História Girls Like Girls - Capítulo 29


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Palavras 2.329
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Orange, Poesias, Romance e Novela, Slash, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá de novo, pessoinhas!

Capítulo 29 - XXIX. I Love You


Fanfic / Fanfiction Girls Like Girls - Capítulo 29 - XXIX. I Love You

“Eu me apaixonei por uma menina linda

Ela ainda me deixa sem fôlego

Eu me apaixonei sob a luz do sol da manhã

Enquanto as horas escapavam

 

Às vezes, quando ouço seu nome

Um sorriso aparece em meu rosto

E por um motivo que desconheço

Nunca é fora de hora

 

Pois eu te amo

Mais do que você acha que amo

E eu te amo”

I Love You,  Alex & Sierra.

 

Mal conseguia respirar.

Beatrice Philips não era minha primeira namorada, provavelmente não seria a última, mas eu me sentia nervosa como se fosse. A ideia de apresentá-la oficialmente para minha família e amigos fazia meu estômago revirar como se estivesse em uma montanha russa em alta velocidade, após beber dois litros de Coca-Cola e comer quatro barras de chocolate ao leite — não era uma boa ideia.

Eu gostava muito dela, ao ponto de fazer meus pulmões pararem ao vê-la e meus dedos coçarem de ansiedade para tocá-la, mesmo que fosse um simples beijo ou um aperto de mãos.  Nem queira saber do efeito do sorriso dela em mim (envolvia muito tempo trancada no banheiro).

Mas claro que, como tudo na minha vida, tinha que ter uma complicação. Eu havia me declarado para ela. Que tipo de idiota eu era?! Estávamos saindo há apenas dois meses e alguns dias, para então eu dizer indiretamente que eu estava apaixonada por ela e pior, que éramos algum tipo de alma gêmea. Constrangedor.

Ação de Graças na minha família era basicamente uma bagunça. Todos nós sentávamos em volta da mesa, depois de assistir vários filmes antecipados de natal e ao desfile gravado da Macy’s, tomar chá e roubar alguns biscoitos da tia Liz. Nós jogávamos jogos de tabuleiros, posávamos para uma foto bonita em família com nossas roupas chiques e depois nos livrávamos de saltos altos e gravatas.

Beatrice e sua família apareceram no meio da tarde, no meio de um jogo de cartas. Sarah Parker trazia uma torta de maça de que cheirava muito bem e fora convocada pelo minha tia Liz e Rosalie para a cozinha. Scott virou a dupla de Ian no jogo e acabaram com meu pai e tio Chris no pôquer, enquanto meu irmão distraía a prima dela com uma conversa detalhada sobre Paris.

Nós fomos para o quintal, deixando que seu sobrinho e meu irmão ficassem juntos no gramado e sentamos na borda da piscina, aliviando nossos pés tensos na água gelada.

— Achei que viria mais gente — comentou brincando meus dedos. Os pés moviam-se muito mais pra frente do que os meus na água por causa das pernas compridas. — Cadê o Alex e o Robin? Achei que tinha convidado eles.

— De acordo com o Alex  o pai dele está saindo com uma mulher e eles vão ser apresentados essa noite, por isso o smurf não vai vir. Eu não sabia que o xerife era o pai do Alexander, parece meio surreal.

— Quase não me lembro disso porque não passo muito tempo com eles, apesar dele ser amigo da minha tia. O Robin é um homem legal e um pai muito bom, aceitou o Alex quando nada parecia estar dando certo na vida dele — Sorriu. — Ele foi lá em casa hoje de manhã, ‘tá tentando animar minha tia. Não está dando muito certo.

— Cuide dos seus problemas, lembra? — Cutuquei-a. — Sua cabeça fritará desse jeito dulzura. Você precisa aprender a relaxar um pouco, querida... Eu sei ótimos formas de relaxar — mexi as sobrancelhas maliciosamente. Beatrice riu e puxou meu rosto para me beijar delicadamente, mordiscando meus lábios e esfregando-os de maneira totalmente sensual. Ela era tão perfeita a meu ver que não precisava muito para sentir os primeiros sinais de excitação. — Acho melhor não continuarmos, a menos que você queira que eu tire sua roupa aqui e agora.

— Hum... Ideia tentadora, mas acho que sua família não ia gostar muito disso — falou, me deixando surpresa. Ela havia realmente insinuado aquilo? — Olha, eu acho que o Ian está chamando a gente para jantar. Vamos? Eu quero muito provar o macarrão com queijo da sua tia, o cheiro está vindo aqui!

A mesa estava posta, com cadeiras em excesso e pratos se amontoando sobre os outros no espaço curto da mesa. Como os sócios do meu pai não compareceram, só tinha os amigos mais próximos. Os irmãos de Gina deram um jeito de se amontoarem em conjunto em um lado da mesa junto da asiática e dos pais adotivos. Harley e Dean ainda conversavam animadamente, muito próximos e dividindo um espaço minúsculo na borda da mesa ao lado da senhora Parker, que tinha toda a atenção voltada para minhas tias. Ian e meu pai riam e conversavam baixinho, trocando carícias. Minha avó tinha a ajuda dos meus primos para servir a mesa e distribuir pratos e talheres. O móvel comprido parecia tão pequeno para aquela quantidade de gente.

Puxei Beatrice para sentar próximo dos meus pais. Thomas beijou minha bochecha e acariciou meu cabelo quando sentei, logo voltando a atenção para Ian, que cuidava para que James colocasse os talheres do lado certo. Os pratos foram passados para gente junto com os talheres e quando todas as bandejas de comida foram servidas na mesa, minha avó sorriu e pôs ao lado do meu pai na cadeira.

— Hoje é um dia para agradecermos. Para celebrar e sermos gratos pelas dádivas que acontecem nas nossas vidas e principalmente, agradecer por estarmos juntos — Ela segurou minhas mãos e a do meu pai. — Gostaria que todos unissem as mãos para agradecer antes de comermos — Todos firmaram suas mãos uma nas outras. Beatrice apertou a minha tão forte que não pude evitar encará-la. Os olhos brilhavam. — Obrigada por todas as graças que o Senhor nos concedeu. Nós somos gratos pela vida de todos os familiares e amigos que estão aqui neste dia, e por aqueles que não podem estar. Obrigada pela dádiva que é acordar a cada novo dia. Obrigada por cada refeição, por nos dar um teto e um lar seguro para nos abrigarmos e para repousar os nossos corpos cansados e obrigada pelo nosso trabalho, pela nossa saúde, nosso amor e união.

Quando a oração terminou, Beatrice se inclinou para mim e sussurrou:

— Não sabia que sua família era cristã

— Não somos, minha avó é — Decidi que seria mais fácil assim ao explicar todo o contexto religioso da minha família. Muitas pessoas, religiões diferentes. — Concordamos que ela podia orar desde que não forçasse nenhum tipo de religião em cima de nós.

— Então você não acredita em Deus.

— Não.

— Não — repetiu.

— Você acredita? Acredita em Deus Beatrice Philips?

— Acredito em algo maior do que nós — respondeu depois de um tempo. — Deus ou extraterrestres, tanto faz. São coisas que não podemos compreender de qualquer forma e que estão além de nossa minúscula compreensão humana.  Mas se quiser por em um sentido religioso, acredito em Jesus.

— Então você acredita.

— Sim.

— Sim — repeti.  

Minha avó cortava o peru de Ação de Graças, distribuindo uma fatia generosa à todos e sorrindo amavelmente para cada pessoa. Para uma velha de setenta anos ela era muito bonita e esbanjava um ar jovial, tranquilo.

Como o novo casal da mesa, Beatrice e eu não escapamos de perguntas constrangedoras. Minha tia Liz parecia muito animada com minha “nova namorada” e se unia ao tio Chris para questionar e contar coisas vergonhosas. Sarah e Harley também não se sentiram hesitantes em me encher de perguntas como, por exemplo, se eu já havia fumado maconha alguma vez na vida. Eu corei e neguei freneticamente, apesar de ser uma mentira descarada.

— Você não precisa ficar tão nervosa — disse a senhora Parker, rindo por trás da taça de vinho. — Já fui uma adolescente e posso te garantir que já fiz coisas muito piores do que fumar um baseado.

— Com certeza — concordou enfaticamente meu pai. Ian riu da minha cara.

— Thomas Hester, pare de ficar dando ideias para sua filha! Onde já se viu? Insinuando que minha neta devesse cometer os mesmos erros que o pai idiota dela — Minha avó sempre gostou muito da palavra “idiota”. Acho que era o máximo que ela se permitia xingar em voz alta. Era mais uma daquelas regras estúpidas de família: não xingar, não deixar a toalha em cima da cama... Coisas assim. — Não ouça seu pai Maia, ele diz muitas coisas erradas.

— Uiuiui, tio Thommy diz muitas coisas erradas — zombou Kylie. Era um ano mais novo que eu, mas havia crescido uns dez centímetros desde o verão passado e agora se achava ainda mais. Havia também uma pelugem marrom nascendo no queixo numa barbicha muito feia que ele havia adorado. — Você ainda obedece o horário da soneca?

— Eu vou te dar uma surra moleque.

— Okay, okay! Podemos voltar ao assunto? — disse tia Liz. Em uma família grande alguém sempre era o pulso firme, aquele parente que ninguém ousava desobedecer. Na minha, tia Liz era a autoridade máxima depois dos meus avós. — O foco deste jantar é que a família conhecesse melhor a nova namorada da Maia, então vamos fazer isso.

Pelo resto do jantar, as perguntas continuaram. Coisas bobas que os adultos sempre perguntam. “O que você vai fazer na faculdade?”, “Qual seu filme favorito?”.  Também contaram histórias bobas, de nossas primeiras palavras, primeiros passos, brigas na escola, problemas da pré-adolescência.

Adultos são muito chatos. Tenho uma teoria de que todos eles, em determinado momento de suas vidas, decidiam que deviam parar de agir por conta própria e virar um adulto padronizado. Casamento, filhos, serem pais controladores ou libertinos que se acham legais demais, porém são muito estranhos.

Infelizmente, para nós duas, naquela mesa tinha muitos adultos curiosos.

 

***

 

É comum, nos Estados Unidos, assistir futebol americano após o jantar de Ação de Graças. Não seguíamos muito as tradições, mas naquela noite todos os adultos sentaram em volta da televisão para assistir o time da família jogar, bebendo uísque e comendo os bolinhos salgados da Roxanne. Ian preferiu ficar conosco naquela noite, trocou o terno por uma sunga e fomos todos para a piscina aquecida interna — foi a minha principal exigência quando nos mudamos.

— Isso é muito bom! — resmungou a prima da loira, boiando na piscina com roupas emprestadas pela Gina. Meu irmão a seguia feito um cachorrinho, engraçado como garotos de quatorze anos se apaixonavam fácil por uma garota bonita. — Dean, não ouse me puxar para baixo!

Ri deles e da caçada que começou na piscina, com Gina tentando pegar todos — ela era muito baixinha e nadava de um jeito estranho — sem sucesso. Seus irmãos zombavam. O meu cabelo ainda pingava quando eu vesti o blusão e chamei Beatrice.

— Ei, vem — chamei. — Vamos atacar alguns biscoitos.

— Hum, okay. Será que ainda tem torta de maçã? — perguntou de forma fofa. Ela havia roubado uma das camisetas do Ian, que ainda era mais baixo que ela. Usava um shorts da Gina, porque suas coxas eram mais magras que as minhas. — Eu daria tudo por uma barra de chocolate agora.

— Chocólatra — acusei. Nós passamos pela sala, molhando todo o chão impecável que meu padrasto passara horas limpando, só para que eu pudesse me esticar sobre o sofá entre meu pai e tio. — Oiii! Quem tá ganhando?

— Dallas Cowboys — respondeu meu pai, concentrado na televisão. — É por isso que eles estão entre os melhores dos melhores.

— Tá de brincadeira?! — gritou tia Liz. — Eles são os melhores!

— Viu? É por isso que a tia Liz não pode ir para um estádio de futebol — falei para Beatrice enquanto íamos para a cozinha. — Uma vez o vovô Christopher a levou para ver um jogo e ela acabou brigando com um cara do time rival que tinha o dobro do tamanho dela. Infelizmente, para ele, a tia Liz é faixa preta em cinco tipos diferentes de artes marciais... Acho que as bolas dele nunca se recuperaram.

Beatrice riu, sentou-se no balcão e ficou me observando enquanto tirava torta da geladeira e os biscoitos do armário. Sentia seu olhar queimando nas minhas pernas enquanto eu me movimentava pela cozinha, arranjando tudo quanto era besteira para que pudéssemos comer.  

— Você prefere suco de maça ou cerveja?

— Suco, eu não bebo lembra?

— Ah, é. Verdade. Desculpa, eu esqueci completamente — Dei as costas para ela e abri a geladeira, começando a procurar o suco. Tudo naquela casa estava de cabeça para baixo, incluindo a geladeira. Estava quase desistindo de procurar quando achei a caixa atrás de muitas folhas de couve apodrecidas. — Ah, aqui está. Olha, sei que está meio fedorento, só que o suco está... bom — Fiquei em silêncio por vários segundos, encarando os cordões reluzentes e os anéis, que pareciam me encarar . — Beatrice, o que é isso?

— Hoje você se declarou para mim indiretamente e eu não te dei uma resposta satisfatória. Na verdade, não te dei resposta nenhuma — Beatrice se ergueu e me encarou. Os olhos brilhavam de determinação. — Eu passei dias ensaiando o que eu deveria dizer, como eu podia fazer o pedido perfeito, só que não encontrei uma forma de pedir para ser minha namorada, uma forma especial.

— Por que isso agora?

— Porque eu estou cansada disso! Estou cansada de não saber como te chamar, de explicar que não somos namoradas quando tudo que eu mais quero é sorrir e dizer  “É nós somos um casal bonito! Ela é minha namorada!” — Estava paralisada. — A verdade Maia é que passo o dia todo pensando em você. Cada mísero segundo dele. Eu amo você, com todas as letras e em todas as línguas.

Ela puxou um dos cordões.

— Alianças são tão bregas e eu detesto anéis, então eu achei que um colar cairia melhor — Ela me arrastou para o balcão, onde me ajudou a subir. Se colocou no meio das minhas pernas e me encarou seriamente, sorrindo. — Maia Hester, você quer namorar comigo?

— Você é tão estúpida. Não se pergunta uma coisa dessas para alguém que acabou de dizer que ama, Beatrice Philips! É óbvio que eu quero namorar você — Circulei seu pescoço com meus braços e antes de beijá-la, sussurrei. — Só para constar, eu amo você também.


Notas Finais


Obrigada pelos favoritos! Foram 7 novos favoritos desde que eu postei o capítulo vinte e oito, um pouco mais do que uma hora atrás e eu estou tão feliz! Além disso ganhei mais seis novos acompanhamentos no Nyah!Fanfiction. Resumindo: tenho os melhores leitores do mundo. Muito obrigada, vocês são maravilhosos <3
Espero que tenham gostado do capítulo e do pedido da Maia. Sugestões e críticas são bem-vindas, comentários por favorzinho!
Beijos, J.L<3


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