História Gorjeta - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Tags Exo Chanbaek Baekyeol
Visualizações 8
Palavras 2.022
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Policial
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Então meus amores? Eu não me lembro se alguém favoritou, kkkkkkk. Bem, iniciantes nunca começam com o pé direito, mas eu realmente espero que gostem da história que fiz com tanto carinho.

Capítulo 3 - Fórmula da Amizade


Fanfic / Fanfiction Gorjeta - Capítulo 3 - Fórmula da Amizade

Levantei bem antes do galo da minha casa pensar em cantar.

Com uma disposição de fazer inveja, preparei o café da manhã dos meus pais, dei uma disfarçada na bagunça da casa e me encaminhei para o meu quarto. Afinal, eu precisava parecer uma pessoa aceitável e cobrir as olheiras, minhas companheiras de rotina.

Coloquei em uma mochila uma muda de roupa, para me trocar quando o trabalho terminasse e algumas barrinhas de cereal e petisco para comer escondido atrás do balcão entre um pedido e outro. Ou melhor, escondido dos clientes por que todos já me flagraram, incluindo o meu chefe, Minseok. Ele nunca reclamou, acho que sabia que eu precisava de energia para aguentar a semana.

Abri minha gaveta e contabilizei o dinheiro que guardava em cada potinho transparente. Cada um possuía uma etiqueta, e era dividido em: despesas mensais, reserva e resgate do curso. O último potinho estava bem mais vazio do que gostaria. Eu pretendia voltar para meu curso de direito ainda no segundo semestre. Mas para isso eu teria que abrir mão da cafeteria e isso estava fora de cogitação.

Fechei a gaveta suspirando decepcionado.

Era naqueles momentos que eu me sentia fraco e minha única vontade era deixar essa história de curso de vez. Só que pessoas como eu só tinham uma única oportunidade e eu não iria deixa-la escapar por entre meus dedos tão facilmente. Eu precisava ser forte.

Forcei um sorriso encorajador para mim mesmo, e decidi que iria levar tudo com meu bom humor habitual.

Escutei um barulho na porta e andei até lá.

Eu sei o que você está pensando. Acha que eu não devo abrir a porta às quatro da manhã sem saber quem é. Só que minha casa era de localização difícil, e eram poucas as pessoas que a achavam, e se fosse um ladrão daria meia volta decepcionado ao ver uma casa de madeira meio decrépita. Mas ainda assim, peguei a velha espingarda do papai. Ela era pesada e nada discreta, principalmente nos disparos. Os anos ali me fez aprender a lidar com ela muito co, carregada ou não.

Olhei pela fresta da porta vendo quem me aguardava do outro lado, e um leve sorriso agradecido surgiu em meu rosto. Coloquei a arma no canto da sala e abri a porta sem esconder minha empolgação.

ꟷ Já disse que te amo?

Kyungsoo revirou os olhos.

ꟷ Sempre quando quer alguma coisa.

Nos conhecemos desde o jardim de infância com ódio a primeira vista, que se desenvolveu em uma estranha amizade. A diferença entre nossas vidas é que ele conseguiu realizar seu sonho de ser enfermeiro, e eu parei no meio do caminho. Meu melhor amigo era persistente e não se abalava com opiniões alheias. Diziam que um enfermeiro estudava o mesmo que um médico e ganhava um terço do salário. Podia até ser verdade, mas ele não se deixou levar por ideias mercenárias.

Sempre que tinha folga vinha passar um tempo com meus pais enquanto eu trabalhava. Eu me sentia mal por ocupar o tempo dele, e já tivemos muitas discussões em relação a isso. No final das contas deixamos as coisas do jeito que estavam.

ꟷ Vai ficar por quanto tempo? ꟷ Avisei vendo-o se deitar no sofá bastante a vontade.

ꟷ Uns dois dias. ꟷ Respondeu. ꟷ Depois eu vou ter que viajar, tenho umas coisas para resolver.

Assenti.

ꟷ Coisas do hospital?

Ele franziu o cenho ficando bastante fofo.

ꟷ Sim e não. Eu tenho que visitar uma pessoa.

ꟷ Aquela pessoa? ꟷ Indaguei surpreso.

ꟷ Sim. ꟷ Admitiu envergonhado.

ꟷ Vai me explicar isso direito quando eu voltar.

ꟷ Tenho outra opção?

ꟷ Cuide bem dos meus velhos.

ꟷ Eu sempre cuido. ꟷ Retrucou. ꟷ Quero saber quando alguém vai cuidar de você.

Minha língua foi bem mais rápida que meu cérebro. Romances iriam me atrapalhar, eu mal tinha tempo para meus pais... e abalos sentimentais me enchiam a paciência. Kyungsoo e eu confundimos as coisas uma vez e namoramos por exatos três meses, depois disso percebemos que nossa relação era puramente fraternal. Meus pais tinham ficado tristes por amarem nós dois juntos, mas entendiam que não era para ser.

ꟷNão tenho tempo para isso.

Fechei a porta e me preparei para a caminhada que me esperava.

###

Cheguei no meu emprego morrendo e dei de cara com Minseok arrumando as mesas.

ꟷ Se quiser ser liberado mais cedo vai ter que dobrar meus lucros diários. ꟷ Alertou sem me olhar.

ꟷ Credo, que amargura cara.

ꟷ Estou brincando.

ꟷ Eu percebi. Quero saber o motivo dessa alegria. ꟷ Observei seu comportamento e sorri malicioso. ꟷ A noite foi boa.

ꟷ Eu posso te demitir Byun Baekhyun. ꟷ Resmungou, mas nem isso fez diminuir o brilho em seu olhar.

ꟷ E o serviço foi bem feito mesmo hein.

Um pano passou raspando pelo meu rosto, que eu desviei por um fio. Tão previsível... Sempre quando falamos a verdade ele joga em nós a primeira coisa que vê. Isso me lembrava um pouco Kyungsoo, a diferença é que meu melhor amigo sempre me agride.

ꟷ Vá melhorar sua aparência e me deixe em paz.

Sorri diante do seu falso estresse e fui fazer aquilo que tinha me pedido.

Eu era o primeiro funcionário a chegar e o primeiro a sair. Acho que percebeu que Minseok não era só meu chefe, era também um grande amigo. Sempre que a coisa apertava em casa ele me ajudava com uma quantia extra, além disso as vezes me dava carona. Era um cara meio fechado e bastante responsável mesmo com a aparência jovem, então era uma grande surpresa vê-lo saindo com alguém. Eu tinha lá minhas suspeitas e escutava alguns boatos nas saideiras com os outros funcionários, mas nunca fui ligado a fofocas, então mantive meu bico calado.

Arrumei meu cabelo no banheiro do escritório de Minseok. Eu não era um cara muito vaidoso, mas gostava de andar arrumado mesmo sem muito luxo. Não era a oitava maravilha do mundo mas me achava bonito.

Quando terminei tudo reparei que a maioria já havia chegado. Tao preparava a caixa registradora e Taeyeon colocava os arranjos em cada mesa. A única coisa que destoava ali era Lay debruçado à parede com cara de morto.

ꟷ O que aconteceu? ꟷ Perguntei sem rodeios.

ꟷ Game of Thrones aconteceu.

Gargalhei sem dó dele, e meu amigo me dirigiu um resmungo indignado.

ꟷ Terminou A dança dos dragões?

ꟷ Eu não preguei os olhos nas últimas páginas, nunca devia ter me indicado isso, seu mostro.

ꟷ Terminou a quinta temporada também?

ꟷ Isso aí. Eu acho que minha cabeça vai explodir.

Balançei a cabeça com o drama.

Eu era o dramático.

ꟷ Isso é normal minha criança de verão. ꟷ Disse colocando minha mão em seu ombro, em solidariedade.

ꟷ Ah vá se foder Baekhyun. ꟷ Deu um tapa em minha mão e saiu para seus afazeres.

Dei de ombros.

E assim que o primeiro cliente passou pela porta senti que seria um longo dia.

                                                                                       ###

Após quatro horas de trabalho eu tinha conseguido um bom dinheiro para mim e para Minseok. Estava quase na hora da minha pausa para o almoço quando aquele ser passou pela porta, então eu fiz questão de ir atende-lo. Todo o meu orgulho ferido implorava por alívio.

ꟷ Bom dia senhor, qual o seu pedido? ꟷ Indaguei. Esperava que meu tom de voz estivesse amável, mas no fundo eu sabia que tinha soado como um desafio.

E lá estava ele da mesma maneira, terrivelmente bonito e terrivelmente chato olhando para aquele cardápio.

ꟷ Bom dia, Baekhyun. ꟷ Resmungou em tom monótono, que quase me fez passar despercebido o fato de ter me chamado pelo meu nome. ꟷ Vou querer uma torta de morango hoje, mas antes preciso de um copo de água.

ꟷ Certo.

Anotei seu pedido e deixei em cima do balcão enquanto pegava um copo de água e uma jarra.

ꟷ Nunca te vi tão obstinado. ꟷ Jongdae, nosso confeiteiro, observou apoiando o rosto entre as mãos.

ꟷ Virou questão de honra para ele. ꟷ Tao provocou.

Cascavel.

Vai ter volta.

Não respondi ninguém e fui servir o homem mau humorado.

Enquanto colocava a água em seu copo senti seu olhar sobre mim por alguns segundos, mas não o devolvi de maneira alguma. Depois que entreguei sua torta fui servir os outros clientes, sempre aplicando as cinco dicas da gorjeta.

Peguei meu dinheiro e decidi que era hora de almoçar, minha barriga tinha criado toda uma orquestra sinfônica e eu duvidava que os clientes iriam querer escutar. Passei pela porta me decidindo onde iria almoçar. Que tal uma pizza, seguida de um pedaço de bolo de chocolate com muita calda? Não era lá um almoço, mas isso me lembrava a minha época de escola.

ꟷ Ei Baekhyun. ꟷ Aquela voz grave...

Me virei observando vendo o Sr. Pão Duro andando até mim, a cada passo que ele dava eu sentia vontade de cavar um buraco no chão e me esconder. Ele era muito intimidante. Mas eu jamais iria deixar isso transparecer. Quando ele ficou a um metro de distância eu reparei que ele era bem maior que eu, quase arregalei os olhos. Não tinha me dado conta até aquele momento. Eu só não sabia o que ele queria me chamando.

ꟷ O que? ꟷ Falei meio impaciente, eu estava com fome.

Ele deu um sorrisinho e me estendeu uma nota de dez dólares.

Dez dólares.

ꟷ Ahn.. ꟷ Eu precisava de ajuda para processar aquilo.

ꟷ Sua gorjeta. ꟷ Ele disse o óbvio.

ꟷ Mas é muito. ꟷ Falei com um fio de voz pegando o dinheiro estendido, me sentindo mal por ter sido tão mal educado com ele.

ꟷ Sábado eu tinha esquecido. ꟷ Se justificou colocando as mãos no bolso do casaco.

ꟷ Não tinha não. ꟷ Retruquei sem me controlar, lembrando do misero um dólar.

Senhoras e senhores me deem um tapa.

Mas aquele homem só fez se divertir com a minha reposta.

ꟷ Vamos fingir que eu esqueci.

Sorri. Aquilo iria para meu potinho do curso.

ꟷ Obrigado...

ꟷ Park Chanyeol. ꟷ Completou. Aquele nome combinava com ele. Eu sei que parece idiota, mas tem pessoas que não combinam com o nome que têm. Ele destravou seu carro para seguir seu dia e eu fiz o mesmo – seguir minha vida, porque um carro só em vinte anos - cantarolando pelas ruas.

                                                                                        ###

Quando abri a porta meus pais estavam abraçados no sofá comendo pipoca enquanto assistiam um filme que eu não conhecia.

ꟷ Boa Noite meus velhos.

ꟷ Boa noite Baek. ꟷ Papai devolveu afastando-se para que eu sentasse ao seu lado.

ꟷ Cadê o Soo?

ꟷ Cozinhando.

Fiquei ali um pouquinho curtindo os dois, que pareciam estar muito bem.

ꟷ Vou lá falar com ele. ꟷ Sentenciei procurando meu amigo.

E lá estava ele mexendo nas panelas, o cheiro estava maravilhoso e o sabor provavelmente também. Ele era bem melhor na cozinha que eu, pelo menos em massas.

ꟷ Como foi o dia? ꟷ Questionei.

ꟷ Calmo, seus pais são tranquilos e bem carentes.

Assenti.

ꟷ E o seu? ꟷ Devolveu.

ꟷ O mesmo de sempre. ꟷ Admiti.

ꟷ Quanto conseguiu hoje?

ꟷ Quarenta dólares.

Ele quase tropeçou nos próprios pés.

ꟷ Quanto?

ꟷ Quarenta. ꟷ Repeti orgulhoso de mim, mas aí eu lembrei de uma coisa. ꟷ Mas eu lembrei de uma coisa curiosa.

Tirei a nota de dez dólares que tanto tinha me surpreendido.

ꟷ Me conte. ꟷ Soo incentivou se encostando na pia, colocando toda a atenção em mim.

ꟷ Um único cliente me deu dez dólares hoje, mas ontem ele havia me dado apenas um. Ele foi claramente fugiu das minhas técnicas de persuasão.

Ele soltou uma risada.

ꟷ Isso é inédito.

ꟷ Sim, é verdade.

Deixei aquele assunto de lado e voltei a pergunta que tinha guardado em minha cabeça.

ꟷ Por que vai visitar Jongin?

ꟷ Ele me ligou e disse que precisamos conversar.

Respirei fundo.

ꟷ É uma péssima ideia. ꟷ Dissemos juntos.

Jongin era o carinha que o Soo se apaixonou quando estavam na faculdade, eles ficaram por um tempo, mas ele era tão filho da mãe... mesmo assim, eles manteram contato depois que ele se mudou para outra cidade.

ꟷ Eu sei que você não me escuta, então não vou falar nada. ꟷ Resmuguei. ꟷ Só quero que resolva logo essa situação, e se quebrar a cara já sabe.

Óbvio que ele nem deu atenção.

ꟷ Estou com fome. ꟷ Reclamei manhoso, para que ele me servisse.

Na época eu não sabia que a frequência, proximidade e duração de encontros – violentos – com Kyungsoo iriam gerar uma grande amizade. No entanto, eu agradecia por isso todos os dias. 






Notas Finais


Eu amo qualquer pessoa que leu esse capítulo, desculpe se estou sendo muito melosa, mas é verdade. Até o próximo capítulo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...