História Guia de remediação de um casal em plena desolação - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias EXO, I.O.I
Personagens Choi Yoo-jung, Kim Do-yeon, Lay, Suho
Tags Angst, Comedia, Crack Fic, Dodaeng, Drama, Exo, Fluffy, Fofo, Ioi, Lírica, Sulay, To My Babe, Weki Meki, Yaoi, Yuri
Visualizações 23
Palavras 6.708
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Festa, Ficção, Fluffy, Lírica, Orange, Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense, Universo Alternativo, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


a bia me desafiou a escrever 2YEON fluffy com briga e reconciliação — fiz o shipp errado;;;; vida que segue!

espero que goste doçura. e para de ser tão ciumenta.

Capítulo 1 - How to not be a heartbreaker


O céu parecia devassar em gotículas atormentados de tormenta rasgada; enfadem da constante desolação dos citadinos que pareciam acomodados pela tepidez inata que assolava atenuada os blocos de concreto obliquados e fulgidos dos arranha-céus aturdidos. Era mais uma terça-feira rotineira. Era só mais um barro do subúrbio com seus edifícios esmaltados em tijolos desgastados. Era só mais uma confusão de membros degenerados pela secura da vida e daquela tarde dispersada em seus múltiplos lástimas. Parecia que o mundo estava furtado por lamúrias capciosas – ou talvez fosse apenas o pessimismo gritante de Doyeon, que em qualquer circunstância minimamente óbvia é uma megera sem coração.

A bolsa amarronzada pendeu dos ombros e tomou parte no chão de linóleo em um repico de um barulho que lhe era tão conhecido. Os pensamentos afunilavam em temíveis espirais ao planar renitente pelo cômodo, parecia que aquele lugar não lhe pertencia. Parecia que o corpo não lhe pertencia, pois uma parte bradava apocalíptica ao deparar-se naquele constante esmorecimento que lhe levava a mesmice das lágrimas lívidas, era coisa de criança. Doyeon diluía-se em dor escarnada pelo abismo escarnado que lhe permeava o peito esguio a cada ponteio fantasmagórico  ao dar-se conta do torpor que a garota com sinceridade de criança lhe transpunha em cada relembrança.  Queria-lhe em labaredas, em dose cavalar, não nesta desproporção de refolhos de velhos sentimentos dolorosos que jurou ter arrancando ao reerguer-se na presença de quem tanto amava.  Mas por que agarrar o telefone e discar o número que havia lhe encarnado miríades de sorrisos que dançavam no antelábio parecia tão difícil? Quase como o fardo de acordar todas as manhãs e ver-se estirado em retesos da parca disposição de encarar um mundo quebradiço em seus rabiscos — rabiscos de gente empacada em vozes que foscavam a laringe com seus ternos e murmúrios desistentes.   

Doyeon jamais pensaria que em plena altura do campeonato se veria impelida por tal armamento tão nebuloso de vertigens intravenosas – em seu credo mais premente, achava que discrepâncias tolas por amenidades que não deveriam bambear um relacionamento tão estável e permeado por expoentes camadas da mais pura reciprocidade, genuinamente apeado por um mesclar irascível de amor e ardor. Sinônimo de resiliência abrangente. O que era para ser o antônimo de abandono tornou-se mais um pontado de lividez inoportuna — mas lembrar-se era como uma roleta-russa. E Doyeon sempre fora fissurada por masoquismo.

Yoojung era como o antisséptico que lhe curava de infecções externas e internas. Cometas em borrifos de sua plenitude astral.  A fuga do ressentimento e desalento. Yoojung era manhã de sol e girassóis. E Doyeon não achava justo ela ter se sujeitado ao esvaecer como a garoa repentina de tantas e tantas segundas-feiras; não achava justo ter que lidar com os compartimentos murchados de seu ânimo anulado. Debater-se em assombros nunca fora tão recôndito quanto o agora. Precisa de uma solução, o mínimo sinal de uma possível recuperação.

Um sôfrego lastimo perpassou os lábios e derramou-se em pontilhos de martírio pelo apartamento – apenas mais um sinal de alerta da pertinência da abstêmia de um conforto respaldado; mais um sinal da conduta pouca que impedia-lhe de alcançar o aparelho e despejar a quem atrevia-se a enfrentar seus demônios estes mil e um devaneios. 

 

 

Encarou-se no espelho embaçado do banheiro, desgostosa com o azedume que encarquilhava qualquer sinal de boa-afeição. as orbes pinceladas por desertor de sua dor pungente cravejavam-se na decadência deflagrante. Cacofonia estável no uniforme amarelo-queimado e no rabo-de-cavalo – o rabo de cavalo que Yoojung gostava entoar como graciosidade crivada. Um regateio da discussão regada em causticadas perpassava a mente a cada milímetro de segundo que se obrigava a vaguear o olhar pelo loft e não pelo seu atulhado taciturno de lamurio noturnal.   

Porque não eram as pantufas azul-bebe do Pernalonga; não era a moldura estilizada por corações que ela mesma havia escolhido a dedo; não eram os post-its pregados em hieróglifos da caligrafia disforme, era o sentimento descabido que chamuscava sua percepção ao ver-se em perda de noção. Andando em brasas pelo relicário de lembranças rememoradas em lambança. Jamais poderia ter o mínimo conhecimento de que era possível desvaecer de paixão.

E nem parecia que havia se passado apenas uma semana. E nem parecia que haviam dividido o edredom enquanto compartilhavam risinhos dignos de colegiais obtusas ao se empanturrarem de biscoitos amanteigados defronte a papeares sobre sonhos lapidados por lápis de cor cinzentos e selares vagarosos com gosto de compostos químicos e liberdade.  Santa liberdade. Era tudo que Doyeon clamava naquele exato instante.  

De acordo com qualquer princípio minimamente crível, espairecer a mente era o pressuposto mais óbvio e de fácil recorrência para tratar do torpor gangrenado da sutura que não cicatriza e nem ao menos se estabiliza. Decidiu por findar o olhar desmazelado no espelho que lhe arrancava o véu dos arquejos e gracejos soldados em uma simpatia limitada aos fregueses que apinhavam a cafeteria, abarrotada de semblantes ensejados pelo milagre de um novo dia e expressões genuinamente felizes de quem se habilita a uma torta de hortelã em um flamejante amanhecer que logo haveria de ser desinibido em esquecimento enquanto se disponham do relento.

Precisava de um banho fumegante o suficiente para lhe lavar a alma e os percalços sacanas que lhe levavam a lama. Nessa teia de dilemas ferrenhos, o ideal era imergir-se em uma banheira de cobre e sentir-se soterrado pelos mocambos de qualquer melodia dilatada em palavras vazias — mas Doyeon não detinha de uma banheira de grã-finos, a única coisa que detinha era um chuveiro de uso pouco racional.

...

Como esperado de qualquer individuo destituído das maneiras diversificadas de lidar com o próprio aturdimento, Doyeon sempre se sentia impelida a deixar tudo nos trinques quando se sentia cansada ou quebradiça como naquele exato instante enquanto perdia-se no próprio horizonte de planícies azuladas e declivadas ao vocal minguado em exilio soturno do Chris Martin – ninguém sabia como entoar dores retesadas como aquele cara. E claro que ninguém conseguia ouvir “The Scientist” sem debulhar-se em lágrimas. Ou ver-se suficientemente tentado a derrubar o único porta-retratos com foto da namorada – porque Yoojung era um esplendor só com o gorro de urso-pardo e as bochechas rubras pelo frio de Osaka.

Merda...

Praguejou consigo em um timbrado tão inflamado que lhe fez sobressaltar por um pífio instante em sua inconstância. Decerto, Doyeon via-se constantemente emplastada pelos quilogramas crivados em seu ombro do término – odiava tal palavra que jamais fora falada; odiava fervorosamente ter que lidar com o absinto dessa tal sina que lhe obstina a tê-la de volta a todo custo e nem ao menos pressupor-se a mobilidade de tê-la de volta para seu intraespaço de aconchego e desejo. Esse tal ir despudorado de qualquer. Doyeon viu-se imponente o suficiente para nem ao menos encarar os estilhaços do porta-retratos. Parecia que a incumbência colossal de ver-se conspurcada pela ausência mortal da presença daquela que ainda jura de pés juntos estimar e amar incondicional  lhe devorava. Parecia que até nos rasgos forjados do sofá por atos enganosos no caminhão da mudança Yoojung encontrava-se lá. A espreita com os olhos afetuosos e rasgadinhos, com o sorriso que lhe definhava desordeiro no seu leito de embaraço por tê-la em seu enlaço, e, principalmente, com a fala forjada em sinceridade ao lhe fazer rir como se o mundo fosse aquele desenho em absurdeza que se encaixava nas estáticas da TV. Era como ter uma música do Varsity relampejando a mente em dominância — e até mesmo a melomania de canções mergulhadas em desamores lhe lembravam da implicância propagada por Yoojung ao ver Doyeon enclaustrada nos cobertores com cólicas encravadas em cada sinapse nervosa do corpo, enquanto com sorrisos milenares em sua parcimônia lhe convidava para dar um lero na cidade apenas para lhe garantir o último sorvete de melancia da lojinha da esquina que sempre parecia acomodadiça em demasia.

E fora dolorido ter que varrer os caquinhos que jamais haveriam de ser remodelados, nem ao menos havia lugar para a eternidade das fotografias. Só mármore lustrado com cheiro de alfazema. Um cheiro fétido que lhe retorcia o nariz arrebitado e fazia com que a garota de cabelos úmidos desejasse se recolher nos cobertores quentinhos enquanto bebia de um bom-vinho – um Chateau seria ótimo, mas nem São Braz parecia lhe consolar.  

E como diria o ditado: nada estaria tão bom se não pudesse piorar. Dizem que a grama do vizinho é sempre a mais verde, mas o desprezível discursista que ousou afirmar tal coisa não imaginava que em apartamentos decrépitos tal regra não havia de se aplicar. Porque não há grama naqueles apartamentos – só um ensacado sintético com cheiro de esterco – só há vizinho que tocam guitarra e tem péssimos vocais a qualquer hora. E Doyeon tinha o imensurável desprazer de ter que lidar com um chinesinho barato sempre predisposto a acabar com o seu dia.    

— Chinês bastardo de merda. Vou quebrar todos os ossos desse resto de esperma se ele continuar com esse alvoroço.  Eu juro que vou denunciar esse grande filho de preula se ele continuar com essa baderna sempre que fica com abstinência de pica. Como se não bastasse ter um martirizado nessa pocilga, ainda tenho que lidar com um atormentado que veio das vielas de China Town para atormentar gente de virtude e filhos para criar.

 

Doyeon jamais fora entusiasta de xingamentos rebuscados – ou de quaisquer xingamentos minimamente pejorativos. Normalmente deixava a parte de inflação irada para Yoojung, que  apesar da estatura diminuta sempre tinha a dose ideal de destilação para partir para os conformes. Doyeon com seus olhos obsidiados preferia observar o circo pegar fogo no conforto de sua imaginação fértil em arteiras artimanhas dignas de qualquer vilão obsoleto de animações conturbadas. Mas agora que sua válvula de escape favorita havia batido em retirada com o rabinho entre as pernas, restava-lhe juntar os poucos culhões que detinha no seu mormaço, arregaçar as mangas e torcer para que o tal bitolado do andar de cima não posse um brutamonte de dois metros que mandaria suas maquinações para titia.

E não havia nada melhor do que dar vazão ao enraivecimento que protestavam em seu clamor de ver-se liberto de um retorcer de lábios envesado ou de qualquer vinco eternal. Não era que o barulho era realmente insuportável – era melhor do que o futrico desinibida do casal afogueado do 302  — , contudo ninguém aguentava mais derramamento de dores desafinadas do Three Days Grace — ou qualquer banda que se iguala na insensatez.      

Porque de detritos de relacionamentos infundados já bastava Doyeon.

E era óbvio que pouco se importava se não era nem um pouco cabível reprimendas regadas ao pijama arroxeados da Princesa Caroço que Doyeon trajava com o orgulho suficiente que uma garota de coração partido e vigor deturpado podia carregar na expansividade cravejada dos olhos castanhos que se alertavam para que um perpétuo desastre não se concretizasse ao subir os degraus com um vigor de uma corça – mal parecia que havia acabado de se ver na estranha liberdade de um turno duplo que assemblava tortas cremosas e gente ruidosa.

Doyeon estalou a língua no céu da boca antes de ver-se frente a frente no seu destino final. Era a primeira vez que falaria formalmente com o vizinho, mesmo que sempre o visse todo sorrisos onde quer que fosse. Parecia que o sujeito estava sempre repleto de endorfina para dar e vender. Com suas camisas em farrapos e lápis de olho borrado. O tipo de babaca que carregava o violão e sempre tinha uma lírica de antemão. Para esse tipo de gente Doyeon preferia do conforto de uma cara amarrada e dos óculos de sol baratos.

Preferia o estrépito de um boi mugindo no seu ouvido do que ter que lidar com aquela barulheira que estremecia seus ouvidos sensíveis. Poderia arranjar uma indenização se realmente adquirisse qualquer problema auditivo, mas hoje o dia estava propenso a discussões acaloradas.  E mandar o vizinho diligente a merda parecia muitíssimo apropriado na atual conjuntura da situação. Portanto, livrou da cerimonia e desatou a bater na porta de madeira gasta como se sua vida dependesse disto – de fato sua sanidade realmente dependia da boa-vontade do chinês fajuto.

Felizmente, o estúrdio abriu a porta com uma celeridade invejável, com um jorro de perfume barato e um sorrisinho enviesado que facilmente poderia desenvolver-se em um ranço prematuro em Doyeon. Mesmo que ela aparentemente já repudiasse cada aspecto do tal que nem ao menos sabia propriamente o nome.

 — Então, querido vizinho, será que poderia encarecidamente diminuir o barulho desse troço que você ousa chamar de música. Antes que meus tímpanos rompam-se e eu seja obrigada a dar um sopapo nessa sua carinha lesada de quem parece não dar a mínima para regras de convivência e suas implicações. Porque claramente ainda existem cuzões nesse mundo  que se encontram suficiente predispostos a acabar com a noite suficientemente arruinada alheia. E eu acho que posso argumentar com razão que todos os moradores desse prédio, sem nenhuma exceção, não suportam essa gritaria desarmonizada. Estamos em plena evolução, só queime essa porcaria de agudos acuados.

Doyeon esforçou-se ao máximo para desferir um sorriso afável e campestre a ponto de impor alguma vaga noção de senso nos miolos fritados do chinesinho de uma figa. No qual a constância do olhar bruxado lhe dava nos nervos. Aquela era a plena definição de um dia de merda.  E nem ao menos sabia no que exatamente lhe deixava mais enfuriada: a arruaça aparentemente incompatível com qualquer cadência agradável; o comichão no ouvido esquerdo; ou o fato de que o estorvo nem ao menos sabia passar lápis de olho com diligência, ou melhor, se disponha a usar lápis de olho com uma regata sebosa do Nirvana. Doyeon nunca desejou arrufar Fuck You da Lily Allen na cara de alguém quanto agora.

— Errr... Bem, ainda são sete da noite. Ou seja, não é como se eu estivesse atrapalhando a vida de alguém. E sabe que não pode dar voz a todos os moradores do prédio. Eu já moro aqui faz três meses e nunca recebi reclamação alguma. Sou o que pode chamar-se de exemplo de morador. Até convoquei todo mundo ao movimento das eco-bags e das caronas solidárias. Ah, e que pijama legal! Você parece pilhada!  Quer chá de camomila ou coisa assim? O Myeon faz um chá que vou te contar. Verdadeira ambrósia dos deuses. E vai ser incrível ter uma amizade nesse prediozinho tão supressivo. Apesar de sua cara mortal ainda assim parece alguém digno de um papo. E, bem, eu tenho o objetivo ultrassecreto de fazer o mapa-astral de todas as pessoas que conheço. Creio que se encaixa nessa estatística.

Ou Doyeon estava delirando, ou aquele neurótico havia vindo de alguma camada de Tatooine, ou ele era realmente tão condescendente a ponto de reservar um lugar da sua simpatia e cinismo descabido para oferecer um lugar vitalício naquela seita para Doyeon – que definitivamente passava longe de qualquer palmado repudiado de apartamentos com cheiro de avelã ou de qualquer lunático que usava lápis de olho e parecia ter um arsenal prontificado para esmiuçar sua espinha dorsal.

— Ficou maluco? Acha mesmo que eu quero ser amiga de um pirado da selva que se acha o maioral por tocar essa música obsoleta. – Doyeon cruzou os braços em clara posição de dondoca aristocrata arrebatada pelo achismo do chinesinho sem-noção – Bem, você é inconveniente, prepotente, e nem ao menos saber como passar maquiagem como um ser-humano minimamente domesticado. Tenho ótimos tutoriais no pinterest para te dedicar, pena que não tenho a menor pretensão de ser vinculada a um arruaceiro preso em dois mil e um. Enfim, enfia o chá naquele orifício que deve conhecer profundamente.  E tenha uma péssima noite, seu resto de esperma maldito.

Doyeon regalou-se com um sorriso tirânico enquanto dirigia-se para o enclaustro da amargura dos lençóis de casimira — mesmo que desejasse ter o conforto de braços costumeiros que lhe domavam por inteiro. Mas seria definitivamente interessante assistir um documentário sobre a vida de lideres de torcida enquanto esperava a insônia parar de dar as caras.

E tudo continuaria na plenitude da serenidade se não fosse pelo maldito metaleiro desestabilizado lelé da cuca que parecia afincado em lhe encher o saco.  Tão decidido que até mesmo lhe parou no corredor, com um tupperware nas mãos que parecia ter surgido dos lameiros daquele apartamento que o depravado ousa chamar de lar.

— Espera! Eu tenho bolo de chocolate! É orgânico e é livre de glúten! – do jeito animoso que o descentralizado falava Doyeon só pode achar que no mínimo a guloseima é batizada. — E eu falei sério sobre o mapa astral! É critica sua situação. Posso sentir suas vibrações.

Em nenhuma circunstância Doyeon acharia que seria abortada por um desvairado daquele nível de persistência. Praguejou por ter se esquecido do spray de pimenta, a morte agora lhe parecia bem-vinda. Até mesmo a grama com cheiro de estrume era melhor do que lidar com aquele destrambelhado de quinta categoria.

Respirou profundamente antes de virar-se tão descaradamente que um sorriso dócil encobria-lhe a mente. Profundamente tentada a aceitar a oportunidade de Yixing.

— Caramba, tu é doido mesmo, cara. Vou chamar o camburão para te prender, porque não é possível. — Doyeon apesar da pose firme, pôde facilmente perpassar pelos olhos amaciados de Yixing e ver que ali havia sinceridade. E sinceridade era tudo que precisava naquele exato instante de instabilidade totalitária. —Mas eu não estou em meu senso, vamos nessa. Se você for um estripador, eu ainda tenho minhas técnicas secretas da C.I. A para lhe deixar eunuco em menos de cinco segundos. Mas antes preciso saber seu nome. É o mínimo do mínimo. A propósito me chamo Kim Doyeon. E isso é tudo que precisa saber.

— Yixing. Zhang Yixing. 23. Estudante de Gastronomia. Gosto de Astronomia e de movimentos ambientais. Tenho uma banda que procurava resgatar apuradamente tudo que se há dos anos setenta. Minha banda favorita é Beatles. E eu namoro o cara mais fofo do universo. Ou, além disso, quer dizer, Junmyeon é tão inebriante que nem ao menos parece ser deste universo. Talvez do Éden, condiz muito...

Doyeon sentiu que se não emudecesse o rapaz com suas tiradas vangloriosas acabaria por se ver fadada ao escutar a ladainha do tal Yixing a noite inteira – e mesmo que sua voz fosse reconfortante na medida certa, não lhe era lá muito interessante ter ciência da vida do provável Jack, O Estripador em versão lite.

— Eu pedi teu nome, guri rapado. Não a tua ficha criminal. Aquieta o facho e me leva para tua humilde residência. Porque eu juro por Rá que não tenho nada para fazer nessa noite ferrada.

— Ah, desculpa. É que eu realmente gosto de falar sobre mim, entende! Eu me acho uma pessoa deveras sensacional. Não é todo mundo que sabe fazer lasanha de berinjela e tem um namorado fera em sentinelas em Counter Strike.

 — Yixing, só cala a boca, por favor. Tudo bem? Seja um bom menino, talvez eu te perdoe por ser um estorvo e ficar pernoitando com sua barulheira infernal. Seja inaudível e passivo a qualquer custo.

— Mas eu meio que já sou passivo... Sabe, na cama e tudo mais. Se eu contar das coisas que o Myeon faz entre quatro paredes...

— ZHANG YIXING! – a voz de Doyeon soou tão estridente que poderia acordar o prédio inteiro se quisesse. — Eu não preciso dos detalhes sórdidos, estarei feliz em não ser sobrecarregada por vida sexual alheia.  Principalmente quando diz respeito a sua. Tenho que lidar com a recente inexistência da minha...

E claro que havia caído em declínio ao lembrar-se de Yoojung grunhindo seu nome enquanto dilacerava a cintura com suas censuras. Tão incontida, mas tão facilmente dominável...

Mas preferiu repelir aquela avalanche sensitiva enquanto sentia-se compassiva o suficiente para seguir o corredor estreito com Yixing ao seu encalço – que murmurava alguma canção que lhe pareceu com Hey Jude. Ou qualquer coisa positiva que pouco parecia combinar com o estado de ânimo de Kim Doyeon.

Casca de Laranja e acolhimento. Aqueles eram os eflúvios proeminentes do apartamento do Zhang. Visivelmente arrumadinho e notoriamente bonitinho com os cata-ventos e caleidoscópios na prateleira de livros propositalmente empoeirada.  Era um apartamento modesto, mas tão malditamente adorável que Doyeon achou conveniente explorar cada cômodo, se não fosse pela presença indevida.  Havia um garoto um tanto estirado no sofá com estampa de vovó – daquele jeito de quem já é intimo que já se vê como parte da casa – e pelo suéter e pelos óculos de Clark Kent o tal só podia ser o Junmyeon. E a última coisa que Doyeon desejava naquele momento era aguentar obscenidades de um casal perfeitamente aceitável com suas proporções e jeitosidade de modelo. Disformes que se completam. Lembrava-se da abominação de Yoojung por qualquer ideal mínimo de perfeição. Lembrou-se até mesmo do seu perfume de cranberry que gruda na perna e te deixa um tanto desesperado por ver-se longe da sensação tão aprofundada. Parecia humanamente impossível não pensar na desertora de sua fracassada vida. Doyeon estava no pleno processo de aceitação da fossa. 

— Você deve ser a Doyeon, não é?

A Kim estreitou os lábios e crispou os lábios como maneira absoluta de ressaltar sua desaprovação pelo fato de um completo estranho saber seu nome. Como se não bastasse ser fatidicamente esquartejada por um chinês metido a besta, ainda teria o desprazer de ser desmembrada por um gigolô de boutique.

— Talvez. Olha, eu acho que vou embora. Isso foi um erro. Acho que estou delirando pela hiperexposição à tortas de maçã cremosas. Céus, eu realmente preciso ir embora.

- Hey, não sei bem como começar. Nada de desculpar ou dramalhão exagerado para reverter à situação. Só eu de coração. Para uma plateia extremamente inclusiva, por sinal! Bem, eu não queria aparecer de mãos vazias nesse processo tão doloso de recuperação e exbibição. Então perdoa pelos meus mil e uns declives e zeros acertos. Talvez eu pareça como um cacareco cheio de retalhos, mas o Junmyeon insistiu em me enfiar em sua criação     . Há um adento: obrigado casal mais distintivamente estranho da Seoul University. Vocês são as única spessoa que ofereciam o apartamento como palanque para uma completa desvairada. Voces são foda e estou eternamente em debito com os dois.

— Yoojung, para de estragar o momento. O vestido que eu fiz é absolutamente adorável. E nada do que você possa refutar será suficiente. Eu até mesmo tentei deixar parecido com alguma coisa que J.J Martin faria. E vintage é sensacional.

Assim como seu namorado, Junmyeon detém de uma língua que irradia incômodo a cada vez que destrambelhava a dar pitaco em algo que realmente devia perdurar no contemplar da observação. Felizmente, ele havia sido sensato o suficiente para fechar o facho no instante em que Yixing decidiu por beliscar-lhe o ombro. O que resultou em mais um praguejar e um bico do tamanho de uma constelação inteira nos lábios.  

— Só prossiga. O Junmyeon tá sendo inconveniente. O que é do seu feitio. Sabemos que ele é um cavalheiro. Mas sabemos que você, Choi Yoo-Jung, tem sua parcela de culpa por não aceitar minhas sugestões de música. Seria perfeito se se pusesse a cantar Ed Sheeran com essa voz aveludada de Ariel. Mas meio que prefere dar mil e uma bolas fora.

Yoojung só poderia estar perdendo os poucos neurônios que lhe restavam ao recorrer por ajuda justamente aos fugitivos do hospício mortuário por aquelas bandas. Mas levando em conta que ela havia se disposto a uma vestimenta comparável a um atulhado de panos floridos — moda definitivamente não se enfiava na cabeça torta de Doyeon. Sua estética de superação não era nada além de desastrosa.

— Você queria para que cantasse Perfect. Ninguém suporta teu gosto musical horrível, Yixing!

A expressão aturdida de Yixing poderia dar um meme louvável por gerações inteiras nos cafundós da internet. Mas acabou por se absolver instantaneamente pelos fuzilares de olhares insistentes de Junmyeon  — que ainda parecia extremamente magoado pelo beliscão. Doyeon poderia até mesmo acrescentar uma reprimenda, mas parecia ocupada demais ao se perder no sorriso catastroficamente celestial de Yoojung. Jamais entenderia como alguém poderia personificar garoa e abstração em um sorriso.   

— Vamos ignorar os cavalheiros boçais que não sabem o que é educação. Justamente em um espetáculo de tanto requinte. Como principal atenção teremos Without You do Oh Wonder. Que bem, é a música mais linda que já ouvi. Lembra-me seus olhos. E eu preciso que teu sorriso seja meu eterno Vale a Pena Ver de Novo. Yixing, traga sua bunda raquítica para cá com seu violão.

Doyeon jamais poderia entender como esses hippies detinham de violões coloridos em cuía com tanto entusiasmo e sorrisos trespassados. Bem, apenas esperava que Yixing não se atrevesse a dar um berreiro sequer. Não era como se ele cantasse mal. Só se atelhava por demais ao péssimo gosto musical. E a voz de Yoojung era realmente o que poderia declamar como o canto de um rouxinol edênico. Ou o mais próximo disso de tão eminente.  

— Peraí... Como assim vai cantar Oh Wonder? Para mim? Olha aqui Yoojung, se acha mesmo que vai passar impune por me fazer ter um ataque do miocárdio na casa alheia, você tá muito enganada mocinha.    Acho que devo pensar em um super ataque de cosquinhas ou algo tão horrendo enquanto. Enfim, saiba que vai pagar. Só prossiga. Antes que os alienados por declamações infladas torçam meu pescoço...

Sabe aqueles momentos que o mundo congela por o que parece ser um trago de eternidade? Como um vislumbre de seu futuro? Como se sua vida inteira houvesse sido um completo desperdício sem à sua pessoa por lado; como se nada valesse a pena de verdade.

E Doyeon jurou que gotículas de expressão intocadas se formaram nos olhos insones. Nunca fora alguém que apreciava essas grandes representações shakespearianas de amor embananado. Mas como poderia ao menor se atrever a não derreter-se por inteiro ao deparar-se com Yoojung cantarolando tão docemente para si. Alguém sem estribeiras ou o mínimo de cordialidade. Alguém que não merecia um alguém que se disponha a lidar com um casal de bitolados, vestidos horrorosos, e um corista de gosto musical minimamente duvidoso.

Definitivamente amava com todas as suas parcas forças aquela garota. E quando a dona do seu coração deixou o à capela de lado para abrir as suturas de seu coração, Doyeon pôde jurar que iria padecer em desolação.

— Enfim, detesto falar em público. Mesmo que a casa não esteja particularmente cheia nessa noite repleta de mil e um acontecimentos.  – um arquejo de um sorriso fresco pincelou os lábios em desvelo. – Mas necessita saber do quão arrependida estou. E não é só por meio de palavras devastadas de músicas alheias que terá isto, Doyeon. Eu quero minimamente me recompensar por tudo que me trouxeste, pelas tuas andanças que se tornaram esperança. Eu ainda lembro quando te vi. No café que trabalhas, andando toda esbaforida com os cabelos em pé. Eu atulhada de livros mal estudados e frases perturbadoras na cabeça enquanto te via rodopiar por mil e uma mesas com um sorriso analítico cenicamente ensaiado. E eu juro que poderia perder e me entregar em ti em cada nova prova da tua fonte da perdição com cheiro de consolo e açafrão. De acordo com os mil e um preceitos que adornam a psicologia o amor tem dois destinos que não valem a pena se atentar. Ainda sou uma pobre estudante cética por desilusões. Mas deveria saber que há uma menção que eu acho que cabe perfeitamente em ti: que o sujeito ama a si próprio a partir do outro. Ama no outro aquilo que foi, que é, ou o que gostaria de ser. Eu não vou ficar parafraseando ninguém só para me abster de ressurgir esses sentimentos limados e orgulhosos. Mas eu acho que não tem conceito nenhum que se aninha em você.  — em constante resfolegar, era assim que Doyeon encontrava-se ao se deparar com o que provavelmente dava de vinte em qualquer soneto de Shakespeare com tamanha perfeição no dedilhar do palavrear. Era demais que pudesse se aguentar. Já estava quase empapando o suéter grã-fino de Junmyeon com suas pitangas em cárcere. — E, desculpa de verdade pela minha gritante insegurança que me faz perder as estribeiras, sem eira nem beira. Do que importa se estava conversando com seu ex? Mesmo pelo histórico lamentável de discrepâncias que teve, eu não deveria ter essa posição detestável e ter discutido por algo que eu nem ao menos sabia direto. Acho que nunca vou saber lidar com esse medo gritante de te perder. Foi em ti que eu me encontrei. Doyeon, você é tudo que músicas melosas de amor juram impossível de se obter. Estamos em um mundo tão ferrado que se torna extemporâneo ao menos pensar em ter alguém para toda a vida. Alguém que possa se derramar sem se afogar. Ou ao menos falar bobeiras sem medo de se ridicularizar. Eu sou absurdamente péssima com absolutamente tudo. Cheia de remendos e agouros, mas quando te encontro no meio do meu desatado, eu sou irremediável em meu desastre. Eu não ligo se turbilhões nós fazem escravos da paixão, mas não é nada fácil se rebelar dessa emoção, não é nada fácil me ver sem você. E não importa o que venham de acontecer, todos os caminhos levam a ti. E sem ti, eu juro, eu não sei viver. E só sobreviver não me basta. Sabe que meu quebra-cabeça tá incompleto, falta tua peça, falta teu carinho, falta tua boca na minha me levando a paraísos retilíneos... Eu quero mais do que tudo tu me tirando dos eixos e engolindo minha cólera brutalmente.  Eu sei que seu tempo é corrido, mas será que ainda pode arranjar um espaço para me ter?

— Yoojung, como pode me deixar tão desolada só com a mera ausência do teu toque? Juro que quase enlouqueci e perdi a razão sem teu carinho me abrandando e me levando a teus lábios aveludados.  E foi absurdamente errado ter me prostrado a conversar com o babaca que nem vale a pena ser relembrado. O ideal é que ele seja desmembrado, odeio homens, por Deus.  Eu não faço ideia destas tuas ideologias maiorais, mas eu entendo de ti. Entendo do que te compõe, da tua partitura, das tuas levezas e vulnerabilidades.  Eu literalmente amo cada pedacinho seu. Não é loucura afirmar que tudo que eu quero te amar. E quando se vive em uma geração onde a moda é repulsa de sanidade escassa, amar é um ato de plena coragem. E como eu poderia desprezar essa coisa toda pomposa que parece ter sido tirada de The O.C. Tirei coragem para te amar das minhas entranhas.  Você é a Emily da minha Naomi, então acha mesmo que pode simplesmente bater em recuada e me deixar de braços abanando? Sabe que sou durona e não descanso até ter o que eu quero, paixão.  E sabe que sempre vai ter um espaço para ti no meu cafofo, já é parte da mobília, guria.  E não preciso de analogias para dizer que te amo para caralho. E que chega de sufoco, você é a única que pode aguentar meu eu desbocado sem tentar me moldar em lições de morais da carochinha. E eu nunca deixei de te der. Já é parte constante da minha conjuntura. Sem frescuras, só vamos esquecer essas sinuca de bico e se envolver de novo uma vez? Minha cama jura que sente tua falta.

Chiclete de melancia. Era este o gosto dos lábios de Yoojung quando lhe faziam delirar em seu teor altamente idílico. Sonhos batendo em retirada, fogos de artifício, estupor paradisíaco. Não importava se era piegas ou brega, amava aquela garota de verdade. Com toda a pífia força de sua carcaça. Queria ter-lhe eternamente em seus braços e engaços. Queria que os lábios ficassem dormentes de gastura de sua incisura.

— Eu te amo. E vou repetir isso até que isso fique encravado e encarquilhado na tua mente, guria. Como se atreve a me deixar desbancada no terror daquele apartamento? Já é parte da mobília. Meu estéreo pessoal. Então vê se volta logo de uma vez.

Doyeon sempre fora meio sacana, totalmente do avesso com suas tiradas nada originais. Mas era justamente naquilo que Yoojung padecia, sendo a estudante certinha com pinta de modernista. Era congênito não resistir a vadios com dois metros de perna e estilo digno da coleção do verão passado. E claro que não poderia resistir à insurgência de palpitações do seu coração assanhado ao se entregar inúmeras vezes.  

Podiam perfeitamente continuar em seu próprio mundo se não fosse pelos grunhidos assombrados em seu encalço. Ah, Doyeon havia-se esquecido da sua confinação em conjugues pirados. Não bastava morrer, tinha que morrer após ter se consolado com a namoradinha. Mas por olhadelas descobriu que era só Yixing espirrando com os olhos marejados enquanto Junmyeon parecia achar o melhor ângulo para sua live no Instagram. Que por acaso devia ter uns zilhões de seguidores, levando em conta que a criatura era digna de aparecer no Project Runaway. Não seria um grande mal se Doyeon e Yoojung levassem a ser o novo casal trend da nação. Mas realmente seria estupendo cair o fora dali antes que fossem devidamente esfoladas – sabia que por detrás de tanto loucura haveria um machadinho dentro do violão centenário.

Por isso decidiram sair de fininho, tentando absolutamente não reter nenhuma característica absurda do apartamento estupefato em seus perdulários. Tinham um próprio ninho de amor para consertar — e um próprio ressonar de molas de cama para reatestar.

 — Então, a gente já vai indo. Sabe, foi fenomenal toda a força. Vocês merecem qualquer prêmio humanitário por tamanha benevolência. Espero que se esbarremos por aí pelo elevado. E é isso.

Claro que Yoojung fora a detentora da despedidas – e a que entrelaçou os dedos no seu para que o acalento lhe abrandasse por inteiro e nem ao menos ousasse soltar qualquer agradecimento que soaria como a pior das ofensas.

E poderiam ter ido embora se o sorumbático do Yixing não lhe conduzissem até a porta enquanto tagarelava bê-á-bás em seus ouvidos fatigados.

— Vocês sabem que precisam quitar a dívida, não é? Pela ajuda e tudo mais. Eu tenho um caderno com todas as pendencias da minha vida, então não é como se pudessem sair impune dessa. Mesmo que eu esbanje dinheiro, não é como se gratidão pagasse a minha vida.

Junmyeon é definitivamente um estraga prazeres. Um dia Doyeon enfiaria uma bazuca naquele sorriso cheio de dentes alinhados, tinha plena certeza. Mas preferiu levar a dianteira a Yoojung, que parecia ser a mediadora das piores situações.

Um encontro duplo? Diz que sim, por favor. Veja só, a Doyeon tem um emprego de merda e eu sou universitária. Não temos grana para ráfia ou qualquer coisa expansiva. Então, podíamos ir ao boliche e sermos uma afronta para a sociedade juntos. Eu adoraria ver vocês dois sendo psicóticos em público.

Mesmo que Junmyeon parecesse visivelmente envesado pela sugestão equivocada, Yixing ainda partilhava de sua costumeira harmonia enquanto enrolava os dedos no cabelo engomadinho que deveria feder a laquê vistoso de Junmyeon, parecia que o toque havia lhe dado um tanto de fibra, pois havia se assentado em um instante.

— Um encontro duplo seria incrível. Quer dizer, eu e Myeon nós conhecemos a apenas dois meses. Foi a primeira vez que presenciamos uma briga tão animalesca com uma reconciliação tão cinematográfica. Sabe, bem aquelas cenas açucaradas que te fazem afundar no assento do cinema de tão adorável. E vocês duas são adoráveis, de verdade. Se vocês brigarem novamente eu mesmo colocarei algum juízo nessas cabeças tortas e avoadas. OTP é uma coisa muito séria.

Yixing parecia uma ovelhinha ressurgida de um campo cheio de feno e ranho. Doyeon gostaria de não ter escavado seu arsenal de xingamentos e ter sido um tanto mais gentil agora que havia descoberto o tal cupido que reganhou um espaço em seu coração em desgelo.

— Bem, acho que é uma recompensa justa diante de toda a ajuda. Mesmo que vocês duas aparentemente sejam palermas que não sabem como se resolver.   

Junmyeon poderia ser advogado do diabo com toda aquela pose, melhor seria que Yixing o levasse para fora dali antes que Doyeon desse vazão aos olhares retorcidos e entreolhares.   

— Junmyeon, você é como um rato de colarinho branco. Não sabe o quanto eu quero esbofetear sua cara nesse momento.

Antes que Doyeon realmente esbofeteasse Junmyeon, Yoojung decidiu findar tal rixa e arrastar Doyeon em arrufar para longe do templo do amor —a última coisa que precisavam era de mais uma intriga no edifício. Já não bastava a senhora do 408 que sempre ameaçava colocar uma infestação de ratos na comida dos deliverys madrugeiros eu passavam sempre na larica tardia.

Felizmente, Yixing se assegurou das despedidas com abraços muito apertados e mil promessas de mapas astrais e bolos orgânicos — Doyeon achou que ele deveria ter sido Buda na vida passada de tanto paz que exalava dos poros.

...

E sabiam que nesse mundo um punhado de derradeira perseverança    . E é aquele velho papo escrachado de que nesse mundo há muito pouco que vale a pena verdadeiramente reter para si. E se Doyeon pudesse apoucar Yoojung em seu peito para poder tê-la eternamente em seu novelo, ela o faria sem pestanejar. E mesmo com os incontáveis defeitos e anseios que insistiam em lhes empecilhar, não havia nada mais fodidamente incrível do que a química depravada que aquelas duas pareciam ter quando faziam da cama de solteiro um verdadeiro relicário de transas, maratonas e frases sussurradas  no rompante do desejo. Porque era imperfeitamente perfeitas em sua trajetória farpeada por constantes discussões com inúmeras reconciliações.

— Yoo, ce’ jura para mim que nunca mais vamos ficar tanto tempo sem se falar... Eu meio que estava cogitando me mudar para a praia só para surfar no meu oceano propício a mágoas. Baixinha, ce’ só me fode, sabia?

Doyeon declamou em um tom arteiro e propositalmente desordeiro quando fizeram novamente da cama como colcha de conchas seu eterno réquiem. E mesmo que as roupas já estivessem depostas em uma pilhéria só, ainda havia os resquícios brutais que ainda não haviam sido expurgados com um duplo orgasmo.

— No caso, você me fode. Literalmente e metaforicamente. Mas eu meio que não posso jurar isso, entende? É complicado demais, mas tudo que eu mais quis foram os teus braços me acolhendo naquela noite fatídica e friorenta. Queria o teu calor reverberante se acentuando em meu corpo frágil e destronado. Queria sentir tua intensidade desmedida, carregada nos lábios calejados em um ósculo impensado. Queria poder chamar teu nome baixinho e ter, novamente, noção do efeito que tu me causas. Acho que não suportaria a mera ideia de não te ter novamente.

— Só me desculpa pelo escarcéu de outrora. Foi ridículo e impensando. Acho que vou resguardar meu asco por decepções e tentar lidar melhor com nossas inúmeras turbulências. E levando em conta da multipilicadade de meu nome na tua boca no tardar da madrugada, acho que posso ficar tranquila. Qualquer coisa, eu posso te arrastar para todo lado como carregador portátil. E te deixar padecer mais um pouquinho só para que o sofrimento te fortaleça e tu jamais se esqueça do quando eu amo te ter só para mim.

A risada de Yoojung soava como meteoritos colidindo em seu hipocampo de tão cativantes. Amava quando as coisas ficavam naquela bagunça conformada. Onde corpos se igualavam e vozes se sobressaltavam. Onde tudo era prova da eternidade. E de como padecer no tropical dos olhos enegrecidos não parecia loucura.

— É, estamos absolutamente quites. Inclusive, eu acho bom realmente irmos nesse encontro duplo. O Yixing é um chato de galocha, e nem se fala do lunático do Junmyeon que é um talarico insistente. Mas podemos lidar com isso. Afinal de contas, você é a Naomi da minha Emily.

Desde então souberam perfeitamente que poderiam se caber no papel de casal do 302 perfeitamente. Em completo espairecer, estarrecidas em sua complicada perfeição. Em total perda de noção, mas ainda assim igualmente juntas em total conjuntura. Era a personificação de todos os clichês mundanos. E definitivamente mereciam um desfalque na sessão de tarde de tantas inúmeras repetições de discussões e retaliações – que mesmo em tragédia conseguiam ser comédia.

Principalmente quando começaram a discutir sobre quem havia se esquecido de pagar a conta da Netflix mais uma vez. Ou quem havia assistido mais um episódio de Grey’s Anatomy sem permissão. 


Notas Finais


Moleca, cê já saber que eu te esmero docilmente. Esse sulay é inspirado no nosso primeiro couple de rpg. você sempre será o myeon do meu lay. meu pedacinho do céu, sua emo maldito. mas chega de mal-dizeres. realmente espero que tenhas gostado. tua opinião realmente importa para mim, babe. you're my favorite star @sunhywe

te amo infinito.


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