História Hard Ways - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Original, Yaoi
Exibições 180
Palavras 2.994
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Drama (Tragédia), Hentai, Lemon, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa noite, amores!
Obrigada por lerem.
Boa leitura!

Capítulo 25 - Não Há Mudanças


Ele ainda estava muito surpreso, espantado com o tudo o que tinha ouvido de Damiam. Esperava muita coisa dele, mas não tanto. Ficou um bom tempo no banheiro, chorando até que se acalmasse. Não deveria dar qualquer tipo de indício que tinha ouvido alguma coisa da conversa entre o mais velho e o seu amigo, colega ou parceiro, seja lá o que fosse.

Se ele soubesse poderia chegar ao extremo, e fazer coisas piores do que já fazia, assim como Michael podia usar isso ao seu favor, para quem sabe, conseguir uma saída, uma forma de ficar longe dele e longe daquela casa. Mas no momento, a única coisa que podia fazer era esperar para ver o que iria acontecer, no que aquele desenrolar de acontecimentos iriam dar.

Quando finalmente se sentiu melhor, levantou do chão em que passara última hora. Usou a pia ao seu lado para se apoiar e se erguer no chão, ficar tanto tempo do mesmo jeito, tinha lhe dado um pouco de dor nas costas. Quase se assustou quando viu a própria imagem no espelho, sua aparência estava bem abatida e seus olhos avermelhados pelo tempo de choro. Apoiou as duas mãos, uma de cada lado da pia e respirou fundo para acalmar a sua respiração que estava irregular por conta do choro.

Repetiu o processo mais algumas vezes e quando enfim, conseguiu parar de soluçar, abriu a torneira. A água corrente começou a sair e ele fez uma concha com as duas mãos, recolhendo um pouco de água que usou para jogar no rosto e esfregar levemente com as mãos. Sentiu algumas pontadas de dores enquanto passava as mãos por seu rosto ainda dolorido pelo tapa que levara na noite anterior.

Voltou a jogar água no rosto e fez isso mais duas vezes, antes de erguer o rosto e se olhar no espelho. Sem a base e o pó que usava para esconder os hematomas da sua face, eles ficavam aparentes e ele podia muito bem olhar para cada um deles. Poderia até contar os leves pontos arroxeados que ainda estavam marcados na sua pele e podia ver claramente o mais recente.

Enquanto se olhava no espelho e observava todas marcas contidas nele, começou a se perguntar como chegara a esse ponto. Como Damiam ficou assim? Bem, a resposta era clara. Ele ainda se lembrava exatamente da primeira vez que ele o batera. Foi quando Michael decidiu que iria visitar os seus pais por conta própria. Já naquele tempo, sua vida era totalmente controlada por ele e isso começara logo que se formara na faculdade.

Mas enfim, Damiam não quis o deixar ir e como estava cansado de ser ordenado sobre tudo, assim como era o seu direito e dever desde do começo, se opôs a ele e disse que iria de qualquer jeito. Assim que deu as costas, foi golpeado na cabeça e suas costas foram chutadas por diversas vezes a ponto dele perder a consciência com o ato.

Acordou horas depois na cama. Damiam tinha cuidado dele e naquele dia, ele começara a dizer que ele pertencia a ele, que tinha que fazer tudo o que ele mandava, que era o melhor e finalizou dizendo que o amava e que estava tentando o proteger do desprezo dos seus pais. Mesmo com medo, Michael acreditou e aceitou as desculpas. Foi o seu pior e maior erro, depois daquele dia as surras não pararam mais e não demorou muito para que começasse os estupros e ameaças.

De repente se viu preso nessa teia de acontecimentos sem fim, uma da qual não conseguia sair e para piorar a sua situação, pessoas como Tripp foram envolvidas e prejudicadas por causa dele. Michael o temia muito, muito mais do que um dia o amou e, esse sentimento tinha se apagado por completo agora.

Assim que ouvira e soubera com mais certeza do que ele era capaz, viu os últimos resquícios de esperança de que ele poderia melhorar, simplesmente irem embora de suas vistas e da sua alma, agora só restara o completo medo do homem que pensou conhecer, mas que estava claro a anos, que nunca fora nada o que Michael um dia pensou que ele fosse.

Desligou a torneira que já estava esquecendo aberta e suspirou longamente.

Pegou a toalha que estava pendurada num suporte ao lado da pia e secou o rosto com todo o cuidado possível para evitar sentir mais dor. Voltou a colocar a toalha no lugar e continuou se olhando por mais um tempo, até que decidira por se despir e tomar um banho para tentar relaxar. Tirou todas as roupas e as deixou jogadas no chão mesmo, tirou também os sapatos e foi na direção da ducha, abriu o boxer e o registro no médio.

A água quente começou a juntar um leve vapor dentro do boxer. Michael entrou de corpo inteiro e fechou os olhos. A água fazia alguns pontos do seu corpo ainda feridos arderem, mas não era nada que não fosse suportado e nem nada que não tinha sido obrigado a aprender suportar. Tomou um banho rápido e quando abriu a porta do boxer e deu de cara com Damiam que também estava nu na sua frente. Sequer percebera a sua presença tão silenciosa, mas ele estava lá, com os olhos assustadores o encarando.

Michael não conseguiu evitar, o medo falou mais alto quando abaixou a cabeça.

-Já terminei o banho. — Anunciou baixo e amedrontado.

O empresário nada disse, e Michael saiu do boxer, ficando de lado para que pudesse se afastar dele. Damiam o seguiu com o olhar, mas ainda em silêncio, só entrou no boxer, fechou a porta e começou a se banhar. Michael temeu que seu silêncio fosse um aviso de que ele iria o ferir mais tarde, mas preferiu ignorar isso e sair dali.

Catou rapidamente suas roupas do chão e jogou-as dentro do cesto de roupa suja. Dirigiu-se para o quarto e colocou os sapatos no chão. Seguiu rapidamente para o guarda-roupa espelhado, abriu as portas e buscou lá dentro uma simples muda de roupa. Vestiu a cueca branca e depois a calça e a camiseta simples, sem se importar em se secar antes. Vestiu também um par de meias para espantar o frio e deitou na cama, se cobrindo rapidamente.

Virou-se de lado e fechou os olhos.

Seu coração estava acelerado pelo medo de saber que Damima podia simplesmente sair do banho e o ferir de novo, como sempre fazia, mas isso não aconteceu naquela noite. Depois de terminar o banho, Damiam entrou nu no quarto, secou-se e vestiu uma cueca e uma calça. Foi se deitar ao lado de Michael em seguida. Durante vários minutos, o mais novo ficou com os olhos semicerrados, esperando que fosse atacado ou algo parecido.

Mas não aconteceu nem um caso e nem outro. O empresário ficou deitado retamente na cama, sem se mover, como se estivesse morto. Ele estava muito quieto e quando puxava na memória, percebia que o rosto dele, a expressão contida no mesmo era de muita seriedade. Ele devia estar pensando em algo, provavelmente em como daria jeito no policial federal que estava tentando descobrir a verdade.

Contudo, embora, Damiam tenha ficado praticamente toda a noite parado como uma estátua, Michael não conseguia se acalmar e por consequência acabou perdendo muito do seu sono, só conseguindo realmente dormir quando o seu corpo não suportara mais o cansaço e falara bem mais alto que sua mente. Ainda assim, não foi um sono de paz, teve muitos pesadelos durante o tempo que dormiu e só foi acordar no meio do dia, quando já hora do almoço.

De novo, estava sem nenhuma fome, mas acabou levantando e descendo com as roupas que estava mesmo para a cozinha. Esperava que Damiam não estivesse em casa, já que normalmente o mesmo não costumava ficar em casa nesse horário, ia trabalhar e só voltava a noite, portanto poderia ter paz para pensar sobre o que fazer. No entanto, acabou se enganando e assim que pôs os pés na cozinha, viu Damiam sentado na cadeira, lendo o jornal e beliscando um pouco da comida farta que estava sobre a mesa.

-Sente e coma o seu almoço. — Ordenou-lhe sem tirar os olhos do jornal.

Michael se assustara com a denotação do outro, mas acabou fazendo a sua vontade e foi sentar na cadeira. Puxou esta que era de frente consigo e sentou. Olhou para os pratos quentes contidos ali e escolheu por tomar o que lhe pareceu mais leve que era uma simples sopa de tomate. Tomou metade da sopa e completou com um pedaço macio de pão de forma. Estava já satisfeito com o que comera e iria se levantar e voltar para o quarto, quando Damiam abaixou o jornal e passou a lhe olhar, indagador e coberto de ira.

-O que você disse a aquele policial ontem à tarde? — Perguntou com a voz grossa pela severidade que havia nela. Seus olhos estavam totalmente voltados a ele, e traziam consigo um grande sentimento de intimidação.

-O que me pediu para dizer. — Respondeu apenas, desviando o olhar. Chegando até mesmo a olhar para suas próprias mãos para disfarçar um pouco.

-O que exatamente? — Insistiu o outro em perguntar.

-Q-Que eu não sabia nada da empresa e nem do homem que morreu, que estou doente e que você cuida bem de mim. Foi só isso que eu disse, como você me instruiu a fazer. — Contou a verdade, pois ele disse tudo o que ele queria, só fora o próprio policial que não acreditara nas suas mentiras.

-E ele acreditou? — Indagou desconfiado com suas ações, com seu jeito.

Claro que o policial não tinha acreditado, mas Michael não poderia simplesmente dizer isso a Damiam. Sabia muito bem que tipo de coisa aconteceria, se por acaso, ele achasse que fosse culpado de alguma coisa. De fato, muitas vezes, se sentia tão acuado diante do marido, que nem mesmo parecia que eles eram casados, mas parecia uma prisão de tortura e Damiam era o seu carrasco.

-Acho que sim. — Foi tudo o que disse. Era a melhor resposta que tinha para dar, que encobrisse a verdade.

Damiam o olhou profundamente, não parecia estar nenhum pouco convencido com a verdade que Michael dissera. Isso era mais perigoso ainda. O mesmo levantou e andou até si, dando a volta na mesa para ficar perto do mesmo. Levou a mão grande de forma quase invasiva até o rosto do menor e o puxou para cima com violência, o obrigando a lhe olhar diretamente.

-Me diga a verdade. — Exigiu como se ele mentisse.

-E-Eu disse a verdade....  — Se defendeu, falando baixinho, tendo que ignorar a dor debaixo do seu queixo. — Fiz como me pediu, mas não sei se ele acreditou em mim.

-Humph... Michael, você ainda me ama? — Seu olhar era tão ameaçador que dar uma resposta negativa, naquele momento, pareceu ser praticamente fatal.

-C-Claro. — Vacilou na resposta automática. Poderia haver um pouco de sentimento e verdade numa resposta como essa antes, mas tudo isso terminara de morrer por completo na noite anterior.

Seu queixo foi apertado com um pouco mais de força que era aplicada principalmente nos longos dedos que machucavam o seu maxilar. O outro se aproximou dele com mais avidez e ambiguidade e colou seus lábios, exigindo passagem para o beijo forçado. Como sempre, o outro acabou se submetendo a esse tipo de desejo vindo unicamente da parte alheia e se deixou ser beijado, correspondendo os movimentos só algumas poucas vezes e só para não provocar a ira no outro.

Ao beijo forçado ser partido, Damiam soltou o seu queixo. Imediatamente, Michael começou a massageia-lo e também abaixou a cabeça, novamente por medo e só por esse sentimento que parecia ser a única coisa que estava o movendo desde que as agressões começaram. O mais velho sentou na beirada da mesa e continuou o fitando, com o mesmo jeito assustador de antes.

-Eu te amo, Michael, mas você tem que seguir as minhas regras. Sabe disso. — Bufou decepção. A alma dele gelou, teve certeza que o problema era com ele, como sempre acabava se tornando, injustamente, pelas vontades loucas do outro.

-Eu não fiz nada de errado... — Poderia entrar um colapso só de ouvir aquilo. Temeu na hora que alguma represália viesse do outro, que apanhasse de novo. Apesar que ele sempre apanhava e sempre temia apanhar mais ou de novo.

-Não me interrompa! — Falou mais alto, quase gritando, mas sem demonstrar alguma atitude agressiva de modo físico. — Não me importa se fez ou não, deve tomar mais cuidado com o que faz quando estiver fora dessa casa comigo, me entende?

-Sim. — Só respondeu em concordância.

-Qualquer tipo de deslize que eu tiver problemas, vai te custar para pagar as consequências e seus pais não se importam com você, a ponto de praticamente me venderem você quando fui pedir a sua mão em casamento, então espero meu amor, que saiba que me prejudicar não é uma boa ideia.

-Eu não fiz nada. — Voltou se defender de medo do outro. — Eu...

-É só um aviso, para que fique bem entendido o que pode acontecer se você sair da linha. — O interrompeu, falando mais brandamente dessa vez. — Mas eu estou feliz com você. Se saiu até bem ontem, eles não desconfiaram de muita coisa e isso é muito bom para você, para o nosso casamento.

-Eu sei...

-Que bom que sabe. — Agora este parecia bem satisfeito com o que tinha ouvido dele. Era uma reposta que o tinha o agradado de certo. — Você comeu muito pouco hoje, acordou indisposto?

-Um pouco. — Respondeu baixo, tirando a mão do maxilar.

-Que pena. — Acariciou de leve os seus cabelos, como um simples e inocente contato. Mas não era assim que ele via, era totalmente ao contrário, como um sinal de que ele iria querer mais do que simplesmente dizer aquilo, ou fazer um contato simples como aquele, pois Damiam parecia ter fome do seu sofrer e sempre queria mais.

Tirou a mão dos seus cabelos e pousou sobre suas pernas, ficou olhando o outro de forma mais interessada do que antes, menos ameaçadora no sentido da fúria e Michael continuava de cabeça baixa, com medo de olhar ele, assustado com tudo e com que ele sabia que estaria por vir. E realmente veio, o mais velho se debruçou perto do seu ouvido e começou a sussurrar coisas obscenas para ele.

-Gostei de ver o seu corpinho magro e marcado nu ontem, mas eu estava com a cabeça tão cheia que me esqueci do quanto que queria fodê-lo. — Disse para o desespero alheio. — Acho que poderíamos aproveitar o momento agora.

-E-Eu não quero...  — Fechou os olhos e sentiu um frio na barriga e um nó na garganta que quase lhe dava ânsia de vomito.

Sempre tentava recusar os toques dele, recusar o fato de ser obrigado a fazer algo que não queria, isso não era novidade alguma e o próprio Damiam já sabia disso. Só que agora, bem mais do que era antes, imaginar dormir com ele era para Michael, era um destino pior do que a morte, vendo tudo se repetir novamente.

-Sou seu marido, sabe que não tem o direito de recusar-me. — Rebateu mais agressivo.

-Mas eu não quero... — Retrucou, deixando a repulsa falar mais alto.

-Não importa quando eu quero. — Moveu o corpo um pouco mais para frente e começou a mordiscar a pele do seu pescoço, do lado direito. Michael fechou os olhos com puro nojo do que ele estava fazendo, mas não tentou o afastar, pelo menos até o momento em que o outro levou a mão para o seu peito, fazendo menção de querer tirar a sua camiseta. Nesse momento foi só um impulso que o fez se mover, Michael empurrou a mão dele para longe do seu peito, e se afastou como podia, encostando as costas na cadeira para fugir do seu toque agressivo e doloroso.

Só isso já bastou para acender a fúria de Damiam e sua resposta veio imediata e da forma mais agressiva possível. Sem que pudesse se defender e mal tendo tempo para perceber o que estava acontecendo, o mais velho ergueu e fechou o punho direito. Bateu o mesmo com toda a força contra o rosto de Michael que com a força física do outro sendo maior e com o lugar frágil na cadeira, acabou sendo projetado para trás, caiu de lado no chão e bateu parte da cabeça e do rosto no mesmo.

A dor começou a se emancipar com o sangue começando a escorrer de imediato por seu nariz ferido. Ele estava no chão e com o nariz sangrando, mas isso não deu pena a Damiam e nem o impediu de continuar; dando mais dois chutes na região do seu estômago para enfim parar de vez, pelo menos por enquanto. Ele ficou o encarando enquanto agonizava no chão em meio aos seus grunhidos de dor e sangramento.

Ele se abaixou perto de si e estalou a língua.

-Por que você sempre tem que fazer as coisas serem mais difíceis?! — Indagou praticamente retórico. Ele então, puxou o braço de Michael e o obrigou a levantar. Passou a puxar seus cabelos quando vira que o mesmo estava zonzo demais para andar e como mesmo que tonto e desnorteado, o mais novo tentava lutar contra ele, o segurou firme, jogou sobre o seu ombro esquerdo e o levou a força até o quarto.

O mesmo nem pareceu se importar em sujar a sua camisa cara com o sangue escorrido do nariz alheio, e nem com seus gritos, lamurias e clamores para que fosse solto. Tudo que importava para ele, era ter os desejos atendidos, não se importando nem um pouco com quanta brutalidade e nem quanto sofrimento causava naquele que deveria só amar e proteger, mas que tratava como se fosse uma posse que pudesse ser controlada a sua maneira, a maneira que Michael estava cada vez mais cansado de ser obrigado a suportar.    


Notas Finais


Até o Próximo!


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