História Glassy Sky - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Tokyo Ghoul
Tags Thebystander, Tokyo Ghoul, Touken
Exibições 47
Palavras 4.982
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


O QUE!?
CAPITULO NOVO!?
PQP DEUS EXISTE!
:D
Mals pela demora povo, fiquei com um puta bloqueio criativo que demorou pelos menos dois meses para sair, dai eu fiquei com preguiça de escrever e depois perdi motivação.
Mas devagarinho consegui juntar mais um capitulo para vcs.
Esse com 14 paginas!!!!! .O.
Espero que gostem e boa leitura ;)
S2

Capítulo 5 - Implorando misericordia


Fanfic / Fanfiction Glassy Sky - Capítulo 5 - Implorando misericordia

O caçador antes tão frio.

Agora sentia seu coração bater novamente.

Enquanto a flor de pêssego.

Perdida novamente.

Pede misericórdia aos deuses.

~o~

Existem inúmeras partes que compõem o cérebro humano, porém são muitas partes para se lembrar então nós as dividimos em dois grupos genéricos: O pensamento emocional e o pensamento lógico. Ambos esses grupos batalham frequentemente em nossa mente, o numero de vitórias de derrotas de ambos os lados formando a tão conhecida “personalidade”.

Touka sentia que, naquele momento, ambos os grupos haviam se juntado contra ela, exigindo a mesma coisa:

Volte para Anteiku.

Seu pensamento lógico era direto e claro em relação aos seus motivos: Anteiku era um abrigo com pessoas que se mostraram amigáveis e que Touka estava sendo ridícula por ter fugido.

Já seu pensamento emotivo tinha motivos um pouco.... diferentes. Hinami era gentil e Kaneki era um gato, além de que aquela ponte era fria e assustadora enquanto Anteiku era quentinho e aconchegante.

Touka ignorava ambos os lados e argumentos, a ideia de ser presa a alguém contra sua vontade a mantém presa no chão e deixava intacto o que sobrava de sua sanidade, mas principalmente a mantém focada em sua missão principal que, era manter-se no mínimo mais quente que um cadáver.

Encolhendo os ombros e apertando os braços em volta do corpo, a noite caiu rapidamente e antes que se percebesse os postes de luz se acenderam e um cobertor de estrelas cobriu o topo dos prédios que ofuscavam a escuridão com suas luzes.

Era muito bonito.

Bonito como Kaneki.

Touka rangeu os dentes e agarrou os cabelos com os dedos dormentes e unhas roídas, os olhos pinicaram com as lagrimas que se recusavam a sumir, deixando suas bochechas sempre úmidas e vulneráveis as chicotadas do frio.

Ela tentou se levantar e seguir caminho repetidas vezes, mas toda tentativa era uma experiência dolorida que a mantinha a base de um desmaio, então apenas desistiu e se encolheu o máximo que conseguia.

Sua consciência sumia e voltava aos poucos, como uma criança com dificuldades para dormir, ela desmaiava por pequenos períodos de tempo e voltava a realidade assustada apenas para cair e se perder em sua mente novamente, enquanto o frio parecia sumir aos poucos sendo substituído pela dormência nos músculos que na atual conjuntura era bem vinda.

Foi em um de seus desmaios que Touka se perdeu em memórias de seu passado, tinha vezes que era uma adolescente de quinze anos se escondendo em vagões de trem, outras vezes era uma pequena Touka de rosto gorducho e cinco anos de idade e outras tinha dez anos, assustada e aprendendo a se virar nas ruas frias de Tokyo.

Mas foi para seus anos de criança que sua consciência voltava mais.

Nos anos em que não precisava se esconder.

 

- Touka! Me espera! - Ela ouvia exclamações cansadas de uma criança sem fôlego. - Touka!

- Vamos, Ayato! - Touka gritava alegre correndo pelos campos verdes que rodeavam sua casa. Suas pernas gorduchas e fortes corriam metros e metros sem cansaço, enquanto seu pobre irmão sofria com suas pernas magrelas e sedentarismo. Touka então logo percebia que seu irmão não conseguia a alcançar e voltava para acompanhá-lo lado a lado.

Os dois passavam os dias juntos, rolando nos morros e fazendo estrelas sincronizadas pelos planaltos, tinha vezes que visitavam o centro e aprontavam com os mais velhos, roubando doces e frutas de barracas, cortando bigodes de mercadores que dormiam em suas bancadas e começando brigas com outras crianças, brigas que nunca pretendiam terminar, sempre fugindo quando a confusão ficava grande o suficiente para não perceberem que os responsáveis haviam fugido.

Então voltavam para casa para levarem broncas do pai que ouvia das artimanhas dos filhos no trabalho, mas era sempre depois das broncas, como um ritual familiar, que o homem sorria e dizia:

- Crianças... são realmente muito espertas.

Touka e Ayato sorriam idênticos e orgulhosos.

A mãe passava pela cozinha sorridente como sempre e todos jantavam juntos para irem dormir logo depois, ou melhor dizendo, os pais iam dormir enquanto os irmãos dividiam historias durante a noite até desmaiarem de cansaço.

- Ayato... - Touka sussurrava na cama de cima do beliche.

- Que?

- Já ouviu a estória luas marinhas?

- Não...

E ela contava estória atrás de estória, dividindo lágrimas e risadas, até caírem no sono para sempre acordarem junto com o Sol no dia seguinte, não importava o quão tarde dormiam, acordavam sempre revigorados e prontos para aprontar mais.

 

Touka sorriu, com dentes batendo e o rosto dormente. Deixou o cansaço tomar conta de seu ser e largou os joelhos, o torso foi levado pela gravidade se chocando contra o chão frio em uma força que arrancou todo oxigênio de seu pulmões, seus braços caíram estendidos ao lado de seu corpo, como se quisesse fazer um anjo de neve no chão de concreto.

O canto dos olhos escureciam enquanto ela lentamente se perdia em seu próprio inconsciente novamente, quando um desejo triste e mórbido cruzou sua mente.

Peço que, se realmente existe um Deus, que ele não me permita acordar novamente, apenas que me deixe presa em minhas memórias, me leve de volta para meu irmão, meus pais e minha pequena vila, para eu poder passar os restos de meus dias acordando com o Sol, roubando maças e indo dormir com estórias fantásticas para acordar com o Sol no dia seguinte, para mim, esse seria o paraíso.

A ultima coisa que viu antes de ter sua visão completamente tomada pela escuridão foi uma longa sombra se estender sobre si, mas na atual conjuntura, não conseguia mais ligar.

 

 

O vento balançava os cabelos curtos da pequena Hinami que passeava e pulava pelos telhados dos altos prédios de Tokyo, olhos atentos em todos os rostos e nariz atento em diferentes cheiros, procurando um em particular.

O Sol começava a descer lentamente, a cor ia sumindo aos poucos da cidade, sendo substituída pelas luzes artificiais dos prédios e sinais luminosos. Tempo escorria por entre seus dedos e com cada por do Sol, a possibilidade de Touka ainda estar viva diminuía drasticamente.

Algo vibrou em seu bolso e Hinami deu uma pausa em sua corrida para atender ao celular de capa rosa e enfeitada com pequenas estrelas e flores de glitter, a foto de um garoto sério e sem expressão apareceu com o nome “KANEKI-KUN” escrito em grandes letras brancas logo acima.

Hinami arrastou o ícone pela tela com o dedo e atendeu a chamada logo em seguida.

- Kaneki?

- Hinami, algum progresso? - Perguntou em voz baixa e séria, sem qualquer sinal do cansaço que Hinami conseguia ver sempre que voltava para Anteiku depois de uma busca sem achados.

- Não Kaneki, sinto muito, mas eu vou continuar procurando.

- Não, está escurecendo, volte para Anteiku, é perigoso sair a noite sem sua kagune.

A pequena contorceu o rosto em uma careta, esquecendo que Kaneki não conseguia vê-la.

- Posso tomar conta de mim mesma, Kaneki.

Hinami o ouviu bufar do outro lado da linha.

- Tenho certeza que sim Hinami, mas, por favor, volte para Anteiku, não precisamos perder mais ninguém.

Foi a vez de Hinami bufar, revirando os olhos.

- Está bem, já estou voltando. - Ela respondeu antes de terminar a ligação, guardou o celular no bolso do casaco e se preparou para começar a correr de volta para Anteiku, quando sentiu o familiar tremor no bolso novamente.

Hinami revirou os olhos, era provavelmente Kaneki ligando de novo, ela pegou o aparelho do bolso e atendeu na mesma hora, falando sem esperar:

- Já falei que estou voltando para Anteiku, Kaneki.

Ela ouviu uma risada do outro lado da linha e a voz de Nishiki ecoou pelo celular.

- Vou tentar não me ofender com a comparação, Hinami.

- Oh, perdão Nishiki! Achei que fosse Kaneki.

O ruivo bufou do outro lado da linha e assentiu, mesmo que Hinami não pudesse ver.

- Percebe-se, enfim, adivinhe o que eu achei embaixo de uma ponte, há quinhentos metros de Anteiku?

Os olhos castanhos esbugalharam, quase saindo da orbita e ela sussurrou baixinho:

- Touka...

Nishiki riu.

- Volte para Anteiku, Hinami, eu cuido do coelho.

A linha morreu antes que Hinami pudesse dizer qualquer coisa, seu coração batia desenfreado e ela abriu um belo sorriso, soltando o ar que não sabia que segurava pelo nariz, segurando o celular com força contra seu peito.

Touka foi encontrada e provavelmente estava viva, sim ela estaria viva, Hinami poderia cura-la novamente, seria um procedimento lento e talvez doloroso, mas ela conseguiria, estava positiva e determinada a isso.

Com a cabeça cheia de alegria e o coração leve, Hinami voltou a correr, saltando de prédio em prédio, mas desta vez, com um enorme sorriso no rosto.

 

 

- Kaneki-kun! Vem ver o que eu achei!

O pequeno se virou surpreso, deixando de lado as margaridas que antes lhe eram tão interessantes.

- O que? O que foi? - Ele correu em direção a beirada do lago, sentando ao lado da amiga que estendia os braços em direção do lago, como se esperasse que algo saltasse de volta. A correnteza de águas turbulentas cobriam-lhe o antebraço inteiro.

- Eu achei um sapo! - Ela exclamou alegre tirando os braços da correnteza e revelando um pequeno sapo de grandes olhos vermelhos com pequenos pontinhos pretos como pupilas, as escamas eram de um verde brilhante, quase que fosforescente e o modo como permanecia calmo e quieto nas mãos em concha da garota era surpreendente, quase como se o pequeno sapo fosse uma criatura de outro mundo. - Ele não é lindo, Kaneki-kun?

 

- Sim, ele é muito bonito... - Kaneki murmurou encarando as pequenas ondas que sua colher fazia no café já frio.

- Disse algo, Kaneki?- Enji perguntou, observava o jovem a alguns minutos e percebeu seu estado de vegetação, como se estivesse nadando em distantes memória e não quisesse ser puxado de volta como Enji acabou de fazer.

- Uh? Não... eu não disse nada. - Kaneki voltou sua atenção para Enji, esquecendo-se de seu café e exibindo as grossas olheiras pendurada abaixo dos olhos. Enji engoliu em seco, se afastando um pouco do balcão, querendo fugir da aura depressiva e irritada que rodeava Kaneki.

- Parece cansado garoto, tem se alimentado?

Ele assentiu.

- Então talvez devesse descansar um pouco. Tem dormido ultimamente Kaneki?

Ele negou, pegando o casaco nas costas de sua cadeira e indo em direção a saída enquanto vestia o casaco.

- Vou sair um pouco, Enji.

O homem assentiu, sabendo que Kaneki não abria espaço para discussões.

O jovem saiu pela porta da frente, fechando a mesma logo depois, ele levantou o rosto encarando o céu, sentindo os flocos de neve se perderem em seus cílios e derreterem em suas bochechas.

Ele colocou as mãos em concha sobre o nariz e boca e respirou uma baforada de ar quente nos dedos frios, enfiou as mãos nos bolsos e seguiu caminho pelas calçadas, chutando neve com a ponta das botas.

Andou pelo caminho que já conhecia indo em direção a um pequeno parque rodeado por arvores que resistiam à neve e ao frio pesado, porém seres humanos não eram resistentes como arvores e aquele parque estava vazio, era apenas Kaneki e as arvores, dividindo aquela atmosfera de solidão, endurecidos pelo frio e pela neve,

Esquecidos.

Kaneki sentou em meio as raízes de uma das arvores, afastando neve com os pés e relaxando as costas contra o tronco, ele então ficou lá, fumaça saia pela boca e narinas com cada respirada e os flocos de neve começavam a formar montes nas dobras de roupas. Ele tomou a forma de uma perfeita estatua, apenas observando seus arredores e se perdendo em sua própria consciência.

- O que aconteceu com você?

Ela não respondeu,como se sua voz fosse um mistério, algo proibido para ouvidos alheios. Uma pequena linha de sangue escorreu por debaixo da mascara e desceu pelo queixo fino, as mãos frágeis ensanguentadas agarraram a mão que tocava o lado de sua cabeça, os dedos ensanguentados se enroscando com os dedos limpos, formando uma bela pintura em sua pele pálida.

Ela era... muito bonita.

- Hinami lavou isso para você. - Ele estendeu a mascara para a garota encolhida no canto do quarto que por breves segundos parecia a jovem mais feliz do mundo, ela estendeu o braço em direção a mascara e Kaneki finalmente sentiu que ela estava curada.

- Minha... mascara.

Mas todas suas expectativas foram destruídas quando algo se apossou dos olhos dela, por muito mais que alguns segundos.

Ela encolheu seu braço de volta, apertando o mesmo junto ao corpo, em seus olhos um sentimento tão puro e real se manifestou:

Medo.

Kaneki pegou o monte de neve que se juntou entre seu braço e antebraço e formou uma pequena bola de neve, meio achatada dos lados, ela tinha um formato levemente oval, não era perfeita, mas perfeição nunca foi algo importante para Kaneki.

Deu de ombros e jogou a bola para longe que se espatifou contra o chão, se juntando ao resto de neve insignificante que decorava aquele parque.

Tão... tão... bonita.

- Kaneki-kun! Cuidado! - Ela avisou tarde demais, uma enorme bola de neve se chocou contra a nuca do pobre garoto que construía um boneco de neve em um canto recluso do parque. O impacto foi inevitável, com a força do choque Kaneki despencou em cima de seu boneco.

Ele ficou caído por alguns minutos, as ondas do choque ainda correndo pelo seu pequeno corpo, ao fundo ele ouviu passos apressados esmagando a neve. Seu ombros foram puxados para longe do monte de neve e ele foi posto sentado sobre os joelhos. Um par de mãos o agarrou pelos ombros, balançando os mesmo, puxando-o do pós-choque.

- Kaneki-kun? Você está bem? Desculpe pela bola de neve! Eu juro que ela não era para você, eu...- A voz parou, surpresa. - Kaneki-kun?

Ele não percebeu que chorava até começar a soluçar.

- M-meu boneco... eu- eu matei ele! - Ele exclamou alto, chorando até os soluços o impedirem de formar frases coerentes.

Ela saltou no lugar e sem pensar duas vezes, jogou os braços em volta do garoto, dando seu ombro para ele chorar.

- Está tudo bem! Kaneki-kun, vamos fazer outro e ele vai ser maior e melhor! Eu prometo! Eu vou te ajudar a fazer o melhor boneco de neve do mundo!

Ele saiu de seu abraço e a encarou com seus olhos cinza inchados de tanto chorar, ele estendeu o dedo mindinho para ela e disse baixinho:

- Promete?

Ela assentiu com força e certeza, enroscando seu dedo mindinho com o dele.

- Prometo! - E sorriu. - Eu vou sempre te proteger, Kaneki-kun.

Engasgou com a própria saliva, sentindo os olhos arderem como nunca ardiam há muito tempo. Ele fungou e respirou fundo, soltando o ar logo em seguida pela boca, formando uma grossa cortina de fumaça, sentindo as juntas do corpo doer e seu couro cabelo pesar por conta da neve que se acumulava, Kaneki se levantou do meio das raízes de arvores e bateu nas roupas para tirar a neve.

Enfiou as mãos nos bolsos e andou de volta para Anteiku, era uma caminhada curta, ele não teve muito tempo para aproveitar a solidão antes de ver as luzinhas na entrada da cafeteria, porém quando chegou na porta da frente algo diferente o esperava.

A poucos metros da entrada dois corpos se moviam, na verdade, apenas um corpo se movia enquanto carregava outro corpo, os dois andavam sem sincronia e tombavam para o lado do corpo que não se movia.

Reclamações e xingamentos sumiam com o vento.

Kaneki reconheceria aquele cabelo ruivo em qualquer lugar.

- Nishiki?

Os corpos pararam de se mover e o ruivo levantou o rosto ao ouvir se nome, trancando os olhos com os de Kaneki, sua expressão se enrugou e ele gritou irritado:
- Kaneki! Seu filho da puta vem me ajudar antes que eu jogue esse peso morto na rua!

- Não gostei muito do seu tom.

- Bom, que pena que eu tô cagando e andando para o que você gosta! VEM ME AJUDAR AGORA!

Sem mais uma palavra, Kaneki foi em direção de Nishiki que carregava em seu ombro o coelho inconsciente, ele tirou alguns minutos para observar seu rosto abatido, olhos fechados e lábios entre abertos, como se dormisse em um sono profundo. Não pode observa-la por muito tempo, Nishiki já perdia o pouco de paciência que lhe restava, se é que ainda havia alguma.

Não querendo mais ouvir gritos e reclamações, Kaneki pegou Touka por debaixo dos braços e circulou um deles sob seus ombros enquanto passava seu outro braço por debaixo de seus joelhos, ele a pegou no colo como uma criança crescida.

- Vamos, Nishiki. - Chamou indo em direção a Anteiku. - Ou prefere ficar?

- Vai se fuder... - Ele murmurou seguindo caminho.

 

O sininho da porta tocou chamando atenção de todos que se encontravam na sala, foi impossível fazer uma entrada discreta com a porta anunciando sua chegada, Yoshimura se encontrava em seu lugar de sempre atrás do balcão, Enji não estava em nenhum lugar visível, então Kaneki assumiu que passara mais tempo no parque do que imaginou, Kaia estava sentada em uma das mesas ouvindo atentamente a algo que Hinami dizia com animação, usando os braços para ênfase.

Porém tudo pareceu congelar com o toque do sino, Hinami foi a primeira a se manifestar no meio do silencio que se estendia e como uma verdadeira médica ela ordenou que Kaneki subisse e deitasse Touka em um dos quartos para que fosse tratada devidamente, Kaia se uniu a Hinami na tarefa, Nishiki tinha sumido para algum lugar, fugindo de mais trabalho e Yoshimura pediu calmamente que Kaneki deixasse as duas moças trabalharem, o que ele fez, mesmo que contrariado.

Foram longas cinco horas de correria até que tudo finalmente se acalmasse um pouco, Hinami se recusava a sair do quarto de Kaneki, onde Touka fora colocada, sempre pronta para qualquer emergência, Enji e Kaia se ofereceram para checar nela, mas Hinami recusou todas as ofertas, em sua pequena cabeça, ela fora a responsável pela fuga de Touka, então ela seria a responsável pela recuperação da mesma.

Quando Touka acordou ela experimentou uma sensação de deja vu, acordou confusa em um quarto escuro, com uma garotinha cuidando de seus ferimentos, porém dessa vez ela sabia onde estava e sabia quem era a garotinha sentada ao lado da cama em que se encontrava deitada novamente.

Ela reconheceu os curtos cabelos castanhos espalhados sob seu estomago e a cabeça deitada sobre o mesmo.

- Hinami... - Ela tossiu o nome por entre os lábios rachados.

A garotinha acordou como se levasse um choque, os olhos arregalados olharam em volta por alguns minutos, tirando os resquícios de sono de seu sistema, até focarem em Touka que já a observava.

- Touka! Como se sente?

Hinami logo viu a duvida que se estampou no rosto de Touka.

Ela provavelmente se perguntava como ainda estava viva.

Hinami também s e perguntava a mesma coisa, depois de tudo que ela virá Touka passar e tudo que não virá também, se perguntava como a garota ainda respirava. E mesmo que ela não parecesse concordar, Hinami acreditava que ela estava rodeada de boa sorte, só assim para sobreviver após tanta coisa.

- Eu... - Sua voz rasgava as paredes da garganta, porém menos do que da primeira vez que esteve lá, talvez por que daquela vez tinha seu corpo menos danificado.

Encheu um copo sobre o criado mudo de água e entregou para Touka, tinha a expressão fechada e os lábios cerrados, quase que em uma carranca estranha, uma expressão que ela nunca vira no rosto delicado de Hinami.

Aceitou o copo sem exitar e tomou o copo inteiro em menos de três goles, respirando fundo logo depois, ela deixou o copo de volta no criado mudo e descansou ambas as mãos sobre o colo. Silêncio tomou conta do quarto, Touka e Hinami estavam ambas perdidas em suas próprias duvidas, mas diferente de Hinami, Touka se sentia obrigada a começar uma conversa, começando pelas perguntas que lhe rodeavam a cabeça e que precisavam desesperadamente de respostas.

Nunca achou que iria sentir que precisava começar um dialogo com alguém, mas antes que pudesse perceber seus lábios se moverem e sua voz rouca saiu fraca.

- Como eu voltei para cá?

Hinami voltou sua atenção para ela com olhos levemente arregalados, como se sua pergunta repentina a tivesse pegado de surpresa.

- Nós procuramos por você. - Respondeu simplesmente, os olhos caídos encarando as próprias mãos, interligando os dedos com obvio nervosismo.

Eles procuraram.

O lado emocional de seu cérebro chorava de alegria enquanto o lado racional repetia como estava certa e que voltar para Anteiku era uma boa idea.

Independentemente da guerra que ocorria em sua mente, Touka sentiu os olhos pinicarem, emocionada ela quis abrir o maior sorriso que já dera na vida, aquelas pessoas a procuraram, se preocuparam o suficiente para trazê-la de volta, mesmo depois de ter fugido como um coelho burro. Pela primeira vez em muito tempo, Touka se sentiu como um ser merecedor de afeto.

Porém, uma realidade cruel rastejou por seus braços, subiu em seus ombros, penetrou sua mente pelas orelhas e a acertou como um tapa.

Você é uma Kakuhou. Não tenho certeza qual foi o motivo dele tê-la ajudado em sua situação, Touka, mas Kaneki é um jovem muito calculista, a possibilidade de ele tê-la salvo apenas para torna-la uma Kagune.

Uma arma, isso que Kaneki queria que ela fosse.

Com uma leve carranca ela voltou sua atenção para Hinami, percebendo que sua postura havia mudado, as pequenas mãos estavam fechadas em punhos e a cabeça abaixada, os cabelos escondendo seu rosto.

Com voz baixinha, ela disse:

- Touka... eu fiz algo de errado?

Hinami levantou a cabeça, revelando seu rosto para Touka, que sentiu seu coração quebrar mais um pouco ao encontrou grandes olhos castanhos marejados a olhando de volta. Ela tocou o antebraço de Hinami levemente, se sentindo no direito de conforta-la.

- Não, Hinami! Claro que não? Por que a pergunta?

- Você fugiu, foi tudo tão de repente. Eu achei que... talvez tivesse feito algo errado, invadido seu espaço ou algo assim.

Touka ignorou um pouco a realidade que flutuava ao redor de sua mente, e o medo que vinha junto desta realidade, e afagou o topo da cabeça menininha que abriu um pequeno sorriso.

Com uma calmaria que não sabia que tinha, Touka disse:

- Hinami, de todos você foi a que me fez mais a vontade em Anteiku, eu... quando eu f-fugi, foi por que eu tive medo.

- Medo de que?

- Yoshimura-san disse que Kaneki me salvou para que eu fosse sua... uh....

- Kagune? - Hinami arriscou, algumas peças daquele quebra cabeça se juntando lentamente.

Touka assentiu e Hinami franziu as sobrancelhas confusas, como se não entendesse.

- Bom, eu sabia que era isso que ele desejava desde que o vi chegar com você nos braços pelas portas de Anteiku, mas não achei que iria reagir assim, na verdade achei que ficaria feliz.

Feliz? Como ela poderia ser feliz acorrentada a alguém contra sua vontade? Ser usada como um tipo de escudo humano para ghouls que apenas precisavam deles por que devoraram humanos demais? Talvez até outros ghouls. Hinami realmente acreditava que aquela era uma boa vida para se ter?

Pela primeira vez, Touka sentiu raiva de Hinami.

- Como eu poderia ser feliz sendo escudo de outra pessoa? O que pretendiam fazer? Me algemar a Kaneki? - Exclamou indignada, sua garganta arranhando um pouco com o tom de voz mais alta que ela usara. Hinami levantou ambos os braços se preparando para o caso de Touka tentasse levantar, pelo modo que ela se exaltava seu objetivo parecia ser sair correndo e fugir novamente, mas suas pernas ainda estavam sensiveis e mesmo com os tratamentos que teve nos útimos dias, ainda seria melhor se ela não tentasse se movimentar sozinha.

Quando algo lhe ocorreu enquanto as palavras de Touka se firmaram em sua mente.

Escudo humano?

Algemar?

- Touka, pelo o que está me dizendo, assumo que não sabe o que Kagunes são, ou sabe?

Touka mordeu o lábio, levemente desconfortável, aquilo era verdade ela não sabia muito sobre Kagunes, mas apenas seu conceito era assustador.

Mesmo pensando assim, ela balançou a cabeça negando.

- Entendo... talvez você devesse ver como uma verdadeira Kagune se parece. - Murmurou pensativa, mas alto o suficiente para os ouvidos da mais velha, que arqueou as sobrancelhas se perguntando que Hinami planejava . - Mas... - Voltou sua atenção para Touka e pegou suas mãos, colocando-a entre suas mãos menores. - Precisa se recuperar, de novo. - Disse levemente repreendedora, fazendo Touka se sentir como uma criança recebendo bronca dos pais.

Ela assentiu, não encontrando o olhar de Hinami que também assentiu satisfeita, se levantando da cadeira em que estava sentada nos últimos dias e indo até a porta, mas antes de sair ela chamou por Touka, que levantou o rosto, voltando sua atenção a garota banhada pela luz que vinha do corredor.

- Touka... por favor, nos de o beneficio da duvida, poucos tem a mesma paciência que Yoshimura-san, porém tal paciência também pode se esgotar. - Afirmou com uma voz calma, que mandou arrepios para espinha de Touka, Hinami adotou uma aura diferente, falando com uma seriedade que Touka nunca viu antes. - Saiba que se fugir novamente, não importa o quanto eu goste de você ou o quanto Kaneki a queira como Kagune, nenhum de nós ira procura-la, por favor, leve esses fatos em consideração.

E saiu, fechando a porta logo atrás de si.

Hinami andou em passinhos curtos pelos corredores, seu corpo balançava com seus movimentos de forma decadente, ombros caídos devido ao cansaço e olheiras abaixo dos olhos, ela parecia uma sombra do que era há poucos meses atrás.

A chegada de Touka abalou todos em Anteiku, mas Hinami provavelmente fora uma das que foram mais influenciadas, já que ela era a responsável pela saúde daquele coelho estranho.

Entrando em seu quarto e fechando a porta logo atrás de si, Hinami cambaleou até a cama e despencou de cara em frente com o colchão, bocejando contra seu edredom amarelo brilhante com babados cor de pêssego.

Rastejou sobre o colchão e enfiou a cabeça por entre os travesseiros e bichinhos de pelúcia e soltou um longo grito contra os mesmos, por algum motivo que não entendia, estava cheia de frustração.

Touka... espero que se cure logo.

Alguém limpou a garganta atrás de si, a fazendo pular sobre o colchão, se embolando nos cobertores da cama. Ela então passou os olhos freneticamente pelo quarto, procurando a fonte do som até encontrar a imagem pálida sentada em sua escrivaninha que de primeira a assustou com sua aparição repentina como a de um fantasma, quase caindo da cama, mas quando seus olhos absorveram o queixo fino e olhos cinza, seu susto anterior foi substituído por confusão.

Kaneki nunca entrava sem bater o que significava que ele esteve no quarto dela enquanto se ocupava com Touka.

- Kaneki....

- Ela já está bem?

Hinami revirou os olhos, impaciente como sempre, Kaneki não parecia ter a habilidade de esperar que processos longos se completassem, talvez fosse por isso que seu café era sempre tão horrivel, ou ele não conseguia esperar que a água se minguasse com os grãos ou esquecia o café na maquina após ter perdido interesse, sempre fazendo um café aguado e fervente ou concentrado e frio.

Por isso Yoshimura nunca o deixava chegar perto das maquinas.

- Ela vai ficar, apenas a dê mais alguns dias para que consiga se recuperar... de novo. - Aquela conversa parecia um grande “deja vu”, se lembrava da primeira vez que Touka chegou a Anteiku e o impaciente Kaneki sempre aparecia do nada em seu quarto com a mesma pergunta que fazia agora.

Ela já está bem?

Não, ela não estava bem, mas iria ficar. Kaneki só tinha que esperar, algo que parecia ser um martírio na atual conjuntura.

- Ela falou porque fugiu?

Hinami deu de ombros, pegando um de seus bichinhos de pelúcia e colocando o mesmo sobre seu colo, o abraçando como uma criançinha.

- Parece que Yoshimura finalmente revelou para ela qual eram suas verdadeiras intenções quando a salvou, Kaneki.

Kaneki arqueou uma sobrancelha, silenciosamente perguntando o que ela queria dizer com aquilo.

- Quais seriam minhas intenções, Hinami?

- Todos em Anteiku sabem Kaneki, pode parar de fingir que tem qualquer outra intenção que não seja transformar aquela garota em sua Kagune.

Os dedos pálidos se fecharam em punhos e ele colocou ambos os braços dobrados sobre as costas da cadeira. Hinami percebeu a repentina mudança de humor e logo notou que estava andando em piso delicado ao discutir aquele assunto com Kaneki.

- Não precisa se irritar, a maioria de nós o apoia, sinto que vai ser um avanço para você ter uma Kagune fixa. - Comentou brincando com as orelhas do bichinho de pelúcia em seu colo. - Afinal, você não teve uma dessas desde...

Suas palavras foram cortadas pelo som do punho pesado de Kaneki se chocando contra a escrivaninha, partindo levemente a superfície da madeira e fazendo pequenas lascas voarem ao redor de seus dedos, algumas se prendendo nós mesmo.

Ele encarou Hinami fixamente, o cenho franzido e mandíbula travada em uma expressão animalesca que deixava a mostra seus dentes doentemente alinhados e brancos, Kaneki não ligou para a surpresa e medo que pintavam os olhos arregalados de Hinami, tudo o que sabia é que estava com raiva.

Foi apenas depois de poucos minutos que ela conseguiu achar sua voz novamente para sussurrar baixinho:

- Kaneki.... controle seu olho.


Notas Finais


E chegamos o fim de mais um capitulo.
Vamos torcer para o proximo não demorar mil anos >.<
Novamente, desculpe pela demora, vou tentar atualizar mais diariamente, se meu cérebro e criatividade colaborarem comigo.
Enfim, favoritem e comentem se gostaram do capitulo e espero q tenham gostado :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...