História Hades (Camren) - Capítulo 2


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Hades, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Mgk, Normani
Exibições 167
Palavras 2.109
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - As Crianças Estão Bem


The Devil went down to Georgia,

he was lookin' for a soul to steal.

He was in a bind, 'cos he was way behind;

he was willin'' to make a deal.

- Charlie Daniels, "Devil went down to Georgia"


Quando o sinal tocou na Bryce Hamilton, eu e Lauren guardamos nossas coisas e corremos para o gramado que se abria do lado sul. A previsão do tempo tinha anunciado uma tarde de tempo aberto, mas o sol travava uma luta no céu, que permanecia triste, cinzento. De vez em quando, um raio fraquinho conseguia vencer o bloqueio e dançar por ali, aquecendo a minha nuca.

— Quer vir jantar hoje? — perguntei a Lauren, dando-lhe o braço. — Normani quer tentar fazer uns burritos.

Lauren me olhou e soltou uma risada.

— Qual é a graça?

— Estou pensando uma coisa — respondeu ela. — Por que em todas as pinturas os anjos aparecem protegendo tronos no Paraíso ou tentando vencer os demônios? Por que nunca aparecem na cozinha, preparando burritos?

— Porque temos uma reputação a zelar — respondi, dando uma cotovelada nela. — Você vem ou não?

— Não posso. — Lauren suspirou. — Prometi à minha irmã que ficaria em casa para esculpir carinhas em abóboras.

— Droga. Sempre me esqueço do Dia das Bruxas.

— Você deveria tentar entrar no espírito da festa — sugeriu Lauren. — O pessoal aqui leva isso muito a sério.

Eu sabia que ela não estava exagerando. Abóboras iluminadas e túmulos de plástico decoravam a entrada de todas as casas para marcar a ocasião.

— Eu sei — respondi — mas a ideia me assusta. Por que todo mundo se fantasia de fantasma e zumbi? E como se os nossos piores pesadelos ganhassem vida!

— Camz — chamou Lauren, parando de caminhar e pousando a mão no meu ombro. — É feriado, anime-se!

Ela estava certa. Eu tinha que deixar de ser chata. A terrível experiência com MGK acontecera seis meses antes, e as coisas não poderiam estar melhores. A paz retornara a Venus Cove e eu estava mais do que nunca ligada àquele lugar. Aninhada na pitoresca costa da Geórgia, a cidadezinha sonolenta do condado de Sherbrooke tinha se transformado num lar para mim. Com varandas belas e vitrines ornamentadas, a rua principal era um lugar único, uma espécie de cartão-postal. Tudo por ali — do cinema ao velho prédio do Tribunal de Justiça — evocava o charme do Sul e a gentileza de uma era há muito esquecida. Ao longo do ano anterior, a influência da minha família tinha crescido, transformando Venus Cove numa cidade-modelo. A congregação religiosa triplicou, as missões de caridade tinham voluntários além da conta, e os crimes registrados eram tão poucos e esparsos que o xerife foi obrigado a procurar outra atividade para ocupar o seu tempo. As poucas confusões não tinham muita importância, como, por exemplo, motoristas disputando uma vaga. Mas isso faz parte da natureza humana, que não pode ser modificada nem é obrigação nossa tentar alterá-la. Mas a melhor novidade de todas era que eu e Lauren tínhamos ficado ainda mais próximas. Olhei para ela, linda como sempre, de tirar o fôlego, com a jaqueta jogada sobre um dos ombros, e senti o seu corpo forte roçando o meu enquanto caminhávamos lado a lado, compassadas. Às vezes, era fácil pensar que éramos uma só.

Desde o violento embate com MGK, no ano anterior, Lauren encarava a malhação com ainda mais afinco, atirando-se aos esportes com todo o vigor.

Sei que o objetivo principal era me proteger, mas isso não significa que eu não pudesse me divertir com os resultados. Lauren estava com o peitoral e a barriga ainda mais definidos. Olhei para as suas feições: o nariz afilado, as bochechas salientes, os lábios carnudos, os cabelos pretos jogados de lado e os olhos imensamentes verdes. No dedo anelar, ela usava um anel que eu lhe dera de presente por me ajudar após o ataque de MGK. Era uma aliança de prata larga com os três símbolos da fé: uma estrela de cinco pontas representando a estrela de Belém; um trevo em honra aos três personagens da Santa Trindade; e as ini-ciais IHS, ou seja, a abreviatura de Ihesus, como Cristo era chamado na Idade Média. Eu tinha um igual, personalizado, e os enxergava como uma espécie de anel de compromisso. Qualquer pessoa que tivesse visto as mesmas coisas que Lauren poderia ter perdido a fé em Nosso Pai por completo, mas ela tinha a mente e o espírito fortes. Havia se comprometido conosco, e eu sabia que nunca nos abandonaria. Meus pensamentos foram interrompidos quando encontramos um grupo de amigos de Lauren no estacionamento, uns meninos que formavam o time de polo aquático. Alguns eu conhecia de nome e consegui entender alguma coisa da conversa.

— Não acredito que Shawn ficou com Nicki — disse um garoto chamado Brad. Ele ainda tinha os olhos roxos por causa de uma briga no fim de semana. Por experiência própria, eu sabia que essa briga teria algo a ver com um barril e um obstinado ataque à propriedade privada.

— Vai ser a sua sentença de morte — murmurou alguém. — Todo mundo sabe que ela é mais rodada que o velho Chrysler do meu pai.

— Não estou nem aí, desde que não tenham usado a minha cama. Eu seria obrigado a queimar tudo.

— Não se preocupe, tenho quase certeza de que eles estavam no gramado dos fundos.

— Eu estava tão mal que não me lembro de nada — disse Shawn.

— Pois lembro que você tentou me agarrar — comentou um menino chamado Nick, com voz afetada, fazendo uma careta.

— E daí... Estava escuro. Você teria feito muito pior.

— Engraçadinho... — retrucou Nick. — Alguém colocou uma foto no Facebook. O que vou contar a Selena?

— Que não resistiu ao corpo perfeito de Shawn — sugeriu Lauren, dando um tapinha nas costas do amigo. — Ele está tinindo após tantas horas jogando PlayStation.

Eu dava gargalhadas enquanto Lauren abria a porta do seu Chevrolet Bel Air conversível azul-celeste. Entrei, me espreguicei e senti aquele cheiro familiar dos assentos de couro. Adorava aquele carro tanto quanto Lauren. Ele estava conosco desde o princípio, desde o primeiro encontro no Sweethearts ao terrível embate com MGK no cemitério. Embora nunca admitisse, cheguei a pensar que o Chevy poderia ter personalidade própria. Lauren girou a chave na ignição, e o carro ganhou vida. Os dois pareciam se mover em sincronia, como se estivessem ligados um ao outro.

— Então, já sabe que fantasia vai usar?

— Fantasia? — perguntei, perdida.

Lauren me reprovou balançando a cabeça.

— Para o Dia das Bruxas, lembra?

— Ainda não — admiti. — Mas estou pensando nisso. E você?

— O que você acha de uma vampira? — Ela piscou o olho.

— O que você quer é aproveitar da sua brancura.

Lauren abriu um sorriso embaraçado, dizendo:

— Droga! Você me conhece bem demais...

Chegamos ao número 15 da rua Byron. Lauren curvou o corpo e beijou os meus lábios. O beijo dela era suave e doce. Para mim, era como se o mundo desabasse e eu me fundisse a ela. Sua pele era macia sob os meus dedos, e o cheiro, fresco e limpo como a maresia, me envolvia. Em tudo aquilo havia um toque mais forte, como baunilha e sândalo misturados. Eu mantinha sob o travesseiro uma das camisetas de Lauren banhada com o seu perfume, pois assim era como se ela estivesse ao meu lado todas as noites. E engraçado como o comportamento mais tolo pode parecer perfeitamente normal quando estamos apaixonados. Sei que algumas pessoas não gostavam de ver Lauren comigo, mas estávamos tão absortas uma na outra que nem percebíamos. Quando o carro de Lauren se afastou do meio-fio, voltei à realidade, como quem desperta de um sono profundo.

— Até amanhã de manhã — gritou ela, com um sorriso lindo. — Na mesma hora de sempre.

Fiquei de pé no jardim, observando, até que o Chevrolet desaparecesse no fim da rua. Aquela casa era o meu refúgio, e eu adorava descansar nela. Tudo era muito familiar: dos gastos degraus da entrada aos grandes e arejados cômodos do interior. A aparência era a de um casulo seguro, afastado da turbulência do mundo, pois, mesmo amando a vida humana, ela algumas vezes me assustava. A Terra tinha problemas — problemas muito grandes e complexos para serem entendidos. Pensar neles fazia a minha cabeça girar e me deixava com a sensação de não servir para nada. Aliás, Ally e Normani já tinham me dito que eu deveria parar de perder tempo e focar na missão. Tínhamos visitas agendadas a cidades e vilarejos próximos, para livrá-los de forças malignas. O que não sabíamos é que essas mesmas forças nos encontrariam antes.

O jantar estava quase pronto quando cheguei. Minhas irmãs estavam do lado de fora da casa, envolvidos em atividades solitárias. Ally lia um livro com total atenção, e Normani estava profundamente concentrada, compondo ao violão. Seus dedos bem-treinados massageavam as cordas com delicadeza, cordas que pareciam responder aos seus comandos silenciosos. Eu me aproximei e me ajoelhei para acariciar o nosso cachorro, Fish, que dormia com a cabeça recostada nas patas gigantes e macias.

Ele estirou o corpo ao sentir o meu toque e parecia tão forte como sempre. Depois me encarou com os olhos tristes, e sua expressão parecia dizer: "Onde você esteve o dia inteiro?". Ally estava reclinada na rede, os cabelos dourados chegando à cintura, e a sua imagem era resplandecente ao pôr do sol. No entanto, minha irmã não sabia como descansar numa rede. Parecia muito agitada, como se fosse uma criatura mítica perdida num mundo que não fazia sentido para ela. Ally usava um vestido de musselina azul-claro e se protegia do sol com uma sombrinha cheia de babados. Sem dúvida, encontrara a sombrinha em algum brechó e não conseguira resistir à compra.

— Onde você encontrou isso? — perguntei, sorrindo. — Esse tipo de sombrinha saiu de moda há algum tempo.

— Pois eu acho charmoso — disse ela, deixando o livro de lado.

Dei uma olhada na capa. — Jane Eyre? — Estranhei. — Você sabe que é uma história de amor, certo?

— Claro que sei — respondeu ela, bufando.

— Acho que você está ficando mais parecida comigo — provoquei-a.

— Duvido que um dia consiga ser tão boba quanto você — retrucou Ally, num tom despreocupado, mas seus olhos demonstravam divertimento.

Normani parou de mexer nas cordas do violão e ergueu os olhos.

— Ninguém bateria Camila nesse departamento — comentou ela, com um sorriso no rosto. 

Pousou o violão no chão com cuidado para curvar-se contra o parapeito e olhar para o mar. Eu gostava de ver a minha irmã mais tranquila. Era como se elas duas estivessem menos críticas em relação a mim, como se aceitassem mais as minhas escolhas.

— Como você sempre consegue chegar em casa antes de mim? —perguntei. — E olha que eu volto de carro, e você vem andando!

— Tenho meus truques — respondeu ela, abrindo um sorriso discreto. — Além do mais, não preciso parar a cada dois minutos para uma demonstração de carinho.

— Nós não paramos a cada dois minutos para demonstrar carinho! — respondi.

Normani ergueu uma das sobrancelhas, perguntando:

— Então por que o carro de Lauren sempre estaciona a duas quadras do colégio?

— Talvez seja verdade... — respondi, indiferente, odiando o fato de ela estar sempre certa. — Mas a cada dois minutos é exagero!

O rosto de Ally explodiu num sorriso.

— Fica tranquila, Camila. Já estamos acostumadas a essas demonstrações públicas de amor.

— Que história é essa? — perguntei, pois Ally não costumava falar sobre esse tipo de coisa. Na verdade, minha irmã era sempre muito formal.

— Ando convivendo muito com gente jovem, e você sabe... — respondeu. — Estou tentando ser mais moderna.

Eu e Normani não conseguimos prender o riso.

— Nesse caso, melhor se esforçar muito — avisei.

Gentil, Ally curvou o corpo para acariciar os meus cabelos e mudou de assunto:

— Espero que não tenha planos para este fim de semana.

— A Lauren pode ir com a gente? — perguntei, ansiosa, antes que ela me contasse o que tinha a fazer.

Há muito tempo Lauren se transformara num complemento do meu corpo. Mesmo separadas, não parecia haver distração ou atividade capaz de afastar os meus pensamentos dela. Normani revirou os olhos:

— Se ela quiser...

— Claro que vai querer — respondi, sorrindo. — Qual é o plano?

— Existe uma cidade chamada Black Ridge, a vinte quilômetros daqui — começou ela. — Dizem que estão tendo problemas por lá.

— Problemas com demônios, você quer dizer?

— Três meninas desapareceram no mês passado, e uma ponte em perfeito estado desmoronou enquanto carros passavam por ela.

Estremeci levemente.

— Parece ser o nosso tipo de problema. Quando partimos?

— No sábado — respondeu Ally. — Acho melhor você descansar um pouco.


Notas Finais


E que tudo comece de novo...


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