História Harpia - Capítulo 7


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Feitiço, História, Ian Somerhalder, Império Romano, Mitologia Romana, Roma Antiga, Romance, Transmorfo
Exibições 17
Palavras 2.037
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Magia, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo quentinho!
Capa: para mostrar as místicas sequoias gigantes, vocês irão entender quando lerem. (:

Capítulo 7 - VII - Encontro


Fanfic / Fanfiction Harpia - Capítulo 7 - VII - Encontro

Luna

A cada vez que caminhava pelo meio das árvores, eu me sentia mais interligada com aquele lugar. Era como se meu corpo fosse induzido a permanecer no seio da vegetação densa. Para além disso, eu sentia força e poder no meu espírito, coisa que nunca sentira antes.

   -- Mas que coisa é essa?

   Então, ao aproximar-me cada vez mais do centro da mata em busca das íris azuladas, vi uma enorme sequoia, uma não, mas três delas fazendo um círculo. Encantada com o tamanho gigante da árvore, me posicionei bem no meio das três, olhando abismada para cima. Como uma árvore cresce tanto assim?! Ou... Como eu nunca as vi aqui?

   Minha atenção estava tão presa nos caules que facilmente poderiam chegar a mais de 100 metros de altura, que só notei o meu corpo estar sendo elevado quando tentei me mover e não consegui.

   -- Ah? O quê?!

   Debati-me mas a mesma luz verde que me envolvia quando me transformava, erguia o meu corpo como se eu fosse mais leve que uma folha seca do outono. Ao mesmo tempo que me assustava, uma serenidade incrível se apropriava do meu corpo. Eu me sentia completa e satisfeita com qualquer coisa desconhecida; porém, ao chegar a uns bons trinta metros do chão, senti meu corpo de harpia se manifestar, como se minha transformação fosse acontecer ali, e então, nesse mesmo momento a luz se apagou provocando minha queda livre.

   Só tive tempo de fechar os olhos com força para sentir o impacto duro com o solo coberto de plantas rasteiras. Contudo, o meu corpo foi amparado por braços firmes e robustos.

   Tudo foi tão rápido que num momento eu estava no ar e no outro eu estava no colo de alguém, como um pequeno bebê. Ainda mantinha os olhos fechados; mas, tanto o peito forte onde a minha cabeça estava apoiada, como o cheiro de pinheiros silvestres que invadiu minhas narinas pela segunda vez, me fizeram abrir de repente as pálpebras.

   Ainda atordoada com o que acabara de acontecer, elevei minha visão a quem me segurava: num segundo fiquei aparvalhada com o dono de braços e peito tão possantes, no segundo seguinte pulei do colo dele.

   -- O que pensa que está fazendo?! – protestei.

   -- Impedindo que sua coluna ficasse quebrada em trê partes.

   Meus olhos ferviam. Quem ele pensava que era por bancar o salvador comigo? Que homem ostensivo!

   -- Isso não te dá o direito, soldado. – ironizei a última palavra e isso o irritou. Seus olhos azuis raivosos me consumiam com intensidade. Parecia que a qualquer instante aquele homem fosse pular em cima da minha estatura com toda a sua aura misteriosa. O corpo grande e forte se debruçou sobre mim; talvez ele pensava que eu fosse desviar, mas não o fiz, fincando minhas sandálias no chão e erguendo meu rosto. Desde quando o meu medo tinha se esvaído dessa maneira? Esse indivíduo poderia muito bem sacar a espada da bainha e cortar meu pescoço a meio, mas nem assim meu corpo tremeu sobre a possibilidade de ser morta.

   -- Não me dá o direito? – repetiu-me. – Você é que não tem o direito de me responder dessa maneira tão torpe! Por acaso tem a noção de quem eu sou?

   Sorri irônica. Meu ser, que a minutos antes tinha conseguido alcançar a paz suprema no seio dessas árvores gigantes, agora estava saturado de raiva contra o de olhos azuis. Era como se toda a avalanche de boas sensações tivessem se transformado num mar de ódio momentâneo. Dei um passo em frente, me aproximando do corpo íntegro dele. Com certeza o deus Marte teria se desenhado o bruxo, conferindo masculinidade, vigor e força. Sem falar na perfeição de seu rosto e corpo... Pára, Luna! Pára! Se concentre.

   -- Não me interessa nada sua reputação de insensível. – estalei. – O que eu sei é que você é um babaca ignorante como a maioria dos homens desse império! Argh, como eu pude tê-lo em meus pensamentos durante esse tempo todo?!

   Virei-me de costas no intuito de o deixar sozinho. Eu nunca senti minha fúria de maneira tão forte assim, nunca senti meu corpo inflamando com todo o alvorço de uma emoção impetuosa como a que o soldado me fizera sentir. Ele era ainda mais enigmático do que eu julgava pelos simples, embora ardentes, olhos azuis. Eu deveria estar agradecida por me ter amparado da queda, no entanto só conseguia sentir raiva depois de ter sido confundida com uma prostituta.

   Mas, dando dois passos para a frente, a mão gelada e grande segurou meu braço junto ao cotovelo. Eu retorci-me, mas sua força era tão poderosa como a maneira que ele segurara meu corpo ao cair de quase 30 metros de altura.

   -- Me solte!

   Ignorando completamente os meus movimentos ariscos, ele continuou me segurando, conduzindo-nos para fora do círculo das sequoias até me encostar numa árvore.

   -- Eu mandei você me soltar! – continuei me agitando forçosamente para sair de seus domínios, só que não consegui, pois sua mão esquerda era tão maciça que apenas ela mantinha meus braços imobilizados acima da minha cabeça. – Pare!

   O corpo másculo se aproximou e, por fim, se colou ao meu. Toda a adrenalina e perturbação se alojaram no meu peito que descia e subia num ritmo incrivelmente rápido, me deixando ainda mais vulnerável com aquele homem encostado em mim. Eu podia sentir seu tronco junto aos meus seios, acariciando-os a cada vez que meus pulmões captuvam o oxigênio que parecia faltar naquele lugar.

   Senti-lo tão junto a mim nunca foi tão bom e tão mal ao mesmo tempo. Para além da tentativa de estrupo, nunca nenhum homem me prendeu dessa forma, e isso me irritava ainda mais.

   A mão livre segurou meu rosto, obrigando-me a encará-lo; sua anca se pressionou na minha e suas pernas me impediram de tentar chutá-lo. Ao ver-me fraca e sujeita, o indivíduo sorriu sombrio.

   -- Veja só o seu estado, criança. – ele disse quase aterrador. – Ainda acha que pode lutar?

   Com dificuldade, tentei que minha voz tivesse um tom de ordenação, mas o que saiu foi apenas um murmúrio.

   -- Eu não sou uma criança e exijo que me solte, agora!

   O homem curvou seus lábios ironicamente e revirou seus distintos olhos antes de alcançar uma distância mais pequena entre nossos rostos.

   -- Para mim será sempre uma criança, Luna. – a respiração fria batia em minha pele, trazendo um arrepio. As esferas azuladas se fixaram em mim por algum tempo, de maneira que estranhamente meu corpo parecia deixar de me obedecer. Eu pisquei algumas vezes, mas o encanto estava demasiado sólido para que eu pudesse lutar. A voz baixa, sedutora e perigosamente ameaçadora ecoava. – Olha só como você se rende fácil... Tão ousada mas ainda assim tão vulnerável... – seus finos lábios ficaram milimetricamente afastados dos meus; e nesse momento até pensei que minha caixa torácica fosse explodir de tão descompassada que estava minha respiração. – Tão inofensiva...

    Sua magia era vigorosa. No fundo da minha consciência eu sabia que estava sendo alvo de um feitiço hipnótico; os fragmentos da minha alma pareciam se unir e reeguer perante o perigoso poder do soldado. Era como se ele tivesse parte de algo fundamental para mim em sua posse, ou como se minha essência dependesse unicamente dele, mesmo que minha razão defendesse o oposto. Uma necessidade de entregar minha vitalidade por completo me aterrou e eu só saí do transe com a voz sussurrada e entorpecente muito perto do meu ouvido. Mas... Quando foi que sua boca tinha alcançado a lateral de meu pescoço?

   -- Você sabe que depende de mim, Luna... Você não pode mentir o quanto eu atormento seus pensamentos. – fechei os olhos com força. Por Júpiter, porque eu não consigo resistir a esse arrebatamento insano? Mais um beijo foi deixado na minha pele. – Pequena criança ingênua...

   Essa última fala me dera forças o suficiente para retomar o controle de mim própria. Abri meus olhos e o encontrei com confusão em sua expressão.

   -- Parece que seu poder em mim não dura para sempre. – falei. Finalmente eu já mandava no meu corpo. – E eu já disse que não sou uma criança. Me solte, bruxo!

   A confusão em sua cara se espalhou ainda mais, o levando a afastar-se um pouco. O soldado afrouxou seu aperto em meus braços, mas ainda assim não era o suficiente para que eu escapasse; então, ao fim de segundos, ele parecia ter ganhado sua autoconfiança, pelo que quase colou sua boca na minha para ameaçar:

   -- Modere suas palavras.

   -- Senão o quê?! Eu não tenho medo de você.

   Novamente aquele sorriso presunçoso desenhou seus lábios.

   -- Mas é melhor que tenha, criança. Você não faz ideia de quem eu verdadeiramente sou, mas não se preocupe: eu terei imenso prazer em te mostrar.

   Então, como por um milagre sinistro, seu corpo subitamente desapareceu da minha frente. Por algum tempo me assustei, no entanto, todas as coisas que haviam acontecido ali deixaram de ser um assombro.

      Exausta da conversa, da minha submissão, de toda a sedução, das sequoias mágicas, da paz imensa, do ódio desenfreado, da vontade de matá-lo, do poder dele e tantas outras coisas que apoderavam-se da minha mente, cai de joelhos no chão. Minhas lágrimas escorriam e um grito alto e unicamente agudo escapou de mim. Aquele homem tinha reerguido minha alma, mas destroçado minha razão.

   Ainda curvada no chão úmido da floresta, o feixe verde se espalhou à minha volta trazendo minha forma de harpia. Após a transformação, levantei vôo, desviando-me dos imensos galhos e ramos que se cruzavam até sair da mata cerrada. Pairei por pouco tempo, observando as gigantescas plantas que eu nunca raparara antes, e tentando descodificar o que acontecera comigo ali. Por fim, suspirei.

   Eu vou descobrir todo esse mistério. Eu realmente preciso me completar.

 

Narrador

   Dizer que Filippo estava transtornado era uma mera comparação perante o que ia na sua cabeça. O feiticeiro parecia não conseguir tirar aquela menina de sua mente, muito menos a maneira que ela o encarara com tanto destemor e bravura. Cada vez que o brilho castanho audacioso invadia sua lembrança, um rolar de olhos era a reação que ele tinha para espantar tal pensamento.

   A pele fria dela, tal como a sua, também era algo que Filippo pensou não encontrar na jovem. Sempre a imaginou quente e acolhedora, não fria como as noites longas de inverno. Talvez ele ficara ainda mais surpreendido do que pensava sobre todo o corpo dela; seus palpites apontavam para uma menina indecisa, tímida, receosa e insegura, mas ao invés disso, o mago encontrou força, confiança e uma valentia que jurava faltar em Luna. Ela o surpreendera tanto a nível psicológico como a nível físico; a visão da silhueta feminina no penhasco não se comparava a sentir todo o comprimento do corpo escondido pela túnica. O aroma natural de plantas e o hálito que ardia em menta, tirava qualquer consideração de que ela era uma menina indefesa; sobretudo com a voz aguçada e o penetrante olhar.

   Filippo se levantou da cadeira de vime, caminhando para a varanda a fim de que uma brisa limpasse sua mente.

   Por mais que toda a discussão tivesse sido o que os tinha aproximado, o que ele não conseguia entender era o simples facto da jovem ter sido elevada pelo espírito celta que habitava no círculo formado pelas grande árvores. O mago tinha experiência em recorrer aos seus antepassados ali, ou até mesmo utilizar os espíritos para fortalecer sua magia, mas... O que aquela criança teria para agradar os antepassados? Não fora a maldição lançada por Filippo que concedeu o poder de transformação?

   O bruxo – como ela o chamou – decidiu não gastar seu tempo com isso, por hora. O que lhe interessava realmente era provocar aquela que se tornou alvo de suas reflexões. E com isso, ele sorriu de uma maneira quase hipnótica.

   -- Não seria má ideia se começar a mostrar à criança o que eu verdadeiramente posso ser. Afinal, eu prometi isso a ela.

   Seu sorriso abriu ainda mais, alcançando as esferas cor do céu. Impôr as regras do seu próprio jogo a uma pessoa nunca fora tão absurdamente interessante e, ainda assim, excitante.

   -- Luna, Luna... Seus pensamentos ainda me pertencem, Harpia.


Notas Finais


Beijinhos!


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