História Halo (Camren) - Capítulo 23


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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Normani
Exibições 180
Palavras 2.411
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 23 - Descanse em Paz


Segundo as crenças da maioria dos humanos, há apenas duas dimensões: a dos vivos e a dos mortos. Eles não percebem que existem muitas outras. As pessoas na Terra vivem paralelamente a outros seres que estão ao alcance das mãos, mas são invisíveis ao olho não treinado. Alguns são chamados de Seres do Arco-Íris, imortais capazes de viajar entre os mundos, feitos unicamente de sabedoria e compreensão. Às vezes, os humanos os vislumbram, na passagem entre um domínio e outro. Parecem-se com um raio de luz branca e cintilante ou com o brilho pálido de um arco-íris suspenso no ar. A maioria dos humanos supõe estar testemunhando um efeito luminoso. Poucos podem sentir uma presença divina. Agradava-me pensar que Lauren era uma desses privilegiados. 


Encontrei Lauren na cantina, sentei-me a seu lado e peguei alguns nachos do saquinho que ela me ofereceu. Quando ela mudou de posição na cadeira e sua coxa se arrastou na minha, senti um calafrio percorrer meu corpo. Não pude aproveitar a sensação durante muito tempo, pois o som de vozes alteradas chegou a nós vindo do balcão. Dois adolescentes bem jovens brigavam por um lugar na fila. 

— Cara, você furou a fila! 

— Furei nada, estava aqui o tempo todo. 

— Mentira! Pergunte a quem quiser! 

Sem nenhum professor à vista, a discussão evoluiu para empurrões e troca de palavrões. Algumas meninas do primeiro ano logo atrás dos dois começaram a ficar preocupadas quando um deles agarrou o outro pelo pescoço. 

Lauren se levantou em um salto para intervir, porém voltou a sentar-se quando alguém se antecipou a ele. Era Zayn Malik, um garoto de cabelo preto curto que passava o tempo todo de iPod no ouvido e não entregara um único trabalho ao longo de todo o ano. Em geral, não tomava o menor conhecimento do que acontecia à sua volta. Naquele momento, porém, se interpôs entre os dois brigões para apartá-los. Não dava para ouvir o que ele dizia, mas os garotos relutantemente se afastaram, chegando a acatar a instrução de Zayn para apertarem as mãos um do outro.

Lauren e eu trocamos olhares. 

— Zayn Malik agindo com bom senso? Isso é novidade — observou Lauren. 

Ocorreu-me que tínhamos assistido a um exemplo de peso da sutil transformação na maneira de pensar na Bryce Hamilton. Na mesma hora, concluí que Ally e Normani adorariam saber que seu esforço estava sendo recompensado. Obviamente, existiam lugares mais necessitados no mundo do que Venus Cove, mas eles não faziam parte da nossa missão, estavam entregues a outros vigilantes. Em segredo, sentia-me grata por não ter sido enviada a uma parte do mundo destroçada pela guerra, pela pobreza ou por catástrofes naturais. As imagens desses lugares nos noticiários já eram suficientemente desafiadoras. Eu evitava assistir aos telejornais, pois em geral me causavam uma sensação de desespero. Era impossível para mim ver na tela crianças vítimas da fome e das doenças provocadas pela falta de água potável. Quando pensava no tipo de coisas que os humanos eram capazes de encarar com indiferença, me dava vontade de chorar. O que fazia uma pessoa ser mais ou menos merecedora que outra? Ninguém deveria sentir fome, solidão ou desejar a morte. Embora rezasse pedindo a intervenção divina, às vezes essa noção me deixava com raiva. 

Quando conversava a respeito com Normani, ela dizia que eu ainda não estava pronta para entender, mas que um dia estaria. 

— Lide com o que você é capaz de lidar — era seu conselho. 

Na manhã seguinte, nós três tomamos o caminho de Fairhaven, o asilo local. Eu visitara Alice uma ou duas vezes conforme prometera, mas as visitas tinham ficado mais escassas desde que passei a dedicar a maior parte do meu tempo livre a Lauren. Porém, Normani e Ally iam lá com frequência, e sempre levavam Fish. Segundo ambos, sempre ia direto a Alice sem precisar que lhe mostrassem onde ela estava. 

Como Dinah também tinha se oferecido para o trabalho voluntário, fizemos um desvio para apanhá-la, e a encontramos pronta, apesar de serem nove horas da manhã de um sábado, dia em que eu sabia que ela raramente saía da cama antes do meio-dia. Ficamos surpresos ao reparar que ela estava produzida como se estivesse indo para uma sessão de fotos, de minissaia jeans, salto alto e blusa quadriculada. Veronica dormira na casa dela e parecia chocada com a disposição da amiga de perder uma maratona de Gossip Girl na televisão para cuidar de idosos. 

— O que você vai fazer num asilo? — ouvi-a perguntar quando abri a porta do carro para Dinah. 

— Todo mundo acaba indo parar lá um dia — respondeu Dinah com um sorriso, enquanto checava o brilho labial na janela do carro. 

— Eu não — protestou Veronica. — Esses lugares fedem. 

— Ligo para você depois — prometeu Dinah antes de se sentar ao meu lado. 

— Mas Dinah — insistiu  Veronica — Siope e Keana iam se encontrar conosco agora de manhã. 

— Diga a eles que eu mandei um "oi". 

Veronica ficou olhando enquanto nosso carro se afastava, obviamente imaginando quem havia sequestrado sua melhor amiga e deixado em seu lugar aquela impostora. 

Quando chegamos a Fairhaven, os funcionários nos receberam com satisfação. Estavam habituados às visitas de Normani e Ally, mas a presença de Dinah surpreendeu a todos. 

— Esta é Dinah — disse Normani — que gentilmente se ofereceu para nos ajudar hoje. 

— Ficamos sempre agradecidos por qualquer ajuda extra — disse Helen, uma das enfermeiras daquela ala — principalmente quando estamos tão desfalcados como hoje. — Ela parecia exausta. 

— Ficou feliz de poder ajudar — disse Dinah, articulando as palavras lentamente, como se Helen tivesse problemas de audição. — É muito importante retribuir à comunidade de alguma forma. 

Dinah lançou um olhar de esguelha para Normani, mas ela estava ocupada abrindo a capa do violão e não reparou. 

— Vocês chegaram bem a tempo para o café da manhã — disse Helen. 

— Obrigada, mas já tomei o meu — agradeceu Dinah. 

O rosto de Helen estampou uma expressão confusa. 

— Eu quis dizer o café dos residentes. Você pode nos ajudar, se quiser. 

Nós a seguimos por um corredor lúgubre até o refeitório, que estava em péssimo estado e tinha um ar desolador, apesar da música de Vivaldi que preenchia o ambiente vinda de um antigo aparelho de CD. O carpete floral estava gasto, e a estampa de flores das cortinas, desbotada. Os residentes ocupavam cadeiras de plástico distribuídas ao redor de mesas de fórmica. Os incapazes de se manter eretos sentavam em fundas cadeiras de couro chamadas de banheiras. A despeito dos purificadores de ar conectados às tomadas nas paredes, sentia-se claramente um odor de amônia misturado ao cheiro de legumes cozidos. Uma televisão portátil, ligada num dos cantos, transmitia um documentário sobre a vida selvagem. Os funcionários, em sua maioria do sexo feminino, ocupavam-se com a tarefa rotineira de dobrar guardanapos, servir as mesas e prender babadores nos residentes incapazes de cuidar de si. Alguns rostos demonstraram expectativa quando entramos, já outros pareciam mal saber onde se encontravam. 

As bandejas de café da manhã se encontravam empilhadas em um carrinho e as refeições estavam em pratos de papel de alumínio lacrados. Na parte inferior viam-se fileiras de canecas de plástico. 

Não vi Alice por ali, então passei a meia hora seguinte dando de comer a uma mulher chamada Dora, sentada numa cadeira de rodas com uma manta multicolorida sobre as pernas, o corpo esparramado, a boca aberta e os olhos inexpressivos. Sua pele tinha um aspecto amarelado, e as mãos eram cheias de manchas escuras. No rosto, pequenos vasos rompidos transpareciam sob a pele fina como papel. Eu não sabia ao certo o que tinha no "café da manhã" em Fairhaven, mas a aparência era de uma pasta grudenta amarelo-clara. Eu sabia que alguns residentes ingeriam comida pastosa para evitar o risco de engasgar. 

— O que é isso? — perguntei a Helen. 

— Ovos mexidos — respondeu ela, antes de se afastar com o carrinho. 

Um senhor idoso tentou ingerir o conteúdo de uma colher, mas suas mãos tremiam tanto que ele acabou derramando tudo no colo. Em um instante, Normani já estava a seu lado. 

— Pode deixar comigo — disse ela, recolhendo a comida com uma toalha de papel. Dinah ficou tão deslumbrada com a cena que se esqueceu da senhora que estava ajudando, que manteve a boca aberta à espera de ser alimentada. 

Depois de ajudar Dora, passei para Mabel, que tinha a fama de ser a residente mais truculenta de Fairhaven. Ela empurrou a colher que lhe ofereci e fechou a boca resolutamente. 

— Não está com fome? — indaguei. 

— Ora, não se preocupe com Mabel - ldisse Helen. — Ela está esperando por Normani. Quando ela está, ela não aceita comer com mais ninguém. 

— Tudo bem — respondi. Não vi Alice hoje. 

— Ela foi transferida para um quarto particular respondeu Helen. — Infelizmente, seu estado piorou desde que você a viu pela última vez. Está enxergando muito mal e se recuperando de uma infecção pulmonar. O quarto fica ali naquele corredor, a primeira porta à direita. Tenho certeza de que a sua visita vai lhe fazer muito bem. 

Por que Normani e Ally não tinham me contado nada? Será que acharam que eu estava tão entretida no meu próprio mundo que não iria me importar? Atravessei o corredor a caminho do quarto de Alice com uma crescente sensação de medo. 

Fish se antecipou e chegou antes de mim, postando-se, vigilante, à porta. Quando a abri e ambos entramos, quase não reconheci a mulher deitada na cama. Não se parecia em nada com a Alice de que eu me lembrava. A doença devastara seu rosto e a transformara. O corpo parecia frágil como o de um passarinho, e o cabelo ralo estava despenteado. Não usava mais os casaquinhos coloridos, substituídos por uma camisola branca comum. 

Não abriu os olhos quando a chamei pelo nome, mas estendeu a mão para mim. Fish afagou-a com o focinho antes que eu pudesse apanhá-la. 

— É você, Fish? — perguntou Alice numa voz rouca. 

— Fish e Camila — respondi. — Viemos fazer uma visita. 

— Camila... — repetiu Alice. — Que bom que você veio. Senti saudades suas. 

Seus olhos continuavam fechados, como se o esforço de abri-los fosse grande demais. 

— Como você está? — perguntei. — Quer que eu pegue algo? 

— Não, querida, obrigada. 

— Desculpe ter passado tanto tempo sem aparecer. É que... 

Eu não sabia que justificativa oferecer para explicar meu comportamento negligente. 

— Eu sei — disse ela. — A vida atrapalha. Não precisa se desculpar. Você está aqui, e isso é o que importa. Espero que Fish esteja se comportando bem. 

Fish reagiu com um breve latido ao ouvir o próprio nome. 

— Ele é o companheiro perfeito. 

— Bom garoto — elogiou Alice. 

— Que história é essa de você estar doente? — perguntei num tom animado. — Vamos ter que botar você em pé rapidinho! 

— Não sei ao certo se é isso o que quero. Acho que talvez já esteja na hora... 

— Não diga isso. Você só precisa de um pouco de repouso e... 

A cabeça de Alice de repente se inclinou e seus olhos se abriram, embora sem focalizar coisa alguma, encarando apenas o nada. 

— Eu sei quem você é — disse ela, numa voz rouca. 

— Que ótimo — respondi, sentindo um aperto de medo no peito. — Ainda bem que não me esqueceu. 

— Você veio para me levar — disse ela, — Não agora, mas em breve. 

— Para onde vamos? — perguntei. Eu não queria aceitar o que ela estava dizendo. 

— Para o Céu — respondeu Alice. — Não posso ver seu rosto, Camila, mas vejo sua luz. 

Encarei-a, sem fala. 

— Você vai me mostrar o caminho, não vai? 

Toquei seu pulso e chequei os batimentos cardíacos. Parecia uma vela consumida quase até o fim. Eu sabia que não devia permitir que a ligação existente entre nós me impedisse de cumprir a missão que me cabia. Fechei os olhos e me lembrei da entidade que eu era no Reino: um guia, um mentor de almas em transição. Minha função consistia em consolar as almas das crianças ao fazerem a transição. 

— Quando chegar a hora, você não estará sozinha. 

— Estou com medo. Camila, haverá escuridão? 

— Não, Alice, só luz. 

— E os meus pecados? Nem sempre fui um modelo de bondade — confessou, com um toque do seu velho jeito destemido vindo à tona. 

— O Pai que conheço perdoa tudo. 

— Vou ver novamente aqueles que amo? 

— Você vai entrar para uma família muito maior. Será como uma só em conjunto com todas as criaturas deste mundo e além. 

Alice afundou novamente a cabeça nos travesseiros, parecendo satisfeita, mas cansada. As pálpebras estremeceram. 

— Tente dormir um pouco agora — sugeri. 

Fechei os dedos em torno daquela mãozinha frágil, e Fish encostou a cabeça no braço da sua dona. Juntos, ficamos observando ela adormecer. 

A caminho de casa, continuei a pensar em Alice e no que ela dissera. Observar a morte de cima era triste, mas vivenciá-la na Terra partia o coração. Era uma dor física para a qual não havia remédio. Senti uma pontada de culpa no peito por me permitir ficar obcecada por meu amor por Lauren a ponto de negligenciar minhas outras responsabilidades. O Céu aprovava o nosso relacionamento, ao menos por enquanto, e eu não podia permitir que ele me consumisse. Ao mesmo tempo, tudo o que eu queria era encontrá-la e sentir seu cheiro reconfortante. Nenhuma outra pessoa que conheci jamais foi capaz de me fazer sentir tão viva. 

No dia seguinte soubemos que Alice falecera dormindo. Não me surpreendi, já que eu despertara durante a noite com a chuva batendo na janela e vira seu espírito pairando lá fora. Ela sorria e parecia totalmente em paz. Alice tivera uma existência plena e rica e estava pronta para seguir em frente. A perda seria mais dolorosa para a família, que não aproveitara ao máximo a convivência com ela. Eles ainda não sabiam, mas um dia teriam uma segunda chance. 

Senti seu espírito quando ele deixou este mundo, empolgado com a expectativa do desconhecido. Alice já não sentia medo, apenas ansiedade pelo que haveria depois. Aproximei-me dela mentalmente num último gesto de despedida.


Notas Finais


Chorei com esse cap
Descanse em paz Alice 😢


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