História Gressus: A Origem do Reino - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Abo, Abo Universe, Alfa, Beta, Era Medieval, Gressus, Ômega, Reino
Exibições 2
Palavras 3.704
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Então, quem quiser pular o finalzinho, que tá meio... É, tá "meio". Podem pular, ok? É a parte narrada por Tyler.

Capítulo 4 - Caput Quattuor



     Rubrum era uma vila linda e, assim como dizia seu nome, vermelha. Sua terra, um barro vermelho, fazia contraste com a grama que havia ali. As flores, em sua maioria vermelhas, enfeitavam fachadas de casas e barraquinhas. O nome da vila vinha de sua enorme população de ruivos e olhos vermelhos. As peles também eram mais rosadas, os lábios eram mais vermelhos. Era um lugar extremamente lindo e, de acordo com Lúcius, com ótimas maneiras de se conseguir dinheiro.
     Fomos andando até uma pousada pouco movimentada, mas que não deixava de ter lá o seu charme. Tinha três andares e aparentemente poucos quartos. Em frente ao lugar, estava uma senhora meio corcunda, de cabelos brancos e pele clara. Varria a parte da frente do lugar com uma vassoura de palha e madeira. Seus olhinhos enrugados e cansados eram castanhos e pelo seu cheiro doce era uma ômega.
     - Bom dia, senhora. - Lúcius, como sempre, foi extremamente gentil. A senhora nos encarou com um olhar curioso, passando os olhos principalmente em Lúcius, que continha um pouco de sujeira nos cabelos longos e que deveria estar cheirando pior que eu, já que havia tomado banho antes de sair de casa - Gostaríamos de saber se há algum quarto disponível para nós.
     - Sim, sim, querido. Tenho um quarto de casal livre no terceiro andar. - Arregalei os olhos e segurei a risada, assim como Lúcius. A moça fez um sinal para que entrássemos e assim o fizemos, seguindo-a até um pequeno balcão - Ele é um pouco antigo, mas garanto que irão gostar.
     - Desculpe, senhora, - O alfa falou tranquilamente para a idosa, que desviava o olhar entre ele e eu - mas eu e ele não somos um somos um casal. 
     - Sinto muito, mas não posso deixar os dois no mesmo quarto. Mesmo que sejam amigos, não será seguro se este rapazinho ou até mesmo você resolverem entrar em um cio no estabelecimento.
     - Mas eu não posso dormir longe do meu irmãozinho, senhora. - Me senti ficar tão rosado quanto um morador de Rubrum, ao mesmo tempo em que controlava a minha língua para não acabar rindo ou falando algo que pudesse atrapalhar Lúcius - Veja bem, nossa mãe faleceu recentemente e nosso pai nos abandonou. Não posso deixá-lo sozinho em um lugar em que nunca esteve antes.
     Meus olhos se arregalaram e minha vontade de rir sumiu. Perceber que ele estava usando da tragédia que teve na minha casa com a minha família para conseguir arrumar um quarto me irritou profundamente. Ele percebeu que eu me irritei, porque me encarou. Mas ao invés de culpa ou preocupação, ele continuava calmo e carinhoso ao me olhar, o que só serviu para aumentar o ódio que eu estava sentindo no momento. 
     Sem esperar mais nenhuma fala dele ou da idosa, eu saí do local, andando por aí sem rumo. Queria apenas esfriar a cabeça, sei que precisávamos ter jogo de cintura se quiséssemos nos dar bem aqui. 
     Enquanto andava, aproveitei para ver o lugar com mais atenção. Pessoas comentavam sobre o dia ou sobre casos estranhos de sumiços de alguns ômegas e betas. Vendedores tentavam barganhar, crianças pequenas e ruivas gritavam e riam enquanto corriam por ali. Foi quando uma movimentação estranha me chamou a atenção. Um senhor aparentemente rabugento estava vendendo colares e dois ruivos lhe encaravam atentamente. O estranho é que eles se pareciam, mas eram diferentes. Um deles tinha os cabelos um pouco compridos, ruivos, amarrados em um rabo de cavalo baixo. Seus olhos eram trocados, um castanho e outro dourado, e em seu rosto um sorriso divertido. O outro tinha os cabelos mais curtos, um lenço cinza amarrado na cabeça. Seus olhos eram castanhos claros, mas estava com a expressão um pouco mais contida. Usavam roupas de aparência velha e estavam levemente sujos.
     O de rabo de cavalo se aproximou da barraca do velho e começou a mexer nos colares enquanto falava algo que eu não consegui entender. O outro desceu o lenço até a parte da frente de seus olhos, me fazendo ver que tinham dois buracos ali para se enxergar. Ele se esgueirou para mais perto da barraca, pela parte de trás, e fez um sinal com a cabeça para o outro, que demonstrou ao velho um interesse em um colar.
     - Ah, não... - Sussurrei baixinho quando entendi o que pretendiam. O de cabelos curtos começou a enfiar alguns colares no bolso, o velho nem notou. 
     - Mamãe! Mamãe! Olha! - Um menininho gritou, chamando a atenção dos outros. Todos encararam o garotinho, que apontava para a barraca do velho - O moço tá pegando as pedrinhas!
     Quando o velho percebeu o que aconteceu, já era tarde demais. O de rabo de cavalo enfiou a mão num saquinho que ele tinha e soprou farinha nos olhos do velho, enquanto o outro pegou mais rapidamente o resto das coisas, correndo logo depois, sendo seguido pelo outro, enquanto o velho gritava para que alguém os parasse.
     Os dois vieram na minha direção, me fazendo arregalar os olhos. Eles sorriram quando me viram, e eu me abaixei. Os dois saltaram por cima de mim e continuaram correndo, dando altas gargalhadas enquanto pulavam e sumiam da minha vista.
     Percebi estar sozinho enquanto encarava o beco por onde entraram. Alguns murmúrios sobre o acontecido se misturavam com os berros irritados do velho, que chutava a barraca e xingava as pessoas.
     Por algum motivo, eu sorri. Não sabia o por quê, mas eu sorri. 

-//-

     Depois de muitas informações e tempo perdido, encontrei o caminho de volta ao prédio onde havia deixado Lúcius. A senhora já não estava mais na portaria, visto que o sol estava se pondo. Adentrei o lugar, ouvindo o som do sininho, e a senhora ainda estava no balcão, dessa vez tricotando algo com lã verde. Me encarou por cima dos óculos e me estendeu uma chave com o número cinco, me indicando o segundo andar. Um pouco envergonhado pelo jeito que ela me encarava, subi os degraus e procurei meu quarto, entrando em seguida. Era um espaço não muito grande, de aparência velha, mas conservada. Tinha uma bonita cama de casal e dois criados-mudos com lamparinas. Tinha um pequeno armário meio aberto, por onde eu conseguia ver as roupas de Lúcius e as minhas. Nossas mochilas estavam no cantinho, perto da cama. Tinha uma janela não muito grande, e uma porta que eu deduzi ser o banheiro.
     A porta foi aberta, revelando um Lúcius seminu se secando. Sua pele, agora limpa, brilhava lindamente. Parecia macia, o que me deu uma vontade enorme de acariciar. Seus cabelos estavam úmidos e ele usava apenas uma calça branca larga, me fazendo passear os olhos descaradamente por todo seu corpo. Quando mirei seus olhos, percebi que ele sorria gentilmente para mim.
     - Tome um banho também antes de comer. Pela sua carinha, você andou bastante. - Era reconfortante ouvir sua voz serena, então apenas concordei sem hesitar, indo diretamente para o chuveiro.
     Quando eu entrei, havia uma banheira aparentemente velha, mas cheia. Retirei minhas roupas imundas e entrei, sentindo-me relaxar instantaneamente ao entrar em contado com a água quente. Suspirei e fechei os olhos, sentindo o sono vir com força, mas meu estômago roncou alto. Estava com preguiça de comer, mas tinha fome demais para conseguir dormir. Tratei de tirar a sujeira de meu corpo e cabelos, sentindo uma sensação maravilhosa por estar limpo e não feder mais. Quando terminei, saí da banheira, deixando-a esvaziar, e fui rumo ao quarto, totalmente despido. Sei o que devem estar pensando, mas eu estava grogue de sono e morrendo de fome, além de não ter visto roupa nenhuma minha dentro da banheira.
     Também tinha o fato de que eu não me sentia desconfortável perto de Lúcius.
     Assim que me viu, ele sorriu doce, se aproximando com um pano para me secar. Me ajudou a me vestir e depois a comer, ao que eu quase tombei para frente.
     - Amanhã vamos começar o trabalho, já que alguém fez questão de sumir. - Ouvi ele dizer e só bufei, me lembrando o por quê de ter saído daquele jeito - Filhote, não foi nada pessoal, mas ela não nos deixaria ficar no mesmo quarto se não fosse convencida.
     - E por que temos que dormir no mesmo quarto? - Perguntei enquanto enfiava um  pedaço de queijo e pão na minha boca, bebendo água em seguida.
     - Para poupar dinheiro. - Falou o óbvio.
     - E o que exatamente vamos fazer para ganhar dinheiro?
     - Encontrei um orfanato aqui perto que precisa que consertem o telhado e algumas paredes. Me ofereci e disseram que pagam bem. Então amanhã nós dois já começamos a trocar aquelas telhas podres.
     Depois disso ele apenas deitou na cama. Arrumei as coisas que havia usado para comer e apaguei as luzes e me joguei ao seu lado, sentindo-o me abraçar. Era bem mais confortável do que dormir sozinho no chão. Me aconcheguei nele, enfiando o rosto em seu pescoço e o apertando mais contra mim. 

-//-

     - Deuses, que fofos! - Exclamei, ouvindo as risadas de Lúcius atrás de mim.
     O orfanato era todo rosa bebê, com algumas janelas brancas meio velhas e um telhado que era para ser da mesma cor, mas estava meio marrom, meio cinza pela podridão. Tinha apenas dois andares e um jardim enorme, cheio de tulipas vermelhas. Tinha uma enorme árvore, que abrigava dois balanços de madeira sustentados por cordas. Mas a melhor parte para mim, que sempre fui filho único, foi ver aqueles baixinhos rodeando Lúcius por causa de seus cabelos longos e brancos. Ele sorria para elas e as pegava no colo, ouvindo altas risadas fofas. Quase me derreti.
     Lúcius seria um ótimo pai.
     - Desculpe-nos por isso. - O homem que cuidava das crianças falou, mas não tirava o sorriso do rosto. Tinha uma barba rala ruiva, assim como seus cabelos, e a pele rosada. Seus dois olhos eram vermelhos e ele não era muito alto. Um ômega fofo, assim como as crianças - Elas sempre ficam agitadas quando chega alguém novo, principalmente alguém tão inusitado quanto seu amigo. Aliás, aonde você arrumou um alfa lúpus?
     - Foi ele que me achou. - Respondi, ainda sorrindo olhando para a cena.
     - E ele é seu namorado? - Seu sorriso aumentou, ao que minhas bochechas esquentaram.
     - Não, não, não! Só somos ami-... Colegas de viagem! - Me corrigi. Na verdade, nem sei o que dizer sobre dois estranhos que decidiram andar por aí juntos, mesmo que ele já tenha me visto pelado.
     - Oh, jura?! - A animação daquele ômega me incomodou. Ele olhou maliciosamente para Lúcius - Então não se importa se eu investir nele, não é?
     Antes mesmo que eu pudesse responder, Lúcius já estava vindo em nossa direção. As crianças já haviam ido fazer outros coisas mais importantes, tipo comer terra e brincar no balanço. O ruivo do meu lado ficou mais animado e, sim, isso continuava a me incomodar de uma forma inexplicável.
     - Você deve ser Kylies, certo? - Lúcius perguntou gentil, estendendo a mão para o ruivo, que prontamente a apertou, com um sorriso simpático e irritante no rosto - Eu vi as partes do telhado que devem ser trocados e é coisa rápida, não se preocupe. As paredes só precisam de algumas tábuas a mais, nada muito complicado.
     - Estou muito agradecido pela ajuda, alfa Lúcius. - Kylies fez uma expressão estranha de agradecimento e me senti estranhamente possessivo.
     Lúcius me encarou e riu, se aproximando. Kylies estreitou os olhos, confuso, enquanto o alfa segurava meu rosto e tentava desfazer o biquinho que fiz involuntariamente. Meu rosto esquentou ao que fui abraçado pelo maior, que riu mais ainda.
     - Desculpe pelo meu filhote aqui. - Ele se dirigiu a Kylies, que parecia sem graça - Ele não está acostumado a me ver conversando com outras pessoas. Ele é desnecessariamente possessivo. 
     - Estão juntos? - O ruivo perguntou. Apertei mais o alfa.
     - Digamos apenas que algo muito forte nos conecta. 
     Depois de pagar aquele mico na frente do ruivo, fomos ajeitar o telhado do lugar. Assim como Lúcius disse, não era nada demais, já que só precisavam ser trocadas umas sete telhas. Quando acabamos, fomos atrás das tábuas de madeira para as paredes, que tinham buracos.
     Não demorou muito, terminamos na hora do almoço, e eu sinceramente quis me juntar as crianças que pareciam felizes comendo canja de galinha. Eu e Lúcius nos sentamos em uma mesa separada no refeitório, comendo em silêncio, observando o lugar. Os órfãos variavam de idade. Uma menininha que não parecia possuir mais do que seis anos fazia birra com um garoto de treze. Era fofo de se ver, mas também triste.
     Notamos uma estranha movimentação perto da entrada e Kylies correu contente naquela direção. Um tumulto de risadas e falatórios começou, e quando olhei confuso para Lúcius, ele parecia extremamente calmo.
     - Tyler, Taylor! Que bom que chegaram!
     - Aonde estavam?
     - Trouxeram presentes?
     - Quero abraço!
     As crianças gritaram. O ômega mais velho começou a enxotar as crianças, mandando-as de volta para as mesas a fim de terminarem o almoço. Quando aquela multidão de baixinhos se dissipou, consegui ver quem causava o tumulto. Dois pontinhos ruivos extremamente parecidos sorriam para Kylies. O olho dourado do de cabelo comprido possuía um pequeno corte, mas ele não parecia se importar com esse fato. 
     Quando olhei o outro, percebi que ele já me encarava, com um sorriso estranho no rosto. Deu uma risadinha baixa, enquanto respondia Kylies e cutucava discretamente o outro.
     Me sentindo extremamente desconfortável, avisei a Lúcius que estava com vontade de tomar um ar.
     - Tenho que colocar nossa louça na cozinha. Me espere no jardim dos fundos. -  O alfa se levantou, pegando a louça. Segurou em minha nuca, deixou um beijo em minha testa e saiu dali, enquanto eu deixava um sorriso involuntário escapar.
     Notei que nenhum dos dois ruivos estava mais lá, apenas Kylies cuidando de um menino que chorava com a perna ralada. Segui caminho até o jardim do fundos e, assim que abri a porta, me senti zonzo. Um delicioso cheiro de hortelã e canela me atingiu em cheio e tive que me segurar na porta para não cair no chão. Minha vista ficou embaçada e senti meu ômega gritar em desespero.
     - Alfa... - Me ouvi dizer baixinho, ainda entorpecido. Senti dedos fortes tocarem delicadamente minha bochecha e inclinei a cabeça naquela direção, recebendo um delicioso carinho. Abri levemente os olhos, que não percebi ter fechado, apenas para encontrar um par de olhos trocados e uma cabeleira ruiva. Um doce sorriso pervertido.
     - Oi, baixinho. - Ouvi sua voz rouca perguntar e estremeci por dentro - Como se chama? - Suas pupilas estavam dilatadas, seus caninos levemente a mostra. Seu nariz tocou minha bochecha e inspirou fortemente antes de descer para meu pescoço e soltar o ar pela boca, fazendo minha pele esquentar.
     Não consegui respondê-lo, mesmo que quisesse. Sentia-me tonto e molenga, sendo possuído por uma sonolência que eu nunca havia sentido antes. Não percebi o momento em que seus braços me rodeavam, apenas agradecia internamente pelo apoio. 
     - Ty, não assuste ele. - Outra voz se fez presente, me fazendo despertar, ainda que estivesse molenga. Consegui ver que era o outro ruivo, exatamente igual ao alfa que me segurava. Ele estava calmo, mas olhava de forma repreendedora para o alfa.
     - Me deixa ficar mais um pouquinho, Tay. - Sua voz manhosa se chocou com o meu pescoço enquanto ele me apertava mais ainda, me fazendo arfar.
     - Er... C-Com licença... - Tomei coragem e força o bastante para me pronunciar, enquanto tentava afastá-lo de mim. Consegui nos separar daquele abraço, e no mesmo instante senti meu lobo choramingar. Um rosnado saiu de sua garganta assim que nos afastamos, mas uma panela acertou sua cabeça no mesmo instante, nos fazendo olhar para trás.
     - Ty, pelo amor dos deuses! Você não tem mais oito anos de idade para rosnar sempre que alguém te contrariar. - O outro ruivo se aproximou, pegando a panela do chão e a estendendo para Lúcius, que observava tranquilamente - Obrigado pela panela. Meu nome é Taylor, Taylor Green. E este imbecil é meu irmão, Tyler. 
     - Desculpa ter rosnado para você, baixinho, mas seu cheiro me deixou doido. - Tyler sorriu para mim e meu estômago se encheu de borboletas. No mesmo instante eu assenti.
     - Não, que isso. Está tudo bem. - Respondi - Tipo, é normal ter um cheiro diferente depois do cio, não é? - Ele deu de ombros, fazendo pouco caso, o que fez Taylor bufar. 
     Me aproximei de Lúcius. Estava me sentindo estranho perto do ruivo de cabelos longos. O lúpus sorriu amorosamente para mim, enlaçando a minha cintura e lambendo minha bochecha, ato que me fez sorrir e relaxar.
     - Ainda mexe com o ômega de outro alfa. Um alfa lúpus! Um lúpus, seu idiota! - Taylor chutou a canela de Tyler, que lhe devolveu um olhar indignado, seguido de um sorriso convencido.
     - Seu idiota. - Taylor ficou vermelho, mais do que deveria ser. Saiu furioso dali, puxando Tyler pela orelha.
     - Hã?
     Lúcius riu.



     - Que vergonha! - Meu grito saiu abafado por estar com a cara enfiada no travesseiro.
     - Não precisa disso tudo, filhote. - O alfa acariciava minhas costas como em uma massagem, que ia desde a nuca até a parte de trás das coxas, me fazendo suspirar relaxado.
     - Eu estava totalmente submisso à ele, Lúcius! - Senti meu rosto esquentar e meu coração acelerar ao me lembrar de seu cheiro. O jeito que me segurou possessivamente, as carícias de seu nariz em meu pescoço, o ar quente em minha pele.
     Que vexame!
     - É normal, bebê. - Ele me virou de barriga para cima e pairou sobre mim, com aquele sorriso perfeito no rosto - Eu vi como você ficou todo molinho com ele.
     - Pára... - Pedi manhoso, extremamente envergonhado com minha atitudes anteriores e com a forma com que ele me olhava.
     - Ele tinha um cheiro bom, bebê? - Seu sorriso aumentou. Abaixou os lábios até a minha orelha, me arrepiando - Você gosta do cheiro dele?
     - Gosto...
     - Sentiu falta dele quando se separaram?
     - Senti...
     - Ele tinha cheiro de quê? - Nem havia percebido que ele cheirava meu pescoço, deixando selinhos doces por ali. Por algum motivo, me sentia impelido a dar cada detalhe das sensações de mais cedo, mas a vergonha era maior, me fazendo morder minha boca  - Conta para mim, filhote. Era cheiro de que? Que tipo de cheiro te faria arrepiar apenas com a lembrança, hm? Me diz, vai. Seja bonzinho comigo.
     - Hortelã e canela... - Eu disse num suspiro. Quando o senti me lamber, o apertei contra mim fortemente, sentindo-o rir gostosamente depois.
     - Acho que alguém encontrou seu companheiro de alma. - Nem processei suas palavras direito. Companheiro de alma não é aquele que está destinado a você desde antes do nascimento? Cömo assim eu achei o meu? Como assim em tão pouco tempo?
     - Hã?
     - Vamos dormir, bebê, que amanhã terminamos o serviço. - Ele beijou a minha testa e minhas bochechas, apagando a luz e se deitando, me aninhando nele.
     - Aí nós vamos embora e eu nunca mais vou precisar olhar na cara daquele ruivo. - Murmurei contra seu pescoço, sentindo o sono bater.
     - Quem sabe, não é?
     E apaguei.



Tyler


     - Por favor, Ty! - Taylor gritou ao que eu brutalmente o estoquei. Acariciei suas costas, em um pedido mudo de desculpas, me abaixando até a sua nuca e beijando ali - Se isso foi pelo o que eu disse de manhã, foi mal. Mas seja menos agressivo.
     - Desculpa, Tay. - O virei de frente para mim, encontrando seus olhos castanhos marejados - Aquele menino me deixou louco.
     - "Aquele menino" deve ser mais velho que a gente. - Ele respirou fundo, sentindo a dor se dissipar aos poucos - Tem certeza que era seu companheiro?
     - Absoluta. Seu cheiro era perfeito. Eu teria o fodido exatamente naquele momento. - E só de pensar nisso, me retirou inteiro de dentro do ruivo, apenas para voltar com ainda mais força, ouvindo-o gemer dolorido. Afinal, betas não possuem a lubrificação natural dos ômegas - E não pense que não notei seus olhares para cima dele, piranha.
     - Ele acabou de sair de um cio, era obviamente de Miseriae. Ele não deve saber que são companheiros, o que significa que eu tenho chances. - Seu sorriso provocante me excitava. Devorei seus lábios com ferocidade, enquanto me enfiava com força e rapidez dentro dele.
     - Sabe que ele vai me escolher, não sabe? 
     Taylor inverteu nossas posições, me fazendo ficar sentado e começando a quicar em mim. Minhas mãos deslizaram até sua bunda, separando as nádegas e as apertando com força. Voltei a devorar sua boca, sentindo suas mãos puxarem meu cabelo.
     - O que papai diria se nos visse agora? - Perguntei. Ouvi ele rir antes de enfiar a língua na minha garganta, aumentando os movimentos.
     - Pediria que nós dois o fodêssemos gostoso até ele gritar feito uma cadela. - Ri amargamente da lembrança que me surgiu, enquanto acelerava os movimentos dentro do meu irmão.
     Deitei Taylor na cama, sentindo que estávamos perto. Nós dois não tivemos a melhor infâncias de todas. Tínhamos quinze anos e estávamos nos fodendo enquanto lembrávamos de fodas anteriores com nosso pai. Levei minha mão até seu membro, o estimulando rapidamente. Ele esmagou nossos lábios enquanto rebolava contra mim. Na minha mente, vinha apenas um par de olhos cinzentos. Um sorriso doce e bochechas coradas.
     Gozei dentro do meu irmão, enquanto ele se desfazia nos meu dedos. Respirávamos pesadamente. Me deixei cair ao seu lado, ficando de frente a ele, que tinha os olhos semicerrados.
     - Não se esqueça que teremos que dar um jeito no lúpus. - Ouvi ele murmurar, dando um sorriso sacana em seguida.
     Sorri do mesmo jeito, passando as mãos por sua bunda, fazendo seu corpo grudar no meu. Seu braço passou pelo meu pescoço e ele dormiu, e eu me senti ir em seguida.
 


Notas Finais


Tá muito ruim? Parado? Sem noção?
Sinto muito, eu escrevo assim, não me batam >×<


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