História Gods also feel fear - Capítulo 3


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Categorias Originais
Tags Ação, Aventura, Light Novel, Magia
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Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Azul de Fênix


Fanfic / Fanfiction Gods also feel fear - Capítulo 3 - Azul de Fênix

HARIA

 

A rua perdida em pensamentos parecia apenas rir naquele dia em pleno sol poente.

— para onde ela foi?! Ela não pode ter sumido assim!

— n-nos desculpe senhor! Mas a senhorita Haria nos enganou.

— isso não importa! Encontrem-na! Hoje é um dia importante para o reino, o que o rei pensaria sabendo que os Heróis vermelhos do reino de Aldállia não foram capazes nem de cuidar da princesa como o mesmo pediu! Achem-na!

— s-sim comandante!!!

Todos os meticulosos Heróis pareciam preocupados e ao bater em suas armaduras feitas de um aço único encontrado somente naquela parte do mundo, se dispersaram, cada um para um lado. Seguindo ordens, com apenas um objetivo em mente.

Aquela não era a primeira vez que os guerreiros do reino faziam aquilo, mas diferente de outros tempos, aquele era um dia diferente e muito mais importante.

Naquele reino havia uma grande população, várias pessoas andavam pelas ruas feitas de pequenas pedras que enfeitavam o caminho que percorriam. As casas que eram feitas quase artesanalmente tornava o lugar lindo para se admirar, era uma ótima visão para viajantes que visitavam o reino apenas a passeio. O barulho incansável de vozes felizes ecoava como a mais bela sinfonia daquele dia, todos estavam alegres com o festival dos heróis que proporcionava emoção a cada pessoa ali que sentia no peito, a felicidade...

Mas em meio as pessoas Haria corria e não queria saber de absolutamente nada. Apenas se preocupando com o que havia em sua frente e a possível dificuldade que sofreria ao chegar aos portões de saída do reino.

— por favor, saiam da frente! — a jovem princesa coberta por um casaco e um manto que cobria todo seu corpo testava o limite de seus pés — com licença! Pessoa desesperada passando!

Haria gritava desesperadamente enquanto corria e ao pequeno toque, esbarrar em pessoas pelo caminho. Esbarroes que talvez a atrapalhassem em sua fuga, mas mesmo com eles Haria não pensava nem sequer em desacelerar sua corrida.

— ei!

— ficou doida!

— maluca! Olhe por onde corre!

Haria não dava ouvidos a ninguém. A emoção de estar livre e não confinada em um castelo era uma sensação prazerosa. A cada passo que dava em meio a multidão que caminhava em direção oposta a sua, fazia Haria se sentir livre de seu pai que havia ganhado o hábito de lhe trancar dentro do castelo.

O rei do reino de Aldállia era um pai que nunca se importou muito com Haria, mas ultimamente estava preocupado e não ligava mais para os problemas que sua filha proporcionava, por isso essa era a chance perfeita.

O festival dos heróis talvez fosse algo que preocupava o rei. Não ao ponto de se estressar. Preocupava ao ponto de trancar Haria em um quarto durante o festival para que ela não tentasse mais uma vez fugir do reino sem que ele percebesse...

Ela tinha esse péssimo costume, fugir e suas fugas constantes estavam se tornando um problema. Tudo graças a uma habilidade que a mesma tem e que não gosta. Meios de encontra-la não eram difíceis de serem utilizados, por isso Haria corria incansavelmente para que os Heróis do reino não a alcançassem, pois a mesma sabia que mais cedo ou mais tarde, eles iram encontra-la...

— saiam da frente!

Os péssimos rosto que todos faziam ao esbarrar com a mesma eram certamente um incômodo, mas ela gostava disso. Haria estava cansada de sua vida trancada no castelo. Viver com vestidos estonteantes e aprender as mais diversas coisas “inúteis” com um professor particular que o seu pai havia contratado se tornaram o cúmulo de seu aprisionamento. Um pai preocupado talvez trancaria sua filha por segurança, mas que objetivos teria um pai que nem mesmo vê sua filha durante vários meses mesmo estando no mesmo reino que ela?

Haria vivia uma vida em cárcere privado. Sem poder sair do castelo. Sem andar pelo castelo sem que um dos Heróis a acompanhassem. E seu pai que simplesmente a ignorava, tornava tudo pior.

Por isso ela precisava respirar...

Um mundo inteiro se encontrava do outro lado do imenso muro que cobria o reino e certamente a resposta que ela tanto procurava irai ser respondida ali fora. Haria não podia ser a mais conhecedora do mundo mais tinha certeza, ela queria descobrir o novo mundo que estava através do muro.

— olhem! O governo aumentou a recompensa de um dos renegados!!!!

Ao ouvir isso, Haria que corria incansavelmente olha para onde um pequeno grupo de pessoas se encontravam amontoados, próximos a um letreiro do reino enquanto se empurravam para lerem alguma coisa.

O mundo em que Haria vivia já era um lugar que a mesma não conhecia bem. Diversos livros que leu eram cautelosos em definir o “mundo” como algo simples que desse para se entender.

— o quê?! É sério?! De quem foi que o governo aumentou a recompensa?!

— Humm.... Vamos ver — o nobre homem olha para o papel com cuidado.

Mesmo com a incrível pressa que tinha. Haria era curiosa, então começa a se aproximar das pessoas para saber o que estava acontecendo.

Seu disfarce incrivelmente discreto que ia de uma vestimenta imensa que cobria o seu corpo, serviria para que ninguém do reino a reconhecesse e nem para que algum Herói que a procurava a encontrasse rapidamente. Então se aproximar de pessoas não era um problema.

Haria sabia que em seu mundo existiam mistérios, mas existia um mistério em específico que todos, todos mesmo não conseguiam resolver...

— n-não poder ser... — o homem que analisava o papel disse assustado após ler o comunicado — a recompensa do cavaleiro da morte aumentou de 100.000.000.00 sacos de diamantes, para 150.000.000.00 sacos de diamantes!

— o quê?!!— todos no local disseram surpresos.

“Cavaleiro da morte..”

Haria havia escutado esse nome apenas uma vez.

Seu pai falava sobre ele com Heróis do reino em uma conversa que por acaso Haria interrompeu por engano, mas para que seu pai que era a autoridade máxima do reino discutisse sobre esse tal “cavaleiro da morte” com os seus Heróis do reino mais importantes, certamente ele era alguém perigoso...

— com licença... — disse a jovem se aproximando de uma mulher — o que está acontecendo?

— ahm? Ah, parece que o governo aumentou a recompensa do cavaleiro da morte... – disse a mulher com uma expressão preocupada no rosto.

— cavaleiro da morte.... — Haria já havia escutado o nome, mas isso não significava que a mesma o conhecia — quem é ele?

No momento da pergunta, a mulher que tinha um semblante preocupado olha para ela com uma expressão surpresa no rosto.

— v-você não conhece o cavaleiro da morte? — perguntou a mulher perplexa.

Haria simplesmente confirmar com a cabeça não entendendo. A reação em que lhe foi mostrada, fez com que seu complexo de mente vago a incomodasse, aquele era mesmo um assunto tão importante que ela não tinha conhecimento nenhum?

— ahhh tudo bem, em que mundo você vive? — a jovem mulher solta um longo suspiro antes de novamente olhar para Haria — cavaleiro da morte é um dos 12 Lichs que o governo está atrás.

— um dos 12 Lichs... Você quer dizer, um dos magos mais perigosos do mundo?

— isso mesmo. Já não basta termos que lidar com os magos renegados, agora precisamos nos preocupar com isso, um Lich. Eu espero que o governo pegue todos eles, só assim o mundo estará seguro...

O mundo que Haria conhecia era um mundo diferente do que realmente é, em partes.

A muito tempo, pessoas conhecidas como “magos” existiram e eram comuns na terra. Pessoas capazes de usar magia para qualquer coisa realmente andaram pela superfície do mundo, mas isso era incomum hoje em dia. Quer dizer, era proibido.

Graças ao mago chamado “Merlin”, magia foi exclusivamente proibida. Merlin foi um mago extremante habilidoso e por ter tal talento, foi considerado o mais forte mago do mundo, entretanto. Merlin queria mais do que só conhecimento, Merlin buscava a fonte de tudo e acreditava que magia era feita só para seres divinos, tal como ele mesmo se considerava.

A guerra que causou o ápice da humanidade iria ter seu início, Merlin usou seu conhecimento para tentar dominar o mundo afim de encontrar algo mais puro que magia. A guerra que Merlin começo contra a humanidade foi chamada de guerra do fim do mundo, tendo como principal ameaça, Merlin.

Graças a essa guerra, o Governo Alfa que controla a magia no mundo escolheu 4 dos mais fortes guerreiros para enfrentarem a ameaça. Eles foram os primeiros guerreiros da Elvenside na terra. A Elvenside teve uma dura batalha contra Merlin, três dos quatro guerreiros da Elvenside morreram, mas a batalha foi vencida pelo bem.

Hoje em dia, várias histórias sobre a guerra ainda são contadas, mas Haria não acredita em nenhuma delas.

Todas elas são absurdas demais para serem reais.

Mas o que é certo é que magos nos tempos de hoje são extintos e um dos poucos que restam pelo mundo são caçados pelo governo com as cabeças a prêmios por milhares de sacos ouro. Se um renegado tem sacos de prata como recompensa, ele é um perigo médio mais ainda sim perigoso. Mas se um renegado tem sacos de ouro como recompensa ele é de nível alto. Mas se o renegado não valer mais prata e nem ouro e sua recompensa passar a ser diamantes, esse renegado é posto como ameaça mundial.

Os 12 magos renegados que tem a cabeça a prêmio por diamantes, são chamados de Lichs e suas identidades ou rostos nunca foram vistos por ninguém. Por esse motivo, o símbolos dos Lichs passou a ser a “caveira” representando o mal que os 12 carregam. Um alto nível de perigo comparados a magos renegados que valem ouro e prata.

— cavaleiro da morte... Que loucura... — pronunciou outro senhor preocupado — por que logo ele?

— o governo deve estar querendo intimidar os renegados. Imagine, se o governo aumentar a recompensa do cavaleiro da morte que é um Lich, os renegados iram se assustar... — respondeu um jovem rapaz.

— mas mesmo com tudo isso, o governo aumentar a recompensa para um mago renegado é normal. Mas eleger o cavaleiro da morte como Lich, é estranho... — A mulher que estava ao lado de Haria ainda tinha uma expressão assustada e o que disse faz todos olharem para ela...

— estranho? Por quê? — Haria mais uma vez pergunta.

Quando ouviu isso, mas uma vez a jovem mulher olha para ela perplexa...

— Garota, cavaleiro da morte é somente uma lenda feita para crianças dormirem. Por que o governo perderia o tempo com isso?

Haria olha para a mesma surpresa.

— u-uma lenda?

— isso mesmo. Meu avô contava histórias sobre ele. O cavaleiro da morte. Tinha até uma poesia de ninar... — falou a mulher — “cuidado com o cavaleiro da morte, seus olhos amarelos tudo podem ver. Sua capa preta com a foice reluzente você irá perceber, aos poucos a cor do medo sua alma irá conhecer. Crianças boas ou más ele punirá, por que o cavaleiro da morte por ele se vingará e nada em seu caminho ele irá deixar... ” ....humm eu acho que o poema é assim, faz muito tempo que ouvi...

Haria conhecia somente o nome, mas não sabia que era apenas uma lenda...

— cavaleiro da morte não foi só uma lenda.. — um homem também com um semblante preocupado diz chamando a atenção de todos ali — algumas histórias dizem que o cavaleiro da morte realmente existiu. Lúcifer como é seu nome, foi um guerreiro que lutou ao lado de Merlin na guerra. E como todos sabem como a guerra terminou, é meio improvável que o governo tenha mesmo interesse em uma lenda já que ele está morto, afinal. A guerra do fim do mundo aconteceu a centenas de séculos atrás, nem os nossos ancestrais devem se lembrar bem dela...

— eu soube que há relatos de que ele foi visto em outros reinos segurando essa mesma foice da foto. Dizem que ele quer vingança por Merlin e quer terminar o que ele começou — uma outra mulher fala fazendo todos olharem para ela — f-foi o que eu ouvi — disse um pouco assustada e incomodada com os olhares voltados para si.

A guerra do fim do mundo, foi uma guerra que fez a humanidade pela primeira vez sentir medo. Merlin ao lado de seus soldados planejava conquistar magia para si, mas teve um problema sério no caminho...

— pessoal, ânimo! — disse um homem sorrindo fazendo todos olharem para ele também — sendo lenda ou não, o governo nunca deixaria nada acontecer, nem o nosso rei. Se existem os Lichs e os renegados, nós temos os Heróis Brancos e a Elvenside ao nosso lado!

O único desafio que Merlin enfrentou durante a grande guerra. A Elvenside é a salvação da humanidade contra os renegados e os Lichs, sendo que eles são os únicos na terra com autorização direta do governo para usarem magia.

Já os Heróis são aqueles que pregam a paz nos reinos, eles assim como os guerreiros da Elvenside também podem usar magia.

A única diferença entre eles dois, é que o governo não comanda diretamente os Heróis. Esse é o trabalho do rei...

A Elvenside é a chave de esperança da humanidade contra os renegados e os Lichs. Os Heróis são os guerreiros que protegem os reinos sob ordens direitas dos reis...

A nova era funciona deste modo.

— ahhh é mesmo, o coliseu abriu. Os testes para heróis devem começar a qualquer momento! Eu tenho certeza que um Herói incrível será escolhido hoje!— disse o homem olhando para sua esposa — vamos querida se não, não iremos conseguir arrumar um bom lugar para assistir os testes! — correu para longe com sua bela esposa ao lado.

— ahhh!! É mesmo, os testes! — disse outro casal.

Rapidamente todos começam a se dispersar e a correrem novamente para o coliseu do reino, todos novamente empolgados.

Haria fica ali, parada vendo a cena admirada.

Por mais que seja duro para ela viver confinada em um castelo. Haria gostava do reino em que vivia. Seus ancestrais lutaram por esse povo e ela sabia que um dia esse povo seria sua responsabilidade assim como foi a responsabilidade de seus ancestrais cuidar de tudo, mas havia uma coisa que ela não conseguia parar de pensar...

— cavaleiro da morte.... Lúcifer.. — Haria rapidamente corre para onde se encontrava o comunicado.

O comunicado era simples e direto...

“A partir deste aviso o governo Alfa decreta que o Lich conhecido como ‘cavaleiro da morte’ terá sua recompensa aumentada. Todos os distritos de reinos poderão usar seus Heróis para caça-lo e serem recompensados devidamente. ”

Haria olha para um pouco mais a cima do folheto e vê uma imagem do mesmo estampando. Uma foto curiosamente incomum.

A imagem do cavaleiro da morte era esquelética e não havia olhos, somente dois buracos no lugar. Ele tinha um semblante assustador enquanto metade de seu rosto estava coberta por um capuz e uma grande túnica envolvia seu corpo que era imenso escondendo o metálico de sua armadura. Ele segurava sua foice que tinha uma coloração negra com ferrugem em suas duas mãos. A foice tinha o dobro de seu tamanho o que o tornava assustador. A caveira que era o símbolo dos Lichs certamente fazia jus ao terror que a imagem passava.

Pelo que pode ver, Haria concluiu. O cavaleiro da morte era mesmo um monstro ou alguém havia retratado ele por meio dessa imagem, como um..

— parada aí princesa!!!

Haria rapidamente olha para trás vê Heróis vermelhos correndo em sua direção logo depois a cercando rapidamente. As pessoas que passavam aceleradas no local cessão sua corrida para ver a pequena confusão que os Heróis faziam ao se aproximarem de Haria.

Ela nada pude fazer para fugir, eles haviam a cercado e pela cara que faziam, pareciam não ter intenção nenhuma de deixa-la escapar novamente.

— senhorita Haria! Seu pai nos pediu para cuidarmos de você, então fique parada aí e retorne conosco para o castelo!!!

— o quê?! – disse ela.

“Como posso ficar parada e mesmo assim retorna para o castelo?! Pense antes de falar!”

Foi somente um minuto, em somente um minuto. Haria tinha deixando sua grande chance de escapar para trás.

— princesa tire estas veste e revele seu rosto! — ordenou um dos Heróis.

A pequena multidão de pessoas que estava ali vendo a cena se espantam com as palavras do Herói. Ele havia dito “princesa” e olhava em direção a garota que estava com o corpo coberto no centro da rua, curiosamente. Haria.

— m-mas eu...

Haria queria somente mais uma chance, talvez fosse todo que ela precisasse para dessa vez cumprir sua fuga.

— tire agora! — Ordenou novamente.

A princesa não havia escapatória, então não lhe restou nada a fazer a não ser com um profundo pesar na consciência tirar seu disfarce como foi mandada. Primeiramente tirando o capuz de seu rosto e logo depois a enorme veste de seu corpo revelando seu vestido de princesa, ela fez como foi pedida. Uma roupa chamativa demais para a mesma simplesmente passar-se despercebida, havia sido em teoria, a única que agora estava a mostra.

Seu cabelo estava bagunçado e sua pequena franja incomodava sua visão, seus olhos que tinham a cor azul estavam incomodados com a claridade do sol, mas nada disso fez com que os vários heróis ali recuassem por sua beleza..

— é-é a princesa de verdade!

— e-ela é linda! Como é possível? Parece um anjo.

— mamãe é a princesa!

Rapidamente todas as pessoas confusas, vendo a confusão se formar começam a se espantar por Haria está ali, logo em seguida se ajoelhando em saudação a princesa. Todos com as cabeças baixas e não diziam mais nada...

Haria era uma princesa discreta por isso não gostava de ser o centro das atenções. Um frio na barriga e possivelmente uma tremedeira nos pés faziam a mesma estar possivelmente vermelha por tantas pessoas estarem ali a saldando.

— venha princesa... Nós iremos acompanha-la até o castelo e não tente fugir.. — disse herói se aproximando com o que parecia ser uma escolta, mas possivelmente, a garantia de que suas palavras não fossem desconsideradas.

Fugir agora era impossível.

Haria havia sido pega novamente. Seus planos se resumiam a isso. Correr para no final sofrer o mesmo destino. Ser levada novamente ao castelo...

— tudo bem, eu estou indo... — Haria disse derrotada. Ela não tinha outra opção a não ser obedecer e nomear sua novamente tentativa de fuga como “incompleta”

— senhorita, não faça mais isso. Você sabe que não pode ir longe o bastante sem que algum Herói do reino a encontre. Você é especial, não destrua a reputação de seu pai com essas fugas, o reino precisa de você...

O Herói que acompanhava Haria com os quase dez Heróis que “a escoltavam” para o castelo, tinha um semblante comum no rosto. Talvez o capacete que usava não desse a ele a expressão de autoridade que ele queria.

Haria sabia que sua habilidade incomum para o mundo que vivia a tornava algo que era necessário para o reino. Por causa dessa habilidade, qualquer Herói treinado a acharia rapidamente e fugir estava se tornado algo que a mesma simplesmente imaginava e não se concretizava...

“eu só quero respostas. Eu quero saber o que aconteceu. Eu quero saber o que aconteceu com a minha mãe...”

Essa era a única coisa que a mesma desejava ter dito.

O reino de Aldállia, era um dos reinos que estavam politicamente além comparados a outros reinos pequenos, mas isso não significava que ela precisasse estar ali de boa fé.

Haria simplesmente queria ser normal, seu pai era necessário. Mas e ela? Haria tinha somente 17 anos, ela não devia nada a ninguém e nem estava devendo. Tudo que ela queria era sair do reino para procurar por respostas de sua mãe que desapareceu a muito tempo. Seu pai nunca mencionou nada a respeito e mesmo com as várias perguntas, a única resposta que Haria recebia era dolorosa demais para se acreditar.

Um Lich a assassinou, foi isso que aconteceu... — Ele dizia.

Graças a sua habilidade, fugir se tornava praticamente impossível. Ela daria tudo para ser humana, mas nem isso ela tinha o direito de conseguir...

— vocês encontraram ela!? Graças aos deuses!

Haria que caminhava com a cabeça baixa. Olha para frente vê um semblante conhecido.

Um bigode grande embaixo de seu nariz, um cabelo milimetricamente virado para frente alcançando sua testa, sua espada na cintura e é claro. A braçadeira do reino que indicava que ele era mais um Herói.

Sua braçadeira cinza tinha um teor importante comparado as braçadeiras vermelhas que os Heróis que escoltavam Haria usavam, por isso o Herói que caminha em direção a ela passava uma sensação de autoridade enquanto os outros Heróis apenas o saldavam enquanto passavam por ele.

— Leonard.... — disse a jovem princesa ao olhar para o incomum Herói de bigode em sua frente.

— senhorita Haria, por que fugiu novamente? — perguntou preocupado.

Haria nada disse e novamente abaixa a cabeça. Ela conhecia Leonard desde criança e sabia que por ele está ali, sua fuga realmente havia trazido consequências para seu pai, por isso a mesma não se sentia bem quando Leonard a olhava com uma expressão de negação nos olhos...

— desculpa, Leonard...

— ahhrr... O que eu faço com você? Por sorte o rei não descobriu sobre a fuga. Haria, você sabe que pode ser vítima de um renegado, o que o rei faria se um deles a sequestrasse e pedisse sacos de ouro em sua troca? — o Herói não estava feliz.

Leonard não tinha nenhum receio em se exaltar ao reaprende-la e isso para Haria o tornava alguém que merecia respeito, afinal ninguém no reino a não ser seu pai tinha coragem para fazer tal ato..

— mas eu posso me defender! – disse a mesma olhando para ele — eu não sou mais uma-

—Haria é claro que você é... — a interrompeu – não pense que pode fazer tudo sozinha, somente uma criança tentaria fugir do reino sem pensar nas consequências. Existe mais perigo no mundo do que você pensa, os muros estão lá por algum motivo, então não pense que por simplesmente ser uma das poucas pessoas neste mundo que nasceram especiais, está apta a sobreviver sozinha... — Haria nada diz — certo, vamos leva-la para o castelo novamente. Então procure ficar lá... — disse se virando e andando à frente de todos.

Harai não podia responder. Leonard era alguém que merecia respeito afinal havia sido ele quem ensinou coisas importantes para ela. Haria prefira cortar o braço fora do que ver ele decepcionado com ela. Então a jovem princesa nada diz e começa a segui-lo ainda sendo escoltada por vários Heróis...

 

 

    ****

 

Depois de percorrer um caminho considerável, Haria estava prestes a chegar a entrada principal do castelo. A torre enorme e a estrutura incrivelmente grande que podia ser vista ao longe, certamente dizia que ela novamente iria ser prisioneira naquele lugar...

A rua começava a ficar deserta tendo somente algumas pessoas por ali. Praticamente todos no momento estavam no coliseu do reino presenciando os testes para heróis, teste que nem isso Haria poderia ver e não ter a companhia das pessoas caminhando ao se lado, fazia ela se sentir em um reino fantasma.

Comércios, barracas de frutas e principalmente, o barulho de vozes faziam tudo ser ainda mais angustiante. Nada, Haria não conseguia mais ouvir ou ver pessoas por perto.

— ei!!! Seus ladrões, voltem aqui com as minhas maçãs!!!

Entretanto...

Haria que olhava para baixo, olha para frente e vê dois garotos correndo enquanto um homem que aparentava estar furioso os perseguia com um enorme pedaço de madeira em mãos. O homem estava longe do peso ideia, pois corria com dificuldade com a madeira, madeira que agitava no ar repetitivamente de um lado para o outro, o fazendo parecer um ogro.

Um garoto que parecia ter seis ou sete anos de idade corria com várias maçãs em mãos, próximo ao peito. O outro que parecia ter a idade de Haria, corria ao lado do menor apenas o acompanhando na fuga.

— H-Heróis...! Peguem esses.... moleques! – o homem furioso disse com dificuldade ao perceber que os Heróis que escoltavam Haria passavam por ali.

Rapidamente um dos vários Heróis vermelhos corre e segura o garoto menor, o fazendo soltar as maçãs que segurava...

— muito bom vermelho!!! – gritou o homem com um sorriso enquanto lentamente se aproximava.

— e-ei, me solta! — o garotinho que se debatia para fugir do Herói, começa a dizer.

— solta o meu irmão! — o maior ao perceber que seu irmão havia sido capturado, correndo até o Herói que segurava o mesmo destemidamente — solta ele agora!

O possivelmente irmão mais velho avança sobre o Herói, que antes que o mesmo percebesse desferi um golpe em seu rosto o fazendo cair no chão.

— irmão! — o menor grita. Em desespero e em um movimento ousado morde a mão do Herói que grita de dor o soltando.

O garotinho já livre corre ate o irmão mais velho e se ajoelha próximo ao mesmo que agora estava caído no chão com o rosto machucado graças ao soco do Herói.

— irmão você está bem?! — o garotinho preocupado queria chorar.

O irmão mais velho ainda estava caído e não responde pondo em desespero o pequeno..

— seus.... moleques! Eu irei ensinar......a vocês a nunca mais.....me roubarem!!! – o homem que os perseguia se aproximando dos mesmos cansado por causa do peso.

O menor o olha apavorado. A expressão visível aparentava medo com a aproximação do senhor. Ele não se mexia e a medida que o homem se aproximava o pequeno parecia querer gritar.

— parado ai! — Leonard que olhava a cena se aproximando dos mesmos — o que está acontecendo?! — o Herói pergunta.

O homem que olhava para os dois irmãos, volta seu olhar para Leonard...

— Herói, esses garotos me roubaram, mas graças aos deuses vocês os pegaram.. — falou olhando para os garotos novamente — prendam eles!

— espera, o que está acontecendo?! — Haria que via tudo por detrás dos Heróis fala se metendo na conversa.

Haria não tinha o costume, mas vendo o que estava acontecendo, precisou se meter.

Como todos do reino faziam, o homem que estava furioso, olha para Haria e se surpreende..

— p-princesa?! — rapidamente disse o homem se ajoelhado.

Haria detestava aquilo, ter pessoas ajoelhadas a sua frente fazia a mesma ter uma superioridade que ela não tinha. O homem não a olhava e estava ajoelhado a sua frente com a cabeça baixa. Já os dois garotos apenas a olhavam admirados...

O menor parecia ver algum animal raro, já o mais velho tinha somente dificuldade para manter os olhos abertos. 

— o que esta acontecendo? — Haria perguntou novamente...

— senhorita... — disse Leonard — não interfira-

— Eu perguntei o que está havendo?! — disse novamente ignorando o aviso de Leonard.

Haria não sabia mais seus sentimentos atingiam diretamente a sua habilidade que tanto odiava. Haria era relativamente incapaz de se conter. 

— senhorita! – Haria ainda olhava para o homem que ameaçava os dois irmãos — senhorita se acalme ou terei que detê-la!!

Haria olha para Leonard e vê o mesmo com a espada direcionada a ela, fazendo a mesma se surpreender. Ela olha para os lados e vê todos os Heróis que a escoltavam, do mesmo jeito que Leonard. Todos eles estavam com espadas apontadas para ela e tinham olhares assustados no rosto. Haria olha para os irmãos e percebe os mesmo aterrorizados e até o homem que estava ajoelhado a sua frente, também não escondia seu pavor

— senhorita.... Diminua a chama em seu corpo... — disse Leonard receoso ainda com a espada direcionada a princesa.

Haria não havia percebido, mas sua habilidade estava mais uma vez sendo posta a prova. A chama que havia herdado de seus ancestrais e diretamente de seu pai, mostrava que Haria realmente tinha o sangue azul da realeza. A prova que mostrava que ela realmente era uma princesa do reino de Aldállia.

A chama azul que a envolvia provava que ela era herdeira do trono. Uma chama encantadora que ia desde seus pés até ao topo de sua cabeça, a cobrindo toda. Haria olha para o seu corpo e vê que sua chama azul, a chama que a mesma fazia de tudo para esconder havia mais uma vez aparecido sem que ela percebesse.

Haria estava realmente longe de ser a humana que sempre quis, ela tinha linhagens de magos e a prova disso era a chama azul de fênix que envolvia seu corpo neste momento.

— m-me desculpa... — disse ela contendo a chama em seu corpo que rapidamente some — eu não ia machucar ninguém...

Os Heróis que apontavam espadas para ela temendo que a mesma perdesse o controle, aos poucos abaixam suas armas fazendo Haria se sentir ainda mais péssima por ter usado suas chamas involuntariamente.

Haria simplesmente não conseguia aceitar, ela era o que todos no mundo temiam. Ela podia usar magia e nem se quer controlava corretamente...

— certo... — Leonard ainda a olhando falou — fique calma princesa. Suas chamas podem ser lindas, mas são perigosas. Se controle.. — Haria nada diz e abaixa sua cabeça — meu caro senhor!

— s-sim?!! — fala rapidamente olhando para o Herói.

— explique-se! Por que estava perseguindo esses jovens?

O homem novamente olha para os dois irmãos que se assustam. Seu olhar que antes era de terror havia se transformado em raiva.

— eles roubaram varias de minhas maçãs. Herói, como irei me sustentar se sou roubado por moleques de rua? Eu tenho um trabalho honesto, faça alguma coisa sobre isso!

“só por isso?”

Leonard olha para os dois irmãos.

Os jovens garotos tinham as vestes sujas e o menor não causava nada nós pés, ele estava descalço. Os dois certamente eram garotos de rua, mas não foi isso que preocupou Leonard.

— você! — Leonard olhando para um Herói vermelho próximo a Haria diz em voz alta — verifique se são renegados!

— m-mas não somos! — diz o irmão mais velho — somos pessoas comuns!

— fique calado, se não são magos. O teste não resultara em nada ... — disse Leonard — vermelho! Cheque!

— s-sim senhor! — rapidamente o mesmo se aproximando dos dois irmãos com uma pedra de grimório em mãos

A pedra de grimório, era a pedra que absorvia diretamente mana. Sua principal função era usar pequenas magias, como dominação e levitação de objetos ou até mesmo produção de fogo, tudo em pequenas quantidades. A pedra é extremamente sensível a mana, por isso qualquer Herói do reino tem uma para identificar possíveis renegados, já que os mesmo exalam mana em grande quantidade graças a magia dentro de si.

É praticamente impossível enganar a pedra, pois mana é uma força que necessariamente índica que um renegado esta vivo. Se um renegado perde sua mana então em teoria ele está morto, pois é impossível para um renegado esconder ou disfarçar a existência dela em seu corpo.

Por isso que Haria sempre foi pega em suas fugas..

A jovem princesa realmente odiava a pedra, pois graças a ela. Os vários Heróis sempre a encontravam já que a mesma exala mana graças a sua linhagem real que a fez possuir magia.

A pedra que é escura, perto ou próximo a um renegado se tornava vermelha sangue indicando a mana dentro do mesmo...

Pessoas normais não possuem mana, por isso a pedra não sente absolutamente nada e não muda para vermelho sangue próxima a elas. Então se os jovens irmãos fossem mesmo humanos como diziam ser, a pedra de grimório iria continuar preta ao se aproximar dos dois...

— senhor, está tudo bem! A pedra ainda está preta! — disse Herói próximo aos irmãos indicando que diziam a verdade.

— eu disse, somos humanos! Então por favor, nos deixe ir!-

— nada disso! — o homem que segurava o pedaço de madeira grita furioso — vocês iram para a prisão que é lugar de ladrões...

“isso é injusto!”

“ir para a prisão? Um deles aparenta ter minha idade e o outro é apenas uma criança!”

“tem que haver uma explicação para o que fizeram!”

— e-espera! — Haria interrompe novamente – eu assumo a responsabilidade pelos dois.

O homem que carregava a madeira, olha para a princesa surpreso.

— m-mas princesa!

— eu decidi! — diz Haria.

A jovem não tinha um sentimento de superioridade em seu corpo, a mesma não havia nem sequer ligado para o roubo dos irmãos. Mas algo nela precisava parar com àquilo. O sentimento que a mantinha de pé era o mesmo sentimento que movia o reino que ela tanto adorava, a bondade com certeza estava em seu coração.

Haria que ainda que ainda se encontrava por detrás dos Heróis, começa a caminhar até os dois irmãos com dificuldade devido ao seu enorme vestido...

— princesa não se aproxime dos dois! — Leonard tentou intervir.

— por quê? A própria pedra deixou bem claro que não são renegados ou você acha que simples garotos podem fazer algo a mim? Leonard, você devia ter mais fé na princesa. Então se alguém aqui precisa se preocupar, esse alguém são vocês... — o Herói cinza não teve o que responder.

Haria novamente começa a caminhar e se aproxima dos dois irmãos...

— ei, vocês estão bem? — perguntou com um sorriso gentil enquanto se abaixava para olha-los melhor.

— s-sim princesa, muito obrigado! —  o mais velho tentou dizer se curvando frente a Haria.

— irmão ela é bonita — disse o menor admirado — será que tem namorado?-

— idiota! O que esta falando?! Se curve!! — falou forçando o irmão menor a se curvar, mas como o menor não esperava acabou beijando o chão graças a força do irmão mais velho...

— d-desculpa irmão, me desculpe princesa... —  o irmão menor já no chão disse com dificuldade.

— não se preocupe —  Haria sem graça sorri por ter sido elogiada — mas eu quero que me digam por que roubaram?

No mesmo instante, o irmão mais velho olha para Haria com uma expressão assustada no rosto e simplesmente fica imóvel ao ouvir a pergunta feito pela princesa.

— Arley e-estava com fome...e como não temos dinheiro —  o mais velho ainda curvado diz fracamente — nos desculpe...

Haria via simplesmente um irmão preocupado com o irmãozinho. Ter se tornado ladrão era de fato uma escolha difícil, mas aquele que prefere fazer algo ruim ao invés de deixar o irmão menor sentir fome, é mesmo uma má pessoa?

— Arley...? É você? — pergunta olhando para o irmão menor.

— i-isso mesmo. Nós só queríamos ver o festival dos Heróis, Florian e eu não queríamos cometer nenhum crime... Eu ....só fiquei com fome... — o menor abaixando a cabeça disse tristemente.

— vocês por acaso são deste reino?

Os dois irmãos olham para Haria e negam com a cabeça.

“Humm... De outro reino...”

— ahhh....tudo bem....eu entendo.... — Haria novamente sorri — Leonard!

— sim princesa?!

— alguém que rouba para dar de comer ao irmão menor, é mesmo considerado alguém perigoso ao ponto de ir para a prisão? — o Herói não responde — senhor! — Haria dessa vez olha para o homem que perseguia os dois irmãos — quanto custa o estrago que estes dois fizerem?

— o quê? M-mas princesa-

— responda....

— b-bem eles me deram vários prejuízos. Além de roubarem minhas maçãs, ainda destruíram a carroça que uso para trabalhar durante a fuga que fizeram...

“que muquirana, afinal uma carroça é assim tão cara para deixa-la de lado e persegui-los por causa de maçãs? “

— certo, mande a conta para a família real — Haria diz surpreendendo a todos.

— Arley e....Florian estou certa?

— s-sim... — disse o irmão mais velho.

— venham comigo, nós iremos ao festival dos heróis — os irmãos se surpreendem assim como todos ali — se levantem, vamos para o festival!

— princesa! Você não pode — disse Leonard — você precisa ir para o castelo, são ordens de seu pai. O que ele pensará de nós quando vir você no coliseu!?

— eu me entendo com meu pai e tem mais. Que garantias meu pai teria de que eu não fugiria novamente? Que maneira melhor de me vigiar se não me tendo sob os olhos dele... — Haria caminha até duas maçãs caídas no chão, pegando-as e logo depois  limpando em seu vestido e as jogando para os dois irmãos que rapidamente pegam ainda no ar — vamos garotos! Vamos para o festival!

— s-sim!!! — disseram os dois rapidamente seguindo Haria com sorrisos nos rostos

— Leonard! Cuide dos prejuízos com o gentil senhor, sim...

Haria tinha sim um complexo de bondade, mas sua autoridade certamente servia para ter seus próprios benefícios. Benefícios esses que Haria sabia muito bem usar...

 

 

 



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