História Hades (Camren) - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Hades, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Mgk, Normani
Exibições 59
Palavras 2.490
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


AAAAAAAAAH CLIPE MARAVILHOSOOOO, NÃO TEVE BEIJO, HISTÓRIA PERFEITA, CAMILA RAINHA!!! MERECE UM OSCAR MEU BEBÊ

Capítulo 12 - Reunião


A cozinha da minha casa era exatamente como me lembrava: grande e arejada, com vista para o mar por todos os lados. Eu me encontrava de pé no centro dela, com todos os meus sentidos em perfeito estado, mas ainda assim sabia que era apenas uma espectadora. Podia me mover para todos os lados livremente, mas não era parte integrante do cenário. Era mais ou menos como observar o lançamento de um filme de dentro da tela. Tinha acabado de amanhecer. Podia ouvir o som dos pássaros cantando e da água sendo fervida para o café. As janelas estavam abertas, e alguém cortava a grama na casa de Dolly Henderson, a vizinha. Por ali, havia um prato com um bolo que Ally preparara poucos dias antes do meu desaparecimento. O bolo não tinha sido tocado e parecia estragado. Havia um jarro de flores silvestres murchas sobre uma banqueta, e o que eu via não passava de uma lembrança do que aquela cozinha fora até uns dias atrás. Pouco depois, a cena ganhou vida. Lauren estava sentada à mesa, com a cabeça entre as mãos, poucos metros à minha frente. Sua postura me atraiu a atenção, pois nunca a vira assim. Ela vestia uma blusa cinza e justa que eu conhecia muito bem e uma calça de moletom, mas a expressão no rosto dela deixava transparecer que não havia dormido bem.

Senti vontade de me aproximar dela, e fiquei assustada ao notar que podia fazer isso com rapidez, sem muito esforço. A proximidade era inebriante. Queria tocá-la, mas não podia: minha condição de fantasma não tinha substância, e as mãos vazavam o corpo dela. Lauren estava diferente. Não conseguia ver seu rosto, mas os ombros e os músculos da testa estavam tensos. O clima na cozinha era de tristeza. O cheiro da frésia chegava às minhas narinas — um cheiro, aliás, que eu conhecia muito bem. Minha irmã apareceu na porta e olhou preocupada para Lauren. Ally estava perfeita e angelical como sempre, mas a sobrancelha arqueada a traía. Estava mesmo muito preocupada.

— Quer alguma coisa? — perguntou ela a Lauren.

— Não, obrigada — respondeu ela, distraída, como se a mente estivesse muito longe dali, e mal levantou a cabeça.

— Normani foi à casa dos Payne — disse Ally. — Vai tentar conseguir algumas pistas por lá.

Lauren estava perdida demais em seus pensamentos para responder. Ally ficou atrás dela, de pé, e pousou uma das mãos no braço dela. Lauren se afastou, não queria ser consolada.

— Não podemos perder as esperanças. Vamos encontrá-la.

Lauren ergueu a cabeça e olhou para ela. Ela estava mais pálida do que nunca e tinha olheiras profundas. Os dentes estavam trincados. Parecia desamparada, consumida pela dor. Quis tocá-la, tomar o seu rosto nas mãos, dizer a ela que estava tudo bem — sim, eu estava presa, sozinha e muito triste, mas não estava ferida. Talvez não estivesse nos braços dela, como nós duas queríamos, mas conseguia sobreviver.

— Como? — indagou ela, após um longo intervalo, lutando para manter o tom de voz. — A gente não tem nem ideia de para onde ele a levou... Nem o que está fazendo com ela.

Ao pronunciar a última frase, tão dura, sua voz falhou. Senti um nó na garganta. Se elas não tinham ideia de onde eu estava, como poderiam ter esperança de um dia me encontrar? Normani e Ally não tinham visto nada, só sabiam que MGK me levara de motocicleta — cena presenciada por Lauren. O máximo que poderiam saber era que eu deveria estar em algum ponto remoto do planeta, mantida prisioneira.

— Normani está procurando uma saída — disse Ally, tentando soar confiante. — E ela é boa nisso.

— Mas eu não deveria estar com ela? — perguntou Lauren.

— Ela sabe o que fazer, que pistas buscar.

A conversa foi tomada por um silêncio, e tudo o que se ouvia eram as batidas do relógio na parede do corredor.

— A culpa é minha — disse Lauren, afinal. E dizer isso em voz alta pareceu aliviá-la. — Deveria ter protegido... — Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela as secou antes que Ally notasse.

— Nenhum humano poderia se interpor a tal poder — disse minha irmã. — Não se culpe, Lauren. Não havia nada que você pudesse ter feito.

Lauren balançava a cabeça em negativa, sentindo-se inútil.

— Havia, sim — disse ela, com os dentes trincados. — Poderia ter ficado ao lado dela. Se não tivesse sido tão tola e descido ao lago, nada disso teria acontecido. — Ela fechou as mãos em punhos e engoliu em seco. — Você não percebe? Prometi que cuidaria dela e no fim a decepcionei.

— Você não sabia. Como poderia? No entanto, manter a calma agora poderá ajudá-la. Seja forte, pelo bem de Camila.

Lauren fechou os olhos com força e assentiu.

— Normani voltou — avisou Ally, ainda antes que ela tivesse girado a chave na porta de entrada.

Lauren se levantou da cadeira. Pouco depois, Normani surgiu na cozinha.

— Alguma novidade? — perguntou Ally.

— Acho que descobri alguma coisa — respondeu ela, hesitante. — Talvez seja um portal. Senti um cheiro de enxofre na estrada, perto da casa dos Payne.

— Ah, não... — murmurou Ally, sentando-se na cadeira mais próxima.

— E daí? Um portal? O que é um portal? Um portal para onde? — perguntou Lauren, numa sucessão interminável de palavras.

Mas Normani respondeu com voz comedida:

— Há algumas aberturas neste mundo. Portais que levam a outros reinos. Eles podem ser aleatórios ou podem ser conjurados por algo poderoso.

— Que tipo de reinos? Onde está a Camz?

Sua voz demonstrava um pânico crescente. "Estou aqui!" tentei gritar, mas a voz falhou.

— O asfalto da estrada está queimado — continuou Normani, sem responder às perguntas de Lauren. — E tudo ao seu redor, chamuscado. Só há uma coisa capaz de deixar estas marcas.

Lauren respirou fundo, como se quisesse manter o equilíbrio. Notei quando foi tocada pela verdade que havia por trás das palavras de Normani.

— Não, isso não pode ser verdade — disse ela, sem forças, ainda tentando organizar os pensamentos sobre tudo aquilo.

— É verdade, Lauren — confirmou Normani, que também girou a cabeça para o lado, pois não queria testemunhar o efeito das suas palavras. — MGK levou Camila para o Inferno.

Para Lauren, era como se o pior dos seus pesadelos ganhasse vida. A novidade a atingiu como um tapa na cara. Ela ficou de boca aberta, e seus olhos estavam fixos na minha irmã, como se esperasse que ela finalmente caísse na gargalhada, revelando que tudo não havia passado de uma brincadeira de mau gosto. Ela ficou nesta posição durante muito tempo, como se fosse feito de pedra. Depois, de repente, o corpo dela começou a tremer de angústia. Eu, na minha versão fantasma, estava tão chocada quanto ela. Formávamos um casal de dar pena: a garota humana e a aparição que ela não podia ver, mas que a amava mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Na minha ausência, todos pareciam alterados. Normani fez algo que nunca a vi fazer antes. Atravessou a cozinha e se ajoelhou na frente de Lauren, com uma das mãos pousadas no seu braço. Eis uma cena para relembrar: um anjo ajoelhado na frente de um humano, com humildade.

— Não vou mentir para você — disse Normani, encarando-a. — Não tenho certeza de onde Camila está neste momento.

Estas palavras foram as mais duras, mas Normani nunca se desviava da verdade. Ela não poderia fazer isso. Preferia preparar todos para o pior.

— Do que você está falando? — gritou Lauren. — Temos que fazer alguma coisa! Camz não queria isso. Ela foi sequestrada, lembra? No meu mundo, isso é um crime. Você está querendo dizer que no seu mundo não significa nada?

Normani suspirou e respondeu o mais pacientemente.

— Existem leis que governam o Céu e o Inferno, leis que existem desde o princípio dos tempos.

— E o que isso significa?

— Acho que Normani está tentando dizer que não fabricamos regras. Temos que esperar instruções — disse Ally.

— Esperar? — repetiu Lauren, cada vez mais frustrada. — Se vocês quiserem, podem ficar esperando, mas não vou ficar sentada.

— Não temos escolha — disse Normani.

As duas não podiam ser mais diferentes, anjo e mortal, polarizados por suas visões de mundo. Normani, eu notava, estava perdendo a paciência. As incessantes perguntas de Lauren a consumiam, mas ela esperava instruções vindas de poderes superiores. E Lauren, por outro lado, não se sentiria melhor até o momento em que tivesse um plano de ação nas mãos. Para ela, cada problema tem uma solução. Ally, que entendia melhor do que Normani o estado de Lauren, dirigiu um olhar para a minha irmã como quem diz que deveria ser mais cuidadosa.

— Sem dúvida, se houver um caminho, nós o encontraremos — disse Ally, mais encorajadora.

— Não vai ser fácil — comentou Normani.

— Nem impossível, certo? — perguntou  Lauren, que tentava agarrar-se às mínimas esperanças.

— Não. Impossível, não — respondeu minha irmã, com um sorriso tímido nos lábios.

— Quero ajudar — disse Lauren.

— E poderá, mas neste momento precisamos pensar muito bem no próximo passo a tomar.

— Agir sem planejamento poderia piorar a situação de Camila — completou Normani.

— Piorar como? — perguntou Lauren.

Quanto mais eu escutava, mais frustrada ficava. Queria participar das discussões, queria ajudá-las. É estranho ouvir falarem sobre você na terceira pessoa. Se eu pudesse revelar tudo o que sabia, talvez conseguissem desenhar um bom plano. Estar presente e não poder atuar era terrível. A sensação era a de que eu poderia explodir a qualquer momento. Tinha que haver uma forma de demonstrar-lhes a minha presença. Por que elas não sentiam a minha proximidade? As pessoas que eu amava estavam ao alcance das minhas mãos, mas ainda assim totalmente inacessíveis.

— Não podemos agir sem instruções — disse Ally.

— E quanto tempo isso vai demorar?

— A Aliança conhece o problema. Eles entrarão em contato conosco quando pensarem em alguma saída — informou Normani, sem querer revelar nada mais.

— E o que faremos até lá?

— Sugiro rezar.

De repente, fiquei preocupada. Claro que elas não poderiam agir sem antes pedir conselho. Não se tratava apenas de uma prática comum, mas sim da coisa mais sensata a fazer. Eu sabia disso. Mas e quanto à resolução da Aliança? Normani soava muito confiante, mas nem ela teria poder suficiente para contrapor-se às decisões tomadas. E se a sabedoria infinita dos conselheiros decidisse que seria melhor não agir? Afinal de contas, não havia provas de que eu estava no mundo subterrâneo. Eu previa mais problemas do que instruções. A obediência não é um dos meus pontos fortes. No entanto, embora a rebeldia possa ser valorizada num ser humano, num anjo ela é indesculpável. Será que eu estaria a ponto de enfrentar o meu afastamento, de perder o meu valor no Céu por completo? Ainda que a Aliança estivesse de bom humor e aceitasse o pedido de resgate, entrar no Inferno seria o maior desafio que minhas irmãs enfrentariam na vida. Elas poderiam morrer na tentativa. Valeria a pena arriscar? Não queria brincar com as vidas delas, mas a tentação de estar de volta com elas era enorme. Quanto a Lauren, não aguentaria pensar que algo de mal lhe fosse feito por minha culpa. Preferia enfrentar os terrores da fogueira do Inferno. Olhei para os seus braços lindos sobre o tampo da mesa, notando a pulseira de couro que sempre levava presa ao pulso e o anel de prata que eu lhe dera no dedo indicador. Eu me aproximei dela e queria tocar seus dedos.

— Lauren! — gritei. — Amor, estou aqui!

Para a minha surpresa, ouvi um eco quase imperceptível na cozinha. Normani, Ally e Lauren giraram as cabeças na minha direção, como satélites procurando sinais de rádio. Uma expressão de descrença tomou conta do rosto de Lauren, como se ela colocasse em cheque sua própria saúde mental.

— Estou ficando louca ou vocês também ouviram?

Minhas irmãs se entreolharam, sem saber o que dizer.

— Nós também ouvimos — respondeu Normani, e a mente dela já dava voltas tentando entender o que acontecera. Eu só esperava que não confundissem com mensagens enganosas do demônio.

Ally fechou os olhos e senti a sua energia passeando pela cozinha, procurando por mim. Quando chegou ao ponto onde eu estava, passou direto, e notei que qualquer tentativa de conexão seria inútil.

— Não há nada por aqui — disse a minha irmã, mas percebi que Ally estava um pouco perdida.

Lauren não se convencia.

— Não, ouvi a voz dela... Ela estava aqui.

— Talvez Camila esteja mais perto do que pensamos — supôs Normani.

Os olhos de Lauren varreram a cozinha, observando o espaço vazio. Foquei e tentei desesperadamente transmitir meus pensamentos a ela. No entanto, aconteceu o oposto, e a minha presença se diluiu. Notei que minha consciência se afastava dali. Lutei, tentei me agarrar a uma cadeira, mas a cozinha desaparecia ao meu redor. Tudo ficou preto, e, ao clarear, enxerguei o meu corpo deitado ao lado do Lago dos Sonhos, no mesmo local onde eu o deixara. Tucker estava ali, sacudindo os meus ombros.

— Volte, Mila. É hora de voltar.

E retornei ao meu corpo com um solavanco. O calor da minha casa desaparecera, sendo substituído pelo frio e pela umidade do canal.

— Por que você fez isso? — gritei. — Queria ficar mais tempo.

— Não podemos ficar tanto tempo por aqui. Seria arriscado. Mas não se preocupe, a magia ficará ao seu lado.

— Isso quer dizer que vou poder me projetar sempre que quiser?

— Sim — respondeu Tucker, orgulhoso. — Quando bebemos do Lago dos Sonhos, o poder fica dentro de nós. A única forma de revertê-lo é bebendo água do rio Lethes.

— Esse rio existe de verdade? — perguntei, curiosa.

— Claro que sim — respondeu. — E literalmente quer dizer "esquecimento". Por isso algumas pessoas o chamam de Rio do Esquecimento, pois ele faz com que a gente se esqueça de quem somos.

— Que horror... E uma espécie de maldição?

— Não necessariamente. Algumas pessoas fazem coisas na vida que preferem esquecer. Quando bebemos do rio Lethes, todas as nossas lembranças ficam depositadas no seu fundo.

Eu me aproximei.

— Você parece muito seguro do que diz. Conhece alguém que tenha bebido?

— Conheço — respondeu, olhando para baixo. — Eu.

— E do que queria escapar? — perguntei, sem pensar, e ele sorriu.

— Acho que não estamos no local adequado para essa pergunta, certo?

— Não... — concordei, tomando-lhe o braço. — Fico feliz que esse rio tenha ajudado você.

Tucker apertou a minha mão, mas não parecia muito convencido. Voltamos ao hotel numa velocidade duas vezes superior à da vinda, com medo de sermos descobertos. Só conseguia pensar nas mãos de Lauren... Mas não nas que acabara de ver, e sim nas que costumavam acariciar o meu rosto, certas de que nada no mundo poderia destruir a nossa felicidade.

Como éramos inocentes, pensei, ao descobrir que a escuridão pode ser muito letal. No entanto, eu seria o mais corajosa possível, lutaria com todas as forças, mesmo não gostando nada de algumas alternativas que nos esperavam.


Notas Finais


Lauren ouviu a Camz 😢
Até o próximo capítulo e vão ver o clipe de Bad Things!!!


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