História Halo (Camren) - Capítulo 28


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Normani
Exibições 166
Palavras 3.420
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Obrigada pelos favoritos gente
Amo vcs ❤

Capítulo 28 - O Anjo da Destruição


Na manhã seguinte Lauren foi tomar café conosco antes da aula. Enquanto comíamos, Normani tentou convencê-la sobre a conduta certa a adotar. Nós sabiamos que Lauren estava furiosa com a falsidade de MGK e pronta para enfrentá-lo cara a cara. Normani pretendia impedir a todo custo que isso acontecesse, sobretudo porque não conhecíamos a extensão do poder de MGK. 

— Seja como for, não o enfrente — advertiu Normani. 

Lauren fitou-a por cima da caneca de café, que tinha levado à boca. 

— Ele ameaçou a Camz — observou, com os ombros tensos. — Impôs-se a ela. Não podemos deixar que se safe numa boa. 

— MGK não é como os outros alunos. Você não pode lidar com ele sozinha — disse Normani. — Não sabemos do que ele é capaz. 

— Não pode ser tão perigoso. Ele é todo magrelo — murmurou Lauren, meio que para si. 

Ally lançou-lhe um olhar severo. 

— Você sabe que a aparência dele não diz nada. 

— O que querem que a gente faça, então? — indagou Lauren. 

— Não podemos fazer nada — respondeu Normani — não sem chamar atenção desnecessariamente. Vamos esperar que ele não queira fazer mal a ninguém. 

Lauren deixou escapar um risinho breve e depois fitou Normani. 

— Está falando sério? 

— Seríssimo. 

— E quanto ao que ele fez na festa de formatura? 

— Eu não diria que isso é um indício — respondeu Normani. 

— E o acidente da cozinheira da escola com a fritadeira? — indaguei. — E a batida de carro no início do semestre? 

— Você acha que MGK teve algo a ver com esses acontecimentos? — perguntou Ally. — Ele sequer estava na escola quando houve a batida. 

— Bastava estar na cidade — argumentei. — E definitivamente ele estava na cantina naquele dia. Eu o vi lá. 

— Li sobre um acidente de barco no cais, há dois dias — acrescentou Lauren. — E houve alguns incêndios, que, segundo os jornais, foram criminosos. Isso nunca aconteceu por aqui antes.

Normani apoiou a cabeça nas mãos. 

— Deixem-me pensar sobre isso. 

— E não é só — atalhei, sentindo-me culpada por ser mensageira de más notícias. — Ele tem seguidores. Aonde quer que vá, eles vão atrás, como se seguissem um líder. Começou com uns poucos alunos, mas toda vez que o vejo na escola o grupo está maior. 

— Mila, vá se aprontar para a aula — disse Normani calmamente. 

— Mas... 

— Vá. Ally e eu precisamos conversar. 


 Depois da formatura a popularidade de MGK cresceu a uma velocidade alarmante, e o número de seguidores em seu encalço dobrou. Quando voltei à escola, reparei que todos andavam de um lado para o outro com olhares vagos, como se estivessem drogados, as pupilas estranhamente dilatadas e as mãos enfiadas nos bolsos. Seus rostos apenas se animavam ao verem MGK, assumindo uma expressão perturbadora, reverente, que sugeria que seriam capazes de se afogar no oceano se ele assim ordenasse. 

De repente, os atos de vandalismo gratuito também ficaram mais frequentes. As portas da igreja Saint Mark foram pichadas com obscenidades, e vândalos quebraram as janelas da prefeitura usando explosivos de fabricação caseira. Fairhaven notificou um surto virulento de intoxicação alimentar, e vários residentes precisaram ser transferidos para o hospital. 

Aparentemente, onde quer que alguma calamidade ocorresse, MGK estava por perto, nunca diretamente envolvido, mas como observador. Em minha opinião, ele decidira causar e sofrimento, e eu não podia deixar de pensar que fazia aquilo por vingança. Estaria querendo me mostrar as consequências da minha rejeição? 

Na quinta-feira à tarde, planejei sair mais cedo da escola e pegar Fish na pet shopNormani não fora dar aula porque supostamente estava doente. Na verdade, ela e Ally recuperavam as forças depois de passar uma semana consertando os estragos de MGK. Não tinham o hábito de agir com tanta sequência e, apesar de serem fortes, o esforço constante as exaurira. 

Tinha acabado de pegar a mochila e me dirigia à porta para encontrar Lauren em seu carro, quando reparei numa aglomerado no corredor do lado de fora do banheiro feminino. Algo relampejou na minha cabeça, como uma espécie de aviso para me manter afastada, mas o instinto e a curiosidade me atraíram. O grupo de alunos era compacto, e eles falavam de forma atropelada. Vi que alguns choravam. Uma menina soluçava com o rosto encostado na camisa de uma formanda jogadora de hóquei, ainda vestida com o uniforme. Obviamente, tinha sido chamada às pressas durante o treino e olhava fixamente para a porta do banheiro com um misto de angústia e descrença.

Atravessei a multidão como se me movesse em câmera lenta, com a sensação de estar distante do meu próprio corpo — como se a minha mente visse a cena da perspectiva de um espectador olhando um aparelho de televisão. Misturados aos demais alunos, notei a presença de membros do grupo de MGK. Eram fáceis de identificar, devido à expressão vazia e à roupa preta, sua marca registrada. Alguns me encararam quando passei, e me dei conta de que todos tinham os mesmos olhos profundos, esbugalhados e negros como piche. 

Ao me aproximar do banheiro, vi o Dr. Chester parado à porta, acompanhado de dois policiais, um deles falando com MGK. O rosto dele estava coberto por uma máscara de sinceridade e preocupação, mas seus olhos felinos faiscavam perigosamente, e o lábio ligeiramente erguido deixava os dentes à mostra, como se quisesse cravá-los na garganta do homem. Tive a impressão de que apenas eu era capaz de perceber a ameaça por trás da sua expressão e que, para todos os demais, ele não passava de um adolescente inocente. Aproximei-me mais para ouvir o que diziam. 

— Não imagino como isso possa ter acontecido numa escola como esta — ouvi MGK dizer. — Foi um choque para todos nós. 

Então ele virou o corpo, e não pude escutar muito mais, apenas um punhado de palavras soltas: "tragédia", "ninguém por perto" e "notifiquem a família". A certa altura, o policial fez que sim com a cabeça, e MGK se afastou. Percebi que seus seguidores se entreolhavam, com os olhos risonhos e vestígios de sorrisos nos lábios. Pareciam ávidos, quase famintos, e todos aparentavam estar secretamente satisfeitos com o ocorrido. 

MGK fez um sinal, e eles começaram a se dispersar, afastando-se sutilmente do grupo. Tive vontade de gritar para que alguém os detivesse, avisar a todos como eles eram perigosos, mas a voz me faltou. 

Percebi de repente que me aproximava cada vez mais da porta do banheiro, como se atraída por uma força invisível. Dois paramédicos levantavam uma maca coberta com um pano azul. Reparei que uma mancha vermelha começava a empapar o tecido, crescendo a cada segundo e se espalhando como uma coisa viva. Uma mão longa e pálida pendia da maca, as pontas dos dedos já arroxeadas. 

Uma onda de dor e medo me deixou sem fôlego. Mas essas sensações não eram minhas, pertenciam a outra pessoa, à garota na maca. Senti suas mãos segurando o cabo de uma faca. Senti o medo em sua mente misturar-se à impotência quando uma compulsão misteriosa guiou a lâmina até sua garganta. Ela lutou, mas parecia não ter controle sobre o próprio corpo. Senti o choque da dor quando o metal gelado rasgou a pele e ouvi a gargalhada cruel ecoar em seu cérebro. A última coisa que vi foi o rosto dela, atravessando meu campo de visão como um relâmpago. Eu conhecia aquele rosto. Quantas vezes eu não tinha rido de suas brincadeiras durante o almoço ou ouvido seus conselhos? O rosto de Veronica estava cravado em minha mente. Senti seu corpo pender para a frente, senti quando lutou para respirar no momento em que o sangue esguichou do corte na garganta e lhe escorreu pelo pescoço. Vi o terror e o pânico em seus olhos um segundo antes que eles vidrassem e ela caísse morta. Abri a boca para gritar, mas nenhum som saiu. 

No exato momento em que meu corpo começou a tremer violentamente, alguém se pôs à minha frente e me segurou pelos ombros. Arfei e tentei me soltar, mas as mãos eram firmes. Ergui os olhos, esperando encontrar um olhar cortante e um rosto encovado, mas, em vez disso, era Lauren, que me envolveu nos braços e me afastou da multidão, saindo comigo da escola. 

— Não! — exclamei, mais para mim mesma que para ela. — Por favor, não... 

Ela manteve o braço ao redor da minha cintura e praticamente me carregou até o carro, pois eu parecia ter desaprendido a usar as pernas. 

— Tudo bem — disse ela, pondo uma das mãos no meu rosto e me olhando nos olhos. — Vai ficar tudo bem. 

— Isto não pode estar acontecendo... Aquela era... aquela garota era... — Meus olhos ardiam, cheios de lágrimas. 

— Entre no carro, Camz — disse Lauren, escancarando a porta e me ajudando a entrar. 

—  MGK é o responsável! — gritei, quando ela ligou a ignição. Ela parecia estar com pressa para encontrar logo Ally e Normani. Pensando bem, eu também estava. Elas saberiam o que fazer. 

— A polícia está convencida de que foi suicídio — explicou  Lauren num tom neutro. 

— É trágico, mas não tem nada a ver com MGK. Aliás, foi ele que notificou o desaparecimento dela e alertou as autoridades. 

— Não — insisti, balançando a cabeça com veemência. — Veronica jamais faria algo assim. Tem o dedo de MGK aí. 

Lauren não parecia convencida. 

— MGK pode ser um monte de coisas, mas não é um assassino. 

— Você não está entendendo — atalhei, enxugando as lágrimas. — Eu vi tudo. Como se estivesse presente quando aconteceu. 

— O quê? — Lauren se virou para mim. — Como? 

— Quando vi o corpo, foi como se de repente me transformasse na vítima — expliquei. — Ela cortou a própria garganta, mas não queria fazer isso. Alguém a obrigou. MGK estava no comando e riu quando ela morreu. Era ele, eu sei. 

Lauren fechou os olhos e balançou a cabeça. 

— Tem certeza? 

— Eu pude sentir a presença dele. Foi ele. 

Ficamos em silêncio até que perguntei. 

— O que aconteceu depois que ela morreu? Não vi mais nada. 

Lauren parecia abalada, mas sua voz mostrou-se impassível. 

— Ela foi encontrada morta no banheiro. É tudo que sei. Uma das garotas do primeiro ano entrou e a viu deitada numa poça de sangue. A única coisa que havia ali era uma faca de cozinha. 

Lauren apertava o volante com tanta força que as articulações dos dedos estavam brancas. 

— Por que você acha que MGK a escolheu? — indaguei. 

— Acho que foi apenas falta de sorte — respondeu Lauren. — Ela estava no lugar errado na hora errada. Sei que era sua amiga, Camz, sinto muito. 

— Será que a culpa é nossa? — perguntei, num tom de voz quase inaudível. — Ele fez isso para se vingar da gente? 

— Ele fez isso porque é um doente — respondeu Lauren, olhando sem piscar para a pista, como se tentasse refrear tudo que sentia por dentro. — Eu só queria que você não tivesse visto — disse ela zangada, mas eu sabia que sua raiva não se dirigia a mim. 

— Já vi coisas piores. 

— Sério? 

— De onde viemos se vê muita coisa ruim — confirmei, sem acrescentar quão diferente é vivenciar a perda diretamente na Terra, quando a vítima é sua amiga e a dor é multiplicada por dez. — Você também a conhecia? 

— Estou nesta escola desde a primeira série. Conheço todo mundo. 

— Sinto muito. 

Pus a mão em seu ombro, que estava tenso e rígido. 

— Eu também. 


 Normani e Ally já sabiam do acontecido quando chegamos em casa. 

— Precisamos agir agora — disse Ally. — Isso já foi longe demais. 

— E o que acha que temos a fazer? — perguntou Normani. 

— Precisamos detê-lo. Destruí-lo, se for preciso. - disse.

— Não podemos simplesmente destruí-lo — disse Normani. — Não podemos tirar vidas sem motivo. 

— Mas ele tirou a vida de outra pessoa! — gritei. 

— Camila, não podemos feri-lo a menos que tenhamos certeza absoluta de quem ou o que ele é. Assim, por mais que queiramos, confrontá-lo está fora de questão por enquanto. 

— Talvez vocês não possam feri-lo — argumentou Lauren — mas eu posso. Deixem-me lutar com ele. 

O olhar de Normani era inflexível. 

— Morta você não ajudará a Camila em nada. 

— Mani! — exclamei, perturbada pela mera ideia de alguém encostar a mão em Lauren. Eu sabia que ela não pensaria duas vezes antes de entrar numa briga se achasse que assim me protegeria. 

— Sou mais forte que ele — insistiu Lauren. — Sei que sou. Deixem-me resolver isso. 

Ally pôs uma das mãos no ombro de Lauren. 

— Você não sabe quem é MGK. 

— Ele é só um garoto — respondeu Lauren. — Quão ameaçador pode ser? 

— Ele não é só um garoto — contestou Ally. — Temos sentido sua aura, e ela fica cada vez mais forte. Está ligado a forças do mal que nenhum humano é capaz de entender. 

— Está dizendo que ele é um demônio? — indagou Lauren, incrédula. — Isso é impossível. 

— Você já sabe que anjos existem. É tão difícil assim imaginar que tenhamos uma contraparte maligna? — perguntou Normani. 

— Tenho tentado não pensar nisso — disse Lauren. 

— Assim como existe um Céu, existe um inferno — afirmou Ally, baixinho. 

— Então vocês acham que MGK é um demônio? — sussurrei. 

— Acreditamos que ele talvez seja um agente de Lúcifer — respondeu Normani — mas precisamos de provas antes de agir para detê-lo. 

A prova surgiu quando desfiz minha mochila um pouco depois naquela tarde. Havia um pedaço de papel preso no zíper. Desdobrei-o, revelando a caligrafia peculiar de MGK: 


Quando as lágrimas dos anjos inundarem a Terra.

Os portões do inferno verão a vida renascer.

Quando iminente for o fim dos anjos.

A garota humana deverá perecer. 


Senti um aperto súbito na garganta. MGK ameaçara Lauren. Sua vingança não era mais dirigida apenas a mim.

— Isto é prova suficiente para você? — indagou Lauren num tom grave. 

— É um poema, nada mais — rebateu Normani. — Ouçam bem. Acredito que MGK esteja por trás do homicídio e de todos os acidentes. Acredito que ele pretenda causar destruição, mas preciso de provas concretas para agir. As leis do Reino assim exigem. 

— E se conseguir as provas, o que vai fazer? — quis saber Lauren. 

— O que for necessário para manter a paz — respondeu Normani. 

— Mesmo que signifique matá-lo? — indagou Lauren, sem rodeios. 

— Sim — respondeu Normani friamente. — Porque, se ele for o que suspeitamos que seja, tirar sua vida humana fará com ele volte para o lugar de onde saiu. 

Lauren refletiu sobre isso um instante e depois assentiu. 

— Mas o que ele quer com a Camz? O que ela tem a lhe oferecer? 

— Camila o rejeitou — respondeu Normani. — Alguém como MGK está habituado a conseguir o que quer. Sua vaidade foi ferida. 

Mexi os pés, constrangida.

— Ele disse que me procurava há séculos... 

— Disse o quê? — explodiu Lauren. — O que significa isso? 

Normani e Ally se entreolharam preocupadas. 

— Os demônios quase sempre procuram um humano para tomar como propriedade — disse Ally — É a concepção torta que eles têm do amor, imagino. Eles atraem o humano para o mundo das trevas e o forçam a permanecer lá. Com o tempo, o corrompem e conseguem despertar nele sentimentos por seu opressor. 

— Mas qual é a finalidade disso? — perguntou Lauren. — Os demônios agora têm sentimentos? 

— Basicamente, a ideia é ir de encontro a Nosso Pai — respondeu Ally. — A corrupção da Sua criação Lhe causa uma enorme angústia. 

— Mas nem sou humana de verdade! — argumentei. 

— Isso mesmo — disse Normani. — O que poderia ser um troféu melhor do que um anjo com a forma de humano? Capturar um de nós seria a maior das vitórias. 

— A Camz corre perigo? — indagou Lauren, aproximando-se de mim. 

— Acho que todos corremos — respondeu Normani. — Tenham paciência. Nosso Pai há de revelar, no devido tempo, a conduta a ser adotada. 

Insisti para que  Lauren passasse a noite conosco, e, depois do recado de MGK, Ally e Normani não se opuseram. Embora não chegassem a dizê-lo, eu sabia que ambas estavam preocupadas com a segurança de Lauren. MGK era imprevisível, como fogos de artifício que podem explodir a qualquer momento. 

Lauren ligou para os pais e disse que passaria a noite na casa de uma amiga para estudar para uma prova no dia seguinte. Sua mãe jamais permitiria que ela ficasse se soubesse que se tratava da minha casa. Clara era conservadora demais para isso. Ela e Normani teriam se dado incrivelmente bem. 

Demos boa-noite a Ally e Normani e subimos para o meu quarto. Lauren ficou na varanda enquanto eu tomava banho e escovava os dentes. Não perguntei no que estava pensando ou se sentia o mesmo medo que eu. Sabia que ela jamais admitiria, ao menos não para mim. Para dormir, Lauren ficou apenas com uma cueca feminina e uma camiseta regata. Vesti uma legging e uma camiseta folgada. 

Não conversamos muito naquela noite. Fiquei quieta, escutando o som da sua respiração regular, vendo seu peito subir e descer. Senti-me segura e aconchegada com o corpo dela curvado junto ao meu, seus braços me envolvendo de forma protetora. Embora não passasse de uma humana, tinha a impressão de que Lauren era capaz de me proteger de tudo e de todos. Com Lauren a meu lado, não me assustaria nem mesmo se um dragão cuspindo fogo arrancasse o telhado. Por um momento, me passou pela cabeça que eu esperava demais dela, mas afastei esse pensamento. 

Acordei no meio da noite, assombrada por um sonho do qual não consegui me lembrar depois. Lauren dormia ao meu lado. Ficava linda dormindo, os lábios perfeitos entreabertos, o cabelo bagunçado sobre o travesseiro, o peito subindo e descendo ritmadamente com a respiração. Minha ansiedade me venceu e levei a mão até ela, que despertou com facilidade. Seus olhos eram incrivelmente verdes mesmo à luz do luar. 

— O que é aquilo? — sussurrei, subitamente vislumbrando sombras. — Ali, está vendo? 

Sem retirar o braço que me envolvia, Lauren sentou-se e olhou à volta. 

— Onde? — indagou, com a voz rouca de sono. 

Apontei para o canto direito do quarto. Lauren levantou-se da cama e caminhou até o lugar que indiquei. — Aqui? — perguntou ao chegar lá. — Garanto que isto é um cabideiro. 

Concordei com a cabeça antes de me dar conta de que ela não podia me enxergar no escuro. 

— Achei que tinha visto alguém de pé aí. Um homem com um casaco comprido usando chapéu. 

Dita em voz alta, a ideia soou ridícula. 

— Parece que você anda vendo fantasmas, meu bem. 

Lauren bocejou e cutucou o cabideiro com o pé. 

— Definitivamente um cabideiro. 

— Desculpe — disse eu, quando ela voltou para a cama. Enrosquei-me contra seu corpo quente. 

— Não fique com medo — murmurou ela. — Ninguém vai machucá-la enquanto eu estiver aqui. 

Confiei nela e, passado um tempo, parei de prestar atenção a ruídos e movimentos. 

— Eu amo você — disse Lauren, antes de adormecer novamente. 

— Eu amo mais — retruquei, provocando. 

— Sem chance — insistiu ela, totalmente desperta. — Sou maior, posso abrigar mais amor. 

— Sou menor, logo minhas partículas de amor são mais compactas, o que significa que posso armazenar uma quantidade maior. 

Lauren riu. 

— Esse argumento não faz sentido. Anulado. 

— Estou apenas me baseando no quanto sinto sua falta quando você está longe — contestei. 

— Como você poderia saber quanta falta eu sinto de você? — perguntou Lauren. — Será que tem um saudadômetro em você para fazer a contagem? 

— Claro que tenho um saudadômetro em mim. - brinquei.

Adormeci reconfortada pela sensação do peito dela colado às minhas costas. Podia sentir sua respiração na parte de trás do meu pescoço. Afaguei a pele macia dos seus braços. Ao luar, dava para ver cada pelinho, cada veia, e eu amava tudo aquilo. Esse foi o meu último pensamento naquela noite, e descobri que o medo tinha me abandonado por completo.


Notas Finais


Descanse em paz Vero 😢😢


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