História Halo - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Tags Baekyeol, Chanbaek, Dança, Halo
Visualizações 14
Palavras 3.864
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Esporte, Ficção, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Depois de algum tempo sem postar nada, venho com essa two-shot que foi muito gostosinha de escrever. Espero que gostem!

Obs.: segue nas notas finais o link de um vídeo de uma pessoa dançando o passo de street dance que dá nome à fanfic

Capítulo 1 - Chantagem.


 

 Capítulo 01 — Chantagem.

 Escrito por: Tyciih

 

 Baekhyun sentia os ossos vibrarem com o ressoar da música.

 A coreografia já lhe estava tão intrínseca em todas as partes de seu corpo que dançar com os olhos abertos e de frente ao espelho não era necessário.

 Baekhyun já se encontrava empapado de suor. A franja grudada ao rosto lhe incomodava, e nem mesmo os fios longos que se encontravam em um coque pareciam lhe dar folga. 

 Os tênis raspavam no chão, mas o som de borracha sendo esfregada não chegava aos ouvidos do baixinho graças a sobreposição da música.

 E ele contava baixinho no ritmo das batidas: 1, 2... 3... 4.

 Faltava uma acrobacia, apenas uma acrobacia... A famosa Halo.

 Baekhyun parou com tudo. "Não, isso não está certo, eu errei mais uma vez, droga!

 Ao abrir os olhos para reiniciar a música pela quarta vez viu Wu Yifan parado próximo da porta, parecia absorto demais em sua dança.

 Wu Yifan não era o garoto mais popular de todo o colégio. Talvez alguém muito importante naquele ambiente escolar, do tipo que se você não o conhecesse, as pessoas o olhavam de cima a baixo. Yifan era o tipo de garoto que se encaixava em qualquer grupo. Tinha um quê de esportivo, sabia tocar violão como ninguém, arriscava alguns pacinhos de dança, e inclusive, recitava algumas poesias. Tinha como uma pessoa como o Wu não ser conhecida? Mas não, ele não era o garoto popular mais popular. Os garotos verdadeiramente populares daquela escola sabiam fazer tudo que Yifan fazia e muito mais.

— Eu não tinha te visto aqui, desculpa, queria falar comigo? — perguntou Baekhyun. Pegou uma garrafa de água e terminou-a em longos goles, logo em seguida amassando-a feito um papel e jogando-a em um canto qualquer da sala de dança.

 Yifan acenou positivamente com a cabeça. Desencostou-se do batente da porta e andou a passos largos até Baekhyun.

— Sua coreografia está massa, cara — disse com um sorriso. Mas estava desconfortável, as roupas pareciam lhe pinicar, e nem conseguia fazer contato visual por muito tempo. Baekhyun percebeu.

— Algo te trouxe aqui — afirmou Baekhyun — e não foi a minha dança.

— Ah, cara. — Yifan deu um tapinha no ombro do mais baixo. — Você é muito sagaz. 

 Yifan trocou o peso dos pés antes de prosseguir.

— Olha, eu vim na maior broderagem aqui... Sabe como é! Troca de favores e essas coisas. — Baekhyun revirou os olhos enquanto o Wu falava. — Vamos imaginar uma situação: talvez, só talvez, eu tenha entrado na sala de informática logo após você e talvez... Eu já enfatizei que é uma situação hipotética? Enfim. — Yifan coçou o queixo. — Pode ser que eu tenha visto algo no seu e-mail que eu não deveria ver, algo como você se declarando gay para um cara, o que é interessante, porque todos acham que você é hetero. Quer dizer, até eu achava, sabe, pegar uma das meninas mais bonitas do colégio e não gostar da fruta! Você só pode ter algum problema. Quem é esse PC afinal? Ah, cara, você deveria fechar suas páginas antes de sair de um computador, assim você dificulta para o meu lado!

— Yifan, a última coisa de que preciso agora é que você enrole, seja rápido. — Baekhyun voltou a música para o começo é já até começava a dançar novamente.

 O chinês desligou a música para que pudesse ser ouvido.

— Para alguém que não saiu do armário você está bem pouco preocupado com o que eu poderia fazer com essa informação.

— Diga de uma vez por todas. — Baekhyun rangeu os dentes.

— Você sabe dançar, eu não sei muita coisa, você tem uma orientação sexual a esconder, eu tenho uma captura de tela que poderia te expor... Ah, velho, poderíamos fazer uma parceria.

— Você fez uma captura de tela? — Baekhyun esbugalhou os olhos. — E ainda por cima está me chantageando?

 Se Yifan falasse mais um "cara" ou "velho", "mano", até mesmo se ele coçasse o queixo mais uma vez, Baekhyun jurava por tudo que era mais sagrado no mundo que o enforcaria. Enforcamento ao estilo Homer Simpson.

— Eu diria "troca de favores" mas se você quer tratar como uma "chantagem", então trataremos como uma chantagem. É, isso mesmo que você ouviu.

 O chinês não parecia mais tão legal aos olhos do baixinho. 

 Dançar? Sinceramente, Baekhyun não tinha cara de professor, mas não precisava usar da chantagem para ensinar o que sabia a alguém.

 Algo estava muito mal contado, ou era só Yifan mesmo que nascera desprovido de neurônios.

— Saia da minha sala de dança agora — pediu o coreano, com o pingo de educação que ainda lhe restava.

— Teoricamente a sala é da escola e não sua. Mas eu saio sim. Te vejo amanhã para o primeiro dia de aula, teacher?

 Okay, definitivamente Baekhyun iria enforcar o maior!

 O chinês saiu todo faceiro.

 E o baixinho correu para o celular vasculhar os e-mails.

 O problema não era se abrir para o mundo inteiro. "Ei, mãe, pai, eu sou gay", quantas maneiras já tinha pensando em começar uma conversa com seus pais que terminassem em ele se revelando. "Sehun, um garoto dançar é fator de atração para algumas garotas, mas quer saber! Não gosto da fruta", e até para o melhor amigo. Mas o problema ali não envolvia apenas ele. 

 Já faziam seis meses que começara a conversar com um garoto pela internet, não somente por e-mails. As contas do Facebook, Twitter, eram fake. O e-mail era inventado. E ambos sabiam disso, mas isso constituía a magia da coisa.

 Conversar com uma pessoa sobre quem você conhece o interior mas não o exterior era mágico. Por que se importar se era gordo, magro, baixo, alto, bonito ou feio? O que vinha de dentro era o que realmente contava.

 Apesar de nem saber o nome real do garoto por quem tinha uma quedinha — talvez um penhasco — eles possuíam um codinome, uma identidade secreta de super-herói.

 Baekhyun no e-mail era apenas aquijazumdanç[email protected] No Facebook e no Twitter seu nick era apenas Holic. 

 E era a coisa mais fofa do mundo quando o outro lhe respondia um e-mail com "Querido, Holic...".

 Seu correspondente seguia no mesmo estilo com o e-mail [email protected] Atendendo no Facebook e no Twitter apenas como PC. 

Em contrapartida, Baekhyun sempre começava seus e-mails com "PC, você nem sabe o que me aconteceu hoje..." que inclusive já se tornava seu bordão. Às vezes PC começava uma conversa com "O que te aconteceu hoje, Óh, Romeu...", o que tinha a capacidade de ser até mais fofo que ser chamado de Holic.

 E o problema das capturas de telas serem expostas era que além de revelar sua orientação sexual, PC correria o risco de descobrir sua identidade. Não leve Baekhyun a mal, mas era algo dos dois garotos esconderem suas faces verdadeiras, e funcionava para ambos, até mais que relacionamentos convencionais.

 Se era aprender a dançar que Yifan queria, então era isso que ele teria!

 

 

 De: [email protected]

Para: aquijazumdanç[email protected]

Assunto: RE Harry Potter ou Percy Jackson?

 

 Querido, Holic.

 A escola anda sendo um saco completo. Se não bastasse as provas semana que vem ainda tenho que correr atrás de orçamentos e coisas para a formatura. Vou te dar uma dica, como um bom amigo um ano mais velho, quando você estiver entrando para seu último ano não queira ser parte da comissão, e muito menos tesoureiro.

Meus colegas, em especial as meninas, querem uma festa de formatura temática, e sabe como tudo isso é cansativo? Lágrimas virtuais para você.

 Enfim, respondendo sua pergunta: eu realmente não tenho uma apreciação tão grande para livros, de modo que não li nem um dos dois que você me falou. Desculpe em te desapontar. 

 E sobre a situação aqui em casa... Ainda abeirando à loucura. 

 Para você que sempre teve pai e mãe juntos pode parecer meio difícil imaginar.

 Não quero me estender muito neste e-mail, sinto que ando escrevendo enciclopédias para te mandar, e as coisas sobre mim são meio monótonas.

 Enfim, pode me dizer o que te aconteceu hoje, Romeu?! 

 

De: aquijazumdanç[email protected]

Para: [email protected]

Assunto: Na verdade eu estava falando dos filmes mesmo.

 

 PC, você nem sabe o que me aconteceu hoje.

 As competições de dança já são semana que vem e eu ainda insisto em errar a parte das acrobacias. Caralho, a porra das acrobacias.

 A) Eu também não leio livros;

 B) Sinto muito pelo divórcio dos seus pais;

 C) Adoro as enciclopédias que você escreve, então de jeito algum pense em parar.

 

De: [email protected]

Para: aquijazumdanç[email protected]

Assunto: RE Na verdade eu estava falando dos filmes mesmo.

 

 Querido, Holic.

 Ah... Filmes...

 

• 

 

 Baekhyun começou a conversar com PC após ver uma publicação em seu Facebook. Era um vídeo de dança, não mostrava o rosto da pessoa que dançava, mas nem precisava. O baixinho por muito tempo associou aquele vídeo à imagem do garoto com quem conversava. Porque apesar de nunca revelarem a identidade para o outro, ambos os garotos passavam horas imaginando a face alheia. Será que ele é ruivo? Possui sardas? É alto? Tem barba?, vivam se perguntando.

 Holic já enviou mensagens antes pedindo para que se conhecessem pessoalmente, mas PC não se sentia preparado ainda. E paralelamente ao desejo de conhecer o outro, uma ideia ricocheteava a mente de Baekhyun, a possível ideia de se conhecerem e PC perceber que ele não era bom o suficiente.

 "E se ele não gostasse do que visse?", só de pensar que isso poderia se concretizar um frio subia por sua barriga.

 Naquele final de dia, um frio final de dia, Sehun estava empolgado caminhando ao seu lado. 

— Baek, acho que estou apaixonado. — Suspirou.

— E por que você está feliz? Tinha que estar em posição fetal. Apaixonar não é divertido. — Sorriu com a felicidade do melhor amigo.

— É porque ela é linda. Você não saberia porque nunca namorou. 

 Chegaram até a casa de Sehun. A mãe do Oh estava na cozinha preparando um guisado, com o cabelo enrolado em um coque alto, avental e muito concentrada. Baek só não passou despercebido por ela porque fazia questão de sempre cumprimentar a matriarca.

— Oi, tia Oh. Posso passar a noite aqui? — perguntou se sentando à mesa da copa e se servindo de um suco de laranja.

— Ah, Baek. Pode sim, se sua mãe deixar, é claro! — Limpou as mãos no avental antes de dar um abraço demorado no baixinho.

 Sehun observava tudo ao pé da escadaria que levava ao segundo andar. Desde que seu melhor amigo começou a dormir ali com certeza frequência, sua mãe parecia ter encontrado um segundo filho. 

— Mãe, eu e o Baek vamos ficar no quarto jogando vídeo game. — Só então percebeu que franzia a testa e tinha um bico enorme nos lábios. Suavizou a expressão antes que alguém pudesse notar que estava mortificado de ciúmes.

 Baek virou o copo de suco, se despediu da mulher de meia idade e então acompanhou o amigo escadas a cima.

 O quarto de Sehun estava exatamente do mesmo jeito da semana passada. Paredes pintadas de um azul-esverdeado, estantes com medalhas e muitos, muitos mesmo, livros. Sehun podia não parecer, mas era um nerd completo. As medalhas? Você deve estar se perguntando se é de algum esporte praticado pelo loiro. Pois está redondamente enganado, as medalhas eram de competições de matemática. Os livros? Nem sequer eram young-adults.

 Baekhyun se jogou na cama, já se sentindo em casa.

 Não demorou muito para que se enfezasse com o melhor amigo, ele sempre perdia para o maior nesses jogos de luta. Por um momento jogou o controle na cama e se deitou, como as braços sob a cabeça e as pernas bem esticadas.

— Sehun, como você sabe que está apaixonado?

 Seu amigo se deitou ao seu lado, na mesma posição.

— Eu gosto muito da risada dela. Os olhos... Ah, cara, os olhos... E os seios dela parecem me chamar.

— Eca, seu pervertido. — Baekhyun jogou uma almofada da cara do amigo, que desviou.

— Vai me dizer que você nunca pensou em enfiar a cara do meio de uns peitinhos! 

— Sehun, eu tenho algo para te contar. — Limpou a garganta. Uma hora ou outra Sehun acabaria descobrindo sua sexualidade. — Na verdade eu—.

 A porta se abrindo em um rangido impediu que Baekhyun prosseguisse com o que dizia. A senhora Oh colocou apenas a cabeça para dentro anunciando que o jantar já estava pronto.

 "Ah, bem, aquilo ficaria para mais tarde então", pensou.

 Depois do jantar Sehun até tentou voltar ao assunto de antes, mas o pequeno estava exausto e preferiu dormir. Contaria tudo no dia seguinte, talvez a interrupção da mãe do amigo até fora boa, uma vez que não se sentia totalmente preparado ainda.

 

 

 Na manhã seguinte, durante a aula de educação física Baekhyun se pegou se perguntando se algum daqueles garotos era seu correspondente. Apesar de terem um ano de diferença entre si, o mais velho fazia a mesma aula que ele, uma vez que as turmas do ensino médio se juntava para praticar esportes.

 O professor de estatura baixa dividia os meninos em duplas, para que um pudesse ajudar o outro durante o alongamento. Sempre dividia de acordo com a ordem alfabética. E a menos que tenha entrando mais um garoto na escola com o nome iniciado em B ou C, Baekhyun sempre ficava com Chanyeol, um garoto tímido e que usava óculos.

 Nunca trocaram muitas palavras durante o treino, apenas coisas do tipo "você está puxando meu braço com muita força" e "você tem uma garrafa com água?"

 Mas naquele dia em especial Baekhyun o olhava com outros olhos. Chanyeol parecia bem angelical e tranquilo. Os cabelos pretos como petróleo, a pele leitosa, a incrível capacidade de não conseguir sustentar contato visual por muito tempo. Ele era... Fofo.

— Por que você está me olhando desse jeito, tem alguma alface no meu dente? — perguntou Chanyeol.

 O baixinho gargalhou com a suposição do maior, que só ficou mais confuso.

— Não, é que você é bonito — disse sem muito enrolar. O outro ruborizou imediatamente.

— Ahn, obrigado, você também é. — Lhe lançou um sorriso sincero. — E... de alguma forma você é mais flexível que eu, admiro isso... Quero dizer, esses alongamentos me matam.

 Baek se iluminou com o elogio.

— É que eu danço, sou bem flexível mesmo — admitiu.

 Chanyeol fitou-o pelo que se estendeu por longos segundos, que pareciam mais minutos e horas. E então voltou a sorrir.

— Dança? Algo estilo Lago dos Cisnes? — Zombou.

 Chanyeol sentou-se com as pernas abertas no chão de concreto da quadra esportiva. Baekhyun segurou nas costas do companheiro de alongamento e o empurrou, auxiliando-o a segurar nas pontas dos pés. Chanyeol soltou um gemido de dor e foi a deixa para que o baixinho que o auxiliava soltasse suas costas.

 Baekhyun se sentou ao lado do maior. Fez o mesmo exercício que outrora o outro fizera, e sem nem precisar ser empurrado.

— Não, algo estilo dança de rua — respondeu, logo depois de um tempo. Chanyeol nem lembrava mais o que tinha dito, mas aceitou a resposta do menor ao seu lado com satisfação.

 Após um tempo de alongamentos, o professor reuniu a turma e dividiu os alunos em times — turma contra turma. Era nessa hora que as duplas se desfaziam e os alunos que estudavam juntos voltavam a se reunir.

 Baekhyun que fazia parte do segundo ano A, acabou tendo que enfrentar o segundo ano B. Por sua vez, Chanyeol que era do terceiro ano teve que enfrentar outra turma do terceiro ano.

 Eles não se falaram mais durante as partidas.

 

 

 Yifan não era ruim dançando. Baekhyun só achava que ele era um pouco rígido demais para uma pessoa que deveria se entregar à melodia.

— Posso te fazer uma pergunta? 

— Baekhyun, isso já foi uma pergunta.

 O baixinho revirou os olhos. Notou que revirava muito os olhos na presença do Wu.

— Por que você quer aprender a dançar? 

— As garotas gamam — respondeu sem demoras.

 O coreano se arrependeu logo em seguida de ter feito a pergunta. Oras, dança é uma arte, ele sabia muito bem que garotas gostavam de garotos que dançam, mas as pessoas tinham que dançar pelo desejo de transmitir seus sentimentos, não para receber paqueras, aquilo não fazia o menor sentido.

 Baekhyun suspirou. Queria dizer ao mais alto que os passos de hip-hop que fazia eram muito secos, quase como um robô. Mas ao mesmo tempo não queria ajudá-lo, não quando tudo aquilo não passava de uma chantagem.

 Baekhyun trocou de música, uma mais fácil em sua opinião. Primeiro ensinou todos os passos dos pés, e então ensinou separadamente os das mãos. Ao juntar pés e mãos a dança fazia mais sentido, mas era meio difícil para um iniciante pegar ambos juntos.

 Yifan pegava a coreografia rápido, mas o corpo não acompanhava muito bem. Um passo para frente, ele fazia em dois passos. Um movimento lento de mãos, ele fazia rápido. Um verdadeiro desastre.

— Você não está me ensinando direito — concluiu Yifan.

— Não é verdade, você que não está acompanhando — retrucou o baixinho.

 O chinês se estressou, pegou a mochila que estava jogada em um canto qualquer da sala, e ameaçou sair dali pisando firme. O coreano fora mais rápido e segurou o pulso do mais alto, impedindo que saísse.

— Ou você vai aprender, ou eu te mato quando espalhar para a escola sobre minha orientação sexual. Você escolhe. — Forçou um olhar mortífero, que na verdade não precisava de muito esforço.

 O chinês concordou veemente e engoliu em seco ao largar a mochila mais uma vez. 

 A dança de Yifan continuou robótica e travada demais. Aquilo só poderia ser resolvido com prática, prática e mais prática. Não era simplesmente querer e conseguir. 

 Ele acabou percebendo isso da pior forma.

— Desculpa, cara, não achei que fosse tão difícil.

— Acho melhor ir se acostumando se quer que eu continue te ensinando — disse Baekhyun, indo em direção ao som e ligando numa música agitada. — Vamos mais uma vez. Vai lá! 1... 2... 3. Muito rápido, Yifan, de novo. — Reiniciou a melodia. — Agora você está rápido demais. — Bufou.

 Depois de uma hora e meia e muito esforço, Yifan começava a aprender a controlar o timing

 Foi quando Baekhyun decidiu treinar a própria coreografia que apresentaria em pouco tempo para toda a escola. Mal percebeu quando Yifan deixou a sala e muito menos que já estava tarde a ponto do sol se por.

 Desligou o som, jogou a mochila de qualquer jeito nas costas, e aproveitando que não tinha mais ninguém na sala, trocou de roupa ali mesmo, voltando a colocar o uniforme escolar que tinha o costume de tirar durante os ensaios, uma vez que o tecido o deixava preso demais e tinha seus movimentos limitados, portanto sempre que treinava, usava as roupas de educação física.

 Roupas finalmente trocadas e Baekhyun deixou a sala, desligando todas as luzes e a trancando.

 O colégio não tinha um professor de dança e muito menos grupos de dança, mas aquela sala nunca parou de ser usada. Baekhyun era o único que ia ali, e por isso o único que possuía a chave do lugar.

 Até apareciam alguns alunos interessados em dança, mas no geral, eles treinavam em estúdios específicos com professores de dança, e então aquela sala ficava vazia.  

Mas, apesar de quase ninguém usar aquele lugar, ainda sim existiam alunos dançarinos no colégio — além de Baekhyun. E em todo final de semestre acontecia um concurso de dança.

 O concurso reunia alunos de vários colégios diferentes, além de ser aberto para os pais e familiares — ou quem os alunos quisessem convidar para assistir às disputas. 

 Baekhyun participava assim que podia, e até já conseguiu ganhar um segundo lugar em uma das vezes em que disputou. Nessa ele não aceitaria menos que o primeiro lugar, e para isso treinava sempre depois das aulas.

 

 

 

De: [email protected]

Para: aquijazumdanç[email protected]

Assunto: Você.

 

 Querido, Holic.

 Não sei quantos dançarinos existem na nossa escola, mas eu conheci um bem fofo hoje. Seria você? 

 Eu sei, eu sei... Sou eu que digo que nunca estou preparado para te encontrar, nunca estou preparado para me revelar. Mas pela primeira vez em seis meses estou cogitando a ideia. 

O que você acha de um encontro?

 

De: aquijazumdanç[email protected]

Para: [email protected]

Assunto: RE Você.

 

 PC....

Acho simplesmente maravilhoso!!!!

 

De: [email protected]

Para: aquijazumdanç[email protected]

Assunto: Encontro.

 

 Querido, Holic

 Você vem me falando do concurso de dança há algum tempo, então eu pensei "por que não ser lá?". Afinal, estou louco para ver sua dança! 

 Sabe, as coisas andam bem esquisitas e acho que te encontrar pessoalmente possa me fazer esquecer um pouco dos problemas familiares. Enfim, não quero que se sinta mal por mim, nem sinta pena ao se encontrar comigo... É... Só... Ai, meu Deus, o que eu estou dizendo? É claro que quero te ver, eu seria muito egoísta se quisesse te encontrar só para me sentir melhor, não é isso, definitivamente é por nós dois. Está mais do que na hora!

 Eu disse, eu sempre acabo falando demais...

 

 

 Foi na biblioteca que Baekhyun notou Chanyeol sentado em um canto, todo concentrado, usando uma calculadora e mordiscando o canto interno da boca. Por algum motivo estranho, ele se sentia tentado a ir até o mais velho e conversar um pouco. Porque ali, iluminado pela fraca luz de um computador e rabiscando no próprio caderno e virando as páginas de um livro surrado, Chanyeol parecia lindo.

 Baekhyun notou que era matemática quando Chanyeol se estirou na cadeira, provavelmente desistindo de tudo aquilo. O menor sorriu e se aproximou lentamente do maior, que acabou levando um sobressalto ao ouvir uma voz atrás de si.

— O que você está estudando? — perguntou Baekhyun, puxando uma cadeira ao lado e sentando-se. O Byun carregava alguns livros de biologia e os descansou na mesa, bem ao lado dos materiais do Park, que sorriu ao ver o menor.

— Não estou estudando... É um caderno de gastos — explicou, divertindo-se com a expressão confusa do mais novo.

— Uau! Que responsável... Eu acho.

— E você? O que está estudando? — Chanyeol direcionou o olhar para as apostilas enormes. Apoiou a cabeça na própria mão esquerda, olhando preguiçoso para aquele mundaral de páginas.

— Ah... Isso? Na verdade eu queria achar um motivo para me aproximar e me sentar aqui sem parecer um perseguidor, e, bem, pegar alguns livros e trazer para cá foi o que me pareceu mais apropriado. — Sorriu malicioso.

— Sábio! — Chanyeol retribuiu o sorriso. — Na verdade eu já estava de saída mesmo, está com fome, quer ir a algum lugar? — Se levantou, juntando todos os materiais e colocando em sua mochila.

— Se não for incomodo para você, eu quero sim. Mas agora eu terei que devolver tudo isso que peguei. — Fez um bico. — Acho que não fui muito inteligente, afinal.

 Chanyeol deliciou-se com a visão do menor fazendo manha. 

— Se eu fosse você, os deixava em qualquer lugar, a bibliotecária que os arrume depois, o que acha?

— Você tem razão, hyung. — Pegou os livros e fez exatamente o que o mais velho sugeriu, que o esperou na porta dupla da biblioteca enquanto isso.

 Assim que Baekhyun depositou os livros em uma estante qualquer — provavelmente de romance, pelo que lera rápido a seção em que estava —, foi correndo até o lado do maior.

— Então, vamos?! — perguntou, mas nem precisava, já sabia a resposta.


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...