História Give me love - Capítulo 12


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Anjo, Cake, Givemelove, Homossexual, Romance
Visualizações 4
Palavras 3.932
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Musical (Songfic), Poesias, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oi, sweeties! Esse capítulo é o mais longo da história, mas é um dos meus favoritos também. Espero que gostem dele hehe. Boa leitura, sweeties!
*Banner pela LavaGirl do Incredible Design.

Capítulo 12 - Capítulo 11 - A igreja de Bradford


Fanfic / Fanfiction Give me love - Capítulo 12 - Capítulo 11 - A igreja de Bradford

Jake Blacke

— Que jeito Carter? Você não consegue nem admitir para si próprio que é gay, quem dirá para os outros...

Não conseguia acreditar nas palavras que eu estava ouvindo. Não poderia me sujeitar a isso. A vida de homossexual já não era fácil, agora ser amante de um homossexual que tinha vergonha de si próprio, de jeito ou maneira me sujeitaria a isso.

—Não é essa a questão...

É sim! Carter, você é gay e você não assume isso!—Me exaltei. Não conseguia conter mais minha frustração com aquilo.

Pare de gritar! —Ele levantou seu tom de voz, fazendo eu me encolher, amedrontado.

Neguei com a cabeça. O dia já tinha sido ruim o suficiente. Não aguentaria mais uma discussão com ele.

—Sai daqui Carter, vai embora...

—Jake, para! Não é assim que a gente tem que resolver as coisas... Para e pensa, pelo amor de Deus...

— PARA! — Gritei deixando várias lágrimas rolarem pelo meu rosto. — Deus não pensa em nós, ele nos condena por sermos o que somos...

—Para você com esse discurso, seu pai era um babaca, um imbecil que perdeu um filho maravilhoso porque era preconceituoso — Ele dizia, o que me fez rir.

—E você não é preconceituoso, Carter?

Ele suspirou e colocou a cerveja em cima do balcão.

—Não sou preconceituoso, mas todos a minha volta são e, infelizmente, a vida não é um filme romântico onde eu posso largar tudo e viver um grande amor, Jake, porque eu não teria como sobreviver depois.

Ele passou por mim, pegou suas coisas e foi em direção a porta.

—Desculpa se eu te amar não é o suficiente...

—Cala a boca Carter, você me amar é o suficiente, só você que não sabe disso... —Eu disse quase como um suspiro.

Ele abriu a boca para dizer alguma coisa mais, porém não conseguiu e só saiu pela porta.

Senti meu coração ficar estilhaçado. Parecia quebrado em mil pedaços que não tinham concerto. Caminhei me arrastando até a minha cama e me joguei ali. Não queria chorar, mas as lágrimas vinham sem permissão e escorriam pelo meu rosto. Queria gritar pela agonia que sentia no peito, mas não o fiz. Continuei ali estático, chorando, sentido meu coração ser corroído pela dor.

—Eu odeio te amar tanto Carter... —Sussurrei.

Deixei que lágrimas e mais lágrimas rolassem pelo meu rosto. Peguei meu celular que estava na outra ponta da cama e disquei o número daquele idiota que acabara de deixar a minha casa.

—Alô— Seu tom tentou ser seco, mas a verdade era que ele estava chorando, assim como eu.

—Volta pra cá... Por favor...

—Jake, já estou chegando em casa...

—Desde quando isso foi desculpa pra você não vir me ver?

Ouvi seu suspiro, só não sabia se aquilo era bom ou ruim.

 —A gente se fala amanhã.

Então ele simplesmente desligou o telefone. Minhas lágrimas se tornaram compulsivas e não pude mais evitar que caíssem, assim adormeci.

***

Acordei no dia seguinte com a cabeça latejando. Tudo isso devido ao choro da noite passada. Tudo isso culpa daquele idiota do Carter. Olhei para o lado e vi o estado da minha casa. Um caos. Eva e Faith também não tinham perdoado. As duas dormiam no sofá. Uma virada pra cada lado.

Impossível não sorrir ao ver a cena.

Sabia que Eva se importava comigo, mas eu não esperava tanto. Ela não me acordou e ainda dormiu na minha casa para fazer companhia a Faith. Realmente eu deveria dar mais valor àquela louca.

Levantei sentindo o gosto ruim na minha boca. Fui até o banheiro e escovei os dentes. Minha situação não era das melhores, mas nada que um bom banho não resolvesse.

Liguei o chuveiro e esperei que esquentasse a água. Assim que a temperatura me agradou eu entrei em baixo da mesma. Deixei que as gotas inundassem meu corpo e minha alma. Queria relaxar e esvaziar a mente, mas não consegui.

Fechei o registro e me sequei, saindo do banheiro ainda com a toalha enrolada na minha cintura. Vesti uma cueca, uma calça de moletom e uma camiseta qualquer. Voltei para o banheiro para ajeitar os cabelos e estender a toalha.

O relógio perto da porta de entrada apontava meio dia. Já tinha perdido o expediente na loja. E honestamente eu nem queria ir pra lá. Não queria ir pra lugar nenhum.

Caminhei até a cozinha para preparar café da manhã. Coloquei a leiteira cheia no fogo e uma chaleira com água também. Fiz um pouco de panqueca, ovo e bacon ­— apesar de não ser muito fã de bacon, mas Eva adorava. — Ajeitei a mesa e dispus três pratos, apesar da fome estar fugindo de mim. Quando o relógio bateu uma hora, decidi chamá-las.

Me ajoelhei ao lado do sofá e cutuquei Eva e depois Faith. As duas resmungaram. Acho que chegaram tarde, ontem a noite.

—Eva, fiz bacon... —Cantarolei e seus olhos castanhos se abriram.

—Bom dia... —Disse ela com um sorriso estampado no rosto.

Ri da situação. Me levantei e cutuquei Faith mais uma vez.

—Levanta loira... —Chamei rindo ainda, mexi em seus cabelos e fui pra mesa.

Faith e Eva levantaram de forma bem preguiçosa. Quase se arrastaram até a mesa e sentaram-se com os olhos brilhando, enquanto observavam a comida.

Eva elogiou o bacon, antes mesmo de comer. Nos servimos e comemos conversando um pouco. Eva sabia que alguma coisa tinha acontecido, mas não entrou no assunto. E eu a agradeci por isso.

Enquanto elas devoravam a comilança, eu apenas beliscava uma panqueca e um pouco de ovo. Minha mente divagava sobre minha vida. Desde quando era criança e ouvia os sermões do meu pai até a noite de ontem, com a briga entre mim e Carter.

—Achei demais! —Disse Faith sorridente.

—O que é demais? —Questionei, tentando voltar a minha realidade.

—A Eva cantando. —Respondeu a loira ainda sorrindo e eu não pude sorrir também. Aquele sorriso era contagiante demais.

—Obrigada... —Respondeu Eva sorridente.

Olhei novamente, um pouco impaciente, o relógio. Uma e meia. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação... Nada. Como ele pode fazer uma coisa dessas comigo? Como ele pode ser tão egoísta? Como...? Ah, odeio amá-lo tanto!

—Não foi trabalhar... —Faith comentou e eu sorri, um pouco triste. Não queria ter que lhe explicar o porque.

—Preciso voltar a Bradford... —Soltei a frase junto a um suspiro.

Eva parou, intacta e me encarou como se eu fosse louco. Ok, talvez eu até tenha enlouquecido, mas o que eu tenho a perder? Rever meu pai e minha família não pode ser de todo ruim. Pode? Além do mais Carter ainda não tinha sinal de vida, o que na verdade já era de se esperar. A Holly está esperando um filho que ele vai assumir e a empresa será dele. Se o nosso fim não foi ontem a noite, com certeza ele está próximo.

—O quê?

Aquele grito estridente deixando seus lábios me irritou, mas eu precisava fazer isso. Precisava por a cabeça no lugar.

—Querem ir comigo?

—Adoraria... —Respondeu Faith meiga, como sempre.

—Você está louco? Como assim voltar pra Bradford?

—É só uma visita... Além do mais é minha família... —Respondi encarando meu prato, que parecia bem mais interessante do encarar a fúria visível nos olhos de Eva.

—Tem certeza? —Agora seu tom era mais calmo. Parecia que a raiva se dissipou com o suspiro que ela soltou.

—Tenho, vamos hoje, passamos a noite lá e depois voltamos. Que tal?

—Acho que vai divertido. —Respondeu Faith apaziguando a mesa.

***

Minha bolsa estava nas minhas costas. Era apenas uma mochila com o necessário. Eva tinha feito uma bolsa com alguns pertences para ela e Faith. Não sabia bem o que esperar em Bradford, mas tinha fé que ao menos pudesse encontrar minha família.

—Vai dar tudo certo... —Eva sussurrou pegando minha mão, enquanto caminhávamos até o nosso ônibus que nos levaria a minha cidade natal.

Não aguentava o silêncio do Carter, então, por que não fazer algo que me afligisse mais? Afinal, reencontrar meu pai, iria ser complicado.

Entramos no ônibus que por sorte estava vazio. Sentamos mais ao fundo. Eva e Faith em um par de bancos e eu em outro sozinho com as malas. Não que me importasse em ficar sozinho, mas algo me incomodava. Quando um moreno de — aparentemente — descendência mulçumana entrou no ônibus, parecia que alguma coisa tinha mudado.

Ele caminhou até meu banco e perguntou se o banco ao meu lado estava ocupado. Sua voz era levemente grossa e fria. Suas tatuagens a mostra eram intrigantes e a por algum motivo seu cheiro era peculiar. Maconha e loção de barba.

Tirei minha mochila do lugar e o deixei sentar-se na janela. Abri a mochila e procurei pelo meu celular. Achei-o no fundo da bolsa. Apertei o botão e a tela se iluminou. Nada. Nenhuma mensagem, nem ligação perdida.

—Jake, —Eva me chamou. — e o Carter?

—Não sei... —Dei de ombros. — Ele deve estar com a futura esposa.

O rosto dela perdeu o brilho por um momento, mas logo um sorriso reconfortante dominou seus lábios. Ela estendeu a mão para que eu a apertasse e foi o que fiz. Tinha sorte em tê-la ao meu lado. Nossa amizade era quase como um casamento, na verdade. Nós brigávamos, fazíamos as pazes, dormíamos juntos — tirando a parte do sexo — e... Não, Eva era mais que isso. Nossa amizade era quase como uma relação de irmãos. Era muito mais puro o que existia entre nós.

—Te amo... —Eu disse sem pensar duas vezes.

Ela abriu o maior sorriso do dia.

—Também te amo, Jake...Amo muito! —Ela indagou.

Sorri e nós rimos. Faith apenas olhava para a janela. Parecia alheia a situação. Não entendia aquela garota que a alguns dias tinha aparecido nua no andar de cima. Por algum motivo, quando pus os olhos nela, soube que seria importante na minha vida e bem, até agora ela tem sido bem importante e especial.

—Vocês são namorados? —Perguntou o rapaz que estava sentado ao meu lado. —Se quiserem, posso trocar de lugar com ela...

—Não, tudo bem... —Comentou Eva passando um das mãos nas costas de Faith. — Mas obrigado senhor...?

—Ah, sou Zed, Arthur Zed, mas todos me chamam de Zed.

—Muito prazer, sou Eva Soares.

—Sou Jake Blake e a loirinha alienada é a Faith... —Comentei e Eva riu de leve, junto a nós dois. Faith continuava quieta.

—Faith, tudo bem? —Eva perguntou, com um timbre de preocupação perceptível.

—Sim, só estou pensando... —Ela respondeu calma — E com sono... —Acrescentou enquanto esfregava um dos olhos.

—São todos amigos? —Zed perguntou.

—Sim. —Faith respondeu o que surpreendeu a mim e a Eva, mas de uma forma boa.

—É, estamos em uma louca aventura... —Debochou Eva.

—Uau, que aventura?

—Nada, ela que está pirando... —Comentei. — Vamos ver a minha família.

—Ah, voltando para casa, então?

—Mais ou menos... —Respondi tentando disfarçar a tristeza.

—É só uma visita. —Disse Faith e sorriu para Zed.

Continuamos a conversar pelo resto do trajeto. Zed estava voltando para ver sua família também. Contou sobre a noiva e que ela era totalmente contra a viagem, pois tinha medo de pegar a estrada. Contei que tinha alguém, mas que tínhamos nos desentendido e ele disse que nada que uma caixa de bombom e um buque de flores não resolvesse e eu ri. Não tínhamos o mesmo tipo de relacionamento.

***

O ônibus parou em Bradford lá pelas sete da noite. Nós descemos e nos despedimos de Zed, que seguiu com sua irmã, que o esperava na estação.

Olhei ao redor. Sentia falta daquele lugar. Sentia falta da minha mãe, das minhas irmãs e até do homofóbico do meu pai. Sentia falta da comida caseira, dos outonos na casa da árvore, dos natais fartos... Sentia falta de tudo o que aquela cidade um dia me deu.

—Vamos para onde agora, Sr. Blake? — Perguntou Eva animada.

Definitivamente essa criatura é noturna.

—Tem um alojamento aqui perto, passamos a noite lá e de manhã vamos a igreja. —Avisei.

—Vamos? —Faith questionou.

—Quer dizer, eu vou, se quiserem podem ficar no alojament...

—Não, quero muito ir a igreja. —Ela respondeu com um sorriso no rosto.

Assenti e então começamos a caminhar. A cidade não era tão grande quanto Londres, mas não era tão pequena. Caminhamos algumas quadras e logo eu avistei o velho prédio vermelho. A lembrança das noites que passei lá me vieram a mente. Depois que meu pai me expulsou de casa, eu fui para o alojamento. Era pago, então comecei a trabalhar e a partir daí minha vida foi desandando, até o dia em que conheci Carter na cafeteria onde Eva trabalha.

Era um dia agradável e o lugar estava lotado, então ele veio sentar-se comigo, pois era o único que ocupava uma mesa e estava sozinho. Começamos a conversar e a cada dia mais. Na época eu tinha uns vinte e dois anos e ele vinte e um. Era o CEO mais novo que eu já tinha visto. Seu pai queria ensiná-lo a lidar com a empresa desde cedo. Conversa vai, conversa vem... Foi quando fomos a uma festa de faculdade. Os dois jovens demais. Bebemos e então nos beijamos. Não sabia qual seria a sua reação no dia seguinte, mas para minha sorte, ela foi positiva e continuamos a sair. Carter já sabia sobre a própria homossexualidade, mas não demonstrava por causa dos pais e, bem... Isso continua assim.

Afastei as lembranças e entrei no alojamento. Na recepção havia um rapaz loiro com uma mochila. Parecia mochileiro, daqueles que não para em lugar nenhum.

—Que droga! —Ele brandou.

—Tem vagas? —Perguntei olhando para a recepcionista que parecia estar estrelando The Walking Dead.

—Não, nenhum quarto... — O loiro resmungou.

Larguei meu corpo no sofá que tinha ali.

—O que vamos fazer? —Perguntou Eva meio preocupada.

—Tenho a casa de um amigo, querem ir pra lá? —O loiro lançou.

—O quê? A gente nem te conhece! —Eu disse meio ríspido.

—Sou Nate, Nate Halen.

—Jake Blake, Eva Soares e Faith Gold... —Disse Faith sorridente, assim como Eva.

Ou elas são loucas ou estão caidinhas pelo loiro, ou melhor, Nate.

—Querem ir? Por que eu estou bem cansado e o que eu mais quero é uma cama! — Comentou Nate e nós concordamos.

Nos levantamos e seguimos o loirinho para fora do alojamento. No caminho eu observava o lugar onde eu havia crescido. Estava em um conflito interno sobre se tinha feito o certo ou não. E não encontrava uma resposta. Olhando a cada rua, a cada lugar por onde já tinha passado... Cada árvore, casa e asfalto... Era um deja vu.

Eva andava ao meu lado, entre mim e Faith. Enquanto as duas tagarelavam com o loirinho eu apenas admirava a paisagem. Não queria entrar no assunto — qualquer que fosse ele. — Queria apenas entrar em paz comigo mesmo. Era pedir demais?

Mais algumas quadras e paramos na frente de uma casa simples.

—É aqui, por favor, entrem. —Disse o loiro fazendo graça com Eva.

Juro que se não fosse contra a violência, eu o daria uma prensa por estar dando em cima dela tão descaradamente.

Entramos pelo portão baixo de madeira e seguimos até a porta.  A casa era vermelha de tijolos e parecia bem confortável. Nate bateu na porta e logo um moreno seguido de uma garota, também morena, atenderam a porta.

—Nate! —O rapaz disse empolgado e o abraçou.

A garota parecia feliz também em vê-lo ali e o abraçou em seguida.

—Ah, esses são Jake, Eva e Faith... Eu ia ficar na hospedaria com eles, mas está lotado, será que...

—Claro! — A garota respondeu sem deixar  que Nate terminasse a frase. — Temos dois quartos.

—Ótimo, apropósito, esses são Logan e Denise. —Disse Nate sorridente.

Gente estranha, todo mundo sorrindo demais! Ou eu estava sendo carrancudo demais? Vai saber.

Entramos na casa. A sala era pequena, mas era o meu apartamento todo, então tecnicamente, era grande. Tudo bem, meu apartamento era um ovo mesmo e a sala deles era razoavelmente grande.

Havia um sofá no canto e ao lado o caminho para um corredor estreito.

—Vou mostrar o quarto a vocês... —Disse Denise. — Apesar de não estarmos esperando visitas, acho que as garotas ficarão bem na cama de casal e vocês dois podem ficar no quarto das crianças...

—Crianças? —Questionou Faith.

—Sim, temos dois filhos, Miguel e Ruth.

—Nomes bíblicos. —Resmunguei, por sorte ninguém me ouviu.

Denise nos indicou os quartos e nós, como convidados inesperados, apenas a seguimos. O corredor tinha quadros de fotografias dos dois lados. Fotos em família, foto de Logan e Denise sozinhos, com os amigos... Todos os tipos de fotos.

Assim que a porta do primeiro quarto foi aberto, Nate entrou e jogou a mochila em um canto. O quarto era todo decorado com papel de parede de bichinhos; brinquedos e pelúcia faziam outra parte da decoração e as duas camas arrumadas no meio se destacavam pelas cobertas neutras.

—Eles foram dormir na casa dos meus pais, fiquem a vontade... —Disse Denise encostando a porta.

Respirei fundo e me sentei em uma das camas.

—Cansado da viagem? —Perguntou Nate.

—Bastante, mas na verdade já estou cansado de amanhã...

—O que vieram fazer aqui?

—Quero rever minha família... —Comentei, não querendo entrar em detalhes. Ele pareceu entender — ainda mais pelo meu tom nada gentil — e parou de questionar.

Ele pegou a mochila e tirou uma bermuda de lá. Começou a se despir. Fiquei um pouco incomodado, então virei para o outro lado e tratei de me trocar também.

Tirei a roupa ficando só de cueca e deitei na cama, assim mesmo. Não demorou muito até que dormisse embargado no mais profundo sono. Sonhando com aquele que me fazia ir do céu ao inferno. Carter.

***

Acordei com um ser loiro me cutucando. Mesmo com uma preguiça inexplicável, abri os olhos.

—Acorda, dorminhoco... A missa começa em meia hora. —Disse Faith com um sorriso sincero nos lábios.

Ela estava linda naquela manhã. Vestia uma calça jeans, tênis, blusa branca e um casaquinho creme. Nada fora do comum, mas aquilo parecia sempre deixá-la linda.

—Bom dia, anjinha... —Disse sorridente. Me sentei na cama e ela continuou a me observar. — O que foi?

—Nada, só espero que dê tudo certo... —Respondeu ela e seu sorriso ficou um pouco afetado, mas logo voltou a se tornar largo.

—Vai dar tudo certo. Eu lhe garanto!

Rimos e ela disse para eu me aprontar logo, assim tomávamos café da manhã antes de sair.

***

As ruas estavam calmas na cidade. Silenciosas até nós nos aproximarmos da igreja. Carros parados dos dois lados da rua e várias ruas tomadas por pessoas que seguiam até o culto. Pude ouvir a canção e o povo louvando dentro da igreja de longe e comecei a me arrepender de ter ido até lá.

Eva estava de mãos dadas comigo e Faith estava do outro lado dela. Se não fosse pela diferença de idade tão pequena entre nós, poderia se dizer até que formávamos uma família bonita. Mas acredito que a visão que as pessoas estavam tendo de nós naquele momento era de apenas três amigos a procura de perdão divino.

Chegando na porta da igreja, eu pensei umas duzentas vezes se deveria realmente por o pé lá dentro.

—Jake, se não quiser não precisa... —Eva começou, mas eu a interrompi.

—Eu vou. Não vou, nunca, viver em paz se não fizer isso... —Comentei entrando e me sentando com as duas em uma das últimas fileiras.

Os olhares sob nós só me dirigiam mais paz e tranquilidade, mas assim que a cantoria cessou e a voz do meu pai soou pelos microfones da paróquia, desejei ter repensado.

—Bom dia irmãos. — Tive náuseas de ouvir a voz dele. Como ele podia pregar a palavra de um Deus amoroso, carinhoso e que perdoa os mortais e, simplesmente expulsar o próprio filho de casa por sua opção sexual? Ele era um ridículo que gostava de roubar dinheiro daquele povo ignorante, isso sim.

— O que eu estou fazendo aqui? —Resmunguei enquanto suspirava e me preparava psicologicamente para uma hora ouvindo os sermões do meu pai.

Durante todo o momento eu me mantive de cabeça baixa. Não que ele fosse me enxergar de lá, mas não tinha coragem de encará-lo no próprio território. Vários pensamentos flutuaram pela minha mente durante todo o culto. Carter; o que eu diria pro meu pai; o que faria da minha vida depois daquilo... Tudo parecia um problema.

Quando todos levantaram-se para aplaudir mais um final de celebração da palavra do Senhor, eu fiquei sentado, ainda refletindo e repassando as palavras que diria para o meu pai.

***

—Você consegue! —Eva disse apertando minha mão.

Assenti, sem saber o que dizer e entrei novamente na igreja. Haviam algumas pessoas se despedindo e elogiando o meu pai, mas logo foram embora. Continuei caminhando até chegar próximo dele, mas o capuz do casaco impedia que ele visse meu rosto por completo.

—As palavras sobre o amor hoje foram bonitas, pastor... —Eu disse enquanto enfiava as mãos nos bolsos da minha calça.

—Obrigado meu jovem. —Ele respondeu e pude notar a felicidade em sua voz. Sabia que ela era passageira. — Fico feliz em ver jovens apreciando a palavra do Senhor...

—Que bom, Marcus... —Suspirei e repensei se deveria dizer as próximas palavras, mas eu as disse. Assim que levantei a cabeça e tirei o capuz, dando a ele a visão completa do meu rosto. Faziam dez anos que não nos víamos, mas eu sabia que ele não tinha esquecido de mim. Um pai não esquece um filho assim, esquece? — Pena que você não pratica as palavras que diz pros seus fiéis, não é, pai?

—Jacob...O que está fazendo aqui? —Seus olhos começaram a marejar, mas ele era orgulhoso demais. Eu sabia.

—Queria falar com você, queria ver você... Você é meu pai.

—Não, meu filho morreu há dez anos... Eu não tenho nenhum filho...

Aquilo foi como uma machadada no meio do meu peito. A dor era dilacerante e matava de dentro pra fora. Meu coração queimava de dor enquanto as lágrimas dos meus olhos tentavam amenizar o que eu sentia.

—Você acabou de dizer que todos merecem o perdão, que todos merecem piedade diante de Deus... —Foi quando senti meu rosto queimar. Ele tinha me dado um tapa na cara.

—Não ouse falar o nome Dele. Você é um pecador do pior tipo. —Ele dizia entre os dentes. —Suma da minha frente e nunca mais volte, Jacob.

Tentei controlar minha raiva. Sim, raiva. Era a única coisa que eu conseguia sentir do meu pai naquele momento. Ele era um animal inescrupuloso. Era um monstro que pregava uma coisa, mas sempre fazia o contrário.

—Você me dá nojo! — Ele sussurrou. — O que eu fiz de errado pra merecer um viado como você na minha vida? Eu não te ensinei direito? Foi falta de surra, foi? Anda!— Ele berrou. —Diga o que eu fiz de errado?

—Não, não foi falta de surra. E você me educou direito sim. Só que quem explora o povo dessa cidade roubando dinheiro dos pobres dizendo ser para a casa de Deus, tem que ter alguma punição, não acha? —Disse calmo, o que me surpreendeu. — Eu é que deveria ter vergonha de ser seu filho...

Suspirei e me virei. Queria simplesmente sumir dali o mais rápido possível.

—Por que veio? —Ouvi ele gritar.

—Achei que talvez a gente pudesse se acertar, mas —Me virei, encarando-o— pelo jeito estava errado, como sempre.

Dei de ombros e saí da igreja. Eva estava sentada na escadaria sozinha, mexia em seu celular distraída.

—Vamos embora, cadê a Faith?

—Ela entrou na igreja...


Notas Finais


Bem, pra quem está esperando um final feliz entre em Carter e Jake, só posso adiantar que espere, pois a partir de agora eles estão separados por tempo indeterminado. Estão gostando? Por favor, me contem as suas opiniões sobre a história.
Beijos
~Ana França


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