História Gods And Monsters - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Angst, Bolchevique, Colégio Interno, Darkfic, Drama, Dusclops, Horror, Internato, Long-fic, Mistério
Exibições 7
Palavras 3.094
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Super Power, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yuri
Avisos: Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


ola bom dia
são quatro da tarde, mas eu não ligo
a minha prova importante já passou, e juro pra vocês que isso me deu um alívio do caralho, apesar de que eu acho que não fui tão bem assim quanto eu precisava ir; não sei, vou ver ainda quando sair a nota.
sobre o capítulo, escrevi ele ouvindo uma imensa seleção de músicas, mas a que eu quero recomendar é Drifting, do ON AN ON (Rac Mix); é uma música muito boa e que me agrada bastante.
sobre os avisos:
não tem nada que possa ser considerado chocante, porém eu mexo um pouco com uma questão que pode causar sérias dores no ego ou em sei-lá-quê. lembrando que, se você se sentir ofendido, bulinado, maltratado, injuriado, por qualquer coisa que eu falei, peço desculpas, porque não tive a intenção de fazê-lo.

queria desejar uma boa leitura e é nois

Capítulo 4 - IV: Monsignor


               Cruzar olhares com os alunos não era uma coisa boa, aquilo Mary-Elizabeth entendia muito bem, desde seu primeiro dia de aula. As intenções pareciam ser as mesmas: a de que todos ali queriam trucidá-la. Olhava para todos aqueles olhos e por trás enxergava lobos famintos, prontos para devorá-la caso a encontrassem longe da Irmã Laura ou de Uziel. Parecia um cão acovardado se escondendo atrás de uma freira ingênua como Laura, mas era a única opção quando se encontrava diante de um ringue de vale-tudo.

               Ficava no pátio, sentada quase em frente à porta, nos degraus que levavam a ela, vendo aquela cerca. A cerca protegia o internato de Burkhard como um invólucro, protegendo as pessoas dos internos, e muito, muito mais à frente, existiam os muros. Mary os havia enxergado quando chegara no dia anterior. Estava encarcerada lá dentro, naquele ninho de feras, vendo-os conversar em seus grupinhos isolados pelo cruel sistema de castas existente ali, que estava explícito a ela desde o momento em que trocara olhares com os primeiros estudantes que vira.

               O sol se punha em tons rosados intensos, misturados com um feroz laranja vivo, fazendo o céu pegar fogo, trazendo uma noite gelada de ventos congelantes que se insinuava nos ventos. E Mary olhava para o céu, admirando todo aquele espetáculo.

               O céu que se erguia por cima do mundo e por cima do colégio conseguia lhe deixar ainda pior; a beleza intensa piorava seu visual carcerário. Burkhard havia sido construído no meio de uma grande área rural, afastado demais do centro da cidade e até mesmo dos pequenos resquícios de civilização. Os muros que cercavam quase toda a propriedade apareciam logo na entrada do terreno, com um imenso portão fechado no desvio da rodovia que ligava o mundo àquela espécie de reformatório, àquela grande aberração de tijolos e telhados pontudos.

               Pensou em dar uma volta pelo colégio, afinal, Uziel, seu mentor, ainda não tinha retornado de sua ida ao doutor Grewell — e já que não havia sido autorizada ainda pelos exames do psiquiatra Baldwin a participar das aulas, não teria coisa melhor para fazer.

               Levantou-se e ninguém pareceu perceber seu súbito movimento; todos os alunos ali eram centrados demais em suas vidas e em seus círculos sociais que jamais olhavam para os outros sem antes mirar seus próprios umbigos. Girou trezentos e sessenta graus lentamente, vendo que toda aquela extensão era cercada pela cerca de metal, e que não havia escapatória senão pela... havia uma escapatória. Ela existia, e era pela lateral leste do colégio, e estava vazia.

               Ajeitou a saia do uniforme — uniforme terrivelmente puritano, com uma longa saia de pregas azul-marinho, de cintura alta, com uma camisa social branca claríssima, rigidamente fiscalizada — e caminhou até a lateral leste, muito próxima a um grande pinheiro onde muitas pinhas apinhavam-se aos seus pés.

               Chegou à passagem lateral e ninguém a havia notado ainda. Adiantou-se e atravessou a passagem de largura razoável, passando no meio da cerca e da parede atijolada do bloco, pisando a terra batida com seus sapatos engraxados, que possivelmente sujaria suas meias. O colégio em si limitava as meias das garotas a meias três quartos brancas, uma escolha deveras ruim, já que a terra do pátio, sempre poeirenta, tendia a grudar-se nas meias branquinhas com mais facilidade, e Mary-Elizabeth via-se constantemente suja de poeira.

               Olhou por cima da cerca enquanto caminhava, vendo uma floresta de pinheiros secos, sem folhas, estendendo-se até onde seus olhos podiam alcançar — e muito além. Não via muito dela por não ser alta, e também não via problema em ser desprovida de altura, chegando a mínimos um e sessenta.

               A passagem era longa, porém não chegava a ser exaustivamente comprida; Mary acreditava ter andado, pelo menos, noventa metros até chegar num espaço aberto, onde uma grama alta crescia, e o muro se erguia sem pintura e cheios de muitas rachaduras. Naquela parte, muitas e muitas pichações recobriam o muro. O destaque, no meio de tudo, era um grande desenho de uma cabeça sendo flechada, e o boneco em questão tinha os olhos em forma de xis, com a boca triste e língua para fora; ao seu lado, um trecho de uma música estava escrito com spray vermelho. Na terra dos deuses e dos monstros, eu era um anjo, leu, parando para explorar mais aqueles desenhos.

               Correu os olhos pela parede, encontrando diversas pichações diferentes. Algumas pareciam tão velhas que estavam apagadas em algumas partes, enquanto outros desenhos apareciam por cima. Quanto mais olhava, mais desenhos pareciam surgir; frases e trechos de músicas escritos com corretivo apareciam em meio a grandes assinaturas. Por um momento, desejou ter uma lata de spray ou até mesmo uma caneta de corretivo para deixar sua marca por ali.

               Um barulho suave de um graveto se partindo fez com que Mary perdesse sua atenção; num sobressalto, virou-se para trás, na direção do som. O prado de grama pisoteada não muito extenso dava num pequenino bosque verde, com seus pinheiros escuros exalando um cheiro emadeirado, e era de lá que viera o som; alguma coisa estava se movendo.

               Atentou os ouvidos, e o barulho — que, de tão delicado, assustava tanto — soou mais uma vez. Mary-Elizabeth deu um passo para trás, levando a mão para tocar o muro e sua quina, pronta para disparar numa corrida caso ouvisse vozes ou se, de súbito, aparecesse uma irmã do meio do mato. Sua respiração gelava os pulmões; estava quase arfando conforme os passos se aproximavam, de leve, como se parassem por um segundo a cada passo para ouvir os corvos que, de muito longe, grasnavam.

               E então, aquilo saltou do mato alto, aparecendo em seu campo de visão de repente. A corrida engatilhada murchou assim que Mary viu que o que lhe assustara era apenas um coelho selvagem.

               O animalzinho trotou levemente até uma pilha desordenada de galhinhos finos, caída a poucos centímetros de onde estava. Cheirou rapidamente, mas não fez nada. Seus olhos apenas vagavam pelo gramado, não viraram um segundo para olhar Mary-Elizabeth ou olhar em volta; por alguma razão, aquele coelho se sentia confiante e seguro demais: não a tinha notado ali ainda.

               Mary caçou rapidamente, pela grama, alguma coisa para estender ao bichinho. Quando era criança, lembrava-se de que costumava alimentar os coelhos selvagens que apareciam perto de sua casa, e ver um bem ali era a primeira sensação feliz — ou algo próximo de uma sensação feliz — que sentia em Burkhard.

               Viu que pisava em um tufo de azevém, e, calmamente, abaixou-se e arrancou uns ramos. Costumava alimentá-los com sementes, mas o que encontrara ali também servia; lançou um olhar na direção do animal e estendeu a mão.

               — Ei, amigo — Murmurou, e o coelho prestou atenção em sua voz, obviamente sem saber o que ela dizia. Jogou fracamente um raminho na direção do coelho, que se espantou com o movimento e quase escapou, mas logo foi atraído pelas sementinhas do azevém.

               A pequena criatura cinzenta hesitava a cada passo que dava; as orelhas estavam eretas, e os olhinhos pretos eram fixos em Mary-Elizabeth, e só hora ou outra miravam o tufo de ramos com as sementes de azevém.

               Mary esticou o braço mais poucos milímetros na direção do coelho; seu focinho farejou mais uma vez os ramos, e, num último salto, ficou perto o suficiente para se colocar nas duas patas.

               E, num súbito, o coelho virou a cabeça para o lado, para o lado esquerdo de Mary-Elizabeth; o animal ficou estático, e prestava toda sua atenção na figura que vislumbrara. Mary virou-se também, no intuito de ver o que afligia a criatura, e o homem alto de batina preta apareceu em seu campo de visão; não estava muito longe, mas não tão perto. A proximidade era suficiente para que Mary-Elizabeth o visse esboçar um sorriso. Aquele padre era o Monsenhor Arthur, o diretor do Instituto. Resumidamente, estava encrencada.

               Pôs-se de pé num instante, e o coelho rapidamente disparou para dentro do mato, em fuga, assustado. Largou os ramos de azevém, ainda com os olhos fixos no Monsenhor, que acompanhara o coelhinho em sua fuga.

               — A obra de Deus é maravilhosa, não acha? — Suspirou, colocando as mãos para trás casualmente — O que veio fazer aqui, senhorita Wallace? Sabe que os alunos só podem ficar no pátio, não sabe?

               O Monsenhor era o administrador de Burkhard, juntamente da Irmã Astrid; a diferença entre os dois era que Arthur possuía mais poder dentro da instituição, e era visivelmente uma autoridade não-autoritária dali, diferentemente de Astrid, que conquistara seu respeito impondo-o, e só o tinha por medo, insegurança dos alunos.

               Sua postura formal e impecável talvez fosse demais para alguém com aquela idade — Mary-Elizabeth pensava que teria, no máximo, trinta anos —, especialmente com o peso de uma cruz de prata em seu pescoço, reluzindo em seu peito; não sabia explicar a estranheza que aquele padre lhe causava.

               — Eu... — Por um momento, havia se esquecido de responder; engoliu em seco desajeitadamente, respirando fundo para não se atrapalhar inteira no que falaria. Retomou: — Estava procurando Uziel. Ele disse que voltaria, e já faz um tempo que saiu e eu resolvi dar uma volta. Desculpe, Monsenhor.

               Não era mentira porque continha um quarto de uma verdade; Uziel de fato sumira, e estava completamente sozinha naquele pátio desde seu sumiço. Não se importava o suficiente com Uziel para ir procurá-lo pelo colégio em que estava há menos de quatro dias, no entanto.

               O Monsenhor pareceu considerar sua afirmação, meneando levemente a cabeça. Ele havia acreditado. Desfez o semblante sério num leve sorriso, dando uma rápida olhada num simples relógio de pulso que trajava.

               — Já conhece a capela, senhorita Wallace? Ainda tem tempo caso queria vir — Convidou o Monsenhor educadamente, apontando levemente para leste, onde um telhado não muito alto despontava por entre as árvores, com uma cruz no topo reluzindo os raios solares, funcionando como um farol.

               Aceitar ou não; duas vertentes que seguiriam por caminhos distintos. Aceitar a companhia do padre e ir até a capela não era muito convidativo, ainda mais para Mary-Elizabeth, que, quanto à religião, era bem resolvida; por outro lado, caso recusasse, o Monsenhor poderia expulsá-la dali e criaria uma espécie de alerta a cada vez que a visse. Obviamente, Mary-Elizabeth não construiu o raciocínio dessa maneira; apenas assentiu com a cabeça, abrindo ao Monsenhor um doce e leve sorriso que pareceu fazer seus olhos castanhos tilintarem, brilhantes.

               — Acho que não seria uma má ideia — Complementou, vendo o padre menear a cabeça, possivelmente contente com a resposta.

               Caminhou na direção do Monsenhor e parou a sua frente, vendo como ficava pequena diante de sua pessoa. Sempre ficava muito baixinha perto dos outros, até mesmo de Uziel, que mesmo não tendo uma altura significativa, ainda conseguia ser mais alto do que seus meros um e sessenta.

               — Temo que não tenha visitado essa parte do colégio ainda — Arriscou o Monsenhor, vendo Mary-Elizabeth confirmar, balançando a cabeça em negativa — Eu imaginei. Só algumas turmas podem vir aqui na hora da Educação Física, deve ser por isso que a senhorita não veio. É por aqui.

               O padre tornou a caminhar, atravessando o campo de terra batida num andar lento; Mary-Elizabeth acompanhava-o, andando a sua direita, enquanto corria o olhar por todo aquele amplo espaço aberto, que deveria servir de quadra para os alunos, visto que as traves de futebol se encontravam por lá, um tanto enferrujadas, mas estavam lá.

               Indo um pouco adiante, de onde o coelho havia saído, havia um espaço mais rico em grama e mato e algumas árvores verdes, que, dados vinte passos, terminava na cerca. Alguns bancos malfeitos de cimento situavam-se longe o suficiente da cerca para que ninguém tivesse a audácia de tentar pulá-la utilizando-os; o par de bancos também se encontrava pichado, assim como o grande muro atrás do qual estava aquele espaço, pertencente ao bloco principal.

               — Como passou seus primeiros dias, senhorita? — Perguntou o padre, fazendo sua voz suave se sobressair sobre um longo e distante uivo de lobo; a floresta chiava com a brisa fraca, um som estranhamente agradável aos ouvidos de Mary.

               — Conversei com a Irmã Laura nesses dias — Suspirou, tratando de ensaiar um sorriso para o Monsenhor, que prestava atenção em sua face ao mesmo tempo em que caminhava. Ao mesmo tempo em que uma parte de si conduzia a ação sem problemas, a outra condenava a descarada falsidade, e esta última, Mary-Elizabeth ignorava. Complementou: — E com o Uziel.

               — Ele é um rapaz excelente, não acha? — Arthur parou em frente a um portão com pesadas correntes em volta de seu trinco enferrujado. Afastou algumas delas e empurrou o portão aparentemente pesado, com diversos furos causados pela oxidação do ferro em áreas localizadas. Indicou a passagem com um leve aceno de cabeça: — É por aqui.

               O portão, que curiosamente se encontrava sem cadeado no momento, abria-se para um caminho de terra batida pelo meio das árvores secas, altos pinheiros grossos e antigos. Três pessoas transitariam lado-a-lado por aquele caminho com facilidade, o problema seriam as grandes pedras que se prostravam na trilha; brancas e lisas, rodeadas por montes de cascalho e pedras menores. Mary-Elizabeth encarou o caminho e não repreendeu o olhar preocupado que lançou ao Monsenhor.

               — Não é perigoso, esse caminho é curto, nem precisa se importar em lidar com as pedras por muito tempo, prometo.

               Mary hesitou por um segundo, porém atravessou para o outro lado da cerca, e ouviu o Monsenhor ir atrás, fechando o portão após passar também para o outro lado.

               Seguiram caminhada, um do lado do outro. Mary-Elizabeth desviava das pedras com facilidade, eram grandes e facilmente desviáveis, e com um considerável espaçamento entre uma e outra. Contou-as e passou por quatro no total, até a trilha se tornar lisa, apenas de terra e pequenas pedrinhas.

               — Uziel... Ele é um ótimo garoto — Voltou a comentar o Monsenhor, quando as pedras acabaram — Eu o escolhi para ser monitor dos novatos, ele é um dos melhores alunos de Burkhard.

               Mary-Elizabeth não disse nada, e permaneceu em silêncio enquanto o padre falava de Uziel e seus feitos, até que finalmente chegaram à capela.

               O grande gramado se estendia por dez metros até dar de cara com a floresta em sua imensidão seca e cinzenta. E havia a capela, uma construção alvenaria velha, mas em bom estado, com uma cruz em sua torre mais alta, reluzindo o fim do espetáculo de fúria avermelhada que o pôr-do-sol apresentava no céu. À frente de sua estrutura, existia uma estreita calçada de pedras apenas encaixadas, por onde o musgo crescia, vindo de seus vãos e rachaduras.

               Monsenhor deu-lhe passagem, e Mary-Elizabeth adentrou a construção que jazia vazia, com suas portas abertas para ninguém.

               O mármore das colunas esfriava todo o local amplo, com um teto abobadado que de erguia muito acima de sua cabeça; os bancos de ébano agrupavam-se em fileiras, longos, pesados, imóveis. Muitos vitrais iluminavam a capela e tapeçarias decoravam as paredes; cenas bíblicas bordadas pareciam vir dos céus, penduradas no limite da parede e do teto, com longas franjas douradas.

               O tapete sobre o qual pisava era vermelho-sangue, e o revestimento de madeira escura da pintura dividida apenas realçava o quão vivo era; Mary-Elizabeth para quê toda aquela elegância servia, se ninguém estava apto a aproveitá-la.

               — Aqui são realizadas algumas missas e comemorações — Informou o padre, fazendo sua voz ecoar fortemente nas paredes da capela vazia; a força de sua voz sofrera radical mudança; de calma, tranquila e baixa, fora para forte e trovejante, animada. Mary-Elizabeth viu-o caminhar até o altar, dando uma olhada para trás, no grande monumento de uma cruz. Encontrou Mary com os olhos: — Você tem alguma religião, Wallace?

               Começou a caminhar lentamente na direção de Arthur, ainda meio atônita com aquela exuberância toda que a capela parecia não trazer se vista do lado de fora; sentou-se na primeira fila de banco, logo em frente ao altar, cruzando as pernas casualmente.

               — Meu pai era muito católico e eu sempre fui religiosa — Respondeu, pensando até que horas da noite ficaria em claro por crise de riso. O Monsenhor ergueu as sobrancelhas, curioso.

               — Deveria vir para a missa, então — Sugeriu o padre — A Irmã Laura poderia lhe mostrar os horários, se quisesse.

               — É claro — Deixou escapar um risinho, e o Monsenhor acompanhou-a, ingenuamente. Mary-Elizabeth percebera naquele instante que nem todos os adultos eram como seu pai, o próprio detector de mentiras; deixava de lado o fato de que se sentia meio mal por estar fazendo aquilo e de que queria muito cair na gargalhada.

               — Se precisar se conf...

               Na mesma hora em que o Monsenhor faria sua pergunta, alguém entrou na igreja correndo e interrompendo-o, aos berros, chamando pelo diretor como se estivesse prestes a ser morto guilhotinado. A figura de Uziel Holwarth entrou fazendo um escândalo que ecoou pela capela inteira:

               — Monsenhor! Monsenhor! Monsenhor, a Irmã Laura teve um desmaio e...

               O jovem parou no meio do corretor num súbito, calando-se nesse mesmo momento ao ver que Mary-Elizabeth estava na primeira fila, olhando-lhe com espanto, e que o diretor estava apoiado no altar com uma cara de desaprovação visível, encarando-lhe diretamente.

               — Desculpe — Arfou, provavelmente cansado pela corrida.

               — Uziel, estamos na casa do Senhor — Repreendeu Arthur com um tom de voz mais firme, porém não gritando ou esbravejando; pareceu suplicar: — Mais respeito, por favor.

               Uziel, estacionado no meio do caminho com o rosto ruborizado, murmurou outro pedido de desculpas, e deu uma rápida olhada para Mary-Elizabeth com seus belos olhos de esmeralda polida sendo quase tapados por mechas de cabelo negro que caíam diante deles. Lábios finos se entreabriam para que pudesse respirar melhor, mas logo se fecharam, e sua respiração apenas ficou pesada; cruzou os braços fortes sobre o peito uniformizado, e voltou a olhar para o Monsenhor:

               — A Irmã Laura desmaiou — Repetiu, levando a mão para a testa para, rapidamente, tirar os cabelos da frente dos olhos; continuou: — Elliot e Joseph assustaram ela com um rato morto. Jogaram em cima dela, na verdade.

               O Monsenhor suspirou, não percebendo que Mary-Elizabeth ria baixinho por ter imaginado a cena belíssima da freira caindo desmaiada por ter sido atingida por um rato morto.

               — Chame o doutor Grewell, então, se não atenderam ela ainda — Arthur pediu e Uziel assentiu na mesma hora; o padre olhou de relance para Mary-Elizabeth — E leve a senhorita Wallace para vê-la, ela vai precisar de companhia.

               — Sim, senhor — O jovem assentiu de maneira vivaz, e observou Mary-Elizabeth se levantar e ir até ele, acenando com a cabeça em resposta à suave despedida proferida pelo padre. Parou diante do rapaz e ele fez um sinal com a mão, indicando que sairiam naquele momento à procura do doutor Grewell.


Notas Finais


eu revisei mais ou menos o capítulo, então se eu comei um erro terrível e deixei passar, flodem minha MP pra eu arrumar isso.


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