História Gods and Monsters - Capítulo 3


Escrita por: ~ e ~uaipamela

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Izumi Uchiha, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Itaizu, Naruhina, Naruto, Sakura, Sakura Haruno, Sasuke, Sasuke Uchiha, Sasusaku
Exibições 271
Palavras 3.786
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Alô, alô! Graças a Deus!
Meus xuxuzíneos, muito obrigada pelos favoritos e comentários! Amamos vocês!
Boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo III - A Corrida dos Nômades.


A garota abriu os olhos lentamente e se sentou na cama, passando as mãos magras pelos curtos fios rosados que estavam espalhados por seu rosto. Observou o local em que estava e constatou que não havia sido um sonho. Desceu os três degraus e foi até o salão — que decidiu apelidar carinhosamente de Galeria — e procurou por Sasuke, que não se encontrava. Bocejou duas vezes antes de pensar se iria para a escola naquele dia. Ainda era cedo, havia dormido apenas cerca de quatro horas, e daria tempo de ir encarar mais um dia em seu inferno pessoal.
      Sentiu-se meio perdida de início, mas logo estava do lado de fora do prédio, com suas roupas e sua mínima vontade. O apartamento não ficava muito distante de sua casa, então após alguns minutos ela já estava com a mochila em mãos e andando em direção a escola. 
      Sai estava encostado no muro, com seus belos olhos escuros vidrados em algo na tela de seu celular. O cabelo negro estava perfeitamente penteado para trás e a barba estava feita de modo exemplar. O garoto usava uma camisa branca acompanhada por uma calça jeans e uma jaqueta preta. Ah, como ela amava aquele estilo Cry-Baby. Ele ergueu seu olhar e deu um leve sorriso, dando a ela a certeza de que ele estava lá esperando-a. Doce Sai, ele nunca desistiria dela, por mais estúpida que ela fosse as vezes. Ela caminhou acanhada até o amigo, pensando em como iniciaria seu pedido de desculpas e recebendo um olhar do mesmo como se ele pedisse para que ela não se desculpasse. 
      — Bom dia — ele disse sorrindo. 
      Sakura havia sido estúpida com ele no dia anterior e ele sabia disso. Mas Sai era de câncer com ascendente em peixes, era um anjo na vida da amiga. Mais compreensivo impossível e com um senso crítico incrível, ele sabia como tirar ao menos um sorriso do rosto quase sempre inerte da garota. Ele compreendia o fato de que ela enfrentava muitos problemas e que não descontava nele de propósito; ele sabia que se ele a ignorasse e recusasse falar um "Bom dia" a ela, seria pior do que um soco. 
      — Bom dia — ela respondeu ainda acanhada e envergonhada. 
      O convívio dos dois era assim. A amizade já havia se fortalecido tanto que um diálogo extenso não era mais necessário, eles se entendiam com poucas palavras. Eles caminharam até o interior do colégio e o corpo de Sakura começou a se tensionar. Era inevitável não ver os olhares de desgosto e deboche que eram dirigidos até a jovem. Os cochichos e risos apenas aumentavam enquanto ela encolhia seus ombros e ia para mais perto de Sai discretamente. 
      Sasori também estava lá, com seus ridículos óculos espelhados e seu cabelo ruivo cheio de gel, cochichando e rindo. Sentado com Shion ao seu lado. Ao passar na frente do novo casal da escola, Sakura pôde ouvir algo do tipo "Não é essa a garota dos peitos pequenos que fode mal?" saindo da boca da outra garota. 
      — Ignore esses idiotas — disse Sai quando eles entraram na biblioteca da escola, onde costumavam passar a maior parte de seu tempo. — O que leremos nessa quinzena?
      — Estava pensando em O Silêncio dos Inocentes — respondeu ela indo até uma das diversas prateleiras e retirando o livro velho da mesma.
      — Eu já vi o filme — respondeu Sai indo até a mesma prateleira e retirando outro livro. — Vou ficar com Mentes Perigosas
      Sakura deu uma pequena risada e foi até uma das mesas da grande biblioteca. Ambos se sentaram e começaram a leitura, que foi interrompida pelo sinal que anunciava o início das aulas. O período ocorreu normal — com cochichos e risos direcionados a jovem e alguns ataques de raiva de Sai — e os dois foram até a Disco Music, uma lanchonete de dia que a noite virava um ponto de encontro para pessoas com mais de cinquenta anos que gostavam de dançar alguns passos de Flashback's
      — Aonde você passou a noite? — perguntou Sai observando a garota tomar forçadamente o suco que ele havia comprado.
      — Fui até o Tabble Rock e apareceu um cara lá — ela disse lembrando-se da noite passada. — Daí ele me levou para o apartamento dele e eu dormi lá.
      — Você dormiu no apartamento de um desconhecido? — ele perguntou fazendo Sakura se preparar para um sermão. — Bata na sua cara antes que eu bata!
      — O que tem demais nisso Sai? Você vive dormindo com os homens que vêm aqui de noite e eu não falo nada! 
      — Mas eu já sou acostumado a ter meu old man — ele disse fazendo-a rir. — Ele era um sugar daddy ou um sugar baby? — perguntou malicioso.
      — Eu não perguntei a idade, mas estava mais para daddy
      — Finalmente você achou seu old man — ele disse erguendo as mãos para cima como se agradecesse aos céus. — Já estava de hora de mandar aquele resto de transa do Sasori pro inferno! 
      — Eu consigo mandar ele para o inferno, mas não consigo me esquecer do que ele fez.
      — Ele é um idiota e eu sei que o que ele fez não vai ser esquecido tão rápido, mas ele vai pagar por tudo — ele disse no que soou como uma promessa. 
      O suco super nutritivo de cenoura, beterraba e laranja quase foi para os pulmões de Sakura quando ela viu o corpo de Sasuke Uchiha entrar na Disco Music. Os olhos dele foram de contato imediato até os dela, que estava extremamente surpresa e com as bochechas rubras após engasgar com o suco e fazer Sai olhar para o mesmo lugar. 
      Ainda surpresa, a jovem sentiu-se intimidada com o olhar que Sasuke lhe dirigiu. Ele não a cumprimentou nem disse uma palavra, apenas sorriu minimamente e foi até o balcão e pediu um maço de Marlboro
      — Então, ele é o seu sugar daddy? — perguntou com um sorriso malicioso. — Sinto-lhe informar que os boatos que ouvi dele são um pouco desconfortáveis — inquiriu com suspense.
      — O que você ouviu? — ela perguntou sem tirar os olhos das costas largas cobertas pela mesma jaqueta da noite anterior. 
      — Não sei se devo comentar, é algo muito ruim — ele disse parecendo assustado. — Acho melhor você procurar outro old man.
      — Sai, me diz logo!
      — É por sua conta e risco...
      — SAI! — inquiriu um pouco mais alto.
      — Tudo bem, tudo bem — ele levantou as mãos em sinal de rendição. — Eu soube que ele frequenta um clube de voyeurismo.
      — E o que há de mal nisso? — ela perguntou frustrada devido a revelação do amigo. — Eu achei que ele tinha matado alguém ou sei lá!
      — Dividir o seu old man com outra pessoa? — ele perguntou indignado. — Você quis dizer o que há de péssimo nisso, não é?
      — Meu Deus, Sai... — inquiriu encarando o homem que pegou o maço de Marlboro que havia comprado.
      Sasuke não a olhou novamente, fazendo com que certo incomodo crescesse no peito de Sakura. Ela então se levantou e caminhou até a saída, onde o moreno estava prestes a abrir a porta.
      — Você me deixa dormir na sua casa e nem ao menos me diz um "Oi" quando me vê? — perguntou ela impedindo-o de sair da lanchonete.
      — Sasuke! — gritou um rapaz de cabelos longos e loiros, com braços completamente tatuados entrando na lanchonete. — Só estamos esperando você!
      — Eu já estou indo, Deidara — disse Sasuke olhando para Sakura. — Oi — disse com deboche. — Acho que nos vemos hoje a noite, na nossa tentativa de suicídio — ele disse passando por ela e saindo da lanchonete. 
      Sakura andou em passos rápidos até a mesa onde Sai assistia tudo de camarote. Sentou-se e deu um longo gole no suco, surpreendendo o amigo. 
      — Você já pode começar a se explicar — disse ele.
      — Explicar o que? — perguntou irritada. — Você já sabe que ele é o cara de ontem. A gente pode ir embora? — perguntou tentando fugir do assunto.
      — Podemos, mas primeiro eu quero comprar algumas coisas — disse Sai se levantando e indo até o caixa.
      Os dois andaram pela cidade a tarde inteira. Sai havia feito a compra do mês e Sakura estava surpresa por ele não ter estourado o cartão de sua mãe. Os dois foram embora as sete e meia, chegando na casa dos Haruno as oito. 
      O que surpreendeu Sakura foi quando ela viu o Impala 67 parado na frente de sua casa, com um Sasuke Uchiha e seu inseparável Marlboro em mãos. A primeira reação da jovem foi revirar os olhos enquanto Sai ria descaradamente. O filha da puta me ignora na lanchonete e agora aparece na minha casa? Pensou ela caminhando até a porta de entrada tentando ignorá-lo, mas não conteve seu olhar ao ouvi-lo chamar seu nome. Ela virou, o encarou e virou novamente, procurando sua chave no bolso da mochila.
      — Eu já estou indo embora — gritou Sai entrando no carro e dando partida.
      Mas é outro filha da puta! Ele tinha dito que iria dormir aqui hoje! Pensou enquanto sentia seu corpo ficar trêmulo ao procurar as chaves.
      — Entra no carro, vamos dar uma volta — ouviu Sasuke dizer atrás de si.
      — Não — respondeu ao achar as chaves e colocar a principal na maçaneta da porta.
      — Vou ter que te enfiar dentro do carro de novo, boneca? — perguntou ele, intimidando-a com o novo apelido. — Achei que a gente já tinha passado dessa fase.
      — Me joga dentro do carro e eu começo a gritar que nem uma louca — ameaçou vendo-o rir de seu comentário.
      — Querida, eu não sei se você percebeu, mas você é louca — ele disse pegando-a pelo antebraço e guiando-a para dentro do carro.    
      — SOCORRO... — ela começou a gritar tentando desvencilhar-se do aperto de Sasuke.
      Vendo que ela não ficaria de boca fechada, ele puxou-a com mais força e prensou o pequeno corpo entre o seu e o carro. A jovem calou-se de imediato e encarou os olhos castanhos a sua frente assustada e com sua adrenalina alta, sentindo cada parte de seu corpo colar no corpo dele e seus pelos se arrepiarem de uma forma que ela não conhecia.
      — Fica quietinha, Sakura — sussurrou ele fazendo com que seu hálito batesse contra o rosto de Sakura e ela se arrepiasse ainda mais. — Boa garota... Eu não vou te machucar, só quero te levar para dar uma volta — disse mantendo seu tom baixo. — Mas se você não colaborar a gente não vai poder se divertir hoje.
      Ao ouvir a fala do rapaz, Sakura percebeu o quão próximo seu rosto estava do dele. Era um milagre que seus lábios não se encontraram enquanto ele falava, já que os narizes se encontravam e os olhos também.
       — E qual vai ser a diversão de hoje? Vai me empurrar do penhasco ou se jogar comigo? — ela perguntou no mesmo tom baixo usado por ele, encarando-o nos olhos.
      — Não... você é estranha demais para viver — ele disse sorrindo sarcástico enquanto esticava sua mão para abrir a porta do carro e colocá-la dentro do mesmo. — Mas é rara demais para morrer — inquiriu entrando no veículo e dando partida.
      O Impala parou em uma rodovia abandonada da cidade. Havia muitos carros na mesma, carros estilosos e turbinados. Garotas e garotos com roupas curtas e grandes botas pretas dançavam em um pequeno palco improvisado, onde uma banda qualquer fazia covers de clássicos do rock. O som da música não conseguia abafar o alto ronco dos motores e dos pneus que queimavam no chão.  
      — O que estamos fazendo aqui? — perguntou Sakura, vendo dois carros darem partida e deslizarem em velocidade máxima pelo asfalto. — Isso é um tipo de corrida? — perguntou o óbvio.
      — É a Corrida dos Nômades — ele respondeu pegando-a pela mão e a puxando para o meio do pessoal.
      — Sasuke! Finalmente! — disse Deidara aproximando-se com uma garrafa de cerveja em mãos. — Já está quase na sua hora. Terá companhia hoje? — perguntou olhando para Sakura.
      — Sim, Sakura me acompanhará hoje — afirmou olhando-a também.
      — Acompanharei no quê? — perguntou confusa.
      — Na Corrida dos Nômades — disse Deidara apontando para os novos carros que deslizavam pelo asfalto.
      — Eu não vou em corrida nenhuma — ela disse olhando para Sasuke, que sorria. — Isso é coisa de louco!
      — Isso é coisa de louco e de suicida — disse Sasuke pegando um cigarro e dando um trago. — Eu sou o louco e você a suicida, o par perfeito para uma corrida! Essa é a nossa tentativa de suicídio de hoje, se não der certo nós tentamos amanhã de novo.
      — É a sua hora, Uchiha — disse Deidara.
      Sasuke pegou a jovem pelo braço novamente e a puxou em direção ao Impala, ligando-o e indo até a faixa branca, onde uma garota com cabelos ruivos esperava com uma bandeira na mão. 
      — Isso é loucura! — gritou Sakura tentando abrir a porta do carro ao ouvir o ronco feroz do Impala.
      — Por isso que é divertido! 
     — Pronto para perder hoje, Uchiha? — uma voz soou do carro ao lado de Sasuke, fazendo o mesmo virar-se e encontrar os ridículos cabelos cobertos de gel de Sasori. — Vejo que trouxe uma perdedora para lhe consolar — inquiriu referindo-se a Sakura.
      A rosada prendeu sua respiração e engoliu em seco. Sasori, o mesmo ruivo que destruíra sua vida, estava ali. Em seu carro vermelho esportivo e com Shion ao seu lado, sorrindo como a vadia que sempre fora. Sentiu-se insegura por um momento, uma vez que Sasuke não sabia que os outros dois a conheciam. 
      — O único perdedor aqui é você, Sasori — disse Sasuke com seu incrível e sarcástico tom. — Ou não se lembra do tanto de fumaça que inalou na última corrida?
      — É o que nós vamos ver, Uchiha — disse Shion. — Já achou outro para te comer, vadia? O que ele disse quando viu seus peitos pequenos? — perguntou com deboche.
      O rosto branco de Sakura ganhou um tom rubro no mesmo instante, em um misto de raiva e vergonha. Sasuke não sabia de seu passado — não tão passado assim — com Sasori, não até agora.
      — Disse que são mil vezes melhores do que esses seus siliconados — Sasuke tomou frente ao ver que Sakura havia perdido a fala. — Sabe, Shion, eu prefiro as coisas mais naturas... foi por isso que te dei um fora umas quinze vezes — inquiriu com deboche, vendo o rosto da loira ficar vermelho.
      — Vai se foder, Uchiha! — ela gritou. 
      Antes que Sasuke pudesse retrucar a altura, a ruiva que segurava a bandeira quadriculada acenou e contou até três, abaixando a bandeira com ânimo e tapando os ouvidos quando os carros passaram por si.
      O coração de Sakura parecia querer saltar do peito. Ela não teve tempo para pensar, o carro apenas deslizou pelo asfalto como os anteriores, mas parecia que estava muito mais rápido. Olhou para Sasuke e o mesmo fitava a longa estrada com um sorriso macabro — e muito bonito.
      Ele olhou para ela, que aparentava estar assustada, e sorriu ainda mais, levando sua mão até o rádio e ligando-o.
      — Relaxa, rosada! — inquiriu alto. — Coloca o braço para fora da janela! 
      Ela o olhou desconfiada e depois olhou para a janela. Em meio a seu pânico, não viu outra opção a não ser ligar o modo automático e levar seu braço para fora, sentindo o vento forte bater no mesmo. Olhou para a janela novamente e constatou que não conseguia distinguir nada que estava do lado de fora do carro, era como se nada existisse. Sasori e Shion não davam o mínimo sinal de vida e tudo melhorou quando a melodia que tocava no rádio passou a ser Shoot To Thrill, do AC/DC. 
      Ela sorriu. Não, ela gargalhou. 
      O momento era bizarro. Mas era o bizarro mais normal e lúcido que ela já havia vivenciado. Sasuke, ao ver a crise de riso da garota, sorriu sem mostrar os dentes e acelerou ainda mais o veículo, fazendo com que Sakura conseguisse ver os faróis do carro vermelho pelo retrovisor. Ela ria como se o mundo fosse acabar e se olhava para o moreno, que a fitava sorrindo, rindo ainda mais. Seu foco voltou a ser a estrada distorcida, que parecia passar em câmera lenta, e o sorriso encantador e psicótico de Sasuke, que levou seu braço esquerdo para fora do carro também e mostrou seu dedo médio para o carro que havia deixado para trás.
      — Shoot to thrill, play to kill! To many women and to many pills, yeah! — ela cantarolou quando colocou seu braço para dentro do veículo e mexia os ombros em uma dança engraçada e descontrolada. 
      — Shoot to thrill, play to kill! I got my gun at the ready, gonna fire at will — ele continuou balançando sua cabeça de um lado para o outro.
      — 'Cause I shoot to thrill, and I'm ready to kill! I can't get enought, I can't get my thrill! — cantaram juntos e, por um milésimo de segundo, Sakura pôde ver a faixa que anunciava o fim da corrida no chão. 
      O carro não parou. Eles continuaram dançando de um jeito estranho e divertido, por muitos quilômetros, pouco se importando em esfregar a vitória na cara de Sasori e Shion. Aquele momento era muito mais do que aquilo para Sakura e Sasuke sabia disso. Ele estava dando a ela um dos melhores — se não o melhor — momentos de sua vida, e ele não deixaria duas pessoas insignificantes atrapalharem aquilo.
      A sensação para ele era nova e diferente. Nunca havia se interessado por alguém daquele jeito, nunca havia se importado. Mas, ao ver aquela garota na beira do precipício onde ele mesmo já havia tentado suicídio, o fez pensar. Ele se via nela, de certa forma. Ele sabia o que havia passado e queria torná-la igual a ele, inquebrável. Sasuke não se importaria de levá-la em mil tentativas de suicídio como aquelas, ele não temia a morte e queria ensiná-la a não temer também. Eles estavam ambos na beira da glória, na beira da morte e na beira da vida.
      A noite já estava em suas horas mais escuras. Sakura pediu para Sasuke levá-la para casa, uma vez que teria aula no dia seguinte, e ele assim o fez.
      — Você conhece Sasori da onde? — ele perguntou quando já estavam próximos a casa dos Haruno.
      — Ele foi o babaca que tirou minha virgindade e esfregou o quão inexperiente eu era e o quão pequenos são meus peitos na minha cara... e na cara da escola inteira — ela disse após um suspiro, desviando seu olhar para a estrada. — E você? Da onde conhece ele?
      — Sasori sempre foi um idiota, não se preocupe com isso, vai passar — comentou Sasuke. — Eu o conheci nas corridas. Ele sempre foi o filhinho de papai que acha que sabe correr. — Bom, acho que a nossa tentativa de suicídio de hoje não deu muito certo — ele disse com uma falsa feição triste. — Te vejo amanhã, para tentarmos novamente — disse e Sakura abriu a porta do carro.
      — É... amanhã nós tentamos de novo — inquiriu e virou-se para entrar na casa, ouvindo o barulho do Impala enquanto o mesmo se afastava.
      Sakura passou pela porta e respirou fundo. Ao olhar para a sala e a cozinha, não achou ninguém, o que a fez acreditar que seu pai havia ido para a casa de Yumi. Subiu as escadas em passos longos e chegou em seu quarto, retirando a blusa de frio e indo até o banheiro encontrar suas pílulas de ferro.
      Ela encarou os medicamentos em seu armário e depois olhou para a lâmina em sua pia. Por culpa de Sasuke Uchiha, não se cortava há dois dias, o que era um avanço. Ouviu batidas na porta e seu corpo deu um pequeno salto, já que jurava estar sozinha; caminhou até a porta e a abriu, vendo seu pai com um olhar curioso e furioso.
      — Aonde você estava? — ele perguntou encarando-a. — Sabe que horas são? 
      — Ontem eu nem em casa dormi e você nem notou — ela disse enfrentando-o. — Por que não foi para a casa de Yumi hoje?
      — Porque ela irá morar aqui. Se você fosse uma filha mais presente saberia disso — comentou com escárnio vendo a feição da jovem ficar irritada.
      — Mais presente? — perguntou indignada. — Pai, eu estou aqui sempre! Eu sempre estou aqui quando você decide passar quatro noites seguidas na casa da Yumi; eu sempre estou aqui quando você vai para a casa dela e esquece de me deixar com comida; eu sempre estou aqui quando você esquece que eu existo e decide fazer um "jantar em família" com a família da Yumi... — disse aumentando seu tom e sentindo sua face ficar vermelha. — Eu... eu sempre estou aqui... ao menos eu sempre estava — disse desviando seu olhar e sentindo a primeira lágrima escorrer por seu rosto. 
      — Como você consegue ser tão dramática quando sua mãe? — ele perguntou sem deixar seu posto de frieza. — Nenhuma das coisas idiotas que você disse são um motivo para você chegar em casa as três da manhã!
      — Eu poderia muito bem ter ficado aonde eu estava! Mas eu estou aqui, não estou? Então quando você não estiver ocupado demais na casa da sua noiva e perceber que eu cheguei tarde em casa, não me pergunte onde eu estive! Apenas conte as suas estrelinhas, eu estou em casa novamente — inquiriu irritada. 
      — Você deve estar dormindo na casa de algum homem por aí... veja só, é igualzinha sua mãe!
      — Quando você vai parar de me culpar pelo fato dela ter lhe abandonado? — perguntou chorando. — Eu não sei se você sabe, MAS ELA ME ABANDONOU TAMBÉM! — gritou vendo seu pai dar um passo para trás e outro para frente, acertando-lhe um tapa estalado no rosto e fazendo o corpo da jovem ir de encontro com o batente da porta de madeira. 
      Sakura olhou assustada para o homem a sua frente. Já não bastava apanhar dos alunos da escola agora teria que apanhar do próprio pai também? Ela o olhou novamente e entrou em seu quarto, batendo a porta num estrondo e trancando-a. Foi em direção ao banheiro e olhou novamente seus remédios e sua lâmina.
      Sua asma estava atacada e ela respirava como se não houvesse mais ar na atmosfera. Pegou a bombinha azul e deu uma longa tragada, sentindo seu corpo se estabilizar novamente. Ficou tonta, muito tonta, e caiu de joelhos no piso frio, arrastando-se até a parede e ficando lá, acolhida e frustrada, perguntando-se o porquê de tudo aquilo.
      Esticou sua mão até a pia, pegando a lâmina e encarando o pequeno objeto. Em questão de segundos, a dúvida de sempre estava em sua mente. Não sabia o que fazer. Não sabia se fazia. Criou coragem e passou a lâmina em seu pulso, fazendo ali duas linhas horizontais. Viu o contraste criado entre sua pele branca e o vermelho escuro de seu sangue e fez mais um corte. 
      — Achei que todas as nossas tentativas de suicídio seriam juntas — ouviu a voz de Sasuke soar perto da porta do banheiro e deu um salto assustada, fazendo a lâmina cair no chão.


Notas Finais


Gostaram? Alguma dúvida?
Comentem e favoritem, por favor!
Link de Shoot To Thrill: https://www.youtube.com/watch?v=xRQnJyP77tY
Beijos!!!


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