História Good Enough - Capítulo 32


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Exibições 300
Palavras 5.479
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi OOOOI!
Primeiro, desculpem a demora. Mas, finalmente estou de férias e agora os capítulos serão postados basicamente dependendo de vocês. Se comentarem logo irei postar rapidamente, com um ou dois dias. Queria pedir desculpa por não ter avisado que teria capítulo novo pelo whats, mas eu fui assaltada e perdi todos os números, no entanto, me chamem lá no whats - mesmo número - e salvarei o contato de vocês de novo. Para quem quiser entrar no grupo, podem mandar o número por mensagem aqui no Social mesmo que eu chamo no whats.
Esse capítulo é basicamente a história toda que envolve GE, então espero que leiam com bastante atenção - porque essa autora aqui ama umas pegadinhas - e não esqueçam de favoritar!
Boa leitura!

Capítulo 32 - His Fault


Fanfic / Fanfiction Good Enough - Capítulo 32 - His Fault

"Parece que todo mundo tem um preço

Eu me pergunto como eles dormem à noite

Quando a venda vem em primeiro lugar

E a verdade vem em segundo lugar"

(Jessie J - Price Tag)

 

 

Eu não fui à formatura. Também não fui para o baile, muito menos fui convidada para o pós-festa. Não que faria alguma diferença se eu tivesse sido. Eu não iria de qualquer forma e não só porque Anthony dizia que essas distrações eram para os riquinhos da cidade, que tinham a vida ganha e já estavam em uma faculdade boa graças a boa influencia dos pais. Mas, também, porque eu mal me aguentava em pé.

Os últimos meses da gravidez tinham sido difíceis. Difíceis porque eu não sabia como o bebê estava, na verdade não sabia nem o sexo dele, mas algo me dizia que era uma menina. Não tinha dinheiro para ir a uma consulta particular e Anthony já havia deixado claro que não daria e não tinha tempo para esperar horas em uma fila em busca de atendimento porque ele simplesmente não deixava, me atolou de coisas em casa para fazer, além de mandar-me analisar alguns casos seus da polícia, o que poderia ter sido um inferno se aquilo realmente não me interessasse.

A única prova de que meu bebê estava vivo eram os chutes. Chutava por tudo. Gostava de fazer malabarismos em minha barriga. Vez ou outra sentia soluço e tentava ensiná-lo a prender a respiração, conversávamos bastante também, minhas respostas eram os cutucões em meu ventre.

Eu não engordei muito. Só o suficiente para dar espaço ao bebê. Perdi muito peso, na verdade, nos primeiros meses porque não conseguia comer nada, tudo enjoava-me e, mesmo depois que essa fase passou, também não comia por dois, as vezes nem por mim. Estávamos passando por uma crise financeira e o que tínhamos mal dava para fazer uma boa refeição, claro que Anthony fazia questão de deixar claro que aquela não era mesmo uma boa hora para se ter um bebê.

Claro que não era. Eu sabia disso. Ainda mais da forma que foi. Jesse me usando, as pessoas rindo da armadilha que eu caí, Anthony me pedindo para tirar o bebê e Jesse não assumindo, deixando-me sozinha para lidar com as ameaças dele. Eu estava sozinha, não tinha ninguém que perguntasse como estava, as pessoas começaram a notar quando minha barriga cresceu, mas ninguém atreveu-se a fazer alguma pergunta. Vez ou outra via Jesse saindo para as festas com a namorada nova, alguém bonita o suficiente para que ele a assumisse.

Mas eu não podia simplesmente abrir mão da coisinha que crescia dentro de mim. Que tomava todo espaço em meu coração, acalmava os sentimentos de angústia e inferioridade. Foi só por causa da existência desse bebê que eu não enlouqueci. Sentir que uma vida inocente crescia dentro de mim me permitiu não entregar-me a dor que estava sentindo, não ser boa o suficiente era evidente para mim, mas podia e queria ser para essa criança, por isso não havia sucumbido ainda.

Estava na reta final da gravidez, 08 meses e mal conseguia abaixar-me para fazer as coisas que Anthony pedia. Por mais que ele xingasse a mim e a criança, percebi que não me mandava mais fazer tarefas tão pesadas. Nada de subir em cadeiras para limpar os móveis, não me mandava ao mercado para comprar utensílios, de alguma forma ele estava me poupando, mas isso não fazia com que eu sentisse menos raiva dele. Para ser sincera, ela só aumentava. Sentia ódio de vê-lo sentado lendo o jornal ou assistindo televisão enquanto ignorava as fisgadas em minha barriga, meus enjoos, meu choro por estar sozinha.

Estava na fila de um mercado perto de casa, Anthony me pediu para comprar leite e voltar logo, não sei por que, mas odiava que saísse de casa nos últimos meses. Duvidava que fosse porque não queria que as pessoas soubessem que sua filha estava grávida tão nova e sem estar casada, minhas suspeitas foram sanadas no momento seguinte quando duas senhoras – depois de olharem-me intercaladamente – ficaram atrás de mim na fila.

- Está de quantos meses, querida? – uma delas perguntou sorrindo.

- Oito – respondi enquanto elas franziam a testa para mim.

- Você é a filha do chefe de polícia, não é?

- Anthony – completou a outra.

- Ah, sou sim – puxei o casaco para esconder mais a barriga porque agora as outras pessoas na fila também me olhavam.

- Não sabia que estava grávida. Nunca vi você com algum rapaz pela cidade.

- Hm, eu...

- Quantos anos tem, querida?

- Isso é algum tipo de interrogatório? – a moça do caixa perguntou enquanto mascava um chiclete e exibia uma expressão tediosa – Porque, caso seja, saiam da fila que eu preciso atender as pessoas que realmente querem passar as compras.

Elas ficaram caladas e estava esperando receber o troco no caixa quando alguém mais atrás ergueu a voz.

- São só vocês dois dentro de casa, não é?

Os murmurinhos cresceram quando eu respondi que “sim”, queria não ter dito nada porque começaram a me olhar com pena e ultraje ao mesmo tempo.

- Isso é um absurdo! – sussurraram – Como um homem desse pode ser nosso chefe de polícia?

- Quer um conselho? – a moça do caixa perguntou – Vá para casa e não comente isso com seu pai. Conhecendo a fama que ele tem, é melhor você procurar meios de proteger esse bebê aí – apontou com o queixo para minha barriga – Seja lá quem for o pai dele, a presença de Anthony não será boa.

Aquilo ficou na minha mente durante a noite toda. Perguntei a Anthony se ele conhecia a mulher que estava no caixa de algum lugar, ele franziu a testa quando expliquei que era porque ela havia mandado lembranças e admitiu que havia saído com ela algumas vezes. Seja lá quem fosse, ela sabia como era o temperamento dele.

Eu estava com medo por não saber o que fazer depois que meu bebê nascesse. Ele não havia desistido da ideia de não me deixar cria-lo e isso me fazia temer pelo futuro, como sobreviveria nas ruas com um recém-nascido? Para onde iria? Como me esconderia dele? Por mais que eu pensasse não conseguia fazer com que ele aceitasse a mim e aquela criança. Juntos.

Era noite do dia seguinte quando ele entrou, tirou o casaco molhado por causa da chuva e foi só quando encarou-me que vi a expressão em seu rosto. Estava com os olhos semicerrados e vermelhos, brilhando em algum tipo de sentimento que não consegui identificar.

- Porque você sempre faz tudo errado, Charlotte? – ele perguntou calmamente, dando um passo de cada vez em minha direção.

- Do que está falando?

Terminei de colocar sua xícara na mesa e ajeitei a postura para encará-lo, o tempo de convivência entre nós tinha estreitado nossa relação mais ainda, felizmente ou infelizmente eu agora conseguia desafiá-lo, olhar em seus olhos sem temer uma surra, não só porque não houve um dia sequer durante essa gravidez que ele ergueu o braço contra mim, mas, também, porque não tinha mais medo dele. Anthony era desprezível com essa sua mania de superioridade e de querer ser melhor e maior que todos, eu sentia pena e raiva, odiava a maneira com que me olhava, como se tivesse fazendo um favor em deixar-me em sua casa, irritava-me saber que não podia sair daqui sem passar dificuldades e me enojava a ideia de ter sido abandonada com ele.

- Em que sua mente perturbada estava pensando quando foi espalhar pela cidade que eu sou o pai dessa criança?

- O que? – a expressão de ultraje em meu rosto foi refletida em seus olhos – Você enlouqueceu?

Foi só quando chegou mais perto que senti o cheiro de whisky, seu sorriso debochado me fez ter a certeza de que estava bêbado.

- Não é porque você é uma putinha abandonada que precisa colocar a culpa em mim.

- Eu não sou puta – me defendi – E muito menos coloquei a culpa em você. Não pela minha gravidez, pelo menos.

- Acho que preciso dar um jeito nessa sua língua, não acha? – chegou mais perto de mim e apoiou o braço na mesa, não deixando que eu passasse por ele – Está perdendo o respeito por mim, Charlotte?

Olhei em seus olhos e não vi nada ali que me deixasse saber que não estava falando a sério e aquilo me fez sentir medo. Quando Anthony bebia ficava violento, tinha mania de quebrar tudo em seu quarto, de pegar a carta de minha mãe e ficar relendo, de falar para si mesmo o quanto ela não prestava e tinha acabado com sua vida.

- Eu não espalhei nada pela cidade – tentei explicar – Estava comprando o leite quando vieram com essas perguntas. Juro que jamais diria isso.

- Eu não sei se acredito em você – bufou – Tem a mania de sempre foder com a minha vida.

- Eu não pedi para vir morar com você, Anthony. Muito menos para ficar grávida. Mas, pelo menos, estou tentando achar uma forma de lidar com tudo isso e não é enchendo a cara.

Ele gargalhou – A convivência comigo está te deixando mais debochada ou sou eu que estou perdendo a moral com você?

Dei de ombros – Vai ver finalmente estou herdando características suas.

- Não gosto quando me responde assim – estralou a língua – Veja, por sua causa fui temporariamente afastado do meu cargo. Vão abrir uma investigação, sabia? – analisou meu rosto enquanto falava e por isso fui dando passos para trás – Investigarão se estuprei minha própria filha.

- Eu não disse nada que os fizesse pensar nisso, eu juro...

- Não se esforce para explicar. Nós dois sabemos que é estúpida o bastante para ter feito isso – continuou – E sabe o que é pior? De tantas coisas que fiz em seu nome, estou sendo julgado por uma que não fiz.

- Você nunca fez nada por mim. Sempre fez por causa da sua honra, da sua imagem de bom policial preocupado com a cidade – meu peito subia e descia rapidamente, estava difícil respirar com toda aquela pressão – Nunca agiu para defender-me, nem mesmo quando Juan me violou. Foi só para que não perdesse a fama de bom pai, preocupado com o bem estar da filha que tanto acolheu bem em sua casa – não consegui me conter, por mais que quisesse não coloquei freio em minha língua, tudo que sempre quis dizer a ele foi fluindo, ergui o dedo e apontei para seu peito enquanto ele me olhava com o maxilar travado – Você, Anthony, nunca fez nada para e por mim, sempre foi pensando em si próprio. Você é doente. Doente por sua imagem, honra e fama que jamais irão condizer com quem você é de verdade.

O tapa veio antes que eu terminasse de falar a ultima palavra. Minha bochecha ardeu quando meu rosto foi todo para o lado devido à força que colocou naquilo.

- Acho que passei tempo demais sem lhe corrigir – quando virei para encará-lo estava tirando o cinto, desafivelando-o.

- Anthony, por favor... – ergui as mãos e fui para o outro lado da mesa.

- Já está pedindo “por favor”? Achei que demoraria para implorar, iria manter essa língua prepotente por mais tempo – segurou o cinto nas mãos e andou até onde eu estava.

- Eu estou grávida – minha garganta travou – Por favor, não faça isso.

- Não me convenceu.

- Anthony, por favor. Não tem que fazer isso – andei para trás enquanto algumas lágrimas começavam a cair por meus olhos porque eu sabia que não tinha uma maneira de fazê-lo mudar de ideia, em todos esses anos não consegui achar uma forma de evitar as surras que dava, muito menos conseguiria agora que estava bêbado.

- Não foi convincente o suficiente – virou o rosto de lado – Na verdade, Charlotte, nada em você é suficiente. Jamais será boa para esse bebê – olhou com repulsa para minha barriga – Será como sua mãe. Uma louca, viciada em sexo que tentou se convencer várias vezes de que estava fazendo o que fazia pelo bem da filha quando, na verdade, estava fazendo porque não conseguia se controlar. Você fala de mim, mas esquece que sua querida mãe te abandonou com um homem que você nunca viu, te fez viver em condições desumanas e te escondeu coisas que você sequer imagina.

- Minha mãe? – por um instante o medo por minha vida e pelo bebê foi esquecido quando falou sobre ela.

- Eu não sou o monstro aqui, Charlotte – ergueu a sobrancelha – Na verdade, posso até ser. Eu aceito esse título. Mas só se você reconhecer a vadia louca que sua mãe foi e admitir seu papel de estúpida e burra nessa história.

- Por favor, abaixe o cinto. Não precisa ser assim.

- Eu discordo. Precisa sim.

Dei as costas querendo sair do seu alcance, mas não consegui me mover mais rápido do que ele. Sua mão direita agarrou meu cabelo e cai de joelhos no chão, a primeira cintada atingiu minha coluna e não podia deixar que aquilo continuasse ou Anthony perderia o controle sobre si.

- Já chega, eu aprendi a lição. Por favor.

- Mentirosa! – bateu-me mais uma vez.

- Por favor, por favor... – pedi quando o bebê chutou, sentindo meu nervosismo e angústia.

Segurou meu cabelo novamente, dessa vez para me colocar de pé e empurrou-me até as escadas – Você vai chorar no seu quarto, é lá que irá ficar pelo resto do dia. Não quero mais ver seu rosto idiota.

Choraminguei quando não consegui alcançar seu passo apressado por causa do peso em minha barriga e da dor na minha coluna, mesmo que já estivesse acostumada a ela. Estava no quinto degrau quando ele desaprovou a minha demora, segurou em meu braço e tomou a frente, fazendo com que o seguisse com mais rapidez.

Estava olhando em seu rosto, temendo mais uma cintada quando pisei em falso. Escorreguei e seu reflexo de homem bêbado não foi o suficiente para segurar-me, mesmo tentando. Cai com a barriga virada para baixo, minhas mãos tentaram segurar em alguma coisa para evitar que isso tivesse acontecido, mas não tinha nada ao meu alcance.

Gritei quando senti uma dor lancinante em meu ventre, minha visão escureceu-se por alguns segundos e quando voltei a abrir os olhos senti algo quente entre minhas pernas, entrei em pânico quando vi que era sangue.

Sabia que estava perdendo meu bebê quando me deparei com o olhar assustado de Anthony sobre mim e tentei pedir, implorar para que não deixasse que aquilo acontecesse, mas minha voz não saiu, não sei se por dor ou pânico, mas não consegui pedir para que esquecesse tudo que tinha dito para mim e salvasse meu bebê.

(...)

- Acho melhor ele sair – Niall pediu quando Harry entrou no quarto por último.

- Porque esconder de mim algo importante? – ele perguntou me encarando – Eu preciso saber, isso é sobre mim.

Suspirei, Niall podia ter razão, mas não queria outro motivo para discutir com Harry, já estava cheia das discussões sem sentido e que não nos levavam a lugar algum – Ele fica, Nialler. O que descobriu?

- Harry não vai gostar – adiantou – Mas, veja... – ergueu o dedo pedindo para que eu esperasse e virou o computador em nossa direção – Eu passei dias pesquisando alguma coisa que ligasse Brad a Harry. Não consegui achar nada além do que ele já disse, que eram bons amigos e que se davam bem, andavam juntos e na mesma direção antes de Brad se envolver com o tráfico.

- Porque Niall sempre tem que contar uma história antes de chegar no “finalmente”? – Louis bufou e cutucou Vic – Ele é assim durante o sexo?

Ela ficou vermelha e evitei rir quando abriu a boca e a fechou sem emitir som algum.

- Louis, se comporte – Liam pediu – Continue, Niall.

- Para sua informação Vic e eu nunca fizemos sexo – o irlandês disse a Louis e isso só piorou a situação.

- Então ainda está na fase de contar historinha para ela? Qual é, não levou a sério tudo que te ensinei?

- Louis! – o repreendi quando todos caíram num ataque de risadas.

- Então, eu pensei, o que levou Brad a entrar no tráfico? – Niall continuou ainda sem graça – Harry e Zayn disseram que foi o desemprego do pai, inclusive em uma pesquisa superficial já havia descoberto que ele ficou sem o emprego por causa de uma demissão em massa de funcionários na empresa onde trabalhava e não foi transferido como prometeram quando o fizeram assinar o papel da demissão. Ele perdeu a casa para a construção de um shopping nos arredores também.

- Deixe-me adivinhar – Vic disse – A empresa o enganou fazendo com que assinasse o papel da demissão, então ele ficou sem receber tudo que tinha direito e, ainda, não o transferiram como prometeram.

- Isso – Niall ajeitou os óculos geek sobre os olhos. Ficava tão nerd assim – O pai dele acabou desempregado, sem dinheiro algum para sustentar a família e perdeu a filha.

- Lembro que você disse algo sobre um acidente – Liam especulou – A menina morreu, não é?

- Um acidente com a construtora que queria construir o shopping nos arredores da casa de Brad. Afirmaram que foi um acidente, que ela estava no local errado e na hora errada, onde a escavadeira fazia o trabalho e não a viram. Mas, enfim, eles não tiveram condições de pagar um hospital particular, a menina morreu sem nem mesmo ter chance de chegar a um hospital porque o público estava interditado por causa da construção do mesmo shopping.

- Eu me lembro de algo assim – Harry disse – Meu pai comentou uma vez que transferiram os pacientes para outro hospital por causa de todo o entulho.

- Maria morreu. A mãe se suicidou diante de tudo isso, o pai se afundou na bebida, morreu meses depois numa briga de bar. Brad já estava no mundo das drogas, queria de alguma forma ajudar, mas foi tarde demais.

- É uma história e tanto, Niall – massageei a testa – Mas como isso explica o porquê dele ter tanta raiva assim dos Styles?

A expressão dele mudou para uma de tristeza quando olhou para Harry – Eu não queria que minhas suspeitas estivessem certas, eu juro.

- Só fale de uma vez – ele disse.

- Você me disse que seu pai é rico, tem muitas empresas eu seu nome. É dono de um império. Eu pesquisei como ele conseguiu tudo isso – ele sentou-se em uma cadeira e era a primeira vez que o via sem empolgação ao contar como desvendou um caso – E, eu sinto muito, muito mesmo, mas...

- Niall, fala logo – Louis interrompeu de forma impaciente – Desembucha.

- Des Styles era sócio da AmazingShoes que fabricava sapatos e empregava inúmeros funcionários em meio ao processo de produção e manuseamento. Falei com o outro sócio por telefone, ele admitiu depois de muita persuasão que foi ideia dele a demissão em massa com base no argumento ardiloso de transferência dos funcionários para que eles abrissem mão dos seus direitos, de todo dinheiro, para arrecadar fundos.

- Des era sócio da empresa onde o pai de Brad trabalhava, então?

- Sim – Niall respondeu a Zayn – E não é só isso. Isso era algo que só os sócios e os funcionários sabiam. O homem com quem conversei admitiu também que anos atrás um homem que não quis se identificar ofereceu uma boa grana para que ele falasse tudo que sabia sobre o que aconteceu.

- Brad – especulei – Anos atrás? Então, ele planejava isso?

- Infelizmente sim. Levar Zayn até o tráfico, se aproximar até que Harry também visse, virarem amigos de novo... Tudo, simplesmente tudo estava pensado na cabeça dele.

- Meu Deus – Zayn respirou fundo – Eu preciso fumar alguma coisa.

- E não é só isso – Niall falou depois de alguns segundos em pura tensão – A pior parte vem agora.

- O que é pior do que saber que seu pai foi responsável por uma demissão sem precedentes com base numa mentira, em algo sem escrúpulos que tirou o emprego de pais de família? – Harry massageou as têmporas.

- O motivo do seu pai querer arrecadar fundos com a demissão. Essa é a pior parte.

Foi olhando o rosto de Niall que a verdade apareceu em minha mente. Segurei um palavrão e a vontade de ir até onde Des estava para esmurrar sua cara na parede e me perguntei como alguém poderia fazer isso com pessoas, com famílias.

- Harry, eu acho melhor você não ouvir isso – falei segurando em seu ombro – Porque não vai tomar um ar?

- Tomar um ar? – ele indagou me encarando e ficando de pé – Tomando um ar enquanto vocês discutem aqui o quão sem caráter meu pai é? Acha que não sou capaz de aguentar a verdade?

- Eu queria que não tivesse que escutar o que Niall tem a dizer, só isso.

- Eu preciso, Lottie – destacou o “preciso” – Eu tenho que saber quem é meu pai.

Niall esperava minha permissão para continuar e foi olhando nos olhos de Harry, na firmeza em sua decisão, na força que tentava transmitir mesmo com seus ombros tremendo e seu respeito pelo pai abalado, que permiti que o irlandês continuasse.

- Des queria arrecadar fundos para investir em um negócio próprio. A criação de um shopping na região.

Harry fechou os olhos e expirou, os dedos trêmulos indo até a cabeça, balançando o corpo para lá e para cá sem acreditar no que tinha ouvido.

- Oh, cara... – Louis tentou ir até ele, mas Harry deu alguns passos para trás e andou sem direção pelo quarto. Liam o acompanhou com o olhar e fez uma careta quando ele esmurrou a parede.

- Ele foi informado do acidente com a menina, Charlotte – Niall estava com a voz embargada – Um operário foi até ele pedir que ajudasse a pagar as despesas com um hospital particular.

- E ele não quis pagar, não é? – Harry riu sem humor – É típico dele dar menor importância a um problema que não é seu.

- O operário foi demitido quando tentou argumentar, mas Des deixou claro que não podia gastar dinheiro com... Incidentes que não faziam diferença em longa escala.

- Essas foram às palavras dele? – Vic perguntou e depois escancarou a boca em perplexidade quando Niall assentiu.

- Brad perdeu a família por causa do meu pai. Planejou tudo isso para se vingar, está óbvio. Eu não consigo acreditar que ele foi capaz de fazer isso, meu próprio pai.

- Ele quer tirar tudo de vocês – Liam falou baixinho – O dinheiro, Gemma, a estabilidade emocional, a confiança. Tudo.

- E ele está conseguindo, não é? Porque tudo que eu sei agora é que meu pai é um canalha, alguém baixo, doente e...

Ele puxou os fios de cabelo do couro cabeludo, travou o maxilar e tentou não olhar para mim quando demonstrou fraqueza novamente, todo seu corpo tremia quando deu as costas e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si com força.

- É melhor você ir atrás dele – Zayn disse para mim – Se ele ficar sozinho agora vai fazer uma besteira.

- Zayn está certo – Liam continuou – Nós precisamos estar com a cabeça fria para pensarmos no tipo de decisão que tomaremos agora.

Assenti e estava prestes a sair do quarto quando olhei para Niall que parecia desolado, mesmo que seu trabalho tivesse sido excelente – Bom trabalho, Nialler.

Ele tentou sorrir, mas estava abatido demais para isso. Vic foi até ele e o abraçou, aquilo o surpreendeu, mas o fez relaxar os ombros. Quando encontrei Harry, estava no quarto puxando o lençol da cama com força e derrubando o travesseiro. Sem eguida, pegou a chave do carro enquanto exibia uma postura furiosa.

- Aonde você vai?

- Vou atrás dele – desviou de mim – Vou informa-lo que ele é tudo para mim, menos um pai.

- Você está com raiva, Harry. Não sabe o que está dizendo – dei mais passos em sua direção e segurei seu ombro para que me olhasse.

- Como posso considera-lo como pai se ele não se colocou no lugar de um quando fez tudo aquilo? Por causa dele famílias ficaram desempregadas, a irmã de Brad morreu porque ele não quis gastar dinheiro com algo que considerou desnecessário! A morte de uma criança foi algo desnecessário para ele! Quantas famílias perderam seus empregos? Quantas pessoas ele deixou na rua por causa de uma futilidade? Para construir essa merda de império onde eu moro!

- Eu sei que isso tudo é demais para digerir – segurei em ambas as suas bochechas, olhando em seus olhos – Mas você não pode agir de forma impulsiva porque é isso que Brad quer. Eu sei que quer confrontar seu pai e gritar tudo que está atravessado em sua garganta, mas pense em Anne. Pense em poupá-la disso tudo – ele tentou virar o rosto para não olhar-me enquanto dizia tudo aquilo, mas o segurei com mais força – Harry, por favor. Me escute, nós iremos fazer Brad pagar por tudo que fez e seu pai terá o castigo que merece, mas não deixando Anne em perigo e muito menos deixando que Brad mate toda a sua família. Eu sei que não é isso que você quer.

- Gemma morreu por causa dele, Lottie – ele piscou e de repente seus olhos estavam marejados – Tudo que aconteceu é por causa das atitudes impensadas e egoístas dele.

- Eu sei – queria reprimir a vontade que tinha de consolá-lo, queria impedir meus braços de trazerem ele mais para perto, mas foi mais forte que eu, quando dei por mim estávamos abraçados, minha mão acariciando seu cabelo – Eu sei que tudo isso é horrível e você não merecia passar por isso, mas precisa colocar a cabeça no lugar.

- Porque dinheiro foi mais importante que a vida de uma criança para ele?

- Seu pai errou, não posso afirmar que ele não se culpa por isso e você poderá perguntar tudo isso pessoalmente a ele, mas precisaremos primeiro lidar com Brad, okay?

- Eu só queria...

- Eu não quero que ele machuque a Anne – afastei-me para olhar novamente em seus olhos e dizer o que meu peito queria gritar – E eu não quero que ele machuque você ainda mais.

Ele desceu o olhar para minha boca, seu lábio inferior tremeu e fechou os olhos. Deixou que eu tomasse conta da situação e decidisse o que fazer, não queria ser o culpado das minhas reclamações caso não gostasse do que ele viria a fazer. Mas o que ele não sabia é que eu não estava mais em condições de reclamar de um beijo seu, estava além das minhas forças.

Então, inclinei-me em sua direção. Meus lábios tocaram o seu de forma calma inicialmente, nossas línguas se encontrando depois que ele chupou meu lábio inferior. Mas, sua intenção foi outra.

Provavelmente a raiva com que estava reprimindo em seu peito o fez segurar meu cabelo com força e juntar nossos quadris. Foi o meio que achou para liberar a tensão que estava sentindo, seu beijo tornou-se urgente e suas mãos mais ousadas. Apertou minha bunda e gemeu contra minha boca quando arranhei seu pescoço, aquele era Harry com toda a sua vontade e persistência.

Sua boca movia-se com urgência, seus braços apertavam-me contra si em uma forma de garantir que dali eu não sairia, queria dizer a ele que aquela não era a minha vontade, que ficar longe era tudo que eu não queria fazer, mas não consegui falar nada. Não quando estávamos tão entregues um ao outro como dessa forma.

Eu queria mais dele e não sabia até quando aguentaria, mas precisava colocar a cabeça na missão, focar naquilo e decidir o que faríamos porque não queria arriscar mais a vida de ninguém.

- Precisamos decidir o que faremos – falei quando desgrudei nossas bocas.

- Por mim, te jogo naquela cama agora mesmo – respondeu com um sorriso de canto que não alcançou seus olhos.

Bati em seu ombro e afastei-me dele mesmo que relutantemente – Não me provoque, garoto.

- Tenho que admitir que até que gosto quando me chama assim – suspirou e olhou para baixo – Me excita.

Segui seu olhar e reprimi um sorriso ao deparar-me com o volume que ali se encontrava – Vai precisar dar um jeito nisso ou podemos voltar para onde os outros estão?

- Você bem que podia me ajudar, não é?

- Eu te encontro lá – pisquei o olho e o deixei no quarto, mas, antes que visse, peguei as chaves que colocou em seu bolso quando nos beijamos e escondi em minha própria roupa.

- Ele está melhor? – Louis perguntou quando me viu.

- Um pouco – confessei – Antes de decidirmos o que faremos, gostaria de ver a garota baleada.

- Ela acordou, mas não lembra nada sobre si – Liam disse – Pedi para que Niall pesquisasse algo, mas fica difícil quando ela não sabe nem o próprio nome. O doutor disse que pode ser a mente dela a protegendo de tudo que aconteceu por causa da tensão e do medo.

- Algumas mentes são estúpidas – bufei.

- Vou tentar achar a foto dela entre os desaparecidos nas ultimas semanas, Zayn disse que ela era novata – Niall mexia no computador conforme falava.

- Ela só fala com Liam – Vic disse – De alguma forma só confia nele porque foi o primeiro rosto que viu quando acordou.

- E também porque você a salvou – Lou debochou – Um perfeito herói, faltou só a capa e ela cairia de amores por você.

Liam ficou envergonhado, mas não perdeu a pompa de mandão – Porque você sempre faz piada sobre tudo?

- Esse é o meu jeito de levar a vida, Payno – colocou o braço sobre os ombros dele – Agora, confesse ao seu amigo querido, ela é gostosa? Vê-la deitada não é o suficiente para mim.

- Você não estava interessado na irmã do Zayn? – Liam apontou.

- O que? – Malik arqueou as sobrancelhas – Você não ouse chegar perto da minha irmã.

Louis rolou os olhos – Obrigado, Liam. Achei que isso ficaria apenas entre nós.

- Ora, esse é o meu jeito de levar a vida – piscou – Sempre dizendo a verdade. Inclusive Zayn, ele vai leva-la para jantar hoje à noite.

- Você está de brincadeira comigo...

Antes que Zayn pudesse começar uma briga, levantei a voz e me intrometi – Ninguém irá sair dessa casa até termos certeza do que faremos com relação a Brad – Louis ia abrir a boca para reclamar, mas fechou quando fui mais firme – Ninguém. Liam venha comigo, quero falar com a garota para tentar descobrir algo.

Harry nos encontrou no corredor, reprimi um sorriso quando o vi fechar o botão da calça e evitei olhá-lo enquanto caminhávamos lado a lado até o quarto onde a garota estava.

- Não façam muito barulho – Liam pediu – Ela se assusta. Também não acendam as luzes, parece que estava acostumada a estar sempre no escuro, foi o que conseguiu lembrar até agora.

- Se ela pudesse dizer algo sobre Brad que ainda não sabemos seria ótimo – murmurei – Não precisa me olhar assim, Liam. Não irei arrancar nada a força da garota.

- Ela está fraca, Charlie – sussurrou quando abriu a porta do quarto.

Ela comia alguma coisa quando entramos, mas colocou tudo de lado e abraçou os próprios joelhos. No escuro que estávamos não podia dizer como era sua aparência, mas sabia que estava assustada pela tensão que exibia em seu corpo.

- Oi, sou eu. O Liam. Eu trouxe alguns amigos, mas não se preocupe, eles querem o seu bem. Posso me aproximar?

Ele esperou que ela assentisse para sentar na cama, a garota pareceu relaxar quando ele fez isso. Vic tinha razão, ela só confiava nele.

- Olá – me apresentei ainda no mesmo lugar – Sou a Charlotte e esse aqui é o Harry. É dele a casa onde estamos – aprendi que falar algo que ela possa considerar segredo poderia despertar confiança, esperava que desse certo dessa vez.

- Pode falar com eles – Liam sussurrou novamente – São legais e só querem ajudar.

- Oi – ela disse após alguns instantes em silêncio.

- Liam disse que não se lembra de nada – ela voltou a se assustar porque entendeu que eu iria força-la a dizer algo, mas tratei de tranquiliza-la após o olhar inquisitorial de Liam – Mas, não se preocupe, não iremos força-la a dizer nada. Tome seu tempo, okay? Somos todos amigos aqui.

- Inclusive, você pode andar pela casa se quiser – Harry disse dando um passo para frente – Tem um jardim bem legal. Você gosta de rosas?

Ela pareceu relaxar novamente, até abriu a boca para responder a ele, mas quando se prostrou embaixo da luz do sol, justamente em sua visão de alcance, a garota arregalou os olhos e um grito estridente soou por sua boca enquanto apontava incessantemente para Harry e encolhia-se em direção a Liam.

 


Notas Finais


Eu tenho um caso sério de amores por esse capítulo! Espero que tenham gostado! Não esqueçam de comentar, ainda não respondi todos os comentários do capítulo anterior, mas vou fazer isso agorinha.
Mil beijos, até o próximo (que será logo)!


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