História Good Enough - This Town - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Nina Dobrev, One Direction
Personagens Harry Styles
Visualizações 289
Palavras 4.801
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Demorei, eu sei. Perdão! Tô em fim de semestre na faculdade, mas jamais abandonaria vocês! Espero que gostem desse capítulo porque eu amei demais escrevê-lo. Eu sou péssima com esses títulos de capítulo, me perdoem por isso também, mas não achei uma analogia melhor para o que acontece nele haha
LEIAM AS NOTAS FINAIS E BOA LEITURA!

Capítulo 17 - Wrecking Ball


Fanfic / Fanfiction Good Enough - This Town - Capítulo 17 - Wrecking Ball

"Eu cheguei como uma bola demolidora
Nunca me apaixonei dessa maneira
Tudo que eu queria era romper suas barreiras
Tudo que você fez foi me deixar em pedaços
Sim você, você me destruiu"

(Miley Cyrus - Wrecking Ball)

 

HARRY

O silêncio que se seguiu foi, no mínimo, constrangedor.

Todos pareciam reversar os olhares entre mim e Vic numa tentativa de decifrar o que minha postura defensiva tanto teimava em esconder. Ela, ao contrário, apesar de ter engolido em seco, ergueu o queixo pronta para falar.

- Niall eu...

- Vic... – chamei seu nome tentando fazê-la cair em si porque as consequências daquilo não seriam boas, mas ela pareceu não dar-me ouvidos.

- Eu não queria que isso tivesse acontecido – continuou – Juro que seu pudesse voltar no tempo... – balançou a cabeça.

- Do que você está falando? – Niall franziu a testa – E porque Harry está com essa cara?

- Puta merda – Liam deixou escapar ao perceber o que eu estava tentando esconder, acho que adivinhou pelo modo com que eu e Vic parecíamos tão culpados.

- O que? – Zayn perguntou olhando de um lado para o outro – O que eu estou perdendo?

- O que nós todos estamos perdendo, você quis dizer – Louis o corrigiu com uma carranca – Eu ainda não estou acreditando que vocês... – entortou o nariz e me olhou com repulsa – Como puderam fazer isso com Niall e... – hesitou antes de terminar a frase - ...com ela?

- Ela? O que ela tem a ver com isso? – retruquei mesmo sabendo o que ele responderia.

- O que ela tem a ver com isso? – repetiu a pergunta com uma entonação repulsiva – Ela foi o amor da sua vida, seu idiota. Foi uma das melhores amigas da Vic. Quem sabe até ainda é isso tudo, não é?

Bufei – Ela deixou de ser tudo isso a partir do momento que foi embora.

- O foco não é esse, porra! – Vic falou em exasperação – A questão aqui é que Harry e eu erramos e...

Niall soltou um barulho engasgado, um som irregular e cortante que brotou do fundo da sua garganta. Aquilo pareceu ser a confirmação de que tinha entendido.

- Você não está querendo dizer que...? – apontou para nós dois, a voz num sussurro que mal dava para ouvir.

Meus olhos se fecharam e um suspiro de derrota saiu por meus lábios quando Vic se aproximou dele repetindo sem parar que sentia muito. Tudo aconteceu muito rápido a partir dali, Liam levantou-se na medida em que Niall começava a caminhar para longe de Vic, os ombros tremendo e o olhar fixado em mim.

Louis pediu para Vic deixar Niall quieto e Zayn tentou leva-la para longe porque seu choro alto estava chamando atenção de alguns trainees. Não consegui falar nada, minha garganta estava travada e meus olhos se arregalaram quando, ao ir para trás, Niall esbarrou em uma cadeira e, na medida em que Vic conseguiu tocá-lo, ele se esquivou pegando a primeira coisa que viu – uma bandeja repleta de comida – e a jogou no chão, aos pés dela.

A bandeja se espatifou no chão, alguns pedaços metalizados fizeram Vic soltar um grunhido surpreso de dor. Zayn conseguiu segurar em seus ombros antes que ela tentasse ir atrás de um Niall com olhos marejados tirado dali por Liam.

- O que porra você e Vic estavam pensando quando transaram? – Louis só abaixou a voz na ultima frase enquanto me seguia pelo corredor em direção ao quarto. Sai do refeitório com passos largos, minha cabeça rodando sem saber o que fazer ou pensar.

- Nela – respondi sem hesitar, traía a mim mesmo ao admitir isso.

- O que? – ele perguntou em exasperação assim que entramos no quarto, fechando a porta atrás de si com força – Que caralho de desculpa é essa? Você é um filho da puta com seu amigo e com... sim, nem me olhe com essa cara, você foi um filho da puta com a Charlie sim.

- Charlie? Você ainda chama a mulher que nos abandonou desse jeito?

- Foda-se, Harry! – ele grunhiu e eu adicionei a nota mental de me lembrar que Louis falava mais palavrões que o normal quando ficava nervoso e irritado – Ela foi uma vadia, ok? Mas isso não significa que você tem que devolver desse jeito! Não com a Vic, porra!

Joguei-me na cama, o rosto contra o travesseiro e por isso minha voz saiu abafada – Se serve de consolo, Vic estava pensando no Niall quando aconteceu.

Senti algo sendo jogado nas minhas costas e só quando virei o rosto percebi que Louis havia lançado um travesseiro em mim.

- Minha vontade é bater em você, seu idiota – rosnou – Vocês dois não precisam inventar desculpas a essa altura.

- Eu não fiz sexo com a Vic porque a desejei, Louis. Claro que eu a acho gostosa. Vic é linda. Mas nada disso fez com que eu a levasse pra cama...

- Você fez isso aqui no quarto? – ele me interrompeu – Seu nojento! Eu durmo na cama ao lado!

- Eu sei que fiz merda, Louis – continuei – Uma merda horrível. Mas não foi planejado, me deixei levar pelo momento e na minha cabeça era com ela que eu estava fazendo.

Ele suspirou – Eu estou com raiva de você no momento, não me olhe com essa cara que não irei sentir pena,

- Sou um idiota que ainda está apaixonado por ela – admitir aquilo foi como tirar um peso dos meus ombros. A partir do momento que aquelas palavras saíram da minha boca, uma chuva de outras confissões vieram – Eu estou aqui tentando ser bom para provar a ela que consigo, entende? Consigo viver no mundo dela, eu sou capaz. A quem quero enganar? O FBI, os testes aqui, tudo são para provar mais a ela do que a mim.

As palavras saíram rápidas e Louis não tentou me impedir de tropeçar em cada silaba – E admitir isso só mostra o quão fraco eu sou, entende? Não consigo fazer nada por mim mesmo ou pela minha família. Minha irmã e mãe estão mortas e eu não consegui nem me sentir de luto por elas, não tive tempo para isso. Meu pai é um filho da puta que fugiu sem dar notícias e eu me sinto perdido aqui dentro, tentando sempre ser quem eu posso nunca chegar a ser.

- Essa ultima parte ficou meio confusa, mas eu entendi seu ponto – ele tentou brincar, mas, quando viu que minha expressão permaneceu impassível, não falou mais nada.

- Agora eu tenho Niall com raiva de mim, provavelmente querendo sair de Quântico por causa disso e sabe lá o que vai ser da vida dele se isso acontecer. Vou ter sempre esse peso na minha consciência.

- Não vamos deixar que Niall faça isso, Harry. E acho que você está o subjugando, Niall não é mais aquele nerd. Ele me surpreendeu aqui em Quântico,

- Ele não vai me perdoar, Louis.

- Mas também não vai deixar que isso atrapalhe a carreira dele aqui dentro. Niall está mais focado, sabe que o futuro dele só depende de si próprio.

- Não quero que ele me trate como um estranho – resmunguei enquanto coçava os olhos  – Não queria que nada disso tivesse acontecido, céus.

- Mas aconteceu e agora você terá que lidar com isso – disse – E, se quer saber minha opinião, não acho errado você ainda estar apaixonado por ela. Eu também não consigo odiá-la com tanto afinco como antes, eu tento me colocar no lugar dela o tempo todo e, Harry, eu... – balançou a cabeça – Não sei se teria força para aguentar metade do que ela aguentou.

- Ela quebrou meu coração e minha vida.

- Fez o mesmo comigo também, não quero vê-la, mas não a odeio. Acho que sente o mesmo pelo seu pai, não é? Ainda iremos descobrir o que houve com ele, ninguém pode simplesmente sumir assim.

Bufei – Ele escondeu a filha da Charlotte por todo esse tempo, claro que pode sumir também.

- Seu pai fez uma confusão e tanto, não é? – percebi o quão cansado ele estava de tudo aquilo quando relaxou a postura e seus ombros caíram – Meu time nunca mais será o mesmo depois de tudo isso que aconteceu.

- Ser agente do FBI é uma coisa e tanto, Louis.

- Trocaria tudo isso pelo que tinha antes. Não faz ideia de como era bom se sentir útil estando naquele time. Éramos uma família.

- Ainda podemos ser uma – insisti – Ela não está aqui, mas...

- Eu sei – ele me interrompeu em um tom que deixava claro que não queria mais falar sobre aquilo, levantou-se da cama e entrou no banheiro sem dizer palavra alguma.

Estava exausto por causa de tudo que houve com relação a bomba e Niall, mas, conforme a noite caía, não consegui pegar no sono. Estava virando uma rotina ter noites de insônia, as olheiras em meu rosto demonstraram isso quando o sol clareou o quarto. O som irritante do alarme soando sequer me incomodou.

Na corrida nos arredores da sede, Vic passou por mim sem falar nada, mas seus olhos estavam tão inchados quanto os meus.

- As coisas não estão nada boas – Zayn disse enquanto, correndo ao meu lado, víamos Vic se afastar – Ela chorou a noite toda.

- E Niall? – perguntei apreensivo. O irlandês corria mais atrás com Liam, o boné em seu cabelo não me deixava enxergar seu rosto direito.

- Não disse uma palavra até agora, Liam está tentando.

- Queria voltar ao tempo em que éramos só dois garotos correndo atrás de uma bola de futebol americano e não para salvar nossas vidas – como que para causar efeito, senti meu braço ser arranhado por um galho de árvore. O ar úmido ao nosso redor fazia minha respiração sair mais entrecortada.

Zayn deu algumas palmadinhas em meu ombro – As coisas vão melhorar, cara. Elas vão sim.

- Espero que saibam que até o final da semana os10 últimos trainees estarão fora de Quântico – agente Philips disse – Isso fará com que reste apenas 40 de vocês, mas minha intenção é formar apenas 20 ou menos. Não me preocupo com a quantidade, sei que boa parte que está aqui não saberá lidar com a pressão lá fora. Quero agentes bons e bons agentes na rua.

- Terão pequenos testes durante essa semana, o primeiro deles começa hoje. Prestem atenção na tabela porque o nome de vocês poderá subir ou descer. Mas o teste final é quem nos ajudará a decidir quem sairá – outro agente falou.

Por coincidência do destino, o teste de hoje era luta e minha dupla foi Niall. Na verdade, não acho que tenha sido coincidência alguma, Liam tocou no ombro dele para que os dois ficassem juntos, mas ele caminhou para mais perto de onde estava. Perto de mim estavam Zayn, Vic e mais dois trainees que não se suportavam.

Era óbvio que não colocariam Niall e Vic juntos para lutar e mais óbvio ainda que colocariam os dois trainees que não se suportam juntos.

Ele me encarou e, agora sem o boné, pude ver seu rosto. Ele não estava com olheiras tão expressivas como as minhas e de Vic, mas seus olhos azuis estavam coloridos em um vermelho que me surpreendeu. Niall molhou os lábios e deu alguns passos para mais perto de mim, estralou o pescoço e travou o maxilar.

Ali, na minha frente, reconheci que estava um homem com o coração partido e eu era a razão disso. Ele era alguém prestes a desabar sem freio e deixando um rastro de poeira para trás.

- Niall... – tentei chamar sua atenção, mas na mesma hora a ordem para lutarmos foi proferida.

Ele continuou com o rosto impassível.

- Eu não quero lutar desse jeito com você – continuei – Niall, vamos conversar ok?

- Olhe em meus olhos, Harry – murmurou amargamente – Acha mesmo que eu quero conversar com você?

Decepção cobria sua voz e seu rosto quando ergueu o braço para tentar me acertar. Esquivei-me e ele não ficou na defensiva – Você tem que entender que...

Fui interrompido por suas duas mãos segurando minha camisa e aproximando nossos rostos. Eu nunca tinha visto Niall daquela forma, tão transtornado pela raiva, seus olhos semicerrados refletiam aquele sentimento – Eu não quero e nem vou entender nada.

A voz dele soou grossa, rude e antes que eu pudesse falar mais alguma coisa ele empurrou-me e vi seu punho fechado acertar meu queixo antes mesmo da força do impacto me jogar para trás.

Mal ergui o rosto novamente e ele tinha acertado uma joelhada no meu estômago. Eu não quis revidar porque sabia que aquele era o momento em que ele extravasaria e acertaria as contas e não pude revidar porque ele não me deu oportunidade para isso. Aquele era um Niall que eu nunca pensei existir. Enquanto estava dobrado, tentando recuperar o fôlego, ele segurou em minha nuca e acertou mais um murro em meu rosto, outro no queixo e eu ouvi um estralo.

- Eu nunca quis magoar você – falei em meio a dor que aquilo causou – Nunca, Niall.

- Fez mais que isso, Harry – rosnou e aquilo nem combinou com seu cabelo bagunçado para todos os lados e o rosto que eu sempre veria como inocente – Você me traiu. Quebrou a confiança que eu tinha em você.

- Eu não...

- Você era minha família! – gritou agora, as veias saltando do pescoço, e alguns trainees prestaram atenção naquilo – Meu suporte. E agora eu só quero distancia de você.

- Eu sei que errei e...

- Achei que tinha dito que não queria conversar – interrompeu minha ida até ele com um chute bem no meio do peito, seu cotovelo acertou meu nariz e ele segurou minha mão quando instintivamente tentei revidar, torcendo meus dedos para trás enquanto acertava um chute em minha perna.

Deveria reagir. Tinha que reagir. Mas não quis. Aceitei aquilo, abaixei a guarda para a raiva de Niall e cai de joelhos, Vic com a mão na boca escancarada foi a ultima coisa que eu vi antes de Niall acertar minha cabeça.

 

CHARLOTTE

Aquela palavra sussurrada, o jeito com que ela soou por seus lábios e forma com que aquilo pareceu acariciar meu corpo mesmo que ele não estivesse tocando nele, tudo isso fez um arrepio percorrer por meu corpo. Um arrepio que senti se difundir pelo corpo dele.

Ele me encarou, as pérolas verdes dilatadas e a boca entreaberta. Sua respiração se misturou com a minha e não sabia qual delas estava mais acelerada. Minha mão apertou sua nuca com mais força e senti algo duro pressionar-me. Era ele reagindo a mim e não podia negar aquilo.

Eu ia quebrar essa ultima distância entre nós quando ouvimos vozes altas se aproximando. Harry foi para trás impulsivamente e esbarrou na cafeteira, o copo de café caiu no chão aos nossos pés e ele praguejou.

- Está tudo bem aqui? – Craig perguntou encarando um Harry desnorteado tentando limpar o café do chão.

- Porque não estaria? – Harry retrucou com uma carranca no rosto – Tenho uma reunião importante agora, Charlotte. Depois conversamos.

Odiei o tom rude e a forma com que nem me olhava nos olhos e por isso minha língua foi mais afiada do que a racionalidade – Claro. Mas você tem um problema bem aí – apontei para o volume em suas calças e ele travou o maxilar – Melhor dar um jeito nisso, garoto.

Foi de proposito que utilizei aquele apelido, vi a carranca aumentar mais ainda em seu rosto por causa disso. Passei dando uma palmadinha no ombro de Craig que, por sua vez, observava tudo aquilo com os lábios puxados em um sorriso mínimo.

A verdade é que não era só Harry que tinha um problema. Enquanto assistia a reunião pela janela transparente alguns minutos atrás, se fez inútil a tentativa de cruzar as pernas para tentar manter o foco em qualquer outra coisa que não fosse seus ombros largos e o modo com que aquela blusa social se encaixava perfeitamente ao seu corpo muito mais musculoso agora.

- Tenho novidades – Niall disse em voz alta – Tenho novidades! – repetiu animadamente enquanto ia até a sala da reunião e chamava Harry, Philips e alguns agentes.

- Eu sei que não é meu trabalho especificamente ficar de olho nessas coisas – ele começou a falar enquanto digitava algumas coisas no computador, aquela cena foi tão familiar que um sorriso escapou por meus lábios – Mas alguns hábitos nunca morrem.

Niall apontou para a tela atrás de mim e tentei entender o que ele queria mostrar com o vídeo de uma rua movimentada.

- É a rua próxima a tia de Crystal, nossa fugitiva – continuou – Estava apenas passando o olho quando a reconheci. Ela parece saber bem onde está as câmeras, estão vendo o modo com que nunca olha diretamente para alguns lugares? É esperta.

- Como descobriu que era ela? – Vic perguntou, um tom orgulhoso em sua voz.

- Peguei seu reflexo no vidro daquela loja ali – apontou – É ela. Tentei segui-la com as outras câmeras e tudo que descobri é que provavelmente... – desenhou um circulo no mapa da cidade que estava exposto em uma mesa perto de mim – Provavelmente ela está nesse perímetro.

- Na casa de alguém? – Liam coçou a barba – Não acho que se arriscaria assim. É a que menos temos noticias.

- Pessoas como Crystal são acostumadas a viverem escondidas – Philips disse – Quero três viaturas rodando o perímetro e agentes disfarçados em lugares que distribuem comida ou algo do tipo para moradores de rua. Se a virem, não a abordem. Nos avisem, ela é inteligente e sabe como se safar.

A ordem mal terminou de sair da sua boca e agentes começaram a se movimentar por todo departamento. Não tinha muita coisa para fazer, exceto esperar.

- O psicólogo do departamento está esperando você – Miranda sussurrou para que apenas eu escutasse – Quarto andar, ele sabe que tem que manter sigilo.

Respirei fundo – Não sei o que...

- Ele vai saber o que fazer, não se sinta pressionada.

- E se ele achar que eu sou louca?

Ela riu – Abaixa a guarda, ok? Vai dar tudo certo.

- Tenho que ir agora? – me peguei protelando e isso fez com que ela risse ainda mais, o som foi, de alguma forma, reconfortante.

- Ele está esperando, mas tome seu tempo.

Meu tempo foram exatos 45 minutos. Fiquei rodando por todo quarto andar até tomar coragem para entrar na sala. Miranda tinha razão, ele estava mesmo me esperando. Era um homem de meia idade, corpo alto e magro e olhos castanhos vivos por trás das lentes do óculos.

- Charlotte, certo?

Assenti e se ele reparou no meu atraso não fez questão de mencionar.

- Pode se sentar, se quiser – continuou e apontou para uma poltrona. Céus, aquela sala dele repleta de quadros e aquários fazia com que eu me sentisse presa em um filme de terror – Quer falar alguma coisa?

- Eu não sou louca – a frase escapuliu antes mesmo que eu percebesse – Porra – xinguei e me desculpei rapidamente por ter feito isso.

- Não se preocupe – ele riu – Tudo bem falar palavrões e não, você não é louca. Eu sei.

- Como pode ter certeza? Nunca havia me visto antes.

- Seria louca se não tentasse me mostrar que não é – respondeu – Sou o Dr. Reynolds, mas pode me chamar só de Rey.

- Ok.

- Está nervosa?

- Sim.

- Nunca foi a um psicólogo, não é?

- Nunca.

Ele riu – Eu não sou um monstro, pode relaxar.

- Não vai perguntar nada sobre minha vida?

- Hoje não. Quero só olhar para você.

- Certo – falei de forma insegura, que cara estranho.

- Agora você quem deve achar que eu sou o louco – cruzou as mãos sobre a perna e me encarou.

- Imagina...

- Eu gosto dos peixes – falou quando me percebeu encarando um dos seus aquários – São criaturas curiosas, não acha?

- Na verdade, não vejo graça alguma nos peixes – admiti vendo um peixinho todo colorido nadando.

- A beleza das coisas está no modo com que você as observa. E se eu te dissesse que salvei aquele peixe? Sou amante da arte de mergulhar, esse peixinho estava preso entre os corais, ia ser esmagado quando eu o peguei. Não acha bonito que ele esteja nesse aquário agora? Que ele possa nadar sem o medo de ser preso novamente?

- Ela está preso – respondi – Preso nessa caixa de vidro.

- Acha que ele se sente mais seguro aí ou naquele mar todo? Nem sempre profundidade quer dizer segurança, Charlotte.

O modo com que terminou a frase me fez pensar que aquela era uma lição de moral que eu deveria ter entendido, mas aquilo apenas passeou por minha mente sem atingir interpretação alguma.

Fui bipada minutos depois, foi um alivio sair daquela sala desconfortável. Eu não entendia onde isso de “quero só olhar para você” iria fazer com que eu me sentisse melhor comigo mesma.

- Encontraram Crystal – Vic disse enquanto me entregava um colete a prova de balas – Ela está em um viaduto em reforma, tem metralha por todo lugar então é um terreno perigoso se ela perceber que está sendo seguida. ´

- É melhor não irmos em uma grande quantidade então – olhei para Philips – Nós dois, Louis, Liam e Vic. Ninguém mais.

 Atrás de mim Zayn bufou – É típico seu me deixar de fora das missões.

- Antes era porque você não tinha capacidade para ir a uma, agora é porque seu rosto é intimidante, vai assustá-la.

- Sim, chefe – ele zombou e andou para longe de mim.

- Eu não sou um cara intimidante – Niall retrucou – Porque não posso ir?

Philips me salvou de ter que explicar que não o queria indo a campo porque me preocupava com sua segurança. Minutos depois estávamos no carro, não virei às costas para ver a expressão no rosto de Harry por tê-lo deixado de fora.

- Não consigo entender como alguém tortura a própria mãe e a mata – Liam disse quando estávamos dentro do carro – Porque ela faria isso? Pareciam ser unidas, sempre postavam coisas nas redes sociais. Sempre as duas juntas.

- Sem pai?

- Crystal sempre compartilhava publicações sobre abandono familiar, parece que o pai fugiu da responsabilidade – Niall disse através da escuta.

- Ela deve ser daquelas adolescentes revoltadas por causa disso – Louis respondeu – Alguma briga com a mãe foi a gota d’água e ela explodiu.

- Não a julgo – murmurei e senti os olhares de todos no carro sobre mim, permaneci olhando para frente.

Ouvimos tiros antes mesmo de chegarmos no local onde Crystal deveria estar.

- Que porra está acontecendo? – Philips perguntou através da escuta para a equipe que estava disfarçada no local.

- Ela percebeu que estávamos armados, senhor – um dos agentes disse apressadamente, mais tiros foram ouvidos – Mitchel está ferido.

- Onde ela está? – ele perguntou e esperei que desse alguma ordem com relação ao agente ferido, mas permaneceu esperando a resposta.

- No viaduto. Tem metralha por todo lugar, o lugar parece estar prestes a desmoronar.

- Recuem, cessem os tiros. Já estamos chegando – Philips deu a ordem e me incomodou sua falta de empatia pelo agente.

- Cuidado – falei a Vic quando descemos do carro, nossas armas em punho.

O agente tinha razão, o lugar parecia mesmo prestes a desmoronar. Dois agentes estavam feridos na entrada do viaduto, o que falou conosco através da escuta nos informou que ela não parecia estar ferida.

- Ela é boa e sabe como se esconder lá dentro, nem precisou desviar dos nossos tiros.

- O outro lado está fechado? – perguntei limpando o suor do rosto.

Ele assentiu – Essa é a única forma de entrar e sair.

- Ela não sairá daí, sabe que estamos aqui fora – Liam suspirou e me olhou – Temos que entrar e arriscar.

- Ela está bem escondida, Liam. Qualquer lugar pode ser uma armadilha.

- Eu vou na frente, vocês me dão cobertura – Louis tomou a iniciativa enquanto destravava  a arma.

- Não vou deixar que entre lá para ser nosso bode expiatório – retruquei – Temos que pensar com mais calma.

- Não temos outra opção. Alguém vai ter que ir à frente e arriscar. Não me importo que seja você, mas prefiro que esteja dando cobertura a quem quer que esteja indo na frente.

- Essa é a ideia mais sensata – Philips concordou com Louis – Deixe-o ir na frente, você vai estar logo atrás.

Assenti porque realmente não tínhamos outra ideia, era o único jeito de tentarmos pegar Crystal viva – Evite atirar, Louis. Precisamos dela viva, quero saber como conseguiu fugir. Parece que as prisões daqui não tem nada de máxima na segurança.

- Se ela estiver escondida, não pode estar em cima, certo? É mais provável que esteja por entre os destroços da construção – Vic apontou – Se entrarmos de dois em dois depois de Louis podemos perceber isso com mais clareza.

- Ela está armada, não esqueçam – Liam disse – Um único sinal de alguém, irá atirar.

- Tente conversar com ela, Louis – a ideia era arriscada, mas valia a pena tentar – Passe algum tipo de confiança, diga que sabe que é inocente.

- Mas eu não acredito que ela seja inocente – ele suspirou – Na verdade, quero meter uma bala no cérebro dela por matar a própria mãe. Ela não sabe que tantos só queriam ter a mãe por perto? - seus olhos azuis pareciam insondáveis durante aquela ultima frase enquanto encaravam os meus – Mas eu vou tentar, se ela ao menos tiver a duvida de que eu realmente acredito, provavelmente demora alguns segundos antes de atirar. É o tempo de vocês a acharem.

- Vai dar tudo certo, bro – Liam apertou seu ombro e havia algo mais naquele gesto que não consegui identificar. Aquilo mexeu comigo.

Como combinado, Louis foi na frente. Segurava a pistola com as duas mãos, Philips ao meu lado parecia atento a cada passo lento que ele dava.

- Crystal – ele chamou e o som da sua voz ecoou pelo viaduto – Meu nome é Louis e eu não quero machucar você – não obtivemos nenhuma resposta – Estou armado, mas só por precaução, ok? Estou entrando e só quero conversar com você.

Alguns passos mais a frente a ainda nada vindo dela. O lugar fedia e estava com alguma infiltração – Soube do que estão falando e eu sei que não foi bem assim que as coisas aconteceram, não é?

Achei ter visto algum movimento pelo canto do olho e mudei a posição depressa, mas era só uma pedra pequena rolando lentamente.

- Eu quero ouvir você, Crystal. Sei que não matou sua mãe – ele pareceu convincente, era por isso que Louis era um agente tão bom, sabia fazer o que era necessário - Prometo tentar ajudar, mas não com você atirando em mim assim que me ver.

Ouvimos passos, tímidos, mas ouvimos. Fiz sinal para que ele continuasse.

- Sei que está com medo, ok? Mas me deixe ajudar. Você não precisa se esconder para sempre, quero ouvir o que tem a dizer.

Liam fez sinal para que eu olhasse a esquerda e vi o que achei ser a manga da  camisa dela atrás de um pedaço de metal grande, mas ela se moveu quase no mesmo instante.

- Crystal, eu sei que não foi daquele jeito que as coisas aconteceram. Me deixe ajudar – Louis repetiu – Eu posso...

- Coloque a arma no chão – uma voz rouca soou, estava na nossa frente possivelmente, escondida em algum lugar pequeno, mas meus olhos não conseguiram encontra-la – Agora.

Foi uma ordem firme que pareceu soar da boca de uma criança. Louis me encarou e eu neguei, colocar a arma no chão o deixaria mais exposto e não podíamos arriscar.

- Se quer mesmo me ajudar coloque a arma no chão – ela repetiu dessa vez com mais firmeza.

- É arriscado – Philips sussurrou – Mas acho que ela não vai machuca-lo.

- Não vou colocar a vida de Louis em risco por causa de uma suposição sua – sussurrei de volta, mas antes que ele pudesse responder Louis já estava com as mãos erguidas, deu um passo a frente, a arma no chão atrás dele.

- Quero ajudar, Crystal – falou me encarando, tentando me manter tranquila, mas estava quase indo atrás dele. Quase. Algo me parou no meu lugar. Foi o som de um único tiro, Vic gritou de forma abafada quando, logo após o som do tiro, pedaços do teto do viaduto desabaram.

Philips protegeu o rosto e a poeira não me deixou enxergar o que havia acontecido. Meus olhos lacrimejaram e a tosse involuntária tomou conta de mim enquanto mais pedaços do teto desabavam, algumas pedras menores ainda atingiram meu braço.

 Quando todo aquele barulho e poeira cessaram, o que vi fez meu coração bater irregular.

Não conseguia mais ver Louis. Entre nós e ele estavam pedras enormes que desabaram.


Notas Finais


Nem sei o que digo sobre esse capítulo, foi tanta informação que tô até com pena de vocês! Espero mesmo que tenham gostado, certo? Me deixem saber o que acharam! GE tem grupo no whats, não esqueçam.

GE TAMBÉM TEM TRAILER IUUUHU!!! Quero agradecer a maravilhosa Bia por te feito não só o trailer, mas as capas também! Você é maravilhosa!
Aqui está o link: https://www.youtube.com/watch?v=TP_KJ1LoaOU

Espero vocês nos comentários, mil beijos!


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