História Ghost Heart - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Frozen - Uma Aventura Congelante
Tags Hanna, Helsa, Princesa Anna, Príncipe Hans, Rainha Elsa
Visualizações 82
Palavras 3.514
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


◎Hans◎

Ele não é um príncipe de verdade. Nesta fanfic, Hans pode ser o que quiser, e o que for preciso para conseguir o que deseja. Mesmo que muitos de seus atos não sejam corretos, ele não pensa duas vezes antes de fazê-los, apenas para obter o que precisa.

Capítulo 4 - Um recomeço


Fanfic / Fanfiction Ghost Heart - Capítulo 4 - Um recomeço

Anna: Não posso acordar desse pesadelo...

Chorou e chorou, cansada e sentindo-se derrotada. Sentiu-se tola por colocar sua confiança em alguém que não conhecia o suficiente. Não se preocupou em saber mais sobre o mundo. Errou inutilmente e não iria se perdoar nunca.

Silêncio, menina... Pois o Bom Moço pode estar ouvindo.

Sussurrou uma voz doce e melodiosa, mas ainda sim melancólica. Tinha a voz de uma menininha de mais ou menos oito anos de idade, e seu corpo cintilava no cantinho da sala escura. Parecia um espírito, mas não de uma menina de oito anos.

Anna: Você quer dizer... O príncipe?

² O Bom Moço.

Sussurrou outra voz, no outro canto da sala escura. Seu espírito cintilava mais forte e sua aparência era de uma moça de dezesseis ou dezessete anos de idade.

Ele nos enviou a chave através de presentes a nosso gosto, e nos atraiu até a porta maldita.

² Ele testemunhava nossas frequentes discussões de família, viu que não estávamos satisfeitas, e nos seduziu, realizando os desejos de nosso coração.

Ele disse que nos amava...

² E que éramos suas princesas.

Até que certo dia, ele pediu nosso coração em troca de uma eternidade ao seu lado, e nós deixamos que o removesse, por completa paixão.

² Ele levou nossos corações embora... Destruiu nossa família... E aprisionou nossas vidas.

Anna: Alguém me disse... Que ele é um espírito dependente. Não é?

Ele precisa de nossas vidas para sobreviver.

² Somos objetos do Bom Moço. Ele nos controla quando quiser, como quiser. E por isso não podemos mais sair desse lugar. Se sairmos, seremos destruídas na outra dimensão. Nunca mais poderei ver minha mãe, meu pai, meus irmãos... Minha família de verdade.

Anna: E por acaso se ele não conseguir controlar mais ninguém?

Se ele não levar seu coração, definitivamente morrerá. Um espírito dependente tende a se apegar às coisas. Ele precisa de você, e se ele não conseguir, este mundo morre e tudo o que estiver nele também morrerá.

Anna: Incluindo vocês?!

² Mas não se preocupe, menina. Todos os condenados por ele serão libertados.

Anna: Mas como eu posso derrotá-lo?!

Fugindo. Você é a próxima fonte de vida dele. Fuja, e ele não sobreviverá.

A garota suspirou fundo, recuperando suas energias. Enxugou as lágrimas, que lhe encharcava o rosto, e falou.

Anna: Certo... Eu irei tentar. Não deixarei ser derrotada novamente.

Enquanto pronunciava essas palavras, duas mãos foram vistas por trás da garota. Alguém que sabia da porta oculta no espelho estava puxando Anna para fora. Com um ligeiro movimento, Anna estava de volta no corredor escuro e sombrio, onde viu no espelho o reflexo do rapaz.

Anna: Me solta, agora!!

Elsa: Shh!! ...

Anna: Elsa?

Sussurrou. Estava feliz em ver a irmã, mesmo que fosse indiretamente. Abraçou-a com todas as suas forças.

Anna: Obrigada, obrigada...

Elsa: Não temos tempo pra isso, Anna. Precisa ir à porta agora!

De repente, ambas ouviram passos descendo os degraus, e de longe, uma silhueta horrível, similar ao ser que Anna vira no espelho. As meninas correram até a porta, em um ato de desespero. Anna girou a maçaneta e rapidamente entrou.

Anna: Vem comigo! Ele vai ferir você, Elsa!

Elsa: Não, não... Vá. Eu sou um espírito. Meu ser irá te acompanhar.

Hans: ANNA!!

Gritou, com todas as suas forças. Pareciam várias vozes atuando em um ser apenas. Eram vozes agudas, vozes graves, vozes de homens, mulheres, crianças, senhores e senhoras, porém todas soavam horrendas. O rapaz ainda estava longe, provavelmente terminara de descer as escadas agora. Elas não tinham muito tempo.

Elsa, em um impulso, fechou a porta violentamente, deixando Anna dentro do portal. A textura que transferia a menina de uma dimensão para outra estava agora suja e completamente escura. A garota correu rapidamente, tropeçando em alguns lixos que encontrava pela frente. Após chegar à próxima porta, rapidamente fechou com força, até que o barulho soasse em eco por todos os cantos do porão.

Suspirou fundo.

Correu até o salão principal e encontrou sua irmã, a incrédula doce, não a crédula arrogante.

Anna: Elsa!

Abraçou carinhosamente, roçando levemente seu rosto no tecido da roupa da irmã.

Elsa: Anna? O que houve? Está suja de poeira, menina, quando irá crescer e parar com essas brincadeiras? ...

Anna: Eu não sei ainda... Mas posso lhes assegurar que nem tão cedo.

Sorriu, sapeca. Anna agora aprendera uma lição, precisava certamente amadurecer mais, porém nunca deixaria a encrenqueira que tem dentro de si.

Anna: Eu te amo... Muito.

Disse, tão logo retornando a abraçá-la, com mais carinho que o abraço anterior.

Elsa: Eu também te amo, Anna.

Sorriu. A menina tinha mesmo mudado.

Os tempos passaram e Anna sentia-se aliviada por, no dia seguinte, já estar de saída daquela antiga mansão. Porém houve imprevistos com o temporal e sua viajem para a Noruega teve de ser remarcada. Foi dormir decepcionada, porém ainda sim bem. Sua experiência dias atrás não tinha sido uma das melhores, mas estava feliz por estar bem, principalmente sua irmã.

Fechou os olhos, tão logo pegando num sono profundo. Sonhou com aquelas duas meninas, ambas agora lindas e bem vestidas. A mais velha tinha longuíssimos cabelos loiros, olhos verde cristal, lábios levemente rosados, bochechas coradas, pequeninas manchinhas pelo nariz, pele clara e corada, e usava um lindo vestido lilás alemão. Antigamente também se conhecia a nacionalidade pelas vestes, e com o tempo esse conceito foi um pouco mudado, já que as importações e exportações uniram mais as culturas de cada país.

A segunda menina, e a mais nova, era ruiva. Não era um ruivo como o de Anna, porém bem mais corado, um cabelo cheio de cachos rebeldes, de cor laranja avermelhado, vivos, vivíssimos, brilhavam na luz. Seu rosto tinha um formato mais achatado, porém não corrompia a beleza da menina, que portava olhos azuis intensos, manchinhas pelo rosto, lábios discretamente vermelhos, pele corada, e usava um vestido verde escuro básico. Parecia uma escocesa. Sim, a menina escocesa que a velhinha informara. Sua alma brilhava mais forte por ser a vítima mais recente. Porém agora elas não estavam sofrendo, estavam sorrindo, estavam felizes.

–² Viemos agradecer por isso. Não me sinto tão bem assim desde séculos atrás.

Anna: Ah, não há de quê! Fico feliz que tudo acabou bem!

Sorriu, enfim vendo a alegria naqueles rostinhos, antes sem vida.

Sim, tudo acabou... Para nós.

Anna: Ué, pra mim não?

² Lembra-se da chave? Você não usou a chave. Menina, não trancou a porta do outro mundo... E não trancou a porta do porão. O espírito do rapaz está neste lugar, ele está preso à casa. Ele está buscando por vingança, e ele quer você.

Após pronunciar estas últimas palavras, Anna acorda, assustada e suava muito. Distribuiu leves tapas por sobre a fronte, sentia-se mais tola que o comum. Correu até o porão e viu a porta aberta. Não havia portal nenhum, apenas os utensílios de limpeza e o ratinho morto. A menina fechou a porta e trancou, esperava que tudo aquilo fosse realmente um sonho, não um aviso.

Voltou para o quarto e fechou a porta. Caminhou em direção à cama e confortou-se, deitando-se em seguida. Tentou dormir. Tentou. Não conseguiu.

Desconfortava-se com o vento balançando as cortinas da janela, tratou de se levantar e fechá-la, pareciam às vestes das meninas fantasmas, antes de se libertarem. Voltou a tentar dormir. Incomodou-se com o brilho da lua, pois a janela estava fechada, mas as cortinas permaneciam abertas. Irritada, voltou para fechá-las e poder dormir. Fechou os olhos e esperou um sinal do sono. Mais ou menos cinco minutos se passaram e novamente aquele desconforto veio. Havia uma luz em seus olhos, e o vento continuou. Quem teria aberto a janela, não sabia, mas num instante retirou os cobertores do rosto e levantou-se da cama, furiosa. Retornou a cobrir-se com os cobertores, encolhendo-se de medo e frio, ao notar que a luz e o vento não vinham da janela, e sim de algo ao lado da cama.

Ela sabia quem era, e porque estava aqui.

Hans: Anna...

Sussurrou. Ele não parecia furioso, como diziam as meninas, sua voz até soou melodiosa, como da primeira vez que o viu. Sua aparência era comum, com exceção de que agora ele iluminava como um espírito comum, e sua expressão era a mais triste possível. Ele era mesmo uma alma dependente.

Anna: O que você quer?! ...

Disse, por entre os cobertores. Sua voz era melancólica, mas a menina não estava nem um pouco triste, e sim assustada.

Hans: Eu quero, por favor... Que me perdoe.

Ouvir este tipo de pedido do rapaz foi algo surpreendente para a menina, mas a mesma não se deixou levar tão facilmente.

Anna: Não! Vai embora!!

Hans: Anna, por favor... Eu não peço para me aceitar, eu só quero que me perdoe.

Anna: E por que eu faria isso?!

Hans: Bem... Eu atravessei a porta que deixou aberta, para este mundo, o seu mundo. Porém neste mundo eu não me sinto na obrigação de roubar a vida de ninguém, ou de ferir ninguém. Neste lugar eu posso ser feliz, Anna. Em meu mundo, eu morreria se não machucasse outras pessoas, mas neste eu sou livre.

Anna: Bom pra você... Não tente mais roubar a vida de ninguém e está perfeito!

Hans: Eu não farei mais... Eu prometo. Perdoe-me, por favor.

Anna: NÃO! VAI EMBORA!!!

Gritou, com todas as suas forças. Ainda estava escondida pelos cobertores, e encolheu-se ainda mais em si ao ouvir o espelho que violentamente quebrara-se, próximo a sua cama, onde havia sua penteadeira. Os cacos chegaram a atingir um pouco a menina, mas o cobertor protegeu. Anna achara que provocou o espírito do rapaz, porém ao virar-se, viu que o mesmo podia se materializar. Ele materializou-se em forma humana, e sentou-se na borda de sua cama. Não parecia bravo, apenas triste e ligeiramente desesperado em obter seu perdão.

Hans: Por favor... Por favor, Anna...

Anna: Vai embora, vai embora, vai embora!!!

Hans: ... Por favor...

A garota detestava aquela voz melodiosa, a mesma que prendera no espelho e que machucara aquelas meninas. Queria apenas esquecer tudo aquilo. Fez o máximo para ignorar, e logo ouviu a voz do rapaz distanciar-se. Em seguida, adormeceu.

Elsa estava do lado de fora. Era noite, tarde, porém por não haver muitas pessoas lá fora, achou seguro e saiu da mansão, no intuito de tomar ar, apenas, e apreciar a paisagem fria e noturna, o mais bonito clima para Elsa. Foi até uma árvore enorme, a frente da casa. Encontrou um balanço e chegou à conclusão de que morou uma criança naquela mansão, antes dos pais das irmãs obterem-no. Aproveitou do tempo e sentou-se no balanço, tão logo se balançando para frente e para trás, lentamente, desfrutando do vento gostoso que se chocava contra seu rosto, da forma mais suave possível.

Ouviu um ruído, parecia um choro. Não estava muito longe, por isso não hesitou em ver. Levantou-se do balanço e caminhou, sendo conduzida pelo som. Seus passos eram curtos e hesitantes, mas ainda sim estava determinada em ver quem estava triste, poderia até ajudá-lo. Ao percorrer pela árvore, encontrou do outro lado um rapaz. Estava sentado sobre a grama, encostado no tronco da árvore. Parecia triste, solitário e sem esperanças. Lágrimas escorriam de seu rosto, lentamente, ele não chorava com desespero, apenas estava realmente triste. Claro que uma alma não podia derramar lágrimas, talvez, mas Hans não era um espírito comum, e Elsa não precisava saber disto.

Elsa: Olá? ...

O rapaz se espantou e por um impulso, virou o rosto em direção contrária à garota, escondendo seu estado sentimental.

Hans: Por favor, me desculpe por estar nessa situação perante a senhorita.

Elsa: Não, não... Está tudo bem.

A loira se aproximou, inclinando-se para o rapaz e sorrindo, tentando passar conforto.

Elsa: Qual o problema?

Hans: Eu... Não sei se deveria...

A garota fez um olhar de reprovação e sentou-se ao lado do rapaz.

Elsa: Pode contar, e quem sabe eu te ajude? Não se preocupe, eu sou boa com conselhos... Eu acho.

O rapaz sorriu e sentiu que podia confiar na mesma. Olhando-a com atenção, notara que a mesma parecia muito uma de suas criações, no outro mundo. Provavelmente então ela seria parente da Anna, por ser sua última vítima.

Hans: Como posso lhe chamar?

Elsa: Elsa. Chame-me de Elsa.

Hans: Senhorita Elsa... Meu nome é Hans. Bem... O que você faria se soubesse que errou, fosse pedir perdão, mas tivesse sido recusado?

Elsa: Bem... Essa é uma situação bem complicada.

Hans: Isso me atormenta. Eu pedi e pedi, mas não serei perdoado.

Elsa: Bem, você fez sua tentativa, e fez certo. Não precisa se preocupar mais...

Hans: Mas Elsa... Senhorita...

Elsa: Apenas Elsa.

Hans: Eu me sinto horrível em relação a isso. Eu... Eu preciso daquele perdão, eu preciso de alguém...

Elsa: Acalme-se, acalme-se. Não é o fim do mundo, está bem? Siga sua vida, você está certo, não coloque toda a culpa para cima de si.

Hans: Certo... Creio que fui dramático.

Elsa: Ah, não foi, não se preocupe. Só não coloque toda a culpa pra cima de si. Faça sua parte, pedindo perdão e perdoando, se recusarem, siga sua vida.

Hans: Obrigado... Muito obrigado.

Elsa: Ah, nada. Até o coração mais frio pode ser aquecido.

Enquanto isso, Anna dormia em seu quarto, até em exatas três da manhã, a chave da porta que dava até o mundo começa a cintilar novamente, porém desta vez o brilho era mais forte. A menina acorda, incomodada, e coloca a chave, que estava no criado-mudo ao lado, embaixo do travesseiro. Após uns três minutos, a garota dar-se conta da presença da chave.

Anna: C-como??!!

Tirou-a de baixo do travesseiro e observou. Estava cintilando, parecia chamá-la novamente.

Anna: Maldita!

Pegou a chave e correu apressadamente até a porta, no porão da casa. Encaixou a chave à fechadura e girou, abriu e não encontrou nada a não serem aqueles mesmos objetos. Sua respiração estava acelerada, estava confusa e cansada, estava assustada. Por que a chave brilhava tanto?

Voltou até o quarto, em passos lentos, e reparou a hora do relógio. Marcavam três e seis da manhã. Ela tinha observado das últimas vezes que adentrou a porta, sempre ela era ativada às três da manhã. Talvez houvesse uma explicação para isso. Pensou um pouco e chegou à conclusão que não era a porta que estava ativa, e sim o rapaz, ele estava aqui e estava agindo.

Correu apressadamente até a irmã, abrindo a porta de seu quarto, que era ao lado, com violência, não encontrando ninguém. Gritou seu nome por todos os corredores da mansão, sem obter resposta. Saiu da casa e encontrou-a conversando com alguém, mas não conseguia ver quem. Correu até ela e parou, ficando alguns centímetros afastados da loira.

Viu a irmã abraçando o espírito do rapaz. Parecia abraçá-lo com carinho, fechara os olhos, parecia confortar-se em seu ombro. O mesmo fazia, ele.

Anna: Elsa, sai daí!!

Grita, em um ato de desespero. Elsa via um rapaz comum e muito bonito, Anna via uma alma horrenda e possessiva. Ela tinha visto o reflexo real do rapaz no espelho do outro mundo, e aquilo ficara em sua mente pra sempre.

Elsa: Anna? ...

Abriu os olhos e afastou-se do mesmo, que parecia não querer tê-la soltado nunca. Após se levantar e caminhar até a irmã, Anna puxa-a pelo braço, para perto de si.

Anna: Escuta, não chega perto dele!

O rapaz, que estava com uma expressão feliz e aliviada, ao abraçar a garota, agora se encontrava em uma expressão triste e solitária, logo alterou para uma expressão de vingança.

Elsa: O que tem, Anna? ...

Virou-se e não o encontrou mais. Ambas olharam para o lado e para o outro, Elsa deu uns passos à frente e procurou pelo rapaz, mas ele não estava em lugar nenhum.

Anna: Viu o olhar que ele fez pra mim?

Elsa: Que olhar, Anna?

Anna: Ele quer fazer alguma crueldade com você, Elsa... Não fala mais com ele!

Elsa: Ele estava triste e eu fui ajudá-lo. Você o conhece?

Anna: Bem... Não. Ern... Não. É que eu ouvi falar por aí.

Elsa: Entendo...

Anna: Mas você nunca o viu! Disse-me que não podemos falar com estranhos!

Elsa: Sim, sim... Eu disse. Mas ele não me parecia cruel, ele só precisava de uns conselhos, inclusive, não tentou nada comigo, e se tentasse, sairia congelado! Ah, você me conhece, Anna...

Anna: Vamos pra casa... Tudo bem?

Elsa: Certo. Volte a dormir.

Ambas retornaram e voltaram para seus respectivos quartos. A noite logo passou, e o dia chegou muito mais colorido que os dias frios e cinzas de antes. Anna estava muito cansada, dormiu por mais umas horas, enquanto Elsa acordou bem cedo. Tomou um banho rápido e vestiu-se, tomou café da manhã e saiu da mansão, voltando à mesma árvore que se encontrou com o rapaz. Ficou relembrando os momentos com ele, aquilo não podia ser um sonho, mas então, como ele sumiu tão rapidamente?

Sentou-se no mesmo gramado, encostando-se na mesma árvore. Fechou os olhos e suspirou fundo. Levou sua mão até o gramado verde e roçou delicadamente a pele clara nas folhas verdes, a sensação era agradável. Caminhou com a mão direita pelo gramado, até chegar à do rapaz ao lado. Ambas as mãos se tocaram e ela pôde sentir como ele era frio. Olhou espantosamente, ele estava lá novamente.

Elsa: Erm... Olá...

Hans: Desculpe-me pelo sumiço, madrugada passada. Eu não quero que tenha uma má impressão de mim, só fiquei envergonhado com as coisas que... Bem, que ela disse...

Elsa: Ah, me desculpe, então. Minha irmã não costuma se comportar assim, deve ter te confundido com outra pessoa. Por favor, me desculpe.

Hans: Tudo bem... Devemos perdoar sempre, não é?

O rapaz sorri ao pronunciar a palavra "perdoar". Elsa sorri, ao ouvir, tirou à conclusão que ele realmente tinha entendido a conversa passada dos dois, ele não tinha esquecido. Anna costumava dizer que Elsa falava demais, dava conselhos demais, e que perdera tempo com isso. Bem, claro que Anna mudou, agora consegue ver o melhor em sua irmã. Elsa não sabe a que deve essa mudança de comportamento, mas ainda sim perguntava se aquelas palavras anteriores da irmã eram sinceras.

Elsa: Sim... Devemos.

Disse, sem muito ânimo. Parecia melancólica, mas ainda sorria, não queria passar desconforto para o rapaz. Realmente suas lições de vida e conselhos são entediantes e não valem de nada?

Hans: O que foi, Elsa?

Elsa: Lembra-se de meu nome?

Hans: Mas claro... Eu tenho boa memória. E nos vimos ontem, eu não me esquecerei de quem ajudou um desconhecido pela madrugada.

A loira riu baixinho. Era difícil quem arrancasse um sorriso daquela jovem, ainda mais um riso.

Elsa: É... Eu acho que não.

Hans: Não fique triste. Seja o que for que lhe atormenta, esqueça. Ao menos agora. Olhe como o dia sorri pra você, não deixe esse dia decepcionado.

Elsa: Fala como se o dia fosse uma pessoa.

Hans: Talvez seja... Há um alguém no mundo que ainda irá desvendar os segredos da vida. E se for comprovado que o dia é uma pessoa?

Elsa: Está falando bobagens...

Hans: E se for comprovado que o Sol é um cone, ou que o ar pode faltar daqui a um século? Ou... Ou que há no mundo um alguém que goste tanto de você, que perderia as forças de viver se te visse triste? ...

Elsa arqueou uma sobrancelha e observou o rapaz, encarando seus olhos, que em sua humilde opinião, eram muito bonitos, belíssimos olhos verde cristal. Ela ouviu atentamente as palavras do rapaz, mas deu uma atenção especial à última frase.

Elsa: O que quer dizer com isso?

Hans: Nada, senhorita. Desculpe-me se falei alguma coisa errada. Queria que continuasse sorrindo.

Elsa: Oh, tudo bem... E por quê?

Hans: Eu... Eu, bem...

Elsa: O que veio fazer aqui, novamente?

Hans: Eu gosto desse lugar. Após uma discussão, vim aqui refletir comigo mesmo. Fiquei observando o maravilhoso mundo de estrelas que é o céu. Tudo aqui me fez bem.

Elsa: Ah... Também adoro refletir aqui. É um bonito lugar, até. Cheguei aqui faz pouco tempo e esse lugar era mais... Triste.

Hans: Eu sei como é isso. Passei a enxergar as cores, agora.

Elsa: Mesmo? Você só via cinza?

Hans: Foi uma metáfora...

Ambos riram do desfecho tolo da conversa. Ficaram dialogando por um breve tempo, até mais ou menos meio dia.

Elsa: Preciso ir, Hans. Muito obrigada pela companhia.

Hans: Eu que o diga, vossa alteza.

A jovem sorriu e levantou-se. Ajeitou a saia do vestido e caminhou uns curtos passos até a mansão. Só após afastar-se uns seis passos, que a mesma deu-se conta que o rapaz tinha chamado-a de "vossa alteza". Ela não se lembra de ter dito ao mesmo que era Rainha de sua cidade natal.

Elsa: Ei, como sabe que eu sou...

Virou-se, para questioná-lo, e novamente deu de cara com o nada. Todo o campo, a árvore próxima, a ruazinha, estavam vazios. Como ele sumiu tão rápido assim, novamente?

Elsa: ... Sou... Ern... Que coisa estranha.



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