História Girls Like Girls - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Exibições 47
Palavras 2.006
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Orange, Poesias, Romance e Novela, Slash, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Não me matem pelo amor de Deus!
*outra música maravilhosa*

Capítulo 24 - XXIV. When I Find Love Again


Fanfic / Fanfiction Girls Like Girls - Capítulo 24 - XXIV. When I Find Love Again

“Ei, onde posso ir?

Quando todas os caminhos que eu sigo

Nunca me guiam para casa

Ei, sinto sua falta

Mas estou acostumado a ver pessoas irem e virem

Sim, cometi erros

Da próxima vez, juro que vou mudar

Quando eu encontrar o amor novamente

[...]

Ei, não estou com vergonha

Pois todos têm um coração que foi feito para ser partido

Ei, não tenha medo

Pois você só fica mais forte através da dor

Sim, cometi erros

Da próxima vez, juro que vou mudar

Quando eu encontrar o amor novamente”

When I Find Love Again, James Blunt

 

O fato de eu ter recebido uma grande oportunidade de Gemma não me fez descansar nem mesmo por um segundo. Enquanto eu aguardava sua resposta ao artigo que eu havia feito sobre o desfile — estava ótimo, sendo sincera — eu continuava trabalhando como caça talentos.

Havia conseguido dois modelos novos para uma campanha publicitária em Nova Jersey e um novo diretor de arte para uma revista. O dinheiro era pouco para tanto trabalho.

— James! Para onde você tá indo? — Ele saía do estúdio onde havíamos combinado para tirar fotos para uma campanha comunitária que ajudávamos. — E as fotos?

Ele sorriu tranquilamente, ajeitando a bolsa com o material nos ombros.

— Olá Sarah, sua educação sempre me surpreende — disse James com ironia. Ele era ridículo e eu não sabia por que era meu melhor amigo. — Desculpe loirinha, eu não vou poder tirar as fotos. A Johanna ligou e parece que uma das meninas teve um problema na escola que o superpai vai ter que resolver — falou brincando. Eu já ia contestar, dizendo que as filhas dele sempre arrumavam confusão quando ele me interrompeu, sorrindo feito um bobo. — Antes que diga alguma coisa, saiba que eu já consegui um novo fotógrafo e é você que está atrasada.

Suspirei aliviada. Me recompus rapidamente e ri de leve, assimilando o que ele tinha dito.  As gêmeas de James, Alyce e Aileen, eram pequenos furacões de animação e hiperatividade. Só não eram piores que o menino mais novo, Bruce.

— Mande um beijo para Alyce — falei brincalhona, sabendo que a mais velha sempre arranjava mais confusões que a outra.

— Como tem tanta certeza de que foi ela? — perguntou confuso. Arqueei a sobrancelha com ironia, para lembrá-lo do comportamento hiperativo da filha caçula. — Quer saber? Esquece.

Eu fiquei parada do lado de fora do estúdio até que seu carro se afastasse, esperando até que meu melhor amigo estivesse longe o suficiente para não ver meu sorriso orgulhoso.

— Bom dia Annie — cumprimentei uma das maquiadoras. Ela sorriu e acenou, mantendo uma das mãos focada em deixar o rosto da modelo liso.

Eu joguei o casaco e a bolsa sobre o sofá, suspirando muito mais relaxada do que eu podia me sentir nos outros dias. Os dias em que eu me movia por ali, agindo com toda aquela correria e me sentindo novamente parte daquele mundo pela qual eu era completamente apaixonada.

A fotógrafa substituta estava lá, mexendo na câmera distraída e olhando de esguelha para os modelos algumas vezes. Eu a chamei com calma, recebendo um olhar surpreso e um sorriso tímido.

— Olá, sou Sarah Parker — falei formalmente e sorrindo largamente. Ela tinha olhos castanhos penetrantes e eu estava, sendo honesta, hipnotizada. Estendi minha mão. — Sou amiga do James.

— Ah, oi! Sou Isabelle Motini — falou. Devia ter uns trinta anos, no máximo, e era tão bonita que era difícil ficar encarando. — Sou... — balançou a câmera — a fotógrafa substituta. Rimos de leve e ela apertou minha mão.

— É um prazer conhecê-la — disse animada. Eu não tentava sair com outra mulher desde Louise e o fato de ter tantos relacionamentos fracassados com homens idiotas era só um incentivo para eu chama-la para sair.

Se controle Sarah Parker!

— Acredite loira, o prazer é todo meu.

Recuei minha mão um pouco menos animada. Suas palavras não estavam erradas, pelo contrário, parecia um estímulo para que eu iniciasse um conjunto interminável de flertes ou a chamasse logo. O problema era sua escolha exata de palavras.

Acredite, o prazer é todo meu, lembrei. Meu nome é Louise. Louise Claire.

Balancei a cabeça quando vi um flash e então o sorriso gentil de Isabelle.

— Você é fotogênica, devia estar na frente das câmeras e não escondida nos bastidores — comentou, ela posicionou a câmera novamente e focou no meu rosto. Eu sorri. — Uau, nossa!... Você é...

— Fotogênica? — repeti carinhosa. — Obrigada — Ela olhou para o meu rosto, as feições risonhas. Isabelle mordeu os lábios, contendo um sorriso.

— Na verdade eu ia dizer maravilhosa — corrigiu-me. Senti meu rosto ficar quente e sorri envergonhada. — E fica melhor ainda quando cora — riu. — Você...

— Sarah! — Emma entrou no estúdio, chamando minha atenção. Minha melhor amiga tinha pastas debaixo do braço, com o telefone em uma das mãos enquanto com a outra carregava uma bandeja com seis cafés. Ela arrumou tudo em cima de uma mesa e então veio até mim, me entregando um dos cafés. — Cadê o James? Eu trouxe um para ele.

— Alyce teve problemas na escola. A Johanna deve ter se enrolado com o trabalho, não pôde resolver e ele teve que ir — Gemi apreciando o sabor amargo e quente do café. — Eu te adoro mulher.

— Eu sei, sou maravilhosa — disse como se fosse óbvio e arrumou o cabelo castanho em um coque. Seus olhos disfarçadamente visavam Isabelle e ela me puxou para um canto, suspirei já imaginando o que ela queria dizer. — Uau, nossa, ela é maravilhosa! Eu vi vocês duas conversando — Os olhos brilhavam. — Sobre o que falavam?

— Ah, ela disse que eu sou fotogênica. E maravilhosa — Emma fez um som estrangulado e animado, dando pequenos pulinhos de animação. — Quer parar com isso? Tem quarenta anos, pare de se comportar como uma criança Emms.

— Para o meu novo namorado eu tenho trinta e cinco, e se vocês se conhecerem você vai concordar e acenar — ameaçou bebendo grandes goles do café que era para ser de James. — Como ela se chama?

— Isabelle Montini.

— Sarah Parker Montini — comentou. — Adorei!

Revirei os olhos com seu exagero e busquei Isabelle com os olhos. Ela estava falando com um dos modelos, dando dicas de como ele devia se comportar durante o ensaio.

— Olha só esse sorriso! Você precisa convidar ela para sair — disse com veemência. — Não sai com uma mulher desde Louise, lembra? Não é porque aquela ali de traumatizou que você não deva dar chances a outras.  Quando estávamos na faculdade você me dizia que só tinha ido para escapar do seu pai, porque você queria se descobrir, aí você conheceu o Steve e aí ficaram noivos, depois apareceu Louise. Você nunca deu uma chance para uma mulher te fazer feliz de verdade, agora é o momento certo. É o destino gritando para você “Vá fundo e agarre a italiana gostosa!”.

— Céus, você é maluca — Um dos maquiadores me chamou. — Preciso ir, tenho que trabalhar.

Adios! — Emma saiu com suas coisas da mesma forma desajeitada que entrou e eu me aproximei de Isabelle. Durante o ensaio eu me concentrei em ajudar os modelos a se moverem melhor diante das câmeras e falava com Annie uma vez ou outra.

Durante uma troca de roupas, Isabelle se aproximou.

— Como você consegue encontrar esse povo? — perguntou curiosa encarando e checando os modelos masculinos, que estavam se sentindo muito a vontade sendo trasvestidos.  — Eles aceitaram isso sem reclamar?

— São homens, é fácil convencer eles — respondi. — E não foi a coisa mais difícil que já tive que fazer. Uma vez trabalhei para um diretor que queria atores figurantes que aceitassem mutilação de leve. Uma das atrizes quase me matou.

— Parece ter muitas histórias boas para contar.

— Nem tanto — comentei. — Trabalho com isso desde os trinta e dois, mas só passei a ser mais efetiva depois dos trinta e seis — Estava distraída verificando as fotos editadas da semana passada.

— Bom, o que você acha de sairmos para jantar e você me contar suas incríveis histórias? — perguntou me encarando com determinação e divertimento. — Se você quiser, é claro.

— Um jantar soa muito bem — respondi, balançando a cabeça com concordância e sorrindo com uma animação precipitada. Isabelle era bonita, jovem e parecia realmente interessada.

— Isso! — ela disse, dando um pequeno soquinho no ar em comemoração. Ri de sua animação juvenil e excitada. Idade não era algo que importava muito para mim, mas mesmo assim não pude deixar de me sentir um pouco incomodada. Ela era em torno de dez anos mais jovem e aquilo estava apitando na minha cabeça.  — Eu te pego às sete, então?

— Claro — falei piscando os olhos surpresa pela velocidade de suas palavras. — Mas talvez seja melhor que nos encontremos no restaurante, sabe, buscar em casa é algo muito intimo.

— Ah, tudo bem então. Posso passar o endereço pelo telefone — sugeriu. Eu entreguei o aparelho para que ela anotasse seu telefone. Ela sorria, empolgada o tempo todo e parecia muito satisfeita. — Prontinho. Às sete, alguma preferência?

— Odeio comida indiana — avisei sorridente. Ela riu de forma contagiosa e acenou.

Aquilo não daria certo, mas tentaria do mesmo jeito. Depois de Louise eu não havia dado uma chance à minha bissexualidade, me restringindo à homens — na maioria idiotas e irresponsáveis — e omitindo meus desejos.

Fazia parte do meu novo plano de vida.

 

***

 

— Tudo isso faz parte do meu plano Greta, eu tenho tudo sob controle — disse enquanto me esforçava para entrar em um turbinho preto que eu não usava fazia séculos. — Céus, eu tenho mesmo peso desde os vinte e sete, como isso pode não caber agora?

— Flacidez e rugas? — sugeriu com divertimento. A encarei mortalmente, arfante. Era muito esforço para vestir algo que no final da noite eu nem precisaria. — Eu ainda não entendi esse seu plano, sério e-eu... Eu não consigo entender o que você planeja. Qual é o sentido desse seu plano?

— O sentido é que eu passei toda a minha vida tentando agradar todos ao meu redor. Tentei agradar o meu pai indo para uma faculdade ao invés de focar na minha carreira, agradei a minha mãe ficando noiva de um cara de quem eu nem gostava e tentei agradar minha irmã sacrificando todo o resto da minha vida e liberdade para cuidar dos meus sobrinhos — desabafei ansiosa. — Não que eu me arrependa disso, céus, não! Eu amo meus sobrinhos e faria qualquer coisa por eles, mas eu já tenho quarenta anos Greta! Quarenta!

Eu sei sua idade!

— São quarenta anos de decepções. Quando eu era pequena sonhava em achar alguém que me amaria incondicionalmente, com três filhos e uma casa bonita, com uma carreira maravilhosa e cheia de histórias. E eu parei para pensar e percebi que não conquistei nada do que eu queria, nada do que tinha sonhado. O que diria aquela garotinha se soubesse a mulher que se tornou?

Greta suspirou e se levantou para me ajudar com o cabelo, mas parou por um momento para abraçar-me pelos ombros.

— Ela diria que está muito orgulhosa — encorajou com um tom amável. — As coisas podem não ter saído como você queria, mas você conseguiu muito mais. Você tem as crianças e você tem a mim. Sarah, eu sempre vou estar aqui. Sei que não é o relacionamento que você deseja ou o ideal, mas... Sarah Parker, eu vou te amar incondicionalmente.

Eu sentia vontade de chorar, por isso eu ri para aliviar o clima emocional.

— Isso foi tão fofo — falei e a abracei com força. — Obrigada Gee, eu te amo.

Greta me ajudou com o cabelo então e a escolher os sapatos perfeitos para combinar com o turbinho preto.

Eu estava maravilhosa e pude ter certeza disso quando estacionei em frente ao restaurante e ganhei um olhar surpreso de Isabelle. Ela se aproximou ainda com os olhos levemente arregalados e segurou minha mão para me ajudar a descer do conversível.

— Você é mesmo maravilhosa.

— Sei disso — disse imitando uma pose orgulhosa. Rimos juntas da minha falha tentativa de ego. Gosto do olhar que ela me lança, das suas tentativas de tocar em mim com discrição e dos sorrisos que tomam conta do seu rosto cada vez que eu a encaro. — Vamos jantar?


Notas Finais


Postei e saí correndo.
Izzy é do bem gente e apesar de não ser tão importante, ela vai ser essencial para o shipp que vocês mais me pedem (Sarah e Louise [temos que criar um nome pra elas]).
Beijos, J.L. <3


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