente, com os olhos arregalados. Ele realmente agradecera? Precisou xingar ele de mil formas mentalmente para que aquilo fosse possível e ele ainda não o chamara de pirralho... era até estranho, ainda mais ouvir um de seus nomes sair da boca do outro. 

  — P-por nada. — Respondeu meio incerto. 

O de cabelo laranja recolheu tudo — exceto a bandeja de comida que ele nem havia provado ainda — e rumou para a porta, assentindo silenciosamente para seu capitão com um pequeno sorriso contente. 

  Não entendeu.

— Não falei com você. O sobrenome do médico é Park. — Falou em um tom de zombação, voltando aos afazeres. 

Fazendo um total descaso com o ruivo, encostou-se na cadeira. Sabendo daquela informação os ajudaria a passar pela Hayless, mas poderia resultar em algo turbulento. Graças a Deus que iam fazer uma parada em alguma cidadezinha antes de irem! 

 

 

 

 


Notas Finais


Pontos importantes:
Tudo o que vocês conseguiram captar sobre o Jimin. A maioria coloquei até em itálico.
A ilha Hayless é fica bem onde Hoseok tem que passar com o navio para chegarem à ilha que o ventos do oriente, que seria a marinha japonesa, disse que existe.
Pra quem teve preguiça de fazer a conta no cap passado, Hoseok tem vinte e oito.
É isso ai, beijinhos <3 O próximo capitulo vai ser um pouco mais aprofundado em dois pontos, já está escrito, e espero que tenham gostado desse e que gostem do outro!

bye


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