História Glass Walls - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Capitão América, Homem de Ferro (Iron Man), Os Vingadores (The Avengers), Thor
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Darcy Lewis, Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), James Buchanan "Bucky" Barnes, Jane Foster, Natasha Romanoff, Pepper Potts, Personagens Originais, Sharon Carter (Agente 13), Steve Rogers
Tags Agente 13, Anthony Stark, Black Widow, Buckanda, Bucky Barnes, Capitão América, Captain America, Clint Barton, Clircy, Darcy Lewis, Feiticeira Escarlate, Gavião Arqueiro, Hawkeye, Homem De Ferro, Iron Man, James Buchanan Barnes, Natasha Romanoff, Pepper Potts, Pepperony, Romanogers, Sharon Carter, Soldado Invernal, Steve Rogers, Tony Stark, Virginia Potts, Viuva Negra, Wanda Maximoff
Visualizações 57
Palavras 12.909
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Famí­lia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Confrontation


Eu não sabia muito bem como aquilo tinha acontecido. Para ser sincera, nem quando havia acontecido. Eu apenas sabia que, assim que me levantei da cama às 10:15 a.m, meu celular havia tocado no mesmo minuto, e então a bomba havia estourado.

─ Alô? ─ oh merda! Minha cabeça está latejando! Seria muito não ter uma ressaca depois da bebedeira de ontem.

Natasha Alianovna Romanoff! ─ meu Deus, era a minha mãe. E o pior, tinha dito meu nome completo. Na certa estava em alguma encrenca. ─ Como você sofre um acidente de carro e não me conta nada?! ─ agora ela já estava histérica.

Meu Deus do céu.

─ Mãe, por favor, calma! Eu nem cheguei a ser atropelada por conta de... ─ enquanto falava, tomava a direção rumo ao banheiro, e parei no meio do caminho. ─ Espere, como sabe disto? ─ se Darcy abriu a boca para ela...

Como eu sei? ─ ela repetiu a pergunta de uma forma na qual me fez pensar que eu estava ficando louca. ─ Está em todos os tabloides!

O quê? Como assim estava na internet? Quando isso tinha sido publicado? Senti minhas pernas tremerem agora que estava exposta na rede, mas aguentei firme.

─ Mãe, não se preocupe, eu estou bem. Foi apenas um susto, e não queria preocupá-la à toa. Desculpe por desligar assim, mas agora preciso ir.

Natasha, você me deve explicações! ─ ela exclamou indignada no telefone.

─ Prometo que outra hora farei isso. Beijo, te amo.

Desliguei antes que mamãe pudesse falar mais alguma coisa e corri para o banheiro, em busca de alguns analgésicos para combater a ressaca. Assim que ingeri os remédios, corri porta afora do quarto sem me preocupar com o barulho. O aroma de café vindo da cozinha denunciava que eu não era a única acordada ali.

─ DARCY! ─ gritei do corredor de acesso aos quartos, enquanto corria para a cozinha.

─ Meu Deus! ─ pude ouvi-la exclamar assustada durante meu trajeto. Quando entrei, ela estava sentada no balcão com o notebook diante de si, e Clint tirava a jarra de café da cafeteira. Ambos olhavam para mim alarmados.

─ Os principais tabloides, agora! ─ minha voz tremia.

─ O que aconteceu?

Sacudi a cabeça.

─ Apenas abra!

Rapidamente ela abriu três abas no navegador e colocou o link de três sites diferentes. Assim que as páginas carregaram completamente, gemi. Isso não podia estar acontecendo!

Uma foto minha, deitada na rua com Steve Rogers em cima de mim, estampava uma da principais matérias do The Hollywood Reporter. A foto tinha sido tirada no momento que nos olhamos, depois de ser questionada se estava bem. Entretanto, o que era mais aterrorizante não era a foto cujo qualquer pessoa estranha julgaria extremamente romântica, e sim o título em negrito que trazia a notícia.

 

MAGNATA DA HOLDEN ENTERPRISES SALVA HERDEIRA DO IMPÉRIO ROMANOFF DA MORTE

 

─ É o que? ─ exclamou Clint olhando para a tela com uma mistura de choque e diversão no rosto.

─ Você não tinha dito que não havia sido nada demais? ─ Darcy olhava para mim de olhos arregalados.

─ Com certeza algum fotógrafo estava por perto naquele dia para não perder a oportunidade de ser sensacionalista. ─ disse enquanto massageava as têmporas.

Darcy clicou no link que levava a matéria. Em poucos segundos, a página estava completamente carregada. Estiquei meu braço e apertei o botão da seta que apontava para baixo, ultrapassando o título da matéria e a foto que estampava a notícia, chegando até o texto.

 

Além de bilionário, filantropo, extremamente lindo e empresário, Steve Rogers CEO da Holden Enterprises também é adepto de atitudes heroicas. Na tarde da última sexta feira, o magnata arriscou-se nas ruas de Nova York para salvar a vida de Natasha Romanoff, filha de Richard e Sarah Romanoff donos de um dos maiores impérios empresariais do planeta de um atropelamento. O ocorrido não causou danos graves a nenhum dos envolvidos, e um pequeno grupo de curiosos formou-se no local, preocupados com a saúde de ambos. O motorista do carro prestou os devidos socorros à socialite, cujo dispensou a ajuda educadamente. A confusão dissolveu-se em questão de minutos depois da mesma deixar o local rapidamente.

Após as fotos começarem a circular nas redes sociais, uma chuva de comentários mistos dominaram as publicações no Instagram, Facebook e Twitter chegando a ficar nos trending topics neste último. A assessoria da Holden Enterprises ainda não se pronunciou sobre o ocorrido, e a socialite não foi encontrada para um maior detalhamento do caso. De qualquer forma, diante da quase tragédia, não se pode negar um certo clima de romance nos flagras, como você pode ver nas imagens abaixo.

 

Havia mais duas imagens antes do fim da matéria. Uma é de Steve Rogers oferecendo ajuda para levantar e outra é comigo já de pé, sendo amparada pelas pessoas ao meu redor. Continuei a olhar fixamente para a tela do computador, sem reação alguma.

─ Sinceramente não sei como vou encarar o trabalho na segunda feira.

─ Se eu estivesse na sua situação ruivinha, ─ falou Clint desviando o olhar e pegando uma caneca de café. ─ enfiaria minha cabeça em um buraco para passar a vergonha.

Revirei os olhos.

─ Pode fechar os links, Darcy. A matéria do The Hollywood Reporter foi o suficiente. ─ tomei um dos bancos diante do balcão e gemi. ─ E o pior é que mamãe está uma verdadeira paranoica! Se eu não fosse maior de idade na certa mandaria que eu entrasse no primeiro avião de volta para Los Angeles.

─ Calma. Daqui a pouco ninguém vai se lembrar disso, não precisa exagerar. ─ respondeu Darcy.

─ Exagerar? Exagerar? ─ repeti incrédula. ─ Essas pessoas vão ficar no meu pé agora por ter saído nesta nota estúpida, tendo sido implicitamente apontada como o affair de Steve Rogers! ─ respirei fundo. ─ Sem contar que agora não vou ter mais paz naquela empresa por causa disto!

─ Sem contar que seu pai provavelmente vai pirar. Se é que já não pirou, a julgar pela reação que sua mãe teve. acrescentou Clint.

Não escondi minha irritação ao olhá-lo diretamente.

─ Obrigada por me lembrar disto. ─ minha voz escorria sarcasmo.

Darcy soltou uma risada, chamando a minha atenção e a de Clint.

─ Qual é a graça? ─ perguntei.

─ Nada, é que... ─ ela fez uma pequena pausa, para então cair na risada outra vez. ─ Até uns dias atrás você estava exalando ódio por esse homem para os quatro cantos da terra e agora sua imagem está atrelada à dele. ─ Darcy olhou-me com aqueles globos azuis absurdamente brilhantes, demonstrando a diversão que sentia sobre isto tudo. Levou toda a minha concentração e força de vontade para não voar em cima de seu pescoço branco.

─ Acho que vou esperar minha ressaca passar no quarto.

Sentando em minha cama desarrumada, suspirei, ainda tentando digerir toda aquela matéria cujo apontava o clima de romance entre mim e o Sr. Rogers. Ri comigo mesma. Se ao menos soubessem o que realmente acontece de verdade... Era impressionante como uma foto podia passar uma imagem totalmente diferente da realidade. Steve Rogers podia ter me salvado daquele acidente, demonstrado preocupação, mas sua gentileza acabava por aí. Na segunda feira tudo voltaria ao normal, e seria o mesmo arrogante desagradável de sempre.

Eu já havia aceitado o fato dele, de alguma forma, ter uma aversão sobre mim, e supomos que eu mesma não nutria algo agradável por Steve Rogers. Se eu o admirava antes por conta das coisas boas que haviam me falado sobre ele? Sim, admirava, todavia agora a imagem de bom moço para mim não passava de uma máscara, um disfarce para esconder quem de fato era, e parecia que eu tinha sido a primeira a ver sua verdadeira índole. Quanta sorte.

O celular tornou a vibrar entre meus lençóis, resultado da minha pressa em tomar os analgésicos para ressaca e consultar os sites sobre a verdadeira palhaçada que havia se tornado meu quase acidente. Pegando o aparelho, vi no identificador de chamadas um número que pensava não me ligar tão cedo: Bucky.

Com certeza era sobre as fotos. Não havia nada relacionado ao trabalho para resolver naquela hora; eu mesma tinha cuidado para que nada disto acontecesse. Me preparando para o pior, deslizei o botão verde.

─ Alô?

Natasha! Como vai? ─ cumprimentou amigavelmente. ─ Espero não ter lhe acordado.

─ Não! ─ apressei-me em responder. ─ Eu já estava acordada. Há algum tempo na verdade. Imagino porque deve ter ligado; eu acabei de ver as fotos.

Sim, eu também. ─ respondeu Bucky. ─ Em que site você viu?

─ The Hollywood Reporter.

─ Então você leu a melhor das matérias. Acredite, saiu coisa bastante pior.

Não consegui evitar um grunhido de insatisfação.

─ Imagino que o Sr. Rogers não deva estar muito feliz. Eu mesma não estou.

Sim, não posso dizer que ele esteja confortável com esta situação. Steve me contou o que realmente aconteceu. A imprensa pegou a história e a distorceu completamente. Embora ele esteja acostumado com este tipo de coisa, dessa vez a coisa foi um pouco longe demais...

Até porque ele estava apenas me ajudando. ─ concluí o pensamento dele. ─ Minha mãe também não está feliz com isto. Quer dizer, está mais preocupada com minha saúde, mas quando isto passar não vai gostar desta exposição. Muito menos meu pai.

Talvez possamos todos conversar sobre isto no Baile Anual de Nova York mês que vem.

Abri a boca em reconhecimento, e ao mesmo tempo chocada. O Baile Anual é daqui a um mês? Até um tempo mamãe estava falando que ele aconteceria dali a oito meses. Não havia percebido que já estava quase batendo na porta.

O Baile Anual de Nova York era uma festa beneficente cujo a alta sociedade vinda de várias partes do país se reuniam em uma causa nobre. Todo o dinheiro arrecadado nas doações durante a celebração eram convertidos em ajuda para causas humanitárias e verba para hospitais infantis de câncer, além de abrigos para idosos e incentivo a manutenção de crianças e adolescentes nas escolas. Minha mãe foi quem havia fundado sozinha o evento, cujo ganhou a aprovação e incentivo de outras famílias da alta sociedade americana, embora a maioria delas vejam o baile como uma forma de passarem a imagem de humanistas em constante preocupação com os mais necessitados, quando na verdade desejam apenas ganhar mídia na imprensa internacional, já que o evento era modelo para várias nações estrangeiras.

─ O Baile Anual. Claro, por que não?

Tudo bem para você?

Tudo ótimo. ─ respondi levantando da cama e abrindo a porta de vidro que dava até a sacada. Acha uma boa ideia falar com o Sr. Rogers na segunda feira sobre essas fotos? Talvez desfazer um possível mal entendido?

Tudo bem que Steve Rogers possa não gostar de mim, mas isso não significava não esclarecer as coisas. A situação nunca chegou perto do que os tabloides apontavam, mas ele provavelmente iria pensar que, pelo meu silêncio, talvez pudesse estar me aproveitando da situação.

─ Bem, não há nada para ser esclarecido. Mas se isso lhe faz sentir-se melhor, por que não?

Mordi o lábio.

Eu pedi sua opinião porque... Bom... Acho que não é segredo para ninguém que o seu amigo não simpatiza muito comigo. E agora que nossas imagens públicas estão um tanto... Atreladas, pode causá-lo um imenso desconforto. Sem contar que meu silêncio pode fazê-lo interpretar algo totalmente diferente do que realmente sinto. 

Escutei Bucky suspirando outro lado da linha, quase como se estivesse extasiado de um determinado assunto.

─ É impressão sua. Steve não nutriria este tipo de coisa. Agora preciso ir.

Está bem. Até mais.

Achei melhor não insistir no assunto. James era uma das pessoas mais gentis que havia conhecido desde que havia me mudado para Nova York, mas também ele era o melhor amigo do Sr. Rogers; dava para ver isso durante as conversas que tinham na Holden. Acusá-lo de falta de empatia para seu melhor amigo seria como gritar com uma parede. Não adiantaria muita coisa.

Minha mente voltou para o Baile Anual e uma ansiedade despertou meu corpo. Não demoraria muito para que mamãe ligasse novamente e tocasse no assunto, já planejando como seriam nossos vestidos para a festa. Em outros anos acharia essa parte incrivelmente entediante, mas agora isso só significava apenas uma coisa.

Meus pais viriam para Nova York.

Sorri amplamente diante disto. Era uma ótima oportunidade para matar a saudade que sentia deles mesmo estando há pouco tempo longe de Los Angeles. Tornei a me levantar da cama e refazer o caminho para o banheiro com a intenção de fazer a higiene matinal.

 

◊◊◊◊

 

─ Parabéns, Sr. Rogers. Prevejo bons ventos com este acordo.

─ Obrigado. ─ respondeu o próprio CEO enquanto sorria de forma educada.

A videoconferência com os magnatas franceses havia sido um verdadeiro sucesso. Vários elogios foram disponibilizados ao Sr. Rogers por conta de sua inteligência e desenvoltura firme e ambiciosa, mantendo os interesses da empresa no alto. Suas expressões durante a pequena sessão da vitória deixavam claras suas apreciações por aqueles gestos, porém com bastante humildade ─ isso se devia admitir.

Eu mesma estava impressionada com o que tinha acabado de ver. Administrar e gerenciar uma empresa do porte da Holden era uma tarefa na qual exigia pulso firme, e algo mudou em sua aura a partir do momento cujo entrou na sala de reuniões, localizada no último andar. Eu estava sentada ao lado de James, e logo depois de mim vinha a Srta. Potts, cujo analisava de cenho franzido em concentração a papelada diante de si. Enquanto Steve tomava voz na reunião juntamente com Bucky e outros diretores, minha mente repassava a primeira conversa que tive com James Barnes assim que havia chegado aqui pela primeira vez: Steve tem caráter forte, honrado, sabe ser firme quando precisa. Isso é exigido muitas vezes dele, visto que vivemos em uma sociedade capitalista. Era isto que estava vendo naquele momento; sua firmeza transmitia uma forte sensação de poder a toda sala, fazendo até os magnatas franceses hesitarem em alguns pontos da reunião. E embora houvesse uma incompatibilidade entre nós, foi impossível não apreciar aqueles momentos.

Não que eu admitisse isto a ele.

Meus engenheiros entregaram-me o protótipo há uma semana. Tratei de enviá-lo a sua equipe técnica em Nova Jersey para análise. ─ o magnata francês conversava conosco usando o inglês, porém seu sotaque era tão carregado que tive de me esforçar um pouco mais para compreender suas palavras através da videoconferência.

─ Fui informado disto, Sr. Duérre. ─ a declaração enfática do Sr. Rogers fez-me virar a cabeça para ele. Não havia sido a única. ─ O funcionamento é prático e eficiente. Por mim fechamos o acordo agora mesmo.

Baixei meus olhos diante das especificações do protótipo em uma pasta que havia sido entregue a cada um dos participantes, franzindo o cenho a cada linha lida. Bucky aproximou-se mais de mim e sussurrou:

─ Algum problema? ─ a atenção que a conversa entre Rogers e o Sr. Duérre atraía nos protegia de olhares curiosos.

─ Não. ─ respondi no mesmo tom. Ambos erguemos a cabeça e tornamos a prestar atenção na pauta.

─ Já especifiquei os termos do contrato e mandei uma cópia para Paris via e-mail. ─ Virginia Potts tomou a voz, atraindo os olhares quase todos os presentes. ─ Seu principal advogado concordou com o contrato. Imagino que deva mandá-lo assinado logo.

Perfeitamente. A versão original será enviada para validação no cartório.

─ Então temos um acordo?

Absolutamente, Sr. Rogers.

─ Ótimo. Agora falta pensarmos em uma forma de divulgação do produto. Podíamos lançá-lo na feira nacional de automobilismo do ano que vem.

A cabeleira de Bucky balançou enquanto negava.

─ Se formos lançá-lo lá, devemos reservar nosso lugar no evento antes mesmo dele começar a ser planejado, e corremos o risco da produção em larga escala do projeto sofrer atrasos. ─ Bucky ponderou.

Steve olhou para o amigo.

─ Excelente ponto.

Recostei-me na cadeira e cruzei os braços. Um motor ultra potente capaz de tornar veloz até mesmo o mais lento dos carros, cujo exige pouco combustível e sustentável por também funcionar via energia solar. Qual seria a oportunidade perfeita para divulgar um produto daquele porte?

─ Srta. Romanoff. ─ a voz grave do Sr. Rogers chamou-me. ─ Alguma sugestão?

Felizmente já tinha uma resposta.

─ O grande prêmio de Mônaco.

Pelo meu campo de visão, assisti Bucky erguer as sobrancelhas e então olhar para Steve, impressionado com a ideia. Outros também demonstravam a mesma reação, embora tivesse alguns cujo, a julgar pelas expressões faciais, considerava algo ousado. Porém nenhum deles era o CEO, e era a única opinião que realmente importava.

Foi com uma mistura de satisfação e choque que vi seu em seu rosto sua inclinação a ideia.

─ A maior reunião de empresas automobilísticas acontece durante essa época, fora a visibilidade ser muito maior do que a feira nacional de automobilismo dos Estados Unidos. ─ ajeitei-me na cadeira. ─ Podíamos fabricar alguns modelos e tentar um acordo com alguma empresa disposta a lançar o produto no mercado, e como a fase de testes mostrou-se satisfatória, atrairíamos muitos investidores e compradores por fora. É o primeiro passo para uma produção em larga escala.  

─ A ideia dela é ótima. ─ pronunciou-se a Srta. Potts. ─ Vamos começar buscando o apoio de empresas como a Ferrari ou Mercedes, e se ambas concordarem, na qual garanto que sim diante das vantagens na qual o produto proporciona, escolheremos a que mais atenda os nossos interesses.

Sorri levemente diante da pronúncia de Virginia Potts.

─ James? ─ perguntou Steve fitando o amigo na procura de uma terceira opinião.

─ É uma excelente jogada. ─ respondeu Bucky. ─ Realmente devíamos tentar o prêmio de Mônaco.

Steve assentiu e, sem mais delongas, voltou seu olhar para a tela da videoconferência.

─ Sr. Duérre?

Estamos de pleno acordo com a ideia da Srta. Os principais focos do mercado europeu estarão lá.

─ Ótimo. Então está tudo firmado. A Srta. Potts e o Sr. Barnes cuidarão dos maiores detalhes juntamente com a Srta. Romanoff. Foi um grande prazer firmar um acordo com vocês, senhores. ─ Steve sorria para a tela. ─ Tenham uma boa tarde.

O prazer foi nosso, Sr. Rogers. Tenham um bom dia.

Em poucos segundos, a conexão com Paris foi cortada. Respirei fundo e larguei os papéis na mesa, finalmente aliviada com o término daquela reunião. Duas horas e meia sentada em uma mesma posição era uma verdadeira tortura; meus músculos das pernas estavam tão dormentes que duvidava conseguir andar direito assim que levantasse. E enquanto a horda de elogios recaía sobre o Sr. Rogers, James guardou os papéis cujo havia espalhado e virou-se para mim, feliz da vida.

─ Parabéns pela sua ideia de mestre. Tenho certeza que tudo dará certo.

─ Obrigada, mas achei que o Sr. Rogers não fosse aceitar. ─ principalmente pela ideia ter partido de mim. Aquele homem parecia implicar com tudo que eu fazia.

─ Ele sabe reconhecer quando algo é bom ou ruim. ─ automaticamente, viramos nossas cabeças em direção do magnata. Ele sorria e abraçava alguns diretores, obviamente feliz com o resultado das últimas duas horas e meia de discussões. Bucky debruçou-se na minha direção e falou mais baixo. ─ Escute, sobre aquelas fotos...

─ Não precisa falar nada. O assunto já está resolvido. Foi apenas uma fofoca da imprensa e acabou. ─ coloquei um sorriso falso no rosto. ─ Acho que é melhor esquecermos isto e tentar seguir em frente.

O olhar de Bucky indicava que não acreditava em minhas palavras. Era óbvio que ele percebia o quanto o assunto ainda me incomodava. Entretanto, resolveu atender ao meu pedido, o que agradeci aos céus por isto.

─ Vamos almoçar juntos?

─ Como um encontro? ─ brinquei.

─ Claro que não. ─ Bucky soltou uma risada discreta. ─ Um almoço comemorativo. Pepper também vai, e um ou mais dois funcionários. Vai ser divertido.

Bem, isto era muito melhor do que meu rotineiro almoço solitário no bistrô italiano escondido. E me dava a oportunidade de conhecer novas pessoas, era ótimo.

─ Certo. Bem, por que não?

─ Ótimo. Vou só falar com alguns diretores e já vamos.

Eu sorria enquanto arrumava minhas próprias coisas, porém quando ergui meus olhos e vi o Sr. Rogers conversando com uma mulher do departamento financeiro, toda minha alegria pareceu ir pelo ralo. Furiosa comigo mesma por deixar um homem daqueles acabar com meu humor, arrumei o mais rápido que pude as papeladas que seriam analisadas com mais afinco em minha sala, e me preparei para deixar o local com a pasta em mãos, consultando o horário no meu celular. Certo. Tinha exatamente uns vinte minutos para pegar o elevador, deixar a papelada na minha sala e encontrar Bucky para seguirmos para o almoço, e cerca de uma hora e meia de relaxamento depois disso. Era melhor me apressar.

Entretanto, fui impedida de me retirar da sala de reuniões com o chamado da última pessoa que esperava e queria falar no mundo.

─ Srta. Romanoff. Importa-se de ficar mais alguns minutos?

Virei-me para a figura imponente de Steve logo atrás da mesa, com o céu de Nova York como pano de fundo de sua silhueta. Foi com espanto que notei que apenas nós estávamos na sala ─ quando todas aquelas pessoas tinham saído?

─ Steve, temos um horário marcado no City Palace. ─ a voz de Bucky soou atrás de mim. Pelo menos não estava sozinha com ele como havia imaginado.

─ Garanto que não vai levar apenas do que alguns minutos. ─ Rogers dirigiu-se a Bucky, e o olhar que ambos compartilharam indicava algum tipo de mensagem silenciosa, algo que concluí depois de fitar ambos. No fim, Bucky assentiu e saiu da sala. Sem escolha, virei-me para o Sr. Rogers novamente.

No sábado, tinha decidido que hoje tentaria falar com ele para esclarecer as coisas sobre as tais notas nos tabloides americanos, mas quando cheguei na Holden para minha segunda semana de trabalho, o encontrei tão distante e frio a níveis que julgava impossíveis vindos de um ser humano. Em alguns momentos antes do início da videoconferência, falara com todos os presentes ali, agindo como se eu não existisse em alguns momentos. Aquilo havia chegado quase ao meu limite, e foi com uma grande satisfação que percebi minha inalteração quanto a isto. Minha vontade de esclarecimento foi substituída pela boa e velha raiva. Que ele pensasse o que quisesse; já tinha uma péssima ideia de mim mesmo não tendo feito nada para que pensasse desta forma.

Vendo o meu silêncio e minha falta de vontade para iniciar a conversa, decidiu tomar a palavra.

─ Imagino que deva saber do assunto cujo desejo tratar.

Eu não era idiota. É claro que sabia.

─ As fotos que andam circulando pela internet.

─ De alguma forma elas lhe atingiram? ─ perguntou ele.

─ Não exatamente. ─ eu já estava acostumada de ter a privacidade invadida por conta de ser filha de quem eu era, mas nunca ia admitir para ele que ser fotografada ao seu lado era outro nível. Por mais que odiasse reconhecer, Steve era um dos homens mais desejados de toda a América, e além de sua beleza e uma conta bancária enorme, também tinha um ótimo destaque na mídia. Minhas fotos com ele não só eram um prato cheio para os blogueiros e paparazzi de plantão, como era uma exposição ainda maior de minha imagem.

Quando ele me lançou um olhar indicando claramente que não acreditava em mim, revirei meus olhos.

─ Está bem. Reconheço que invadiu ainda mais minha privacidade do que o normal.

E era verdade. Geralmente eram meus pais que vivam sob os holofotes com frequência, e agora com aquelas malditas notas estava tão exposta quanto eles. Mamãe havia me ligado novamente no domingo para informar que diversos jornalistas haviam entrado em contato com a assessoria de imprensa da Romanoff Group em busca de novas informações, e pedi para que não revelasse que estava morando fixamente em NY. Assim eu ainda tinha o elemento de uma viagem ou uma rápida passagem, e ganharia mais tempo. Entretanto, sabia que não duraria para sempre; seria uma questão de tempo até alguém descobrir que estava trabalhando na própria Holden, e ainda tinha o baile anual para mostrar que continuava aqui.

─ É praticamente impossível impedir que fotógrafos fiquem atrás de você todo o tempo. Isso é algo na qual pode aumentar tanto o ego como causar irritação. Sem contar que é assustador o quanto as pessoas podem aproveitar-se da situação.

Neste ponto ele estava de costas para mim, encarando a paisagem urbana de Nova York. Fitei seu torso coberto pelo terno cinza, mas não admirei sua beleza, e no quanto ele parecia ser musculoso por baixo daquelas camadas de tecido. Outra coisa havia passado pela minha mente, algo mais grave do que a possibilidade de eu olhá-lo com uma forma puramente apreciativa. Entretanto ainda não tinha descoberto o que era.

Eu nunca tinha estado sozinha com o Sr. Rogers depois do episódio lamentável em sua sala, mas agora que estávamos aqui, percebi o quanto Bucky fazia a diferença. Sua presença o deixava mais a vontade, embora ainda se dirigisse a mim de forma mecânica. James amenizava as coisas, mas não a tornavam totalmente confortáveis, e agora que ele não estava aqui, seu amigo podia ser o arrogante de sempre. Suspirei e fechei os olhos, na esperança de acalmar minha mente, mas tudo o que ela fez foi mostrar a coisa que agitava-se dentro de mim, como um vulcão prestes a entrar em erupção.

Eis que então finalmente acho o x do qual me incomodava tanto. Steve Rogers havia usado um tom acusatório quando se dirigiu a mim, principalmente quando mencionava a forma como pessoas costumam se aproveitar de situações como a qual havíamos passado. Estava atônita demais com suas desculpas para perceber na hora, mas agora tudo estava claro em minha mente. E o que Bucky havia me dito no sábado sobre sua infelicidade por conta das fotos foi um combustível a mais para minha raiva. Então ele achava que eu fosse uma possível aproveitadora?

Com o sangue fervendo, cravei minhas unhas na pasta cujo segurava e virei-me, pronta para deixar o local.

─ Eu não sou obrigada a ficar ouvindo isto. ─ tudo o que desejava era puxar a porta o suficiente para que passasse. Merda, por que esta sala tinha que ser fodidamente grande?

─ Obrigada a ouvir o que? ─ Rogers perguntou atrás de mim. O bastardo tem coragem.

─ Eu sei que o senhor não está feliz com a droga dessas fotos terem caído na rede, eu mesma não fiquei satisfeita! Mas isso não lhe dá o direito de acusar os outros de aproveitadores sem ao menos conhecê-los razoavelmente para isto!

Meus cabelos ruivos agitaram-se quando me virei, e encontrei o Sr. Rogers mais perto de mim do que pensava. Minha raiva era tão grande que nem havia percebido quando havia se retirado da janela, mas foda-se! Eu estava disposta a uma boa briga.

Ainda podia analisá-lo. Como na primeira vez cujo o vi, seus olhos escureceram-se, deixando suas feições um tanto sombrias. Mas não encontrei sinais de negação ou admissão quanto minha afirmação. De qualquer forma, os fatos estão aí para comprovar tudo.

─ Não aconselho a tirar conclusões precipitadas, Srta. Romanoff. Você mesma está fazendo algo do qual está me acusando.

Merda! Ele tinha razão, mas não deixaria barato.

─ O único aqui fazendo acusações é o senhor. Mas deixe-me esclarecer algumas coisas: não, eu não sou uma aproveitadora. E embora tenha uma vida pública, há muitas coisas espalhadas pela internet cujo não me sinto confortável. As fotos são uma delas. Bucky sabe disso, eu mesma disse a ele quando veio falar comigo!

Para minha surpresa, Rogers franziu o cenho.

─ Bucky falou com você? ─ aparentemente estava confuso.

─ Foi ele que me contou o quanto estava irritado com as publicações. Com certeza na hora o senhor pensou que eu devia estar adorando tudo isto para ganhar um destaque ainda maior, como qualquer outra mulher da minha posição é capaz de fazer porque não se contenta com o que tem. ─ ótimo. Agora além do cara ter a antipatia habitual, me considerava uma gananciosa sedenta de estrelato. Tudo porque eu estava na mesma posição que ele?

─ Em nenhum momento acusei de ser aproveitadora. Por acaso deixei isso claro? ─ Rogers cruzou os braços e levantou uma sobrancelha.

─ Não precisa. Eu vejo estampado na sua cara, assim como a falta de simpatia por mim! ─ soltei totalmente alterada e virei as costas novamente em direção a porta. 

Steve Rogers cortou o espaço entre nós rápido demais, agarrando meu braço e forçando-me a olhá-lo. Eu queria ter impedido este toque a tempo. Seu rosto estava lívido, e o tom habitual de azul não habitava mais seus olhos. Isto seria capaz de amedrontar qualquer pessoa cujo nem tivesse conhecimento do tamanho de seu poder, mas eu era corajosa. Minha mãe sempre falava isto quando fazia algo particularmente perigoso quando criança, e Steve Rogers definitivamente estava perigoso naquele momento. Mas não foi isto que me fez ofegar de surpresa e puxar meu braço para trás, completamente assustada, e nem suas palavras antes do meu ato.

─ Você definitivamente não me conhece, Srta. Romanoff.

Foi o arrepio cujo correu pelo meu braço e se alojou em minha espinha, fazendo meus cabelos da nuca se eriçarem. Era a mesma sensação que tive ao ver aquela Mercedes passar em frente ao bistrô, no dia em que o conheci, e os níveis de prazer foram os mesmos. A sensação de um cubo de gelo sendo colocado em cima da minha coluna passava aos poucos, fazendo-me raciocinar devidamente depois daquela ação.

E quando isto aconteceu por completo saí o mais rápido que podia daquele lugar, nem me dando ao trabalho de olhá-lo uma outra vez.

Passei pelas secretárias gêmeas como um furacão, sobressaltando-as. Tive o desejo de pedir desculpas por conta do meu ato, mas meu desespero em enfiar-me no elevador o quanto antes falou mais alto, e nem me dei ao trabalho de chamá-lo, abriu-se sozinho revelando Bucky.

─ Você está bem? Parece que viu um fantasma. ─ perguntou assim que me viu.

─ Sim, estou bem. Podemos ir? ─ perguntei enquanto as portas se fechavam. ─ Espere, o que estava fazendo aqui?

─ Procurando por você, é claro. Imaginei que ainda estaria aqui depois de dez minutos.

Eu tinha perdido dez minutos? Okay, mais um motivo para ficar com raiva.

─ Como tinha tanta certeza?

Bucky soltou uma risada.

─ Steve nunca demora mais do que “alguns minutos”.

Argh! A mera menção desse homem me fez querer socar a parede do elevador. Respirei fundo e fechei os olhos.

─ Natasha? ─ perguntou Bucky. ─ Aconteceu algo entre você e Steve naquela sala de desagradável?

Ele tem sido desagradável comigo desde que cheguei aqui! Estava prestes a soltar esta resposta, quando resolvi pensar melhor.

─ Eu não quero falar sobre isso. ─ foi o meu ponto final. Bucky estreitou os olhos, mas não tocou mais no assunto.

Encontramos Pepper juntamente com mais um casal no hall de entrada da empresa. Fui devidamente apresentado a eles. A mulher que aparentava uns trinta e dois anos de idade chamava-se Christine Johnson, e o homem de aparência bastante cuidada na casa dos quarenta era Poe Stewart. Logo saímos em direção de uma boa comida e conversa jogada fora.

O City Palace mostrou-se um verdadeiro paraíso árabe no centro de Manhattan. Não era de fato um palácio, mas provou-se tão luxuoso quanto um. O chão e as paredes eram de mármore puro, assim como as colunas de sustentação e as escadas que davam acesso ao segundo andar. Tomamos uma mesa redonda no centro do restaurante e fizemos nossos pedidos.

Para quem estava acostumada com a comida italiana, a gastronomia árabe foi um verdadeiro choque. Os pratos eram deliciosos, entretanto mais picantes e salgados do que qualquer outro tipo de comida na qual provei. Foi somente na quarta garfada que realmente comecei a apreciar o prato, e uma explosão de sabores aconteceu dentro da minha boca.

Durante as quase duas horas de almoço ─ fato conquistado graças ao término antecipado da reunião com os franceses, senti minha mente relaxar e quase esquecer o ocorrido na sala de reuniões da Holden. James sabia conduzir uma conversa como ninguém, e em alguns momentos dávamos risada devido a uma ou outra situação engraçada compartilhada por alguém com coragem o suficiente. Somado ao contrato que conseguimos com os empresários europeus, o dia não podia ficar mais perfeito.

Mas quando voltei a minha sala às 2:00 p.m, essa falsa sensação de perfeição ruiu ao lembrar-me da conversa com Rogers.

O ar pareceu mais leve quando Rebecca informou a Bucky que ele não estava na empresa. Ainda devia estar almoçando em algum lugar a negócios ─ havia escutado algo assim durante o final da reunião de mais cedo ─ e como não havia ninguém acima dele, podia demorar o quanto quisesse, e se desejasse nem colocaria mais os pés ali hoje. Desejei ardentemente que não retornasse; eu definitivamente não estava com cabeça para lidar com a personalidade antipática e arrogante daquele homem. Senti-me mais relaxada com sua ausência no andar de cima.

James e eu trabalhamos duro até as cinco, organizando e tratando dos mínimos detalhes do acordo. Potts havia participado da maratona, ajudando-nos com questões jurídicas, e de alguma forma ficamos mais próximas por conta disto. No final, ela provou-se uma pessoa boa de conversar e extremamente focada em cumprir seu trabalho, e não a criatura extremamente descontrolada cujo berrava com seus subordinados ao telefone. Enquanto ela voltava até sua sala para pegar suas coisas e deixar o prédio, Bucky levantou-se da mesa e pegou o paletó colocado atrás da cadeira em que estava sentado.

─ Bom trabalho, Natasha. Se continuarmos assim talvez teremos tudo pronto na semana que vem.

Ter uma rotina dessas multiplicada por 4 não era bem o meu plano, mas estava ciente da necessidade de aprontar aquilo o quanto antes. E o mundo não para de forma alguma.

─ Vamos ver se vai conseguir manter esse pique até sexta. ─ levantei-me de onde estava sentada e ajeitei a barra da saia preta tubinho, cujo combinava perfeitamente com meu scarpin bege e minha blusa branca, cujas mangas iam até abaixo do cotovelo.

─ Pode apostar que terei. ─ disse ele colocando o paletó e aproximando-se de mim. ─ Boa noite, Nat. ─ ele depositou um beijo em minha bochecha.

─ Boa noite. ─ sorri e observei ele deixar a sala.

Fui em direção a minha e peguei a bolsa, ciente de que minha ida para casa teria que demorar mais um pouco. Wanda chegaria hoje de Los Angeles, depois de preparar as pressas sua vinda para Nova York, por conta de sua relação conflituosa com seus pais. No sábado, havia informado Clint e Darcy de sua chegada na segunda feira, e Clint ofereceu seu quarto para Wanda.

─ Mas onde você vai dormir? ─ eu havia perguntado. ─ Eu realmente posso dividir o meu com ela.

Clint, porém, apenas abriu um de seus sorrisos altamente canalhas.

─ Ruivinha, eu não preciso de um quarto apenas meu, já que vivo no de Darcy. ─ ele olhou para a namorada, que devolveu o gesto indicando cumplicidade. Fiz uma careta ao entender o que sugeria. ─ E a Wanda merece conforto. Não vai mudar muita coisa.

─ Exceto que com a Wanda aqui nossas histórias vão ficar mais legendárias? ─ Darcy estava sorrindo. Clint apontou para ela em reconhecimento.

Sorri diante do bordão que Clint adquirira depois que começou a assistir How I Met Your Mother, apresentado por Darcy a ele na época em que estávamos na universidade.

─ Okay, vou informar a ela o quanto você está tão bem disposto a ceder seu quarto. ─ comentei com uma ironia, mas estava sorrindo. Clint pegou uma das almofadas do sofá e jogou em minha direção, cujo desviei e ri de sua tentativa falha de me atingir.

Nessa mesma ligação, Wanda havia me contado sobre a passagem que havia conseguido para a segunda feira, no início da tarde. A previsão de chegada do voo era para as 6:45 p.m, mas desejava estar no aeroporto algum tempo antes. Era a primeira vez que Wanda viajava uma distância tão grande assim, e não gostava da ideia de deixar minha amiga sozinha em um aeroporto pertencente a uma cidade totalmente desconhecida para ela. Eu esperaria o tempo que fosse preciso.

Não podia negar o quanto estava feliz agora que Wanda moraria comigo, Clint e Darcy. Era quase como reunir a velha turma da universidade, a mesma que aprontava algumas e se metia nas mais diversas loucuras com os outros universitários, com a filosofia carpe diem cravado na mente. Jane era a única fora nesse momento; seus trabalhos na Flórida tomavam seu tempo de uma forma tão impactante que nenhum de nós conseguira falar com ela desde que havíamos chegado em NY. Podia dizer o quanto estava preocupada, mas trabalhar em Cabo Canaveral era o sonho de Jane, e não podia fazer nada a não ser torcer para que tudo desse certo.

O segurança que ficava ao lado da porta giratória da Holden saudou-me enquanto deixava o prédio. Devolvi o gesto e logo estava no clima quente e abafado de uma das principais avenidas de Nova York. O céu estava começando a escurecer, e não perdi tempo em chamar o primeiro táxi que vi, pedindo para que me levasse até o aeroporto. Logo estava entre o meio do tráfego intenso de carros, que nunca parecia diminuir. Escorei minha cabeça contra o apoio do estofamento do carro e fechei os olhos por alguns minutos. Por Deus, como o dia tinha sido um verdadeiro inferno! E ainda tinha o incidente com o Rogers para deixar-me a beira da loucura. Definitivamente não conseguia entender suas atitudes, o quanto mudava quando estava comigo e como dirigia-se as outras pessoas de forma totalmente diferente. E sinceramente, depois de hoje, estava começando a desistir de tentar entender. Rogers não havia apenas insinuado que eu estava aproveitando-me da situação de ter sido exposta como a nova mulher sob o seu interesse, como havia cometido a audácia de me tocar. E a lembrança do efeito que sua pele causou na minha deixou-me ainda mais furiosa, e considerei seriamente em odiá-lo para o resto da minha vida.

Idiota. Estúpido. Vai para o inferno. Pensei enquanto massageava as têmporas.

Cheguei no JFK às 6:20 p.m. Paguei a corrida e entrei por uma das portas de vidro, mal sentindo a diferença de climatização do ar por já ter passado algum tempo no táxi. Uma massa de pessoas andavam em todas as direções ao meu redor, preocupadas com seus próprios destinos. Até parecia que tinha sido ontem meu desembarque de Los Angeles junto de Darcy, excitadas com a nova vida e com as mudanças cujo a acompanhariam; com um grande sorriso no rosto, olhei o status do voo de Los Angeles para Nova York em um dos telões e descobri que seus passageiros desembarcariam no portão 07. Acomodei-me em uma cadeira da ala de espera, deixando a bolsa em meu colo.

Conforme os minutos passavam, a ansiedade de rever minha amiga transformou-se em um período fatídico. Alternando entre ouvir algumas playlists no Itunes ou simplesmente navegando na internet, matava meu tempo até o pouso do avião, mas a atividade provou-se entediante. As músicas estavam um tanto repetidas, e já havia consultado a internet na manhã para atualização das notícias, principalmente relacionadas a economia. Respirei fundo e fechei os olhos. Estava feliz por Wanda estar prestes a chegar em NY, mas meu corpo também pedia por uma banheira quente e uma cama confortável. Desejei arduamente pegá-la logo e ir para casa. Bufando pela minha falta de sucesso em relaxar em um local como aqueles, abri os olhos novamente e virei meu olhar para o portão de desembarque.

Embora outra cena me atraísse mais atenção. Tratavam-se de duas mulheres conversando perto da área do check-in, enquanto liam algo no celular. E podia ser impressão minha, mas podia jurar que ambas olharam para mim enquanto mantinha os olhos fechados. Franzi o cenho e observei a cena discretamente.

Não demorou muito para que elas erguessem a cabeça em minha direção, mas fui rápida o suficiente em desviar o olhar, fingindo mexer em algo na minha bolsa. Atrelado ao fato de estarem provavelmente navegando na internet, deduzi o que estavam lendo. A affair de Steve Rogers está há poucos metros de nós! Podia adivinhar daqui o que estavam pensando. Eu queria xingá-las em minha súbita raiva por invadirem minha privacidade, mas queria matar o maldito papparazzi por ter tirado aquelas fotos cujo sabia que se tornariam meu tormento. Se eu já não gostava muito da minha vida sendo invadida antigamente, imagina agora, na qual as proporções se tornaram maiores. É como se, de alguma forma, minha vida particular estivesse ficando cada vez menor.

Nunca desejei tanto estar em casa.

Pareceu que uma eternidade havia se arrastado até a primeira pessoa cruzar o portão 07, tendo acabado de desembarcar do voo de Los Angeles. Ignorando minha irritação controlada e os assuntos que me preocupavam, levantei-me daquela cadeira desconfortável e me aproximei mais do portão. Logo o fluxo de pessoas passando por mim aumentou; coloquei uma de minhas mãos embaixo do queixo em uma clara demonstração de ansiedade. Assim que vi aquela juba castanha presa em um coque elegantemente despojado cujo eram os inconfundíveis cabelos de Wanda Maximoff, abri um enorme sorriso.

Ela sempre fora do tipo de mulher que se vestisse até um saco de batatas, ainda chamaria atenção pelos lugares onde passasse, mas não era o caso daquele momento. Wanda usava uma calça jeans azul escura com sapatilhas pretas opacas, cujo combinavam com sua blusa branca e a jaqueta preta; um perfeito equilíbrio entre a casualidade e a elegância. Ela apenas carregava uma bolsa de viagem de mão, enquanto consultava algo no celular. Demorou um pouco para que finalmente notasse minha presença, mas quando isto aconteceu, sorriu plenamente.

─ Natasha!

Ri de felicidade enquanto abria meus braços e envolvia o corpo de Wanda em um abraço apertado, com o fluxo das pessoas cujo desembarcavam em torno de nós. Ficamos abraçadas por um tempo, aproveitando o momento agora que finalmente estávamos juntas novamente, para depois nos soltarmos. Podia jurar que os músculos de meu rosto estavam começando a encaibrar de tanto que sorria.

─ Eu não acredito que finalmente está aqui!

─ Muito menos eu. ─ fazendo uma rápida análise da linguagem corporal de Wanda, era notável o quanto estava excitada e um tanto nervosa. ─ Ainda não caiu a ficha de que estou em Nova York. É simplesmente surreal.

Era uma das coisas que mais amava em Wanda; sua plena capacidade de enxergar a beleza e o fascínio em pequenas coisas era uma de suas qualidades mais cativantes, e conquistava a todos ao seu redor. Enquanto nos recompúnhamos, Wanda jogou o celular dentro da bolsa.

─ Como estão Darcy e Clint? ─ perguntou ela.

─ Estão bem, e loucos para te ver. Agora vamos pegar suas malas e dar o fora daqui.

Eu admito que estava com uma certa fobia de multidões em virtude do que havia acontecido nos últimos dias. E depois do episódio lamentável com o Sr. Rogers e daquelas duas mulheres no aeroporto, estava mais do que pronta para me trancar em casa e não sair por uns bons dias. Fiquei me perguntando se ele também estava passando por isso; embora esteja acostumado com este tipo de vida, como eu, era óbvio seu desconforto acerca das fotos. Será que algum paparazzi poderia estar tirando fotos dele neste exato momento assim como também poderia haver um tirando fotos minhas? O estrago já estava feito, mas não significava que podia ficar maior.

─ Hey. ─ chamou Wanda. ─ Tudo bem?

Suspirei balançando a cabeça ao mesmo tempo.

─ Não. Está tudo uma droga. ─ principalmente porque não conseguia parar de pensar nessa situação.

Wanda franziu o cenho enquanto pegávamos as malas, seguindo para a saída do aeroporto. Ela não veio com muita bagagem ─ apenas duas malas grandes e uma de mão, e ajudei-a a levar uma delas.

─ Conte tudo o que aconteceu.

Virei minha cabeça em sua direção com tanta rapidez que meus cabelos agitaram-se, formando uma onda vermelha em torno do meu rosto. Por alguns breves segundos achei que estivesse zombando da minha cara.

─ Quer dizer então que não sabe? ─ perguntei incerta.

─ Saber do que? ─ ai meu Deus, o desconhecimento dela era verdadeiro! Não acredito que Wanda era uma das únicas pessoas no mundo a não saber das malditas fotos que havia saído na internet! Pestanejei confusa.

─ Você ao menos acessou a internet nos últimos dias?

─ Tive que cuidar de vários assuntos nos últimos dias, Nat. Passagens de avião, transferências de contas bancárias, detalhes do processo de demissão, tudo tomou o meu tempo. Sem contar das brigas dos meus pais que pareceram ter aumentado uns 300% por causa da minha saída de Los Angeles. Um jogou a culpa no outro, sendo os dois responsáveis por isso. Típico. ─ ela revirou os olhos.

Foi então que me dei conta do quanto Wanda não sabia da história acerca do meu estúpido chefe. Fiquei surpresa ao constatar que teria de esclarecer tudo desde o início, já que não havia mencionado nada para ela durante o tempo em que estava em Nova York. Minha cabeça pesava só de pensar no quanto teria que reviver tudo aquilo.

─ Então? O que aconteceu?

Já estávamos do lado de fora do JFK. O ar estava particularmente abafado, mas estava ventando um pouco, o que aliviava o clima. Suspirei e chamei um táxi.

─ Quando chegarmos em casa explico. Mas digo logo para se preparar, porque tem muita coisa.

Wanda arregalou ligeiramente os olhos.

─ Agora fiquei com medo, Nat. Não pode contar logo?

Sorri forçadamente enquanto um carro amarelo parava diante de nós.

─ Te garanto que não.

 

◊◊◊◊

 

─ Não! Absolutamente não! Sabe que Wanda é alérgica a camarões!

Pausa.

─ Eita.

─ O que foi?

─ Eu coloquei camarões rosa na salada.

─ CLINT! ─ exclamou Darcy exasperada.

─ Eu realmente esqueci a alergia da Wanda a camarões!

A discussão de Clint e Darcy na cozinha estava tão alta que nossa chegada passou despercebida. Franzi o cenho para a direção das vozes, olhando para Wanda logo em seguida. Ela carregava um misto de diversão e constrangimento no rosto, levantando uma sobrancelha em questionamento para mim. Eu apenas balancei a cabeça e fechei a porta, girando a chave.

─ Por que diabos poderiam estar discutindo sobre uma salada? ─ Wanda sussurrou enquanto a voz de Darcy vinha da cozinha. ─ Eu poderia muito bem apenas não comer o prato.

─ Porque são simplesmente Clint Barton e Darcy Lewis. Eles são incomparáveis. ─ eu sorria enquanto nos dirigíamos para a cozinha.

A cena era digna de um seriado americano. Um jovem casal de namorados envolvidos em uma acalorada discussão sobre uma coisa simples e boba chamada jantar. Desde a universidade, o relacionamento entre eles era algo invejado por diversas pessoas cujo éramos colegas; não era para menos, ambos tinham uma sintonia surpreendente, dignas de Lily e Marshall. Ficamos um bom tempo observando o desenrolar da briga.

Eu sabia que ambos tinham se disposto a fazer uma espécie de jantar de boas vindas para Wanda. A despensa ainda estava cheia de ingredientes e Darcy era a única moradora do apartamento cujo tinha o tempo mais livre. Clint já havia iniciado seu trabalho no FBI, e com a minha reunião sobre o acordo empresarial da Holden Enterprises com os franceses, coube a Darcy escolher o cardápio. Não fazia ideia sobre o que ela havia planejado preparar, mas a salada com camarões definitivamente não estava na lista, visto que Wanda tinha uma aversão muito grande ao fruto do mar. Ainda lembro com clareza as manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, resultado de sua última ingestão de camarões. Eu a havia feito experimentar um risoto sem saber de sua condição, e a partir daquele dia jurei nunca mais oferecer algo a alguém sem saber antes de suas intolerâncias alimentares. Wanda realmente havia ficado mal naquele dia.

Pareceu levar bastante tempo até que ambos notassem nossa presença. Seus olhares alternavam entre mim e a mulher de longos cabelos castanhos ao meu lado, atônitos. E pareceu levar mais algum tempo para assimilar que já estávamos em casa.

─ Há quanto tempo estão aí? ─ perguntou Darcy.

─ Eu não sei, acho que uns... Trinta minutos? ─ Wanda olhou para mim e eu assenti entrando na brincadeira. ─ Sério, qual a necessidade disto?

─ A necessidade de ser exagerada que tem desde sempr... Ai! ─ reclamou Clint após levar um beliscão da namorada.

Wanda olhou a situação mal contendo um sorriso.

─ Será que não podem ao menos cumprimentar sua amiga depois de um voo cansativo?

─ Desculpe! Desculpe! ─ disse Darcy correndo para a amiga e envolvendo-a em um abraço de urso. ─ Estou tão feliz que está aqui! Foi um verdadeiro milagre ter conseguido sair tão rápido de Los Angeles.

─ Nem eu mesma acredito. Pensava que teria de passar por algum aviso prévio. ─ Wanda largou a bolsa em cima de uma cadeira e sentou-se nos bancos de frente ao balcão. ─ O único problema é que agora estou desempregada, mas valeu a pena ter saído de lá.

Clint deu a volta no balcão para poder abraçar Wanda.

─ Você fez bem em sair de Los Angeles. O ambiente familiar que convivia com seus pais não era saudável para você.

Wanda apenas assentiu, enquanto enterrava o rosto no ombro de Clint.

─ Eu sei. E o pior é que ambos não veem o mal que causam, mas isso não importa mais. Eles são bem grandinhos para fazer o que bem entendem. Mas mudando de assunto, e não é para a salada de camarões. ─ ela lançou breves olhares para Clint e Darcy, que apenas sorriram. ─ O que tem de tão importante para me contar cujo envolve até a internet? ─ finalizou olhando para mim enquanto soltava-se do abraço de nosso amigo.

Naquele momento arrependi-me amargamente por deixar Wanda no escuro acerca de Steve Rogers e das poucas e boas que aconteceram relacionadas a ele. O plano era contar tudo nos mínimos detalhes para não deixar passar nada, mas a partir do momento em que cheguei em casa cada célula do meu ser implorava por um banho e uma roupa confortável. Clint e Darcy viraram suas cabeças em minha direção perguntando-me silenciosamente como eu havia escondido uma coisa de Wanda, e balançando a cabeça, falei:

─ Tinha tanta coisa relacionada ao trabalho acontecendo que acabei esquecendo de verdade. Vocês podem deixá-la a par de tudo? Eu realmente preciso de um banho.

Larguei os sapatos, a bolsa e o blazer que usava por cima da minha blusa branca, e segui para o banheiro. Mas antes de seguir para a ducha, meu reflexo no espelho chamou minha atenção, fazendo-me parar na frente dele e esquadrinhar meu rosto. A imagem era de uma mulher fisicamente cansada, mas tirando os problemas com o chefe extremamente arrogante, completamente realizada profissionalmente. Em qualquer outra época este último tópico me deixaria extremamente feliz, mas algo diferente aconteceu desta vez.

Eu não estava feliz.

Eu não estava satisfeita por minhas conquistas profissionais, algo cujo jamais pensei que fosse acontecer. Uma parte de mim sentia orgulho disto, claro, mas outra ainda insistia em não dar-me a satisfação completa, e eu não sabia o porquê. O que estava acontecendo comigo? Por que estava agindo daquela forma? Franzi o cenho para a mulher de cabelos ruivos e olhos verdes diante de mim e enxerguei ela imitar meu gesto, quase me desafiando a resolver o enigma que acabara de se instaurar. Pestanejando confusa com essa nova sensação, peguei o removedor de maquiagem e um pedaço de algodão, e depois de limpar minuciosamente minha face, me afastei do espelho e tirei as roupas, entrando na ducha fria e forte.

Esfreguei meu corpo com mais vontade e força do que o habitual, e o resultado disso foi uma pele levemente vermelha e irritadiça. Para amenizar o efeito da esponja de banho, passei um creme corporal nas áreas afetadas, jogando um pijama por cima de minhas roupas íntimas e seguindo novamente para a cozinha, onde Wanda tinha o notebook de Darcy aberto em seu colo e analisava algo na internet, o semblante levemente impressionado.

─ Tenho que admitir, isso é mais emocionante do que uma season finale de Game of Thrones. ─ Wanda ergueu a cabeça e deu de cara com minha silhueta. ─ Que história é essa, Natasha? E ainda, nem para me contar nada, não é? ─ sua voz tinha um leve tom de acusação.

─ Para você ver. E em minha defesa eu realmente não tive oportunidade. Os franceses praticamente tomaram o tempo e a sanidade de todos os executivos da Holden. ─ massageei minhas têmporas e tomei um dos lugares diante do balcão. Clint e Darcy conferiam o jantar. ─ Agora ainda tenho que aguentar os olhares das pessoas pelas ruas por conta dessas malditas fotos.

─ Como se você não tivesse passado por isso.

─ Eu sei, mas isso é diferente! ─ exclamei e todos os rostos presentes viraram em minha direção. ─ Já expliquei isso para eles, ─ indiquei Lewis e Barton. ─ e explico agora para você. Antigamente eu tinha minha vida observada por ser filha de quem sou, mas agora... Agora muda tudo simplesmente por conta de ter minha imagem romanticamente atrelada a alguém igualmente poderoso. Sério, houve umas mulheres no JFK que me olharam como se fossem me matar.

Clint Barton fez uma careta ao compreender o que dizia.

─ As chamadas fangirls, ou simplesmente taradas por homens engomados em ternos Hardy Amies.

Franzi o cenho para Clint.

─ Como sabe que Rogers usa Hardy Amies?

─ Golpe de sorte.

Balançando a cabeça, virei-me para Wanda.

─ O que achou de tudo isso?

A pergunta demorou a ser respondida. Wanda olhou para a tela do computador e em seguida para mim. Não precisava ser gênia para descobrir que as fotos com Rogers estavam ali, e Wanda analisava cada uma delas. Levantei uma sobrancelha em questionamento.

─ Sinceramente não sei o que dizer.

Admito que não esperava isso.

─ Por quê?

Ela fechou o notebook e o colocou de lado.

─ Você não acha essa situação no mínimo estranha? ─ os olhos verdes de Wanda alternavam entre mim e Clint e Darcy. ─ Vocês todos não acham? Quer dizer, um homem como Steve Rogers adquirir uma aversão do nada contra a Natasha? Sendo que ela não fez nada para merecer tal tratamento.

─ Foi como falamos, ele pensa que ela pode ser uma espécie de espiã do próprio pai na   concorrência.

─ Então por que não demiti-la? ─ ela questionou a Darcy.

─ Parece que ela conseguiu a plena confiança do braço direito dele na empresa, o tal do Barnes. ─ Clint respondeu.

─ E também é uma executiva bastante valiosa, independente de sua origem familiar. Se estivesse em uma concorrente na certa traria prejuízos.

Mas Wanda não estava convencida.

─ Mesmo assim, uma coisa é a valorização de um funcionário no mercado. Outra completamente diferente é arriscar seu sucesso, seu prestígio, seu império, deixando a herdeira de outra holding ter acesso a seus métodos empresariais. Na concepção dele, creio eu, antes alguns prejuízos facilmente reversíveis do que algo maior.

Clint, Darcy e eu nos entreolhamos depois de Wanda concluir seu pensamento.

─ Onde está querendo chegar? ─ perguntei.

─ Que talvez este não seja o real motivo para ele não gostar de você.

─ Claro que ele não gosta de mim por conta disto. Quer dizer, isso ajuda, mas coincidentemente descobri o porquê dele ir tão pouco com a minha cara.

Sem esperar mais, contei sobre o episódio na sala de reuniões logo depois do fechamento do contrato com os franceses. Deixei bem claro sua intenção de acusar-me de ser interesseira, mesmo que implicitamente, e ressaltei seu primeiro vestígio de impaciência comigo. Quando terminei, os três olhavam para mim com os olhos vidrados.

─ Esse cara tem problema. ─ Clint foi o primeiro a se pronunciar. ─ Seja lá que merda aconteceu com ele para que ficasse dessa forma, isso não dá o direito de fazer uma acusação dessas!

Nisso eu tinha que concordar.

─ Parece até que ele está disposto a fazer da sua vida um inferno, como se as fotos não fossem o suficiente. ─ Darcy balançou a cabeça. ─ Desisto de tentar entender esse homem. Se fosse você largava amanhã mesmo esse cargo, e foda-se se o projeto com os franceses depende bastante de você. ─ acrescentou ela ao ver-me abrir a boca, provavelmente adivinhando o que diria. ─ Seria até bom vê-lo numa situação complicada caso abandonasse o barco. Assim aprenderia uma lição.

─ Existem outras formas de esfregar na cara de alguém do que é capaz. Mas confesso que não gostei nada da forma como o Sr. Rogers falou comigo. Era quase como se estivesse perdendo o controle de algo que lutou tanto para manter quieto. ─ comentei.

─ É claro, o cara não gosta de você, óbvio que a paciência dele esgotou. Algo bastante desnecessário por sinal. Não é da sua índole se aproveitar de exposições alheias.

Assenti para Clint.

─ Wanda? ─ chamei. ─ O que acha?

Ela passou os dedos no queixo em um gesto pensativo.

─ Pode ser esse o verdadeiro motivo. É um excelente complemento para a primeira teoria. 

─ Trabalhamos todas as linhas possíveis. É a única coisa viável para este tipo de situação

─ Sim. ─ respondeu para Darcy. ─ Trabalharam.

O jantar foi particularmente agradável. Wanda não ingeriu a salada de camarões, mas repetiu uma vez a massa preparada no estilo italiano de Darcy, e o mousse de morango de Clint estava uma delícia. Havia apenas uma garrafa de vinho para nós quatro ─ até porque estávamos no início da semana, mas as duas taças que ingeri foram suficientes para um estado de relaxamento percorrer cada músculo do meu corpo. A sensação era boa. Depois de tantos estresses e trabalhos, permiti-me ao luxo de desfrutar daquele momento único e revigorante que apenas meus amigos de longa data eram capazes de me proporcionar. Tomei o último gole enquanto Clint nos contava seu primeiro dia de trabalho no FBI, mencionando uma situação engraçada vivida por ele e seu novo colega de trabalho, fazendo Wanda gargalhar gostosamente diante do relato. Darcy sorriu apenas, o que indicava seu conhecimento da história, e eu lutei para não engasgar com a bebida. Eu não sabia o que era pior, a história ou a minha quase mancha na roupa de dormir. Com certeza bateria nele caso a segunda coisa acontecesse.

Ajudamos Wanda a organizar suas coisas no quarto que Clint disponibilizou para ela, para tornar as coisas mais rápidas. Ela não tinha tantas coisas, o que fez durar pouco tempo a arrumação. Terminamos tudo às 9:45 p.m. Assim que a deixamos em sua privacidade para tomar banho e trocar de roupa, recolhemo-nos em nossos próprios quartos.

Após fazer minha higiene bucal, apaguei as luzes do quarto ─ deixando apenas um abajur aceso, e caí na cama. Ajeitei-me entre os travesseiros brancos e fechei os olhos na esperança de conseguir cair em um sono pesado e sem sonhos.

Pelo menos nisso, Deus colaborou comigo. 

 

◊◊◊◊

 

Meus olhos arregalaram-se ao ver quem estava sentada em uma mesa localizada no centro do restaurante.

─ Mãe? ─ perguntei surpresa.

Sarah Romanoff ergueu o rosto e seus olhos focalizaram-se em mim.

─ Natasha, querida! ─ disse ela com um sorriso enquanto levantava-se de sua mesa. Também estava tão surpresa quanto eu. ─ Hoje realmente é o meu dia de sorte por encontrá-la aqui.

Mamãe veio até mim e envolveu-me em um abraço carinhoso e protetor. Erguendo meus braços, pousei minhas mãos em suas costas cobertas por um vestido Armani azul escuro de mangas curtas, retribuindo o gesto. Ainda atônita pela surpresa de ver minha mãe em Nova York, perguntei quando nos soltamos:

─ O que está fazendo aqui? Achava que chegaria semana que vem.

─ Não resisti e vim mais cedo, mas seu pai ficou em LA. Alguns detalhes do Baile Anual deste ano precisavam ser resolvidos por mim pessoalmente, o que também ajudou na minha decisão. ─ as íris azuis de mamãe recaíram sobre Pepper, que estava atrás de mim. ─ Oh! Natasha, não vai me apresentar a sua amiga?

Corei levemente ao perceber que havia esquecido este pequeno detalhe.

─ Claro! Mãe, esta é Virginia Potts, chefe do departamento jurídico da Holden Enterprises. Pep, esta é minha mãe, Sarah.

─ É um prazer conhecê-la. ─ Pepper aproximou-se de minha mãe.

─ O prazer é meu, querida. ─ ambas trocaram beijinhos na bochecha. ─ Está em horário de almoço, filha?

─ Sim. Precisamos voltar em uma hora.

─ Então por que não almoçam comigo? ─ ofereceu ela. ─ Por minha conta.

Logo Pepper e eu tomávamos nossos lugares ao lado de mamãe e um garçom nos atendia. Nas últimas semanas tinha se tornado um hábito Virginia e eu sairmos para almoçar juntas, em parte porque não tínhamos praticamente ninguém para fazer companhia e também por Bucky estar almoçando em sua própria sala nos últimos tempos. Os momentos no qual passamos juntas ajudaram a nos aproximar de forma amistosa, mas ainda era muito cedo para dizer que Virginia Potts era minha amiga.

─ Então, Nat, já escolheu o vestido que usará no baile? ─ perguntou minha mãe.

Merda, o vestido.

─ Não, ainda não tive tempo de sair para comprar um. Quer dizer, o novo projeto da Holden está tomando nosso tempo mais do que o esperado. ─ encarei Pepper que assentiu com a cabeça. Um evento de divulgação, fora os testes finais e últimos aperfeiçoamentos do motor que prometia ser um novo marco para a indústria automobilística exigia muito de nosso trabalho. Nem Rogers, nem Barnes e muito menos eu aceitávamos erros nisto, e o resultado era extrapolação do horário do expediente no trabalho e inúmeros copos de café. Nem mesmo a equipe de marketing, no qual esperávamos que fosse nos aliviar um pouco, parecia ajudar muito.

─ Irá também, Srta. Potts?

Ela pareceu surpresa com a pergunta de minha mãe.

─ Seria uma honra, mas acho que eventos sociais não são muito bem a minha praia.

─ Oh, entendo perfeitamente. ─ mamãe sorriu e virou-se para mim. ─ Não precisa se preocupar com seu vestido. Se quiser posso providenciar tudo. Poderemos até levar Clint, Darcy e Wanda se quiserem.

Olhei para ela surpresa.

─ Eles poderão ir? ─ perguntei.

─ Claro. Basta confirmar as presenças de todos até hoje à noite, então mandarei o meu estilista ir até a sua casa para tirar as medidas e produzir os trajes de gala em caráter urgente.

─ Okay, falarei com eles assim que chegar em casa.

Mas eu sabia que todos iriam aceitar. Em parte porque não haviam planejado nada para o dia do evento, e também por conta do trabalho de Clint como um agente do FBI. Como chefe da investigação que pretendia colocar Obadiah Stane na prisão, era de responsabilidade dele ficar de olho em seus movimentos o tempo todo, na esperança de pegá-lo em um ato falho. O Baile Anual de Nova York era uma oportunidade perfeita para isto, e conseguir um convite para colocar Barton dentro do salão de festas facilitaria bastante o seu trabalho. O único problema nesta história era Darcy, mas isso era algo que podia ser resolvido depois. Estava na hora de Clint dizer toda a verdade, ou acabaria agravando demais as coisas.

Enquanto mamãe conversava com Pepper, pensei em ligar para Clint e comentar a novidade, mas mamãe desconfiaria mesmo se fosse discreta, e ela logo não tardaria a me pressionar a revelar o que de fato estava acontecendo. A única alternativa eram as mensagens de texto. Pegando meu celular da bolsa, digitei uma simples mensagem para Clint.

 

Posso colocar você no Baile Anual de Nova York. Só preciso que confirme.

 

Bloqueando o celular, ergui a cabeça e corri os olhos pelo local com medo de que mamãe ou Pepper tivessem visto o que tinha digitado. Tecnicamente, nem eu poderia ter conhecimento de que o principal diretor das empresas de Anthony Stark estava sendo monitorado, mas Clint havia revelado tudo para mim na por conta da situação delicada com a namorada. Não houve um momento em que me sentisse mal por esconder isto de Darcy, mas isso era algo para ser resolvido entre o casal, e eu já estava envolvida o suficiente nesta história. Enquanto me familiarizava na conversa entre Pepper e minha mãe, meu celular vibrou na mesa e peguei, desbloqueando rapidamente a tela.

 

Pode ter certeza que sim.

 

Sorrindo, respondi:

 

Ótimo. Avise Wanda e Darcy que estão convidadas também.

 

De repente, senti a ponta de um sapato me cutucar por baixo da mesa. Franzindo o cenho, busquei quem estava chamando minha atenção, e pela expressão de Pepper, tinha sido ela a responsável. Ela mantinha uma expressão neutra, mas eram seus olhos cujo entregavam a tensão que previa para os próximos minutos. Movendo a cabeça discretamente para uma direção, segui para o ponto em que ela apontou, e vi uma cena que implorei a todos os deuses de todos os povos ─ antigos e contemporâneos ─ que não fosse verdade.

Mas infelizmente era.

Se fosse apenas Bucky vindo em nossa direção, teria levado numa boa, mas Rogers também estava com ele, logo atrás do amigo de cabelos negros. Involuntariamente notei que seu paletó estava aberto, deixando a mostra seu tronco definido coberto por uma camisa branca e um colete cinza, com uma gravata preta completando o visual. Com raiva e admiração, admiti para mim mesma o quanto o visual o deixava incrivelmente sexy, e reconheci minha falta de sorte por um homem daqueles me detestar tanto. Podia retribuir o sentimento do qual Rogers fazia tanta questão em dirigi-lo a mim, mas não era cega. No mundo, existiam homens feios, medianos, bonitos e os saídos de um sonho erótico. Ele definitivamente encaixava-se na última categoria. Balancei a cabeça discretamente, adquirindo uma expressão neutra no rosto. Se ele tinha a coragem de se aproximar de minha mãe depois do que ele havia acusado sua filha, iria mostrar que também podia pagar na mesma moeda.

─ Sr. Rogers! ─ ah não mamãe, por que estava sorrindo para ele? ─ É uma honra encontrá-lo aqui. Pensava que apenas teríamos a oportunidade de nos vermos no Baile Anual. ─ a esta altura ela já tinha se levantado, e Steve Rogers junto com James estavam diante de nossa mesa. Sem escolha, fiz o mesmo com minha mãe.

─ É um prazer revê-la, Sra. Romanoff. ─ ele sorria educadamente para minha mãe, e percebi que o gesto também se aplicava aos olhos. Rogers realmente gostava dela. Ambos abraçaram-se. Quando soltaram-se do gesto, sua atenção caiu sobre mim. ─ Srta. Romanoff.

─ Sr. Rogers. ─ devolvi educadamente, mas não deixando a gentileza aplicar-se em mais nada a não serem minhas palavras.

Enquanto ele cumprimentava Pepper, James veio até mim e deu-me um abraço caloroso. Imediatamente sorri.

─ Olá, Natasha. Foi realmente uma sorte encontrar vocês aqui. ─ ele afastou-se e sorriu. ─ Não te vi durante toda a manhã.

─ Tive que resolver uns assuntos junto com a Pepper, mas agora está tudo sob controle.

─ Também tive que me reunir na sala de Steve para alguns tópicos no qual precisavam ser analisados. ─ ele olhou para minha mãe. ─ Não sabia que sua mãe já estava em Nova York.

─ Pois é. Descobri ainda há pouco. Apenas entrei aqui com Pepper e bem, a vi sentada aqui.

Já esperava que mamãe os convidasse para ficar em sua mesa. Logo, o que seria um almoço de apenas duas pessoas acabou tornando-se de cinco. Eu, Virginia, James, Rogers e minha mãe sentávamos nesta ordem. O almoço tinha sido até agradável, apesar da presença dele por lá. As poucas vezes em que interagimos foram por intermédio de Bucky ou Pepper, e a única vez em que mamãe havia feito isto se deu por conta das fotos. Era impossível que isto não acontecesse, visto que ambos tínhamos uma vida pública e querendo ou não, tínhamos de preservá-la. Não pude evitar um olhar para ele no momento em que o assunto foi tocado; Rogers estava olhando para mim também. Tomando a palavra, disse:

─ Gostaria de pedir desculpas a sua família, Sra. Romanoff. As fotos foram uma interpretação errada de jornalistas equivocados, cujo transformaram uma situação simples em algo totalmente diferente.

─ Não tem por que se desculpar. ─ esclareceu minha mãe. – Sei que tudo não passou de uma distorção da mídia. Apenas fiquei preocupada com minha filha, por quase ser atropelada e não ter me contado nada. ─ seus olhos azuis viraram em minha direção.

─ Está tudo bem agora, mãe. De verdade.

Para mim o assunto já era águas passadas, mas para a imprensa não. Eles não pareciam nem um pouco satisfeitos pelo silêncio coletivo no qual envolvia Rogers, eu e minha família. O resultado disto foi inúmeras notas nossas saídas nos sites e blogs retratando nossa vida diária, sempre ressaltando o fato de estarmos sem a companhia um do outro. Isto persistiria por algum tempo, mas estava começando a perder a paciência. Já iria completar um mês desde o nosso silêncio, mas nada parecia apaziguar a sede dos paparazzi. Tenho sobrevivido aos últimos tempos por conta do meu costume em lidar com este tipo de coisa, mas o assédio estava tão grande que não sabia por quanto tempo mais iria suportar. Por causa disto, agora já sabiam sobre meu cargo na empresa de Steve Rogers e que agora residia em NY. Algo que rezei para não acontecer.

─ Você é um bom homem, Sr. Rogers. Sei que não fez nada disto por mal. Na verdade, gostaria de agradecê-lo por ter ajudado minha filha naquele momento.

─ Não foi nada, Sra. Romanoff. ─ respondeu ele de maneira educada.

Não foi nada?! Eu não acredito que aquele bastardo do inferno falou isto na minha frente! Ele havia me acusado de ser uma aproveitadora, uma mulher fútil cujo não media esforços para conseguir seu espaço na mídia. Como um homem daqueles poderia ser tão falso? Não disfarcei meu descontentamento, encarando-o de forma raivosa. Ele percebeu meu olhar e esquadrinhou meu rosto. Revirei os olhos discretamente e peguei a taça de água na minha frente, sorvendo um gole. Aquilo só podia ser piada.

─ Embora eu também admita, ─ continuou ele. ─ que até mesmo nós mesmos somos influenciados por opiniões de terceiros.

Agora era Bucky quem olhava para ele. Alternei minha atenção entre ambos, e percebi algo. Entretanto não conseguia identificar o quê.

─ Isso é muito comum entre nós. ─ disse mamãe.

─ Pode ter certeza.

Eu não era idiota, sabia que estava falando sobre nossa conversa depois da videoconferência com os franceses. Aquilo tornava-se então um pedido implícito de desculpas? Seja lá o que for, resolvi ignorar e consultei o relógio, dando o assunto por encerrado. Na verdade, tudo estava encerrado. Rogers e eu fomos vítimas de um mal entendido, as pessoas estavam em cima de nós por conta de nossos nomes, estávamos lidando com isto da forma que achávamos melhor e esperaríamos a poeira baixar. Simples.

─ James. ─ chamei. ─ Já se passaram vinte minutos do fim do horário de almoço. Podem estar precisando de nós.

─ Cristo, é mesmo! ─ Bucky exclamou ao consultar o próprio relógio. ─ Sra. Romanoff, foi imenso prazer vê-la aqui em Nova York, mas precisamos ir.

Claro que Rogers teve de insistir em rachar a conta com mamãe, já que ela não esperava a presença deles e planejava um almoço somente comigo e Pepper. Coloquei a bolsa no ombro e ajeitei o colar de flecha prata que usava em meu pescoço ─ um presente de Clint quando éramos estudantes. Só quando ele afastou-se de minha mãe para falar com o garçom foi que me aproximei dela para me despedir.

Mamãe me abraçou de forma caridosa, meiga, e até com um pouco de nostalgia. Cheirei seu perfume inconfundível de rosas e lavanda impregnado em seu vestido, enquanto apertava um pouco mais o abraço.

─ É impressão minha ou você e o Sr. Rogers não são muito próximos? ─ sussurrou ela em meu ouvido.

Olhei para ele, que falava com o garçom e tinha Pepper e Bucky em ambos os lados dele. De perfil, parecia ainda mais bonito, e contra a luz do dia seus olhos pareciam ficar com o tom de azul mais vivo, quase cristalino. Pestanejei e tirei meu olhar dele.

─ É meu chefe, mãe. ─ respondi enquanto nos separávamos. ─ Nossa relação precisa ser profissional.

─ Sua relação com o Sr. Barnes também precisa ser profissional e mesmo assim não o vi recebendo o mesmo tratamento. ─ mamãe tirou uma mecha do meu cabelo do rosto e o colocou atrás da orelha. ─ O que está acontecendo, Nat?

Não era seguro contar. Se isto chegasse aos ouvidos de papai, ele na certa faria alguma coisa a respeito, e a última coisa do qual precisava era ser rotulada como a filinha de papai que sempre precisará dele para ser protegida. Eu tinha de enfrentar isto sozinha.

─ Nada. ─ respondi colocando um sorriso. ─ Eu estou bem. Juro. ─ acrescentei quando os olhos dela começaram a ficarem acusadores. ─ Ligo para você à noite.

Os outros se despediram dela e agradeceram pelo almoço. Logo estávamos de volta à rua seguindo de volta para a empresa. Como o lugar era um pouco longe da Holden, Pepper e eu tínhamos vindo de táxi, mas Rogers e Bucky haviam chegado em uma Mercedes E-class, coisa que não havia reparado de início. James se dirigiu para o banco do motorista, mas antes de entrar, olhou para nós.

─ Querem uma carona de volta?

Olhei para Pepper. Ela não parecia incomodada em aceitar a oferta, e eu não estaria sozinha no carro com ele para que o clima ficasse desconfortável. De alguma forma, Steve Rogers disfarçava seu desgosto quando estávamos acompanhados de outras pessoas, o que tornaria minha viagem mais confortável. Ela olhou para mim e compreendi a resposta de imediato. Virando a cabeça para ele, assenti.

─ Ótimo. Agora vamos.

O estofamento de couro estava frio quando me sentei, e arrependi-me de ter colocado uma saia cor de vinho um pouco rodada naquele dia. Minhas pernas estavam de meias, mas isso não impediu que sentisse a frieza chegando a minha pele. Fiquei ao lado de Pepper ocupando os dois bancos de trás, atrás de Rogers cujo sentava no banco do passageiro. O percurso não foi completamente silencioso, mas todos já haviam conversado bastante no restaurante, então não se tinha muito que falar. Quando o carro estacionou na frente da Holden, quase dei um suspiro de alívio. Mesmo com outras pessoas ali, era completamente estranho ficar em um espaço pequeno com Rogers, e ao mesmo tempo intrigante. Abri a porta do carro e saí. Pepper saiu do outro lado e Bucky me seguiu ao mesmo tempo em que seu amigo saía do carro. E em nome da educação e princípios morais que recebi, virei-me para Rogers e James.

─ Obrigada pela carona.

Não esperei por Bucky. Segui com Pepper para dentro do edifício e do elevador. Antes que entrassem, já estávamos subindo para os andares superiores. Na certa deviam estar conversando rapidamente sobre algo.

Durante os poucos segundos de silêncio entre nós, Pepper olhou para mim duas vezes. Quando não segurou-se mais, perguntou:

─ Então... Problemas com o chefe?

Franzi o cenho e virei o rosto para ela. Sério, eu não conseguia disfarçar isto? Eu me esforçava o máximo que podia.

─ O que te faz pensar isto?

Pepper sorriu.

─ Venho dando uma olhada há um tempinho. Ambos são bem distantes, você e o Sr. Rogers. E não me venha com aquele velho papo de “coisa profissional”, para mim não cola.

Está bem. Não dava mais para esconder.

─ Fica tão óbvio assim?

─ Claro como água. Somente uma pessoa muito lerda para não notar. Qual a fonte do problema?

Se eu falasse que havia vezes no qual nem eu mesma sabia, Pepper certamente ficaria tão frustrada quanto eu. Balancei a cabeça e suspirei.

─ Acho que é complicado demais para falar agora.

─ Tem a ver com arrogância e atitudes inexplicavelmente esquisitas?

─ Mais ou menos isso.

Virginia sorriu diante da minha declaração e ficou em silêncio durante o resto do trajeto. Mais cinco pessoas entraram no elevador enquanto seguíamos para nossas salas, não dando oportunidade de falarmos mais sobre o assunto. Quando o mesmo ficou vazio outra vez, ela ficou do meu lado de frente para as placas de metal. As portas se moveram.

─ Bem vinda ao clube.

E deixou o elevador. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...