História Grand Canyon - Capítulo 2


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Categorias Seventeen
Personagens Hansol "Vernon" Chwe, Jeon Wonwoo, Kim Mingyu, Xu Ming Hao "THE8"
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Palavras 3.290
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - .curar seu coração


Fanfic / Fanfiction Grand Canyon - Capítulo 2 - .curar seu coração

Heejin estava observando a rachadura no quintal pela janela do quarto de seu irmão, o próprio comentando sobre como a responsável pela fenda da noite passada era sem noção. Testar os limites de um coração partido em uma boate lotada, puff.

Wonwoo estava muito irritado apenas com a hipótese de sua irmã quase ter sido soterrada pelos escombros e tinha mostrado toda sua indignação de madrugada, quando Minghao e Heejin chegaram, ambos com um humor negro para pessoas que estavam em um lugar badalado. Evitando futuras brigas, decidiram contar naquele instante, uma vez que sabiam que caso Wonwoo descobrisse pelos noticiários, as coisas não ficariam bem.

Agora, ele estava mais calmo, diferente de antes, quando começou a gritar que nunca mais deixaria Heejin sair, não importa se ela já era adulta, afinal, a garota continuava sendo a mais nova e deveria ter respeito para com ele.  

– Talvez a gente devesse colocar alguma coisa para encher a fenda. – Heejin cortou a fala do irmão, pressionando o dedo indicador contra o vidro da janela, sinalizando o buraco no quintal.

Wonwoo estava arrumando a escrivaninha, mas parou ao ouvir a voz da mais nova, dando uma espiada para o defeito no gramado. Suspirou quando olhou o rosto triste de Heejin.

– Que tal irmos visitar a vovó por um tempo? – se aproximou dela, sentando-se ao seu lado e a abraçando. Heejin aconchegou a cabeça no ombro de Wonwoo, balançando a cabeça em concordância. – Quando voltarmos, há possibilidades da fenda ter se fechado. – sorriu, afagando o braço da castanha. Ela voltou a assentir. – Então melhor ir arrumando suas malas. – sussurrou. Heejin sorriu feito uma criança, levantando-se e correndo descalça para o próprio quarto.

Wonwoo desviou a atenção para o quintal, notando que a rachadura havia se fechado, mesmo que pouco, comparando com a dois dias atras, quando tinha se aberto. Franziu o cenho, indagando mentalmente se mais alguma coisa aconteceu na madrugada para colaborar com o fechamento da fenda.

 

O telefone quase caiu no chão do banheiro quando Minghao exclamou em indignação com a notícia de Heejin.

– Jinnie, e o garoto de ontem? – os dois estavam se falando por chamada de vídeo no skype, por esse motivo ela evitou olhar a cara de piedade que o amigo fazia. Minghao normalmente era aquele garoto que tinha a resposta na ponta da língua, bem cavalo, mas com uma aparência de bebê, característica que ele abusava quando queria algo de Heejin.

– O que tem ele? – Heejin continuou pegando sabonetes, shampoo, condicionador e as escovas de dentes com a mão livre, colocando as coisas debaixo do sovaco para pegar o resto. A embalagem do condicionador escorregou, mas a castanha se abaixou, agarrando o objeto a tempo.

– Mandou mensagem? – Minghao levantou uma sobrancelha quando Heejin o olhou em meio a sua árdua tarefa. Ela negou, desviando o olhar quando ele adquiriu uma expressão nada agradável. – Jeon.

– Nem vem, The8. – a castanha bufou, não conseguindo ser ágil o suficiente para segurar o pacote do sabonete. – Olha, Hansol me destroçou, tudo bem? A fenda é a prova disso e por muito pouco não chegou na minha vizinha, se não ela seria mais uma na lista de corpos desses dias. – respirou fundo, escorando-se no balcão. – Mingyu me ajudou ontem, e sim, a fenda fechou um pouco, mas muito pouco! Quero um descanso para o meu coração e essas semanas na minha avó vão me ajudar com isso. Até lá, sem celular. – soltou todas as coisas sobre a pia, passando a mão sobre o cabelo. – Quando eu voltar, talvez esteja tudo bem e tente algo. – engoliu em seco, observando a expressão triste de Minghao. – Você sabe que não gosto que tenham pena de mim, Xu Minghao.

– Me sinto péssimo porque eu te ajudei a se aproximar do Hansol. – o chinês focou em algum canto do quarto dele, pensando em palavras de conforto para a amiga.

– Desde quando é vidente para saber do futuro, Minghao? – Heejin riu, chamando a atenção do outro de volta para o celular. – Não tinha como saber o final desse relacionamento. Erros são assim. Aprendemos com eles. – ela sorriu. – E ontem foi mais um exemplo disso. Agora, só vamos para as festas quando tivermos certeza que o lugar tem estrutura para suportar fendas. – os dois riram, mesmo que o mal estar ainda estivesse presente ao lembrarem dos mortos que tinham passado no jornal de manhã.

– Vão ir que horas? – Minghao suspirou, sabendo que tocar no nome de Mingyu não iria ajudar a Jeon como ele gostaria.

– Depois que terminarmos as malas. Wonwoo já ligou para minha avó e disse que ela ficou muito feliz de saber da nossa temporada lá. – a garota sorriu. – Quer ir junto? – tentou disfarçar a decepção quando o chinês negou tristemente.

– Faculdade. – ele falou com desgosto e uma careta de quem era totalmente obrigado a viver. – Mas não esquenta, vou fazer uma festa de boas-vindas quando vocês voltarem.  

– Sem confetes.

– Com muitos confetes e Mingyu dentro de uma caixa.

– Pode ser... mas sem confetes, ou te obrigo a passar aspirador em tudo.

– Ok. Sem confetes.

 

A fazenda da Sra. Meyong era muito grande e foi palco de muitas travessuras dos irmãos Jeon. A mulher, já com seus 80 e pouco anos de idade, cuidava daquele lugar com muito amor, do mesmo modo que seu marido fez até o fim da vida dele, deixando todo seu tesouro para a mulher, os filhos e netos.

Um dia, Wonwoo e Heejin seriam donos de todo aquele espaço gigante, para continuar a tradição. Apesar de no começo achar uma tortura ter seu destino selado a viver naquela fazenda, conforme ia crescendo, Heejin foi vendo o quão especial o lugar era. A tradição não a trancava necessariamente, afinal, ela só pegaria a escritura quando seu pai morresse, até lá, poderia morar em qualquer lugar do mundo que desejasse.

Os irmãos viviam em Seul, mas sempre que podiam ou precisassem tomar um ar, iam para os arredores de Busan dar uma visita a sua avó paterna.

O tempo estava frio, por ser inverno, mas Heejin sentia-se quente com sua calça jeans, botas cor de caramelo, blusa e moletom. A jaqueta de Mingyu se encontrava em uma das malas embaixo de seu banco no trem. Wonwoo dormia ao seu lado, a cabeça pendendo no ombro da irmã, que encontrava-se ocupada em visualizar a paisagem da viagem.

De propósito, a garota procurou em suas músicas “Spring Day” em suas músicas.

Quando o ritmo triste começou, saiu da lista de músicas, indo parar no Kakao Talk, onde abriu o chat de Mingyu, sem balão algum. Respirou fundo e digitou um “oi” com dois i, não querendo soar grosseira. Apagou depois de dois segundos achando-se estúpida.

– Devia mandar algo logo. – Wonwoo murmurou, dando um susto na irmã que ainda achava que o mais velho estava dormindo. Rindo, ele levantou a cabeça com um sorriso sonolento, esfregando os olhos com os nós dos dedos. – Garotos gostam de garotas diretas.

– Que que deu que tá me dando dica? – Heejin franziu o cenho, dando uma cotovelada no irmão, este que riu das bochechas rubras da irmã.  

– Não conheci esse cara e você nem comentou sobre ele comigo. – o maior fungou, inclinando-se para pegar uma mochila onde tinha guardado salgadinhos e doces para a viagem de duas horas. – Por que? – a olhou.

A irmã acomodou-se no canto, levemente desconfortável com a indagação do mais velho, decidindo voltar a olhar para a janela enquanto pedia mentalmente por uma resposta na paisagem. Não adiantava mentir para Wonwoo, mas ela mesma não sabia o porquê de não ter mencionado Mingyu para ele. Na verdade, ela sabia, sim, mas era difícil admitir.

– Deixa eu adivinhar. – ele riu. Heejin comprimiu os lábios. Não adiantava nem tentar esconder alguma coisa do irmão; Wonwoo sabia ler suas feições e perguntas mentais perfeitamente. – Com medo que eu diga a mesma coisa que falei do Hansol? – ao nome do garoto, a castanha encarou Wonwoo.

– Não é isso. – murmurou ela, coçando a nuca.

– É exatamente isso. – o de cabelos negros assentiu, puxando um dos pacotes com algum salgado com mel que a irmã não gostava, mas ele amava. – Sabe, não conheço ele, e depois do Hansol, talvez fosse melhor você me dar ouvidos. – o tom era brincalhão, mas após abrir o salgado e ver que Heejin não tinha rido, decidiu parar e falar sério, limpando a garganta. – Jinnie, sei que gostava dele de verdade. A fenda diz tudo, mas...

– Você me avisou. – Heejin o olhou, a umidade nos olhos entregando que estava prestes a chorar. – Você disse que Hansol ia me machucar e eu não te ouvi. – uma lágrima escorreu, mas a castanha rapidamente limpou. – E agora tem uma fenda atrás da nossa casa.

– Jinnie... – Wonwoo largou o pacote, abraçando a irmã mais nova de forma apertada. – Desculpe, fui idiota, não quis jogar a culpa em você. – a balançava desesperadamente, os soluços dando partida enquanto os braços do irmão a confortavam.

– E se eles forem iguais e...

– Não, não, não... nem todos são iguais. – Wonwoo a cortou, odiando ver a menor naquele estado. – Talvez esse cara seja diferente.  

– Sei é que para me deixar melhor, mas não minta, Wonwoo. – Heejin deixou o rosto dombar no colo do irmão, os dedos do mais velho passando a acariciar os cabelos escuros enquanto ela se recuperava de lembranças dolorosas, que provavelmente aumentavam a fenda em Seul.

– Não estou mentindo, Jinnie. Vi que a fenda tinha fechado hoje de manhã e algo me diz que foi por causa dele. – o mais velho engoliu em seco, jogando a cabeça para trás. – Não sei o que ele fez, mas te ajudou e isso me faz acreditar que ele pode ser diferente do Hansol.

 

O verde da fazenda de sua avó deixou Heejin mais alegre.

Wonwoo, por outro lado, liberou a criança interior ao deixar as malas com a irmã e sair correndo pela longa extensão do que seria o jardim, comentando alegremente que haviam muitas flores para o inverno.

– Jinnie! Seu canteiro! – cantarolou, parando perto da casa e apontando para uma faixa posicionada do lado do caminho de terra que levava até a varanda.  

Tal frase foi suficiente para a castanha soltar as bagagens e correr para onde ele apontava, sorrindo alegremente quando seus olhos se depararam com as cores vivas das flores que tinha plantado quando ainda era pequena, a muito crescidas e bem cuidadas.

– Tenho que agradecer muito a vovó por continuar cuidando delas. – Heejin riu de leve, subindo a escadas da varanda onde conseguiu ver pela porta de tela a sala de estar vazia.

– As malas. – Wonwoo comentou, apontando para onde as coisas da dupla estavam. A mais nova deu de ombros, entrando na casa, o deixando sozinho para carregar todos aqueles pertences.

A castanha caminhou lentamente até a cozinha, observando cada canto da casa onde viveu por um longo período de tempo, lembrando-se de cada momento entre aquelas paredes, o sentimento de nostalgia fazendo seu peito esquentar em uma alegria que quase escapuliu pelos seus olhos. Piscando para distanciar as lágrimas, enfim adentrou o cômodo onde a Sra. Meyong lavava a louça.

Cutucou as costas da mais velha, que virou-se rapidamente com uma faca cheia d espuma na mão direita. Heejin arregalou os olhos, dando dois passos para trás com as mãos levantadas indicando sua rendição. A feição assustada da Sra. Meyong sumiu, substituindo uma radiante.

– Jinnie! – exclamou, largando a faca e secando as mãos na toalha que tinha na pia, abrindo os braços para apertar a neta entre eles. – Pensei que viriam mais tarde. – balançou a mais nova de um lado para o outro, esmagando os ossos de Heejin, esta que tentava devolver, mas não tinha força suficiente para isso.

– Achamos que quanto mais cedo melhor. – Heejin riu, soltando-se da avó e sorrindo de orelha a orelha quando sentiu as mãos da outra em seu rosto.

– Quanto mais você cresce mais se parece com sua mãe, Jinnie. – Sra. Meyong sorriu, apertando as bochechas da Jeon. – Onde está Wonnie? – ela mirou a porta da cozinha, esperando que o neto entrasse, mas sem sinal do garoto.

– Deve estar pegando as malas. – a mais nova comprimiu os lábios, sentindo-se mal por deixar Wonwoo para lidar com a bagagem, uma vez que ela pensava que ele iria vir atrás depois do dar de ombros da irmã. – Vou ajudar ele. – soprou uma risada, correndo para a saída, somente para encontrar Wonwoo colocando a última mala perto da porta. Ele bufou, cansado, colocando ambas as mãos na cintura e lançando um olhar indignado para Heejin. – Desculpa... – ela miou.

– Tudo bem. – o mais velho adentrou a casa, sorrindo quando a avó veio abraçá-lo.

– Meu Deus, crianças, vi no jornal sobre uma boate que foi destruída por uma das rachaduras. – a Sra. Meyong estava ao ponto de partir os ossos do neto. – Sabem de algum conhecido que esteve por lá? – entre os braços da matriarca, Wonwoo encarou Heejin como lhe desse um aviso mental para tomar cuidado com as palavras que poderiam desencadear um ataque na avó.

– Bem… – Heejin captou o recado sem muitos problemas, juntando as mãos na frente do corpo na intenção de disfarçar seu nervosismo. A Sra. Meyong tinha aguentado muito na sua vida, coisas que poderiam deixar qualquer adolescente com o forte desejo de se suicidar, e por isso os netos a viam como uma pessoa muito forte, mesmo que sua aparência fosse frágil. Porém, ambos tinham noção que quando o assunto se tratava de sua família, a avó ficava totalmente sentimental. – Sabemos, sim. – riu de leve, como se o que fosse falar não passasse de uma piada interna deles. – Eu e The8.

– O que?! Você?! E o Minghao?! – a Sra. Meyong quase jogou Wonwoo para longe ao levantar os braços em espanto, agarrando os ombros da neta para verificar cada pedacinho do rosto da mais nova, procurando algum arranhão causado pelo desabamento, qualquer coisa que tivesse machucado a castanha, mas sem encontrar nada, voltou os olhos desesperados para os aflitos da Jeon. – Meu Deus, Heejin! Isso foi tão perigoso!

– Não sabíamos que uma fenda ia partir a boate ao meio, vovó. – Heejin segurou as mãos da avó, apertando os dedos enrugados na tentativa de passar um pouco de calma para a de fios platinados. Infelizmente, a própria Heejin tinha falta da paz e não conseguiu melhorar o estado da outra. – Mas ficou tudo bem. Conseguimos escapar sem um arranhão, mas infelizmente, muitas pessoas morreram.

– Graças aos Anjos! – respirou aliviada, abraçando Heejin. – Que irresponsabilidade do culpado da fenda!

– A mulher não devia ter noção do quão sério seriam os danos, vovó, não a culpe. Ela também morreu soterrada. – Wonwoo acariciou as costas da Sra. Meyong, notando que sua avó parecia muito desestabilizada com a ideia de perder a neta. Ficando em silêncio por um instante, qual encarou a irmã mais nova, ele entendeu todos os sentimentos da avó, respirando fundo quando a ficha caiu de que poderia ter perdido Heejin para um desmoronamento, graças a um descuido de outra pessoa.

– Ah… – Heejin passou a língua pelos lábios, notando que o clima estava muito tenso na sala. – E outra coisa aconteceu. – a avó se distanciou para observar seu rosto, preocupada pelas notícias que se seguiram. – Tem uma fenda atrás da nossa casa. – o queixo da menor tremeu, os olhos ganharam brilho quando as lágrimas apareceram, as palavras de Hansol entoando em sua cabeça como se ele estivesse ali naquele instante, as proferindo com aquele tom de desculpas, um tom dolorido, como se quisesse evitar mais daquele momento, mas sabendo que era impossível. – E eu a abri. Vovó, meu coração abriu uma fenda que rachou nosso quintal ao meio. – o soluço escapou. – Hansol quebrou meu coração.

 

O final de dia na casa de campo era muito bonito.

Por mais que o frio tivesse caído juntamente com a noite, os três estavam do lado de fora, sentados na varanda em um balanço com xícaras de chocolate quente em suas mãos, um cobertor leve para cada um se enrolar e aproveitar o céu negro sem nuvens, pontilhado de estrelas.

– Lembram-se de todas as constelações? – a Sra. Meyong sorriu com nostalgia quando relembrou de seu marido ensinando os netos o significado de cada formação no céu.

– São muitas. – comentou Wonwoo, apoiando os pés do corrimão e dando impulso para fazer o banco balançar. – Quantas, Heejin? – olhou para a irmã, que mantinha os olhos fixos no céu, procurando as constelações que o avô costumava lhe pedir para ditar.

– Atualmente, estão listadas 88 constelações. – murmurou como se tivesse decorado, franzindo o cenho por não estar conseguindo localizar nenhuma delas. Não estava mais acostumada a mapear as estrelas, uma vez que elas eram muito difíceis de serem vistas na poluição de uma cidade grande como Seul. – Só consigo me lembrar dos nomes e são de poucas. – soltou um sopro de risada, tomando um gole do chocolate. – Phoenix, Fornax, Sculptor, Grus, Tucana e Eridanus.

– Falando em estrelas… – a Sra. Meyong parecia muito empolgada com a melhora de humor da neta. Depois de passar uma tarde despejando todas suas dores para fora, com um cuidado especial para que nada fosse delicado o suficiente para abrir mais a fenda em Seul, Heejin tinha um ar tranquilo e até mesmo alegre, mesmo que esse último não fosse tão notável. – Como vai a faculdade?

– Ainda estou impressionada que passei em astronomia e mais impressionada ainda por ter passado dois anos sem perder uns neurônios. – brincou a mais nova, mostrando os dentes em um sorriso. Não era seu sorriso usual, que puxava as pontas para cima em um ato que fazia as pessoas ao seu redor sentirem-se melhor, mas sim um sorriso triste, escondendo o machucado ainda em cicatrização. – Estou me esforçando de um jeito que jamais me esforcei na escola. – admitiu.

– Fico feliz de ouvir isso, Jinnie. – a avó dos Jeon abraçou o mais velho, brincando com o cabelo negro dele. – E você?

– Estou muito orgulhoso do meu trabalho na biblioteca pública, assim como minha faculdade de música. – assentiu Wonwoo, encostando a cabeça no ombro da Sra. Meyong.

– Fico igualmente feliz, querido. – ela beijou a testa de Wonwoo, logo virando-se para fazer o mesmo com Heejin. – Meus netos de ouro. – gargalhou a mais velha, apertando os ombros dos dois. – Só não contem para seus primos. – sussurrou, causando risadas nos irmãos.

O trio ficou mais um tempo, relembrando-se das 88 constelações, apontando para algumas presentes no céu conforme vinham em sua memória. No final, já era tarde e Wonwoo pendia adormecido sobre o banco, a xícara a ponto de cair se não fosse por Heejin, que pegou a porcelana e empurrou o banco para alcançar o batente da janela atrás de si, onde deixou a xícara vazia.

– Sabe, querida, que não é sua culpa, certo? – sua avó estava serena ao observar as flores que cresciam perto das escadas, que desciam para o quintal aberto repleto de natureza.

– De certa forma, sim. – Heejin respirou fundo, também encarando o colorido das pétalas balançantes a brisa da noite. – Mas não posso culpar Hansol. Eu vi coisas onde elas não existiam e quando ele me mostrou isso, rachei a parte traseira da nossa casa. – deu uma olhadela para Wonwoo.

– Não escolhemos por quem nos apaixonamos, Jinnie, isso é algo tão natural quanto respirar. – os dedos envelhecidos, mas macios, enrolaram suas mãos gélidas, as esquentando, tanto com carinho quanto pelo fato da Sra. Meyong estar de fato mais quente. – Você sabe muito bem que a vida é feita de desilusões parecidas com essa e sei que você é forte demais. – os olhos da matriarca encontraram os da neta. – Vai conseguir curar seu coração, Jinnie, e tenho certeza que alguém muito especial vai lhe ajudar. – deu um sorriso gentil, tirando uma mecha castanha, que escapou do rabo de cavalo, grudada nos cílios de Heejin. – Algo em meu íntimo me diz que já conheceu esse alguém, querida.


Notas Finais


enfim. :)
obrigada aos leitores. szsz


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