História Hansol - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Hansol "Vernon" Chwe
Exibições 46
Palavras 3.256
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Escrito pelos dedos do Destino.

Capítulo 6 - Uma leitora da própria história


Fanfic / Fanfiction Hansol - Capítulo 6 - Uma leitora da própria história

V

Uma leitora da própria história

 

Naquela manhã, ela acordara mais mal-humorada do que nunca. Não dormiu direito a noite toda e agora estava sentada no sofá encarando seu computador a alguns minutos, o copo de café repousava no colo e o sabor do pedaço de bolo que comera ainda estava presente na saliva. Ela bufou e bebericou o café recostando-se no sofá. Estava em estado de negação e ouvir de Kiji que aparentava uma insegurança tão grande fez perceber o quão fragilizada estava. Vai passar, ela pensou e ergueu a cabeça.

Levantou-se e ligou o computador, sentou-se na cadeira tentando melhorar seu humor e ficou encarando a janela atrás da tela do aparelho. O céu estava cinzento e parecia que mais cedo ou mais tarde iria cair um temporal daqueles com relâmpagos e tudo que havia direito, seria um longo dia. Os dedos direcionaram-se ao mouse e ela olhou para a tela tentando parecer confiante, mas levantou da cadeira e andou até o quarto irritado. Catou seu cabo e o celular, e voltou à sala novamente.

Ela suspirou e bebericou mais um gole do café enquanto passava o arquivo para seu celular. Os dias já foram melhores, mas ela não podiam dizer que seus dias eram um merda mais. Agora ela podia ouvir a voz de Hansol, mesmo que fosse pelo celular em grande parte. Ela levantou-se colocando o copo na pia, desligou o computador, pegou o celular, a bolsa e saiu voando de casa.

As ruas de Hongdae estavam desertas, o que era um tanto incomum. O silêncio das ruas eram tanto que pela primeira vez ouvia gatos a miar e cachorros a latir, vozes e risadas infantis indo à escola. Um sorriso mínimo abriu ao ver um grupo de crianças uniformizadas brincando enquanto andavam para a escola, era tão fofos e futuramente seriam, talvez, ótimos adultos ou pelo menos era o que ela deduziu ao olhar para eles. O coração dela aqueceu-se e não conseguiu segurar os lábios para não rir de si mesma brincando de vidente.

Depois de alguns minutos andando, ela avistou a estação e ela sentiu uma gota de chuva cair na ponta do nariz. Ai meu deus, era só o que faltava, pensou em um praguejo de clemência. Acelerou os passos e logo viu o tráfego de pessoas aumentar, entrou desviando das pessoas pelas escadas sem corrimão e desceu desengonçada pelos degraus. Olhou no relógio digital do local e era quase sete e meia da manhã, ainda havia tempo para fazer algo. Então, sentou-se em um dos bancos de espera e pegou o celular em mãos começando sua leitura.

O rosto aos poucos enrubesceu, os lábios secaram e os olhos castanhos brilharam como um par de estrelas, mas logo ergueu o olhar com medo que alguém notasse seu constrangimento repentino. Os pés balançaram-se inquietos e sentiu um gosto amargo na língua, mas continuou a fitar com uma curiosidade aguçada em sua ingenuidade em palavras. O mais engraçado era que desde sempre soube detalhar os sentimentos, mas mesmo lendo depois de alguns anos, ainda achava-se uma escritora tediosa.

Não havia conhecido Hansol como na história, — no Templo Jogyesa —, e ele tão pouco mostrou-se interessado por ela como na história que já começava narrando a ida dela até o local. O coração pareceu alegrar e encher-se de calor ao ver a própria descrição da beleza de Hansol com cabelos acastanhados e curtos, olhos brilhantes e lábios pequenos, mas na realidade era muito mais que aquilo e ela conseguia encantar-se até mesmo com o nariz dele purpureando no frio. Ela sorriu ao ler as palavras Hansol e delicado, e percebeu que ainda não havia feito essa observação sobre ele.

— Delicado. — ela saboreou as palavras em português.

Ele fora ignorante e mal-educado com ela, isso era real. Ela sorriu ansiosa e começou o segundo capítulo, onde por um milagre eles se veriam novamente em uma loja de conveniência. Ela suspirou horrorizada e colocou as costas da mão nos lábios, o coração explodindo contra as costelas e as pupilas dilataram-se quase extinguindo o castanho dos olhos. Ela levantou-se rapidamente socando o celular nos bolsos e andou até a plataforma do metrô que precisava pegar para trabalhar. Desviou das pessoas e sentou-se num banco ao fundo, onde continuando a ler sua própria como uma leitora ávida que era.

Só pode ser coincidência, pensou quase que alto. Conseguira narrar até mesmo seu encontro com Hansol, de como se sentiu naquela noite, de como ele se sentiu, o abraço e o sentimento de estar esquecendo algo. Ela afagou sua própria coxa com os dedos trêmulos, mordeu a boca e percebeu que não estava conseguindo ser indiferente com as expressões. Suspirou e fechou os olhos erguendo a cabeça. "Ela estava à espera da ligação de Hansol, pois havia pedido que ligasse para ela no dia seguinte...". A frase ecoou em sua cabeça e ela tentou relaxar. 

O celular vibrou em seu dedos e ela assustou-se quase derrubando o celular. O nome de Hansol brilhou na tela e ela hiperventilou sem perceber como se estivesse em trabalho de parto. Acalmou-se ao ver que assustara algumas pessoas dentro do vagão com suas atitudes acovardadas.

— Alô? — atendeu.

— Bom dia. — A voz do Hansol era tão gostosa de ouvir pelo celular quanto pessoalmente. — Está ocupada? — indagou.

— Não, estou no metrô. — disse sentido o coração pular dentro do peito.

— Tenho uma sessão de fotos hoje e depois tenho o dia livre. — ele comentou sentindo-se meio idiota.— Posso ir até seu emprego e te esperar? — ele disse olhando para os lados com medo do manager lhe ouvir.

— Não, não! — disse constrangida. — Vou soltar mais cedo hoje e não tenho aula na universidade...— pausou.

— Quem estiver livre primeiro avisa, ok? — ele disse entrando no quarto onde estava Seokmin sozinho. — Preciso desligar, tenha um bom dia. — ele desejou.

— Obrigada, trabalhe bem. — ela disse sentindo-se estranha.

Ela desligou o celular e levantou atordoado junto do fluxo de pessoas. Os passos incertos tornaram-se confiantes e ela se recompôs dos sustos, caçou o celular no bolso e desbloqueou a tela, porém os dedos resvalaram no celular e o mesmo caiu com força no chão de concreto da estação. Ela fechou os olhos esperando o baque e quando o ouviu abriu os olhos irritada.

— Merda! — praguejou em português ao ver que o mesmo não ligava. — Hoje é meu dia de sorte. — retrucou respirando fundo.

Jogou o celular na bolsa e apressou-se, mas ao sair da estação percebeu que o mundo já caía na fora. Ela deu um tapa na própria testa e olhou para o céu como se perguntasse "só pode estar brincando comigo", e começou a andar na chuva. De modo algum poderia perder aquele emprego, então correu na chuva por alguns quarteirões. Alguns minutos mais tardes, ela estava parada na porta de entrada do andar que trabalhava da empresa e logo sua chefe parou na porta da sala boquiaberta.

— Chefe, não consegui chegar antes da chuva. — ela se explicou com as sobrancelhas enrugadas.

— Oh, meu deus! — a jovem mulher exclamou. — Vá para casa, Caroline-ssi. — disse torcendo os cabelos molhados da garota.

Ela fez uma meia-lua com a boca meio descontente e virou as costas desviando das pessoas que estavam no corredor assistindo sua derrota. A água escorria pelos cabelos e grudava-os na testa, as roupas grudadas no corpo e os tênis fazendo barulho no piso de madeira. Ela não sabia se poderia, — desta vez e novamente —, chamar seu dia de merda, mesmo que ele estivesse sendo sem via de dúvida. Que dia de cão, ela bufou.

(...)

— Você parece péssima. — Hansol comentou assim que ela parou em frente dele com o nariz vermelho como um farol e o lábios em tom de roxo e púrpura.

— Obrigado! Melhorou cem porcento o meu dia. — ela retrucou.

— Desculpe. — ele coçou a nuca. — Não disse que está feia, apenas que parece cansada e gripada. — desviou o olhar constrangido.

— Isso não melhora muita coisa, Vernon. — ela disse meio distraída. — Estou bem. — retrucou.

Era a primeira vez que ela o chamava de Vernon e apesar de todos lhe chamarem assim, não gostou de ouvir isso da boca dela, pois era como se distanciasse-os. Ela estava com os cabelos presos, porém pareciam sedosos e limpos e alguns fios caíam pelo pescoço e por cima das pequenas orelhas. Os olhos estavam brilhantes, mas pareciam cansados, e a postura apresentava um quê de quem havia acordado recentemente.

— Minha intenção não foi...— ele pausou percebendo que ela estava distraída olhando as pessoas na rua. — Vamos tomar um café? Talvez assim você melhore. — ele concluiu puxando-a pela manga do casaco. — Hey! Está me escutando? — ele perscrutou.

— Estou. — ela disse movendo os olhos para ele. — Você está parecendo meu pai hoje. — ela comentou e ele enrugou a testa.

Nunca houvera pensado em como seriam os pais dela até aquele momento e percebeu que nada sabia sobre ela. Um imagem meio artificial veio em sua mente onde uma mulher parecida com Caroline sentava-se à mesa ao lado do marido, a mesma sorria para ele e logo a filha pequena entrou na cozinha segurando um ursinho. Ela com certeza veio de uma família assim, ele pensou e sorriu involuntariamente.

— Está rindo do quê? — ela comentou e ele voltou seu olhar para ela.

— Nada. — respondeu. — Só te imaginei como era quando criança. — riu e socou as mãos nos bolsos da calça.

— Não, não! — ela tinha uma expressão de susto. — Eu era uma criança estranha. — comentou começando a andar do lado dele.

— Eu também era. — disse olhando por cima do ombro para vê-la. — Todos éramos. — riu.

— Não, você era bem fofinho e ainda mais quando usava óculos. — Caroline comentou gesticulando.

— Que? Você pesquisou sobre mim quando criança? — os olhos dele se arregalaram e parou de andar.

— Não, eu só...— ela pausou sentindo o rosto queimar como madeira na lareira. — Não, é que...— ela não conseguia prosseguir com os olhos dele em cima dela, mas voltou a andar e ela calou-se.

— Estou com fome. — ele confessou. — Muita fome. — enfatizou.

— Eu também, com uma fome de três dragões. — satirizou e ele gargalhou como nunca antes.

A risada dele era engraçada, mas era gostosa de se ouvir. Os cabelos dele estavam tão negros por baixo do boné que era quase irresistível a vontade dela de tirá-lo da cabeça dele e enfiar os dedos entre os fios sedosos. Ela suspirou diminuindo as passadas, as costas largas dele eram tão bonitas e imaginava que sem aquelas camadas de roupas poderia ver ainda uma criança, inocente e desprotegida, mas temia que mesmo sem as amarras ele já não fosse tão sensível.

— Hansol? — ela murmurou e ele virou a cabeça. — Ali tem uma cafeteria. — ela apontou para uma das ruas na lateral da que estavam. — Vamos ali? Não quero ir para o centro. — ela admitiu ao receber um olhar confuso do rapaz.

Ele não podia culpá-la de ter medo de estar em lugares públicos com ele, então, apenas assentiu e começaram ambos a andar até o local. Era um Study Cafe muito divertido e elegante com diversas estantes de livros, mesas com luminárias e algumas mesas mais reservadas com bancos embutidos na parede. Estava quase vazio, pois era uma sexta-feira e os estudantes queriam festejar. Entretanto, ainda tinha uma quantidade razoável de pessoas.

— Escolhe uma daquelas mesas do canto, que eu faço os pedidos. — ela disse encarando-se. — O que vai querer? — ela indagou e o mesmo sentiu seu orgulho ser ferido.

— Um a-americano. — disse cabisbaixo e tentou parecer mais confiante, mas claramente não conseguiu.

Ela percebeu.

— Quer fazer os pedidos? — ela o indagou e ele negou com a cabeça.

— Estou indo escolher a mesa. — ele sorriu.

Era estranho o jeito que ela queria protegê-lo de ser visto, pois ele queria protegê-la, entretanto não tinha motivo para buscar uma proteção para ela que era tão independente e forte. Escolheu a última mesa da parede e sentou-se lá para a esperar. O banco era único e embutido na parede, como em cafeterias americanas, e em frente havia uma mesa de madeira embutida na parede com uma luminária sobre ela e uma janela lateral que dava para a rua.

— Pedi um cappuccino. — ela comentou e ele levantou para ela sentar-se no canto. — Disseram que em poucos minutos estará pronto. — ela sorriu sentando-se encostada na parede. — Gostei daqui. — ela comentou olhando para fora.

— Em Gangnam tem uma cafeteria destas bem legal. — ele comentou admirando como o cabelo caía sobre a testa dela. — Eu gosto da sua pele, ela parece dourada. — ele comentou, mas logo calou-se ao perceber o quê havia deixado escapar.

O rosto dela aos poucos foi purpureando e as bochechas de Hansol tornaram-se tomates radioativos. Ele desviou o olhar e mordiscou os lábios nervoso, elogiar alguém era tão difícil.

— Gosto dos seus olhos. — ela comentou e ele ergueu a cabeça. — Eles mostram o quão transparente você é. — ela comentou e ele entreabriu os lábios surpresos.

— Boa noite. — o garçom desejou. — Um cappuccino e um americano, certo? — questionou e ambos os dois assentiram ao jovem garoto de avental. — Aproveitem ao máximo. — sorriu colocando as bebidas na mesa e retirou-se.

— Quer pedir um bolo? — ela questionou. — Me esqueci de fazer isso. — ela riu lembrando-se da conversa sobre fome de ambos os dois antes.

— Ok. — ele riu. — A senhorita vai querer o quê? — questionou levantando-se.

— O mesmo que você pegar. — disse bebericando o primeiro gole de seu cappuccino. — Contanto que não tenha abacaxi. — ela disse e ele gargalhou virando as costas.

Ela estava apaixonada e tinha certeza, mas estava negando para si e reprimindo os batimentos desenfreados por Hansol. Se apaixonar por ele era um risco que não queria correr sabendo que na sua própria história aconteceria de modo dolorido e massacrante como nunca sentira antes. Durante a tarde leu parte da história tentando não cometer os mesmos erros escritos, mas era quase impossível, mesmo que alguns atos não houvessem acontecido da mesma forma. Talvez, devesse contar a Hansol, mas o que ele diria?

Que ela era uma lunática que escrevia histórias eróticas com ele, mesmo que não houvesse erotismo nenhum.

Ela riu do próprio sofrimento.

— Pode ser de chocolate? — ele disse parando ao lado da mesa com dois pratos de bolo em mãos e uma expressão de confusão e ansiedade.

— Claro. — ela ajeitou-se no banco e ele largou o prato em frente dela. — Fome de três dragões. — ela fez uma careta que lembrou-o um tigrinho.

— Isso é um dragão? — ele comentou incrédulo. — Pior dragão que já vi, Caroline. — Hansol disse negando com a cabeça.

— Aff, não seja exigente. — Caroline reclamou. — Quando você fizer melhor, a gente conversa. — ele gargalhou e ela bufou.

Ambos comeram em silêncio e se comunicavam por ruídos engraçados por algumas vezes. Ele se divertiam muito com ela e até esquecia dos problemas e das pressões do dia a dia, mas ela feria o orgulho dele de alguma forma. Não podia pensar assim, mas era quase inevitável e inconsciente. Ele olhou para o anel em seu mindinho e questionou-se sobre a responsabilidade que aquilo lhe dava, e como estava faltando com ela ao encontrar-se com uma garota comum em uma cafeteria sem o manager saber.

Como a leitora ávida que era, ela podia lê-lo de forma literal e o mesmo parecia atormentado, talvez pudesse ver uma gota de medo e arrependimento. Ela bebericou seu café sentindo um pedaço de gelo alojar-se entre as costelas e perfurar o coração aos poucos. Sentia a insegurança dele sair do corpo em uma aura pesada e atingir-lhe de modo sólido.

— Hansol. — ela murmurou. — Vamos embora? — ela questionou assim que ele ergueu o olhar para a mesma e fincou a última garfada no bolo. — Vamos embora? — ela repetiu ao perceber que ele não havia entendido o que dissera e o mesmo enrugou a sobrancelha. Isso dói, ela pensou.

— Mas você nem terminou o seu bolo. — ele comentou e ela deu duas garfadas grandes no bolo.

— Agora sim. — disse de boca cheia e ele gargalhou.

— Está tudo bem? — ele questionou e ela assentiu. — Então vamos. — ele disse levantando-se.

Ela o seguiu até o caixa, onde parou ao seu lado. Ele era poucos centímetros mais alto que ela, mas sentia-se tão pequena ao lado dele tanto fisicamente quanto psicologicamente. Ele parecia tão esmagador que a tornava insegura como já fora um dia, tinha medo de ser esmagada por muitas coisas em relação a ele, por isso, temia se apaixonar. Nós somos amigos e apenas isso, ela pensou.

Saiu de seus devaneios pegando o dinheiro dentro da bolsa, mas seus olhos pousaram sobre as quatros garotas que entraram na entrada do estabelecimento. Ambas as quatro eram coreanas ou pelo menos asiáticas, trajavam camisetas de algum grupo nacional, como por exemplo, Exo ou NCT, e colocaram os olhos em Hansol, que enrijeceu os músculos e as feições. Pela primeira vez, ele estava sem óculos ou máscara, apenas de boné e capuz do moletom. Caroline puxou o mindinho dele e o mesmo direcionou-se tenso à ela.

 — Saia. — ela disse e ele pareceu não entender. — Me espere na esquina. — ela murmurou.

— Mas tenho que pagar... — foi interrompido.

— Eu pago, me espere lá fora. — ela ordenou e ele sentiu-se oprimido pelos olhos dela.

Ele bufou, praguejou algo em um sussurro e saiu porta a fora irritado. Eu sou um covarde, ele pensou socando as mãos nos bolsos. Ela não podia defendê-lo para sempre, mas o faria quando preciso. As garotas atrás dela murmuravam alguma coisas sobre Hansol, mas não tinham certeza se era ele. Caroline pagou e quando foi se retirar, uma das garotas fez menção de sair para fora e achar Hansol, porém ela vetou o caminho da mesma com um esbarrão "acidental", onde derrubou a própria carteira.

— Me desculpe. — a garota pediu se afastando.

— Oh, tudo bem. — ela disse e abaixou-se para juntar a mesma. — Tenha uma boa noite. — Caroline se afastou com a carteira em mãos e saiu deixando as garotas se entreolhando.

Os cabelos soltaram do coque com o vento e emolduraram o rosto. Ela enxergou Hansol na esquina, andando de um lado para o outro com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. Ele estava bravo, talvez furioso e soltava o ar quente pela boca com extrema frequência. Ela ficou apreensiva, mas andou até ele depressa.

— Uma delas queria vir atrás de você, é melhor que vá embora agora. — ela disse e ele a fitou.

— Dá para você parar com isso? — ele questionou. — Não quero ser protegido por ninguém. — ele falou em tom alto e gesticulador.  — Não quero que me proteja como se eu fosse incapaz de fazer isso, como se a minha carreira fosse ser destruída se alguém me visse com você, eu quero viver em paz só uma vez. — ele praguejou e os olhos dela marejaram. — A partir de hoje, a minha vida não lhe diz respeito mais. — ele disse inclinando-se sobre ela. — Se ficar me tratando como criança, nós iremos...— ele pausou ao perceber que ela não diria nada e não queria fazê-la chorar. — Vou para casa, amanhã te ligo. — ele comentou. — Boa noite. — desejou e deu um beijo na testa dela. 

Um beijo sem vida e nem carinho, apenas apaziguador. Ela viu as costas dele virarem a esquina e ficou ali, quieta e desolada, sem saber o que havia acontecido. Ergueu os olhos tentando não fazer as lágrimas escorrerem pelo rosto e viu as nuvens se formarem novamente, iria chover. Ela fez o caminho inverso de Hansol e passou diante da cafeteria novamente, as garotas estavam paradas lá e ela nem quis saber se elas haviam visto o show ali.

Não iria para casa aquela noite. Que dia de cão, pensou novamente.


Notas Finais


— Obrigado por lerem, deixe comentários e críticas. Disse que ficaria mais divertido e vai, mas esse capítulo ficou meio bad, meio Macabéa, desculpe. UAHSUAHSUAHSUAHS Mil perdões!


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