História Guerreiros Celestiais - Parte 2 - Capítulo 39


Escrita por: ~

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Categorias Saint Seiya
Personagens Abel, Afrodite de Peixes, Ágora de Lótus, Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Alberich de Megrez (Estrela Delta), Albion de Cefeu, Aldebaran de Touro, Apolo, Ártemis, Bado de Alcor, Camus de Aquário, Dohko de Libra, Freya, Hades, Hagen de Merak, Hilda de Polaris, Hyoga de Cisne, Hypnos, Ikki de Fênix, Io de Scylla, June de Camaleão, Kanon de Gêmeos, Kiki de Appendix, Marin de Águia, Mascára da Morte de Câncer, Mime de Benetnasch, Miro de Escorpião, Mu de Áries, Pandora, Perséfone, Personagens Originais, Poseidon, Saga de Gêmeos, Saori Kido (Athena), Seiya de Pégaso, Shaina de Cobra, Shaka de Virgem, Shido de Mizar, Shion de Áries, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda, Shunrei, Shura de Capricórnio, Siegfried de Doube, Thanatos
Tags Cavaleiros, Deuses, Mitologia, Saint Seiya, Semideuses, Shaka
Visualizações 137
Palavras 4.188
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Shounen, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, meus queridos!
Olhem só a cara de pau da escritora. Some por três meses e depois volta com a maior cara de pau de todas O.O
Peço desculpas por isso, mas este fim de ano foi realmente corrido. Eu prestei a FUVEST e isso me ocupou muito tempo, mas agora estou de volta.
Desculpas (esfarrapadas) dadas, boa leitura!

Capítulo 39 - Confrontos


Fanfic / Fanfiction Guerreiros Celestiais - Parte 2 - Capítulo 39 - Confrontos

Assim que passou o momento de pânico incontrolável, Aisha se encolheu na cabeceira da cama, mas tomou coragem para encarar o homem à sua frente, deixando a mão em riste para disparar uma rajada de fogo caso fosse necessário.

- Quem é você? – perguntou com a voz mais firme que conseguiu. Espantou-se ao ver o que julgou ser tristeza na face do homem. Naquele momento, como por milagre, a escuridão se desvaneceu e uma luz radiante inundou o quarto.

- Não consegue mesmo se lembrar de mim?

- Foi você quem tentou me matar por três vezes? Acaso veio para terminar o serviço? Devo preveni-lo de que não será tão fácil!

Viu um sorriso divertido surgir no rosto dele.

- Eu jamais faria mal a você, algum dia se recordará disso. Desculpe-me por interromper o teu sono! – tão repentinamente quanto surgira, aquele homem desapareceu do quarto, deixando uma Aisha boquiaberta e surpresa para trás.

***

- O que foi? Aconteceu alguma coisa? – Shaka perguntou, alarmado, ao ser acordado no meio da noite por batidas ansiosas na porta do quarto. Rapidamente abriu-a, dando de cara com uma Aisha visivelmente nervosa.

- Tinha um homem no meu quarto! – a celestial soltou as palavras sem sequer pensar, tamanha era sua ansiedade acerca do ocorrido. Shaka franziu o cenho ao ouvir o que ela disse, buscando algum sentido naquilo.

- Me conte exatamente o que aconteceu! – ao pedido do virginiano, Aisha começou a narrar em detalhes o que tinha acontecido no quarto. Shaka passou longos segundos observando-a antes de soltar uma sonora gargalhada; a loira fitou-o completamente confusa – Volte para o quarto, Aditya, está na cara que tudo não passou de um sonho ruim.

- Eu não teria gastado meu tempo vindo aqui para te contar um sonho! – Aisha cerrou os punhos de raiva ao ver que ele não havia acreditado em nada do que dissera.

- Você sabe que o caminho das doze casas é selado com o cosmo de Atena, ninguém conseguiria invadir teu quarto sem passar pelos cinco templos anteriores.

O tom indulgente na voz de Shaka, como se falasse com uma criança, irritou a celestial ainda mais. Sabia bem o que tinha visto, mesmo não podendo encontrar uma explicação plausível para isso.

- Eu sei, mas também sei que, de alguma forma, alguém conseguiu romper o selo e invadir o meu quarto! – o virginiano ficou surpreso com a convicção nas palavras dela, mas sabia que era absolutamente impossível que aquilo fosse verdade. Ainda assim...

- Pode ter parecido real, mas...

- Eu não sou louca! – Shaka arregalou os olhos com perplexidade ao ser interrompido por Aisha; já tinha visto-a ter rompantes de raiva durante os treinos, mas era a primeira vez que usava aquele tom consigo – Não é obrigado a acreditar em mim, mas não reclame se aquele homem atacar a Saori na próxima vez!

- De qualquer forma, pode voltar pro quarto, ele já foi embora! – Shaka disse com a voz calma, não estava com vontade alguma de discutir com a loira em plena madrugada. Aisha percebeu a intenção do cavaleiro de encerrar a discussão, claramente desconsiderando a possibilidade de haver alguma verdade em suas palavras, e se “livrar” dela; bufou de frustração, cerrando os punhos com mais força e simplesmente virando as costas para conter o repentino desejo de socar o virginiano.

Shaka balançou a cabeça negativamente com a atitude infantil da celestial, mas voltou para dentro do quarto; definitivamente não estava com paciência para brigar.

***

O dia amanheceu quente e com o céu quase sem nuvens, o que era comum durante o verão grego. Camus levantou cedo, como sempre, e após tomar o desjejum com Mime e a noiva, decidiu subir até o décimo-terceiro templo para falar com o Grande Mestre. Atena e as princesas asgardianas ainda estavam adormecidas, mas Shion já estava no salão e surpreendeu-se ao ver o cavaleiro ali, perguntando-se o motivo de sua presença.

- Seja bem-vindo, Camus. O que te traz aqui? – o lemuriano perguntou, fazendo sinal para que o aquariano se levantasse. Se Atena havia abolido aquela formalidade para consigo, que era uma divindade, Shion não via motivos para que fosse diferente com ele também, afinal não passava de um servo da deusa.

- Com licença, Grande Mestre, tenho um pedido a fazer! – Camus pronunciou-se após ficar de pé, continuando assim que Shion assentiu – Gostaria que me concedesse a permissão de me ausentar do santuário por algumas semanas.

O lemuriano ficou ainda mais surpreso, afinal era a primeira vez que o aquariano fazia um pedido deste tipo. Deveria ser algo realmente sério e urgente. Não tinha o costume de questionar acerca da intimidade dos cavaleiros, mas precisava ter alguma noção do que se tratava.

- Este pedido repentino tem alguma relação com tua noiva?

Camus encarou o Grande Mestre, pensando no que dizer. Não mentiria, isso é óbvio, mas não precisava dar detalhes dos problemas pelos quais seu relacionamento passava, nem dizer o quanto ficara surpreso e satisfeito quando Ana lhe procurou na noite anterior e pediu, ou melhor, implorou para que viajasse com ela e passasse alguns dias longe de tudo. Seria uma oportunidade única de voltarem a se conectar e reascenderem o que parecia ter se apagado entre eles.

- Sim, nós – respirou fundo antes de continuar – temos passado por alguns problemas. Gostaria de passar alguns dias com ela para resolvê-los.

- Entendo! – Shion fitou o cavaleiro, já imaginando o que seriam os tais problemas. Contudo... – Mulheres são... Complicadas. Entretanto, estamos com visitas no santuário e por mais que os guerreiros deuses não tenham se mostrado um problema, acredito que não seja um bom momento para ter um dos cavaleiros de ouro ausente. Seria até mesmo descortesia com os visitantes e com teu hóspede, gostaria que adiasse teus planos e que, se possível, tentasse resolver teus problemas aqui mesmo.

- Está bem, Grande Mestre, farei isso! – Camus respondeu um pouco descontente, mas o lemuriano estava certo. Os deveres para com o santuário e Atena vinham em primeiro lugar.

***

Era pouco mais de nove horas da manhã, mas uma das arenas do santuário de Zeus já estava apinhada de guerreiros se exercitando. Observando aquele treino, estavam dois celestiais devidamente trajados com suas armaduras: Oliver e uma mulher de pele alva e estatura mediana com curtos cabelos azul-piscina e olhos da mesma cor.

A armadura de Oliver em tudo ostentava a patente superior do semideus, sendo imponente e muito bem ornamentada; era toda feita de um metal reluzente e dourado, mas possuindo contornos em um tom prateado; no peitoral estava talhada a imagem de uma águia, um dos símbolos do senhor dos deuses; a mesma figura também estava talhada em ambas as joelheiras – estas que, embora proeminentes, permitiam o livre movimento das articulações –, nas manoplas e no cinturão; a ave também estava representada nas ombreiras e no elmo, formando o que lembravam dois chifres neste último, estando uma de frente para a outra com os bicos abertos; o elmo envolvia completamente a cabeça de Oliver, deixando somente a região entre os olhos e a boca desprotegida; na fivela do cinturão estava incrustada uma gema de âmbar, pedra guardiã do guerreiro. O filho de Apolo também empunhava uma poderosa espada de dois gumes do tipo Claymore – a despeito do arco que fora presenteado pelo pai e que era carregado às costas – feita do mesmo material da armadura, tendo a lâmina prateada; o punho era feito de osso e revestido de um tipo de couro vermelho; no guarda-mão, tinham duas asas de águia, douradas, esculpidas e uma pedra de âmbar incrustada na parte central.

A armadura da mulher também era imponente, ainda que de forma inferior à de Oliver; protegia o corpo completamente, sendo totalmente branca e sem grandes adornos, exceto a imagem de águia talhada em dourado nos escudos que ficavam acoplados às manoplas da armadura e o elmo que lembrava a cabeça de uma cabra e possuía chifres dourados na parte superior, reforçando a representação de Amalteia[1], sua designação. A semideusa não portava arma alguma, o que deixava claro não pertencer à patente superior do exército de Zeus.

Oliver mantinha os braços cruzados e o olhar fixo na direção dos homens que treinavam. Estava entediado e sua única distração era dar bronca naqueles que cometiam erros, ainda que a presença da mulher ao seu lado o impedisse de adverti-los da forma como gostaria. Alana, filha de Thanatos com uma ninfa, era uma criatura demasiado arrogante e metida à certinha – na opinião do francês – ainda que não passasse de uma celestial de segunda classe. Enquanto as buscas por Aisha continuavam, Zeus havia designado que ela trabalhasse ao lado de Oliver na organização do santuário, o que incluía fiscalizar o treinamento dos soldados ao menos uma vez por semana. Era o que faziam quando sentiram a presença de dois cosmos conhecidos adentrando os domínios do senhor dos deuses.

- O que elas fazem aqui? – Alana murmurou consigo mesma, ao passo que Oliver descruzou os braços e, sem aviso, começou a caminhar na direção do palácio de Zeus, que se localizava exatamente no centro do santuário. A azulada fitou-o com desaprovação, mas não disse uma palavra sequer. Ele que fosse xeretar no que não lhe dizia respeito, ela continuaria concentrada unicamente na tarefa que lhe fora confiada.

Oliver chegou rapidamente à morada de Zeus, mas foi barrado na porta da sala do trono, sendo informado pelo soldado que a guardava que o deus estava em uma reunião particular com as recém-chegadas. O francês sentiu uma pontada de ansiedade e curiosidade acerca dos assuntos que eram tratados ali, mas sua expressão permaneceu com a aparência de falsa serenidade.

Enquanto isso, dentro do salão, Lara e Alison conversavam com Zeus.

- Olá, minhas queridas. O que vocês duas fazem aqui, juntas? Descobriram alguma coisa sobre o desaparecimento da minha neta? – o senhor dos deuses perguntou, fitando as celestiais e notando em seus rostos uma expressão que não sabia dizer com precisão o que significava.

- Nós não encontramos sequer uma pista nas nossas buscas e arrisco dizer que não fomos as únicas! – Lara tomou a iniciativa e começou a falar, encarando o avô com uma expressão firme – Peço perdão pela ousadia das minhas palavras, mas acho que tudo isso não está passando de perda de tempo.

Zeus franziu o cenho, era uma novidade ver a filha de Ares falar daquela forma, ainda que mantivesse o mesmo tom respeitoso. Queria saber o que havia motivado esta mudança repentina. Ao vê-las ali, havia tido a certeza de que seria Alison a se manifestar pelas duas.

- O que realmente quer dizer, Lara?

- Alison e eu queremos a tua permissão para interromper estas buscas. Queremos autonomia para investigar o desaparecimento de Aisha da forma que julgarmos melhor! – a celestial fez uma vênia ao pedir isso, mostrando que, apesar do seu desejo ser forte, ainda era submissa à vontade do senhor dos deuses.

Zeus ponderou por um breve instante. Alison e Lara eram as pessoas mais próximas de Aisha e, com certeza, as que a conheciam melhor; se alguém tinha maior chance de encontrá-la, eram aquelas duas. Além disso, estava plenamente consciente da intensidade do amor fraternal que as ligavam à amiga.

- Vocês têm minha permissão para investigar por conta própria, mas saibam que devem reportar a mim toda e qualquer descoberta.

- Obrigada, tio. Você é o melhor deus do mundo! – Alison manifestou-se pela primeira vez desde que tinham entrado na sala, tendo um rompante de sua costumeira ousadia e abraçando o senhor dos deuses. Zeus apreciava esta característica em sua guerreira, afinal realmente via os semideuses como parte da família, mas a maioria simplesmente não ousava maior aproximação.

Lara não tinha aquela coragem, mas aproximou-se do trono e segurou a mão do avô, depositando um beijo agradecido nas costas dela.

- Nós vamos trazê-la de volta, eu prometo.

- Cumpram o prometido e não deixem de informar qualquer novidade ou necessidade que venham a ter.

Após a deixa do senhor dos deuses, as duas fizeram mais uma reverência e saíram da sala, surpreendendo-se ao encontrar Oliver na porta.

***

Aisha e Shaka estavam sentados em posição de lótus, meditando na sala de virgem. Há cerca de um mês, aquilo havia se tornado parte do treinamento, embora ela já meditasse com o virginiano desde a primeira experiência na qual havia descoberto a existência da sua telecinese. Todavia, esta havia começado mais cedo devido ao incidente que ocorrera durante a madrugada; por causa disso também, a loira não estava conseguindo se concentrar como de costume.

A celestial respirava fundo e, mentalmente, repetia todos os mantras que Shaka havia lhe ensinado, mas nada aliviava sua ansiedade ou o sono acumulado. Aquele homem não havia lhe feito mal, mas não conseguia se sentir segura sabendo que a qualquer momento alguém poderia invadir seu quarto. Se pelo menos o virginiano acreditasse nela...

Pensava que, talvez, devesse contar a outra pessoa.

Shaka conseguia notar a inquietude dela, bem como estava ciente do fato de não ter conseguido pregar os olhos mesmo depois de voltar pro quarto. Percebia que aquilo não ia resultar daquela forma, por isso resolveu testar uma abordagem nova.

Durante as meditações e os treinos, conseguiu perceber que o que impossibilitava que tanto Mu quanto ele entrassem na mente da celestial e sondassem seus pensamentos era um controle mental sobre-humano, do tipo que exigia longos anos de treinamento, ainda mais quando mantido de forma inconsciente como ela fazia. Podia, entretanto, entrar em sua cabeça de outras formas...

***

Oliver olhou para Alison com indiferença, indiferença que foi prontamente retribuída por ela. Porém, ao fitar Lara, ele ocultou-se por trás de uma máscara de orgulho, como para fingir para o mundo e para si mesmo que ela nada significava; já a ruiva encarou-o com pena e uma pontada de tristeza. Não conseguia odiá-lo como os demais, somente se apiedar da sua alma triste e vazia, cheia de nada além de ódio.

- Por que estão aqui? Desistiram de procurar minha irmãzinha? – Oliver perguntou com um sorriso cínico. Sabia que elas não desistiriam, por isso temia que tivessem descoberto alguma coisa. Era melhor averiguar.

- Isso não é da tua conta! – Alison respondeu com desdém, sabia bem que ele torcia para que Aisha nunca mais aparecesse.

- Vamos embora, Ali! – Lara pediu, dando os braços à amiga. Não queria testemunhar mais uma discussão inútil – Temos muitas coisas para fazer.

- Oliver, o que faz aqui? Não deveria estar observando o treino dos soldados com Alana? – Zeus perguntou, aparecendo à porta e testemunhando a ferina troca de palavras entre os dois celestiais – Lara e Alison, façam o que têm de fazer também.

- Já estamos indo! – sem falar mais nada, Lara teleportou-se com a egípcia de volta para casa, onde começariam a pensar numa estratégia concreta para localizar a amiga.

- Senti a presença delas e pensei que trouxessem notícias. Já vou retornar ao treino! – Oliver fez uma vênia e tomou o caminho de volta para a arena, mas seu semblante estava fechado. Se não bastasse o cuidado extra que precisava ter desde a armadilha preparada pelo cavaleiro de virgem, agora teria que se preocupar com aquelas duas também.

***

Aisha pensava no dia em que Shaka a levou à cachoeira. Tinha sido mágico e inesquecível! Conseguia ver com perfeição o lago cristalino, a impressionante queda d’água e as flores coloridas que cresciam em volta; as lembranças eram tão vívidas, que podia sentir até mesmo a leve brisa que passava e o cheiro da grama molhada pela água da cachoeira que espirrava após bater nas pedras. Tal como naquele dia, sentiu uma vontade incontrolável de se jogar no lago, vontade essa a que se entregou de imediato, despindo-se no caminho; estava com o mesmo biquíni azul, por isso não precisava se preocupar.

Brincou alegremente nas águas por alguns minutos, sentindo-se imensamente bem, como um peixe que, após ser pescado e elevado no anzol, consegue se soltar e voltar ao seu habitat natural. Logo mergulhou mais fundo e lá permaneceu por mais tempo do que um ser humano comum se sentiria confortável. Emergiu somente ao sentir que não era mais a única ali.

Sorriu ao ver o virginiano à sua frente e, num instante de coragem, jogou um pouco de água nele para provocá-lo a brincar. Sempre quis vê-lo agir de forma mais espontânea e descontraída, saindo um pouco da barreira de seriedade e controle inabaláveis que sempre mantinha. Ficou feliz por conseguir seu intento!

Shaka começou a persegui-la na água, mas, por algum tipo de milagre, sempre conseguia se esquivar dele. Estava imensamente satisfeita, sua veia competitiva a todo vapor. Não que fosse um jogo, mas surpreendê-lo a fazia se sentir bem. Ao conseguir alguma distância, resolveu provocá-lo mais uma vez, desta vez gabando-se por ele não conseguir pegá-la. Aisha sobressaltou-se quando o virginiano desapareceu por um instante, porém logo sentiu a cintura ser envolvida por braços fortes; desta vez, contudo, embora seu coração tenha se acelerado, não sentiu tanto medo.

Não até ouvir uma voz rouca sussurrando em seu ouvido...

- O que temos aqui? – esta não era a voz de Shaka!... Mais do que a sonoridade, o tom lascivo contido no seu tom deixou isso claro para a celestial. Instantaneamente, seu corpo foi acometido por uma forte sensação de nojo, sensação essa que, talvez, fosse maior até que o próprio medo.

Por que isso estava acontecendo? Como? Aquilo era uma sórdida profanação das memórias que a loira guardava com tanto apreço, fato que fez lágrimas verterem dos orbes violetas. Experimentou fechar os olhos para ver se aquele maldito desaparecia e Shaka voltava ao lugar que era seu. No entanto, como que para mostrar que era real, aquele ser perverso subiu as mãos e agarrou seus seios sem qualquer delicadeza.

Aisha sentiu uma enorme vontade de gritar, mas em vez disso mordeu os lábios com força, logo sentindo o gosto de sangue preencher sua boca. Asco. Repulsa. Mas mais do que isso, uma enorme sensação de confusão a dominou. Aquilo não poderia estar acontecendo de verdade... A celestial sabia disso, porém o desconhecido continuava ali... Tocando-a impudicamente.

- Me solte! – ela gritou entre os dentes, sentindo um arrepio atravessá-la quando ele gargalhou nos seus ouvidos.

- Por que não se solta sozinha, hein sua vadiazinha? – para provocá-la, ele voltou a apertar-lhe os seios. Mais lágrimas de raiva e repulsa rolaram pela face de Aisha, que começou a se debater inutilmente para escapar do aperto daquele ser libidinoso e nojento – Você não passa de uma garotinha fraca, vou fazer tudo o que eu quiser com você e ninguém vai me impedir!

A celestial sentia-se débil e incapaz de reagir, por mais que sua vontade fosse acabar com aquele maldito. Fechou os olhos mais uma vez, procurando em meio ao medo e à dor uma forma de se livrar daquela situação.

“A coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo[2]”. A voz de Shaka veio em sua mente, repetindo a frase que lhe dissera no dia em que começou a nova modalidade de treinos, lembrando-a de que não podia permitir que o medo a subjugasse daquela forma.

De repente, lhe veio a lembrança do tempo que o virginiano havia empregado ensinando-a a reagir àquele tipo de ataque, só precisava colocar isso em prática. Cerrou os punhos e, usando toda a sua força, deu uma cabeçada no nariz daquele que lhe prendia. E repetiu o ato mais uma vez, ouvindo o barulho de algo se quebrando. Sentiu o aperto se afrouxar e com o cotovelo golpeou o ventre do bastardo, impulsionando o próprio corpo pra frente na sequência. Estava livre!

Havia se soltado, mas não podia perder tempo ali; por isso, com o organismo ainda cheio de adrenalina, começou a correr na direção que sabia levar de volta ao santuário e ao conforto do sexto templo. Porém, após avançar por vários minutos, percebeu que aquele caminho era diferente do que se lembrava de ter percorrido com Shaka. Ainda assim, lhe parecia estranhamente familiar. Piscou os olhos e levou a mão à cabeça ao sentir um incômodo latejar ali.

Ao tornar a abri-los, viu-se cercada por homens que a fitavam com malícia. Homens? Não. A presença de um único homem que misteriosamente surgia em qualquer direção que olhasse, interceptando sua passagem. Não poderia escapar sem enfrentá-lo.

- Não achou que fosse fugir de mim tão fácil, né vadiazinha? – arfou ao sentir uma respiração quente na sua nuca, tomada mais uma vez por uma sensação de nojo. No mesmo instante, a uma velocidade sobre-humana, o outro homem também surgiu à sua frente, encurralando-a.

Mesmo com a sensação de pânico ameaçando dominá-la novamente, Aisha não queria mais fugir. Em vez disso, decidiu erguer o olhar para fitar seu algoz mais de perto. Foi quando sentiu seu coração disparar pra valer. Conhecia aquele rosto... E era como ver seus piores temores tomando forma!

Levou as mãos às têmporas e começou a chacoalhar a cabeça de um lado para outro, forçando-se ao máximo para lembrar-se de onde conhecia aquele homem e por que se sentia tão mal perto dele. Despertava-lhe um medo primitivo, irracional, paralisante. Queria fugir, mas suas pernas pareciam feitas de chumbo; queria gritar, mas o fôlego faltava de repente.

- Quem é você? – perguntou com um fio de voz, seu corpo tremendo completamente. Todavia, ele não respondeu, simplesmente sorriu sacana e a fitou longamente, como se não passasse de um pedaço de carne. Aisha sentiu-se nua naquele momento.

A celestial teve o impulso de cobrir o corpo com os braços; porém, quando tentou, o homem que estava na retaguarda voltou a imobilizá-la, puxando seus pulsos e os prendendo com força atrás das costas. Já aquele que estava na frente agarrou seu rosto, apertando a mandíbula com força para obrigá-la a abrir a boca, e em seguida atacou seus lábios com um beijo possessivo e luxurioso.

Aisha sentiu uma vontade forte de vomitar. Sentia nojo daquele homem e sentia nojo de si mesma por ter sido tocada por ele. Tentou se debater, mas aquele que lhe imobilizava a apertou com mais força, fazendo-a sentir uma dor lancinante nos braços. Ainda assim, precisava resistir, então mordeu a boca do maldito com toda a força que possuía, não parando nem mesmo ao sentir o gosto do sangue dele. Não se importava com as consequências daquele ato, precisava parar aquele beijo de qualquer maneira.

Aisha sorriu quando o bastardo que lhe beijava se afastou com uma expressão de dor, e pôde ver os estragos causados por sua mordida. Sentiu uma satisfação interior por ter, de certa forma, retribuído o que ele havia feito. Só não contava com o soco forte que recebeu na boca e a deixou desnorteada e tonta. Mais uma vez, sentiu uma espécie de déjà vu... E teve certeza de que não era a primeira vez que passava por aquilo!

A celestial estava zonza e sentia uma dor forte na mandíbula, mas tentava ignorar isso e pensar. Seu alarme interior estava disparado. Tinha a impressão de que faltava algo para completar aquela cena e lutava para se recordar do que era. Fechou os olhos para afastar a visão do ódio com que aquele homem lhe fitava. O mais importante era lembrar o que deveria acontecer ali.

- Eu vou acabar com você, sua maldita!

Aisha foi golpeada novamente, desta vez na barriga. A dor era intensa, mas o que mais chamou sua atenção foi a sensação de estranhamento que lhe acometeu. Aquilo definitivamente não deveria acontecer. Faltava alguém ali. Era isso. Alguém que deveria livrá-la daquele sofrimento. Mas quem? E por que não aparecia? Por quê?

“Não deve esperar que alguém a salve. Precisa aprender a salvar a si mesma!”. Mais uma vez a voz de Shaka lhe veio à mente. E, como num estalo, a celestial soube que era ele quem faltava ali...

Soube também que ele não apareceria desta vez. Estava presa num pesadelo do qual só poderia sair sozinha...

 

[1] Amalteia: A mulher que amamentou Zeus recém-nascido no monte Ida, em Creta, e o criou ocultamente para livrá-lo da perseguição de Cronos, seu pai, ansioso por devorá-lo. Em algumas versões da lenda Amalteia era uma cabra que amamentava o deus-menino, e em outras era uma ninfa (a versão mais difundida). Amalteia teria posto Zeus numa árvore, para evitar que seu pai o descobrisse em suas buscas pelo céu, pela terra e pelo mar, e com o mesmo objetivo dispôs em volta do menino os Curetes, cujos cantos e danças ruidosos abafavam-lhe o choro. A cabra que amamentava o deus-menino em uma das versões da lenda era um monstro assustador, e os Titãs a temiam tanto pelo seu aspecto que pediram a Gaia (a Terra) para ocultá-la numa caverna. Posteriormente, na época da luta entre os Titãs e Zeus, este fez uma couraça impenetrável com a pele da cabra. Essa couraça tinha o nome de Égide. PS: para a fic, resolvi utilizar a versão do mito em que Amalteia era uma cabra.

[2] Esta frase originalmente pertence a Nelson Mandela, 1995.


Notas Finais


E então? O que acharam? Espero que tenham gostado!
Beijinhos e até o próximo! :************


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