História Glosoli - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Dragon Ball
Tags Futuro Alternativo, Mirai Bulma, Mirai Trunks
Exibições 28
Palavras 794
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Universo Alternativo

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Dragon Ball e seus personagens não me pertencem.

Repostagem de um projeto antigo chamado "Efêmeras manhãs".

Capítulo 1 - Capítulo único


Os pingos grossos da chuva deram uma brecha, ela já não podia ouvi-los bater no telhado.  Bulma não dera a mínima para ela até divisá-la de frente à janela reinando, soberana,  em tudo o que os olhos podiam alcançar. O amanhecer invadiu a cena, trazendo novos feixes tímidos de luz para todos os pequenos cantos dos escombros, na paisagem consternada.  Pensa que faz parte: não há nada demais em o céu estar todo coberto e cinza, assim como as horas, o gosto das coisas. Era o tipo de descontentamento que já não fazia sentido ser sentido na realidade desolada em que viviam, era o tipo de sombra que já era habitual, não tinha para onde correr. Olhando bem, por fim, aquela água toda até que não era tão ruim. Ela brilhava.

Nunca havia visto nada em especial na chuva, até que resolveu ela própria dar um significado para aquilo. Sentir a umidade no ar, uma leveza maior ao respirar, e isso fazia parte do conjunto de sensações que caracterizam a coisa chamada liberdade; lembrou-se dos anúncios que via, que na época nunca fez questão de tentar compreender, porque não precisava. Onde a imagem de alguém correndo para a chuva e se molhando e bebendo as gotas se tornava a personificação do que associavam ao que é ser livre. Não podia contestar, já não sabia mais o que era isso, há muito tempo. E o devaneio se fez necessário, afinal, lá dentro do quarto, do peito, embora vultuoso, estava abafado e escuro como uma prisão. Não é que estivesse reclamando, foi o tipo de coisa a qual o os sobreviventes se acostumaram – porém uns facilmente, outros não.

Dar de cara com o frescor do chuvisco matutino foi como reviver. Se na noite estivera morta de coração parado, agora estava morta, mas de coração batendo. Voltou-se para a cama, ouviu os roncos da barriga dele, sorriu. Envolveu nos braços o corpo da criança, mantendo o rosto erguido de leve para enxergar o jovem desfalecido. 

Trunks lhe fazia tão bem, o tom da sua risada, o entusiasmo na voz, a cumplicidade. Ela nunca precisava adivinhar o que pensava, tudo sempre estava fácil em suas mãos, transparente e morno. Ele era assim: morno como todos os sentimentos que sua companhia evocava; preto no branco, nem quente, nem frio. No meio, perfeito. Morno como um raio de luz que abre caminho por entre as nuvens, numa manhã tempestuosa.

Ele não era como o Sol, para ela já não seria possível deixar tanta luz entrar. Ele não era como o Sol, também porque havia uma pontada de tristeza por detrás daqueles olhos infantis, mesmo que misturadas com muita força de vontade e determinação  – vindos direto do coração frágil que batia no peito mestiço. Não era Sol, mas tinha muito de um amanhecer nublado após uma noite de tempestade. Um daqueles dias que parece que nunca vai clarear, e é nítido quando um único raio de luz abre caminho por entre as nuvens, que mesmo tão singelo, parece ser o suficiente aos olhos de pessoas como ela, como eles; faz esquecer do resto, como um fio de sonho. Era algo que deixava toda amargura de lado, toda dor, acalanto. Um simples raio de luz, tão jovem.

Passou a mão nos fios lilases que caiam por sobre a testa do menino. Tão finos. Sutis  e límpidos como os sentimentos bons que ele emanava. O pai o detestou assim que o olhou, a cor, a textura. Eles eram tão diferentes, e ao mesmo tempo profundamente iguais: os mesmos desenhos definidos, a mesma coragem. Embora a luz só saísse de um. Já tinha perdido as contas de quantas vezes quis que tivesse sido diferente, e se tivesse sido? E se ele estivesse vivo, onde estaria?

Ela rola na cama, para onde supostamente ele deveria estar. Sente o lençol gelado. Nada. Nenhum cheiro. Só vazio. Fecha os olhos, visualiza suas feições grosseiras, numa lembrança viva, que jamais esqueceria. E ela... ela o que? Lá fora a chuva torna a cair, mais forte do que antes.  Respira fundo, volta-se a olhar para o filho. Tudo deveria ter sido diferente, mas não tinha volta. E já não importava mais o quê poderia ter sido. Dentro da prisão que a vida se transformou era frio, amedrontador, confuso, mas ainda assim conseguia sorrir devagar, regozijando-se por dentro por estarem vivos. Seguiria andando pelas nuanças das tempestades, e quando não conseguisse enxergar pelos nevoeiros, usaria as estrelas das memórias daqueles que já não estão mais ali para lhe acompanhar. E quando essas estrelas também sentassem no infinito do esquecimento, ela saberia que o feixe de amor radiante se ergueria, mesmo que morno. Porque ele dormia  ali na sua frente, entre seus braços. Sua luz de liberdade. Seu raio de esperança.


Notas Finais


Algumas frases desse texto são da tradução de uma música chamada "Glósoli"; que também é o título da fanfic, de autoria da banda Sigur Rós. Deixo o link abaixo, apreciem sem moderação que ela é linda demais <3

https://www.youtube.com/watch?v=Bz8iEJeh26E


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