História Halo (Camren) - Capítulo 26


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Normani
Exibições 184
Palavras 4.063
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Agora que o circo começa a pegar fogo!!
Boa leitura

Capítulo 26 - A Festa de Formatura


A festa de formatura acontecia no Pavilion Tennis Club. Com seu terreno espaçoso e inúmeros salões com vista para a baía, sem dúvida era o melhor local da região para abrigar recepções. 

A limusine passou deslizando diante do alto muro de pedra e atravessou os portões de ferro batido para entrar em um caminho sinuoso de cascalho cercado de gramados e arbustos. Fontes de pedra ornamentavam o jardim, uma delas com no formato de um majestoso leão com uma pata erguida em posição de ataque e um arco de água escorrendo em cascata de cada uma das garras. Havia até um pequeno lago com uma ponte e um caramanchão, que mais pareciam pertencer a um castelo antigo de algum lugar da Europa do que a uma cidade tão descontraída quanto Venus Cove. Era impossível não ficar maravilhada com tanto luxo. MGK, por outro lado, me passou impressão de indiferença. Manteve a expressão perpetuamente entediada e a boca enrugada num sorriso forçado sempre que nossos olhares se cruzavam. 

Conforme a limusine prosseguia, passamos pelas quadras de tênis, que reluziam como piscinas verde-esmeralda sob a iluminação, e nos aproximamos do pavilhão em si, um prédio envidraçado, grande e circular, com um telhado inclinado e contornado por amplas varandas brancas. Uma fila interminável de casais ia entrando, os rapazes empertigados e as moças agarradas a suas bolsas de festa e ajeitando as alças dos vestidos. Embora estivessem deslumbrantes nos smokings, os rapazes não passavam, na verdade, de acompanhantes. A noite pertencia nitidamente às garotas. Cada rosto feminino que vi estampava a mesma expressão de expectativa.

Alguns grupos tinham chegado em limusines e carros com motoristas, enquanto outros haviam optado por um ônibus fretado de dois andares, que acabara de encostar para permitir que seus passageiros empolgados desembarcassem. Percebi que o interior do ônibus fora redecorado para parecer uma boate, com direito a luzes estroboscópicas e música alta. 

Ao menos por essa noite, a filosofia feminista tinha sido abandonada, e as meninas, como princesas de contos de fadas, se permitiam ser conduzidas escada acima até o saião. À minha direita, Dinah estava entretida demais com o cenário para conversar com Siope, que definitivamente estava elegante de terno. À minha esquerda, Veronica tirava centenas de fotos, ansiosa para registrar os mínimos detalhes. Não parava de lançar olhares furtivos para MGK, sempre que achava que ele não estava vendo. Até que MGK percebeu um desses olhares e a recompensou com uma piscadela. As bochechas dela coraram tanto que achei um milagre a maquiagem não ter derretido. 

Dr. Chester, o diretor da Bryce Hamilton, se postara logo na entrada do salão, vestindo um terno cinza-claro e cercado de pedestais com arranjos de flores. Outros funcionários haviam se posicionado estrategicamente, a fim de admirar a entrada dos jovens casais. Notei algumas gotas de suor brotando na testa imponente do dr. Chester, o único sinal que denunciava o estresse de forma explícita. Apesar do sorriso de orelha a orelha, seus olhos confessavam que ele preferia ter ficado em casa sentado em sua poltrona favorita, em vez de supervisionar um grupo de formandos mimados decididos a fazer daquela noite a mais memorável de suas vidas. 

MGK e eu entramos na fila de casais produzidos que aguardavam para entrar. Dinah e Siope estavam à nossa frente, e eu os observei atentamente para memorizar o protocolo e não passar vergonha. 

— Dr. Chester, meu par, Dinah Jane — apresentou Siope num tom formal. 

Parecia um comportamento estranho, vindo de um rapaz que costumava se divertir com os amigos desenhando genitais gigantes no asfalto na frente da escola. Eu sabia que Dinah o instruíra para ser o mais comportado possível nessa noite. O dr. Chester sorriu, benevolente, apertou a mão de Siope e fez sinal para o casal entrar. 

Vínhamos em seguida. MGK enlaçou meu braço no dele. 

— Dr. Chester, meu par, Karla Camila Cabello — disse galantemente, como se estivesse numa corte imperial. 

O dr. Chester me lançou um caloroso sorriso de aprovação. 

— Como você sabe meu primeiro nome? — indaguei depois de entrarmos. 

— Não cheguei a comentar que sou vidente? — respondeu MGK. 

Seguimos uma onda de gente até o salão de baile, que era ainda mais luxuoso do que eu imaginara. As paredes eram envidraçadas do teto ao chão, o carpete exuberante era cor de vinho escuro, e a pista de dança de parquete reluzia sob os lustres de cristal, que projetavam pequenas meias-luas de luz ao redor. Através do vidro dava para ver um pedaço do oceano oscilando e uma pequena coluna branca que lembrava um saleiro. Levei alguns segundos para perceber que se tratava do farol. Havia mesas espalhadas por todo o salão, cobertas por toalhas brancas e com porcelana de boa qualidade. Os centros de mesa eram arranjos de botões de rosa amarelos e cor-de-rosa, e as toalhas tinham sido salpicadas de lantejoulas prateadas. Nos fundos do salão, a orquestra afinava os instrumentos, e garçons corriam de lá para cá, carregando bandejas de ponche sem álcool. 

Vi Normani e Ally sozinhas num canto observando a movimentação, parecendo tão surreais que quase doía olhar para as duas. A expressão de Normani era indecifrável, mas percebi que não estava curtindo a noite. Os alunos admiravam Ally num silêncio embevecido ao passar, mas ninguém tinha coragem de chegar mais perto. Vi os olhos de  Normani varrerem o salão até encontrarem MGK. Sua visão de laser estudou-o com uma intensidade penetrante durante alguns segundos antes de se desviar. 

— Vocês estão na nossa mesa! — exclamou Dinah, me abraçando por trás. — Vamos sentar, meu sapato já está me matando. 

No entanto, depois que pôs os olhos em Normani, emendou: 

— Pensando bem, é melhor primeiro eu dar boa-noite à sua irmã... Não quero parecer mal-educada! 

Encarregamos MGK de encontrar nossos lugares e nos dirigimos onde estava a minha irmã. Normani, em pé com as mãos para trás, exibia uma expressão fechada, observando a cena. 

— Oi — disse Dinah, equilibrando-se sobre os sapatos tirinhas e salto agulha. 

— Boa noite, Dinah — retribuiu Normani. – Você esta cativante esta noite. 

Dinah me lançou um olhar desconfiado. 

— Ela quis dizer que você está bonita — sussurrei , vendo o rosto dela se iluminar. 

— Obrigada! — agradeceu. — Você também está muito cativante. Está se divertindo? 

— Essa talvez não seja a palavra mais apta para descrever minha disposição — respondeu Normani. — Nunca apreciei muito os eventos sociais. 

— Entendi — concordou Dinah. — A parte do baile é sempre meio chata. As coisas ficam boas mesmo na pós-festa. Você vai? 

O rosto de pedra de Normani suavizou-se durante um momento, e os cantos da boca começaram a formar um sorriso. Em segundos, porém, ela se recompôs. 

— Como professora, acho que é meu dever fingir que não ouvi falar de uma pós-festa — disse Normani. — O Dr. Chester as proibiu. 

— É. Bem, ele não pode fazer grande coisa quanto a isso, não é? — indagou Dinah, rindo. 

— Quem é seu par? — perguntou Normani, mudando de assunto. — Acho que não o conheço. 

— O nome dele é Siope, está sentado ali naquela mesa.

Dinah apontou para onde Siope e um amigo disputavam queda de braço na mesa impecavelmente arrumada. Um deles derrubou um copo, que saiu rolando pelo chão. Normani observou os dois com um olhar repreendedor. 

O rosto de Dinah enrubesceu de vergonha, e ela olhou em outra direção. 

— Siope é meio imaturo às vezes, mas é um bom rapaz. Bem, acho melhor eu voltar antes que ele destrua algo de valor e expulsem a gente! Nos vemos mais tarde. Guardei uma dança para você. 

Fui obrigada a praticamente empurrar Dinah até a nossa mesa, onde ela continuou olhando para Normani, sem disfaçar que estava absolutamente hipnotizada. Siope não chegou a perceber. 

Logo me dei conta de que, a despeito do ambiente mágico, eu também não estava me divertindo. Minhas conversas eram triviais, e várias vezes me peguei olhando em volta à procura um relógio. Comecei a pensar se eu poderia pedir licença e me afastar por um tempo para ligar para Lauren. No entanto, ainda que pedisse emprestado o celular de Dinah, não havia nenhum lugar para falar com privacidade. Os professores estavam parados à porta principal a fim de impedir que alguém fugisse para o jardim, e os banheiros estavam repletos de garotas retocando a maquiagem. 

A noite me parecia sem brilho depois de tanta expectativa. A culpa não era de MGK. Dava para ver que ele estava se esforçando. Era um acompanhante atencioso e ora queria saber se eu me divertia, ora contava piadas aos outros ocupantes da mesa. Porém, quando olhei à volta para as garotas que beliscavam a comida e espanavam com a mão fiapos imaginários dos vestidos, não pude deixar de pensar que aparentemente a única finalidade do evento era ficar sentada ali toda produzida. Depois de todo mundo olhar todo mundo de cima a baixo, restava pouco a fazer. 

Mesmo enquanto batia papo com os outros, os olhos de MGK raramente se desviavam de mim. Dava a impressão de que fazia questão de seguir todos os meus movimentos. Às vezes eu tentava me incluir na conversa fazendo perguntas, mas respondia à maioria delas de forma monossilábica, sem tirar os olhos das mãos. Não era minha intenção estragar a noite de ninguém ou ficar lá de cara emburrada, mas meus pensamentos giravam apenas em torno de Lauren. A certa altura, me peguei pensando no que ela estava fazendo, imaginando como a noite poderia ser diferente se ela estivesse ao meu lado. Eu estava no lugar certo, usando o vestido certo, mas com a pessoa errada, e não conseguia impedir que isso me deixasse um pouco melancólica. 

— Qual é o problema, princesa? - indagou MGK.

— Nenhum — respondi rapidamente. — Estou adorando. 

— Que mentira! — brincou ele. — Que tal jogarmos um joguinho? 

— Se você quiser. 

— Tudo bem... Como você me definiria em uma única palavra? 

— Motivado? — sugeri. 

— Errado. Motivado é a última coisa que sou. Engraçado você dizer isso, porque nunca faço meus trabalhos. O que mais me torna único? 

— Seu gel de cabelo? Seu jeito galante? Seus seis dedos do pé? 

— Ora, essa foi injusta. O sexto dedo foi amputado anos atrás — disse ele, abrindo um sorriso. — Agora, defina a você mesma em uma só palavra. 

— Ai... — hesitei. — Não sei... É difícil. 

— Ótimo! Eu jamais poderia gostar de uma garota que se definisse em uma palavra. Não há complexidade nisso. E sem complexidade não há empolgação. 

— Você gosta de empolgação? — perguntei. — Segundo Dinah, tudo que um rapaz quer é uma garota tranquila. 

— "Tranquila" significa fácil de ser levada para a cama - respondeu MGK — mas suponho que não haja nada de errado nisso. 

— Não seria o oposto de empolgada? Decida-se! 

— Um jogo de xadrez pode ser empolgante. 

— Ah... Pode, sim. Talvez garotas e peças de xadrez sejam mais ou menos a mesma coisa para você. 

— De jeito nenhum — disse MGK. — Você já partiu algum coração? 

— Não — respondi. — E espero nunca partir. E você? 

—Já. Muitos. Mas nunca sem um bom motivo. 

— Que tipo de motivos? 

— As garotas não eram certas para mim. 

— Espero que você tenha terminado pessoalmente - observei. — Não pelo telefone ou algo assim. 

— O que você acha que eu sou? — indignou-se MGK. — Isso é o mínimo que elas mereciam. Aquele tantinho de dignidade foi tudo que lhes restou no final. 

— Não entendi — disse eu, curiosa. 

— Digamos que você ama e você perde — respondeu MGK. 

Ouvimos um discurso chatérrimo do Dr. Chester sobre como essa era a nossa "noite especial" e como todos esperavam que agíssemos com responsabilidade e não fizéssemos nada para manchar a reputação da Bryce Hamilton. O Dr. Chester afirmou ter certeza de que voltaríamos direto para casa quando a festa terminasse. Houve alguns risinhos contidos na platéia a essa altura, que o diretor optou por ignorar. Em vez disso, nos lembrou de que tinha enviado cartas a nossos pais desencorajando pós-festas e alertando-os para pensar duas vezes antes de oferecer a casa para esse tipo de evento. 

O que o Dr. Chester não sabia era que a pós-festa tinha sido planejada meses antes, e os organizadores não eram tão ingênuos a ponto de achar que conseguiriam se safar usando a casa de alguém enquanto os pais dormiam no andar de cima. A pós-festa aconteceria numa velha fábrica abandonada, nos arredores da cidade. O pai de um dos formandos era um dos arquitetos responsáveis por converter o imóvel em um prédio de apartamentos. Ele enfrentara protestos dos grupos ambientalistas locais, e o projeto estava temporariamente suspenso enquanto as licenças não saíam. A fábrica era espaçosa, escura e, o mais importante, isolada. Ninguém na cidade poderia imaginar que seria o local da pós-festa. Por mais alta que fosse a música, ninguém reclamaria, porque não havia ruas residenciais nas proximidades. Um dos alunos conhecia um DJ profissional que oferecera seus serviços de graça. Todos mal podiam esperar o término da festa de formatura para que "a festa de verdade começasse", mas mesmo que Lauren estivesse comigo eu não consideraria a hipótese de ir. Eu tinha comparecido a uma única festa em toda a minha vida humana e já estava traumatizada a ponto de não querer repetir a dose. 

Após o discurso veio o jantar, e, quando terminamos de comer, ficamos em fila num palco improvisado para tirar fotos para a revista da escola. A maioria dos casais adotou uma pose padrão, com o braço em volta do seu par, as garotas sorrindo recatadamente e os rapazes retos e imóveis, com medo de fazer um movimento errado e estragar a fotografia — crime pelo qual jamais seriam perdoados. 

Eu devia ter adivinhado que MGK escolheria algo diferente. Quando chegou a nossa vez, ele pôs um joelho no chão, arrancou uma rosa do arranjo de mesa e a prendeu entre os dentes. 

— Sorria, princesa — sussurrou no meu ouvido. 

O fotógrafo, que vinha batendo as fotos de forma absolutamente mecânica, animou-se quando viu a cena, grato pela variação. Quando descemos do palco, vi outras garotas olhando de esguelha para seus pares. Seus olhos diziam: “Será que você não podia ser romântico como MGK?” Senti pena do rapaz que tentou imitar o gesto de MGK e acabou machucando o lábio nos espinhos da rosa, tendo que ser levado ao banheiro pela companheira, roxa de raiva. 

Depois das fotos, foi a hora da sobremesa, um crème brulée. Em seguida, veio a dança, e, finalmente, fomos convidados a voltar para nossos lugares para ouvir o anúncio dos vencedores do concurso. Observamos o comitê de formatura, que incluía Dinah Veronica, subir ao palco levando envelopes e troféus. 

— Temos o enorme prazer de anunciar os vencedores do concurso de formatura da Bryce Hamilton deste ano — começou uma garota chamada Selena. — Refletimos muito até a escolha dos nomes e, antes de começar, queremos dizer que todos vocês são vencedores! 

Ouvi  MGK reprimir o riso. 

— Este ano acrescentamos mais categorias à lista, reconhecendo o esforço que todos fizeram esta noite — prosseguiu a garota. — Vamos começar com o prêmio de Melhor Penteado. 

Tive a impressão de que o mundo havia enlouquecido. Devolvi o olhar de desânimo de MGK enquanto eram anunciados os vencedores dos prêmios de Melhor Penteado, Melhor Vestido, Melhor Transformação, Melhor Gravata, Melhor Sapato, Melhor Maquiagem, Mais Glamorosa e Beleza Natural. Finalmente, tendo sido entregues os prêmios menores, chegou a hora que todos aguardavam: o anúncio de Rei e Rainha do Baile de Formatura. Sussurros excitados tomaram conta do salão. 

Esse era o prêmio mais disputado. Todas as garotas da plateia prenderam o fôlego, enquanto os rapazes fingiam não estar ligando. Eu não sabia ao certo o motivo de tanto alvoroço. Não se tratava, exatamente, de algo a ser incluído no currículo. 

— Os vencedores deste ano são... — começou a encarregada de apresentar o prêmio, que fez uma pausa para aumentar o suspense. A platéia gemia de frustração. —  Camila Cabello e Richard Baker! 

O salão explodiu em aplausos, e por uma fração de segundo cheguei a olhar em volta à procura dos ganhadores, até me dar conta de que o meu nome é que havia sido chamado. Devia estar com uma expressão bem diferente quando subi ao palco com MGK, embora seu desagrado aparentemente tivesse se transformado em divertimento. As coisas simplesmente não pareciam fazer sentido enquanto Dinah me coroava e me entregava a faixa. MGK, em compensação, dava a impressão de estar adorando ser o centro das atenções. Era dever do rei e da rainha abrir o salão com uma valsa. Dei minha mão a MGK e ele me enlaçou pela cintura. Embora tivesse treinado valsa com Lauren, não me sentia tão confiante sem ela. Felizmente, os anjos contam com a vantagem de aprender qualquer coisa com relativa facilidade. Segui MGK, e logo o ritmo da música registrou-se em minha mente. Minhas pernas se moviam como água, e fiquei surpresa ao ver que MGK também deslizava pelo salão com movimentos graciosos. 

Ally e Normani passaram por nós, seus corpos em sincronia, flutuando como seda. Os pés mal tocavam o chão. Mesmo com a expressão fria que estampavam no rosto, era tão fascinante observá-las que todos paravam para admirar, abrindo espaço para as duas na pista de dança. Minhas irmãs logo se cansaram de ser a atração da noite e voltaram para a mesa. 

Aproveitando a deixa de uma mudança na música, MGK me fez rodopiar até a lateral da pista. Inclinou-se para frente. e seus lábios roçaram meu ouvido. 

— Você está deslumbrante. 

— Você também — retribuí, rindo e tentando manter o clima leve. — Todas as garotas acham isso. 

—E você? 

— Bom... Acho você bastante charmoso. 

— Charmoso — repetiu ele, pensativo. — Acho que por ora vou ter que me contentar com isso. Nunca conheci uma garota com um rosto como o seu, sabia? Sua pele tem a cor do luar, e seus olhos são indecifráveis. 

— Você já está exagerando — brinquei. Percebi que MGK se preparava para uma de suas tiradas e tentei impedi-lo a todo custo. 

— Você não sabe receber elogios, não é? — disse ele. 

Senti minhas bochechas ficarem vermelhas. 

— É verdade. Nunca sei como responder. 

— Que tal um simples "obrigada"? 

— Obrigada, MGK. 

— Não doeu, doeu? Eu bem que podia respirar um ar fresco, você não? 

— É meio difícil sair — respondi, apontando com a cabeça para os professores que vigiavam as saídas. 

— Bolei uma rota de fuga. Venha, vou lhe mostrar. 

A rota de fuga de MGK se baseava em uma porta nos fundos que, aparentemente, havia sido esquecida. Ficava depois dos banheiros e do almoxarifado, na parte de trás do prédio. MGK me ajudou a driblar os baldes e escovões junto às paredes. De repente, me vi sozinha com ele na varanda que contornava toda a parte externa do pavilhão. A noite estava clara, e o Céu, cheio de estrelas. A brisa refrescou minha pele. Pelas janelas pude ver que os casais ainda dançavam, as meninas, já abatidas pelo cansaço, permitiam agradecidas que seus pares as sustentassem. A alguma distância dos demais, vi Normani e Ally, cintilando como se estivessem cobertas de poeira de estrelas. 

— Tantas estrelas... – murmurou MGK, tão baixinho que parecia falar consigo mesmo. – Mas nenhuma é tão bonita quanto você. 

Ele estava tão próximo que pude sentir seu hálito no meu rosto. Baixei os olhos, torcendo para que parasse de me elogiar. Tentei voltar o foco da conversa com ele. 

— Quem me dera ser tão segura assim. Nada abala você. 

— Porque abalaria? – perguntou MGK. – A vida é um jogo, que, por acaso, sei jogar. 

— Mas todos nós cometemos erros de vez em quando. 

— É precisamente esse tipo de postura que impede as pessoas de vencerem — disse ele. 

— Todo mundo passa pela experiência de ser derrotado, mais cedo ou mais tarde. Mas a gente aprende com a derrota. 

— Quem disse? — gracejou ele, balançando a cabeça, os olhos cor de esmeralda fixos nos meus. — Não gosto de perder e sempre consigo o que quero. 

— Quer dizer que no momento você tem tudo que quer? 

— Quase — respondeu. — Está faltando uma coisa. 

— E o que é? — perguntei, cautelosa. Algo me dizia que estava entrando em terreno perigoso. 

— Você — respondeu MGK. 

Eu não sabia como reagir. Não me agradava o rumo que a conversa vinha tomando. 

— O comentário foi lisonjeiro, Richard, mas você sabe que não estou disponível. 

— Isso é irrelevante. 

— Não para mim! — exclamei, dando um passo atrás. — Estou apaixonada por Lauren. 

MGK me olhou com frieza. 

— Não lhe parece óbvio que você escolheu a pessoa errada? 

— Ela não é a pessoa errada — retorqui. — Suponho que você seja arrogante o suficiente para se considerar a certa. 

— Só acho que mereço uma chance. 

— Você prometeu não tocar mais nesse assunto — recordei — Somos amigos, e você devia dar valor a isso. 

— Eu dou, mas não é o bastante para mim. 

— Não cabe a você decidir! Não sou um brinquedo. Você não pode, simplesmente, apontar o dedo para mim e me ter. 

— Discordo. 

De repente, ele se inclinou, agarrando meus ombros e me puxando para mais perto. Fez nossos corpos colarem e buscou meus lábios com os seus. Virei o rosto em protesto, mas com a mão ele me forçou a desvirá-lo. Sua boca se fechou sobre a minha. Algo faiscou no Céu, embora não houvesse sinal de chuva. O beijo de MGK foi duro e insistente, e suas mãos me seguravam como garras de ferro. Lutei, empurrando seu peito, e finalmente consegui me afastar. 

— O que acha que está fazendo? — gritei, dominada pela raiva. 

— Dando a nós dois o que ambos queremos — respondeu ele. 

— Eu não quero isso! — insisti. — O que foi que eu fiz para que você pensasse o contrário? 

— Conheço você, Camila Cabello. Você não tem nada de boba - rosnou MGK. — Vi o jeito como olha para mim e senti uma ligação entre nós. 

— Não tem ligação nenhuma — teimei. — Não com você. Lamento se você interpretou as coisas de outra maneira. 

Seus olhos cintilaram de forma ameaçadora. 

— Você está realmente me dispensando? 

— Estou, não há dúvida — respondi. — Eu namoro a Lauren. Já lhe disse mil vezes. Não tenho culpa se você optou por não acreditar. 

MGK deu um passo na minha direção, o rosto tomado por ódio. 

— Tem certeza de que sabe o que está fazendo? 

— Nunca tive tanta certeza de alguma coisa — respondi friamente. — MGK, você e eu podemos ser apenas amigos. 

Ele deu uma gargalhada gutural. 

— Não, obrigado. Não estou interessado. 

— Será que você não pode ao menos tentar ser maduro quanto a isso? 

— Acho que você não entendeu, Camila. O destino nos quer juntos. Esperei por você a minha vida toda. 

— Como assim? 

— Procuro você há séculos. Já tinha quase perdido a esperança. 

Senti um frio estranho no peito. Do que ele estaria falando? 

— Nunca, nem nos mais loucos devaneios, poderia imaginar que você seria... Um deles. No início, lutei contra isso, mas não adiantou. Nosso destino está escrito nas estrelas. 

— Deve ser um engano — atalhei. — Não temos nenhum destino juntos. 

— Você sabe o que é vagar sem rumo pela Terra em busca de alguém que pode estar em qualquer lugar? Não estou disposto a desistir agora. 

— Talvez não lhe reste alternativa. 

— Vou dar mais uma chance a você — insistiu ele, num tom grave. Não sei se tem noção disso, mas está cometendo um erro terrível, um erro que vai lhe custar muito caro. 

— Não tenho medo de ameaças — respondi com desdém. 

— Muito bem — retorquiu MGK, fechando a expressão em seu rosto e dando um passo para se afastar. Seu corpo estremeceu violentamente, como se o mero ato de olhar para mim o enfurecesse. — Cansei de ser bonzinho com os anjos.


Notas Finais


Agora o trem fodeu de vez
Hahaha
Até mais ✌✌


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