História Green eyes - Capítulo 48


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Personagens Originais
Tags Laura Prepon, Laylor, Orange Is The New Black, Taylor Schilling
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Palavras 2.869
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: FemmeSlash, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 48 - Don't look back in anger


MARJORIE’S POV

Eu já havia sido jovem, professora, namorada, esposa... Era uma mulher completamente normal, numa vida comum, mas algo mudou quando eu soube que seria mãe.

Um teste de farmácia me fez começar a ter consciência de coisas que eu havia escutado a vida toda. Minha mãe estava certa, eu só as entenderia quando me tornasse uma. E foi esse presente que me deu a chance de me sentir incrivelmente especial.

Havia uma vida, um pequeno ser humano em formação dentro de mim durante nove meses. A sensação era diferente de qualquer outra que eu já tivesse experimentado e ainda hoje me faltam palavras para explicar o que é realmente carregar um bebê, trazê-lo a vida, educá-lo e vê-lo crescer.

Gradualmente, eu fui entendendo que ser mãe não era apenas corresponder a um porto seguro, a uma referência, era também ser uma testemunha. Acredito que qualquer relação afetiva que nos deixe próximo de alguém não escape a isto: testemunhar a vida do outro. Não é apenas assistir ao desenrolar dos anos, é participar ativamente, é se importar com tudo, sem priorizar apenas as grandes conquistas.

Ser mãe de primeira viagem é também um encontro com a inexperiência, no entanto, outras gestações, embora nos encontrem mais preparadas, nunca fazem de nós mães plenamente preparadas. A maternidade não é um ofício de certezas. E é com dúvidas que avançamos na complexa empreitada de criar um filho.    

Inegavelmente, isso não é nada fácil, mas revestiu minha vida de um sentido lindo. Eu, uma mulher tão comum, tive a grandiosa chance de ser mãe cinco vezes. Tive sorte, tanto quanto os filhos quanto com o marido, mas não importa o quanto Stephanie, Jocelyn, Danielle, Brad e Laura envelheçam, existe uma magia no laço entre mãe e filho que nos torna indispensáveis um ao outro.

A condição de ser mãe, a mim, nunca pareceu passageira. Quando nenhum de nós existir, ela permanecerá imutável, mesmo que numa sequência genalógica. Eu os trouxe ao mundo, como um veículo, e eles me fizeram mãe.

Cada um modificou minha vida de uma forma diferente, ao ponto de ser difícil recordá-la antes da chegada deles. A maternidade também é uma jornada de aprendizado e de engrandecimento. A cada dia eu os amava mais, e, contradizendo a gradual independência deles, tornava-me mais mãe.

Mas o que existe nesse jeito tão pequeno e singelo de ser chamada? Uma palavra de apenas três letras que traz em si um sentimento tão vasto e indefinível, quase subjetivo, abstrato. Não se explica, apenas se sabe, sente e vive. A cada vez que um dos meus filhos me chama de “mãe”, esse laço parece se fortalecer.

O amor maternal, capaz de aumentar, também não fez distinção entre nenhum dos filhos. Mesmo com personalidades diferentes, não há um que eu ame mais, ou menos, que o outro. Felizmente, todos entenderam quando algum deles demandou um pouco mais de atenção e cuidado, sem ciúmes.

Desde a notícia do acidente de Laura, Brad e suas irmãs compreenderam que a delicadeza do quadro a colocaria como centro das preocupações. Só Deus sabe a agonia que eu senti ao saber que minha caçula esteve tão perto de partir.

Todos nós ficamos desgastados com o período do coma, o diagnóstico quanto à perda de memória, sua reabilitação... Aos poucos, a situação pareceu ter se acomodado, ainda que não fosse simples lidar com ela. Taylor e Jodi já tinham me informado sobre a recente descoberta, e eu sabia que era improvável que a verdade fosse bem recebida por Laura.

Desde cedo eu consegui enxergar cada filho sem fantasias, sem distorções, e os mesmos confirmavam isso para mim. Conhecia bem cada qualidade e cada defeito. Com Laura não era diferente. Eu sabia de sua coragem, sua determinação, conhecia seu jeito prestativo e protetor. A minha caçula era muito mais do que sua imagem poderia demonstrar.

De fato, ela era uma mulher forte, mas também havia espaço para medos e fragilidades, como qualquer pessoa está sujeita a ter. Ser verdadeiro era o pré-requisito básico para conquistar sua confiança. Laura sempre gostou de quem se mostrava como realmente era e que tivesse a paciência para desvendá-la.

Aquele que fosse capaz de amar a mulher e também a menina que existia dentro dela, com sombras e luzes, receberia o que ela poderia oferecer de melhor. Mas Laura também era rígida, consigo e com os outros. Era teimosa, por vezes, inflexível, impulsiva e até rancorosa.

A atitude de Taylor contrariou aquele princípio básico da verdade, mas eu não fiquei contra ela. Primeiro porque contar ou não sobre o relacionamento das duas não competia a mim, em segundo, porque coração de mãe não costuma se enganar quando se propõe a enxergas as coisas como elas realmente são.

O amor que Taylor sentia por Laura era inquestionável e eu já havia vivido o suficiente para entender que um sentimento desta grandeza tornaria a fuga uma opção inviável, até vergonhosa. Para mim, foi nítido que não se tratava apenas de orgulho, comprometimento, e foi naquela imensa adversidade que eu vi a namorada de minha filha comprovar seu caráter.

Nunca ensinei meus filhos a mentir, mas quis que eles aprendessem a fazer aquilo que a consciência de cada um apontasse como correto. Eu não exaltaria a mentira de Taylor, mas não poderia dizer que ela foi em vão, menos ainda motivada por covardia ou maldade.

Como mãe, meu papel não era ficar do lado de Laura, contra Taylor. Naquela história não havia uma mocinha e uma vilã. Ambas foram submetidas a uma situação inesperada, assim como nós, e depois do acidente cabia a cada um fazer o que pudesse com o que ele havia nos causado.

Jodi me informou que Laura estava em Montana, passando alguns dias sozinha. Ela não havia dito que viria para Watchung, no entanto, tê-la em casa não chegou a me surpreender. Minha caçula precisava do acolhimento que a família tinha a oferecer, do meu colo. Ela não precisaria ter dito nada para que eu pudesse perceber isso. Uma das vantagens de bem conhecê-la era que Laura se tornava uma pessoa fácil de interpretar, sem sinais dúbios.

Minha filha tentou demonstrar que estava bem, como se precisasse fingir algo para alguém. Talvez mais para ela do que para mim. Era claro que não estava tudo bem. Laura estava confusa, magoada, perdida, sentindo-se traída, enganada e, no fundo, envergonhada por não conseguir ter controle sobre sua própria mente e fazê-la se lembrar do que havia sido esquecido. Eu sabia que aquelas folhas arrancadas de sua história a atormentavam, mas ainda não era o momento de pressioná-la a falar sobre o assunto.

Ela queria o conforto, a segurança e a naturalidade que eu sempre quis que meus filhos encontrassem em casa, no lar que nunca deixaria de ser deles também.

Assim que ela chegou, no fim da tarde, a recebi com o melhor abraço que poderia oferecer e deixei que ela demorasse o quanto achasse necessário dentro dele. Entre xícaras de café e pedaços de bolo, após ter se acomodado e tomado um banho, conversamos sobre amenidades. Laura quis ouvir sobre como andava a vida das irmãs, dos sobrinhos e de Brad. Ela pediu que eu ainda não os avisasse que ela estava em Watchung, desejando que naquela noite fôssemos apenas nós duas.

Após ter me contado detalhadamente sobre sua estadia no resort em Montana, pontuando diversas vezes que me levaria até lá um dia, Laura pediu licença, alegando que estava muito cansada da longa viagem e que precisava dormir. Perguntei se ela gostaria que eu preparasse algo especial para comer mais tarde, coisa típica de mãe quando recebe a visita dos filhos, eu acho, no entanto, nada lhe ocorreu.

Presumi que a casa ficaria cheia quando Brad e as meninas soubessem que ela estava ali, então decidi adiantar os preparativos de algumas comidas, pratos que eu sabia que todos gostavam, priorizando as preferências de Laura, mesmo que ela não houvesse pedido. Suspeitei que ela não estivesse se alimentando bem a julgar pela magreza e aparência abatida.

Já era um pouco tarde quando terminei de organizar tudo e subi para tomar banho. Ainda sem sono, decidi ficar na sala lendo um pouco antes de retornar ao quarto.

– Ainda acordada, mãe? – Laura se pronunciou enquanto descia a escada.

– Você sabe que eu nunca fui adepta a dormir cedo, querida – respondi, deixando o livro de lado. – Está tudo bem?

– Está. Eu só acordei com fome.

– Eu fiz aquele pão irlandês que vocês adoram – sugeri.

– Quer me fazer companhia? – pediu de um jeito adorável e foi como se a garotinha ruiva de bochechas fartas estivesse de novo em minha frente.

– Claro, querida.

Voltamos para a cozinha e fiz questão de preparar seu lanche da madrugada, contra seus protestos alegando que poderia fazer aquilo sozinha. De fato, não era nada elaborado: algumas fatias de soda bread, o típico pão rústico integral feito na Irlanda, e um copo de leite morno.

Laura comeu em silêncio e depois foi para o sofá da sala junto comigo.

– Venha cá – chamei-a para que deitasse sua cabeça em meu colo.

– Não estou grande demais? – brincou.

– Nenhum dos meus filhos é crescido demais para o colo da mãe, Snaps.

Laura se acomodou e gradativamente foi amolecendo enquanto recebia meu cafuné.

– Vocês já sabiam não é? – soltou mais como uma constatação do que uma pergunta. Aquele parecia ser o início da conversa que teria motivado sua vinda para casa, mas era como se Laura falasse mais para dar voz ao que a atormentava por dentro do que para me ouvir.

– Sobre você e a Taylor?

– Sim.

– Sabíamos, querida.

– Por que não me contaram? – Era clara sua incompreensão, mas ela não havia se manifestado com raiva.

– Espero que entenda que não cabia a mim ou aos seus irmãos contar isso a você.

– Mãe, ela mentiu para mim! – exasperou-se. – Você faz ideia de como eu me sinto?

– Não, querida, mas estou aqui para escutá-la.

– Eu me sinto traída – começou a dizer após um prolongado silêncio –tudo o que construí depois do acidente foi abalado e eu simplesmente não consigo entender porque ela não me disse a verdade desde o começo. Teria sido mais fácil.

– Talvez... Mas nem sempre o caminho mais fácil é a melhor alternativa – pontuei com calma.

– Melhor alternativa para quem, mãe? Ela foi uma grande egoísta, isso sim! – levantou-se, inconformada.

– Laura Helene Prepon, – fui firme sem perder a calma – antes de continuar eu gostaria de saber se você realmente está disposta a me ouvir e a ponderar o que eu tenho a dizer. Caso contrário, se você decidir continuar fechada e agarrada à sua perspectiva dos fatos é melhor que nós duas tenhamos essa conversa num outro momento.

– Você vai defendê-la?

– Realmente, Laura, se você acredita que a questão se resume a dois lados opostos em que a um cabe defesa e a outro uma condenação não está pronta para conversar de forma madura sobre isso.

– Agora eu sou imatura, é isso?

– Você não é, mas esta agindo dessa maneira – tentei manter a serenidade. – Acho que você está com medo, Laura, e por isso quer se prender ao papel de vítima.

– Como é?  – eu a estava deixando furiosa.

 – Filha, nós não precisamos falar sobre isso agora – tentei ponderar.

 – Não, mãe, eu não quero mais esperar – caminhou agitada de um lado para o outro. – Tudo o que eu tenho feito é esperar. Esperar, mesmo sem saber, que alguém me dissesse a verdade, – começou a chorar – esperar que essa maldita memória volte, esperar para retomar plenamente a vida que eu tinha antes do acidente. Eu não aguento mais – desabou.

Eu ainda não havia desistido dos puxões de orelha que ela precisava receber, afinal, eu não deveria dizer apenas o que ela gostaria de ouvir, no entanto, o aconchego do meu colo era mais urgente.

Laura permaneceu aninhada em mim, e, aos poucos, o choro foi cessando.

– Parece que a verdade fez algo se quebrar. Algo que eu não sei o nome, mas parece impossível reconstruir.

– Filha, você precisa descobrir se prefere detestar a Taylor ou se tentará se abrir para ouvi-la e, talvez, perdoá-la.

– Não sei se consigo, mãe. Eu não quero olhar para ela.

– Então não olhe, mas você sabe que mais cedo ou mais tarde precisará fazer isso, afinal, vocês trabalham juntas.

– Mãe... – deu sinal de que gostaria de trazer algo para a conversa.

– Pois não, filha.

– Você acha que eu estou sendo infantil?

– Eu acho que tentar fugir é normal, porém, inviável. Mesmo que vocês não fossem mais trabalhar juntas, num dado momento sua curiosidade pediria que você a procurasse. Ninguém além dela pode contar o que foi vivido durante o relacionamento de vocês. Mas tome o seu tempo, faça isso quando se sentir mais preparada.

– Você tem razão.

– Laura, gostaria que me prometesse apenas uma coisa.

– O que é?

– Seja gentil com ela.

– Eu posso tentar, mas não será tão fácil.

– Eu sei, eu sei. Você tem um temperamento forte. Só não se esqueça que ela também sofreu, Laura. Você se fechou tanto nos últimos meses, manteve-se afastada da sua família...

– Desculpe-me por isso, mãe

– Querida, nós tentamos entender seus motivos, mas nós também sofremos. Você quase morreu. Brad, Jocelyn, Danielle e Stephanie poderiam ter perdido a irmã, as crianças perderiam uma tia, eu, minha filha. Todos nós vimos alguém que amamos ameaçada pelo espectro da morte, assim como seus amigos, e Taylor. Depois veio a incerteza quanto às sequelas que você poderia apresentar... Laura, quando nós amamos uma pessoa não ficamos indiferentes aos problemas e às dores dela.

– Eu sei, mãe.

– Acho que você apenas se esqueceu de ponderar isso.  Não pretendo jogar nada na sua cara, filha, você sabe que isso não é do meu feitio, mas o mínimo que você pode fazer é reconhecer que Jodi e Taylor foram de suma importância nos últimos meses. Elas foram as únicas que pareceram conseguir ter algum tipo de acesso a você.

– Você acha que eu me enclausurei na minha dor, é isso?

– Sim. E acho que isso a impediu de ver como as pessoas que te amam não ficaram imunes ao seu esquecimento.

– Mas eu não me esqueci de vocês – argumentou.

– Eu sei que não, mas era óbvio que algo em você havia mudado. Não era para menos, Laura, e mesmo que ninguém saiba como você se sentiu e ainda se sente quanto a isso, a impotência é um sentimento amargo.

– Eu sei o que é se sentir impotente, mãe. Sei o que é desejar com todas as suas forças reaver um pedaço seu e não conseguir. O fracasso é desesperador muitas vezes. 

– Laura... – hesitei brevemente – Você se sente capaz de nos perdoar? Eu digo, a mim e a seus irmãos.

– Eu não conseguiria romper com a minha família – admitiu. – O que não significa que não esteja mais magoada com vocês – fez questão de esclarecer.

– Eu fico feliz por isso – admiti sinceramente. – Mas você será capaz de conviver com o rancor que está sentindo da Taylor?

– Faça perguntas mais fáceis, mãe... – ela apelou.

– Talvez faça sentido, Laura, você nunca se esqueceu da nossa importância, nunca esqueceu nossos laços afetivos. A Taylor se tornou uma estranha, logo, é normal vê-la com outra perspectiva. Quem sabe não seja isso o que faz o abandono soar mais aceitável que a decisão de ter permanecido ao seu lado? – sugeri.

– Eu me sinto envergonhada, mãe – admitiu. – Como vou encará-la? Não se resume a olhar para uma estranha que conquistou minha confiança à custa de uma farsa. É olhar para alguém que me amou e diz ainda me amar sem sentir o mesmo, sem recordar de nada que me fizesse sentir que eu a teria amado um dia. Eu fico sem saber se o amor que ela diz sentir justificaria essa decisão ou se ela é louca.

– Acho que as duas opções são válidas – permiti-me brincar. – Quando você acordou, essa pareceu ser a decisão correta para ela, Laura, mesmo que posta em prática de um jeito duvidoso. Taylor pode ter sido louca, passional, precipitada, mas não lhe faltou coragem e nem caráter, querida.

– Imagino se você também defenderia o Christopher caso eu estivesse com ele quando sofri o acidente.

– Honestamente? Eu nunca tive nada contra ele, mas duvido que ele teria tomado a mesma atitude de Taylor.

– Alguém ganhou mesmo uma defensora – bufou como se desistisse. – E eu pensando que falaríamos mal dela juntas.

– Espero que consiga se recuperar disso, querida – devolvi ironicamente.

– Gostaria que o papai estivesse aqui – admitiu com a voz um pouco embargada.

– Eu também, querida. Infelizmente, você só pode contar com os conselhos da sua velha mãe.

– Eles são ótimos – afirmou e depositou um beijo em minhas mãos.

– Laura... Eu espero que você compreenda que eu não estou fazendo uma campanha para que você volte com a Taylor. Desde cedo quis que você e seus irmãos fizessem suas escolhas por conta própria. Não sou eu quem sabe o que é melhor para a sua vida tampouco o que você sente ou não por quem quer que seja – deixei que ela ponderasse minhas palavras. – Eu apenas espero que você encontre clareza para analisar o que se passa aí dentro – cutuquei levemente sua testa – e que seja capaz de perdoar para poder seguir em paz.

– Eu também espero, mãe. 

 

 

 


Notas Finais


Até o próximo ;)
Um beijo!


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