História Guerra entre pai e genro - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Jikook, Kookmin, Namjin, Singkook
Exibições 571
Palavras 12.261
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Se eu disser pra vocês que esse capítulo deu 31 paginas no word vocês acreditariam? Espero que sim.
Enfim, obrigada pelo carinho no capítulo de explicação. Eu amei ler aquele amor imenso e chorei com alguns, sério, amo demais postar essa história, mas o que mais dificulta é essa minhas lapises de bloqueio de criatividade.
Na boa. Depois de todas aquelas one shots que postei no dia 23 eu acho que a conta de criatividade acabou, a luz se apagou totalmente. Mas já estou correndo atrás da minha criatividade, pode crer. Estou lendo livros, escutando música, vendo videos e tudo mais. Tudo isso para que ela volte e eu seja rápida em atualizar minhas histórias.

Leiam esse capítulo com calma e atenção e o amem intensamente. Não tem muito jikook, infelizmente, mas compensarei em breve com muito jikook mesmo. Tem uma coisa muito importante aí e espero que gostem do que vão ler.

Boa leitura, meus bebês

Capítulo 5 - Sem tentativas.


O barulho estridente de um toque que não consegui identificar de imediato me acorda, e, ainda com o rosto enfiado no colchão que está coberto por lençóis macios e de uma cor branca, eu tateio a cama a procura do objeto que parece um despertador quando notificado para poder arremessa-lo longe de mim. Porém, falho miseravelmente ao não conseguir encontrar a porcaria que está tocando.

Ainda com os olhos praticamente fechados pelo sono e, com certeza, uma expressão sonolenta e irritada eu levanto com muito custo meu rosto do colchão, sentindo a parte de trás do meu pescoço e minha cabeça doerem de imediato, reclamando pela posição em que estou sendo que meus músculos estavam dormidos. Procuro pelo o objeto com os olhos, identificando em seguida como meu celular que estava no criado mudo ao lado da cama. O aparelho vibrava e tocava, remexendo-se em cima do cômodo de madeira lisa e fazendo seu caminho até a beirada para ir diretamente ao chão, mas eu o salvo rapidamente, ainda muito sonolento e sem entender o que está acontecendo.

A tela está acesa e o nome ‘papai’ brilhava na mesma me mostrando que estou recebendo uma ligação sua. Resmungo baixo, finalizando a ligação, pois realmente não quero saber o que ele tem a me dizer e pressiono o botão de cima do aparelho para desliza-lo e não ser mais incomodado. Jogo o aparelho de volta em seu lugar, não me importando nem um pouco se ele tinha caído e volto a dormir.

Mais tarde acordo assustado por conta do pesadelo recente, sentindo a sensação de ser esfaqueado com sentimentos ruins ainda presente em meu coração. Viro de frente para o teto, passando a alisar a região onde meu coração residia para tentar inutilmente aliviar a pressão que sentia no mesmo. A sensação ainda está presente e estou chorando por isso, meu rosto inundado pelas lágrimas que derramei durante o pesadelo. Não fora um assunto bom que se passou em um sonho, e a angustia é aparente em mim só com os meus atos. Continuo chorando, tentando de algum jeito dizer a mim mesmo que aquilo foi só um sonho ruim e respiro fundo.

Dobro as pernas e sento na cama, ficando com as costas coladas na parede quente por conta do sol que batia na direção da minha casa, sentindo minhas costas reclamar por aquela posição, mas simplesmente não me mexo. Levo as mãos até meus cabelos, lembrando a mim mesmo que Jungkook e eu ainda estamos juntos, mas começo a chorar ainda mais ao ter lapsos de memoria de ontem onde Jungkook me olhou decepcionado e magoado com a coisa que viu. Aliso os cabelos suados, puxando-os para trás. O quarto está escuro, claro somente por alguns fios de sol que entravam pelas brechas que as cortinas criavam. Penso nele, querendo ligar pra Jungkook nesse momento e lhe dizer o que aconteceu, mas simplesmente não consigo, ainda estou sonolento demais e as sensações ruins do sonho ainda percorrem meu corpo.

Mordo o lábio, umedecendo-os em seguida e mirando os lados a procura de algo que clareasse a minhas vistas, porém, quando me estico para buscar o celular, batidas na porta me assusta, fazendo-me voltar a posição anterior e causando uma dor intensa na minha cabeça do lado esquerdo, puxando para os olhos e depois a testa.

Acordar com dor de cabeça duas vezes é o ‘ô’.

— Jimin! – a voz está abafada por estar sendo proferida do outro lado da porta, mas captei na mesma que ele está agitado e desesperado. Talvez preocupado? Não sei. Até que me lembro de mais cedo onde meu pai fez uma ligação para mim e rapidamente me preocupo, será que foi algo importante? Eu simplesmente o ignorei totalmente como se não fosse nada. – Park Jimin! – e quando ele pronuncia meu nome e sobrenome eu sei que fodeu pra mim.

Aquele típico temor se apodera do meu corpo, e ele me chama novamente acabando por me deixar mais apavorado. Os pais tem a maldita mania de chamar os filhos pelo nome e sobrenome quando eles aprontam, porém, eu não fiz nada de errado além de ter ignorado sua ligação mais cedo. Isso não é grave, não é? Logicamente que não.

O problema é que estou impossibilitado de ir até a porta para abrir pra ele. Ok. Impossibilitado não é a palavra certa e sim preguiça. Estou morrendo de preguiça de levantar dessa cama para ir até a porta atende-lo. Então eu o ignoro.

— Abre essa porta Park Jimin! Acorda! – ele passa a gritar mais alto para me acordar e prendo a risada com a mão na boca, achando-o deveras engraçado. Meu pai esmurra a porta para me acordar, não sabendo que já estou acordado e rindo de sua cara. Acabo me deitando na cama e encaro o teto com tédio explicito, esperando que ele derrubasse minha porta para dizer o que tanto quer.

Mas ainda sim estou muito mal humorado por duas coisas e deixo uma expressão fechada em meu rosto para que veja que não estou apto para sorrir hoje.

Primeiro: fui acordado por um telefonema que tenho certeza – agora – que não tem importância nenhuma, e isso é péssimo, principalmente porque hoje é um dia de sábado e em finais de semana eu tenho costume de acordar tarde, e como dormi muito tarde ontem por estar chorando horrores eu sabia que iria acordar tarde.

Afinal, eu não tinha ido dormir na casa do Jungkook? Pelo que me lembro eu fui até sua casa e...

Puta merda.

Foi uma merda de um sonho bom, antes do pesadelo.

Segundo: as batidas fortes na porta estavam me dando nos nervos e não estava ajudando a curar a minha dor de cabeça, estava ajudando a fazer doer mais ainda.

Que péssimo dia.

Alguns resmungos são ditos do outro lado da porta e nem me dou o trabalho de me levantar para abrir – até penso em fazer esse esforço, mas paro quando ouço o trinco sendo destrancado e meu pai passa pela porta, deixando-a aberta atrás de si para iluminar o caminho que faz até mim.

Ok. Foi bem idiota de sua parte ter se esquecido da maldita chave reserva, e sei que ele está se sentindo frustrado por estar pensando no mesmo – consigo ver em seus olhos a frustração.

Jinwoo observa meu estado por um bom tempo quando para próximo a mim, mostrando uma expressão mista de frustração e irritação por eu não ter o atendido mais cedo e por ter simplesmente o ignorado, mas nem dou a mínima pra isso, ainda estou um pouco sonolento para processar as coisas que estão acontecendo e a sensação do pesadelo ainda é presente mesmo que pouco.

O velho, para me irritar, faz questão de abrir as cortinas de uma por uma, abrindo as janelas para deixar os raios solares apossarem do meu quarto, fazendo um raio solar intenso bater em cheio no meu rosto, mais precisamente em meus olhos que estão doloridos por conta da dor de cabeça. Fecho os olhos rapidamente para me livrar daquele clarão tão rápida que me atinge, resmungando com meu pai algo que é bem incoerente para mim e para ele. Os passos insistentes dele pelo quarto são ouvidos por mim já que estou de olhos fechados e concentrando somente nos barulhos ao meu redor.

— O que está fazendo? – minha voz soa totalmente rouca pelo quarto e faço careta ao senti-la arranhar e doer. Engulo uma boa quantidade de saliva para ver se ajuda a aliviar a dor, mas nada resolve, então, decido ficar calado por um momento. Meu pai se vira pra mim, apontando o dedo em minha direção ainda de longe e causando uma sensação estranha de culpa dentro de mim.

— Minha mão está doendo por sua culpa. Quase derrubei a porta a murros para te chamar garoto insensível! Eu que deveria perguntar o que você está fazendo – reviro os olhos sem que perceba, sentindo uma dor por trás dos meus olhos e gemendo em dor por isso. Me espreguiço na cama, bocejando em seguida e piscando os olhos para poder lançar o meu olhar mais inocente ao meu pai.

— Não estou de bom humor hoje, então, por favor, não enche – não me importo com o modo que estou falando com ele. Ainda estou com raiva por conta das coisas que acontecerem ontem e quero enxota-lo do meu quarto mesmo sendo o meu querido papai. Ele não tinha o direito de ter feito aquilo no meu relacionamento, e por sua culpa estou desentendido com Jungkook.

Tá que a culpa não foi totalmente dele porque meu namorado me viu de mãos dadas com a garota, foi bem óbvio pra mim que ele estava pensando em coisas erradas e foi embora sem ouvir uma explicação coerente.

Parando pra pensar em um assunto realmente sério. Percebi que Jinwoo é um cara de pau. Essas coisas que ele está fazendo... Não consigo entender o seu objetivo já que teimo em dizer que sou gay e estou perdidamente apaixonado por um garoto, mas ele não parece entender esse fato. É simplesmente como aqueles desenhos animados de antigamente que o personagem falava e as palavras saltavam de sua boca, entrando no ouvido do outro que é extremamente desatento e lerdo e, automaticamente, as palavras saem do ouvido desse outro personagem como se nunca tivesse passado por ali. Ccomo uma pessoa que já deu pra vários, passou que ele nem sentiu.

Constatei que meu pai é desse modo. Não o chamo de desatento porque ele realmente não é, mas falo do modo como às coisas chegam a sua cabeça. As palavras que proferi ontem, as coisas que aconteceram, simplesmente parecem sumir de sua mente, ele esquece como se nada tivesse acontecido, e no outro dia está falando normalmente comigo.

Infelizmente eu sou orgulhoso demais para não deixar essas coisas no esquecimento.

Ele está proferindo algo agora, mas não dou ouvidos por estar concentrado em massagear minhas têmporas na tentativa de me livrar da dor de cabeça insistente, e a minha desatenção parece frustra-lo demais, pois ele sai do quarto soltando muxoxos irritados. Aproveito para me ajeitar na cama, sentei com as pernas cruzadas em posição de índio, ficando no meio do colchão. Acho estranho estar em casa sendo que tenho a sensação de ter dormido com Jungkook ontem, mas como um aviso lembro de ontem a noite. Fiquei rolando na cama a noite inteira para achar uma posição confortável para dormir e com o choro que não cessava, acabei dormindo sem ao menos perceber.

Porra. Foi um sonho, só que foi um sonho bom. E também Jungkook não seria capaz de me trazer em seus braços e subir em uma arvore comigo adormecido. O moreno nem é tão forte assim e também isso é impossível de se fazer.

Perdido em pensamentos não vi meu pai voltar para meu quarto, só o percebo no mesmo ambiente quando ele está sentado ao meu lado com a mão estendida em minha direção. Sorri ao perceber que eram fotografias... Da minha querida mamãe.

Ok. Ele lembrou do nosso trato. Realmente estou de mau humor e só isso para me alegrar um pouco.

— Dia de mau humor também é dia de foto – murmurou. Não preciso encarar seu rosto para saber que está sorrindo, e também estou atento observando de longe as fotos da minha mãe mais nova – não totalmente mais nova, não sei, acho que ela tinha mais ou menos a minha idade. – Ela tinha dezessete anos nessas fotos, fazia pouco tempo que tinha passado o dia de seu aniversário – me estende as fotos e as chacoalha em minha frente para que eu as pegasse e as pego com precisão. Meus olhos passam a ficar embaçados antes mesmo de começar a observar direito àquelas fotografias, e sorrio em meio ao choro vendo minha mão tão linda – fico imaginando como ela seria se estivesse aqui comigo hoje e tenho certeza de que ela seria uma linda mulher, seria uma ótima esposa para o meu pai e seriamos uma família linda e unida, ela seria, também, uma boa sogra para o Jungkook e, com certeza, nos apoiaria com todo o amor do mundo. Eu não teria que ficar aguentando o meu pai tentando me fazer mudar de ideia sobre a minha sexualidade.

As duas fotos são iguais, pelo menos o fundo, – percebi que só muda o modo como ela está. Na primeira foto a mulher está séria, focada em seus pensamentos pelo o que percebi e de olhos fechados levemente. Mamãe estava encostada em uma parede toda branca. Seus joelhos estão dobrados e seus pés estão contra o chão firmemente – ela abraçava suas pernas com ternura e sua cabeça estava deitada por cima dos joelhos, um pouco mais pra baixo deles. Parecia pensar profundamente em alguma coisa.

Enxugo a lágrima que escorre por meu rosto rapidamente para que meu pai não me visse chorar agora e suspiro.

— Nesse dia ela estava muito pensativa e silenciosa, o que me preocupou um bocado porque sua mãe não parava de falar um minuto sequer – começou a fala, atraindo minha atenção, mas não tiro meus olhos da fotografia, sorrindo para ela. Toco a foto com o polegar, alisando a mesma como se estivesse tocando em seu rosto e choro mais um pouco, dessa vez mais alto e deixando que meu pai me visse chorar. Aquele sentimento de culpa me atinge em cheio. Culpa por ter sido o culpado por sua morte. – Junhwa sabia que estava acontecendo algo com seu corpo, e conseguiu preocupar todos com o seu silêncio – a voz falha indica que está prestes a se debulhar em lágrimas igual a mim e com isso desabo totalmente, chorando como um condenado, soluçando alto e quase me engasgando com os soluços insistentes. Algumas lágrimas salpicam nas fotos, mas eu as tiro de perto para não danifica-las já que são antigas.

Os olhos estão ardendo por conta do choro, mas não me importo, pois estou pondo pra fora o peso da culpa que está sob meus ombros, pelo menos um pouco dela. Eu nunca vou me perdoar por ter sido o culpado da morte da minha mãe.

— A culpa é toda minha – desabafo. O peso em meus ombros aumenta por estar dizendo isso em alto e bom som, causando uma agonia em meu peito por estar dizendo uma coisa daquelas para ele. Jinwoo abre a boca para contradizer minhas palavras, mas eu não deixo, pois é a mais pura verdade. Eu fui o culpado da morte da minha mãe e esse peso não vai sair dos meus ombros nem tão cedo – quem sabe nunca. Ela deveria estar via e eu não deveria nem ter dado as caras nesse mundo. Eu amo a minha vida, não vou mentir, mas ela merecia continuar vivendo. – Eu não deveria ter nascido – compartilho meus pensamentos com ele, encarando seu rosto que se torna perplexo com minhas palavras.

— Não – diz de imediato, negando veemente com a cabeça. Pega meu rosto com as mãos, trazendo-o mais pra perto de si para poder olhar em meus olhos mais de perto. Não o encaro de volta, pois se torna demais pra eu encarar aquela imensidão cheia de lágrimas – Nunca diga isso! – não consigo identificar o sentimento em sua voz por estar deveras pra baixo. – Você foi a nossa escolha desde sempre. Sua mãe queria e eu concordei com ela. Eu queria ter os dois ao meu lado, queria ela e você, mas Deus quis assim por algum propósito. E sua mãe já tinha um propósito. Ela queria dar sua vida por você se isso fosse o que tinha que ser, e ela fez – engoli a seco, assentindo e tentando convencer o meu interior. As palavras dele repetem em minha mente para ajudar, mas ainda tenho a minha opinião sobre. – Jimin, não vou cansar de te dizer que você é a prova do nosso amor, entenda.

— Eu – respiro fundo tentando parar de chorar, meus olhos ardem pela demanda grande de lágrimas que ainda estavam sendo derramadas por conta da tristeza que sinto. Soluço baixinho e mordi meu lábio inferior. Encaro seus olhos quando me acalmo um pouco, mas volto a chorar copiosamente, não me cansando nem um pouco de chorar. – Sinto muito pai – e o abraço.

Seus braços – seu abraço – me passa apoio naquele momento e não quero sair nunca mais do seu abraço confortável.

Aqueles braços fortes me apertam com amor e carinho e suas mãos passeiam por minhas costas, subindo até meus cabelos onde ele deixa um carinho gostoso ali, mandando sensações gostosas para meu corpo e meu coração. Estar no meio de um abraço em um momento onde estou expondo o que sinto é totalmente acolhedor e satisfatório. Receber um abraço de um pai é acolhedor.

— Não pense nisso desse modo – faz carinho em meu rosto, tentando me passar a cama que está em si, mas ainda estou chorando um pouco em seu ombro, implorando para ser cuidado com carinho por ele naquele momento. Estou tão frágil depois de ter visto as fotos da minha mãe e me lembro de Jungkook, querendo-o aqui comigo para me abraçar forte também, mas estamos desentendidos e não sei quando iremos por as coisas em ordem.

Jungkook é teimoso demais e difícil de lidar quando está magoado com algo, e o que aconteceu ontem o magoou muito. Eu só consigo me lembrar do olhar que ele me mandou quando antes de sair da minha casa, foi um olhar tão decepcionado e magoado que me fez ficar extremamente triste no mesmo momento.

— É ótimo ter você aqui comigo – suas palavras me acalmam aos poucos e enxugo meu rosto úmido pelas lágrimas em sua camisa, ele parece não se importa. Me afasto e sorri pra ele, vendo-o retribuir. – No dia que sua mãe foi ter você eu só conseguia pensar que iria perder os dois e implorava para que Deus deixasse pelo menos um pra mim, se fosse isso o que tinha que ser. E ele me deixou você Jimin. Você foi a coisa mais incrível que aconteceu na minha vida depois de sua mãe.

— Pai, eu te amo – sussurrei. Os olhos queimando feito brasas pegando fogo e a dor de cabeça doendo mais ainda por conta de que estava chorando há pouco tempo. Abraço ele de novo, automaticamente sentindo o cheiro do seu perfume masculino e repuxo o ar para senti-lo mais. Eu amo muito meu pai.

— Eu também te amo filho – acaricia meus braços e me aperta entre os seus, sorrindo contra minha cabeça. Ele deixa um beijo no topo da minha cabeça, me afastando devagar em seguida e depositando um selar em minha bochecha. Sorrio.

Me afasto mais um pouco e volto a pegar as fotos para analisar a segunda. Na outra ela está sentada do mesmo jeito, mas está sorrindo para a câmera, pegando meu pai no flagra. Os olhos dela somem quando ela sorri e me vejo ali em seu rosto, lembra um pouco o meu sorriso.

— Se parece com o meu sorriso – comento abobado. Jinwoo assente e sorri alegremente. – Ela é tão linda.

— Sim, muito linda. Eu me via abestalhado observando sua mãe e ela me repreendia toda vez porque dizia que era estranho e lhe deixava envergonhada – tem um tom de divertimento em sua voz. Solto uma gargalhada, imaginando minha mãe com vergonha. – Esqueci de dizer, mas nesse dia sua mão estava sentindo sensações estranhas. Ela me contou sobre depois. E depois de alguns dias descobrimos que ela estava grávida de você – sorri, fechando os olhinhos automaticamente. Sorrio sem mostrar os dentes, intercalando meu olhar de si para as fotografias em minhas mãos. – Sua avó ficou bem estressada com essa noticia porque éramos jovens demais para ter um bebê, mas depois se deixou levar e entregou-se a novidade de que teria um neto pra cuidar. E... Eu também quero sentir isso Jimin.

Aquelas palavras me deixam boquiaberto. Jinwoo tem que pensar nas palavras que vai dizer por que podem me afetar de algum jeito ou de outro, e essas palavras me afetaram de todas as formas possíveis. Semicerro os olhos enquanto o encaro com descrença, mordendo a boca pelo lado de dentro e me sentindo perdido com o significado daquelas palavras. Eu não posso lhe dar netos, pois estou encantado por um homem e não tem mais espaço para mulheres na minha vida – eu amo unicamente um homem. Não vou deixar de ama-lo, nunca! Só se algo de ruim acontecer no nosso relacionamento e nós nos separarmos... Bom, acho que nem se isso acontecer eu vou ser capaz de deixar de amar Jungkook.

Ele tem que por em sua cabeça que eu sou unicamente de Jungkook e ele é meu e que iremos nos casar algum dia e criar uma família que não vai ser do nosso próprio sangue, mas que vai ser a nossa família. Eu amo meu pai também, mas não vou lhe dar o gostinho de ter um neto e perder o amor da minha vida.

Fico um bom tempo em silêncio, ponderando sobre o que iria lhe dizer agora para não acabar o magoando, mas todas as ruas que tenho a seguir vão deixa-lo magoado.

— Eu sei que você gosta do Jungkook, mas eu me sinto na obrigação de te lembrar disso. Jungkook não vai poder te dar filhos, não vai poder te dar a sensação que eu já senti algum dia. Você não vai poder se orgulhar em ver o seu próprio filho dando certo na vida. Não vai... – o interrompo, pois estou farto daquela ladainha. Isso não vai entrar na minha cabeça.

— Pai – sinto meu sangue ferver em minhas veias, acabando com o restinho da minha paciência. Acho totalmente desnecessário ele estar me dizendo essas coisas e tenho que avisa-lo que ele só está perdendo tempo tentando me convencer de algo que não vou nunca querer. Ele está sendo insensível não entendendo o meu lado. – Já estou ficando cansado de repetir isso. As palavras que lhe disse ontem não entram em sua cabeça não? – ergo as sobrancelhas em questionando, esperando por uma resposta sua, mas ele se limita a revirar os olhos e fazer cara de tédio. Estamos invertendo as posições aqui, pois agora eu pareço ser o mais velho. – Eu não me importo com isso. Nós nos amamos e é isso o que mais me importa. Você não amava a mamãe? Não a ama? Então! Isso é a melhor coisa mundo – gesticulo com as mãos como se aquilo fosse me ajudar a explica-lo. Ele é mais vivido do que eu e pareço saber mais que si, que coisa! Jinwoo foi longe demais com suas palavras e estou farto, não quero ouvir mais nada disso por hoje.

Talvez amanhã ele parasse com essa paranoia de tentar querer me fazer mudar de ideia, mas só talvez. Ele é imprevisível.

Jinwoo suspira, desistindo de me entender, e se levanta da cama em um salto, arrumando o lugar que antes estava sentado. Observo-o por algum tempo para conferir suas expressões, tentando ler sua mente, mas bufo em frustração ao me dar conta de que ele não está colaborando em nada. Park murmura alguma coisa que não entendo e sorri pra mim, ficando em uma postura ereta e superior.

Ele já esqueceu o que acabamos de falar, tenho certeza.

— Irei para o trabalho voluntário hoje e quero que vá comigo.

— Você não vai tentar me jogar pra cima de alguma garota como das outras vezes que saímos juntos, não é? – abaixo a cabeça, questionando a ele uma coisa que estou ansioso em saber. Não quero ir a um lugar tendo que lidar com essas coisas – ele somente ri e balança a cabeça em negação.

Penso sobre, repassando em mente se iria fazer algo de importante hoje. Lembro que tinha marcado uma foda com Jungkook, mas os planos foram para o lixo quando nos desentendemos no dia interior da foda marcada. Também penso em ligar para os garotos e perguntar se algum deles quer sair comigo para descontrair, mas acho que estão ocupados demais se divertindo com seus próprios namorados e afazeres, menos o Yoongi que, com certeza, vai dormir o dia inteiro já que ele é expert nisso.

O castanho olha pra mim com esperança, esperando ansiosamente por uma resposta positiva. Acabo rindo com sua ansiedade e balanço a cabeça em concordância para sua pergunta, sorrindo minimamente. Vai ser legal sair de casa hoje e pra onde quer que a gente vá deve ser legal também.

— Tudo bem. Se arrume! Já é quase uma da tarde – abro mais meus olhos ao ouvir aquelas palavras, assuntando-me. Pensei que era cedo, tipo, muito cedo, mas fui trouxa. – Eu já deveria ter saído de casa, mas queria que fosse comigo e resolvi esperar você dar o trabalho de dar as caras – responde cansado, creio que se lembrando do sufoco que passou para me acordar. Gargalho alto dele, balançando a cabeça em negação e me levanto da cama para me espreguiçar, saindo de perto dele e indo até meu guarda roupa para procurar algo maneiro pra vestir hoje. – Estou te esperando lá em baixo – aceno pra ele sem ao menos me dar ao trabalho de olha-lo.

Enquanto procuro por uma roupa ouço minha barriga roncar alto e me assusto com aquilo, derrubando algumas roupas no chão. Apanho as mesmas com um sorriso, deixando-as arrumadinhas do mesmo jeito que estava antes.

Preciso comer antes de sair.

Apresso o passo, passando a ficar agoniado. Miro minhas roupas com desdém, não encontrando as peças perfeitas assim de primeira. Não sei pra onde vamos; não sei se iremos para um ambiente fechado ou aberto, simplesmente não sei. Por isso sigo até a porta aberta do meu pai e grito pelo o mesmo.

— Woo? – o apelido bobo que o chamava quando criança parou de ser pronunciado por mim depois de eu ter crescido, mas às vezes ainda o chamo assim quando quero algo. Hoje eu não quero nada, mas é bom ver o rostinho iluminado do meu pai a ser chamado assim por mim, parece que ele lembra dos tempos que eu era criança. – Woo? – grito mais forte para que me ouvisse.

— O que? – fala alto do andar de baixo. Consigo ver somente seu rosto lá no final das escadas e ele está sorrindo.

— Pra onde vamos? – falo mais baixo dessa vez já que obtive sua atenção. – Preciso saber pra escolher uma roupa.

— Não se importe com isso. Vá com qualquer roupa.

Como não me importar com que roupa usar? Não tem como.

Tentei por mais algumas vezes pressiona-lo para me dizer pra onde iriamos, mas meu pai pareceu perceber a minha intenção e não disse nada, só ficou rindo das minhas tentativas nulas de tentar arrancar algo dele. Eu fiquei que nem uma criança curiosa; fiz bico, esperneei e bati o pé no chão, mas ele não arrebatou o pé e não disse porcaria nenhuma.

Revirei os olhos e sai dali totalmente frustrado, voltando para dentro do quarto e pegando uma roupa que considerei ser ótima para a ocasião que não sei qual vai ser? É, isso mesmo. Parece ser uma surpresa e eu não sou tão fã de surpresas.

Apesar de que surpresas são sempre boas e bem vindas.

Optei por uma bermuda jeans clara e uma camisa preta com alguns desenhos estampados – não tão extravagantes, vai que a gente vai pra um local recatado? – e algumas frases. Analiso a roupa, semicerrando os olhos para me imaginar nela e sorri ao dar certo, vai ficar bom. Olhei ao redor a procura de algum sapato legal. Talvez nós vamos para um ambiente aberto, calorento? Quem sabe não vamos pra uma caminhada na praia. Então, pego um sapato de caminhada que tenho da Puma – ele é preto com alguns detalhes brancos, bem bonito. Amo esses sapatos, apesar de praticamente nunca usa-lo já que não caminho muito. Às vezes uso para ir na academia, mas tenho pena de destruí-lo e deixo durar.

Voltei na direção da porta para fecha-la, em seguida encaro aquelas janelas totalmente escancaradas e bufei. Não irei fechar todas elas – a preguiça está reinando em meu corpo nesse momento. Por isso fecho somente a janela principal que é de frente para a rua e a do lado esquerdo do meu quarto. A janela do lado direito eu deixo aberta por simplesmente... Nada. Não tem nada em especifico, não é?

Somente ele tem o direito de me ver sem nem uma peça de roupa.

Tirei minha camisa no caminho até a janela maior, deixando-a escorregar da minha mão até o chão – mais tarde a pegarei e colocarei no lugar certo. Um sopro gélido acerta em cheio minha barriga e contraio a mesma por sentir fio. A rua está movimentada. Algumas pessoas transitavam de casa em casa para entregarem algo que não consigo identificar e também nem me importo e... A casa ao lado está lá inteirinha e em seu perfeito estado, até porque ela não vai sair correndo por ai depois de Jungkook ter chegado a conclusões precipitadas.

Saio da janela, fechando a mesma em seguida e miro meu olhar na janela do lado direito, observando uma boa parte do seu quarto. Consigo ver a varanda que tem no seu quarto principalmente, alguns móveis e a cama espaçosa. Ele não está ali, pelo menos não no campo de visão que tenho.

Jungkook.

Às vezes eu não consigo entender esse garoto de jeito nenhum. Teima em ser um adulto, mas mostrou ser uma criança ontem quando não quis esperar para escutar o que eu tinha a dizer. Por uma parte eu o entendia nesse quesito, pois eu também ficaria chateado demais e não iria querer ouvir mais nada. Então, Jeongguk, você... Não sei o que pensar sobre isso, na verdade.

Nos conhecemos a anos, passamos boa parte do nosso tempo juntos, mas mesmo assim esse garoto teima em mudar sua personalidade e demonstrar ser totalmente outro quando está fulo da vida.

Jeon Jungkook, porra! Eu o amo demais e não é uma mentira.

O que ele viu ontem não passou de um engano, e fiquei com um sentimento de culpa dentro de mim por não ter conseguido explicar o que aconteceu. Porque ele não consegue pensar nas suas atitudes? Por quê?! Ok. Confesso que também não sou desse jeito – de pensar antes de agir –, mas quando percebo que fiz algo considerado errado eu realmente corro atrás para me desculpar imediatamente e depois seguir em frente sem aquele famoso peso nos ombros. Sei que deveria estar correndo atrás dele para lhe explicar, mas simplesmente me parece errado agora, e eu quero lhe dar um tempo para pensar, mesmo querendo estar perto de Jungkook o tempo inteiro: o irritando com palavras e mais palavras de amor.

Ele é fofo. Às vezes se irrita com o meu grude, mas eu sei que não faz isso por mal, só não gosta tanto de grude.

Mas comigo ele gosta e vai gostar até o fim do nosso relacionamento. Se tiver o fim, o que espero que aconteça: não tenha um fim.

Joguei todo o orgulho para o lixo e peguei meu celular para poder mandar uma mensagem pra ele. Eu não aguento mais esse silêncio todo. Sei que estou muito atrasado para me arrumar pra sair com meu pai e que ele é totalmente impaciente quando o assunto é ir logo para o destino, então faço tudo bem rápido para não perder tempo.

Mandei uma mensagem simples ‘Precisamos conversar. Eu tenho sentimentos e não irei conseguir passar mais um dia nessa situação’.

Eu não deveria ter dado tão na cara de que estou perdido e sentido por estar sem ele ao meu lado, seu ego vai inflar depois daquela mensagem e ele pode até se gabar disso depois, mas uma parcela de mim sabia que aquelas palavras iriam deixa-lo pensativo sobre o que está fazendo para nós dois.

Não é boa essa situação, pode afetar em algo no nosso relacionamento.

Jungkook visualizou a mensagem no instante seguinte que mandei e fico fulo da vida quando ele não me responde de imediato e nem depois disso. Tudo bem. Respira fundo. Se é isso o que ele quer, tudo bem. Aquela vontade de chorar me invade e me despenca por dentro como uma onda se quebrando, mas não choro. Simplesmente ignoro tudo aquilo e vou até o banheiro, arrancando as roupas do meu corpo com brutalidade por conta da raiva momentânea.

Uma boa quantidade de água de uma temperatura média cai em minha cabeça assim que abro o registro e deixo que ela leve pra bem longe toda aquela agonia de dentro de mim, que me lave por inteiro e me deixe livre daqueles pensamentos pelo menos por hoje já que quero ter um dia divertido com meu pai. A dor de cabeça alivia um pouco, relaxando meus ombros que estavam tensos. E, debaixo daquele chuveiro, fecho os olhos. Quando a escuridão se faz presente eu tenho a visão de Jungkook ao meu lado com um sorriso pervertido pra mim. Ele está se masturbando com maestria e rapidez, clamando por mim entre um gemido deleitoso e abrindo a boca de instante em instante para extravasar em gemidos a onda avassaladora que o atinge e o vejo gozar diante de mim. O sorriso aliviado que me manda é incrível e me pego sorrindo também, começando a ficar excitado. Jungkook se aproxima e estica sua mão para tocar em mim, mas acordo quando o chuveiro dispara e fica na água gelada. O choque térmico me acorda.

— Droga – resmunguei enquanto fechava o registro com rapidez. – Você está me deixando louco Jungkook – proferi para as paredes como se elas fossem as minhas únicas ouvintes e suspirei. Termino meu banho rapidamente para não ter mais pensamentos e visões com aquele deus grego que tenho orgulho de chamar de namorado. Não sei se devo continuar o chamando assim, mas... Ainda tenho esperanças de que vamos resolver essa situação então, tenho o direito de continuar o chamando assim.

Jungkook parece não quer me ver hoje, tenho que me lembrar disso. Se quisesse conversar teria me respondido e não visualizado e deixado de lado.

“— Eu sei que você gosta do Jungkook, mas eu me sinto na obrigação de te lembrar disso. Jungkook não vai poder te dar filhos, não vai poder te dar a sensação que eu já senti algum dia. Você não vai poder se orgulhar em ver o seu próprio filho dando certo na vida.”

Aquelas palavras preenchem minha mente de imediato, fazendo-me estancar onde estou. Fitei algo qualquer, repassando aquelas palavras incansáveis vezes em minha mente e dando conta de que meu pai está certo. Eu não vou poder ter a alegria de ter um bebê me chamando de pai e agarrado as minhas pernas. Eu não vou poder ensinar ao meu garoto, ou a garota, algum dia porque simplesmente não vou ser pai nunca se continuar ao lado de Jungkook.

Porra!

Porque diabos estou pensando nessas coisas?! Está me dando raiva de mim mesmo, confesso.

Eu tenho que me lembrar que o amo demais, que o amor que tenho por ele é algo mais forte do que isso e que essa ideia do meu pai não se torna algo importante e necessário em minha vida. Porque ele está insistindo em por essa droga de ideia em minha cabeça? Porra! Estou irritadíssimo com tudo isso.

Confesso que não quero ser que nem os casais normais. Não é preciso ser assim: se apaixonar, namorar, casar, morar juntos e depois ter filhos. Realmente não é, e não quero seguir essa ordem. Quero algo diferente e Jungkook é diferente – namora-lo é diferente e bom.

Realmente estou irritado com o tanto de pensamentos e conclusões que estou tirando, e não quero mais pensar em nada, mas as vozes em minha mente parecem ficar agitadas com aquela linha de raciocínio e não me deixam em paz. É como se fosse um anjo e um diabo de cada lado do meu ombro. Um diz que tenho que deixar o garoto e arrumar uma menina o quanto antes para poder me apaixonar e, também, para realizar o sonho do meu pai de ser avô. O outro diz para eu seguir meu coração e continuar com Jungkook porque ele sim é o cara certo pra mim.

E eu me pergunto agora: Jungkook é, realmente, o cara certo?

Tudo bem que relacionamentos têm os seus desentendimentos, não existe no mundo um relacionamento que não tenha brigas, e o meu relacionamento com Jungkook é igual aos outros, mudando algumas coisas importantes. Não me canso de repassar na mente que sou perdidamente apaixonado por ele. E também não vou cansar nunca de dizer isso para o Jungkook e para o meu pai que parece não cansar de tentar me fazer mudar de ideia. Eu realmente não consigo parar de pensar no meu amor por ele. Não consigo para de lembrar que nos amamos desde quando éramos pequenos, desde quando não sabíamos o que era aquilo que sentíamos dentro do peito.

Foi com ele que descobri outras sensações – sensações boas, vale lembrar. E ficou com ele que senti o verdadeiro amor e descobri o significado desse sentimento tão importante.

Puta merda. Eu necessito ir atrás do Jungkook agora mesmo.

Porém, como um estalo na cabeça eu lembro que vou sair com meu pai agora e que não quero decepciona-lo, ele portou-se tão animado para me chamar pra ir a algum lugar que não sei, e, também, Jungkook não respondeu minha mensagem ainda.

Sai do banho com uma toalha enrolada na cintura, com uma sensação estranha de que sou insuficiente e fico triste. O ar bate em cheio contra a minha pele causando arrepios intensos por todo meu corpo. Abraço meu corpo para me esquentar, saindo dali totalmente e vou até a beira da cama, livrando meu corpo da toalha úmida e me inclino na direção do colchão para pegar a cueca, mas estanco ao me sentir ser observado. Me assusto quando olho para o lado e vejo Jungkook me olhando de sua varanda tão atentamente, não desviando o olhar nem por um segundo. Fico o encarando por alguns segundos, mas dou de ombros eviro de costas pra ele, vestindo-me com uma rapidez inexplicável para não deixa-lo me observando tanto.

Sequei um pouco meus cabelos molhados com a toalha, deixando ele daquele jeito mesmo já que mais tarde iria secar e ficar natural – coisa rara que deixo acontecer. Felizmente meu cabelo é liso, eu só uso o secador para quando for sair e como meu pai não comprou um secador novo ainda, tenho que deixa-lo assim mesmo.

Paro de frente para o espelho grande, tirando uma foto minha quando estou devidamente pronto e posto no Instagram. A foto ficou legal e estou sério na mesma. A bermuda jeans com alguns rasgos na mesma enalteceu minhas coxas grossas, e acabo sorrindo, gostando muito do resultado mesmo não querendo mostra-lo. Dentro de alguns minutos já tenho vários comentários e curtidas na foto nova.

Quando me volto para a janela ele ainda está lá me observando, com o celular na mão e encarando o mesmo de cinco em cindo segundos. Jungkook me vê arrumado demais e franze o cenho, mas decido que não devo ficar encarando-o por tanto tempo e busco meu celular, conferindo meu quarto com uma olhadela rápida e depois saio dali sem nem ao menos mandar um olhar para o garoto que me encarava com bastante atenção.

Desço as escadas rapidamente, pulando de dois em dois degraus e paro no final da mesma. Penso em mandar uma mensagem para meu namorado avisando que estou saindo, mas me livro daqueles pensamentos mais rápido do que ele chegou.

Avisto meu pai comendo algo rápido, a posição que se encontrava demonstra que está pensativo, e chego próximo constando que está perdido em seus pensamentos. Obtenho sua atenção depois de um bom tempo e ele sorriu pra mim, me mandando comer rápido para irmos.

Eu fiz o que pediu, comendo algo saudável e rápido e também tomando um remédio para aliviar a dor de cabeça que estava fraca. Jisook ainda estava em casa trabalhando, lavando o que identifiquei ser os pratos, e eu a cumprimentei com um beijo na bochecha, saindo dali correndo assim que meu pai gritou por mim de um modo estarrecido.

Corri pela casa até a porta de entrada, saindo dali e me deparando com meu pai ao telefone. Com o olhar e bem baixinho para não atrapalhar a ligação ele me avisa que se esqueceu de pedir um táxi. Eu achei aquilo um absurdo. Quem em sã consciência consegue se esquecer de chamar o táxi antes de sair? Pensei em lhe lembrar do nosso carro, mas acho que meu pai não quer sair nele hoje por que... Simplesmente não quer. Jinwoo é assim mesmo, às vezes tem vontade de sair com seu carro e às vezes tem vontade de gastar dinheiro com táxi de ida e de volta.

Me sento na calçada totalmente entediado. O taxista estava demorando pra chegar e minhas pernas se cansaram de ficar em pé junto com meus pés que passaram a doer depois dos cinco minutos. Enquanto a nossa ‘carona’ não chegava eu fiquei observando o ambiente que moro.

É realmente agradável morar nessa rua. Os vizinhos não são barulhentos e nem briguentos como em alguns bairros. As crianças não perturbam, mas também não ficam somente presas dentro de casa, elas saem e se divertem na praça mais próxima junto de alguns colegas. Às vezes os observava saindo de suas casas para irem até a pracinha, e me lembrava da minha infância onde eu acordava cedo para brincar com meus amigos.

Meus olhos param na casa ao lado de ímpeto e suspiro profundamente. Ela está lá lindamente e perfeitamente alinhada e planejada com muita atenção; com o amor da minha vida morando ali.

E ele estava na frente de sua casa.

Jungkook estava lindo. Totalmente lindo. Seus cabelos estavam desarrumados e ele vestia uma calça de moletom junto de sandálias grandes e confortáveis e uma camisa branca sem mangas. Sua pele parecia reluzir com o som estridente e tornou-se mais branca de longe. Anoto mentalmente para avisa-lo a tomar um solzinho algum dia desses.

O moreno conversava algo com uma velhinha, a vizinha da frente, e parecia totalmente entediado com a ladainha da mulher mais velha. Eu sorri diante da cena, e meus olhos não queriam parar de olhar naquela direção, até que a velhinha se despede e vai embora e Jungkook me flagra o encarando.

Eu não demonstrei reação alguma ao vê-lo me olhar e também não desviei minha atenção. Jungkook pareceu firme ao me encarar, e senti um friozinho intenso na barriga. Nesse momento não consigo mais prestar atenção nas coisas a minha volta, somente foco no garoto que sou perdidamente apaixonado.

Queria ir até ele e beija-lo como sempre faço quando o vejo, mas não tenho coragem o bastante depois do que aconteceu, e creio que Jungkook também, pois ele só se limita a me olhar sem desviar ou piscar os olhos por nem um minuto. Ah, que olhar é esse?! Um olhar penetrante que perfura minha alma intensamente.

Voltei meu olhar pra frente, repensando se realmente vou sair com meu pai ou se fico para tentar me acertar com ele, mas não sei o que fazer agora. Não aguento por muito tempo ficar sem o encarar e quando me viro pra ele, Jungkook ainda está me encarando. Meu coração da um salto do nada e me endireito no chão, ficando em uma postura ereta. Sinto uma dorzinha abaixo do meu peitoral, concentrando-se nas costelas e creio que aquilo é a famosa dor da tristeza que chega próximo ao peito e depois se espalha pelo corpo inteiro causando-lhe sensações estranhas e uma dorzinha fine e forte no peito.

Logicamente fico incomodado com seu olhar tão profundo pra cima de mim e mordo meu lábio inferior para tentar mudar algo dentro de mim, como uma distração, o que de fato não muda nada.

O olhar que me encarava se torna indescritível por um momento, mas depois de um tempo consigo ver seus olhos brilharem em lágrimas demonstrando o quão arrependido está.

Desde quando comecei a namorar com Jungkook eu pensei que tudo sairia em suas perfeitas ordens e que nunca iríamos chegar a uma situação critica que estamos hoje, que nunca nos desentenderíamos, mas nem sempre é tudo como queremos e planejamos.

Eu mordo o lábio com mais força para não começar a chorar ali na rua e desvio o olhar por um momento para que ele não visse que estou fragilizado diante de seu olhar, mas quando volto a olha-lo vejo que está dando passos mínimos até mim. Estremeci dos pés a cabeça, levantando-me de ímpeto para esperar a sua chegada, mas meu pai me acorda daquele mundo que criamos no momento.

— Vamos Jimin – Jinwoo pronuncia com impaciência e penso na possibilidade de o táxi já estar ali a um bom tempo. Umedeço os lábios, trocando de olhar de Jungkook para meu pai e suspiro, assentindo. Dou alguns passos pra trás e entro no carro no banco de trás enquanto que meu pai vai no banco do passageiro.

Jungkook estancou antes de completar seu caminho até mim quando me vê entrando no carro e torna sua expressão em uma confusa. Engulo a seco, pondo o cinto de segurança e o olhando pela janela do carro, querendo pular dali para ficar junto dele, porém, me sinto inseguro naquele momento, com medo de ele me dar um chute na bunda de uma vez por todas.

Não sei se é pra me torturar mais ainda, mas o taxista passa próximo ao meu garoto bem lentamente que penso na possibilidade de ele ter percebido a tensão que nos envolvia e ter feito de propósito para doer mais ainda em mim.

‘Qual é seu taxista mané, corre!’ tenho vontade de gritar, mas me contenho.

Quando o carro está um pouco longe eu viro dentro do carro, olhando para observar o ser estatelado na rua. Jungkook virou-se para seguir o trajeto do carro com o olhar e ficou ali observando o mesmo sumir de suas vistas.

Aquilo pareceu uma cena de um filme romântico e dramático. Credo.

Pego meu celular, conectando-o ao fone de ouvido e pondo em uma música animada para me livrar daquela tristeza. Não sei pra onde estamos indo e nem sei que caminho estamos rumando, mas por meio das músicas consigo ouvir meu pai falar algo como Hospital de câncer infantil de Seul.

{...}

Eu observei o lugar melhor do lado de fora, me dando conta em seguida que poderia não ser um dia muito alegre. Encontrar crianças com câncer iria me render uma experiência em tanto, e eu sei que não iria aguentar por muito se visse tristeza naquele ambiente. Sou sentimental demais e emotivo.

Crianças deviam ser imunes a qualquer doença. Esses seres pequenos, lindos e puros são tão incríveis e rende uma alegria imensa na família, como podem contrair uma doença que podem mata-los? Como eles devem viver ali dentro? Será que são alegres? O que eles devem pensar sobre suas vidas? São crianças de mais ou menos dez anos, afinal, já criam um pensamento relativamente importante em suas cabecinhas. Só de pensar nessas perguntas eu fico triste porque sei que não vou receber uma resposta positiva se perguntar a alguém, então resolvi ficar calado e não perguntar nada sobre esse quesito que pode afeta-los sentimentalmente.

Minha cabeça está a ponto de explodir a qualquer momento e não é por conta da dor de cabeça – ela já se foi a um tempinho – e sim por conta dos meus problemas; do meu pai me atentando a gostar de bocetas, o que nunca vai acontecer porque contrai um nojo daquilo sem ao menos ter visto ou tocado; eu e Jungkook estamos sem nos falar; o hospital de câncer infantil está bem a minha frente. Isso não é um problema, nem de longe, mas o problema pra mim é como vai ser a minha reação ao ver o que me espera ali dentro.

Nunca fui a um hospital para visitar pessoas doentes, porém, sei que as histórias que irei ouvir em breve irão me deixar bem triste, mas tentarei de tudo para não demonstrar as pessoas que estou mexido por estar fazendo uma visita a crianças doentes.

Eu tentarei dar o meu melhor para eles.

— Eu já vim muitas vezes aqui – Park começou, atraindo minha atenção que estava sob o letreiro enorme colado na parede com o nome do hospital. Olhei pra baixo, mais precisamente para a porta de vidro vendo algumas pessoas transitando por ali e percebo uma recepção bem à frente. Queria correr dali por medo de entrar, medo de fazer algo de errado para aquelas crianças, de dizer algo errado pra eles. – Já comentei sobre você para eles, e tenho que lhe dizer que estão animados para te conhecer. Eles não sabem que está vindo visita-los hoje – sorriu. Eu sorri de volta, apertando minha mão dentro do bolso da bermuda jeans, morrendo de vergonha por aquilo. O que meu pai disse de mim para eles, afinal? – São em torno de vinte e cinco crianças com câncer internadas aqui, de variados cânceres, mas são criancinhas leitas e animadas mesmo estando doentes. Você vai gostar deles, de cada um – assegurou-me, abrindo mais o seu sorriso. Ele entra primeiro no local que cheira a remédio e algo a mais que não sei e entro depois um pouco acanhado.

Paramos diante a recepção somente para nos identificar. Park falou algo para a mulher que não fiz questão de ouvir e nem de ver quem era por estar atento demais em outras coisas. Ali tinha uma salinha pequena de espera com algumas cadeiras ocupadas por algumas mulheres e crianças – não eram muitas, contei quatro no total. Mais ao lado tinha um corredor extenso totalmente branco e no final uma porta fácil de abrir onde passavam alguns funcionários. Engoli a seco, voltando a olhar para meu pai que me encarava com um sorriso e depois desviara para a mulher.

Como uma pessoa que não quer nada eu olhei para a recepcionista percebendo que a mesma está encarando meu pai com um sorriso tímido, e repreendo uma revirada de olhos para não dar tão na cara assim. Será que todas as mulheres que eu ver hoje são perdidamente apaixonadas por meu pai?

Observei-a direito e percebi que não demonstra ser tão velha. Parecia ter uns vinte e oito anos, até menos, e era bonita, extremamente bonita. Com cabelos tingidos de um loiro platinado e lisos que batiam abaixo de seus ombros. Ela tinha olhos azuis claros que, com certeza, eram lentes de contato. A mulher levantou-se de onde estava e saiu da recepção, avisando a outra garota para ficar em seu lugar.

Quando ficou a minha frente e a do meu pai o cumprimentou com um sorriso e aperto de mão, logo depois voltando seu olhar pra mim. Eu perdi o ar por um momento e arregalei os olhos quando um estalo em minha mente se foi feito. Não, não me encantei pela mulher mais velha e baixinha como me encantei por Jungkook, mas, de perto, ela me lembrava... Minha mãe. Totalmente.

— Oi Jimin – cumprimentou-me com uma voz baixa e doce, sorrindo igualmente pra mim. Aperto os olhos para observa-la direito, observando também seu sorriso que, de perto, tornou-se igual ao que minha mãe dava nas fotos de mais cedo e arregalo os olhos quando me dou conta disso. Respiro fundo, sentindo o ar ficar entrecortado e não consigo dizer nada pra ela. – Seu pai falou muito de você pra mim. Sou Junghwa.

Eu sinto como se tivessem jogado uma pedra pesada sobre mim, pois eu fui derrubado de imediatamente, mas no sentindo figurado, lógico. Meu coração falhou por um segundo ao ouvir seu nome que me pareceu tão idêntico com o de minha querida mãe.

— O-Oi – gaguejei totalmente atormentado por dentro e fragilizado com aquilo. Abro um sorriso que com certeza foi o pior sorriso que já dei na vida e encarei meu pai para não ter que olha-la. Ele me olhava estranho, repreendendo-me. A olhei de novo, percebendo que a deixei muito envergonhada e coço a nuca sem saber o que fazer. Respiro normalmente, afastando-me dela depois de ter a cumprimentado de novo de uma forma mais educada e fui para trás do meu pai totalmente sem ação.

É palpável que estou atormentado com sua presença.

Ela é idêntica a minha mãe, só muda a cor dos cabelos que percebi ser de um tom castanho claro já que a raiz do seu cabelo está aparecendo e mostrando que é pintado.

— Me sigam – pede gentilmente, sorrindo de um modo parecido com o de minha mãe de novo. Resmungo algo mentalmente, fazendo cara de sofrido em seguida. Isso está doendo em mim, muito! Faço o que ela pediu, mas fico ao lado do meu pai a alguns passos atrás da mulher.

— Ela se parece com a mamãe – aproveito que ela está longe para dizer isso a Jinwoo. Ele me olha de imediato e assente brevemente com um sorriso triste. Estou chocado com a tamanha semelhança.

— Eu sei – sorriu e depois abaixou a cabeça como se estivesse totalmente envergonhado por estar confessando aquilo e também por eu ter percebido.

— Porque não me preparou pra isso antes?! – ralhei irritadíssimo. Retardo os passos e seguro meu pai para que andasse no mesmo ritmo que eu. – Como acha que estou me sentindo agora?

— Me desculpe... Eu simplesmente não quis dizer nada porque pensei que ela não estaria aqui – disse com uma expressão culpada. Eu assenti porque ele não tem culpa disso e o solto para que voltássemos a andar mais rápido. Nego veemente com a cabeça, olhando pra frente e percebendo que estamos muito afastados da mulher idêntica a minha mãe.

— Tudo bem – suspirei. Me afasto dele e gesticulo para que vá na frente já que é a minha primeira vez aqui e também quero pensar sobre as minhas atitudes para não errar algo na frente de Junghwa e das crianças.

Antes de ir mais à frente meu pai me avisa:

— Eu quero te avisar que tenha cautela com suas palavras se tiver vontade de conversar com algumas delas. As crianças são gentis e animadas, mas algumas estão tristes por dentro por saberem que podem morrer a qualquer momento e outras já estão mais pra baixo por isso e outra coisa; algumas delas são órfãs – meu interior se revira em tristeza e tenho vontade de chorar como também de dar passos para trás e sair dali o mais rápido possível, mas não posso fazer isso, tenho que dar o melhor de mim e anima-las pelo menos hoje. – Dez delas estão afastadas por conta da doença que se agravou e estão em observação – falou em tom triste. Balanço a cabeça de um lado para o outro, tentando inutilmente não focar naquilo e lembrar a mim mesmo que são crianças normais que estão doentes de uma doença fraca, que elas não vão morrer, que vão viver muitos anos.

Junghwa para de frente para uma porta de tamanho médio e nos convida com o olhar para entramos. A mulher nos espera pacientemente e quando estamos perto ela abre a boca e entra, deixando-a aberta para que também fizéssemos o mesmo. Meu pai entrou primeiro, catando algo com o olhar, e eu entrei ali com o ar preso em meus pulmões a espera de ver o pior, mas respirei em puro alivio quando vi crianças sorridentes envolta de mais alguns adultos que tinham o rosto pintado e nariz de palhaço – creio que também fazem parte do projeto que meu pai participa.

O rosto do meu pai iluminou-se de imediato e ele chamou a atenção de todos falando um “cheguei” em um tom alegre e alto, atraindo a atenção de todos para si. Eu me encolhi onde estava por receber um pouco da atenção das pessoas já que posso ser considerado um estranho. As criancinhas correram na direção do meu pai e abraçaram suas pernas de forma embolada já que eram muitas e não tinha espaço, eu me afastei um pouco para lhes dar espaço e olhei ao redor percebendo que Junghwa está sorrindo encantada com a cena que se passava e eu estava do mesmo modo, totalmente encantado com o amor que essas crianças mostravam ter por meu pai.

— Tio Jinwoo! – uma delas gritou quando as outras se afastaram e pulou nos braços do dito cujo que a abraçou com delicadeza. A garotinha era linda! Ainda tinha alguns poucos cabelos na cabeça, mas continuava uma princesa encantadora. Pus a mão na boca para esconder o sorriso que envolveu meus lábios, acho lindo tudo o que está acontecendo e sinto que vou vomitar um arco íris a qualquer momento.

— Eu senti sua falta – ele diz a menina, beijando-lhe a bochecha com leveza e depois a põe no chão para dar atenção aos outros. – Na verdade de todos vocês – sorriu, fechando os olhinhos. – Hoje tenho uma surpresa! – falou alto. As outras crianças tornaram-se agitadas e gritavam a todo instante procurando com os olhos pela surpresa. Confesso que até eu fiquei curioso para saber qual era a surpresa. Observo aqueles pequenos, vendo que alguns tinham a cabeça raspada e me sinto triste por isso. Quero tirar todos os fios do meu cabelo e dar pra eles, pois aquela criançada merece mais do que eu.

— O que você trouxe tio Jinwoo? – a mesma garotinha que abraçou meu pai com tanta animação perguntou com euforia, sorrindo lindamente com aqueles olhinhos brilhantes para meu pai.

— Eu trouxe o Jiminie! – gritou animado, elevando as mãos ao alto e arrancando gritos de surpresa da criançada. Arregalo os olhos e mirei os lados percebendo que os outros observavam a cena com sorrisos gigantescos.

— Sério?! – gritou outra menina que tinha uma pele mais escura e olhos redondos. Meu pai assentiu com um sorriso e depois olhou pra mim que permaneço estatelado no meu lugar. Qual é? Eu nunca vi aquelas crianças na minha vida e elas sabiam quem eu era. Quero conhecer todos, abraça-los, beija-los e me divertir com eles hoje. São fofos demais! E suas bochechas eram enormes! No meio daquilo tudo percebi que só havia cinco garotinhos lindos. – Cadê ele?

— Ali – apontou pra mim. Inspirei o ar e deixei-o preso em meus pulmões, exibindo um sorriso que denominei estranho e feio para eles, mas as crianças não parecerem perceber o meu nervosismo e gritaram em animação. Eu mordi meu lábio para segurar o sorriso e soltei o ar preso, me aproximando do meu pai.

Os olhinhos curiosos me analisaram atentamente e em silêncio, mas eles logo sorriram pra mim e eu sorri de volta de uma maneira mais a vontade. Aquelas crianças são tão lindas sorrindo...

Do nada olhei para os lados a procura dele, encontrando-a me olhando com um sorriso extremamente encantador e com as mãos nas bochechas como se estivesse adorando aquela interação das crianças comigo e com meu pai.

Será que... Ela gosta do meu pai?

— Ele é bonito tio Jinwoo! – uma das garotas fala com um sorriso aberto e aponta pra mim, se aproximando e segurando em minha mão. – Você é bonito Jiminie.

— Obrigado – me agacho a sua frente, olhando-a intensamente. – Você é muito linda – aliso suas bochechas com as costas da mão, vendo-a corar diante do meu toque e desviar o olhar totalmente envergonhada. Ela tem olhos grandes e puxados, de uma cor amendoada tão linda mais puxada para o mel. Ela me abraça com toda a foçar existente em seu corpo como se quisesse me agradecer pelo elogio e retribuo o abraço, sentindo uma paz tomar conta de minhas veias ao tê-la em meus braços. Eu cheirei os poucos cabelos que tinha em sua cabeça e acariciei suas costas com leveza, levantando-me com ela em meu colo.

Ela cheirava a vida, mesmo que não tivesse muito tempo.

Jinwoo me encarava com orgulho, sorrindo para nós. Depois daquilo os outros chamaram a atenção dizendo que iriam começar a brincadeira e a garota se remexeu em meus braços como se quisesse descer. Coloquei a menina no chão, olhando-a correr até os outros e se misturar entre eles.

Falo com os colegas do meu pai, me apresentando formalmente e sorrindo para eles como se estivesse feliz em vê-los. Nunca ouvi falar de seus nomes da boca do meu pai, mas ele pareceu contar de mim pra eles. Algumas garotas estavam ali, creio que vieram junto de seus pais.

As crianças estavam animadas com a apresentação de um teatrinho de bonecos de mão. Meu pai estava distante de mim com Junghwa ao seu lado e eles conversavam baixinho, porém, fiquei bastante curioso para saber o que estavam conversando. Olhei para meus pés, mexendo-os no chão e depois voltei meu olhar pra cima percebendo que estou sendo observado por uma garota de cabelos loiros. Ela é baixinha e tinha um sorriso bonito.

Ah, não.

Respirei fundo e desviei o olhar rapidamente, focando em outras coisas e percebo que tem uma garotinha toda encolhida em sua maca. Ela estava coberta até o peito e tinha um boneco de pano abaixo do braço, abraçando-o com força. Não tinha percebido ela ali... Me aproximo do meu pai ainda encarando-a esperando que ela me olhasse também, mas ela parece tão focada em seus pensamentos que não me encara de volta. Percebi que de longe ela tinha olheiras abaixo dos olhos e parecia muito cansada.

— Pai – chamo sua atenção. Junghwa também me olha por eu ter atrapalhado a conversa deles, mas acabo sorrindo sem graça e dando de ombros. Meu pai ri nasalmente e balança a cabeça negativamente. – O que ela tem? – aponto pra menina discretamente e ele segue pra onde meu dedo está apontando.

— Aquela garota loira que está te olhando? – perguntou com entusiasmo e reviro os olhos, negando com a cabeça.

— Você pode parar com isso? – falo com impaciência. – Aquela garotinha ali na maca – aponto de novo.

— A Yuna? – perguntou e afirmo mesmo sem saber se esse é o nome dela. Ele olha pra mim de imediato e arregala os olhos, logo sorrindo tristemente. – Ela perdeu os pais recentemente e tem leucemia, ainda está muito triste pela perda e ninguém daqui consegue anima-la ou tira-la da maca.

— Posso tentar? – peço mordendo o lábio inferior e o encarando com expectativa, ansiando que ele dissesse um sim pra mim.

— Claro. Só tome cuidado com o que vai dizer a ela. Yuna é extremamente sentimental – avisa. Dou passos na direção da garota, sorrindo comigo mesmo. – Boa sorte.

Balanço a cabeça sem olha-lo e vou até ela com calma para não assusta-la com a minha presença. A menina está coberta por um lençol fino branco, porém, se remexe assim que me vê chegar e me encara fixamente, mostrando-me um olhar frio e seus olhos inchados por conta do choro recente.

— Oi, sou o Jimin – sorrio e me aproximo, apoiando meu corpo sua maca. Yuna não demonstra nada somente continua me olhando daquele jeito como se estivesse me observando por inteiro, mas logo suspira e vira o rosto para o lado ainda agarrada a seu boneco de pano que está em perfeito estado. Por um lado quis que ela fosse que nem aquele boneco, pois ela não merece sofrer. Nenhuma criança merece sofrer, na verdade. Crianças são puras e belas... Meu Deus! Sinto que vou chorar a qualquer momento, mas tento ser forte diante da garotinha. Tenho que anima-la nem que seja um pouco. Por um momento penso em Jungkook e em como iria reagir diante das coisas que estou passando nesse hospital. Sinto falta dele, e sei que iria amar todas aquelas crianças e iria anima-los. Como será que ele iria se sair com a pequena Yuna? – Meu pai me disse uma vez que eu não deveria chorar, e eu era criança naquele tempo, que nem você.

— Eu perdi meu papai e minha mamãe – é tudo o que diz. Sua voz está rouca e sendo coberta pelas palavras altas das pessoas que estão animando a criançada. Me aproximo mais para poder ouvi-la melhor. – Eu amo tanto eles.

— Sei que sim – sorrio pra ela e toco em seu ombro, fazendo um carinho ali. Yuna se vira e encara a minha mão em seu ombro, abrindo um mínimo sorriso pra mim. – Também amo meu papai e minha mamãe. E sinto falta da minha mãe.

— Você perdeu sua mamãe? – ela parece curiosa e tem uma voz muito fofa. Balanço a cabeça em afirmativa, vendo seus olhinhos se vidrarem em mim. Não é animação nem nada, mas a criança fica muito curiosa para saber o que aconteceu com minha mãe para eu não tê-la ao meu lado. – Por quê?

— Minha mamãe não conseguiu resistir quando eu nasci – dizer aquelas palavras para uma criança é doloroso e forço um sorriso que sai bem triste, sentando-me em uma cadeira de um tamanho médio que tem ao lado da cama e apoio meu rosto no colchão, levantando os olhos para encara-la. Yuna se arrasta pelo colchão, ficando com o rostinho próximo ao meu, mas permanece encolhida contra seu corpo e o lençol.

— Oh! E ela era bonita? – sua vozinha vai pegando um tom leve e adorável, tão fofo a forma que me perguntou aquilo que quase me derreti naquela cadeira.

— Eu nunca a vi antes, mas meu pai me mostrou muitas fotos dela. Minha mãe era bonita sim, muito bonita! Sua mamãe era bonita?

— Sim, ela se parecia comigo.

— Então ela devia ser linda mesmo – sorrio e toco em sua covinha quando ela sorri pra mim, vendo suas bochechas corarem de imediato.

— Eu sou Yuna – fala baixinho, se levantando em seguida e descendo da cama. Volto à posição normal, ficando ereto na cadeira. Yuna aparece em minha frente em poucos segundos e se senta em meu colo, automaticamente a abraço. – Gostei de você Jimie.

— Também gostei de você – confesso beijando sua bochecha. – Tem uma pessoa que gosto muito e me chama desse jeito – sorrio ao me lembrar do me garoto bonito e meu coração pesa ao sentir saudades dele.

— Quem? – joga a cabeça para o lado e agarra o boneco de pano, ficando extremante fofa daquela maneira.

— Meu namorado – sussurro somente para que ela ouvisse, dando a entender que era um segrego. Ela arregala os olhos e fala em tom baixo um “sério?” e balanço a cabeça afirmando com um sorriso.

— Namorado? Mas não era pra você gostar de meninas? – a garotinha parece muito confusa ao perguntar aquilo e engulo a seco sem saber como sair daquela situação, mas sorrio para demonstrar que está tudo bem.

— Mas eu não gosto de meninas. Eu gosto dele, só dele – dou de ombros. Aliso suas bochechas com delicadeza e toco em sua testa, achando-a cada vez mais linda.

— Ah, entendo – Yuna sorri lindamente, fechando os olhinhos e deita sua cabeça em meu ombro. – Você tem quantos anos Jimie?

— Tenho dezoito e você? – acaricio sua cabeça com leveza, mordendo meu lábio para segurar o choro. Aquela garota deveria ter cabelos tão lindos...

— Tenho dez. Falta pouco pra eu chegar aos dezoito – diz animada, ainda com sua cabeça deitada em meu ombro. Balanço a cabeça positivamente, sorrindo em seguida. – Você é muito legal.

— Você é mais legal ainda. Podemos tirar uma foto? Quero mostrar ao... – automaticamente paro de falar ao lembrar-me que estou sem falar com Jungkook e fico um pouco desatento às coisas. Ainda somos namorados? – A uma pessoa importante – sorrio sem graça.

— Claro – a menina assente agitada e se ajeita em meu colo. Com um pouco de dificuldade tiro o celular do bolso e clico no ícone de câmera, colocando na câmera frontal e posicionando a nossa frente. Eu e Yuna tiramos muitas fotos; sorrindo, fazendo biquinhos e caretas. Aquilo nos rendeu boas risadas.

— Que tal ir ficar com seus colegas? Não quero vê-la sozinha – faço biquinho. Yuna aperta minhas bochechas.

— Tudo bem. Jimie, você vai ficar comigo? – balancei a cabeça em afirmação, mas não sei do que ela está falando. O sorriso é gratificante. Yuna agarra minha mão com a sua livre e me puxa na direção dos outros. Quando estamos próximos meu pai nos encara e abre a boca em surpresa, me encarando com uma expressão satisfeita e orgulhosa em seguida. Os outros parecem estar abismados, creio que fui o único que conseguir animar a tão querida Yuna.

— Yuna! – uma das garotas que também faz parte do trabalho voluntário se aproxima, agarrando a menina e tirando-a do chão. Percebo que é aquela loira que estava me olhando com olhares nada castos. Yuna não reage muito bem diante da euforia da menina e se estica para que eu a pegasse no colo e faço isso. A menina se agarra ao meu pescoço e fica ali sem se mexer. – Você conseguiu Jimin!

— É... Consegui – beijo a cabeça de Yuna, apertando-a entre meus braços. Me sinto um pai protetor nesse momento e quero levar Yuna pra eu cuidar com Jungkook, mas ainda sou novo demais e... Droga! Porque sempre me esqueço de que estou em crise no meu relacionamento?

“Talvez porque vocês vivem juntos sempre que acaba não pensando no que aconteceu” meu subconsciente fala comigo e concordo com ele.

— A adorável Yuna – meu pai se aproxima de nós, tocando na barriga da menina que gargalha de imediato. Ela se afasta um pouco de mim para olhar pra meu pai e se joga no colo dele, o abraçando com força. – Eu disse que você ia gostar dele.

— O Jimie é legal – comente com um sorriso lindo, abraçando novamente meu pai.

Jinwoo sai de perto de mim e leva Yuna para que Junghwa falasse com ela. Aquela mulher... Eu queria conhecer um pouco da sua vida e tentar me aproximar, mas... Será que minha mãe iria ficar feliz? Ela é idêntica a minha mãe que chega a ser sufocante.

Fico tão perdido em pensamentos que acabo não percebendo a presença da loira que me olhava atentamente.

— Oi! – falou animada, acenando como se eu estivesse muito longe, mas eu só estava a uns cinco passos a sua frente. Sorrio forçado pra ela, me afastando mais um pouco e falando um oi bem baixo. – Será que poderia tirar uma foto comigo?

— Mas porque quer tirar uma foto comigo? – pergunto confuso, falando um tom mais alto do que o desejado. Qual é? Fui bombardeado com aquilo assim do nada. Eu nem conheço a garota pra que ela tirasse uma foto comigo. Aquilo não era pra ser falado em sua frente, mas agora já foi. A menina que não sei o nome e nem estou interessado em saber sorri timidamente e morde o lábio inferior, desviando o olhar por um momento.

— Eu te sigo nas redes sociais e acho muito incrível o seu feed no instagram – explica baixinho como se estivesse totalmente envergonhada de estar admitindo aquilo em voz alta. Solto um ‘ah’ baixinho e sorrio, logo assentindo. A garota abre a câmera frontal do seu celular e se aproxima ficando extremamente grudada em mim, o que me incomoda muito. Depois de tirar umas cinco fotos comigo agradeceu por elas e disse que logo postaria uma e me marcaria. Agradeceu mais algumas vezes e depois foi embora me deixando respirar aliviado.

— A Momo é legal, não é? – é a primeira coisa que me pergunta quando fico próximo a ele.

— Não – falo com cara de tédio. – E nem vem com isso tá? Ela só me pediu pra tirar algumas fotos comigo, só isso. Não vem inventar que ela pode ser uma ótima pessoa pra mim e blá, blá, blá. Lembre-se que gosto de um garoto e ele tem nome – acabo me exaltando e falando o que vem na lata, mas aquilo não chama a atenção dos outros, felizmente, só deixa meu pai abismado e silencioso, pensativo principalmente. Junghwa ouviu o que falamos, pois estava ao lado de Jinwoo. Felizmente Yuna estava totalmente entretida com o teatrinho. Jinwoo assente com um suspiro triste e não me diz nada, voltando a falar com Junghwa e eu observo o teatrinho.

Quando dá umas seis da tarde já é a hora de irmos embora e as crianças demonstram estar exaustas pelo dia cheio. Precisavam descansar agora. Então, com o peito doendo e já morrendo de saudades, eu me despeço de alguns deles e depois de Yuna, abraçando-lhe com carinho e beijando sua cabeça e bochechas. Yuna chorou um pouco porque eu ia embora, mas eu lhe prometi que iria vir lhe visitar de novo.

— Você vai trazer seu namorado da próxima vez? – perguntou antes de eu ir embora e balanço a cabeça em afirmação, vendo-a sorrir animada. Ela larga minha mão e vai até sua maca, deitando-se no colchão. Algumas enfermeiras a cercam e vejo somente sua mãozinha acenar pra mim e aceno de volta mesmo sabendo que não iria ver.

Saio dali com um sorriso no rosto e um sentimento bom me envolvendo. Pensei que o dia iria ser cheio de tristeza, mas foi totalmente o contrario.

Foi um dia cheio e bom.

{...}

Mais tarde estou fuçando as minhas redes sociais, stalkeando meus amigos e, principalmente, Jungkook quando me lembro das fotos que tirei com a garota. Procuro no Instagram pela foto e achando de imediato. A foto estava cheia de curtidas e alguns comentários estranhos. Fiquei totalmente abismado pelas perguntas. Algumas perguntavam se éramos namorados ou ficantes, e fiquei morrendo de nojo daquilo.

Abro a galeria do meu celular, passando a ver as fotos que tirei com Yuna e penso em postar alguma, mas acabo sendo impedido quando alguém abre a porta do meu quarto em um estrondo. Me assusto de imediato, levantando da cama rapidamente e encaro a figura brava a minha frente.

— Precisamos conversar.

Estou fodido?


Notas Finais


SEGURA O CU QUE APARECEU UMA QUASE MÃE DO JEON. Porra. Vocês acham que rola romance entre Jinwoo e Junghwa? Vamos comentar adoidado porque eu quero muito saber a opinião de vocês.

Quem vocês acham que é que foi ver o Jimin? É bem óbvio, mas eu gosto muito de surpreender haha.

Eu achei esse capítulo um amor, sabe? Foi adorável, triste também, escrever isso. Existem crianças com câncer em hospitais por aí que sabem que tem poucos dias de vida, ou os dias contados mais ou menos, algo assim, e ter uma pessoa pra animar é tudo pra elas. Eu confesso que nunca fui em um hospital de câncer para crianças, quero muito ir algum dia para dar alegria para crianças, quem sabe.

Ainda vai ter muito capítulo do Jimin vendo a Yuna, pode crer.

Falem se gostaram do capítulo, falem muito e falem de Junghwa também. Confesso que no começo eu meio que me atordoei por conta dos nomes. Mas a mãe falecida de Jimin é Junhwa e essa nova personagem é Junghwa. Simples e explicadinho para não embananar todo mundo e eu também ajsmkas.

LEIAM ESSAS FANFICS JIKOOK POR FAVOR: https://spiritfanfics.com/historia/you-can-describe-6968179
https://spiritfanfics.com/historia/baby-boy-7117272 (vai ter continuação dessa ainda)
https://spiritfanfics.com/historia/happy-birthday-jimin-7114306
https://spiritfanfics.com/historia/scratches-7111868
https://spiritfanfics.com/historia/addict-7109352

ATÉ A PRÓXIMA MEUS AMORES eu posso demorar, mas irei voltar sim. AMO VOCÊS DEMIASSSSSS

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TCHAUAAAAAA


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