História God of War - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Apocalipse, Drama, Gravidez, Guerra, Romance, Sexual, Sobrevivencia, Zumbis
Visualizações 66
Palavras 3.630
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Necrofilia, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hello, blossoms!
Como vocês estão? Espero que bem!
Eu sei que demorei, mas o que a falta de criatividade e disposição não faz, não é?
Mas eu sempre volto com um cap grande (vocês gostam ou não?) e tento dar meu máximo nos caps. Um dia essa fic se levanta ksksks
Enquanto isso, vamo se contentat né ksksk
Agradeço pelos comentários do capítulo anterior!

XX. 💋

Capítulo 6 - Run


Fanfic / Fanfiction God of War - Capítulo 6 - Run

Há exatos três dias eu venho arquitetando um plano de fuga em que não reste pistas óbvias demais para que alguém descubra meu paradeiro. Se é que eu faria falta a alguém daqui, eu me lembro muito bem dos últimos acontecimentos que resultaram no meu descontento, desconforto e vontade gigante de sumir deste lugar.

Nunca será o meu lar. Nunca serei uma das pessoas que são bem-vindas aqui, então não adianta eu insistir em ficar. É como correr com água nas mãos no meio de um deserto, eu morrerei de sede enquanto teimo em segurar a água que sei que se derramará no chão.

Eu havia feito à Maggie a mesma pergunta que fiz a Carl, e como resposta obtive o silêncio. Perturbador, longo e tortuoso silêncio, mas que esclareceu quaisqueres que fossem minhas dúvidas, e eu tomei uma decisão fixa. Iria embora.

Embora tivesse notado o desconforto que Maggie teve com minha pergunta, eu mudei rápido de assunto e disse que iria colher maçãs, pegando uma cesta imediatamente de sua vista. Envergonhada, eu tentei me isolar de todos, apenas me ocupando com ofícios que tomariam meu tempo.

Enquanto colho algumas maçãs, tenho meus pensamentos focados em Carl. Ou como descobri recentemente, Carl Grimes, o garoto indecisão que anda me deixando em completa confusão.

A cesta já estava cheia de maçãs perfeitamente avermelhadas e grandes, pesando sobre meu antebraço, enquanto uma leve brisa de pré-por-do-sol assopra fracamente meus cabelos pelo rosto. Fecho os olhos por instantes, inalando o breve perfume das macieiras que balançam suas folhas na mesma sincronia que meus fios louros. Sinto-me abraçada e aconchegada.

Eu poderia passar o dia inteiro assim. De olhos fechados — para negar-me a ver a paisagem destruída de carnificina que o mundo se submete — e aspirando essa olência natural das macieiras — para não sentir o cheiro pútrido dos mortos que nos persegue.

Curta fora essa sensação, porque logo algo ruim substituiu-a e fez meu corpo tremer de forma assombrosa e inquietante, fazendo com que eu abra os olhos e saísse do pomar, andando em direção ao casarão, onde deixarei as maçãs.

Meus olhos estão pouco sonolentos, devido minha noite mal dormida. A casa está silenciosa e não vejo a presença de ninguém, agradeço mentalmente e deixo a cesta em cima da ilha da cozinha, mas ainda apertando sua alça, numa tentativa de amenizar meu lirismo.

Agradeço ao mesmo tempo que desagradeço a ausência de Carl na colônia. Todo seu grupo estava fora também, até a garota de bochechas grandes — Enid, que eu suspeito ter algo relacionado a Carl. Minhas pernas tremem e meu estômago embrulha só de pensar neles dois juntos, mesmo que eu nem o conheça há muito tempo para sentir todos esses sentimentos estranhos. Espero que seja apenas porque ele foi meu primeiro beijo.

Mas a quem estou querendo enganar? Carl chama minha atenção de qualquer forma e me faz querer estar perto dele, por mais que eu me sinta minúscula com a presença do mesmo.

Eu sinto sua falta agora, no momento em que não está mais aqui.

Agoniada, corro pela casa e subo as escadas, tropeçando e quase caindo por conta de minhas pernas fracas. O que me é estranho, pois comi bem hoje, estou hidratada e comecei a trabalhar na plantação apenas perto do final da tarde, enquanto conversava com terceiros na manhã e no início do turno vespertino.

Busco pelo quarto em que Carl estava, em todos na verdade, pois não me recordava qual era. E eu achei. Trazia-me poucas lembranças, junto com um leve cheiro de lavanda que impregna no ar. Os gibis não estão mais nas prateleiras — essas que agora suportam uma pequena caixa vazias de balas — e nem sua camisa xadrez está pendurada num canto da parede, e isso me atinge os nervos.

Tranco a porta devagar e ando até a cama, deitando na mesma e puxando os lençóis para mim e apertando a cabeça no travesseiro, cheirando ambos os dois. Nada. Nada tem seu cheiro, e eu me desespero. Nem mesmo o colchão.

Sim, desespero. Começo a procurar em cada fibra de linha dos cobertores e travesseiros, mas eles foram trocados. Procuro por algo seu, qualquer coisa. Vou para o armário, mas não há nada que pertencesse a ele, apenas um leve cheiro de suas roupas nas gavetas. Mas é claro, eu não iria ficar cheirando as gavetas apenas para sentir sua essência.

Irrito-me, lançando meu corpo sobre a cama, enterrando o rosto na mesma e a socando com força, como uma adolescente antiga que foi proibida de ir para algum encontro de amigas ou matinê. Grito raivosa, desesperada e desapontada. Por que suas coisas não estavam alí? Ele ficaria aqui, certo?

Ele disse que ficaria! Disse que de onde viera estava em conflitos, por isso ficaria por aqui mesmo até que tudo se resolvesse, o que iria demorar um certo tempo. Não, não disse para mim, mas eu o ouvi conversando com a garota. Ela também não está aqui, será que foi também?

Toda essa agonia e saudades me fazem doer o peito e querer derramar lágrimas, mas acontece. É o preço de ser uma garota burra que se importa com quem não se importa. Chega, não suporto mais ficar aqui. Isso está me matando aos poucos.

Levanto-me de imediato, enxugando meu rosto nos cobertores. Me dirijo cambaleante até a porta do quarto, por onde eu saio. Preciso arrumar minhas coisas, mas ainda preciso colocar algumas roupas para lavar.

Pego meu cesto de roupas sujas e despejo-as no chão, logo as agarro e saio em disparada para onde seria o lugar de lavá-las. Havia apenas uma mulher que enxaguava uma peça clara de roupa, que assim que notou minha presença, jogou seu olhar para mim e abriu um sorriso terno — coisa que raramente recebo por aqui.

Devolvo o sorriso.

— Vai lavar roupas? — questiona com gentileza no tom de voz e interrompe seu ofício, esperando por uma resposta.

Mexo meus pés tímida, enquanto a olhava com a cabeça cabisbaixa e o olhar levantado. Meneio a cabeça em positividade, enquanto apertava as roupas. Ela sorriu novamente, estendendo as mãos, e eu intercalei o olhar entre ela e as roupas.

— Vamos, dê-as para mim. Eu posso lavá-las.

— Ah, não tem necessidade. Eu mesma posso lavar. — sorrio de lado.

— Por favor, eu insisto.

— Eu não quero incomodar. — dei um passo para me juntar, mas ela me corta sem rodeios:

— Eu não me incomodaria em passar mais um tempo aqui. Aliás, eu não terei nada para fazer no resto da noite. Vamos, entrego-as para você quando elas secarem. Eu prometo.

Ela parecia muito bem interessada em lavar minhas roupas, tanto que nem parecia que iria se importar com meu “relaxo” caso a entregasse as roupas. Mas eu, derrotada e já sem argumentos, cedi e lhe estendi a pilha de roupas sujas, porém arrumadas (arrumei ainda na casa).

Ela sorriu e eu sorri também, me virando e caminhando até o casarão novamente. Mas antes, dando uma olhada em Hilltop e pelas frestas do muro. Nada. Bufo, caminhando até em casa, agradecendo por ser meio caminho andado.

Na noite do dia seguinte, minhas roupas perfeitamente lavadas e passadas foram entregues pela mulher que as lavou. Ela era sorridente e não estava nem um pouco incomodada por ter lavado-as. Aquela noite seria aquela noite. A noite em que eu daria adeus ao lugar que me acolheu — o lugar, não as pessoas — por alguns dias e que ajudou a melhorar as minhas feridas — estas que eu já tirei as suturas, e que agora posso usar roupas mais firmes.

Nenhum sinal dos Grimes. Ou do Grimes. Ninguém aqui me deu satisfação alguma do paradeiro dos outros, mesmo que eu nem tenha perguntado sobre, e tudo seguiu com normalidade como todos os dias em que as engrenagens dos dias funcionam. Nada fora do comum, e eu cada vez mais isolada, mais na minha enquanto monto todo o plano.

Está tudo certo, está quase perto da hora de eu dissipar desse lugar, tudo em seu devido lugar. Minha mochila está completa com tudo o que eu preciso, com todas as minhas poucas roupas e outras coisas importantes. Estou em meu quarto, espiando da cortina o perímetro lá embaixo. Tudo calmo, apenas dois indivíduos fazendo turno no palanque dos portões.

Suspiro, me afastando da janela de ré sem deixar de olhar para a persiana que era parcialmente iluminada pela lua lá fora. Um suspiro baixo escapa por meus lábios, enquanto fecho os olhos por segundos e sinto algo batendo contra minhas costas. Uma respiração bate no topo da minha cabeça, meu coração dispara e meu corpo treme.

— Carl? — sussurro me virando de imediato, porém eu me sinto totalmente assustada ao ver que não era nada, era apenas minha imaginação.

Ofego com meu peito subindo e descendo, meus lábios tremem e eu sinto medo. Medo de ficar sozinha, medo de ter mais uma dessas alucinações e acabar piorando a angústia que sinto por dentro. Aperto meus olhos e meus dedos, fazendo a palma de minha mão doer. Alcanço a mochila pesada no chão e a suspendo nas costas, logo deixo o quarto com pressa, mas sem fazer barulho.

Saio da casa pela porta dos fundos, a fechando com calma para não chamar atenção. Uma vez que estava perto dos muros, escolho um lugar mais engolido pelo breu noturno, logo começo por escalar os portões.

Assim que minhas botas se chocam no chão coberto de folhas secas das árvores florestais, eu arrumo a mochila nas costas e olho para os muros de Hilltop enquanto me esgueiro para dentro da floresta. Suspiro aliviada assim que não consigo mais ver os esboços dos muros de ferro, mas sim, apenas troncos gigantes e grossos de árvores que cortam o céu estrelado e negrume. Está tudo calmo, e bonito também.

Eu sorrio ao sentir a liberdade me atingir como ímã junto com uma leve brisa que fazem meus cabelos voarem, como mais cedo. Os grilos cantam, os mortos parecem não existir e eu não me sinto culpada de algo. Se é que eu sou.

Puxo minha mochila para o lado do corpo e abro o primeiro bolso, puxando uma lanterna de dentro. A lua ilumina um pouco a floresta permitindo que eu consiga enxergar algumas folhas no chão e silhuetas de árvores, mas eu ainda necessito de luz. Acendo a lanterna e continuo com minha caminhada.

Eu olho brevemente para trás, pensando se seria certo que eu prosseguisse com minha fuga. Penso em Maggie, Jesus, Carl, até na mulher que lavou minhas roupas hoje, mas eu não devo ter nenhum vínculo com nenhum deles. Todos têm uma imagem contrária de mim sobre o que eu sou, e infelizmente eu não posso fazer nada para mudar isso. Eu tentei.

Enquanto eu pensava no que eu faria para me virar, eu escuto lá no fundo, quase surdo, barulhos ocos e o chão tremendo. Estreito os olhos, desligando a lanterna e correndo pela floresta, até donde estava vindo os barulhos ocos. Acabo chegando numa estrada escura e coberta de folhas, mas agora os barulhos estavam mais audíveis. Ofego, andando pela estrada, com uma grande interrogação na testa.

Pareço estar mais perto cada vez que apresso os passos para ver do que se trata. Sei que o perigo é grande se for inimigos, e sei também que devo tomar muito cuidado com isso. Qual é, uma pequena olhada não mata ninguém.

Cavalgadas, muitas, rápidas e muito perto.

Foi quando a minha curiosidade quase cegou em meus olhos junto com minha sutil “olhada”; uma grande luz forte alcançou minhas íris hialinas e as cegou perante o escuro. Cruzo meus antebraços à frente dos olhos, os protegendo da luz. Na verdade, eram várias luzes de várias lanternas. Minhas pernas tremem.

— Quem é você? — uma voz máscula se pronuncia à minha frente, e eu tenho medo. Engulo a seco. — Quem é você? — pergunta novamente, porém firme.

— E-Eu sou Elena… — respondo de uma vez.

— Tire as mãos do rosto.

— Não posso com essa luz toda na minha cara! — esbravejo já me irritando, sentindo a luz se afastar de meu rosto e se abaixar.

Pisco algumas vezes, vendo manchinhas e cobrinhas sobre minha vista, torno a olhar para frente. Há, ao todo, cinco cavalos, e em cada um há um indivíduo. Cada um está vestido com um tipo de armadura e armas nas mãos — apenas três apontadas para mim. Eles não são estranhos, já os vi por essas áreas.

— De onde você vem? — o mesmo homem pergunta, solto o ar pela boca. Esse interrogatório me agonia extremamente.

— Eu não posso dizer.

— E por que não? Vamos, diga. Você parece que vem de algum lugar.

Então eu corro. Era arriscado, estavam armados, mas eu corro. Corro por dentre a floresta, em grande velocidade. Ouço as cavalgadas dos grandes cavalos e os gritos dos homens e da mulher, tentando adivinhar para que lado eu corri. Passo pelos mortos, esbarro nas árvores e tropeço na raízes e folhas, enquanto a luz da minha lanterna corria para lá e para cá, não iluminando bem. Passo pela frente de Hilltop, e eu vejo que os portões estão abertos, há pessoas lá, mas não vejo quem é.

Agora mais pessoas corriam atrás de mim. Meus passos diminuem porque meus pulmões queimam junto com minha garganta, e minhas pernas ficam fracas. Eles estão se aproximando de mim novamente, enquanto corro pelas estradas desertas.

Mas que droga, meu plano de fuga silencioso não funcionou. À essas horas, eu poderia estar longe agora, tudo certo. Olho para trás enquanto corro com toda velocidade. Acho que os atraí com o barulho dos cavalos, mas… será Rick e seu grupo? Me sinto ansiosa com esse pensamento, mas medrosa também. Se me alcançarem, não sei o que fariam.

Meu corpo paralisa no instante em que armas são destravadas à minha frente e mais lanternas foram direcionadas à mim. Meu coração bate mais rápido e as cavalgadas se tornam cada vez mais presentes e eu reconheço os homens à minha frente, e eles também me reconhecem de imediato.

Salvadores. Há muitos, mas não vejo a presença de um idiota com um taco de beisebol farpado.

— Elena!? — Logan berra, me olhando como quem visse um fantasma em sua frente. Os outros começam a discutir entre si.

Estremeço totalmente agoniada quando os passos dos cavalos e o barulho de carro param atrás de mim. Agora sim, estou literalmente fo-di-da, e talvez seja meu último dia na terra. Ok, escaparei como todas as vezes eu escapei, ainda tenho o que viver.

— Mas o quê… — ouço uma voz masculina ecoar atrás de mim. E, rapidamente, uma troca de tiros intensa se inicia, levando pessoas ao chão e sangue aos ares.

Salvadores contra moradores de Hilltop e de outro lugar, e a única coisa que eu faço é me abaixar e andar rápido até a beira da floresta. Sinto que eles estavam indo atacar, pois estavam fodidamente armados e em grande quantidade. Mas ainda que estivessem numa expectativa enorme de atacar seja lá quem for, estavam desprevenidos aqui. Corro para a floresta, novamente. O único lugar onde posso ter uma vantagem em fuga.

Ainda corro, mesmo que não escute nada além do farfalhar das folhas e do quebrar dos galhos ao se encontrarem com meus coturnos.

Meu pé esbarra em algo e paralisa, me lançando contra o chão com brutalidade. Gemo de dor e me remexo, apoiando a mão esquerda no tronco de madeira derrubado ao chão. Me ajeito ao lado do mesmo e puxo minha mochila imediatamente, no momento em que resolvo ter uma pausa para descanso. Regulo minha respiração, fechando os olhos e descansando.

Não sei quantos minutos passo recuperando-me, mas ainda não sou deixada em paz, pois ainda há armas se destravando contra mim. Uma, na verdade. Mas que porra, por que eles não me erram?

— Você armou contra todos. — rosna uma voz feminina e baixa, não era adulta. Abro meus olhos um pouco antes dela falar e noto que era a garota que estava com Carl. A maldita.

Ela tinha sua arma apontada para mim e parecia um tanto nervosa quanto a isso, penso que não seria experiente com armamentos. Não era uma arma pesada, mas parecia pesar em suas mãos que tremiam.

— O quê? — questiono num sussurro, apoiando-me sobre os cotovelos. É sério que a coisa chegou a esse ponto? Qual é, eu só queria fugir.

— Isso tudo. Foi tudo armado, não foi? Você armou para que caíssemos nessa armadilha, mas nós chegamos e tiveram que atacar na hora. Você mentiu!

— Ei, ei, ei! Eu não menti e armei nada, tá bom? Eu resolvi fugir porque não aguentava ficar mais lá, eu não sabia que os Salvadores estavam aqui. — me levantei, sabendo que ela não iria atirar, mas ela atirou.

Pegou ao lado da minha cabeça, mas não me atingiu. Pulei de susto, com o coração saltando. A olhei incrédula, um tanto atordoada pelo barulho que ecoou.

— Porra!

— Você acha que eu acredito? Acha mesmo, que aparecendo do nada, você conseguiria prosseguir com seu plano? Acha que alguém iria acreditar em você?

— Para de achar que armei algo, porque eu nem tive contato com ninguém. Eu nunca machucaria inocentes, garota.

— Eu estou lutando pela minha família, por quem me importo, e eu não me importaria se te matasse agora.

— É? E o que acha que as pessoas achariam disso? Jesus, Maggie e os outros? Acha que eles iriam gostar de saber que você é uma assassina Enid? — viro o jogo, recordando-me de seu nome. — Acha que Carl iria gostar de saber que você matou mais alguém?

Enid parece assustada agora, pois ela sabe que eu sei de seu maior segredo. Engole a seco, quase vacilando com a arma em mãos. Me aproximo um pouco, e ela torna a ajeitar a arma. Levanto as mãos em rendição.

— O que acha que sabe sobre Carl? E sobre mim?

— De Carl não posso saber muito, mas de você eu sei o bastante pra te derrubar e te fazer querer o mesmo que eu.

Num movimento rápido e inesperado, chuto a mão de Enid e a arma — que não estava sendo tão bem segurada — voa de suas mãos e voa lá para não-sei-onde. Ela se assusta e tenta correr para procurá-la, mas eu chuto suas costelas direitas e ela fraqueja gemendo de dor, caindo de joelhos e colocando as mãos no lugar dolorido. A olho com seriedade.

— Basta apenas minha boca se abrir e todos ficarem sabendo do seu passado nem tão antigo assim. Porque, Enid, está tudo uma bagunça e nem todos são de confiança.

Alcanço minha mochila ao lado do tronco e ela continua abaixada, me fitando.

— Eu sinceramente não sei como Carl não sentiu raiva de você por ter mentido, talvez porque ele goste de você. — mascaro o sentimento ruim que se apodera de meu peito. — Mas Rick não aceitaria de jeito algum. Porque, Enid, eu sei que você apareceu do nada lá. E acha que aparecendo do nada, eles continuariam acreditando em você?

Repito suas palavras. Caminho de costas e começo a procurar a arma com os pés, a pego em mãos assim que a acho. A garota se levanta, ainda com as mãos nas costelas.

— Podem não te agradar, mas ainda restam opções: ou você vem comigo e tentamos resolver nosso problema, ou você vai, conta qualquer merda sobre mim e acaba ferrando nós duas, porque eu irei te destruir. Você escolhe.

— Enquanto aos outros?

— Os outros são os outros. Acha que está sendo fácil para mim? Eu também estou deixando pessoas importantes.

— E quem seriam? — pergunta irônica. Talvez ela devesse achar que estou tomando seu pessoal, por isso a deixei na curiosidade. Mas ela descobre fácil se pensar melhor.

Por isso, dou meu melhor sorriso e dou-lhe as costas, seguindo com minha fuga.

Eu e Enid havíamos achado um acampamento abandonado. Havia três barracas, uma fogueira velha e apagada, apenas com cinzas. Olhamos dentro das cabanas para ver se havia alguém ou algo, mas haviam apenas cobertores. Cada uma ficou apenas com uma das cabanas, acendemos novamente a fogueira para nos aquecer e comemos enlatados, uma longe da outra, claro.

Na hora de dormir, apagamos a fogueira e fomos para nossas devidas cabanas. Eu ainda pensava em Carl e no fato dele não ter se irritado com ela. Pelo contrário, ele disse que não iria contar a ninguém e disse que ela poderia sempre se abrir com ela. Eles devem se gostar.

Meus olhos pesam pelo cansaço absoluto e meu corpo que ansiava por um lugar confortável onde eu poderia descansá-lo, dormir e tentar amenizar a guerra que se trava dentro de meus miolos ao pensar em Carl, agradeceu. Algo desesperador, agonizante que mastiga-me por dentro, fazendo-me querer gritar e abraçar qualquer coisa que o faça estar junto a mim.

Saudades. Sau-da-des, uma palavra, três sílabas, oito letras. Algo que não sinto há muito tempo, e que eu não me recordava que queimava tanto. Eu sinto falta do garoto; o mesmo garoto que eu beijei, que me enfiou uma faca, que me olhava com indiferença, que beijei novamente e que me disse algo destruídor. Mas, se eu o quero aqui mesmo em todas as situações, quem diria se tivéssemos algo?

Ele nem se importará  meu sumiço. Eu sou totalmente… neutra. E não importa o quanto eu tente ser como eles, algo em mim sempre se destacará e impedirá que isso acontecesse: rivalidade.

E foi abrindo minha mochila e revirando-a desesperadamente em busca de algo que me ajudasse, eu encontro perfeitamente dobrada e carregada de grandes características que correspondem a aquele que eu sinto falta, a camisa xadrez de tonalidade azulada que se encontrava no fundo da mochila, ainda exalando o perfume do garoto, mesmo que tenha sido lavada.

Algo dele ainda está comigo. Um pedacinho de Carl Grimes.


Notas Finais


Espero que tenham gostado dessa treta aí huehue
Não esqueçam de comentar!

XX 💋


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...