História Good Habits (and bad) - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 1
Palavras 1.051
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Pansexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


hello, eu de novo.

Capítulo 4 - Olhos Vermelhos


— George, você já parou para pensar que em relação a minha vida, a sua é só um piscar de olhos? Já em relação com a vida de uma libélula, sabe, aquela espécie efêmera? Você é quase imortal. Ela vive apenas 24hrs.

Não fazia muitos dias que George estava na casa de Marcelo, mas o mesmo se sentia em casa. Estava deitado entre as pernas do garoto e roçava a cabeça no joelho dele como quem pedisse carinho.

— Se comparar a minha vida a sua, eu sou quase imortal. Já se comparar a minha vida com a de tartarugas, estrelas, planetas, asteróides, cometas ou o universo todo, eu sou apenas um nanosegundo perdido no meio de tudo. Isso é assustador, cara. Isso é fantástico, cara. Isso é a real essência da vida.

Marcelo tinha profundas reflexões com seu gato, ele gostava de falar com o mesmo, sabia que mesmo sem responder, de uma certa forma entedia.

— Talvez você dure um dia, talvez 10 anos. Talvez eu dure um minuto, talvez 100 anos. Nós não sabemos, isso é insano, me faz ter vontade de fazer tudo e de não fazer nada, você entende?

— Eu queria ser um gato, não por querer apenas dormir e comer, afinal, para fazer isso nem precisa ser um gato, apenas um acomodado. Eu queria entender a forma como você vê as coisas, a forma como se comunica com o universo ao seu redor. A forma como mudanças naturais te afetam e a tudo que você sente.

— É insano saber que cada animal, cada planta, cada bactéria, cada ser vivo desse planeta vive de uma forma diferente. Muitas visões de mundo diferente, muitos pensamentos, muitas sensações, imagina o quão insano é ter todo esse conhecimento.

— Eu acho que o cara ficaria louco, o que você acha, George?

O gato agora arranhava as coxas nuas de Marcelo e miava baixinho. Aquilo não doía, de uma certa forma era bom, ele gostava das unhas dos bichano na sua pele.

— Nosso planeta é incrível mas imagina esse universo todo, cada estrela, cada planeta, cada um cheio de novas descobertas, pensamentos, meu deus, é muito insano. Não existe outra palavra para definir tudo o que acontece, a cada segundo bilhões de mudanças e mudanças.

Marcelo afasta o gato das suas pernas e pega o celular, resolve mandar uma mensagem para Sofia.

[05/12 8:50 PM] Marcelx: Sofi, você já parou para pensar na imensidão do universo?

[05/12 8:57 PM] Sofia: Por que essa pergunta, logo agora?

[05/12 8:58 PM] Marcelx: Eu apenas queria saber.

[05/12 9:20 PM] Sofia: Depois eu respondo, eu estou na festa de formatura da Anne, beijos.

[05/12 9:21 PM] Sofia: Eu te amo. Não esqueça disso.

Marcelo largou o celular, o gato agora estava deitado no seu peito, dormia calmamente. Ele estava sozinho, a namorada na festa, o pai no escritório ocupado com papéis e mais papéis e a irmã tinha saído com a namorada.

— Você já parou para pensar em todos tão ocupados e presos em si mesmo? Nunca se permitindo novas coisas, nunca vendo o invisível, sempre dopados. Preso na normalidade de tudo.

— Deve ser uma bosta você sempre fazer as mesmas coisas e sempre vê-las da mesma maneira. O problema não é a repetição mas sim a acomodação. Você pode passar mil vezes no mesmo lugar e pode vê-lo de mil maneiras diferentes. Isso é incrível, é como conhecer um novo mundo, mas se você sempre ver tudo da mesma forma, será horrível.

— George, você vê o mundo de mil maneiras ou já se acostumou com tudo isso?

— Você vê cada livro e cacto meu de mil maneiras ou já se acostumou?

— Falando em cactos, que tal um passeio, garotão?

O gato nem se moveu e Marcelo interpretou como um não. Tirou o bichano com cuidado de cima de si e o deitou na cama. O garoto dos cabelos castanhos não se importava muito com a roupa e aparência. Não iria colocar um tênis apenas para caminhar um pouco pelo bairro.

No elevador ele encontrou alguns vizinhos mas nenhuma criança, isso era bom. No térreo o porteiro fingiu que tudo estava bem, mesmo não fazendo uma semana desdo acontecimento na portaria.

Ele não iria pegar o metrô e então apenas caminhou, primeiro até o restaurante japonês. Encarou cada detalhe e viu que existia algo diferente ou talvez ele estivesse diferente.

Enquanto ele caminhava até a loja de sapatos que ficava na esquina, pensou sobre as suas confusões internas, seus conflitos e como aquele monte de pensamentos bagunçados o deixava intrigado. Era como um livro de mistério que podia ter uma reviravolta a qualquer momento.

Ele não precisava ir muito longe para se surpreender com o mundo, era apenas olhar para dentro de si e tentar entender tudo.

Quando chegou na loja de sapatos, se olhou no reflexo do vidro da vitrine, seus olhos vermelhos destacavam-se em seu rosto pálido.

A loja de sapato parecia ter um milhão de coisas novas, tinha algumas decorações de natal que a faziam estar diferente mas Marcelo sentia que tinha mais coisas, ele tentava enxergar o que era novo e o que não era, mas não conseguia.

Seu celular vibrou no seu bolso, o pegou e viu uma mensagem de Sofia.

[05/12 9:40 PM] Sofia: Mar.

[05/12 9:40 PM] Sofia: Eu pensei naquilo que você me disse.

[05/12 9:41 PM] Sofia: O universo é normal. Sabe, é alguns planetas, algumas estrelas, nada incrível demais.

[05/12 9:42 PM] Marcelx: Você não entende, mas tudo bem.

[05/12 9:42 PM] Marcelx: Eu achei que você era diferente.

[05/12 9:44 PM] Sofia: O que eu não entendo, Marcelo? Me diga. Por que eu não sou diferente?

[05/12 9:45 PM] Marcelx: Esqueça, é apenas uma crise existencial. Apenas bobeira, eu juro.

[05/12 9:46 PM] Sofia: Você está bem?

[05/12 9:50 PM] Marcelx: Sim. Você sabe que é normal eu pensar nisso.

Marcelo guardou o celular no bolso e o deixou vibrar e tocar enquanto chorava. Ele queria que a namorada visse a beleza do mundo. A dor que ele estava sentido era horrível, ele queria que a namorada fosse diferente, que ela não achasse normal ser apenas um piscar de olhos no universo ou achar o universo normal.

A partir do momento que ela acha aquilo normal, ela acha tudo normal. E a vida dela se torna horrível. Ela se torna horrível. Marcelo não queria isso logo para ela, alguem que era tão incrível.


Notas Finais


Uma pequena reflexão de Marcelo e sua mania de conversar com seu gato, quem nunca?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...