História Glasses & tea - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Blake Lively, Chris Evans, Daniel Sharman, Gigi Hadid, Katherine Langford, Liana Liberato, Tyler Posey
Personagens Blake Lively, Chris Evans, Daniel Sharman, Gigi Hadid, Katherine Langford, Liana Liberato, Personagens Originais
Tags Blake Lively, Books, Chris Evans, Comedia, Daniel Sharman, Drama, Gigi Hadid, Jamie Blackley, Musica, Óculos, Rock, Romance, Sexo, Traição, Tyler Posey
Visualizações 30
Palavras 1.978
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura! <3

Capítulo 6 - IV. Sebastian


     Olhar todos os alunos correndo pelo campus, rindo e conversando me faz sentir velho.

     Velho e amargo.

     A vida tinha sido uma vadia comigo por tanto tempo que não sabia mais me sentir realmente vivo. Observar toda a euforia dos universitários da Portland State me lembrava desse fato como se uma placa neon estivesse piscando dentro de mim, com vibrações ruins arruinando meu peito.

     Havia perdido tantas coisas, de modo que no fim, só me restara a solidão da alma, a mágoa, a insatisfação. Me sentia como se estivesse morto. Um morto com o coração batendo; um morto que andava por aí sorrindo para os quatro ventos e que tentava se fingir de feliz para as pessoas.

     Poderia dizer que o início do meu declínio havia começado quando eu era ainda um garoto de treze anos que brincava de bola e fazia besteiras de criança na rua com os amigos. Foi nessa época o primeiro golpe baixo da vida contra mim, quando o cara que eu gostava de chamar de pai foi, numa tarde normal na vida que eu considerava perfeita, comprar cigarros para nunca mais voltar.

     Ele, que me levava para acampar nos finais de semana e me chamava de "meu garoto". Passei o resto da minha adolescência toda como um garoto introvertido e cabisbaixo, que optava por ficar em casa nas noites de verão para assistir filmes de horror trash e ler livros que me levassem para longe da realidade. Obviamente, a época da escola havia sido uma merda, e minha mãe se sentia culpada por algo que não era realmente sua culpa. 

     Tudo mudou quando entrei na faculdade. Sofri uma metamorfose drástica e irreversível quando iniciei o curso. De garoto introvertido, magro e com espinhas que nutria sentimentos platônicos por garotas que jamais me lançariam olhares se não de nojo e escárnio, eu era então o cara musculoso e malicioso que vivia de farras e nenhum compromisso, sempre me achando o máximo, que atraia garotas como um próton atrai um elétron. As incontáveis noites de álcool e sexo casual eram reflexos do meu desequilíbrio emocional que, desde a adolescência, tentava deixar numa caixa trancada à sete chaves dentro do peito.

     Parecia tudo bem, apesar de fugir dos meus próprios sentimentos. Tinha uma namorada perfeita, mesmo que dormisse com outras, trabalhava então numa boa universidade, tinha a casa legal que sempre almejava, a moto dos sonhos e bons amigos, até a vida resolver que todo o falso mundo que eu havia criado e construído precisava ser demolido. 

     O câncer havia comido viva minha mãe cruel e implacavelmente durante um ano inteiro, e então a levado embora, e agora, três anos depois da sua morte, a sensação de não pertencer a lugar nenhum me chicoteava constantemente.

     Tentava procurar a merda da felicidade perdida nos cigarros, nos livros, entre as pernas das mulheres com quem transava fora do meu relacionamento, nas noites e no álcool.

     Mas ainda assim, depois de tantos anos lutando para construir uma vida perfeita, com o emprego perfeito, a mulher perfeita e todas as merdas materiais que me iludiram por muito tempo, continuo me sentindo vazio como um pote velho em desuso.

     Talvez tenha sido por esse "pequeno" motivo que o meu relacionamento com Ashley - que conheci ainda na faculdade, tenha morrido aos poucos, e agora, depois de anos juntos, depois de toda a cumplicidade que tínhamos, nós mais brigamos e vivemos de aparência, empurrando o relacionamento com a barriga na ilusão de que essa é só uma fase ruim.

     Não acreditava que era uma fase ruim, que eu superaria e viveríamos felizes como anos atrás, mas continuo mantendo-a por perto, como se, de certa forma, ter sua presença em minha vida me fizesse lembrar de quem eu era, ou de quem eu julgava gostar de ser. A imagem de cara legal e extrovertido que havia construído anos atrás me fazia sentir confortável, apreciado pelas pessoas, e isso é algo que amacia o ego.

     Balanço a cabeça um pouco ferozmente, me sentindo cansado com todos os pensamentos.

     Caminhando para fora da faculdade, pensando num lugar para almoçar, começando a sentir indícios de que minha cabeça vai doer, com todos os pensamentos tolos me bombardeando. Decido que é melhor comer no centro da cidade, no mesmo restaurante de sempre.

     Parando ao lado da minha moto estacionada numa vaga na frente da faculdade, do outro lado da rua pouco movimentada avisto cabelos castanhos quase ruivos, os passos largos. As roupas pretas contrastando com sua jaqueta jeans e os all star brancos. A garota me faz sorrir um pouco, ao lembrar de seu modo irritadiço e sarcástico.

     Grace Adams, é seu nome. Foi uma grande surpresa encontrá-la na minha primeira aula na Portland State. À princípio, fiquei em dúvida se era a mesma garota, mas o cômico episódio de sua queda confirmou. Seria mentira dizer que não senti uma estranha alegria sádica por tê-la nas minhas aulas. Havia gostado do modo como ela reagia todas as vezes que me via ou me ouvia falar.

     —  Sebastian, certo? — A voz feminina que me chamou me faz desviar os olhos de Adams, que começa a descer a rua, os cabelos longos balançando nas costas à medida que caminha.

     — Certíssimo, senhorita...?

     — Tara. É um prazer conhecê-lo. Você trabalha aqui à um dia e já é famoso! — A mulher solta uma risada anasalada, os dentes super brancos quase me ofuscando. Não fico muito extasiado ao encarar o rosto ossudo dela, mas ainda assim a classifico como uma transa em potencial. — Acho que deveríamos nos conhecer melhor. Tem companhia para o almoço?

     Eu a encaro por alguns segundos. O rosto maquiado e o cabelo loiro preso num coque apertado me atrai, é verdade, mas não é uma grande novidade.

     Não demoro muito a decidir, lançando o mesmo sorriso sacana de sempre que todas elas gostam de ver.

     Sou um cara sujo, admito, que tem uma namorada há anos, e que também a trai à anos, fingindo para mim mesmo amá-la, quando na verdade deveria deixá-la seguir uma nova vida sem mim.

∽※∽

      Descobri que Tara trabalha na secretária da faculdade, e também É direta sobre o que quer. Não me contou sobre sua vida particular, mas flertou todo o almoço. No fim, nós tivemos algumas horas juntos num quarto barato num motel afastado da cidade.

     Já é noite quando chego em casa, sentindo a urgência de tomar banho. Cheirava a sexo, e não era algo que eu queria que Ashley percebesse, independente do fato que ela mesma dormia com outros caras além de mim.

     Eu queria me incomodar, me sentir enciumado e dizer à ela que nunca  mais teria outra se não ela em minha cama, mas seria mentira, então todas as vezes que Ash chegava em casa com cheiro de outros, nunca dizia nada.

     — Sebastian? — A sua voz me chama no quarto. Um segundo depois a porta do banheiro abre com força suficiente para bater o trinco na parede e fazer um barulho irritante.

     — Porra Ash, não bata a porta assim! — Resmungo lavando o shampoo do cabelo, dentro do box.

     — Foda-se a porra da porta! Você é um filho da puta egoísta! — Ela grita furiosa da porta, e o grito me faz formar uma careta.

     — Passei o dia dando aula no novo emprego, que merda eu posso ter feito?

     Ashley solta uma risada sarcástica. Eu bem a conheço para saber que aqui íamos nós para mais uma discussão.

     — É claro que esqueceu, não é mesmo?! Você é um imbecil! Me deixa te lembrar: foi aniversário de casamento dos meus pais, e você deveria ter feito a merda do seu discurso!

     Oh cara, por que eu sempre me esquecia das coisas importantes?

     — Ash, querida, sinto muito — Peço, abrindo a porta do box,  minha voz de repente baixa. Passando pela pia pego os óculos de grau e os coloco no rosto.

     Saio pelo quarto pelado molhando o carpete, não me importando nem um pouco com isso. Essa é a quarta discussão na semana com Ash, mas nenhuma delas me parece tão séria quanto esta.

     Ashley se importava com a minha relação com os seus pais. Era importante para ela perceber que eu me importava com eles. Esquecer o aniversário de casamento dos dois não era a melhor forma de dizer que eu me importava.

     — Não me toca, Sebastian! Você é tão inacreditável! — Sua voz embargada me faz sentir como se estivesse afundando gradativamente num lago gelado.

     — Amor...

     — Eu não sou o seu amor Sebastian, à anos! O que foi que aconteceu com você? Você não me beija como antes, não me abraça como antes, muito menos transa comigo como antes! Você se quer se importa com as coisas que deixo ou não de fazer!

     — Ashley, eu...

     — Tudo bem, você ficou deprimido porque sua mãe morreu, eu entendo, entendo mesmo. Mas já foi à quase três anos, Sebastian! Você começou a fumar de novo, começou a beber mais do que deveria e começou a trepar com qualquer uma, menos comigo. Você se enrolou na sua concha e esqueceu das pessoas que ainda estão aqui! Ver isso é doloroso demais... Eu não posso... Não posso...

     Eu sabia o que Ash ia me dizer, e isso me deixou perdido. A sensação de que, de uma vez por todas, a minha vida desmoronava bem diante dos meus olhos me atingiu como um soco no estômago. O mais doloroso possível.

     — Eu quero que você procure outro lugar. Preciso de um tempo longe de você.

     — Você sabe que dar um tempo não funciona, Ash. Eu sinto muito por ter sido um babaca, sinto mesmo. Não posso perder você também! Nós estamos há anos, Ashley! Quer acabar um relacionamento de anos assim?

     — Sinto muito que as coisas tenham chegado à esse ponto, mas você sabe que nós não somos mais um casal! _ Ela funga, e o silêncio quase mórbido que se segue me faz sentir desesperado. _ Você pode dormir no quarto de hóspedes até o fim da semana, enquanto procura um hotel. Enquanto isso vou ficar na casa dos meus pais — Ela me olha por uma última vez, o rímel preto escorrendo pelas bochechas, os olhos claros cheios de mágoa, e então me dá as costas, saindo do quarto sem dizer mais nada. Dois segundos depois a porta no andar de baixo abre e então fecha um som terrível: é a confirmação de que Ashley estava me deixando para trás.

     Fico parado no meio do quarto, nu, olhando para o nada, me sentindo como uma garrafa de bebida estilhaçada no chão. Os cacos da porra do meu coração estavam espalhados por todo o lado, e eu não poderia juntá-los tão cedo. A vida era uma merda, e eu precisava esquecê-la.

     Vesti calças moletom, um suéter escuro e tênis. Pareceria um estudante sem dinheiro no fim do mês, descuidado e sem dinheiro para lavar as roupas numa lavanderia, se não fosse pela barba crescida.

     Caminho para fora da casa que não sentia mais que era a minha, e entro no carro, pronto para entrar no primeiro bar e beber o suficiente para esquecer.

     A porra da minha vida era uma montanha russa que só ia para baixo nos últimos tempos, e me sentia fora de controle.

     Acabei dirigindo por um longo tempo, pensando em Ash e o seu jeito magoado de me olhar - algo que acontecia muito nos últimos tempos. Estacionei o carro na rua quando o relógio marcava dez e meia, e entrei num bar decadente que nunca tinha visto ou ouvido falar.

     — Uísque puro, por favor — Peço para o cara do balcão assim que desabo na banqueta.

     — Noite difícil? — Ele me pergunta, pegando a garrafa de uísque para me servir a dose.

     O encaro com uma expressão derrotada, e abro um sorriso que não possui vida.

     — Totalmente fodida — Confesso, e  dizendo saúde com o copo levantado, bebo a primeira dose das muitas que se seguem.

∽※∽

 


Notas Finais


Hey baby girls!

Espero que tenham gostado desse capítulo. A fic vai caminhar nesse ritmo lento, mas é importante para saber sobre os personagens, então espero que possam ter paciência! <3

XOXO, Jess.


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