História Guerrilheiros - Capítulo 3


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Apocalipse, Guerra, Romance
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Palavras 2.233
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hello :3
Boa leitura a todos.

Capítulo 3 - Capítulo 2: Passado, egoísmo e cumplicidade.


O céu estava limpo, mas do que de costume, já era de manhãzinha quando Toni saiu da barraca e foi admirar o nascer do sol, ele se senta no chão e fica em silêncio, olha seu braço esquerdo e passa a mão levemente pela cicatriz em forma de "L" que fez alguns anos atrás, pra nunca se esquecer de sua irmã. Precisava de algum jeito sair dali com seus amigos, viver daquele jeito já não era mais viável.

Lembrou do segurança que apontou o fuzil no rosto de sua irmã e apertou a marca no braço com força, aquele sentimento foi horrível.

— O que há? – Pedro se senta ao seu lado.

Desde pequeno Pedro sabia quando alguém não estava bem, era observador apesar de sua aparência grosseira sempre estava lá pra ajudar um amigo, era assim na cadeia, era assim antes dela, e não seria diferente com o cara que salvou sua vida.

A história de Pedro é no mínimo cômica, desde os 6 anos sem pais, o ruivo de grandes olhos verdes passou a viver com um dos vários grupos rebeldes que o acolheram e o deram um lar, logo se tornou um deles, entrando em confrontos contra o governo, fazendo saques até aos 10 anos foi pego e preso sua marca no braço prova isso, todos os cidadãos quando presos recebem uma tatuagem como um código de barras, e essa marca fica pra sempre e sempre q Pedro a olha lembra dos horrores que viveu lá.

Mas ao 15 anos conseguiu fugir, graças a Denis, seu colega de cela, que tinha 19 anos na época, cachos loiros e olhos azuis esfumaçantes, com quem criou um laço de irmandade pra fugirem. Mas em plena fuga Denis foi pego e Pedro não conseguiu voltar pra buscá-lo. Sozinho, sem dinheiro, roupa ou abrigo, nem mesmo uma arma pra se defender, Pedro começou a caminhar por aí em busca de um lar.

E em uma de suas andanças viu uma barraca vazia, provavelmente quem morava ali já devia ter ido embora, pensou. E entrou lá, deitou e dormiu, ao acordar lá estava, um cara alto, negro e cheio de cicatrizes o olhando, com um revólver em sua testa, mas Pedro não se abateu e continuou frio esperando o disparo

— O que faz aqui? E quem é você? – O olhar de raiva de Toni não o indimidava.

— Quem quer saber? – Ele pergunta com calma.

— O cara que está prestes a te matar se você não responder minha pergunta.

— Não que eu tenha medo de você, mas meu nome é Pedro Soares.

— Olha Toni, ele tem a marca. – Isabella aponta pro braço de Pedro.

— Então, já foi preso né? E pela sua cara você fugiu.

— Deduziu bem grandão, agora pode tirar essa arma da minha cara?

Antônio se afasta deixando Pedro se levantar, contou toda história e disse que não tinha pra onde ir, Toni precisava de um amigo, morar com duas garotas pode ser difícil. No começo o trataram com desconfiança, mas foi cada dia que se passava um membro da família.

Tudo isso se passa pela cabeça dele sempre que vê Toni, o cara que o impediu de morrer de fome, ou frio, que em um dia dormiu com fome para que Pedro se alimentasse, e agora estava ali, os dois, no chão, observando o sol nascer, no fim daquela longa estrada, o que será que aquele dia esconderia? Sempre o sol trás uma surpresa nova, e na vida deles as surpresas nem sempre são boas.

— Sabe cara, fico aqui me perguntando se é uma boa idéia continuarmos aqui, no meio do nada.

— Qual é Antônio! Tá um caos lá fora, há pessoas se matando por um copo d'água, não é nada seguro sair daqui.

— Eu sei, mas quero dizer, deve ter outros lugares, onde a guerra ainda não chegou. Não quero morar nessa lona pra sempre!

— Tem razão, eu acho...

— Então é isso temos que falar com as meninas e...

— Falar o que? – Anna o interrompe ainda coçando o olho por acabar de acordar.

Anna, foi a última​ a pertencer a família da barraca.

Sua infância foi feliz a medida do possível, seu pai era dono de um mercado, então dinheiro não lhe faltava, tinha cabelos na altura da cintura e grandes óculo "fundo de garrafa". Seu pai sempre lhe deu tudo o que quis, além de amor e carinho. Era um homem rico e bem sucedido, feliz com a família que tinha, e Anna também era feliz.

Mas quando fez 14 anos o mercado de seu pai sofreu um ataque dos rebeldes, houve saque, mortes e sangue pra todos os lados, sua mãe morreu naquele ataque, o que mexeu muito com ela pois não sabia processar isso.

Começou a entrar em Depressão, sua vida mudou bastante a partir dali, o medo, a raiva, a tristeza, tudo isso misturado a tristeza do pai, que começou a agir estranho com ela depois de um tempo, tratando como se não existisse, com frieza e isso a machucava muito.

Em um dia de julho, estava frio e ela não tinha um casaco pra usar, já fazia 10 meses desde o ataque e ela e seu pai tiveram que vender tudo que tinham pra sobreviver, mas nesse dia, seu pai havia a chamado para dar uma volta, ela havia voltado a sorrir, seu pai estava começando a voltar ao normal, mas se enganou.

Seu pai, acabado e devastado, como um tipo de último recurso para não morrer de fome a vendeu para um dos ricos.

Os "Ricos" não são bem ricos de verdade, só tem cumplicidade com o governo, e por isso ganham presentes, que usam pra troca, troca essa que o pai de Anna aceitou pela filha. Ela só soube ao estar frente a frente com o homem velho e gordo que a comprou, tinha um bom carro e havia saído dele pra entregar o que havia prometido ao pai dela. Do outro lado, Toni observava a movimentação, esperava um erro de um dos três para que pudesse rouba-los, mas viu o olhar de nojo e medo da menina que nem sequer conhecia, mas sua empatia falou mais alto e quando o velho se virou para o carro, pra pegar a mercadoria, Toni disparou, o tiro foi certeiro em seu pulmão, ele caiu em cima do banco do motorista, o pai com medo correu, deixando Anna sozinha lá, e ao ver Toni com a arma na mão também correu, mas ele foi atrás dela, pra explicar que não precisava ter medo, e ele era muito mais rápido que ela então a alcançou facilmente, e parou em sua frente.

— O que você quer de mim? – Ela disse desesperada.

— Não tenha medo, não vou te machucar, só quero saber se aqueles homens fizeram algo com você. – Ele tenta por a mão em seu rosto mas ela esquiva.

— O que correu era meu pai, ele tinha me vendido pro homem que matou, você matou um homem, não se sente mal?

— Nesse lugar aqui? É matar ou morrer, e não vou morrer, e se vier comigo, você também não.

— Por que acha que eu iria?

— Você não tem muitas opções, ou vaga por aí até morrer de fome ou ensolação, ou acha um grupo rebelde e poderá ir presa e morrer por isso, ou você pode vir comigo, conhecer meus amigos e ver se uma das duas opções anteriores é melhor que essa.

— Ou eu poderia voltar pra minha casa. – Ela cruzou os braços.

— Com o pai que te vendeu por qualquer merda? É ótima escolha, até mais. – Toni deu as costas e começou a caminhar.

— Ei! Espere! Qual é seu nome?

— Antônio, mas todo mundo me chama de Toni, e você quarto olhos? – Ele se vira e sorri.

— Não é legal debochar dos defeitos físicos dos outros. Enfim, meu nome é Anna. E quero ir com você. Se tentar qualquer gracinha tenha essa arma em mãos por que te mato antes de você pensar em fazer alguma coisa.

— Olha, garota eu te salvei de ser escrava sexual, pelo menos agradece.

— Se amanhã eu ainda estiver viva eu agradeço.

E depois daquela noite, de festa por terem mais uma amiga, ela resolveu ficar, e nunca esqueceu do que Toni fez por ela.

— Toni estavam falando aqui sobre a gente sair daqui. – Pedro vira pra ela e pede pra se sentar.

— Que bom que posso contar tudo pra você né Pedro?

— Ah que isso, ela ia saber uma hora.

— Tudo bem, mas não é nada certo, nem sei pra onde a gente iria!

— Que tal o Uruguai? – Anna vira pra Toni e ajeita os grandes óculos fundo de garrafa.

— Uruguai? Onde ficar?

— Bem longe, mas é o melhor país da América do sul.

— Então, ao Uruguai que vamos!

— Anna, cadê a pirralha e a Isabella? – Pedro pergunta.

— Quando eu vim aqui fora a Lisse havia acabado de acordar e a Isa ainda tava dormindo.

— Isa não é de dormir até tarde.

— Tem razão Pedro, tem alguma coisa errada.

Os três entram na barraca de lona e dão de cara com Lisse devorando o que sobrou do porco de ontem.

— LOUISE! – Os três gritam em uníssono chamando a atenção de Isa que só levantou a cabeça e deitou de novo.

— Como pode fazer isso Lisse, isso era pra gente comer hoje no almoço e na janta! – Ele observa o estado do animal que só tinha ossos e uma pequena parte com carne. — Agora ficaremos com fome por sua causa! Você não tem 8 anos Louise, hora de pensar nos outros, É HORA DE CRESCER! – Toni sai furioso da barraca e Louise começa a soluçar tentando engolir o choro, seu irmão nunca havia falado daquele jeito com ela, e ninguém a defendeu, ela sabia que estava errada, mas a fome falou mais alto.

— Pirralha, eu só não te mato pq seu irmão iria me matar depois, mas você nem imagina a raiva q estou de você. – Pedro a olha com uma frieza de esfriar a alma e caminha em direção a Isa.

— Louise, o que você fez foi muito errado, precisávamos desse porco. — Anna a observa chorar e não tem coragem de gritar com ela.

— Eu sei, eu só estava com fome.

— E agora todos nós ficaremos com fome, espero que esteja feliz.

— Anna, vem aqui! – Pedro a chama com desespero.

— O que houve?

— É a Isa, ela tá pálida, com a boca rachada e ardendo em febre.

— Meu Deus, TONI! – Ela grita o nome do amigo que aparece imediatamente.

— O que houve? – Ele pergunta assustado.

— A Isa, ela tá mal.

Toni vai até ela e a examina com os olhos, ela não conseguia manter os seus abertos.

— Isa, o que você tem? – Ele passa a mão em seu rosto mas ela não responde.

— Velho, ela tá tremendo. – Pedro o olha com medo.

— O que temos de primeiros socorros? – Anna pergunta apreensiva.

— Nada, só curativos.

Toni põe a mão na testa de Isabella que arde em febre.

— Toni, olha isso no braço dela. – Anna aponta pra marca no braço esquerdo, próximo ao cotovelo, que mais parecia uma picada.

— Foi picada por algum inseto.

— Obrigado capitão óbvio, a gente não tinha percebido. – Pedro revira os olhos, mas Toni não o da atenção.

— Isa, você tá me ouvindo?

Ela não responde​, a voz não consegue sair.

— Isa, se estiver me ouvindo aperta minha mão.

Ela da um aperto fraco no dedo dele.

— Temos que a tirar daqui. Imediatamente, todo mundo arruma suas coisas, se tiverem o que arrumar. Louise, é com você também, e pare de chorar!

A menina começa a secar as lágrimas e pega o urso de pelúcia e a outra muda de roupa que tinha.

Os outros fazem o mesmo, pegam as coisas mais importantes e colocam na única mochila que tinham, uma enorme mochila verde musgo e velha.

Não tinham muitas​ coisas pra levar além de uma muda de roupas, sacos de dormir e armas, então foi rápido reunir as coisas para irem embora. Pedro pegou Isabella no colo, e depois de alguns minutos já haviam se despedido de onde moraram por anos, muitas, lembranças, memórias e recordações se passaram ali, desde a chegada dos irmãos Fraga, ao dia de ontem, era difícil se despedir daquele lugar, mas era necessário.

Já na estrada, Toni atrás dos outros 4, não para de pensar na sua amiga, lembrando de quando a conheceu, não foi em uma boa ocasião para variar, Isabella era filha de políticos odiados por todas organizações rebeldes, eram repressores e ditadores, como seu líder, mas como toda história de ditadura havia rebelião, e essa rebelião quase matou Isabella, em um almoço de domingo com os pais, quando tinha 12 anos uma bomba foi arremessada contra sua casa, que foi abaixo após explodir, ela ficou entre os escombros por dias, até Louise a ouvir gritando quando foi colher algumas flores na frente da onde era a casa de Isabella, e ir chamar o irmão, foi difícil mas conseguiu a tirar dali com vida, diferente de seus pais que não resistiram. Ela ficou descolada, amava os pais mais que tudo no mundo, não fazia idéia do que eles faziam com a população que era contra eles, e isso não a fazia os amar menos. Depois de alguns dias recebendo cuidados de Toni e Louise, logo ficou boa, mas após a pequena implorar pra Isa ficar, ela não resistiu, e esse foi o início de uma longa e linda amizade, se apoiando e se ajudando sempre, como irmãos, cúmplices no caos.


Notas Finais


O que será que acontecerá com Isa?


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