História Guardian Angel - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Tags Belo Desastre, Justin Bieber, Scarlett Leithold
Exibições 38
Palavras 6.835
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu sei eu sei... Um bom tempo sem postar, mas eu juro que não é por querer é tipo uma maldição.Sempre que começo uma fanfic dá tudo errado.
Eu não to com internet em casa - estou na minha avó - porquê, eu estou na minha casa no Rio de Janeiro, mas minha casa de verdade fica lá na Região dos Lagos e minha mãe não ia ficar pagando NET aqui e NET lá. Por isso demoro, eu tenho que vir para minha avó para postar, mas ela também não mora muito perto.
Enfim...
O capítulo não ta TÃO grande, mas ele é essencial.
Pra compensar a demora vou deixar essa foto maravilhosa da nossa Scarlett/Christal <3
Beijão, Abobrinhas.

Capítulo 4 - A aposta


Fanfic / Fanfiction Guardian Angel - Capítulo 4 - A aposta

— Definitivamente, ele está encarando você — sussurrou Lexie, se curvando para dar uma espiada do outro lado da sala. — Para de olhar, besta, ele vai ver você.

Lexie sorriu e acenou.

— Ele já me viu.

­— E ainda está te encarando.

Hesitei por um instante e, por fim, consegui reunir coragem para olhar na direção dele. Parker estava olhando direto para mim, com um largo sorriso no rosto. Retribuí o sorriso e então fingi que estava digitando algo no laptop.

— Ele ainda está me encarando? — murmurei.

— Sim — ela respondeu, dando risadinhas.

Depois da aula, Parker me parou no corredor.

— Não esquece da festa nesse fim de semana.

— Não vou esquecer — falei, tentando não começar a pestanejar ou fazer algo ridículo do gênero.

Lexie e eu cruzamos o gramado até o refeitório para encontrar Justin e Chase para o almoço. Ela ainda estava rindo do comportamento de Parker quando eles se aproximaram.

— Oi, baby — disse Lexie, beijando o namorado na boca.

— O que é tão engraçado? — Chase quis saber.

 — Ah, um carinha na aula que ficou encarando a Christal durante uma hora. Foi tão fofo!

— Contanto que ele estivesse encarando a Christal — disse Chase, dando uma piscadela para a namorada.

— Quem era? — Justin fez uma careta.

Arrumei a mochila nas costas, o que fez com que ele a tirasse dali e a segurasse para mim.

Balancei a cabeça.

— A Lexi está imaginando coisas.

— Christal! Sua grandessíssima mentirosa. Era o Parker Hayes, e ele estava dando muito na cara. Estava praticamente babando.

 Justin fez uma expressão de nojo.

— Parker Hayes?

Chase puxou Lexie pela mão.

— Vamos almoçar. Vocês vão desfrutar a fina culinária do refeitório essa tarde?

Lexie beijou-o novamente em resposta, e eu e Justin os acompanhamos. Coloquei minha bandeja entre a da Lexie e a do Finch, mas Justin não se sentou no lugar de costume, na minha frente; foi se sentar um pouco mais longe. Foi então que me dei conta de que ele não tinha dito muita coisa durante nossa caminhada até o refeitório.

— Você está bem, Jus? — perguntei.

— Eu? Ótimo, por quê? — ele respondeu, aliviando um pouco a expressão no rosto.

— Você está quieto.

Vários jogadores do time de futebol americano se aproximaram da mesa e se sentaram, rindo alto. Justin parecia um pouco irritado enquanto revirava a comida no prato. Chris Jenks jogou uma batata frita no prato do Justin.

— E aí, J.B? Ouvi dizer que você comeu a Tina Martin. Ela estava falando um monte de você hoje.

— Cala a boca, Jenks — disse Justin, sem tirar os olhos da comida.

Eu me inclinei para frente, de forma que o gigante sentado diante do Justin pudesse sentir toda a força do meu olhar fulminante.

— Para com isso, Chris.

Os olhos de Justin perfuraram os meus.

— Eu posso me cuidar sozinho Christal.

— Desculpa, eu...

— Não quero que você peça desculpas. Não quero que você faça nada — ele retrucou, se afastando bruscamente da mesa e saindo como um raio pela porta.

Finch olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas.

— Nossa! O que foi aquilo?

 Enfiei o garfo na batata e bufei.

— Não sei.

Chase deu um tapinha nas minhas costas.

— Não foi nada que você fez, Christal.

 — Tem umas coisas acontecendo com ele — acrescentou Lexie.

 — Que tipo de coisas? — perguntei.

Chase deu de ombros e voltou à atenção para o próprio prato.

— Você já devia saber que é preciso ter paciência e saber perdoar para ser amigo do Justin. Ele tem um mundo próprio.

Balancei a cabeça em negativa.

 — Esse é o Justin que todo mundo vê... não o Justin que eu conheço.

Chase se inclinou para frente.

— Não tem diferença entre um e outro. Você só tem que seguir a onda.

 Depois da aula, fui com Lexie até o apartamento e vi que a moto do Justin não estava lá. Entrei no quarto e me encolhi como uma bola na cama dele, apoiando a cabeça no braço. Ele estava bem aquela manhã. Tínhamos passado tanto tempo juntos, e eu não conseguia acreditar que não havia notado que algo o chateara. E não era só isso — me perturbava o fato de que parecia que Lexie sabia o que estava acontecendo, e eu não.

 Minha respiração se acalmou e senti os olhos pesados; não demorou muito para que eu caísse no sono. Quando acordei, o céu noturno já tinha escurecido a janela. Ouvi vozes abafadas vindo da sala pelo corredor, entre elas o tom grave do Justin. Fui sorrateiramente até o corredor e parei quando ouvi meu nome.

— A Christal entende, Jus. Não fique se martirizando — disse Chase.

 — Vocês já vão juntos na festa de casais. Qual o problema em chamá- la pra sair? — Lexie quis saber.

 Meu corpo ficou tenso, e esperei para ouvir a resposta. — Não quero namorar a Christal... só quero ficar por perto. Ela é... diferente.

— Diferente como? — perguntou Lexie, parecendo irritada.

 — Ela não atura as minhas merdas, e isso é reconfortante. Você mesma disse, Lexi. Eu não faço o tipo dela. Só não é... assim com a gente.

 — Você está mais próximo do tipo dela do que imagina — Lexie disse.

 Recuei fazendo o mínimo de barulho possível e, quando as tábuas do assoalho rangeram sob meus pés descalços, estiquei a mão e fechei a porta do quarto de Justin.

 Então voltei pelo corredor.

 — Oi, Chris — disse Lexie, com um largo sorriso. — Como foi o cochilo?

 — Desmaiei durante cinco horas. Isso está mais próximo de um coma que de um cochilo.

Justin ficou me encarando por um instante e, quando sorri para ele, veio direto na minha direção e me puxou pelo corredor até o quarto. Fechou a porta, e senti meu coração bater forte no peito, esperando que ele dissesse algo para esmagar meu ego. Ele juntou as sobrancelhas e disse:

—Desculpa, Flor. Fui um babaca com você hoje.

 Relaxei um pouco ao ver o remorso nos olhos dele.

 — Eu não sabia que você estava bravo comigo.

 — Eu não estava bravo com você. Eu só tenho o péssimo hábito de atacar verbalmente aquele com quem me importo. É uma desculpa tosca, eu sei, mas eu sinto muito. — Ele disse e me envolveu em seus braços.

 Aninhei o rosto no peito dele e me ajeitei.

— Com o que você estava bravo?

— Nada de importante. A única coisa que me preocupa é você.

Eu me afastei para olhar para ele.

 — Consigo lidar com seus acessos de raiva.

 Seus olhos ficaram tentando ler a expressão no meu rosto antes de um sorrisinho se espalhar por seus lábios.

— Eu não sei por que você me aguenta, e não sei o que faria se fosse diferente.

Eu podia sentir o cheiro de cigarro e menta em seu hálito e olhei para sua boca. Meu corpo reagia à nossa proximidade. A expressão no rosto de Justin ficou diferente, sua respiração ficou instável... Ele também tinha notado. Ele se inclinou milimetricamente na minha direção, e ambos demos um pulo quando o celular dele tocou.

 Justin suspirou e tirou o telefone do bolso.

 — Alô. O Hoffman Meu Deus... tá bom. Esses mil vão vir fácil, fácil. No Jefferson? — Ele olhou para mim e piscou. — Estaremos lá. — Então desligou e me pegou pela mão. — Vem comigo — e foi me puxando pelo corredor. — Era o Adam — ele disse ao Chase. — O Brady Hoffman estará no Jefferson em uma hora e meia.

Chase assentiu e se levantou, pegando o celular do fundo do bolso. Digitou as informações rapidamente, convidando para a luta os que sabiam do Círculo. Aqueles dez membros, mais ou menos, enviaram mensagens a outros dez e assim por diante, até que todos soubessem exatamente onde o ringue estaria.

— Lá vamos nós! — exclamou Lexie, sorrindo. — É melhor a gente se arrumar.

O ar no apartamento estava tenso e alegre ao mesmo tempo. Justin parecia ser o menos afetado, calçando rápido as botas e colocando uma regata branca como se fosse sair para resolver algo trivial. Lexie foi comigo pelo corredor até o quarto do Justin e franziu a testa.

— Você tem que se trocar, Christal. Não pode usar isso pra ver a luta.

— Usei uma droga de um cardigã da última vez e você não falou nada! — protestei.

 — Não achei que você fosse mesmo da última vez. Toma — ela me jogou umas roupas —, veste isso.

— Não vou vestir isso

—Vamos logo — Chase gritou da sala de estar.

— Anda logo! — Lexie falou irritada, entrando correndo no quarto de Chase. Vesti o top frente-única amarelo decotado e a calça jeans de cintura baixa que Lexie tinha jogado para mim. Depois coloquei saltos altos e passei um pente no cabelo enquanto cruzava o corredor Lexie saiu do quarto do Chase com um vestido verde curto, estilo baby doll, e sapatos de salto combinando. Quando aparecemos, Justin e Chase estavam parados à porta.

 Justin ficou boquiaberto.

 — Ah, não! Você está tentando fazer com que eu seja morto? Você tem que se trocar, Flor.

 — O quê? — perguntei, olhando para baixo.

 Lexie levou as mãos ao quadril.

— Ela está uma graça, Jus, deixe a menina em paz!

Ele me pegou pela mão e me conduziu pelo corredor.

— Coloque uma camiseta... e tênis. Alguma coisa confortável.

 — O quê? Por quê?

— Porque, com essa blusinha aí, vou ficar mais preocupado com quem está olhando pros seus peitos do que com o Hoffman — ele disse, parando na porta.

 — Achei que você tinha dito que não ligava a mínima para o que as pessoas achavam.

— A situação é diferente, Beija-Flor — Justin olhou para o meu peito e depois para mim. — Você não pode usar isso para ir ver a luta, então por favor... só... se troca, por favor — ele gaguejou, me enxotando para dentro do quarto e fechando a porta.

—Justin! —gritei.

 Eu me livrei dos sapatos de salto com um chute e enfiei meu par de All Star Converse nos pés. Depois me contorci e tirei o top, jogando-o do outro lado do quarto. Enfiei a primeira camiseta de algodão que vi pela frente e corri até a sala, parando na entrada do apartamento.

— Tá melhor? — perguntei, bufando de raiva e puxando o cabelo para prendê-lo num rabo de cavalo.

— Agora tá! — Justin respondeu aliviado. — Vamos!

Fomos correndo até o estacionamento. Pulei na garupa da moto enquanto ele ligou o motor com tudo e saiu voando pela estrada até a faculdade. Apertei a cintura dele, tamanha era minha expectativa; a correria na hora de sair tinha enviado ondas de adrenalina por minhas veias.

 Justin subiu no meio-fio com a moto e a estacionou na sombra, atrás do Pavilhão Jefferson de Humanas. Pôs os óculos de sol no alto da cabeça e me agarrou pela mão, sorrindo enquanto seguíamos sorrateiramente até a parte de trás do prédio. Paramos ao lado de uma janela aberta perto do nível do chão.

Arregalei os olhos quando me dei conta do que faríamos.

— Você só pode estar brincando!

Justin sorriu.

 — Essa é a entrada VIP. Você devia ver como o resto do pessoal entra.

 Balancei a cabeça enquanto ele enfiava as pernas ali para entrar, sumindo de vista logo depois. Eu me abaixei e o chamei no meio da escuridão.

— Justin!

— Aqui embaixo, Flor. É só descer, os pés primeiro. Vem, eu te seguro!

— Você está louco se acha que vou pular no escuro!

— Eu te seguro, prometo! Anda logo, vai!

 Suspirei, levando a mão à testa.

— Isso é loucura!

Eu me sentei no parapeito da janela e fui indo para frente, até que metade do meu corpo ficou pendurado no escuro. Virei de barriga para baixo e tentei tatear o chão com os dedos dos pés. Esperei que meus pés encostassem na mão do Justin, mas perdi a pegada, soltando um gritinho agudo quando caí para trás.

Duas mãos me seguraram e ouvi a voz dele no escuro.

 — Você cai que nem menina — ele disse, dando uma risadinha.

Ele me pôs no chão e me puxou ainda mais para a escuridão. Depois de uns doze passos, eu já podia ouvir a gritaria familiar de números e nomes, e uma luz se acendeu. Havia uma lanterna no canto, que iluminava a sala o suficiente para eu conseguir ver o rosto do Justin.

— O que estamos fazendo? — perguntei.

— Esperando. O Adam tem que fazer o discurso de abertura dele antes de eu entrar.

 Fiquei inquieta.

— É melhor eu ficar esperando aqui ou entrar? Pra onde eu vou quando a luta começar? Cadê o Chase e a Lexie?

 — Eles foram pela outra entrada. É só me seguir, não vou deixar você entrar naquele tanque de tubarões sem mim. Fique perto do Adam, ele vai impedir que te esmaguem. Não posso cuidar de você e dar socos ao mesmo tempo.

— Me esmaguem?

 — Vai ter mais gente aqui hoje. O Brady Hoffman é da Estadual. Eles têm o Círculo deles lá. Vai ser a nossa galera e a galera deles, então vai ficar uma doideira lá no salão.

 — Você está nervoso? — perguntei.

Ele sorriu, baixando o olhar para mim.

— Não. Mas você parece que está um pouco.

 — Talvez — admiti.

 — Se isso fizer você se sentir melhor, não vou deixar nem ele encostar em mim. Não vou deixar ele me acertar nem uma vez, pra agradar os fãs dele.

— Como vai fazer isso?

 Ele deu de ombros.

 — Geralmente deixo que eles acertem uma... para parecer justo.

— Você... deixa as pessoas te acertarem?

— Que graça teria se eu só massacrasse o adversário e nunca levasse nenhum soco? Isso não seria bom para os negócios, ninguém apostaria contra mim.

— Que monte de baboseira — falei, cruzando os braços.

Justin ergueu uma sobrancelha.

— Você acha que estou te zoando?

— Acho difícil acreditar que você só leva um golpe quando deixa.

— Quer fazer uma aposta, Christal Holden? — ele me perguntou sorrindo, com um brilho nos olhos.

Sorri de volta.

— Quero. Aposto que ele acerta um soco em você.

— E se ele não acertar? O que é que eu ganho? — ele me perguntou.

Dei de ombros enquanto a gritaria do outro lado da parede se transformava num rugido. Adam cumprimentou a multidão ali reunida e depois repassou as regras. A boca de Justin se abriu em um largo sorriso.

 —Se você ganhar, fico sem sexo durante um mês. — Ergui uma sobrancelha e ele sorriu de novo. — Mas, se eu ganhar, você tem que passar um mês comigo.

— O quê? Já estou ficando lá de qualquer forma! Que tipo de aposta é essa? — perguntei, gritando em meio ao ruído.

— Eles consertaram as caldeiras do Morgan hoje — disse Justin, com um sorriso e uma piscadinha.

Um riso sem graça aliviou minha expressão quando Adam chamou Justin.

— Qualquer coisa é válida para tentar ver você em abstinência, pra variar.

Justin me deu um beijo no rosto e foi andando, com um porte orgulhoso. Fui atrás dele e, quando passamos para a sala seguinte, fiquei assustada com a quantidade de gente reunida naquele espaço pequeno. Só havia lugar em pé, e os empurrões e a gritaria aumentaram quando entramos. Justin assentiu na minha direção, e Adam pôs a mão no meu ombro e me puxou para seu lado.

Eu me inclinei para falar ao ouvido dele:

— Duas no Justin.

 Adam ergueu as sobrancelhas quando me viu puxar duas notas de cem do bolso.

 Ele estendeu a palma e bati com as notas na mão dele.

 — Você não é a Poliana que achei que fosse — ele falou, me olhando de cima a baixo.

Brady era pelo menos uma cabeça mais alto que Justin, e engoli em seco quando os vi em pé, prontos para o combate, Brady era enorme, tinha duas vezes o tamanho de Travis e era só músculos. Eu não conseguia ver a expressão no rosto de Justin, mas era óbvio que Brady estava ali para derramar sangue.

Adam aproximou os lábios de minha orelha e disse:

— Acho que você vai querer tampar os ouvidos, menina.

 Coloquei as mãos em concha, uma em cada ouvido, e ele sinalizou o começo da luta com o megafone. Em vez de atacar, Justin deu uns passos para trás. Brady desferiu um golpe, do qual ele se esquivou indo para a direita. O adversário atacou de novo, e Justin abaixou a cabeça, desviando para o outro lado.

 — Que merda é essa?! Isso não é uma luta de boxe, Justin! — Adam gritou.

Justin deu um soco no nariz de Brady. O barulho no porão era ensurdecedor. Justin acertou um gancho de esquerda no maxilar do adversário, e levei as mãos à boca quando este tentou acertar mais alguns socos, mas todos atingiram o ar Brady caiu de encontro a seu séquito quando Justin lhe deu uma cotovelada no rosto.

Achei que a luta estava quase terminando, porém Brady voltou a lançar golpes, mas parecia que ele não conseguia mais manter o ritmo. Ambos estavam cobertos de suor, e tive um sobressalto quando Brady errou mais um soco, batendo forte a mão em uma pilastra de cimento. Quando ele se curvou segurando o punho cerrado, Justin partiu para o ataque final.

 Ele foi implacável, acertando primeiro o rosto de Brady com o joelho, depois golpeando-o com os punhos cerrados repetidas vezes, até o adversário cambalear e cair. O barulho foi às alturas quando Adam saiu do meu lado para jogar o quadrado vermelho sobre o rosto ensanguentado de Brady. Justin sumiu entre os fãs, e pressionei as costas na parede, tateando o caminho até chegar à entrada por onde tínhamos vindo.

Chegar onde estava a lanterna foi um alívio imenso. Eu estava aflita, com medo de ser nocauteada e pisoteada. Meus olhos focaram a entrada, e fiquei esperando que a multidão dispersasse. Depois de vários minutos sem sinal de Justin, eu me preparei para refazer os passos até a janela. Com o número de pessoas que tentavam sair ao mesmo tempo, não era muito seguro ficar andando por ali. Assim que pisei na escuridão, ouvi o som de pegadas esmagando o concreto solto no chão.

Justin estava em pânico procurando por mim.

— Beija-Flor!

 — Estou aqui! — gritei, correndo para os braços dele.

 Justin baixou o olhar e franziu a testa.

— Você me matou de susto! Quase tive que começar outra luta só pra vir te pegar... Eu finalmente chego aqui e você não estava!

 — Que bom que você voltou. Eu não estava lá muito ansiosa para achar a saída no escuro.

Sem mais nenhum traço de preocupação no rosto, Justin abriu um sorriso. — Acho que você perdeu a aposta. Adam entrou pisando duro, olhou para mim e depois encarou Justin.

 — Precisamos conversar.

 Justin deu uma piscadinha para mim.

 — Não saia daí. Eu já volto.

E sumiram no escuro. Adam ergueu a voz algumas vezes, mas não consegui entender o que ele estava dizendo. Justin voltou, enfiando uma bolada de dinheiro no bolso, e me deu um meio sorriso.

— Você vai precisar de mais roupas.

 — Você realmente vai me fazer ficar no seu apartamento durante um mês?

 — Você teria me feito ficar sem sexo por um mês?

Eu ri, sabendo que teria feito isso.

— É melhor darmos uma parada no Morgan.

Ele abriu um sorriso de alegria.

— Isso vai ser interessante.

 Adam passou pela gente e bateu com as notas do meu lucro na palma da minha mão, depois se juntou à turba, que se dissipava.

 Justin ergueu a sobrancelha.

— Você apostou dinheiro?

Sorri e dei de ombros.

— Achei que devia ter a experiência completa.

 Ele me levou até a janela e se arrastou por ela, então se virou para me ajudar a subir e sair no ar refrescante da noite. Os grilos cantavam nas sombras, parando apenas o suficiente para passarmos. A grama preta que cobria a beirada da calçada oscilava com a brisa suave, me fazendo lembrar o som do oceano quando não se está perto o bastante para ouvir o barulho das ondas se quebrando. Não estava muito quente nem muito frio; era a noite perfeita.

— E aí? Por que diabos você quer que eu fique no seu apartamento? — perguntei.

Justin deu de ombros, enfiando as mãos nos bolsos.

 — Não sei. Tudo fica melhor quando você está por perto.

Os arrepios que senti por causa do que ele falou logo se foram quando avistei as manchas vermelhas que cobriam sua camiseta.

— Credo! Você está coberto de sangue.

Justin olhou para baixo com indiferença e então abriu aporta, fazendo um gesto para eu entrar. Passei rapidamente por Kara, que estudava na cama, cercada por livros.

— As caldeiras foram consertadas hoje de manhã — ela disse.

 — Fiquei sabendo — falei, esvaziando meu armário.

— Oi — Justin a cumprimentou.

Ela torceu o nariz enquanto o analisava, suado e ensanguentado.

— Justin, essa é a minha colega de quarto, Kara Lin. Kara, esse é Justin Bieber.

 — Prazer — ela respondeu, ajeitando os óculos, depois olhou para minhas malas.

— Você está se mudando daqui?

— Não. Perdi uma aposta.

Justin caiu na gargalhada, segurando as malas.

— Está pronta?

 — Estou. Como vou levar tudo isso para o seu apartamento? Estamos de moto.

Justin sorriu e pegou o celular. Foi levando minha bagagem para a rua e, minutos depois, o Charger vintage preto do Chase estacionou. A janela do lado do passageiro foi descendo e Lexie enfiou a cabeça para fora.

 — Oi, minha linda!

 — Oi. As caldeiras estão funcionando de novo no Morgan. Mesmo assim você vai ficar no apartamento do Chase?

Ela deu uma piscadinha.

— É, pensei em ficar lá essa noite. Ouvi dizer que você perdeu uma aposta.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, Justin fechou o porta-malas e Chase acelerou, com Lexie soltando gritinhos enquanto caía de volta dentro do carro. Fomos andando até a Harley do Justin, que esperou que eu me ajeitasse no banco. Quando coloquei os braços em volta dele, ele apoiou sua mão na minha.

 — Fiquei feliz porque você estava lá hoje à noite, Flor. Nunca me diverti tanto numa luta em toda a minha vida!

Apoiei o queixo no ombro dele e sorri.

— É porque você estava tentando ganhar a nossa aposta.

Ele se virou para me olhar de frente.

— Pode crer, estava mesmo!

 Não havia expressão alguma de diversão em seus olhos. Ele estava sério e queria que eu visse isso. De repente, ergui as sobrancelhas.

— Era por isso que você estava com aquele tremendo mal humor hoje? Porque sabia que tinham consertado as caldeiras e que eu iria embora hoje à noite?

 Justin não respondeu, apenas sorriu enquanto dava partida na moto. A viagem até o apartamento foi lenta, de um jeito que não lhe era característico. A cada sinal vermelho, ele cobria minhas mãos com as dele ou colocava a mão no meu joelho. Os limites estavam ficando tênues de novo, e eu me perguntava como passaríamos um mês juntos sem arruinar tudo. As pontas soltas da nossa amizade estavam se enrolando de um jeito que eu nunca tinha imaginado. Quando chegamos ao estacionamento do prédio, o Charger do Chase estava parado no local de costume.

Desci da moto e parei na frente dos degraus.

— Odeio quando os dois já estão em casa faz um tempinho. Sinto como se a gente fosse interrompê-los.

— Pode se acostumar. Este lugar vai ser seu durante as próximas quatro semanas — Justin sorriu e se virou de costas para mim. — Sobe aí.

 — O quê? — sorri.

— Vamos, vou carregar você até lá em cima. Dei uma risadinha e pulei nas costas dele, entrelaçando os dedos em seu peito enquanto ele subia as escadas correndo. Lexie abriu a porta antes de chegarmos lá em cima e sorriu

— Olhe só pra vocês dois. Se eu não soubesse...

— Para com isso, Lexi — disse Chase do sofá.

 Lexie sorriu como se tivesse falado demais e abriu mais a porta para que pudéssemos passar. Justin tombou na cadeira reclinável. Soltei um gritinho agudo quando ele se apoiou em cima de mim.

— Você está tão alegre hoje, Jus. Que foi? — Lexie quis saber.

Eu me inclinei para frente para ver o rosto dele. Nunca o tinha visto tão contente antes.

— Acabei de ganhar uma bolada de dinheiro, Lexi. O dobro do que achei que tiraria nessa luta. Por que eu não estaria feliz?

Lexie abriu um largo sorriso.

— Não, é alguma outra coisa — falou, olhando para a mão de Justin enquanto ele dava uns tapinhas na minha perna.

Ela estava certa: ele parecia diferente. Havia uma aura de paz em volta dele, quase como se uma profunda satisfação tivesse tomado conta de sua alma.

— Lexi — Chase chamou atenção.

 — Tudo bem, vou falar de outra coisa. O Parker não te convidou para ir à festa da Sig Tau nesse fim de semana, Christal?

O sorriso de Justin desapareceu e ele se virou para mim, esperando a resposta.

— Hum... convidou. Mas não vamos todos nós?

— Eu vou — disse Chase, distraído com a televisão.

 — O que quer dizer que eu também vou — falou Lexie, olhando para Justin com ar de expectativa. Ele me encarou por um instante, depois me cutucou de leve na perna com o cotovelo.

— Ele vem te buscar ou algo assim?

— Não, ele só me falou da festa.

Lexie abriu um sorriso quase zombeteiro.

— Mas ele disse que ia te encontrar lá. Ele é uma gracinha.

 Justin olhou irritado para Lexie, depois voltou a olhar para mim.

 — Você vai?

— Falei pra ele que iria — dei de ombros.

— Você vai?

— Vou — disse ele sem hesitar.

 Foi então que a atenção de Chase se voltou para Justin.

 — Você disse na semana passada que não ia a essa festa.

 — Mudei de ideia, Chase. Qual é o problema?

— Nada não — ele resmungou, indo para o quarto.

Lexie franziu a testa para Justin.

 — Você sabe qual é o problema — disse ela. — Por que você não para de deixá-lo maluco e resolve isso logo?

Ela foi se juntar a Chase no quarto, e as vozes dos dois foram reduzidas a murmúrios atrás da porta fechada.

— Bom, fico feliz que todo mundo, menos eu, saiba qual é o problema — falei.

Justin se levantou.

— Vou tomar uma ducha.

— Tem alguma coisa acontecendo com eles? — Eu quis saber

— Não, ele só é paranoico.

— É por causa de nós dois — adivinhei.

 Os olhos de Justin ganharam um brilho e ele assentiu.

— Que foi? — perguntei, olhando para ele com ar de suspeita.

— Você está certa. É por causa de nós dois. Não vá dormir, tá? Quero conversar com você sobre uma coisa.

Ele deu uns passos para trás e então sumiu atrás da porta do banheiro. Eu torcia o cabelo em volta do dedo, refletindo sobre a forma como ele tinha enfatizado as palavras “nós dois”, além da expressão em seu rosto quando disse isso.

Eu me perguntava se já haviam existido limites algum dia, e se eu era a única que ainda considerava minha relação com Justin só de amizade. Chase saiu do quarto como um raio, e Lexie foi correndo atrás dele.

— Chase, não! — ela suplicou.

Ele olhou para trás, para a porta do banheiro, e depois para mim.

A voz dele estava baixa, mas com raiva.

 — Você me prometeu, Christal. Quando te falei para ter paciência e saber perdoar, não quis dizer que era para vocês dois se envolverem! Achei que vocês fossem apenas amigos!

— Mas nós somos! — falei, abalada com o ataque surpresa.

 — Não são, não! — ele exclamou, furioso.

 Lexie pôs a mão no ombro dele.

 — Baby, eu disse que vai ficar tudo bem.

Ele se soltou dela.

 — Por que você está forçando a situação, Lexie? Eu já falei pra você o que vai acontecer!

Ela segurou o rosto dele nas mãos.

— E eu falei que não vai ser assim! Você não confia em mim?

Chase suspirou, olhou para ela, para mim, depois entrou no quarto pisando duro.

Lexie tombou na cadeira reclinável ao meu lado e bufou.

— Eu não consigo enfiar na cabeça dele que não importa se você e o Justin vão dar certo juntos ou não, isso não vai afetar a gente. Mas ele já se deu mal muitas vezes e não acredita em mim.

— Do que você está falando, Lexi? Eu e o Justin não estamos juntos. Somos apenas amigos. Você ouviu o que ele disse... que não tem interesse em mim desse jeito.

— Você ouviu isso?

— Bom, ouvi.

— E acreditou?

Dei de ombros.

— Não importa. Nunca vai rolar nada entre a gente. Ele me disse que não me vê desse jeito. Além disso, ele morre de medo de se comprometer, seria impossível arrumar uma amiga além de você com quem ele não tenha dormido, e também não consigo lidar com as mudanças de humor dele. Não acredito que o Chase acha que vai acontecer alguma coisa.

 — É que ele não só conhece o Justin... como conversou com o Justin, Christal.

 — O que você quer dizer?

— Lexi — Chase chamou lá do quarto.

Lexie soltou um suspiro.

 — Você é minha melhor amiga. Acho que te conheço melhor do que você mesma às vezes. Quando vejo vocês dois juntos, a única diferença entre o relacionamento de vocês e o meu com o Chase é que você e o Justin não estão transando. Fora isso, não tem diferença nenhuma.

 — Tem uma diferença enorme, colossal, Lexi. O Chase traz uma garota diferente pra casa toda noite? Você vai a uma festa amanhã para se encontrar com um cara que tem grande potencial para ser seu namorado? Você sabe que não posso me envolver com o Justin, Lexiw. Não sei nem por que estamos discutindo esse assunto. A expressão no rosto dela era de decepção.

— Não estou imaginando coisas, Christal. Você passou quase todos os segundos com ele no último mês. Admita, você sente algo por ele.

 — Deixa quieto, Lexi — disse Justin, apertando com força a toalha enrolada em volta da cintura.

Tanto Lexie quanto eu demos um pulo ao ouvir a voz de Justin. Quando nossos olhares se encontraram, pude ver que toda aquela sua felicidade tinha ido embora. Ele atravessou o corredor sem falar mais nem uma palavra, e Lexie olhou para mim com tristeza.

— Acho que você está cometendo um erro — ela sussurrou. — Você não precisa ir àquela festa para conhecer um cara. Tem um que é louco por você bem aqui — ela disse e me deixou sozinha.

Fiquei balançando na cadeira reclinável e repassei na minha cabeça tudo que tinha acontecido na última semana. Chase estava com raiva de mim, Lexie estava decepcionada comigo, e Justin... passou de estar mais feliz do que nunca a tão ofendido que ficou sem palavras.

 Nervosa demais para ir me deitar na cama ao lado dele, fiquei olhando para o relógio enquanto os minutos se arrastavam. Tinha se passado uma hora quando Justin saiu do quarto e cruzou o corredor. Quando entrou na sala, eu esperava que ele fosse me chamar para ir me deitar, mas ele estava vestido e com a chave da moto na mão. Os óculos de sol escondiam seus olhos, e ele colocou um cigarro na boca antes de segurar a maçaneta da porta.

— Vai sair? — perguntei, erguendo meio corpo na cadeira. — Aonde você vai?

— Sair — disse ele, puxando a porta com força para abri-la e depois batendo-a atrás de si.

 Tombei de volta na cadeira reclinável e soltei o ar preso. De alguma forma eu tinha me tornado a vilã, e não fazia a mínima ideia de como havia conseguido essa façanha. Quando o relógio acima da televisão marcou duas da manhã, me conformei em ir para a cama. O colchão era um lugar solitário sem Justin, e a ideia de ligar para o celular dele se insinuava em minha mente. Eu tinha quase caído no sono quando ele parou a moto no estacionamento. Duas portas de carro se fecharam logo depois, e então ouvi vários pés subindo as escadas.

Justin ficou mexendo na fechadura por uns instantes e logo a porta se abriu. Ele deu risada e falou algo que não entendi. Então ouvi não uma voz feminina, mas duas. As risadinhas delas foram interrompidas pelo distinto som de beijos e gemidos. Meu coração afundou no peito e, na hora, fiquei com raiva por me sentir daquele jeito. O gritinho agudo de uma das garotas fez com que meus olhos se fechassem com tudo, e depois tenho certeza de que o som era dos três caindo no sofá.

Cheguei a pensar em pedir que Lexie me emprestasse a chave do carro, mas a porta do quarto de Chase ficava em uma linha de visão direta para o sofá, e eu não aguentaria ver as imagens que acompanhavam os ruídos naquela sala de estar Enterrei a cabeça debaixo do travesseiro e fechei os olhos quando a porta se abriu de repente. Justin atravessou o quarto, abriu a gaveta de cima da mesa de cabeceira, pegou algo no pote de camisinhas e voltou pelo corredor meio rápido. As garotas ficaram dando risadinhas pelo que pareceu uma meia hora, depois veio o silêncio. Segundos mais tarde, gemidos, gritos e sussurros encheram o apartamento. Parecia que um filme pornô estava sendo gravado na sala de estar. Cobri o rosto com as mãos e balancei a cabeça.

Quaisquer limites que tivessem ficado obscuros ou sumido na semana passada agora eram substituídos por uma parede impenetrável de pedra. Deixei de lado minhas ridículas emoções, forçando-me a relaxar. O Justin era o Justin, e nós dois éramos, sem sombra de dúvida, apenas amigos. Os gritos e outros ruídos nojentos foram ficando mais baixos até cessar por completo depois de uma hora, seguidos de lamúrias e murmúrios descontentes das mulheres quando foram dispensadas. Justin tomou banho e caiu na cama, de costas para mim. Mesmo depois do banho, o cheiro que vinha dele indicava que tinha bebido uísque o suficiente para sedar um cavalo, e fiquei furiosa por ele ter dirigido naquele estado até o apartamento.

Eu ainda não conseguia dormir, nem depois que a estranheza da situação e a raiva foram diminuindo. Quando a respiração de Justin ficou profunda e uniforme, me sentei e olhei para o relógio. O sol nasceria em menos de uma hora. Sai de debaixo das cobertas, atravessei o corredor e peguei uma manta no armário. A única prova do ménage à trois de Justin eram duas embalagens vazias de camisinha que estavam no chão.

Pisei nelas e me joguei na cadeira reclinável. Fechei os olhos. Quando os abri de novo, Lexie e Chase estavam sentados no sofá, em silêncio, vendo televisão sem som. O sol iluminava o apartamento, e me contorci quando senti as costas reclamarem de qualquer tentativa de movimento. Lexie voltou rapidamente a atenção para mim.

— Christal? — ela veio correndo para o meu lado.

 Ela me olhava preocupada.

Estava esperando raiva, lágrimas ou alguma outra explosão emocional da minha parte.

 Chase parecia desolado.

— Sinto muito pela noite passada, Christal. A culpa é minha.

Eu sorri.

— Está tudo bem, Chase. Não precisa se desculpar.

 Lexie e Chase trocaram olhares de relance, e então ela me segurou pela mão.

— O Justin foi até o mercado. Ele... argh, não vem ao caso como ele está. Arrumei suas malas e vou te levar até o dormitório antes que ele chegue, para você nem ter que lidar com a presença dele.

Foi só naquele instante que tive vontade de chorar — eu tinha sido expulsa dali. Fiz um grande esforço para que minha voz saísse tranquila antes de falar:

— Dá tempo de tomar um banho?

Lexie balançou a cabeça em negativa.

— Vamos embora, Christal. Não quero que você tenha que ver o Justin de novo. Ele não merece...

 A porta se abriu com tudo e Justin entrou, cheio de sacolas. Foi direto para a cozinha e começou a colocar latas e caixas nos armários.

— Quando a Flor acordar, vocês me avisam, tá? — ele disse, baixinho. — Eu trouxe espaguete, panquecas e morangos, além daquele treco de aveia com chocolate. E ela gosta do cereal Fruity Pebbles, não é, Lexi? — ele perguntou e se virou.

Quando me viu, ficou paralisado. Depois de uma pausa sem graça, sua expressão se derreteu. Sua voz estava doce e suave.

— Oi, Beija-Flor.

 Eu não teria ficado mais confusa se tivesse acordado num país estrangeiro. Nada fazia sentido. Primeiro achei que estava sendo expulsa, agora Justin chegava em casa com sacolas cheias das minhas comidas prediletas. Ele deu alguns passos e entrou na sala de estar, nervoso, enfiando as mãos nos bolsos.

— Está com fome, Flor? Vou preparar umas panquecas. Ou tem... hum... aveia. Também trouxe pra você aquela espuma cor-de-rosa que você usa pra se depilar, além de um secador de cabelos, e um... um... só um segundo — disse ele, correndo até o quarto.

 Quando voltou, ele estava pálido. Inspirou fundo e as sobrancelhas se encolheram.

— Suas malas estão feitas.

— Eu sei — falei.

— Você está indo embora — ele disse, derrotado.

 Olhei para Lexie, que o encarava com raiva, como se pudesse matá-lo com o olhar.

— Você esperava mesmo que ela fosse ficar aqui?

— Baby — Chase sussurrou.

— Não começa, Chase. Nem se atreva a defender esse cara na minha frente — disse Lexie, furiosa.

Justin parecia desesperado.

— Desculpa, Flor. Não sei nem o que dizer

— Vamos, Christal — disse Lexie.

Ela se levantou e me puxou pelo braço.

Justin deu um passo na minha direção, mas Lexie apontou o dedo para ele e disse:

— Que Deus me ajude, Justin se você tentar impedir a Christal de ir embora, vou encher você de gasolina e botar fogo enquanto você estiver dormindo!

— Lexie — disse Chase, soando um pouco desesperado.

Eu podia ver que ele estava dividido entre o primo e a mulher que amava, e me senti muito mal por ele.

 Aquela situação era exatamente o que ele tinha tentado evitar o tempo todo.

— Estou bem — falei, exasperada pela tensão na sala.

— O que você quer dizer com “estou bem”? — Chase me perguntou, num tom de quase esperança.

 Revirei os olhos.

— O Justin trouxe umas mulheres pra casa ontem à noite, e daí?

Leixe parecia preocupada.

— Tudo bem, Christal. Você está me dizendo que está de boa com o que aconteceu?

Olhei para eles.

 — O Justin pode trazer pra casa quem ele quiser. O apartamento é dele.

Lexie me encarava como se eu tivesse enlouquecido, Chase estava quase abrindo um sorriso, e Justin parecia pior do que antes.

— Você não fez suas malas? — ele quis saber.

 Fiz que não com a cabeça e olhei para o relógio: já passava das duas horas da tarde.

— Não, e agora vou ter que tirar tudo delas. Ainda tenho que comer, tomar banho, me vestir... — falei, enquanto entrava no banheiro.

Assim que fechei a porta, me apoiei nela e fui deslizando até o chão. Eu tinha certeza de que havia irritado a Lexie de um jeito irreparável, mas tinha feito uma promessa ao Chase e pretendia manter minha palavra.

Ouvi um som baixinho de alguém batendo na porta.

— Flor? — disse Justin.

— O quê? — falei, tentando soar normal.

— Você vai ficar?

— Eu posso ir embora se você quiser, mas aposta é aposta.

 A porta vibrou com o som baixo e oco da testa dele batendo do outro lado.

 — Não quero que você vá embora, mas não te culparia se você fosse.

— Você está me dizendo que estou liberada da aposta?

 Seguiu-se uma longa pausa.

 — Se eu disser que sim, você vai embora?

— Bem, vou. Eu não moro aqui, seu bobo — falei, forçando um sorrisinho.

— Então não, a aposta ainda está valendo.

 Olhei para cima e balancei a cabeça, sentindo as lágrimas arderem nos olhos.

 Eu não fazia ideia do motivo pelo qual estava chorando, mas não conseguia parar.

 — Posso tomar um banho agora?

— Pode — ele suspirou.

 Ouvi o som dos sapatos de Lexie pisando duro no corredor e parando perto de Justin.

— Você é um canalha egoísta! — ela grunhiu, batendo a porta do quarto de Chase com força depois de entrar.

Eu me forcei a me levantar do chão, abri o chuveiro e tirei a roupa, puxando a cortina do boxe.

Depois de bater mais uma vez na porta, Justin pigarreou e disse:

— Flor? Trouxe algumas coisas suas.

 — É só colocar aí na pia que eu pego.

Ele entrou no banheiro e fechou a porta.

— Eu fiquei louco de raiva. Ouvi você falando pra Lexie tudo que havia de errado comigo e isso me emputeceu. Eu só queria sair, tomar umas e pensar, mas, antes que me desse conta, eu estava pra lá de bêbado, e aquelas garotas... — ele fez uma pausa. — Acordei hoje de manhã e você não estava na cama, e quando te vi na cadeira reclinável e as embalagens de camisinha no chão, eu fiquei com nojo.

— Você podia ter me perguntado, em vez de gastar todo aquele dinheiro no mercado só para tentar me fazer ficar.

— Não ligo para o dinheiro, Flor. Fiquei com medo de você ir embora e nunca mais falar comigo.

Eu me encolhi ao ouvir a explicação dele. Não tinha parado para pensar em como ele se sentiria me ouvindo falar de como ele era errado para mim, e agora a situação tinha chegado a um ponto complicado demais para consertar.

— Eu não queria magoar você — falei, debaixo do chuveiro.

— Sei que você não queria. E não importa o que eu diga agora, porque ferrei com tudo... como sempre faço.

—Jus?

— O quê?

— Não dirija mais bêbado daquele jeito, tá?

Esperei um minuto até que, por fim, ele respirou fundo e respondeu

— Tá bom — e fechou a porta ao sair


Notas Finais


É isso abobrinhas lindas! espero que tenham gostadoo,
To achando o Chase meio pombo, sla.
Lexie também ta se metendo muito. Sai.
Justin não sabe oq ta acontessenu
Christal também não
tudo noiado.


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