História Guarde-me em seu coração (Romance Gay) - Capítulo 17


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Fantasia, Gay, Lemon, Medieval, Misticismo, Nobreza, Realeza, Romance, Romance Gay, Sexo, Yaoi
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 17 - A noite em que tudo mudou


"Tudo que se move é ameaça. Tudo que é ameaça tem que morrer!"

~~~~~~~(...)~~~~~~~

Anthony vestia seu traje de guarda quando sentiu dois braços lhe envolverem pelas costas passando por sua barriga e o prendendo em um abraço. Logo após sentiu dois lábios gelados se encontrarem com sua nuca. 

— Juno... Juno, não me provoca. — o veterano disso com uma risada contida. 

— Queria poder passar o tempo todo assim, agarrado a ti. — Juno murmurou com os lábios na altura dos ouvidos de Anthony. 

— Nem pense nisso. Já é quase noite. 

— Sim, nem me lembre disso. — Juno soltou um suspiro cansado — Poderíamos ter nos conhecido antes, não poderíamos? Nesse caso não estaríamos presos até o fim de nossas vidas nesse trabalho exaustivo. Passaria todas as noites de minha vida contigo, preso em teus braços e aos teus lábios. 

— Infelizmente o destino tem sua própria forma de mover-nos como peças. 

— Sim, infelizmente. Boa noite de trabalho, meu guarda. — disse e depositou um beijo sobre a bochecha de Anthony. 

Em seguida se retirou deixando-o terminar de pôr seu traje. 

~~~~~~~(...)~~~~~~~

Louis sentia o forte e gelado vento assanhar seus cabelos. O príncipe seguia firme e forte em sua cavalgada, sempre pelas beiradas do reino para não chamar a atenção de ninguém. Seu coração pulsava tão acelerador quanto as passadas firmes do cavalo de Taylor. Ele não sabia ainda o que iria fazer, mas tudo que ele precisava era ver novamente o rosto daquele que até hoje dominava seus pensamentos e desejos. Precisava encontrar seu guarda, precisava lhe dizer que o amava e que sentiu sua falta como jamais sentiu de outro alguém. Precisava ver os contornos de sua face máscula, os traços de seus músculos volumosos, o avermelhado de seus lábios escondidos pela avantajada barba que lhe dava um charme único. 

Ao longe vinha Clarice. Esgueirando-se sorrateiramente atrás do princípio sem que fosse notada. Seguindo sua intuição, e sua própria vontade como a princesa sempre fazia. 

Louis já era capaz de ver as instalações dos guardas. Não acreditava ser possível. Imaginava ser tudo um sonho, e que a qualquer momento ele acordaria caindo mais uma vez em sua realidade turva e assustadora. 

Foi então que ele viu pouco a pouco os guardas começarem a sair da grande instalação. Seus olhos pairavam afoitos em busca do único guarda dali que lhe importava, enquanto isso se aproximava ainda mais do estabelecimento. Foi quando seu coração quase parou. Lá estava um guarda em meio a tantos outros... Ele estava de costas, mas Louis jamais esqueceria, Louis sabia que aquele era o guarda de suas noites de amor. Louis sabia que aquele era seu guarda.

— Thony! — gritou sem perceber que o chamou como quando os dois estavam fazendo amor.

~~~~~~~(...)~~~~~~~

Foi como se um soco fosse dado em seu estômago. Quando Anthony ouviu aquela voz todos os pelos do seu corpo quiseram saltar de sua pele em um incontrolável arrepio. Ele ainda tentou por alguns instantes acreditar que estava enganado e que ao virar de costas não daria de cara com Louis. Mas somente o príncipe o chamava assim, e somente em suas noites quentes de amor. 

Anthony soltou um largo suspiro antes de enfim virar-se de costas. Lá estava ele, lá estava Louis em cima do cavalo negro, o olhando com seus olhos arregalados e cintilantes. Em um pulo o príncipe desceu do cavalo. Os únicos próximos o suficiente para ver a cena eram Juno e Theodor que se olhavam totalmente perdidos. Isso fora Clarice que assistia a cena mais ao longe. 

— Thony. — repetiu e um enorme sorrido surgiu em seu rosto. 

— Prin... Príncipe. — Anthony gaguejou descrente. 

Louis aproximava-se mais e mais. Era como se estivesse em um feitiço, um estado de transe total. Anthony, impotente, apenas o assistia se aproximar. Mas antes que Louis fizesse alguma besteira o guarda o parou. 

— Aqui não. — sussurrou para o príncipe que mantinha seus olhos perdidos sobre a face do guarda — Eu preciso ir, príncipe. O dever me chama. 

— Não! — Louis praticamente implorou — Eu sou o príncipe, eu ordeno que fique. — usou seu título para conseguir o que queria pela primeira vez na vida. 

— Melhor não desobedecer o príncipe, Anthony. — Theodor murmurou — Eu e Juno vamos na frente, ouça o que o príncipe tem a lhe dizer. 

E então saiu junto de Juno que ainda tentava entender o que estava acontecendo. 

— Venha comigo. — Anthony puxou Louis quando viu que aquela conversa seria inevitável, o levando para um local mais reservado onde ninguém poderia vê-los, ao lado do estabelecimento. 

Quando lá, as mãos de Louis foram suaves a face de Anthony como se ainda não acreditasse que era realmente ele quem estava em sua frente. 

— Eu não acredito. — disse com lágrimas aos olhos — Não acredito que és tu. Tanto tempo Anthony, tantos anos e eu finalmente posso ver o teu rosto novamente. 

— Príncipe... 

— Não! — Louis o interrompeu — Príncipe não, para tu eu sou apenas Louis. O teu Louis. 

— O que faz aqui, Louis? — perguntou tentando não se render aos toques que o príncipe depositava por sua face. 

— Eu vim por ti. — disse suave e um sorriso doloroso apareceu em seu rosto — Por ti, Anthony. 

— Louis... — disse sentindo um aperto em seu peito — Tu vai casar, tua princesa já está no reino. Tu será rei... 

— Não importa, Anthony! Nada disso me importa, só o quanto eu te amo. Eu sei que devem ter sidos anos horríveis para ti, eu jamais queria que isso acontecesse. Jamais queria que tu perdesse tua liberdade para esse trabalho desumano. Me desculpe, Anthony. Eu não sei o que houve, não sei se meu pai sabia de nós, não sei se fez isso sem saber, mas eu juro que sinto muito por todos os dias que tu perdeu aqui.

Anthony o olhava em silêncio, de repente toda a coragem do guarda parecia ter exalado por seus poros e sumido de seu corpo. Como poderia dizer a verdade para Louis? Quando fez sua escolha o guarda jamais imaginou que Louis fosse recordar por tanto tempo de suas carícias. Jamais imaginou que Louis ainda sentiria algo por ele tantos anos depois. Acreditou que, longe dele, Louis aceitaria seu destino e seria um grande rei para Baviera. Agora estava imóvel enquanto olhava para os olhos apaixonados de Louis. De tão sem reação ele nem sequer via que esses mesmos olhos ficavam cada vez mais próximos.

Já era tarde para Anthony quando ele sentiu os lábios do príncipe encontrarem-se com os seus. O guarda veterano não foi capaz de resistir, não foi capaz de negar aos doces lábios de Louis. Beijou-os com vontade como faziam entre quatro paredes. 

— Eu te amo, Anthony. — Louis sussurrou enquanto seus rostos estavam colados. 

— Eu sinto muito, príncipe. — Anthony murmurou — Sinto muito por ter despertado algo em ti que vai de contra o teu propósito, o motivo da tua existência. — disse separando-se de Louis. 

— Como? 

— Vá embora, Louis. 

Isso certamente não era o que o príncipe esperava ouvir depois de se declarar para o guarda.

— Ir embora? Anos sem me ver e isso é tudo que tu tem para me dizer? —  perguntou sentindo uma decepção quase palpável. 

— Tu não entende. 

— O que? O que eu não entendo? — Louis praticamente gritou. 

— Nossos destinos são paralelos, Louis, jamais devem se tocar, jamais devem se encontrar e se nós continuássemos desafiando o destino uma tragédia acabaria acontecendo. Foi por isso que eu... — Anthony cortou a própria fala percebendo que falou além do que deveria. 

Louis o olhou descrente enquanto uma lágrima desceu quente por seu rosto. 

— Por isso que tu o que? — perguntou segurando a gola do traje de Anthony com agressividade — Tu não fez isso comigo, Anthony. Diga-me que tu não fez. 

— Fui eu, Louis. Eu escolhi virar guarda. 

E então Louis viu que assim como ele acreditava aquilo tudo não passava de um sonho. E agora ele acordava em sua realidade negra e distorcida descobrindo que o homem que ele amou durante anos foi o mesmo homem que escolheu lhe abandonar. 

Então o príncipe deu um passo para trás, afastando-se de Anthony enquanto seus olhos vazavam. O guarda o olhava firme tentando não sentir-se mal, tentando acreditar que tudo o que fez foi pelo bem do príncipe. 

— Tu és um monstro, Anthony. — cuspiu as palavras mais dolorosas de sua vida. 

E então subiu sobre o cavalo. Seus olhos ainda choravam quando ele pensou em como Baviera era um lugar desumano. Não parecia ser possível florescer um amor dentro daquelas muralhas, tudo era dor, tudo era sangue. Então ele olhou para o grande portão. Lá vinha a carruagem com os tecidos dos trajes do casamento, era sua chance. Era sua única chance de sumir para sempre daquele lugar tão vil. Anthony viu o olhar do príncipe e foi como se previsse o que passava-se em seus pensamentos.

— Louis, não faça isto. — disse em vão. 

Logo as passadas rápidos do cavalo de pelagem negra, como aquela noite que caía, eram ouvidas brutas contra o chão. Clarice que assistia a cena ficou pasma ao ver Louis aproximar-se do portão e pôs-se a cavalgar atrás do príncipe.

— Fechem o portão! — Anthony gritou de longe enquanto corria como nunca em sua vida. 

Mas era tarde, como um raio Ricco ultrapassava a passagem. Os guardas assistiram a cena totalmente desnorteados, Clarice chegava logo atrás mas boa parte do portão já estava fechado.

— Princesa?! — Theodor disse ainda mais confuso. 

Anthony enfim chegava ao portão enquanto via o cavalo adentrar a floresta. 

— Aquela floresta guarda a morte. — murmurou para Theodor enquanto Juno se aproximava — Princesa, eu preciso de teu cavalo. 

Clarice sem pensar duas vezes cedeu sua égua ao guarda. 

— Eu vou contigo! — Juno disse logo em seguida. 

— Cuide da princesa, Theodor. — Anthony falou enquanto montava a égua Aurora. 

Juno montou em seguida e ambos seguiram em busca do príncipe pela traiçoeira floresta. 

~~~~~~~(...)~~~~~~~

Com ao menos uma hora de procura, já era totalmente noite no leste das terras antigas. As nuvens pairavam densas como já não se via a muito tempo e os primeiros pingos do que aparentava ser uma forte chuva começavam a cair em meio aos galhos secos daquelas árvores. Juno e Anthony seguiam sem rumo atrás de Louis. Anthony o chamava mas no fundo sabia que mesmo que lhe ouvisse o príncipe jamais lhe responderia. 

— O príncipe enlouqueceu de vez? — Juno perguntou enquanto suas mãos estavam envolta da cintura de Anthony — Por que ele fez isso, Anthony? Ele sabe o quão perigosa essas terras são? Sabe das criaturas enormes que pode encontrar por aqui? Se ele se deparar com um tigre ferrara estará em péssimos lençóis. 

— Esqueça os tigres ferrara. — Anthony disse firme  — Há algo ainda pior. 

— Pior? — Juno franziu a testa. 

— Os selvagens. 

— O que são os selvagens? 

— O pior pesadelo de qualquer homem. São povos andarilhos sem reino algum, eles vivem a dar voltas por essas florestas e é como se seu instinto de sobrevivência gritasse para eles: "Tudo que se move é ameaça. Tudo que é ameaça tem que morrer!" E é isso que eles fazem, matam sem o menor dos receios. Suas armas rústicas estão longe de serem um grande desafio, porém, não é isso que os torna o pior pesadelo de qualquer homem. Selvagens são considerados povos sagrados, matar um selvagem é visto como um sinal de desonra. Muitos acreditam que os próprios deuses se revoltam com aqueles que matam um selvagem e ninguém quer ter alguém amaldiçoado pelos deuses vivendo perto de si.

— Então rezemos para que o príncipe não esbarre com nenhum desses por aí. 

— Sim... rezemos. — Anthony completou em total receio. 

~~~~~~~(...)~~~~~~~

Louis já não sabia onde estava, apenas cavalgava floresta a dentro enquanto a  forte chuva já o encharcava. Tentava não pensar em nada, só na dor. Só em como seu peito parecia ter sido apunhalado após as palavras de Anthony. Ele então enfim concluiu: Ser destinado a ser rei foi a maior de suas maldições. Todo o seu sofrimento estava intrinsecamente ligado a esse fardo infame.

Mas então algo aconteceu. Entre uma passada e outra do cavalo, Louis sentiu algo rasgar seu rosto. Uma flecha pontiaguda acabava de raspar por sua bochecha deixando um corte que seguia até embaixo de sua orelha. Com o susto o príncipe desequilibrou-se caindo do cavalo. Mais flechas foram atiradas em seguida, essas atingindo o animal que fugiu enquanto soltava um enorme relincho. 

Anthony e Juno foram surpreendidos pela aparição abrupta do cavalo negro que passou por eles em total desespero. 

— Louis.—  Anthony disse preocupado ao ver que o príncipe não estava sobre o animal. 

Então direcionou a égua Aurora na direção de onde o cavalo havia fugido. Enquanto se aproximavam já viam as inúmeras silhuetas por trás das árvores. 

— Selvagens. —  Juno disse em um murmuro.  

— Lembre-se, nada de lâminas. — Anthony afirmou.

Ao passar próximo a uma das árvores o guarda arrancou um dos galhos, partindo-o e entregando um pedaço para o novato. Agora ambos cavalgavam em direção aos selvagens em quanto faziam o máximo para assustá-los sem feri-los. Pouco a pouco os selvagens se dispersavam assustados e os guardas seguiram com esse mesmo plano até que já não avistavam mais os seres inóspitos. 

Anthony então finalmente viu Louis retraído ao chão, encostado em uma das árvores. O rosto do príncipe sangrava, mas o corte feito pela flecha não foi profundo. Porém o guarda não sabia, e em um momento de desespero desceu do cavalo e correu ao príncipe. 

— Louis. —  chamou vendo no rosto do príncipe as lágrimas que escorriam — Acabou, príncipe. Agora está tudo bem. —  disse suave mas ele sabia bem que Louis não chorava apenas pelo apavorante momento que havia acabado de viver.

O silêncio então se instaurou, apenas as gotas frenéticas de chuva eram ouvidas na floresta. Anthony segurava Louis, preparando-se para ajudá-lo a erguer-se. Sua mão foi delicada ao rosto do príncipe, e seu polegar passou suave sobre o seu ferimento. Os dois se olharam nos olhos, e foi como se aquele único olhar dissesse tudo o que não disseram em todos esses anos separados. Anthony via, no rosto molhado de Louis, toda sua tristeza, toda sua dor. Juno apenas observava os dois, tentando não pensar em nada, somente no fato do príncipe estar a salvo. E então príncipe e guarda estão enfim de pé novamente. Mas eis que o inesperado acontece. Muito ao longe uma flecha é atirada. Três homens cansados, três rostos molhados. Um relâmpago que clareou suas faces. E aquela última flecha finalmente alcançaria seu destino... Um daqueles três corações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E I T A ! ! !
Preciso nem dizer que o próximo capítulo promete, não é? Pois é, será certamente um dos capítulos mais importantes e provavelmente impactantes de toda fic.

Ps: Os selvagens também foram citados no primeiro capítulo da história. Não foi algo que eu apenas inventei no momento mais oportuno, eu já planejava esse momento desde o começo da fic.

Ps2: A essa altura do campeonato vocês obviamente já sabem que as citações no começo de cada capítulo fazem parte de um diálogo dito por algum personagem durante o próprio capítulo. Porém, o que talvez vocês não tenham notado é que a citação do primeiro capítulo nunca foi dita por nenhum personagem... ainda.

Beijos e abraços, nos vemos nos comentários.


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