História Girl meet Girl - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Amizade, Amizade Colorida, Colegial, Duda, Girl Meet Girl, Lesbicas, Romance, Três Marias
Visualizações 116
Palavras 1.447
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Orange, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Oiii bonecxs! Turubommmm?

Postar na sexta a noite pode? Haushsus

Vamos naquele esquema diferentão esse cap.?! Deixem nos coments se querem mais POVs diferentes ou se preferem só a Dudinha.

Bora lá! Não deixem de ler a nota final, vai ter perguntinha!

Capítulo 25 - Cara no Sol


Encarei a casa do outro lado da rua, eu estava completamente anestesiada pelo álcool. Como cheguei até aqui? Olha, não me perguntem... Eu sequer sei o que foi que eu bebi, mas diria que é algum tipo de coragem líquida. 

Meus dedos formigavam incessantemente e eu tinha dificuldade para manter o equilíbrio. Eu não sabia que horas eram, nem a quanto tempo estava parada ali, mas sabia que o velho Civic na garagem indicava que meus pais estavam em casa. 

Eu não os via há meses e sequer falava sobre eles. Ninguém me perguntava, também. Mas eles continuavam ali, em algum lugar da minha mente, por mais que eu tentasse escondê-los. 

Curioso pensar sobre esse nosso modo defensivo, não é? Quer dizer... Eu vejo isso o tempo todo, sabe? Casamentos acabados, traições óbvias, paixões malucas, sexualidade... Quanta coisa não tentamos esconder até de nós mesmos? E acho que a grande questão é: por quanto tempo podemos fingir que alguma coisa simplesmente não está acontecendo?

Respirei fundo, tentando dominar meus próprios pensamentos, eles estavam impossíveis ultimamente. Dei um passo bambo e hesitante pra fora da calçada, o que eu pretendia fazer ao certo? 

Quando senti que meus dois pés já estavam sobre o asfalto, tomei coragem em forma de passos apressados até o outro lado da rua, onde meu braço foi envolvido por algo quente que me impedia de ir até o portão de casa. Virei-me por puro instinto e fui repentinamente amparada por um abraço.

- Me perdoa. - Aquela voz eu reconheceria em qualquer lugar, mesmo que 60 anos se passassem. 

Deixei que minha cabeça caísse sobre o peito de Duda, só então percebi que eu estava chorando. 

- Eu sou mesmo uma idiota que sempre faz tudo errado. - Culpou-se. 

Balancei a cabeça negativamente, sem conseguir organizar meus sentimentos. Duda apoiava sua cabeça sobre a minha pela primeira vez da qual posso me lembrar. Ela era baixinha demais para conseguir fazer isso com frequência. 

- Droga, Rafa! Eu sinto muito. - A garota parecia não conseguir encontrar as palavras certas para se expressar.

- Eu sei. - Murmurei de forma praticamente ininteligível por conta do choro. A sensação de segurança que aquele abraço me trouxe, pagaria toda a briga que tivemos. 

 - Eu juro, posso errar com todo mundo nessa porra de cidade, mas não com você. - Duda me segurou pelos ombros, fazendo com que eu me afastasse um pouco. - Com você não dá. 

A garota encarava meus olhos, suas sobrancelhas levemente franzidas, eu diria que ela estava a ponto de chorar também. Senti que meu coração poderia sair pela boca e meu estômago se revirou completamente, talvez por conta da bebida. Eu sabia que ela estava sendo sincera.

Repentinamente Duda começou a estalar os dedos, cantarolando um ritmo familiar sem abrir a boca e, aparentemente, tentando se lembrar da letra. 

- Por quêe? Pooor quêeee? - Transformou seu canto em frases desafinadas, enquanto eu me esforçava para reconhecer a música. - Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta, sou eu assim sem você... - Minha expressão, ainda um tanto chorosa, se transformou em riso. Não deu para evitar, dei um empurrãozinho no ombro de Duda. 

- Você é cafona! - Ri, tentando limpar os olhos, que deveriam estar manchado pelo rímel.

Afinal, como a Duda foi parar ali? Bom... Não sei nem o que eu mesma estava fazendo lá. 

Da calçada, pude ouvir um estralo indicando uma porta se abrindo com força, o som foi seguido de passos apressados. Tudo que pude ver, foi a feição de Duda se modificando, sua boca se abriu e seus olhos se arregalaram. Virei-me para trás a tempo de ver minha mãe abrir o portão. PutaQuePariuMeSalva!

- Rafaela?! - Ela parecia ter visto um fantasma. 

Dei um passo para trás em busca de segurança, ficando bem ao lado de Duda. O mundo, para mim, estava girando da maneira mais incomoda e indiscreta possível. 

Eu confesso que havia imaginado esse momento uma centena de vezes, porém, ali, cara a cara com minha mãe, minha cabeça se tornou um papel em branco.

- S-sou eu. - Falei simplesmente.

O olhar de minha mãe correu para Duda antes de se voltar para mim. Ela devia estar pensando um monte de besteiras. 

Busquei coragem no rosto da menina ao meu lado, enquanto minha mãe permanecia muda. Nesse curto milésimo de segundo, duas mil coisas diferentes se passaram em minha mente. Eu não deixaria ela repetir o que fez no dia em que me expulsou.

- Sim, mãe, essa é a Duda. - Peguei a mão da garota, entrelaçando nossos dedos. - Lembra dela? - Duda me olhou assustada, fazendo sinal negativo com a cabeça. 

- Sim, eu... 

- E da sua filha, a senhora lembra? Lembra de mim, mãe? - Interrompi. - Sou aquela que você expulsou de casa. Sua mão ficou marcada bem aqui - Dei um leve tapinha em minha própria bochecha. - por dias, lembra? - As palavras pareciam nem estar saindo da minha boca, era como se eu assistisse ao longe... Como um sonho. 

- Rafa, vai com calma. - Pude ouvir Duda cochichar ao meu lado.

- E que tal isso, ahn? - Continuei, inabalável, sem tirar os olhos de minha mãe. - Eu me lembro de você e de tudo que me ensinou. Todos os valores. Honestidade, respeito... - Soltei um riso abafado e minha voz começou a ser tomada por emoção, deixando de lado o tom desafiador. - Lembro até de quando era criança e você me dizia pra comer os legumes. Vai parecer bobo... Mas eu ainda como. - Isso pareceu bem mais filosófico naquele momento. Acho que o que muitos homossexuais querem dizer aos pais é que nosso caráter não muda quando nos assumimos e, se minha mãe foi capaz de entender isso, está valendo. - Eu ainda sou eu, mãe. Ainda sou sua filha e ainda amo você e o pai. - Senti o gosto salgado das lágrimas tomarem conta do meu paladar. 

- Ora, querida... - Minha mãe se aproximou com cautela, ela mal conseguia falar.

- Deixa eu terminar, tá bom? - Levantei um pouco a voz, mas de maneira educada. Se eu parasse naquele momento, desabaria em choro e nunca mais teria coragem de dizer aquelas palavras. - Se tô aqui, é porque sinto saudades, mas... Mas não dá pra fingir ser alguém que não sou. - Fechei os olhos, reunindo todas as minhas forças para não gaguejar. Então os abri novamente. - Sou lésbica, mãe, e isso não vai mudar. - "Não vou me desculpar por ser quem sou." Completei mentalmente o que não consegui completar em palavras.

Pela segunda vez em poucos minutos, fui surpreendentemente envolvida em um abraço caloroso. Descreveria a sensação como sendo muito próxima à de um Knockout. 

Minha mãe chorava como um bebê, agarrada a mim.

- Meu amor... Me desculpe. - Ela pedia diversas vezes. - Meu Deus, filha... Eu já não aguentava mais. Você faz muita falta aqui. - Minha mãe se afastou para acariciar meu rosto, parecendo observar e memorizar cada detalhe. - Por Deus, me perdoe, querida! - Balancei a cabeça positivamente, sentindo uma súbita onda de alívio invadir meu peito. Ninguém saberia descrever a adrenalina daquele momento. - Agora eu compreendo tudo. Eu posso não ser a melhor mãe, mas eu prometo que vou me esforçar. - Ela olhou para Duda, que ainda estava parada no mesmo lugar, assistindo a cena com uma expressão confusa. - Sua mãe me procurou há algum tempo. 

- Minha mãe? - Duda sussurrou para si mesma, parecendo não entender.

- Eu me sinto envergonhada. Como pude fazer aquelas coisas, Senhor?! - Minha mãe, muito religiosa, tinha esse costume de falar com o céu, às vezes. - Prometo que vou te respeitar, filha. Independente do que for. - Dei à minha mãe o abraço mais apertado que consegui.

Eu, bêbada, desarrumada, cheirando a álcool e cigarro, ao lado da garota que minha mãe me viu beijar, e dizendo todas aquelas coisas... Quem diria, hein?! Acreditem ou não, foi a primeira vez em que eu disse, em alto e bom som, as seguintes palavras: "sou lésbica".

Era possível enxergar o arrependimento misturado à alegria nos olhos de minha mãe, quando nos separamos. 

Tive certa dificuldade em fingir equilíbrio para olhar ao redor. Duda tinha uma expressão indecifrável no rosto. Por incrível que pareça, após tantos anos, eu sentia que estava conhecendo coisas absolutamente novas sobre ela. Do outro lado da rua havia um sedan prateado. Espera... Esse carro não é o da Maria Júlia?! 

- Meu amor, por favor, volte pra casa. - Minha mãe voltou a falar, me tirando de meus pensamentos.


Notas Finais


EAAAAAAI!

Gostaram do POV da Rafa, nenis? Pro sim ou pro não, ela não costuma ser tão sentimental e aberta assim, então pro próximo não esperem isso. Qq o álcool num faz cágente, né?! Kkkk

Será que a Dudinha vai perder a companheira de quarto dela? :(

haha

Bom, agora eu quero interagir, aqui vai uma perguntinha: com qual personagem vocês mais se identificam? Me contem, pois quero muito saber mais sobre vocês <3

Fuii!


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