História Hades (Camren) - Capítulo 11


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Hades, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Mgk, Normani
Exibições 41
Palavras 3.317
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Festa Diabólica


Tucker e eu estávamos quase chegando à porta quando ela se abriu com um clique seco, e, de repente, MGK entrou no quarto. Nós o encaramos e tentamos disfarçar a surpresa andando em direções opostas. MGK arqueou uma sobrancelha e olhou para nós. Vestia um terno sofisticado, com gravata vermelha de seda.

— Que bom que ainda está acordada, querida — disse ele, naquele tom formal irritante, como um personagem de um filme dos anos 1950. — Espero que esteja com fome. Vou levar você para jantar. Acho que é disso que precisamos para aliviar a tensão.

— Na verdade, estou bem cansada — repliquei. — Estava pensando em ir para a cama.

— Sério? Mas você parece tão desperta — disse, analisando o meu rosto bem de perto. — Mais do que isso... Diria que você está animada. Suas bochechas estão rosadas.

— É porque está muito quente aqui dentro. Sério, MGK, quero dormir cedo...

Tentei usar um tom agressivo, mas ele me cortou, sacudindo a mão de forma irritante.

— Chega de desculpas. Não vou aceitar um não como resposta. Corra. Vá se arrumar. — A sua capacidade de alterar o humor tão rápido sempre me surpreendeu. Num momento poderia estar ameaçador, obscuro, e, no momento seguinte, tão animado quanto um garotinho. De repente, seu tom ficou mais alegre, e ele sorriu. — Além do mais, quero exibi-la.

Lancei um olhar de súplica a Tucker, mas ele voltara a estampar aquela expressão ilegível no rosto. Não poderia fazer ou dizer nada sem nos colocar numa fria.

— Só quero ficar sozinha — disse a MGK.

— Camila, entenda, sua nova posição acarreta algumas obrigações. Pessoas importantes querem conhecê-la. Então... voltarei em vinte minutos, e você estará pronta. — Não era um pedido. Já na porta, ele parou, pois tinha acabado de ter uma ideia. — Aliás — continuou ele, sem girar o corpo, apenas olhando para trás — quero que se vista de rosa esta noite. Eles vão adorar.

O jantar aconteceria num salão ricamente decorado e iluminado por uma lareira. Em vez de quadros, as paredes estavam cobertas de armamentos, incluindo escudos romanos, bastões e longas estacas sem ponta — do tipo que o conde Drácula deveria ter expostos no seu castelo do século XIV, na Romênia. Como fomos os primeiros a chegar, ficamos de pé na entrada enquanto garçons serviam canapés em bandejas de prata e champanhe francês em taças altas. Risadas frívolas anunciaram a chegada dos convidados. Dei uma olhada e notei que seriam basicamente os membros da corte de MGK. Todos os que se aproximavam para cumprimentá-lo me olhavam com desvelada fascinação. Grande parte vestia roupas de couro e pele. Eu, de vestido rosa com gola em forma de concha e saia até os joelhos, me sentia um pouco deslocada. No entanto, fiquei aliviada ao perceber que Asia não estava presente e imaginei que talvez não tivesse sido convidada, o que com certeza aumentaria seu ressentimento para comigo.

Logo depois, um gongo marcou o início do jantar, e tomamos os lugares na longa mesa de carvalho do salão. Como anfitrião, MGK sentou-se no centro. Com o rosto carrancudo, segui em direção ao meu assento, ao lado dele. A nossa frente estavam Diego, Nash e Yeats, personagens que eu havia conhecido ao lado da cratera. Estavam acompanhados de mulheres muito bem-vestidas. Na verdade, todos os convidados, homens e mulheres, eram bonitos, mas bonitos de uma forma estranha, assustadora. As feições eram perfeitas, mas não tinham nada a ver com Normani e Ally. Senti um nó na garganta ao pensar nas minhas irmãs e tive que lutar contra as lágrimas. Mordi o lábio inferior para contê-las. Poderia ser muito inocente, mas sabia que chorar na frente de toda aquela gente seria uma demonstração de vulnerabilidade. Estudei os rostos ao meu redor. Eram convencidos, astutos, donos de olhares afiados. Seus sentidos pareciam aguçados, como se pudessem ouvir sons e sentir cheiros da mesma forma que os animais selvagens programados para a caça. Aliás, sabia que eles poderiam se mostrar muito sedutores ao correrem atrás de uma presa humana. Embora a beleza de todos fosse inegável, em certos momentos eu notava uma sombra veloz e sutil, algo que revelava as verdadeiras feições por trás das máscaras de perfeição que usavam. E fiquei assustada. Seria impossível esconder o choque de saber que suas aparências humanas não passavam de disfarces. Na sua forma real, os demônios estavam longe da perfeição. Os rostos deles eram mais do que aterrorizantes. Eu me peguei observando uma mulher com feições de estátua grega, cabelos cor de chocolate, pele leitosa e olhos de um azul elétrico. O nariz delicado e os ombros redondos eram de uma verdadeira deusa da Antiguidade. No entanto, por baixo do glamour externo, ela era a verdadeira imagem da putrefação. O crânio era malformado, com uma testa proeminente e um queixo tão pontudo quanto uma adaga. A pele estava repleta de manchas e feridas, como se tivesse sido espancada, e seu rosto estava coberto de marcas e feridas. O nariz parecia um focinho. Aliás, ela seria completamente careca caso não restassem alguns poucos e finos fios que dançavam ao redor do seu rosto. Os olhos dela eram opacos e avermelhados, e a boca não passava de um buraco por onde era possível entrever restos de dentes e gengiva quando ela atirava a cabeça para trás para rir. Vi coisas similares em todos os lados da mesa e senti o estômago revirar.

— Tente não olhar — murmurou MGK no meu ouvido. — Relaxe e não foque tanto.

Aceitei sua dica e percebi que as imagens desapareciam, e os rostos presentes no jantar voltavam a estampar suas belas máscaras. No entanto, minha falta de entusiasmo chamou a atenção de alguns deles, que a confundiam com indelicadeza.

— Qual o problema, princesa? — perguntou Diego, do outro lado da mesa. — Nossa hospitalidade não é suficiente para você?

O grupo mantinha o suspense, mas a pergunta de Diego desatou uma torrente de vozes, que começaram a expressar seus pensamentos.

— Nossa... Um anjo no Inferno — disse uma ruiva que MGK chamara de Eloise. — Quem imaginaria que algum dia veríamos isso?

— Ela vai ficar muito tempo aqui? — perguntou o dono de uma barba perfeitamente aparada. — Não tem virtude nenhuma, e está me deixando com dor de cabeça.

— O que você esperava, Randall? — perguntou outro convidado. — Não vejo um desses por aqui há muito tempo. Podemos nos divertir com ela, MGK?

— Ah, claro, vamos compartilhá-la!

— Ou sacrificá-la... Ouvi dizer que sangue de virgem é ótimo para a pele.

— Ela ainda tem asas?

— Claro que sim, seu idiota, vai demorar até perdê-las.

Eu me ajeitei na cadeira, assustada com a ideia de perder as asas, mas MGK tocou meu cotovelo para me acalmar. Depois me encarou, dizendo com o olhar que me explicaria tudo aquilo mais tarde.

— Você se superou dessa vez, Majestade — disse outro convidado.

As vozes se ergueram em uníssono, num murmúrio orquestral. Era como um grupo de crianças competindo para ver quem conseguia atrair mais atenção. MGK tolerou as ânsias deles por algum tempo, mas logo bateu forte com o punho na mesa, e a balburdia cessou.

— Chega! — gritou ele. — Camila não está disponível para aluguel e não a trouxe aqui para enfrentar a Inquisição. Gostaria de lembrá-los que ela é minha convidada.

Alguns demônios pareceram aterrorizados com a ideia de ter desa-gradado o anfitrião, mesmo sem querer.

— Exato — disse Nash, erguendo a taça. — Permitam-me que seja o primeiro a brindar.

Pela primeira vez, minha atenção foi atraída à mesa, cheia de pratos aparentemente deliciosos. Toda a comida era cara e preparada de forma extravagante. Alguém chegou ao extremo de arrumar a mesa de forma a alinhar guardanapos de linho, pratarias e cristais. Havia faisão assado, patês e terrinas, queijos suaves em pratos de madeira e bandejas de frutas exóticas. As empoeiradas garrafas de vinho pareciam entorpecer os presentes. Os demônios, é claro, não acreditavam nos pecados capitais, e a gula seria bem-vista por ali. Não fiz nenhum esforço para tocar a taça, embora eles me esperassem, atentos. Sob a mesa, MGK pisou de leve no meu pé. O rosto dele parecia dizer: "Não me envergonhe mais." Mas eu não tinha interesse nenhum em melhorar sua imagem.

— Vamos fazer um brinde a MGK e à sua nova e charmosa aquisição — disse Nash, cansado de me esperar.

— E também à nossa eterna fonte de inspiração e guia — continuou Diego, lançando um olhar fumegante na minha direção. — Lúcifer, o deus do mundo subterrâneo.

Não sei por que escolhi aquele momento para falar. Não me sentia tão corajosa — o mais provável é que estivesse sendo guiada por pura indignação. Porém, em tom decidido, respondi:

— Não o chamaria de deus, exatamente...

Seguiu-se um silêncio assustador, e MGK me encarou, assustado com a minha estupidez. Sua habilidade de me proteger em Hades teria um limite, que eu talvez tenha ultrapassado. Mas Yeats quebrou a tensão batendo palmas e soltando uma gargalhada, e os demais o imitaram. Yeats me encarou, seus olhos pareciam não acreditar no que viam, mas a ameaça no tom de voz era certeira.

— Espero que se encontre com o Grande Pai logo. Ele vai adorar conhecer você.

— Grande Pai? — perguntei, lembrando que Hanna pronunciara o mesmo nome absurdo, que soava tirado de um filme de gângsteres. — É assim que vocês o chamam?

— Você descobrirá que não somos muito ligados a formalidades por aqui — respondeu Yeats. — Somos uma única família, grande e feliz.

— Às vezes o chamamos de Papa Luce — disse Eloise, bebendo da taça de vinho. — Talvez ele permita que você o chame assim quando conhecê-la melhor.

— Não tenho intenção de chamá-lo de nada — respondi.

— Que pena! — disse Yeats. — E justo você, que está aqui por ordem direta dele.

O que aquilo significava? Olhei para MGK, como quem exige uma explicação. Ele sorriu para mim e tomou um gole de vinho. Depois me ofereceu uma taça, indicando que eu deveria fazer o mesmo.

— Por que não conversamos sobre isso mais tarde, querida? — disse ele, com um suspiro exagerado, passando um braço sobre os meus ombros e prendendo uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Vamos nos divertir agora. Os negócios podem esperar.

Os demônios acabaram perdendo o interesse em mim e focaram na comida e na bebida, com estupor. Pareciam ter um apetite voraz, embora fossem esbeltos. Após um intervalo de horas, alguns convidados se levantaram, pedindo desculpas por ter que sair da mesa. Eu os observei enquanto cambaleavam, desaparecendo atrás de uma divisão de pedra, em direção a uma área reservada. Ouvi barulho de ânsias de vômito e depois de água corrente, mas ninguém parecia notar nada. Logo depois, os convidados voltaram à mesa, limpando os cantos da boca com o guardanapo, e recomeçaram a comer.

— Para onde eles foram? — perguntei a MGK.

Diego me escutou e respondeu:

— Ao vomitório, claro. Hoje as melhores salas de jantar têm vomitórios.

— Isso é nojento — retruquei, afastando o olhar.

MGK deu de ombros.

— Muitas práticas culturais parecem nojentas aos olhos de estrangeiros. Mas, Mila, você não tocou na comida. Espero que essa história de vomitório não tenha tirado o seu apetite.

— Não estou com fome.

Rejeitar a comida era um ato simbólico, mas eu sabia que não poderia continuar fazendo aquilo para sempre. Estava me sentindo fraca, e, mais cedo ou mais tarde, precisaria de sustância, caso planejasse sobreviver. MGK franziu o cenho, com desgosto.

— Você deveria experimentar. Tem certeza de que não quer nada? — Ele ergueu uma bandeja de frutas e colocou-a na minha frente. As frutas pareciam deliciosas, como se tivessem sido colhidas poucas horas antes. Algumas ainda tinham orvalho na superfície. — Que tal uma cereja? — Ele balançou uma na minha frente, e meu estômago uivou. — Ou um caqui. Você já provou? — Ele abriu um caqui com a faca, expondo a carne úmida e vermelha da polpa. Depois prendeu um pedaço na ponta da faca e me ofereceu.

Eu quis virar o rosto, mas o cheiro daquela fruta era inebriante. Com certeza, as comidas normais não são tão tentadoras. O cheiro parecia entrar na minha mente. E uma mordida não ia doer, certo? Senti algum alívio ao pensar nisso. Mas não era normal. A comida deve ser servida como um combustível para o corpo. Pelo menos era o que Normani sempre dizia. Na Terra, eu já havia experimentado muitas vezes a sensação de fome física, mas ali era uma espécie de desejo. Com fome ou não, a verdade é que não compartilharia comida com MGK, e afastei o prato.

— Com o tempo — disse ele. — Você é forte, Mila, mas não a ponto de me vencer.

Quando a comilança terminou, seguimos para um espaço aberto, iluminado à luz de velas, com almofadas e espreguiçadeiras dispostas pelo chão. O humor parecia menos lânguido com os convidados acariciando-se com cada vez mais urgência. Eles não copulavam, apenas pressionavam os corpos uns contra os outros, com a única intenção de buscar gratificação nesse gesto. Um dos homens lançou um olhar lascivo na direção de Eloise, que respondeu rasgando a camisa dele com os dentes. Afastei o olhar quando ela começou a lambê-lo no peito, e ele soltava murmúrios de excitação. Eu e MGK éramos os únicos sentados.

— Você não quer se unir a eles? — perguntei.

— A libertinagem fica meio ultrapassada quando estamos aqui há mais de duzentos anos.

— E você escolheu o celibato, então? — perguntei, num tom que não poderia ser mais cáustico.

— Não. Estou só à procura de algo mais — respondeu ele, me encarando de forma desconcertante e até um pouco triste.

— Mas não vai encontrar ao meu lado — comentei, firme.

— Hoje não, talvez. Mas quem sabe um dia eu ganhe a sua confiança? Sou paciente... Afinal, tenho toda a eternidade à minha frente.

No fim das contas, minha cabeça dura foi demais para ele, que permitiu que eu voltasse à relativa segurança do hotel Ambrosia, de limusine. Ao chegar, Tucker me esperava na recepção, preparado para me levar ao quarto.

— Como você aguenta? — perguntei, bufando, ao entrar no elevador. — Como alguém pode aguentar ficar aqui? Este lugar é horrível, e vazio.

Tucker me olhou de forma estranha e apertou um botão que não parecia nos levar à cobertura.

— Venha comigo — disse.

Saímos do elevador e caminhamos em silêncio por um corredor deserto, até chegarmos a uma parede ornamentada com um tapete dependurado. Os fios de seda coloridos tinham sido entremeados para formar a imagem de demônios alados com garras que se aproximavam de um homem acorrentado a uma pedra. Alguns lhe rasgavam a pele, outros o arrancavam de sua aparência física. Gravada naquele tecido, a expressão do homem era tão vivida que tremi. Tucker afastou o tapete para o lado, revelando alguns degraus cravados na pedra. Pareciam levar a um ponto bem inferior ao que estávamos, no centro do hotel. O cheiro no ar era diferente por ali, um cheiro de mofo e umidade, se comparado à perfumada recepção. Não havia luzes, e eu não via mais do que um palmo à minha frente.

— Fique perto de mim — disse Tucker.

Comecei a descer logo atrás dele, agarrada à sua camisa, para ter certeza de que não o perderia de vista naquela escuridão sufocante. A escadaria era estreita e tortuosa, mas conseguimos chegar ao fim. Quando Tucker parou, um braseiro junto à parede ganhou vida. Parecíamos estar num canal subterrâneo, tomado de águas verdes, turvas. Uma brisa envolveu os meus pés, e agucei os ouvidos para escutar. A sensação era de que vozes gritavam o meu nome. O musgo tomava conta das paredes de terra, e água pingava do teto do túnel. Notei um barco de madeira preso a uma plataforma próxima aos degraus. Tucker soltou as amarras e jogou a corda para o lado.

— Suba — disse. — E tente não fazer barulho. Melhor não assustarmos nada.

Não gostei da forma como ele pronunciou a palavra "nada", especialmente quando deveria ter dito "ninguém".

— E o que poderíamos assustar, por exemplo? — perguntei, mas Tucker tinha a atenção focada na condução do barco e não disse nada. Enquanto seguíamos em silêncio pelas águas turvas do canal, sentei-me com o corpo rígido. Os nós dos meus dedos estavam brancos de tanto que me agarrava às laterais do barco de madeira. Senti um movimento embaixo do barco. De repente, a superfície do canal ondulou, como se alguém atirasse pedras na embarcação.

— O que é isso? — murmurei, assustada.

— Fique em silêncio — disse. — Não diga nada.

Obedeci, mas voltei os olhos para as águas, onde borbulhas surgiram sob a superfície. Consegui ver algo inchado, e luzes pálidas como o luar nos cercavam em forma de discos, flutuando como boias na superfície da água. Curvei o corpo para fora do barco, querendo saber o que eram aquelas formas. Tapei a boca para conter um grito quando notei que não eram boias, mas cabeças sem corpos. A nossa volta havia frios rostos mortos boiando na água, seus cabelos dançavam como algas marinhas e os olhos sem vida nos encaravam. A cabeça mais próxima de mim era a de uma mulher, mas a pele dela estava enrugada e cinzenta, como se tivesse passado muito tempo na banheira. As cabeças batiam contra o barco. Engoli de volta as perguntas que me subiram pela garganta, pois Tucker me encarou, lançando um olhar de aviso. Depois de o barco próximo ser amarrado a uma pedra, desci, aliviada. Estávamos de pé numa alcova do tamanho de uma pequena enseada. No centro dela, a água brilhava como se estivesse coberta de diamantes, depois se abria em vários afluentes com destinos desconhecidos. A água era tão límpida que eu conseguia ver o fundo. No local onde estávamos, as pedras eram lisas como seda. Olhei para Tucker, mas não disse nada, pois não sabia se seria seguro.

— Eis o lugar sobre o qual lhe falei — disse. — Este é o Lago dos Sonhos.

— Aquele que vai me levar de volta para casa? — perguntei, lembrando a última conversa, interrompida pela chegada de MGK.

— Sim — respondeu. — Não na sua forma física, claro. No entanto, você poderá viajar até lá na sua mente.

— E agora?

— Se beber um pouco dessa água, você poderá ver o que o seu coração mais deseja. A água age como uma droga e ficará no sangue por muito tempo. Você poderá projetar-se em qualquer lugar, sempre que quiser.

Não precisei de outro encorajamento. Corri até a margem do lago e peguei um pouco da água cristalina na palma da mão. Sem hesitar, bebi. Um zumbido hipnótico tomou conta do ar, como de uma cigarra. Eu me aproximei ainda mais da superfície da água, procurando por um sinal. Olhar para o lago me fez sentir desconectada do meu corpo, como se fosse envolvida num encanto. De repente, notei uma sensação estranha, como se um saco de pancadas, desses de boxe, tivesse batido contra o meu peito. Expirei e percebi que o ar saía do corpo como um globo crescente; pairava à minha frente, a centímetros da água. Dentro dele, centenas de pequenas bolinhas brancas iluminadas dançavam num ritmo frenético. O globo desceu lentamente até desaparecer. 

— Não se preocupe — murmurou Tucker. — O lago está lendo suas memórias para saber aonde deve levar você. 

Por um momento, nada aconteceu. Tudo o que eu ouvia era o som das nossas respirações. Tucker conversava comigo, mas eu não entendia o que ele dizia. Depois não ouvi mais nada e entendi o motivo: eu estava pairando acima dele. O lago e seus arredores desapareceram, embora eu soubesse que ainda estavam lá. Um pânico crescente se instalou enquanto um novo cenário se formava ao meu redor. Primeiro, a imagem era entrecortada, como uma fotografia ampliada, mas, aos poucos, entrou em foco. Nesse momento, já não sentia medo. Na verdade, senti um poderoso jorro de emoção, como se tivesse sido lançada num redemoinho. Estava indo para casa.


Notas Finais


Até o próximo capítulo se eu sobreviver ao clipe de bad things


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