História Good Habits (and bad) - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Exibições 3
Palavras 1.073
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Pansexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


hello, eu de novo.

Capítulo 4 - Olhos Vermelhos


— George, você já parou para pensar que em relação a minha vida, a sua é só um piscar de olhos? Já em relação com a vida de uma libélula, sabe, aquela espécie efêmera? Você é quase imortal. Ela vive apenas 24hrs.

Não fazia muitos dias que George estava no lar de Marcelo, mas o mesmo se sentia em casa. Estava deitado entre as pernas do garoto e roçava a cabeça no joelho dele como quem pedisse carinho.

— Se comparar a minha vida a sua, eu sou quase imortal. Já se comparar a minha vida com a de tartarugas, estrelas, planetas, asteroides, cometas ou o universo todo, eu sou apenas um nanosegundo perdido no meio de tudo. Isso é assustador, cara. Isso é fantástico, cara. Isso é a real essência da vida.

Marcelo tinha profundas reflexões com seu gato, ele gostava de falar com o mesmo, sabia que mesmo sem responder, de uma certa forma entedia.

— Talvez você dure um dia, talvez 10 anos. Talvez eu dure um minuto, talvez 100 anos. Nós não sabemos, isso é insano, me faz ter vontade de fazer tudo e de não fazer nada, você entende?

— Eu queria ser um gato, não por querer apenas dormir e comer, afinal, para fazer isso nem precisa ser um gato, apenas um acomodado. Eu queria entender a forma como você vê as coisas, a forma como se comunica com o universo ao seu redor. A forma como mudanças naturais te afeta e a tudo que você sente.

— É insano saber que cada animal, cada planta, cada bactéria, cada ser vivo desse planeta vive de uma forma diferente. Muitas visões de mundo diferente, muitos pensamentos, muitas sensações, imagina o quão insano é ter todo esse conhecimento.

— Eu acho que o cara ficaria louco, o que você acha, George?

O gato agora arranhava as coxas nuas de Marcelo e miava baixinho. Aquilo não doía, de uma certa forma era bom, ele gostava das unhas do bichano na sua pele.

— Nosso planeta é incrível mas imagina esse universo todo, cada estrela, cada planeta, cada um cheio de novas descobertas, pensamentos, meu deus, é muito insano. Não existe outra palavra para definir tudo o que acontece, a cada segundo bilhões de mudanças e mudanças.

Marcelo afastou o gato das suas pernas e pegou o celular, resolveu mandar uma mensagem para Sofia.

[05/12 8:50 PM] Marcelx: Sofi, você já parou para pensar na imensidão do universo?

[05/12 8:57 PM] Sofia: Por que essa pergunta, logo agora?

[05/12 8:58 PM] Marcelx: Eu apenas queria saber.

[05/12 9:20 PM] Sofia: Depois eu respondo, eu estou na festa de formatura da Anne, beijos.

[05/12 9:21 PM] Sofia: Eu te amo. Não esqueça disso.

Marcelo largou o celular, o gato agora estava deitado no seu peito, estava começando a pegar no sono. Ele estava sozinho, a namorada na festa, o pai no escritório ocupado com papéis e mais papéis e a irmã tinha saído com a namorada.

— Você já parou para pensar em todos tão ocupados e presos em si mesmo? Nunca se permitindo novas coisas, nunca vendo o invisível, sempre dopados. Preso na normalidade de tudo.

— Deve ser uma bosta você sempre fazer as mesmas coisas e sempre as vês da mesma maneira. O problema não é a repetição, mas sim a acomodação. Você pode passar mil vezes no mesmo lugar e pode vê-lo de mil maneiras diferentes. Isso é incrível, é como conhecer um novo mundo, mas se você sempre ver tudo da mesma forma, será horrível.

— George, você vê o mundo de mil maneiras ou já se acostumou com tudo isso?

— Você vê cada livro e cacto meu de mil maneiras ou já se acostumou?

— Falando em cactos, que tal um passeio, garotão?

O gato nem se moveu e Marcelo interpretou como um não. Tirou o bichano com cuidado de cima de si e o deitou na cama. O garoto dos cabelos castanhos não se importava muito com a roupa e aparência. Não iria colocar um tênis apenas para caminhar um pouco pelo bairro.

No elevador ele encontrou alguns vizinhos, mas nenhuma criança, isso era bom. No térreo o porteiro fingiu que tudo estava bem, mesmo não fazendo uma semana desde acontecimento na portaria.

Ele não iria pegar o metrô e então apenas caminhou, primeiro até o restaurante japonês. Encarou cada detalhe e viu que existia algo diferente ou talvez ele estivesse diferente.

Enquanto ele caminhava até a loja de sapatos que ficava na esquina, pensou sobre as suas confusões internas, seus conflitos e como aquele monte de pensamentos bagunçados o deixava intrigado. Era como um livro de mistério que podia ter uma reviravolta a qualquer momento.

Ele não precisava ir muito longe para se surpreender com o mundo, era apenas olhar para dentro de si e tentar entender tudo.

Quando chegou na loja de sapatos, se olhou no reflexo do vidro da vitrine, seus olhos vermelhos destacavam-se em seu rosto pálido.

A loja de sapato parecia ter um milhão de coisas novas, tinha algumas decorações de natal que a faziam estar diferente, mas Marcelo sentia que tinha mais coisas, ele tentava enxergar o que era novo e o que não era, mas não conseguia.

Seu celular vibrou no seu bolso, o pegou e viu uma mensagem de Sofia.

[05/12 9:40 PM] Sofia: Mar.

[05/12 9:40 PM] Sofia: Eu pensei naquilo que você me disse.

[05/12 9:41 PM] Sofia: O universo é normal. Sabe, é alguns planetas, algumas estrelas, nada incrível demais.

[05/12 9:42 PM] Marcelx: Você não entende, mas tudo bem.

[05/12 9:42 PM] Marcelx: Eu achei que você era diferente.

[05/12 9:44 PM] Sofia: O que eu não entendo, Marcelo? Me diga. Por que eu não sou diferente?

[05/12 9:45 PM] Marcelx: Esqueça, é apenas uma crise existencial. Apenas bobeira, eu juro.

[05/12 9:46 PM] Sofia: Você está bem?

[05/12 9:50 PM] Marcelx: Sim. Você sabe que é normal eu pensar nisso.

Marcelo guardou o celular no bolso e o deixou vibrar e tocar enquanto chorava. Ele queria que a namorada visse a beleza do mundo. A dor que ele estava sentido era horrível, ele queria que a namorada fosse diferente, que ela não achasse normal ser apenas um piscar de olhos no universo ou achar o universo normal.

A partir do momento que ela acha aquilo normalmente, ela acha tudo normal. E a vida dela se torna horrível. Ela se torna horrível. Marcelo não queria isso logo para ela, alguém que era tão incrível.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...