História Guerreiros de Midgard : Almas da Mudança - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Ragnarök
Personagens Personagens Originais
Tags Almas, Arquimago, Atirador, Aventuras, Biolabs, Cavaleiro, Desordeira, Guerreiros, Jornada, Midgard, Mistério, Paladino, Prontera, Ragnarok, Rekenber, Rune-midgard, Sacerdotisa
Visualizações 7
Palavras 5.323
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Aviso de coisa levemente macabra no começo pra quem não curte isso!

Esse capítulo foi difícil de separar, mas fazendo isso percebi que poderia colocar mais coisa sem prejudicá-lo!

Espero que gostem :D

Capítulo 9 - Para Duvidar e Prometer


Fanfic / Fanfiction Guerreiros de Midgard : Almas da Mudança - Capítulo 9 - Para Duvidar e Prometer

 

Mas que lugar era aquele? Tudo ali jogava um frio em sua espinha.

Nada fazia sentido.

Um ar de antigo o cobria.

 

 Havia tubos de ensaio do tamanho de pessoas para todos os lados, alguns quebrados; outros intactos. Mas ainda assim, macabros, não havia outra maneira de descrevê-los. Pouca luz e sangue vermelho-vivo se mostravam presentes em jalecos, algemas; macas.. e tornavam aquele lugar assombroso. Pois parecia um laboratório. Pois várias pessoas gritavam em desespero e agonia.. rostos familiares...?

 

 Logo seriam os próximos.

 Logo estariam dentro dos tubos.

 

Uma pena que tenhamos que descartá-lo”

 “Você fez bem em trazê-lo, Bewulf. Os resultados foram...satisfatórios”

 Eram vozes irreconhecíveis que ecoavam ao longe, como se estivesse a quilômetros de distância, embora bem ali...

 “...Certo. Apressem-se. Jogue-o no despejo antes que perca o controle, como os outros.”

 “..Como quiser, senhora Bewulf. Com licença, meus senhores.”

 

E ali as palavras distantes cessaram. Nada pode mais fazer quando novamente sentiu uma agulhada. Seus olhos estavam abertos, mas seu espírito e seu corpo, divididos. Estava vivo e morto, por mais que se desesperasse pelo último. Algo o arrancava de seu descanso, de deixar toda aquela agonia que se embrenhava em e tomava seu ser. Algo prendia sua alma no seu corpo, uma energia tão forte e assustadora que mal conseguia manter dentro de si, um fogo gélido e invisível consumindo nada menos que ele mesmo. Consumindo sua mente, sua sanidade, os restos da sua vida.

 

Aquilo se repetia e se repetia, mas quem dera estivesse sozinho...

Os gritos que vinham de pessoas que tão bem conhecia.

 

E nada mais pode fazer quando foi jogado e viu, pela última vez, os amigos em macas, sofrendo um destino pior.

E

 Cair.

 

  Cair

  

 e cair

 em um buraco escuro e infinito,

  que era repentinamente envolto em fogo.

 

Estendendo a mão para cima, como se alguma ajuda pudesse vir.  

[...] - “Algum dia...”

Fechou os olhos.

 

“...Algum dia.

Eles iriam pagar por aquilo”

 

O cavaleiro marcou essas palavras dentro de si

E as deixou ao mundo.

 

-----------Bewulf-----------

 

 

- Aaai..

 

E acorda. Estava no chão duro agora, a olhar para o teto e com as pernas em cima do aconchegante sofá. “Caramba. Que pesadelo...”. 

 

O quarto estava todo escuro e de repente foi sendo lentamente tomado pela luz da manhã de Alberta, preenchendo-se com o barulho vívido de pessoas conversando e pelo calmante ir-e-vir das ondas do mar batendo contra os paredões da cidade...

 

Pois a porta foi sendo destrancada pelo lado de fora.

 

O sono ainda o deixava levemente grogue, mas Ian teve uma descarga de adrenalina imensa quando lembrou da noite anterior; podia ser o algoz, ou outra pessoa vindo concluir o trabalho!

 

E entrando pela porta da frente, mas que cara de pau!

 

Da posição que estava, impulsiona as pernas as jogando lateralmente, ficando em pé o mais rápido que conseguia. Pegou a espada que repousava em uma das almofadas, e antes de ficar de prontidão, viu que a garota não estava na cama.

 

Ou aquilo tudo foi um sonho e ela estava morta ... e quem é que vinha !? Ou..

 

Por fim soltou um suspiro de alívio e jogou a espada de volta pro sofá. Era apenas Karol; não um perigo rapidinho e venenoso.

 

- Bom dia..! – Karol dá um sorriso assim que entra; nem chegou a ver a maluquice dele – Já está de pé?

 

- Bom... – Ian finalmente pode soltar um longo bocejo e se espreguiçar, agora aliviado – diaaa. 

 

“...Então.. não era um sonho. Ela realmente está viva, mas...” (A cena do laboratório volta à cabeça do garoto. Nunca vira aquele lugar, e isso era um grande problema.) "Só pode ser uma mensagem.. novamente. Mas, de quem? Aquelas não eram memórias suas.."

 

- Heh - Ela fecha a porta e o local novamente se torna escuro- Trouxe algo pra você.

 

O paladino devolve o sorriso, indo abrir a janela. “Nada como o Sol da manhã para relaxar os ossos. Consegui passar um dia sem quebrar um! ”, ele pensou enquanto se espreguiçava.

 

- Brigado.   

 

Karol põe um saco de pão cheio em cima da mesa à frente do sofá e se senta em seguida.  

 

- Ah..eu não sei bem o que você gosta de comer, então.. eu trouxe pão e frutas.. já que vocês são parecidos, e tals...

 

- ...Hm.. eu tenho cara de fruta, por acaso?

 

- Nãão ! Jeito - Ela sorri de um modo cômico.

 

“ Estava quase a considerando uma pessoa normal... Mas, o pesadelo... Ah, bom.. que Odin me proteja.”

 

- Ha...ha..ha. - Ian rapidamente pensa em algo e o melhor que sai é!- Parece que você e o Legolelo foram feitos pra realeza, né?

 

- Hã?

 

- É. Servirem de bobos da Corte.

 

- Bleh, essa é velha. Vende essa piada pra algum bardo, pelo menos eles conseguem congelar alguém! Hehe. Vem - ela aponta pra cadeira- pode sentar! Eu não mordo. Por enquanto.

 

 O paladino se senta, sem entender bem o que ela quis dizer com aquilo. Mas, tinha sim medo de comer o que ela trouxe. “Poxa, eu aceitaria numa boa...se não fossem os fatos de você usar soníferos, ter o mesmo sobrenome de uma pessoa que trabalha num laboratório macabro e ainda ser atacada por alguém extremamente treinado.”

 

Mas.. seria aquela a mãe dela? Irmã? Avó? De qualquer jeito... não pareciam ser a mesma pessoa, e “Não vou estar descobrindo algo assim a conhecendo a... um dia.”

 

- Haha. Tá, então...Obrigado. Vamos ver.. eu gosto de uva..de banana, e dessa coisa laranja..e também disso.. caramba! Você assaltou o restaurante da estalagem?

 

- Heh. Hmm..talvez ! Mwahaha ! - Essa risada soou mais fofa do que assustadora- Mas é que já é quase hora do almoço, então trouxe bastante pra você não...sei lá, desmaiar de fome no meio da missão?

 

- Aaahn. Verdade, hehe- Ian dá um sorriso e come algumas uvas-...Hum. Eu dormi muito..?

 

- Sei não...talvez. Eu não sei que horas você foi dormir, mas acordei faz um tempinho, já. Mas, bem...obrigada por me cobrir ontem. E não tentar algo.. Eu realmente desmaiei de sono...acho que você percebeu né?

 

- Ah..? De nada.. Foi bem em questão de minutos que você dormiu, haha. Mas..por que agradecer?

 

Ah.. Bem.. – Ela coçou a cabeça - é que.. eu nunca dormi no mesmo quarto que outros homens, senão o Levi e meu irmão, e o que eu sei é que vocês homens são.. muito pervertidos. Mas, bem que você não deve ser porque você não é homem, né?

 

- Porran. Vocês podiam começar a frequentar escolas de piadas diferentes, já to me cansando de ouvir essa. E, ah, mas que mentira. É todo mundo safado nesse continente! Aposto que você só tá se escondendo sob o manto de sacerdotisa.

 

O paladino já havia presenciado histórias estranhas demais para não pensar aquilo. Talvez as mais marcantes foram quando ele era espadachim e teve sua roupa queimada por uma maga nos esgotos de Prontera. Sim, muito estranho. E o que dizer sobre as duas sacerdotisas que o atacavam com palavras toda vez que aparecia na Igreja de Prontera? Sem falar na caverna de Payon. “Tudo bem” que era no segundo nível, mas, caramba, é um lugar cheio de iniciantes. Casal sem noção.. E ainda não lembra bem como, mas acabou em um jogo muito ..peculiar.. com duas arruaceiras que teria terminado muito mal para ele se não tivesse fugido por uma janela; era lerdo, mas nem tanto. Por fim, já perdeu a conta de quantas pessoas ele viu correrem peladas pela Ilha- quase-deserta de Pharos nos seus dias de espadachim, um ótimo lugar pra treinar.. se não fosse lá colocar os pés e ter até os fios de cabelo queimados pelo Sol e seus olhos queimados por essas visões bizarras. Às vezes sentia pena dos bichos que ficavam lá. Mas não daqueles passarinhos chatos, Ragglers, um bando de pombos de praia, eram tantos e simplesmente não acabavam, pareciam se multiplicar a cada segundo e por cima de quem fosse seu alvo!   

 

 Karol faz uma cara cômica de assassina em resposta ao comentário.

 

- Como é que é! Eu não sou safada!

 

- Hmm, tá.

 

- Cala a boca e come logo! Lex Divina !!

 

- . . .

 

- Noossaa, o que foi ? A rosa comeu a sua língua ?... Hei! Eu ainda leio os seus lábios ! Nada de xingar, ou a titia vai te pôr de castigo ! Haha~! ... Você não ousaria.

 

Ian joga uma casca de banana na cara da sacerdotisa.

 

A casca escorrega lentamente pela face dela.

 

Ian e a casca riem mudos que nem idiotas.

 

Ele não devia ter jogado a casca de banana na cara da sacerdotisa.

 

Ela não desvia. Apenas muda a expressão.

 

“Hoje é um belo dia...”

 

-Sabe, Ian..

 

Karol pega uma laranja descascada e levanta, seguindo para onde o paladino estava. Mas ele também se levanta e faz o movimento contrário ao dela.

 

“Para”

 

- ... Acho que você está precisando comer mais...

 

E a garota começa a ...

 

“CORRER!”

 

VEM CÁ, EU SÓ PRECISO TE ENFIAR ESSA LARANJA GOELA A BAIXO!

 

- AAH MALUCA DA LARANJA!! Opa. – O efeito da habilidade acabara e não era para ela ouvir!

 

 Eles contornam a mesa duas vezes antes do garoto tropeçar na espada e quase cair dentro de um barril, que por sabe-se lá motivos estava do lado do sofá.

 

- Aai...hã? Um bar...riuuuh...

 

 Ian faz um som de como se perdesse o ar, com dor. Karol havia pulado em suas costas.

 

- Ha ! Obrigada por facilitar meu trabalho ! Hora da laranjaaaaa! - A sacerdotisa soca a fruta na boca do coitado - Hm, hm, hm o que? Eu sei que tá gostosa! Opa! Nada disso- Ela prende os braços dele, o impedindo de tirar a fruta da boca - Come maais !

 

 O paladino cospe o bagaço e se levanta, com a garota ainda em suas costas.

 

- Uh !? Wooo! Vaai, peco-peco!

 

- Hãã..não! - Ele se levanta, Karol dá um gritinho e cai.

 

- Aaai...seu bobão!

 

- Merecido! - Ian se dirige à mesa, rindo, enquanto a sacerdotisa se levantava. – Tava querendo me matar com uma fruta.

 

Ela deu uma risada.  

 

- Hehe. Relaxa, essa não explode! - Ian ignorou a alfinetada - Mas, hein, seu chato. Eu conversei com a Amu e com o Luhan... – Ela deu uma pausa antes de continuar - Vocês tiveram.. grandes aventuras, hein? Não é de impressionar que são transclasses.

 

 E se sentou novamente. O comentário dela trouxe à tona lembranças, e ele partilhou um pouco com a garota.

 

- Realmente...

 

À época dos campos de aprendiz em que ainda distribuíam bananas e maçãs no lugar de poções e, se você quisesse ficar vivo, tinha de aprender primeiros-socorros e não acabar com suas no máximo 10 ou 20 vermelhas que os mestres davam, Amu estava no primeiro ano como noviça e lá ajudava os novatos os curando e abençoando e descrevendo o que sabia de sua classe para os entusiasmados.

 

- ... Você é meio velho, hein? A gente recebe poções, bons instrutores de habilidades e cursos de combate há bem uns 7 ou 6 anos. – Karol comentou.

 

- Eu chuto ter sua idade.

 

- 18 Anos? Uhum. – Ironizou.

 

- Talvez um ano a mais, indo fazer outro. – Ele riu. 

 

- ... Você me parece mais velho que isso – Falou analisando a face do paladino. – Esses cabelos brancos por exemplo; isso não é natural! – Ela mexeu nos cabelos dele, vendo se algo era falso- Viu. Velho. - Reafirmou.

 

- .. Não é natural, e eu não sou velho, também.

 

- .. Você é doido, então? – Ironizou – Por quê pintar de branco? Hmm, já sei, perdeu aposta!

 

- ... Não, eu não pintei.. enquanto adulto, não. – Riu, mas a última parte saiu pouco mais sério – Isso é outra história, mas, então, eu te falei sobre uma pessoa muito especial pra mim chamada Ayla, não foi? Conheci a Amu um pouco depois de ela desaparecer...    

 

E continuou.

 

 Ian encontrou a sumo-sacerdotisa nos dias em que desesperadamente procurava pela amiga perdida, vendo se ela teria parado por lá. A tímida garota entrou pro grupo nessa situação delicada, no desaparecimento da agora desordeira, e, “- Caramba!”, havia se tornado como um pilar que mantinha unido os abalados novatos recém-mudados para primeira classe.

 

E de enrascadas com monstros da Caverna de Payon, à épica batalha contra muitos orcs, à missão de reconhecimento da mítica Umbala, ela tirava sorrisos e gargalhadas de todos com seu jeito fofo e atencioso-atrapalhado. Mais ainda divertia quando os dois desastrados, o próprio paladino e a sumo-sacerdotisa, se juntavam e causavam algum desastre aleatório, como derrubar as varetas que seguravam as tendas de vendinhas num pós-chuva e banhar pessoas desconhecidas, ou fazer uma manada enfurecida de peco-pecos, yoyos, familiares, lobos, sussurros e até monstros mansos correrem atrás de todos.  

 

Mas, principalmente, a ajuda que ela foi para Gori, irmão do garoto, foi sem paralelo. Ele talvez estivesse mais abalado que os outros mesmo não demonstrando, era mais um desaparecimento para lidar, e cuidar do grupo de pirralhos havia ficado muito difícil para ele sozinho, por mais que estivessem crescendo, ainda era uma grande responsabilidade. Mesmo sendo uma jovem noviça, ela conseguia cuidar de outros pirralhos como ninguém.

 

- Ah, você sabe como chamam a Amu por aí? 

 

Karol pensou, mas não teve ideia.

 

- "Sacerdotisa do Amanhecer". Se ela estiver em uma batalha, é quase certeza que as pessoas do grupo vão sobreviver pra ver outra manhã. 

 

Isso só aumentou o fascínio de Karol pela sumo-sacerdotisa. Ian, ao mesmo tempo, lembrou do amigo dela, o arquimago Luhan. Nunca ouvira falar em alguém com o título de "Dragão Vulcânico", e iria gostar de conversar com ele sobre na próxima vez que se encontrassem.

 

 Um detalhe ficou de lado apenas, que foi batalha que marcou sua separação de todos. “ Nós demos muita chance pro azar quando não voltamos em busca de um mapa... Droga!! Tudo por causa de um mapa..! Um dia simples pra conhecer Glast Heim virou um pesadelo naquele Labirinto infernal... Será mesmo que não estaríamos vivos se a Arystal e o Phantom não...? ..Chega. Não importa mais.”. Lembrar disso fez o garoto dar um leve suspiro.

 

Mas, bem! Uma coisa me incomoda...

 

- O que?

 

Ia sair o “Por quê você foi atacada ontem a noite..?”, mas ele mudou no último segundo.. Aquela dúvida pegava qualquer um, por quê uma sacerdotisa, ainda mais uma agente da nobreza, seria atacada daquela maneira?

 

- Você falou com eles ?

 

Eeeer...não! – Karol sorriu amarelo - Eu estava tomando café-da-manhã e eles vieram falar comigo. E.. acho que aquele morango estava menos vermelho que eu..

 

- Haha, imagino.. Ué, por que você tem tanta vergonha de falar com eles?

 

-Ah. Oi ? Talvez porque eles sejam duas lendas vivas?

 

“Eu até conheço os feitos da Amu, ela tem mania de sair salvando todo mundo que vê pela frente mesmo quando tudo está um caos. Mas...”

 

- ..O que o Arquimago fez pra se tornar um lenda?

 

Karol fica com uma expressão de surpresa. Talvez não esperasse por aquilo.

 

- Luhan “O Dragão Vulcânico”! O cara é tão bom que brinca com magia de um jeito que até Sábios o procuram para estudar sobre fogo. Já deve ter ouvido falar dele, não é possível!

 

- Ah..hã..e o que ele fez de mais? – Tinha uma expressão de dúvida sincera na cara dele.

 

- Ele ! Ah..! ahn..fez! Ah. Sei não.

 

O paladino riu com a confusão da garota.

 

- Então tá, né.. Bom..- Se lembrou da noite anterior, da hora em que eles apareceram. Karol em seus braços, beirando o último suspiro; ele, quase no mesmo caminho por causa do veneno - E você.. como que tá se sentindo..? Não acho que se volta dos mortos todos os dias, hein... Eer. Tirando conseguir ir vivo para Nilfheim.

 

- Ah... – Ela ficou pensativa - Eu estou indo muito bem, na verdade. Não sei se posso chamar isso de sorte ou não... Mas, ele ser tão treinado fez com que só me acertasse em pontos vitais e não me perfurasse o corpo todo. Acho que só to conseguindo andar agora porque a Amu chegou a tempo do estrago não ter sido premanente... – Realmente, Ian concordou, fazia sentido - Se um cavaleiro ou um ferreiro estivessem atrás de mim, não sei bem se teria tido alguma chance de estar... bem, aqui. – Ela suspirou, rapidamente agradecendo pela sorte – Eu iria estar em pedaços. – Tremeu pensando naquilo; se um algoz já era ruim ... - E... aquilo já aconteceu comigo.. por isso eu ando com as folhas de Yggdrasil...

 

 Ian fez um breve silêncio, aquilo foi uma surpresa maior ainda. “É uma boa começar a andar com essas também. Mas...duas vezes..?”

 

- Karol...

 

Ela apenas indaga com o olhar. Ele não tinha mais como segurar a pergunta.

 

- Por quê você foi atacada ontem? E.. duas vezes?

 

 A sacerdotisa fecha a cara brevemente, mas dá um sorriso sarcástico, se pondo a encaracolar com os dedos uns fios do longo cabelo.

 

- ... Porque eu sou uma rainha demônio, ora essa. 

 

Ela soltou essa piadinha, e ambos ficaram se encarando por um tempo em silêncio surpreso.

 

- ... Sério.  

 

- Bem, se você não entendeu, são assuntos pessoais... – A garota deixou um vazio pairar no ar antes de voltar a falar- Acho melhor você terminar de comer, paladino. Não podemos perder mais tempo. – E ficou mais fria depois de dar esse baque nele.

 

Ian levanta uma sobrancelha e uma expressão de como se não tivesse gostado daquela resposta toma seu rosto.

 

- Acho melhor podermos confiar um no outro, como combinado.

 

- Acho que você não precisa saber disso.

 

- Se você me falasse eu poderia te proteger.

 

- Eu não quero alguém mexendo nos meus assuntos pessoais. E quem disse que preciso de proteção? – Ela estava ficando cada vez mais alterada.

 

- Você me diz isso depois de ter sido simplesmente assassinada?!

 

- Foi só um erro. Meu! Eu não preciso que alguém me proteja!

 

- Tá. Te atacaram em uma estalagem. Você acha que vai ser seguro andar por aí sozinha?

 

- Tá, tá, tá. E daí se eu morrer, hein!? E daí?!

 

- E daí não! Como assim, Karol!? Sua vida não é mais só um assunto pessoal; tem pessoas que se importam com você e precisam de você! Viva ! Se coloca no lugar do Levi; da Nat..! E o seu irmão ?! Como eles ficariam se soubessem que você simplesmente vai sumir da vida deles !  

 

Ian havia levantado e apoiava as mãos na mesa, a olhando sem acreditar. Karol range os dentes e vira a cara; naquele choque entre duas visões de mundo.

 

- Sumir...hmpf. Talvez isso seja uma boa ideia...assim, eles não teriam que lidar mais com esse fardo!

 

- Não ! Isso não é justo, Karol!

 

- Justo !? - Ela volta a olhar pra ele com lágrimas e rancor na face- Não me venha com esse papinho! - E se levanta, encarando com olhos marejados entre raiva e tristeza- Me diz ! Me diz se ser abandonada é justiça, Ian!! Me diz se a “justiça” estava presente quando meu..- A sacerdotisa ia contar mais algo, mas se segura e várias lágrimas começam a cair..- Eu te di..sse, Ian.. Somos reféns...de nossas pró..prias esco..escolhas..! Eu..eu gosto muito deles! - Ela falava entre choros e soluços- Mas.. mas eu escolhi...um caminho sem volta...pra mim.. Eu já estou morta, eu estou morta desde aquele dia... há muito...aaaah!

 

 A discussão mexeu muito com eles. Ian ficara sem palavras, e Karol estava com as mãos na cara e não parava de chorar. Ele segue até aonde ela estava e a abraça, ficando em silêncio pensativo enquanto ela chorava em seu ombro.

 

Ficara quase impossível duvidar agora. Se ela realmente fosse a agente da Rekenber que procuravam em Prontera, se plantou a dúvida de que se ela pudesse ser da parte má da corporação; da parte nada inocente.. 

 

Algo em si dizia...     

 

“ Eu posso... Eu devo...? Que Odin me ajude.. se eu estiver errado, mas!”

 

- Desculpa.. Karol... – Pensou um pouco mais claro- Sabe, todo caminho tem um fim. Eu posso te proteger até que você...ache o fim desse caminho que você escolheu.. e possa encontrar um que te faça realmente feliz.

 

 A sacerdotisa fita o paladino, ainda com uma expressão chorosa.

 

- Seu..! Você não entende..! Eu...não preciso de mais alguém.. se importando comigo! E, por favor.. esquece aquilo ..de ontem..- Ela vira a cara e empurra um pouco o garoto, impedindo-o de ver sua expressão.

 

 “Esquecer o que? Hã... O fato de que você pegou um papel meu?”

 

-...Você escolheu a pessoa errada para ser sua amiga, então.

 

- Você.. não é meu amigo...!

 

- Hmm, ah é, é?... Sabe, eu te conheço há um dia, mas nós agimos como se fossemos amigos há anos.. Você fez uma pegadinha que deixaria o Legolelo e outro amigo meu com inveja e beijando seus pés. Não para de me zoar ... E a lista vai e vai. Hah.. Acho que você está bem errada aí.

 

Ela se afasta e cobre a cara com as mãos, antes de soltar um “AHH!”

 

- TÁ ! ..Talvez você seja....talvez ! - Karol faz um breve silêncio, antes de fazer uma cara emburrada - IIirgh! Seu burro! Você tem noção de onde está se metendo!?

 

- Ah.. você foi atacada por alguém extremamente treinado e se foi em menos de um minuto.. aparentemente morreu e voltou duas vezes...ééé. Nah, não faço a mínima ideia, mas acho que tem algo mais importante. Eu sou um paladino agora, não é como se eu me importasse com o perigo...

"Er, muito."

 

A sacerdotisa continua com a expressão emburrada mais um pouco, antes de voltar a chorar e.. o olhar com uma expressão de dúvida, mas esperança ao mesmo tempo.

 

- ..Você...promete?

 

  ..E essas palavras foram como uma facada contra o coração do garoto; o que o fez virar a cara e fechar os olhos. “Não.. não.. de novo!”. A reação dele trouxe uma expressão de preocupação à Karol.

 

- Que foi??

 

- Ah.. nada.. Só lembranças ruins.- Ele fita os olhos da garota - É que eu fiz essa promessa à outras pessoas, também..

 

“Gori...Legolelo...Mahzinha...Viton...Lisara...Amu...”

 

Voltou em sua mente o dia em que jurou, com seu escudo levantado e um sorriso jovial e desafiador, que os protegeria até o fim; e gritaram juntos, “Amigos até o fim!! Irmãos até depois!”

 

“Hyriuga...”

 

“- Eu vou morrer algum dia. Não me importo de usar minha vida para defender aquilo que acredito e não pensaria duas vezes. Então, vê se não se flagela muito quando eu for, ok?”

 

“- Nah, nem você, nem nenhum deles vai morrer enquanto eu estiver vivo!”

 

“ – ..Tsc... Templários.”

 

Mas ele falou aquilo rindo.

 

“..Ayla.”

 

E um lampejo breve de memórias com ela, que guardou entre lágrimas e sorrisos, de anos distantes, de dias em que ainda eram infância..

 

“Não importa o que aconteça... Eu sempre serei seu amigo! Pode contar comigo! Vou te proteger pra sempre!”

 

“Pra sempre? É?? Hehe! Começando agoraa!” – Ela sai gritando o “agora” indo atrás de um monstro forte com uma faquinha de aprendiz pro alto, pro desespero do outro.

 

As memórias lhe deram um sorriso de canto.

 

Doeu, mas, de uma certa maneira, foi a... nostalgia.

 

Porque ... ela estava de volta.  

 

Karol fica pensativa vendo a apreensão dele

 

- Ah ...Relaxa! Você vai ver, eu me teleporto como ninguém..!- E completa com um sorriso bem fofinho.

 

 O gesto e as palavras da sacerdotisa fizeram o paladino sorrir também, por se lembrar tanto hora em que Amu apareceu e Karol sumiu (o que o deixou vermelho, “AH!, era daquilo que ela falava pra esquecer!”), quanto de algo que seu amigo Legolelo tentava e tentava pôr em sua cabeça: “Os outros ficarem vivos não depende só de vocês e esses pedaços de ferro que você balança por aí.”. Mais aliviado, Ian diz:

 

- Haha. Faça seu melhor, então, porquê...eu também farei o meu.

 

“Valeu, cara. Eu estou começando a entender o que você sempre tenta me dizer. . . Preciso trocar o ferro por Oridecoooon!!”

 

- Tá ! Eu prometo ! - Karol diz, sorrindo.

 

- Então, eu também... prometo te proteger!

 

- Agora, vamos, temos que arrumar nossas coisas! - Ela puxa a mão do garoto sem disfarçar um sorriso de felicidade - Antes que a gente tenha que pagar mais!

 

- Verdade.. Vamos!

 

Uma sensação estranha o tomou, então.

 

Quando alguém sabe que escolheu certo, seja o caminho escolhido por ele ou por outros, é como se um leve estalo viesse à mente e o dissesse isso; era duvidoso o que aconteceria depois, podia ser algo extremamente perigoso, podia ser como uma caminhada pela pequena Izlude,  mas ainda era o certo.

 

Era o que sentia agora. De algum jeito ou de outro, tudo acabaria se encaixando.

 

........

 

Ian e Karol se prepararam para ir ao encontro do irmão do paladino. A sacerdotisa arrumou as próprias coisas sem parar de sorrir. “Ela faz tudo de um jeito tão..fofo. Só que...confiar em alguém que se conhece a um dia..? E se fosse outra pessoa.. Urgh. Não quero nem imaginar. Este mundo está.. meio podre, não é...Ayla?... Como será que você e os outros estão? Acho que ... vou me atrasar um pouco...Que Odin vos proteja.”

 

-...Você não prestou atenção no que eu disse, né?

 

-...Não. Desculpa.

 

- Tudo bem ..- Ela sorri- Eu só perguntei aonde iríamos. E falei algumas coisas a mais ..Terminou?

 

- Sim. Nós vamos para a Guilda dos Mercadores. Meu irmão trabalha lá.

 

- Tá, então. Bem – Ela pegou um chapéu de palha que tinha um lacinho amarrado em volta – Lá fora tá quente, e tá um dia muito bonito. – Mas ficou o segurando nas mãos, de um jeito meio acanhado, olhos pro chão. – Ian.. Posso te pedir um favor?  

 

Concordou, esperando o que ela falaria.

 

- Eu estou com cortes... nas costas.. que não alcanço. – Karol ficou um pouco vermelha, mas falava séria – Meus irmãos fariam isso se estivessem aqui, mas... Isso tá me incomodando desde que acordei. Está doendo.

 

Ian ficou com uma expressão neutra, meio confusa, talvez não fosse a expressão que ela esperava. Ele não via maldade naquilo.

 

- Tá, era só ter falado antes que eu te ajudava, pensei que você estava bem. 

 

- Eu estou bem, mas a magia não cura alguém completamente. – Ela o olhou com a cabeça pendendo um pouco pro lado – Você me disse que sabia curar antes, não é? Eles ensinam que não adianta só curar um ferimento profundo. – Ian ficou escutando o que ela falava com interesse, parece que os jeitos de curar para sacerdotes e templários eram ensinados diferente. – A magia é como se fosse uma “cola”, que põe tudo de volta no lugar. Se você simplesmente deixar assim, sem ajudar seu corpo, é provável que um corte abra novamente ou um osso quebrado fique fraco... O mesmo pra usar só poções e ervas, vai deixar cicatrizes – se curar.

 

- Caramba. Não sabia dessas coisas.   

 

A sacerdotisa deu um sorriso, mais relaxada agora.

 

- Bem, agora que você sabe, me espera um pouco, vou untar as faixas com as poções e ervas.     

 

Ela foi pro banheiro do quarto, ficando um tempinho lá, até, então, chama-lo. Quando ele foi, ela o encarou com uma cara bem séria.

 

- Olha, não importa se você é um paladino. – Mais séria impossível talvez – Se você tentar algo, eu vou te matar.  

 

“Cara, tentar o que?”

- Ok...

 

Ela deixou ele entrar no banheiro. A sacerdotisa estava segurando a veste da classe à frente do corpo semi-nu, para proteger o que conseguisse de vistas indesejadas. “Eu odeio esse vestido”, ela falou assim que ele viu. “Tem que tirar ele todo. Podiam facilitar.”.

 

- Fala pra colocarem um zíper nele. – Ian falou, enquanto analisava os cortes que o Algoz fez. As marcas estavam lá ainda, pareciam ter sido profundos. Ela perguntou o que era isso, ele só respondeu “Aquele misterioso metal em pano que falam por aí”, e ela entendeu, todos ouviram dos mercadores desse artefato estranho que ficava ótimo em roupas. – Caramba, Karol... Esses cortes.. – Não conseguiu não comentar. A luz do dia passava por uma pequena janela do banheiro e destacava as grandes linhas horizontais em suas costas. Passou o pano untado lá e ela tremeu quando a mistura meio fria e meio ardida tocou sua pele; depois enfaixou o primeiro corte. – Você teve alguma chance contra ele...?

 

A deixou pensativa, ela então relembrando o que aconteceu na noite anterior. Ainda estava um pouco desconfortável em estar, bem, seminua ali, e prestava atenção nos movimentos dele, ainda mais na hora de enfaixar.

 

- ... Eu estava lendo na hora, só com uma vela acesa, vendo se eu conseguia dormir. Ele abriu e entrou pela janela sem fazer um barulho.. – Deu uma pausa – Senti frio... Mas não percebi na hora que não tinha deixado a janela aberta, acho que se eu tivesse, teria me teleportado pra longe dali. – Ela suspirou, segurando a lembrança do terror que sentiu - Quando me levantei da cadeira.. ele simplesmente estava atrás de mim.

 

Passou outra das faixas enquanto escutava atentamente ela desabafar.

 

- Não tinha nada que eu pudesse fazer. Nos segundos que me levantei, ele já deixava dois cortes nas minhas costas. Fez um terceiro e, antes que me perfurasse por entre eles, eu consegui teleportar, mas foi pra dentro do quarto... foi tanta surpresa que não consegui controlar minha própria habilidade... Vi a janela na minha frente como se os céus tivessem me dado uma saída, sabe... Tentei pular. Mas... ele me agarrou antes e me jogou contra a parede. Eu consegui me proteger com o Kyrie Eleison, só que.. – Ela fechou com força os olhos, respirou profundamente – Você viu ... como eu estava. Foi rápido demais... E só tinha a luz da Lua entrando pelas janelas, iluminava bem menos que eu queria... Dava só pra enxergar o brilho das lâminas dele, não consegui nem fechar os olhos... Juntei forças e gritei quando seu braço ia pra trás e preparava a katar pro último golpe... e depois disso... só sobrou forças pra escorregar contra a parede. Ainda tentei me curar quando ele foi pular a janela, mas aí ... ele jogou uma garrafa de veneno no chão. Meu corpo começou a formigar, fui perdendo a consciência, pra melhorar ainda veio um vento frio...        

 

Ian havia terminado, escutando apreensivo e sem palavras a história dela, enquanto Karol estava com uma expressão pesarosa. Ele não podia a abraçar por razões óbvias até pra ele, então apenas colocou a mão em um de seus ombros, e ela entendeu o gesto, esboçando um sorriso.

 

- Mas, na hora que eu ia dar meu último suspiro, uma certa pessoa estranha de cabelo branco apareceu. – Ela se virou, segurando a roupa à frente do corpo, e sorriu pra ele – Obrigada, Ian.

 

O paladino retribui o sorriso, a história apenas deixando ele falar "Bem... Passou, pelo menos, deu tudo certo..", e ela concordou.

 

- E não precisa agradecer... Você pode contar comigo agora. – Ian reafirmou a promessa. - E somos amigos, não é? 

 

- Heh.. Amigos – Karol esboçou outro sorriso bonito pra ele, sem precisar dizer mais nada. 

 

Se despediram em um silêncio agradável, e ele a deixou se ajeitar.

 

E assim, depois de tudo pronto, a sacerdotisa e o paladino deixam a pousada rumo a um belo dia ensolarado. Já havia passado o tempo da diária, mas a recepcionista relevou o pagamento de outra devido à surpresa da noite anterior, falando ainda que ia mandar a conta dos estragos pra guilda dos mercenários, porque "Eles tinham que pagar pela “palhaçada” que aconteceu!".

 

- Er. – Karol se sentiu um pouco ofendida, mas relevou – Se ela acha aquilo palhaçada, imagina o que é sério...

 

- Huh – Soltou o ar junto com a palavra - Não é?


Notas Finais


Eaí, gostaram? ^^

Fiquei com essa dúvida, quem é o pior assassino entre todas as classes?
Por mais irônico que pareça, eu acho que os mercenários são os menos. Eles podem fazer isso sem causar muita dor por causa do treino.


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