História Halo (Camren) - Capítulo 32


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Ally, Cabello, Camila, Camren, Dinah, Fifth, Halo, Harmony, Jauregui, Lauren, Normani
Exibições 156
Palavras 2.469
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Chegamos ao último capítulo de Halo 😢😢

Espero que gostem e leiam as notas finais.

Capítulo 32 - Após a Tempestade


Nas semanas seguintes, minhas irmãs fizeram o possível para consertar os estragos que MGK deixara para trás. Visitaram as famílias afligidas pelos crimes que ele cometeu e levaram bastante tempo tentando restabelecer a confiança dos moradores de Venus Cove. 

Ally cuidou de Dinah e dos outros que tinham sucumbido ao feitiço de MGK. Os espíritos das trevas que se apoderaram de seus corpos foram sugados de volta ao inferno juntamente com aquele que os ressuscitara. Minha irmã apagou a lembrança das atividades de MGK da mente dos jovens, com o cuidado de não interferir em outras memórias. Foi como apagar palavras de um livro de histórias — era preciso selecioná-las com muito cuidado ou corria-se o risco de descartar algo importante. Quando Ally terminou, eles se lembravam do novato Richard Baker, mas ninguém se recordava de ter qualquer ligação com ele. Foi enviada uma mensagem à direção da escola, informando que MGK tinha sido tirado da Bryce Hamilton por desejo do pai e que voltaria para o seu antigo colégio interno. O fato deu margem a fofocas durante um ou dois dias, até que os alunos o abandonaram em benefício de preocupações mais imediatas. 

— O que será que aconteceu com aquele bonitão? — perguntou-me Dinah duas semanas após ter sido resgatada. Sentada na minha cama, ela lixava as unhas. — Qual era mesmo o nome dele?

— Richard. Ele voltou para Cleveland. 

— Que pena — comentou Dinah. — Eu gostava das tatuagens dele. Você acha que devo fazer uma? Pensei em escrever "inamron". 

— Está pensando em tatuar o nome de Normani ao contrário? 

— Droga. É tão óbvio assim? Preciso pensar em outra coisa. 

— Normani não gosta de tatuagens. Ela diz que o corpo humano não é um quadro de avisos. 

— Obrigada, Mila — agradeceu Dinah. — Sorte a minha contar com você para me impedir de tomar decisões ruins. 

Era difícil conversar com Dinah como eu costumava fazer. Algo em mim estava diferente. Fui a única que não se recuperou do embate com MGK. Na verdade, haviam se passado semanas desde o incêndio, e eu ainda não tinha saído de casa. No início, foi por causa das minhas asas, que sofreram queimaduras sérias e precisavam de tempo para sarar por completo, depois simplesmente me faltou coragem. Contentei-me em ser um fantasma. Passada a minha sede inicial por experiências humanas, tudo que eu queria era o santuário do lar. Não conseguia pensar em MGK sem que as lágrimas brotassem em meus olhos. Tentava esconder dos outros, mas quando não havia ninguém por perto meu autocontrole falhava e eu chorava copiosamente — não só por causa do sofrimento que ele provocara, mas também porque tudo poderia ter sido diferente, caso ele tivesse me deixado ajudá-lo. Eu não o odiava. O ódio era uma emoção muito forte, e não me sobrara energia suficiente para nutri-lo. Deparei-me pensando nele como uma das criaturas mais tristes do Universo. Ele viera com o propósito de cobrir nossas vidas de trevas, mas, na verdade, não conseguira nada. Ainda assim, eu tentava não pensar no que poderia ter acontecido se Normani não invadisse o local onde eu estava aprisionada naquele momento. Mas a idéia teimava em surgir na minha mente e me empurrar de volta para a segurança do meu quarto. 

As vezes eu observava, da janela, a vida passar. A primavera virou verão, e senti os dias ficarem mais longos. Reparei que o sol chegava mais cedo e ficava mais tempo. Admirava os pardais tecendo seus ninhos nos beirais da casa. Via as ondas lambendo preguiçosamente a areia ao longe. 

A visita de Lauren era a única hora do dia que eu esperava ansiosamente. Claro que Ally e Normani me deram todo o apoio, mas sempre pareciam meio distantes, ainda muito ligadas ao nosso velho lar. Na minha cabeça, Lauren era a personificação da Terra — sólida como rocha, estável e segura. Eu me preocupara com o fato de que a experiência com MGK pudesse mudá-la, mas sua reação a tudo que aconteceu foi nula. Ela mergulhou na missão de cuidar de mim, tendo aparentemente aceitado o mundo sobrenatural sem questionamentos. 

— Talvez eu não queira respostas — disse ela, quando toquei no assunto uma tarde. — Já vi o suficiente para acreditar. 

— Mas você não fica curiosa? 

— É como você falou — argumentou, sentando-se ao meu lado e prendendo uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Há certas coisas que estão além da compreensão humana. Sei que o Céu e o Inferno existem e vi o que pode sair de um e de outro. Por enquanto é tudo que preciso saber. Perguntas não teriam qualquer finalidade agora. 

Sorri. 

— Quando você se tornou tão sábia? 

Lauren deu de ombros. 

— Bom, tenho andado com um pessoal que está por aí desde a criação do mundo. Espera-se que eu adquira alguma perspectiva tendo um anjo como minha outra metade. 

— Você me chamaria de sua outra metade? — indaguei sonhadoramente, passando o dedo no cordão de couro em seu pescoço. 

— Claro. Quando não estou com você, parece que estou usando óculos que fazem o mundo ficar cinza. 

— E quando está comigo? — perguntei baixinho. 

— Tudo fica em tecnicolor. 

As provas finais de Lauren se aproximavam, mas nem por isso ela deixava de me visitar diariamente, sempre atenta, sempre examinando meu rosto em busca de sinais de melhora. Todo dia me trazia alguma coisa: um artigo de jornal, um livro da biblioteca, uma história para contar ou biscoitos que ela mesmo tinha preparado. Auto piedade não era uma opção com ela por perto. Se houve momentos no passado em que duvidei do seu amor, essas dúvidas não mais existiam. 

— O que acha de tentarmos sair para uma caminhada hoje? — sugeriu Lauren. — Talvez até a praia? Você pode levar o Fish se quiser. 

Às vezes me sentia tentada, mas em seguida a ideia do mundo lá fora me sufocava e eu me enfiava debaixo das cobertas. 

— Tudo bem. — Lauren não insistia no assunto. — Quem sabe amanhã? Que tal ficarmos em casa e prepararmos o jantar juntas? 

Assenti calada, chegando mais perto dela e olhando seu rosto perfeito com aquele meio sorriso divertido e a mecha de cabelo preto caindo no rosto. Tudo era maravilhosamente familiar. 

— Você tem uma paciência de santo — comentei. — Acho que teremos que pedir sua canonização. 

Ela riu e pegou minha mão, satisfeita de ter um vislumbre do meu antigo senso de humor. Eu a segui até lá embaixo, de pijama, ouvindo-a sugerir receitas. Sua voz era tão relaxante que parecia um bálsamo acalmando minha mente ansiosa. Sabia que ela ficaria comigo conversando e me falando coisas até que eu pegasse no sono. Cada palavra sua me empurrava, suavemente, de volta à vida. 

Mas nem mesmo a presença de Lauren me protegia dos pesadelos. Toda noite era a mesma coisa, e eu acordava suando frio. Logo me dava conta de que estivera sonhando, mesmo enquanto o sonho se desenrolava na minha cabeça. Há semanas vinha tendo o mesmo sonho, mas ele ainda conseguia me aterrorizar e me fazer acordar com o coração na boca e os punhos cerrados. 

No sonho, eu voltava ao Céu, tendo abandonado para sempre a Terra. A profunda tristeza que eu sentia era tão real que, quando despertava, parecia ter uma bala no peito. O esplendor do Céu não me dizia nada, e eu implorava ao Nosso Pai que me desse mais tempo na Terra. Defendia meu caso com afinco e chorava lágrimas amargas, mas meu pedido não era atendido. Em desespero, via os portões se fecharem atrás de mim e sabia que não havia como escapar. Eu já tivera minha oportunidade e a deixara passar. 

Embora estivesse em casa, sentia-me uma estranha. Não era o retorno em si que me doía tanto, mas a lembrança do que eu deixara para trás. A ideia de nunca mais tocar em Lauren, de nunca mais ver seu rosto, me atacava como as garras de uma ave de rapina. No sonho, eu a perdera. Seus traços ficavam borrados quando eu tentava recordá-los. O mais difícil é que eu nem mesmo tivera a chance de lhe dizer adeus. 

A vastidão da eternidade se estendia bem à minha frente, e tudo que eu desejava era a mortalidade terrena. Mas não havia nada a fazer. Não podia desafiar as leis imutáveis da vida e da morte, do Céu e da Terra. Não podia sequer alimentar qualquer esperança, pois nada havia a esperar. Meus irmãos e irmãs se revezavam me oferecendo palavras de conforto, mas eu estava inconsolável. Sem ela, nada no meu mundo fazia sentido. 

Apesar da aflição causada pelo sonho, não me importava com a insistência daquelas imagens perturbadoras, desde que eu pudesse acordar e saber que Lauren logo estaria comigo. O importante era acordar. Acordar para sentir o calor do sol entrando pelas janelas francesas, para encontrar o meu fiel Fish dormindo aos meus pés e as gaivotas voando em círculos acima de um mar azul-celeste. O futuro podia esperar. Tínhamos enfrentado uma grande provação juntas, ela e eu, e tínhamos sobrevivido. Saíramos dela feridas, porém mais fortes. Eu não podia crer que o Céu que eu conhecia pudesse ser tão cruel a ponto de nos separar. Não sabia o que o futuro reservava, mas tinha certeza de que, o que quer que fosse, o enfrentaríamos juntas. 


Fazia semanas que eu sofria de insônia. Sentava na cama e observava lascas de luar refletidas no chão. Tinha desistido de dormir — toda vez que fechava os olhos, me dava a impressão de sentir mãos passando no meu rosto ou uma sombra escura esgueirando-se pela porta do quarto. Uma noite, cheguei a olhar pela janela e pensar ter visto o rosto de MGK nas nuvens. 

Levantei da cama e abri as portas da sacada. Um vento frio varreu o quarto, e vi nuvens negras baixas no Céu, anunciando uma tempestade. Desejei que Lauren estivesse comigo. Imaginei-a me envolvendo em seus braços e colando seu corpo quente no meu. Ela encostaria os lábios na minha orelha e me diria que tudo ia dar certo, que eu sempre estaria segura. Mas Lauren não estava ali, e me vi de pé sozinha quando as primeiras gotas de chuva molharam meu rosto. Sabia que me encontraria com Lauren pela manhã quando ela viesse me apanhar de carro rumo à escola, mas a manhã parecia tão distante que a idéia de esperá-la sozinha no escuro me provocou enjôo. Encostei-me ao corrimão de ferro da sacada e inspirei o ar frio. Vestia apenas a minha camisola fina de algodão, que esvoaçou à minha volta como se o vento tentasse me derrubar. Via o mar ao longe, e ele lembrava um animal negro adormecido. As ondas subiam e desciam quase como se respirassem. Quando o vento uivante me alcançou, um estranho pensamento brotou na minha cabeça. Era quase como se o vento tentasse me erguer, me fazer voar. Consultei o rádio-relógio na mesinha de cabeceira. Passava da meia-noite, então toda a vizinhança estaria dormindo. Por um instante foi como se o mundo inteiro me pertencesse. Antes que eu me desse conta, tinha subido na grade e me balançava. Estendi os braços acima da cabeça. O ar era refrescante. Peguei uma gota de chuva com a língua e ri alto, de tão relaxada que estava subitamente me sentindo. Um relâmpago iluminou o horizonte, onde Céu e mar se encontravam. Uma sensação inexplicável de aventura tomou conta de mim, e então pulei. 

Por um momento, me perguntei se estaria caindo, antes de perceber que algo me segurava no ar. Minhas asas tinham rompido o tecido fino da camisola e batiam suavemente. Deixei que me levassem mais alto e agitei as pernas como uma criança empolgada. Dentro de instantes, os telhados estavam abaixo de mim, e eu subia e descia no Céu noturno. Trovoadas faziam a Terra estremecer, e relâmpagos iluminavam a escuridão, mas não tive medo. Sabia exatamente aonde queria ir. Sabia de cor o caminho até a casa de Lauren. Era surreal sobrevoar a cidade adormecida — passei pela Bryce Hamilton e as conhecidas ruas vizinhas. Senti como se voasse sobre uma cidade fantasma, mas no fundo tinha a noção de que a qualquer momento podia ser vista, e isso me deliciava. Sequer tentei me esconder atrás das nuvens carregadas de chuva. 

Em pouco tempo me vi no gramado macio da casa de Lauren. Fui, com um passo após o outro, até os fundos da casa, onde ficava o quarto dela. A janela estava aberta para deixar entrar a brisa noturna, e o abajur ao lado da cama ficara aceso. Lauren dormia com o livro de química aberto sobre o peito. Por algum motivo, o sono fazia com que ela parecesse muito mais jovem. Ainda vestia sua calça de moletom desbotada e a camiseta branca folgada. Um braço descansava atrás da cabeça, e o outro, ao lado do corpo. Seus lábios estavam entre-abertos, e observei o suave movimento do seu peito subindo e descendo. Sua expressão era tranquila, como se não tivesse uma única preocupação no mundo. 

Recolhi minhas asas e entrei silenciosamente. Na ponta dos pés me aproximei da cama e estendi a mão para pegar o livro. Lauren se mexeu, mas não acordou. Fiquei parada ao pé da cama, observando-a dormir e, de repente, me senti mais perto do Criador do que jamais me sentira no Reino. Ali, diante de mim, dormia a Sua maior criação. Os anjos foram criados para montar guarda, mas era como se eu pudesse sentir em Lauren um enorme poder — o poder de mudar o mundo. Ela era capaz de fazer o que quisesse, de ser quem quisesse. De repente, percebi o que eu mais desejava no mundo: que ela fosse feliz, estando ou não em minha companhia. Por isso, me ajoelhei, baixei a cabeça e rezei a Deus, pedindo-lhe que abençoasse Lauren e a protegesse de qualquer perigo. Rezei para que ela tivesse uma vida longa e próspera. Rezei para que todos os seus sonhos se realizassem. Rezei para que eu pudesse sempre estar em contato com ela de alguma forma — ainda que já tivesse partido da Terra. 

Antes de ir embora, dei uma última olhada em seu quarto. Registrei a flâmula do L.A. Lakers presa à parede, li as inscrições nos troféus alinhados nas prateleiras. Passei o dedo pelos objetos espalhados na escrivaninha. Uma caixa de madeira entalhada chamou minha atenção. Parecia deslocada em meio aos pertences juvenis. Puxei-a para mim e a abri devagarzinho. O interior era forrado de cetim vermelho. No meio havia uma única pena branca. Eu a reconheci imediatamente: a pena que Lauren encontrou no carro depois do nosso primeiro encontro. Sabia que ela a guardaria para sempre.


The End 


Notas Finais


Gente 😢😢😢
Muita obrigada a todos que acompanharam essa historia comigo. Foi um enorme prazer.
Muitos devem estar se perguntando o que aconteceu, se a Camila foi embora, o que aconteceu com todos, etc.
Bem, primeiramente gostaria de dizer que esse não é o final, final. Ainda vou postar o epílogo.
Vou deixar para falar o que eu ainda tenho a dizer nas notas finais dele.
Amo muito vcs que favoritaram e comentário. Era o que me fazia continuar aqui ❤❤❤
Até logo.


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