História Hannah - Capítulo 5


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - 05


Recobro a consciência mesmo antes de abrir os olhos.
Os abro com muita dificuldade, minha cabeça dói, meus olhos doem, metade de mim prefere ficar só com os olhos fechados.
- Hannah. - ouço uma voz masculina conhecida me chamar.
Olho para o lado com muita dificuldade até em respirar. É o médico de antes, agora consigo ver ele melhor. Ele é mais velho, esta com o jaleco branco, seus olhos são castanhos, seu cabelo é ruivo, sua barba também.
- Jonas. - digo baixo não conseguindo falar mais.
- Fico feliz que não teve perda de memória recente. - ele diz sentado em uma cadeira do meu lado.
- Por favor, não faz nada comigo. - digo chorando. Pânico me invade, sinto meu corpo tremer de medo.
Ele me encara, parece confuso.
- Estou aqui até que seus pais cheguem. Eles já estão vindo. A polícia pediu para que alguém ficasse de olho em você até que eles chegassem.
Não consigo parar de chorar, parece que não controlo mais minhas reações. Meu corpo está no modo automático, meu cérebro é quem decide. Meus músculos doem e não param de tremer.

Jonas Russeal.
Desde que ela chegou não consigo tirar os olhos dela. Sempre fui muito profissional e estou acostumado a ver coisas ruins todo dia sento médico de emergência, mas quando ela foi trazida pra cá por moradores de um bairro distante da cidade, não consegui mais prestar atenção em nada.
Jane, a outra médica não consegue esconder a pena que sente da garota, não posso dar uma de mole agora.
- Descobriu o nome dela? - pergunto a Jane.
- Sim. Hannah. Ela me disse que é entiada de Henrique Ryan, liguei para sua secretária e ela confirmou, eles já estão vindo pra cá. - ela diz tremendo.
- Jane, você está tremendo.
- Como pode ficar tão imparcial vendo uma coisa dessas? - ela me diz com raiva. - A menina tem quase a idade da minha filha, ela está .... - Jane chora.
- Vá tomar um café e se recompor.
- A polícia pediu para que alguem ficasse com ela. - ela diz limpando uma lágrima.
- Eu vou. Você vai se recompor.
- Jonas, essa menina foi estuprada, a última coisa que ela precisa ver é um homem.
- Ela está dormindo. Os pais estão vindo de helicóptero, com certeza, ela não vai me ver. Você não pode entrar lá com essa cara de piedade, chorando, vai assustar ela.

Ela pensa em retrucar, mas ela sabe que é verdade. Respiro fundo e abro a porta do quarto dela. Vou direto para a cadeira sem olhar pra ela. Sinto uma dor forte no peito quando olho para seu rosto fino machucado e inchado. Sua pele branca está com manchas roxas, cortes, escoriações e inchaços. Seu cabelo loiro está todo emaranhado e sujo e hoje mais cedo, vi seus olhos claros vermelhos de tanto chorar e com manchas roxas sinalizando que ainda bateram forte nela.
Ela parece pequena e fina, não deve ter tido nenhuma chance. Em seus punhos tem marcas de que ela foi contida, mostrando muita crueldade, seu braço foi quebrado por alguém sem paciência que forçou para trás. Seus dedos também foram quebrados.
Respiro fundo e tento não me envolver mais, não pensar em como ela deve ser sofrido. Quem fez a cirurgia foram outros médicos, suas costelas foram quebradas, e a sua região íntima está toda machucada. Não posso continuar pensando nisso, não posso.

Hannah Etheridge
Jonas fica comigo, sentado distante, não consigo mais descansar com ele por perto. Só consigo me manter em alerta. A porta do quarto se abre com tudo e o primeiro rosto que vejo é o de Henrique, e depois da minha mãe que coloca a mão no rosto e chora. Henrique a segura e então vejo minha mãe se desesperar e chorar.
- Victória! - Henrique chama sua atenção.
Jonas se levanta e chama pessoas para cuidar da minha mãe. Henrique permanece no quarto.
De novo estou chorando e assustada, paralisada pela cena da minha mãe.
Jonas sai também, ele não tem mais o que fazer aqui.
Henrique respira fundo, trás uma cadeira pra perto e se senta do meu lado. Pela primeira vez ele me toca, ele segura minha mão.
- Me perdoa Henrique. - digo baixo, ele respira fundo.
- Não tem o que perdoar, está tudo bem agora. - ele diz me fazendo chorar ainda mais.
Henrique é um homem de seus 45 que sempre está com o rosto fechado, arrumado, sem expressão, mas agora, posso ver ele desmoronar aos poucos na minha frente. Eu devo estar horrível, todos que olham pra mim me olham do mesmo jeito, minha mãe entrou em pânico, eu devo estar toda desfigurada.
Henrique não me diz mais nada, só fica sentado ao meu lado. Seu telefone toca muitas vezes, mas ele não atende. Aos poucos, com menos medo, adormeço, porque é o que me resta.

Acordo no meio da noite, tudo que vejo é a escuridão. Não sei a quanto tempo estou no hospital, e isso me deixa confusa. Olhando para o breu lembranças vem a minha mente me fazendo chorar de soluçar. É como se eu estivesse revivendo o que eu sofri. No mesmo instante alguém ascende a luz do quarto quase me deixando cega, é o Henrique, ele estava deitado no sofá ao meu lado e eu não percebi.
- Hannah, o que houve? Está sentindo alguma dor? - ele pergunta firme e um pouco assustado. Nunca o vi assim, sua camisa desarrumada, seu cabelo acinzentado despenteado.
Balaço a cabeça positivamente, afinal, sinto dor o tempo todo em toda a parte do corpo, nas costas principalmente e na cabeça também. Henrique aperta um botão do lado da cama e logo alguns enfermeiros aparecem.
- Ela está sentindo dor. - ele diz sério.
- Senhor, não podemos mais dar morfina a ela, ela já esta com a dose máxima dada pelo médico.
- Então achem esse médico, o tragam aqui pra que ele de mais a ela.
- Ela pode ter danos sérios. - outra enfermeira diz.
As lágrimas não param de sair dos meus olhos, é algo que não controlo mais.
- E vai deixar ela assim? - pela primeira vez vejo Henrique perder a compostura.
Ele sempre soube falar alto sem gritar, discutir sem ser deselegante.
- Senhor... - as duas mulheres ficam perdidas. - Vamos dar um calmante pra ela dormir de novo, assim que o médico chegar nós vemos o que vamos fazer. - a mulher diz já vindo em minha direção. Saber que vou dormir induzida por remédios me da medo, Henrique me olha de longe e passa a mão no cabelo mostrando impaciência. Meus olhos ficam embaçados por conta do remédio e das lágrimas, logo meu corpo amolece.

Acordo ouvindo o som de pessoas me chamando. Abro os olhos com muita dificuldade já que parece que cada um pesa mais que meu corpo. Sinto dor nos olhos e na mandíbula, dor na cabeça, nos braços e na coluna.
- Hannah, acorde querida. - diz a médica de antes parada na minha frente.
Não digo nada a ela até porque minha boca dói demais. Ela está acompanhada do outro médico chamado Jonas, ele ainda me olha diferente. Sinto vontade de me esconder, mas não tem como.
Olho pela sala procurando por Henrique, ele não está, isso me deixa mais desesperada. Logo algumas máquinas começam a apitar do meu lado me deixando mais nervosa e sem ar.
- Calma Hannah, você está bem, está a salvo. Lembra quem eu sou? - ela diz vindo até mim.
- Jane, não é isso. - Jonas diz. - Seu padrasto já vai voltar, ele só foi buscar algumas coisas para você e levar sua mãe para casa.
O pouco de mim que restou sabendo que minha mae me deixou nesta situação por causa de uma crise dela. De novo estou chorando, tímido e quieto, mas mesmo assim chorando.
- Vamos te levar para fazer uns exames, quero que fique o mais tranquila possível. - Jane diz.
Jonas fica a uma distância maior que ela, de mim. Eu acho isso bom, só de saber que ele é homem me assusta. Enfermeiros me colocam em uma maca. Gemo de dor, quem empurra a maca é o Jonas que me olha nos olhos por alguns segundos me deixando com medo.
Faço vários exames, os que meu corpo permite que eu faça. Faço até um raio X de corpo todo, aqueles que vemos na TV. Para que eu conseguisse parar de chorar dentro daquela máquina foi difícil, uma enfermeira teve que ficar do meu lado enquanto eu estava lá dentro.
Volto para o quarto depois de muitos exames. Todos saem do meu quarto, menos Jonas, ms deixando em alerta.
- Não vou machucar você, só vou te dar um remédio para dor. - ele diz com uma seringa na mão.
Sinto medo, mas a dor é maior então só olho ele aplicar a seringa em mim. Não sinto a dor da agulha já que as outras são maiores. Quase todo meu corpo está com gesso.
- Hannah, sei que não vai querer, mas o psicologo chefe do hospital vai passar aqui mais tarde. Terá que falar com ele.
- Por que? - digo baixo.
- Para fazermos uma avaliação psicológica sua. Assim que seu padrasto chegar dois policiais vão entrar aqui pra falar com você.
- Eu não quero. - digo baixo.
- Hannah eles precisam da sua ajuda pra descobrir quem fez isso com você.



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