História Hades (Camren) - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Hades, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Mgk, Normani
Exibições 142
Palavras 3.408
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Noite Profana


A sexta-feira chegou antes do que eu esperava, e eu não estava ansiosa pela festa do Dia das Bruxas. Preferia poder passar a noite com Lauren, mas não me parecia justo impor aquela exclusividade. Normani, surpresa, balançou a cabeça em negativa ao ver a minha fantasia: um vestido branco de cetim até os joelhos, sandálias de gladiador que peguei emprestadas com Dinah e um par de pequenas asas sintéticas que aluguei na loja de fantasias. Eu era uma paródia de mim mesma, e Normani, como eu imaginava, não se impressionou. Aos seus olhos, devia parecer uma espécie de sacrilégio.

— E um pouco óbvio, não acha? — perguntou ela, irônica.

— Não! — respondi. — Se algumas pessoas suspeitam que somos algo mais que humanos, isso os deixaria em dúvida.

— Camila, você é uma mensageira do Senhor, não uma detetive de filme B — disse Normani. — Lembre-se disso.

— Quer que eu troque de roupa? — perguntei, suspirando.

— Não, ela não quer... — disse Ally, segurando a minha mão. — A fantasia é linda. E, no fim das contas, isso não passa de uma festa da escola.

Ela lançou um olhar cortante na direção de Normani, que deu de ombros. Embora passasse os seus dias fingindo ser professora de música na Bryce Hamilton, minha irmã não parecia entender muito bem o mundo adolescente. Lauren, quando chegou, estava fantasiado de caubói, de jeans surrado, botas de couro e camisa xadrez. Na cabeça, usava um chapéu.

— Doces ou travessuras? — perguntou ela, com um sorriso.

— Não quero ofender, mas você não está nem um pouco parecido com uma vampira.

— Não vejo razão para tanto sarcasmo, garota — disse Lauren, fingindo um forte sotaque do Texas. — E você, está pronta? Temos um bom caminho pela frente.

Dei uma risada.

— Você vai ficar falando com esse sotaque a noite inteira?

— É provável que sim — respondeu ela. — E vou deixar você louca de desejo.

Minha irmã tossiu para nos lembrar de sua presença. Sempre se sentia deslocada ao ouvir nossas declarações de amor.

— Não volte muito tarde — advertiu Ally. — Partiremos para Black Ridge amanhã bem cedo.

— Não se preocupe — prometeu Lauren. — Eu a trarei para casa assim que o relógio marcar meia-noite.

Normani balançou a cabeça de novo.

— Será que vocês nunca vão conseguir se livrar desses clichês de histórias de amor?

Olhei para Lauren, e sorrimos.

— Sim — respondemos.

A viagem durou meia hora até a velha casa abandonada, e a escuridão da estrada só era cortada pelos faróis dos carros que seguiam para a festa. Ao nosso redor, tudo o que havia eram campos de cultivo. Estávamos exultantes naquela noite. Era uma sensação estranha, como se o mundo pertencesse aos alunos da Bryce Hamilton. A festa marcava o fim de uma era para todos nós, e os sentimentos eram conflitantes. Estávamos a um passo da formatura e de uma grande mudança em nossas vidas, mudança que moldaria os nossos futuros. Era um novo começo, e, embora eu esperasse que ela estivesse cheia de boas surpresas, era impossível não sentir uma pitada de nostalgia por tudo o que deixávamos para trás. A vida universitária, e toda a independência que ela prometia, estava muito perto. Em pouco tempo, as amizades seriam testadas pela distância e alguns relacionamentos não sobreviveriam. O céu noturno parecia mais amplo que o normal, e uma lua crescente surgia entre as nuvens. Enquanto Lauren dirigia, a observei de soslaio. Parecia muito tranquila ao volante, sem nenhum traço de ansiedade estampado no rosto. Estávamos numa reta, e ela dirigia apenas com uma das mãos. A luz da lua atravessava a janela do carro, iluminando o rosto dela. Girou a cabeça para me olhar, com sombras dançando em suas feições.

— No que você está pensando, querida? — perguntou.

— Que eu poderia encontrar algo melhor que uma caubói...

— Você está brincando com a sorte. Sou uma caubói top de linha!

Sorri, embora sem ter entendido muito bem o que ela queria dizer. Poderia ter pedido uma explicação, mas a única coisa importante era estarmos juntas. E daí se não tivesse entendido uma piada? Talvez a noite ficasse ainda mais intrigante. Entramos num caminho repleto de árvores, seguindo uma velha picape cheia de veteranos que se autoproclamavam "Os Lobos". Não compreendia muito bem o que eles queriam dizer com isso, mas todos usavam bandanas cáqui e tinham os rostos e peitos pintados com listras negras, como guerreiros.

— Esses aí não perdem uma chance de deixar os peitorais à mostra — comentou Lauren.

Os rapazes estavam na caçamba da picape, fumando um cigarro atrás do outro e esvaziando um barril de cerveja. Quando o carro parou, soltaram um uivo e desceram em direção à casa. Um deles parou para vomitar num arbusto próximo. Após ter expelido o líquido do interior de seu estômago, espreguiçou-se e começou a correr.

A casa era o retrato perfeito do espírito do Dia das Bruxas. Era velha, e uma varanda arrasada percorria toda a sua fachada. Faltava uma boa pintura por ali. A cor original estava destruída, descascando e revelando as entranhas da casa, emprestando um ar de negligência ao cenário. Liam deve ter tido a ajuda de algumas amigas na decoração, pois a entrada da casa estava repleta de abóboras iluminadas e adesivos brilhantes, mas as janelas do segundo andar permaneciam na escuridão. Não havia nenhum rastro de civilização. Caso existissem vizinhos, estariam bem distante dali. Naquele momento, entendi a escolha do lugar para a festa. Poderíamos fazer quanto barulho quiséssemos, pois ninguém escutaria. Pensar nisso me deixou um pouco desconfortável. A única coisa que separava a casa da estrada era uma cerca decrépita, que já vira dias melhores. Havia um espantalho no meio do jardim, a uns cem metros de onde estávamos, o corpo era flácido e a cabeça assustadoramente tombada para um lado.

— Pavoroso — murmurei, aproximando-me de Lauren. — Parece tão real.

Ela passou os braços fortes ao redor do meu corpo.

— Não se preocupe. Esse espantalho só corre atrás de meninas que desprezam as namoradas.

Dei-lhe uma cotovelada.

— Não tem graça! Além do mais, as meninas acham que seria mais saudável para a nossa relação se não passássemos tanto tempo juntas.

— Não concordo — respondeu ela, mais uma vez me abraçando.

— Você diz isso porque é muito carente!

— Cuidado, o espantalho pode ouvir você...

A casa estava ficando cheia de convidados. Ela havia passado tanto tempo vazia que a luz fora cortada, e o local teve de ser iluminado com velas e lanternas. A esquerda, havia uma escadaria em caracol. Era óbvio que os pais de Liam tinham abandonado mesmo a casa, pois as escadas estavam destruídas em alguns pontos. Alguém havia posto uma vela em cada degrau e a cera estava derretendo, deixando a madeira muito escorregadia. Quartos vazios se abriam em todos os lados do amplo corredor. Sabia que casais bêbados poderiam estar dentro deles, mas a escuridão era muito grande. Seguimos descendo o corredor, esbarrando nos mais variados tipos de fantasias. Alguns tinham exagerado na caracterização. Notei dentes de vampiro, chifres de diabo e muito sangue falso. Uma pessoa muito alta e vestida de Dona Morte passou ao nosso lado, com o rosto coberto por um capuz. Vi a Alice do País das Maravilhas em versão zumbi, bonecas de pano, Edward Mãos de Tesoura e máscaras de Hannibal Lecter. Agarrei a mão de Lauren com força. Não queria estragar aquela noite, mas o cenário era muito assustador para o meu gosto. Era como se todos os personagens de histórias de terror ganhassem vida à nossa volta. A única coisa que amainava tal sensação era o falatório constante e as risadas. Alguém conectou um iPod às caixas de som, e a casa foi tomada por uma música tão alta que sacudia os lustres acima das nossas cabeças. Vencemos a multidão e encontramos Dinah e as meninas na sala de estar, sentadas em sofás velhos. A mesa de centro, à frente delas, estava repleta de lixo, cheia de copos e garrafas de vodca. Dinah mantivera a sua ideia de se fantasiar de Sininho, com um vestido verde até os joelhos, sapatilhas de balé e um par de asas de fada. Mas escolhera os acessórios com cuidado, para ficar em sintonia com o espírito do Dia das Bruxas. Nos pulsos e tornozelos, usava correntes prateadas, e o rosto e o corpo estavam tomados de sangue falso e sujeira. Uma adaga de plástico dependurava-se no peito, como se tivesse sido cravada ali. Até Lauren ficou impressionada, erguendo as sobrancelhas, como se aprovasse a produção.

— Uma Sininho gótica. Parabéns, Dinah — comentou ela.

Nós nos sentamos no sofá, ao lado de Bella, que também manteve a sua palavra e estava vestida de Coelhinha da Playboy, com corpete preto, rabinho branco e um par de orelhas de coelho. A maquiagem dos olhos já estava manchada, fazendo-os parecer estar roxos. Bella tomou mais um gole de sua bebida e bateu o copo com força contra a mesa.

— Vocês duas são um saco — disse ela. — E as fantasias são as piores!

— Qual o problema com as nossas fantasias? — perguntou Lauren, soando como se não ligasse para a opinião dela, mas quase perdendo a paciência. — Você parece a versão feminina do Woody de Toy Story — começou Bella, sem conseguir controlar um ataque de riso. — E, Camz, o que é isso? Você poderia ao menos ter vindo como um Anjo da Morte! Não estão nada assustadoras.

— Mas a sua fantasia também não é muito assustadora — retrucou Dinah, nos defendendo.

— Será...? — perguntou Lauren, que nunca gostou muito de Bella. Ela bebia e fumava muito, além de estar sempre disposta a dar a sua opinião, mesmo quando não consultada.

— Cale a boca, Woody! — gritou Bella.

— Algumas pessoas deveriam evitar beber tanto, pelo menos de vez em quando — respondeu Lauren.

— Será que você não tem um rodeio ou algo parecido para organizar?

Lauren se levantou, sem responder, distraída pela entrada do time de polo aquático, que chegou dando gritos de guerra, em uníssono. Eles foram cumprimentar Lauren no hall.

— E aí, Laur!

— Que fantasia é essa, Laurenzo?

— Foi coisa da Camila?

— Você está deixando-a controlar muito você — disse um dos meninos, que montou nas costas de Lauren como um macaco e a derrubou no chão de brincadeira.

— Parem com isso!

— Uh uh!

Seguiram-se mais algumas risadas e sons de luta entre amigos. Quando Lauren conseguiu se livrar dos golpes, tudo o que restara era a calça jeans. Os cabelos, antes perfeitamente penteados, estavam desgrenhados. Ao olhar para mim, ela deu de ombros como quem diz que não pode ser culpada pelo comportamento dos amigos e acabou vestindo uma camiseta preta atirada por um dos meninos.

— Tudo bem tigresa? — perguntei, arrumando os cabelos dela.

Eu não gostava que os amigos dela brincassem daquela maneira. Mas minha aproximação fez com que algumas sobrancelhas fossem erguidas à nossa volta.

— Camz — começou Lauren, apoiando uma das mãos no meu ombro — você tem que parar de me chamar assim em público.

— Desculpe — respondi, arrependida.

Lauren sorriu.

— Vamos beber alguma coisa.

Depois de pegar uma cerveja para ela e um refrigerante para mim, fomos para os fundos da casa e nos sentamos num sofá que alguém levara para o lado de fora. Lanternas de papel em rosa e verde estavam penduradas na varanda, lançando uma luz suave no jardim. Mais à frente os campos se transformavam num denso e escuro bosque.

Mesmo com a barulheira que vinha do lado de dentro, a noite era calma e tranquila. Um velho trator abandonado estava parado na grama. Eu pensava em como aquele cenário era pitoresco, como uma pintura representando tempos antigos, quando uma roupa íntima de renda saiu voando por uma das janelas, pousando aos nossos pés. Fiquei corada ao perceber que o casal lá dentro não estava apenas tendo uma conversa. Afastei os olhos da peça e tentei imaginar como aquela casa teria sido antes de a família Payne abandoná-la. Sem dúvida, fora uma casa grandiosa e bonita na época em que as meninas tinham damas de companhia e as danças não passavam de valsas tocadas num piano, bem diferente do que podia ser ouvido naquele momento. Os encontros sociais seriam cheios de estilo e monótonos comparados à confusão que estava sendo armada no interior da velha casa. Imaginei um homem de fraque se curvando diante de uma mulher de vestido rodado, naquela mesma varanda, embora na minha cabeça a varanda estivesse mais bem-cuidada, nova em folha. Vi também uma noite estrelada, e as portas se abrindo, deixando que a música tomasse conta da noite.

— O Dia das Bruxas é uma droga — disse Ben Carter, que estudava literatura comigo, interrompendo os meus pensamentos ao se aproximar de mim e de Lauren.

Eu teria respondido, mas Lauren me abraçou e não deixou que me concentrasse em nada mais além de seu forte abraço. Com o canto do olho, notei que a mão dela estava pousada no meu ombro e que ela se concentrava apenas em mim, o que parecia estranho ao tratar-se de um garota de 18 anos, bonita e popular. Qualquer pessoa que a visse pela primeira vez ficaria fascinada pelo corpo perfeito, pelos olhos verdes, pelo sorriso charmoso e pelos cabelos jogados de lado. Enfim, Lauren era a perfeita imagem de uma garota que poderia estar com a pessoa que quisesse. Como qualquer pessoa de sua idade, ela poderia estar aproveitando as vantagens de ser jovem e bonita. Porém, as pessoas mais próximas sabiam que ela estava comprometida unicamente comigo. Não era apenas linda, como também uma verdadeira líder, respeitada por todos. Eu a amava e a admirava, mas ainda não conseguia acreditar que fosse minha. Seria possível eu ter tanta sorte? Às vezes, eu me preocupava, imaginando se aquilo tudo não passaria de um sonho e que, se olhasse direito, ela desapareceria da minha frente. Mas não, Lauren permanecia ao meu lado. E, quando percebeu que me esquecera do comentário de Ben, ela respondeu, sorrindo:

— Calma, Carter. E só uma festa.

— Cadê a sua fantasia? — perguntei, tentando voltar à realidade.

— Não gosto de fantasias — respondeu Ben, cínico. Ele era do tipo que considerava tudo uma bobagem, como se estivesse acima de tudo. E tentava manter a personalidade sem se envolver em nada. Ao mesmo tempo, sempre dava um jeito de estar presente, pois não queria perder um acontecimento importante. — Meu Deus, esse pessoal é doente... — continuou ele, fazendo uma careta ao ver a peça íntima aos nossos pés. — Espero nunca me apaixonar tanto por uma pessoa a ponto de querer transar no meio de uma festa.

— Quanto a isso, não sei... — comentei. — Mas aposto que um dia você se apaixonará e não poderá fazer nada para evitar.

— Sem chance — respondeu ele, com os braços cruzados sobre o peito e os olhos bem fechados. — Sou muito amargo para isso.

— Eu poderia tentar juntar você com uma das minhas amigas — ofereci. Na verdade, sempre gostei de fazer isso e confiava na minha habilidade. — Que tal Ariana? Ela é solteira, bonita e não seria muito chata.

— Meu Deus, por favor, não — pediu. — Seríamos o pior casal da história.

— Por quê? — perguntei; a falta de confiança dele na minha habilidade me desapontava.

— Deixa pra lá — respondeu ele. — A minha decisão é essa. Não quero me envolver com uma menina que gosta de tomar drinques e usar salto alto. Não temos nada a dizer um ao outro, exceto adeus.

— Bom saber que você tem uma opinião tão positiva sobre as minhas amigas — comentei. — Será que você pensa o mesmo de mim?

— Não, mas você é diferente.

— Diferente?

— Você é estranha.

— Não sou estranha! — gritei. — O que tenho de estranha? Lauren, você acha que sou estranha?

— Calma, querida — disse Lauren, piscando os olhos, assustada. — Imagino que ele quis dizer "estranha" de uma forma positiva.

— Você também é estranho — devolvi a Ben, notando a petulância no meu tom de voz.

Ele tomou o resto da cerveja e disse:

— Apenas um estranho seria capaz de reconhecer outro.

O som das vozes que vinha do lado de dentro chamou a nossa atenção. A porta foi aberta, e um grupo de meninos do time de polo aquático apareceu na varanda. Era incrível, pensei, como eles se pareciam com filhotes de leão, sempre brigando e se atirando uns em cima dos outros. Lauren balançou a cabeça, lentamente, enquanto eles caíam em cima da gente. Reconheci os rostos de Nick e Shawn. Os dois estavam sem camisa e com pinturas de guerra espalhadas pelo corpo. Eles notaram a minha presença e me deram um rápido aceno, o que me fez pensar na época em que os homens se curvavam diante das mulheres. Respondi com um sorriso, pois não seria capaz de erguer as sobrancelhas como quem diz "O que foi?", já que esse tipo de reação faria com que eu me sentisse num daqueles vídeos da MTV a que Dinah adorava assistir, em que homens com capuz cantavam raps cheios de gírias.

— Anda, Woody — chamou um deles. — Vamos para o lago.

— Vamos! — gritou Lauren.

— Você conhece as regras — lembrou Shawn. — O último vai ter que pular nu na água.

— Meu Deus, esses garotos são mesmo estimulados pela mais profunda inspiração intelectual — murmurou Ben.

Relutante, Lauren se levantou, e eu a encarei, surpresa.

— Você não vai, né?

— A corrida é uma tradição do colégio — respondeu ela, sorrindo. — Fazemos isso todos os anos. Mas não se preocupe, nunca chego por último.

— Tem certeza? — perguntou Nick, descendo da varanda e andando em direção ao bosque. — Já estou em vantagem! — gritou, e os outros meninos o seguiram, empurrando-se enquanto corriam. Driblavam os arbustos selvagens e iam em direção aos campos abertos, em debandada.

Quando desapareceram, deixei Ben com suas elucubrações filosóficas e entrei na casa, à procura de Dinah. Ela e as meninas estavam reunidas num pequeno grupo no sopé da escadaria. Ariana estava com um grande saco de papel sob o braço, e todas pareciam muito sérias.

— Mila! — gritou Dinah, segurando o meu braço. — Que bom que você chegou, estamos quase começando.

— Começando o quê? -— quis saber, curiosa.

— A sessão espírita, claro.

Elas não tinham esquecido. E eu imaginava que o plano seria deixado de lado quando começassem a se divertir. — Vocês estão falando sério? — Mas elas me olhavam com total sinceridade, então tentei uma técnica diferente: — Ari, você viu que o Hank Hunt voltou? Ele parece estar procurando companhia. Ariana era louca por Hank Hunt desde o primário e não parava de falar sobre ele. Naquela noite, porém, nada a distrairia do plano. 

— E daí, quem liga para ele? Isso é muito mais importante... Vamos procurar um quarto vazio.

— Não! — respondi, firme, negando com a cabeça. — Meninas, vamos procurar outra coisa para fazer!

— É Dia das Bruxas — disse Selena, pirracenta como uma criança. — E queremos conversar com fantasmas.

— Os mortos devem permanecer onde estão — retruquei. — Poderíamos fazer a dança da maçã, ou algo parecido.

— Não seja estraga prazeres — disse Selena, subindo um degrau e me arrastando para cima. As demais seguiam logo atrás. — O que poderia dar errado? — A pergunta certa é: o que não poderia dar errado?

— Mas você nem acredita em fantasmas, certo, Mila? — perguntou Bella. — E a gente só quer se divertir um pouco.

— Não deveríamos brincar com essas coisas — suspirei.

— Tudo bem. Melhor que não venha, então — disse Selena. — Fique aí sozinha, esperando por Lauren, como sempre. A gente sabia que você acabaria não vindo, mas podemos nos divertir sem a sua presença.

Ela me lançou um olhar de amiga traída e as demais assentiram, oferecendo-lhe apoio. A verdade é que eu não conseguia fazer com que elas enxergassem o perigo daquilo. Como dizer a crianças que elas estão brincando com fogo se nunca foram queimadas? Queria que Normani estivesse ali. Ela irradiava autoridade e saberia exatamente o que dizer para elas mudarem de ideia. Normani fazia isso com as pessoas. Mas era eu quem estava ali, sem saber o que dizer. Que anjo inútil... Sabia que não tinha poderes para impedi-las, mas não podia deixar que fizessem aquilo sozinhas. Caso algo acontecesse, preferia estar presente para lidar com o que encontrássemos do outro lado. Elas estavam subindo as escadas, agarradas uma no braço da outra, murmurando coisas, ansiosas.

— Meninas — gritei. — Esperem por mim... Vou com vocês.


Notas Finais


Oh-oh... prevejo coisas acontecendo nessa sessão espírita..
Camz, Camz... Onde você foi a meter..


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