História Harry Harold - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Personagens Harry Styles
Tags Extraterrestre, Harry Styles, Revelaçoes, Romance, Super Poderes, Super-heroi
Exibições 51
Palavras 3.529
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Super Power, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Convide-me a ficar


Fanfic / Fanfiction Harry Harold - Capítulo 1 - Convide-me a ficar

 

Há pensamentos em nossas vidas que insistem em nos aterrorizar antes de acontecer. Aquele momento que precede a morte, um coração partido ou o seu pior pesadelo. Esses pensamentos nos vem rotineiramente, se deixarmos. Comigo sempre foi assim. Imaginava como seria morrer, mas também como seria encontrar o amor da minha vida.

Agora eu estava vivendo isso.

Os alarmes da nave apitavam... todas aquelas cores piscando sem parar... aquele cheiro só significava uma coisa: eu ia cair. Como vinha dizendo, muitas e muitas vezes imaginei como seria morrer, mas agora que eu estava vivenciando de verdade, não parecia nada como imaginei. Contudo aquele momento parecia… irreal. Que irônico. Todas as vezes que eu tinha um pensamento profundo ou um longo sonho sobre isso, eu poderia jurar que era mais real do que agora. Talvez seja aquilo que chamamos de negação. Eu estava nela, provavelmente.

- 81181827! 81181827! – A Sentinela me chamava repetidas vezes, mas não conseguia levar minha atenção para respondê-la. Eu ia dizer o quê? Eu morreria, não importava mais.

Pensei em meus familiares, em meus lugares preferidos e em minha comida preferida. Não ia mais vê-los. Já podia sentir o calor da nave aumentando a ponto de arder a minha pele. A frente eu via as naves se distanciando ainda mais. Não tinha mais como pegá-los. Malditos! Isso não era justo, não mesmo. Sempre fui um cara legal, trabalhando em prol da justiça e do bem de Thamura. E agora eu tenho que morrer enquanto pessoas que sempre fizeram o mal vão se sair livres.

Onde ele estava? Cadê o maldito desespero? Não sentia mais. Acho que quando se vê a morte de frente, não se tem mais saco para desespero, medo e essas baboseiras. Você está a um passo de sair do plano mortal para o plano inimaginável. Se é que existe.

Olhei e houve uma explosão. Com essa foram quatro. Com toda certeza não aguentarei mais uma. Corri até o gravador para deixar uma mensagem para meus pais. Até então a Sentinela ainda alarmava querendo um retorno meu. Foda-se. Fiz muito por vocês e agora que estou prestes a morrer, só quero dizer que amo todos eles e que sempre amei. Me arrependo de ter feito aquilo. Se pudessem me desculpar. Eu imaginava a minha fala, tinha que ser boa. Afinal, eu estava morrendo, eram minhas últimas palavras. Mas quando apertei o botão, estava quebrado. Droga! Soquei, apertei e pressionei várias e várias vezes, mas não dava sinal de nada. Eu morreria ali, em meio a um universo silencioso. O único som, era o barulho da explosão da minha nave. E nem sei se ouviriam, no universo não tem eco...

E então minha nave começou a cair cada vez mais rápido. Estava de olhos fechados, esperando a morte vir. Não queria ver, tentava imaginar coisas boas. Como se desse. Mas ouvi um estalo e, por algum motivo, quis abrir os olhos. Quem sabe uma última vez. E lá estava ela, a Terra. Era um planeta bonito, confesso. Nunca tive vontade de conhecê-lo. Os Humanos… esses têm uma fama horrível. Escória do universo. Enquanto a minha nave caía para se chocar com aquele planeta, eu notei que... ele seria um belo lugar para morrer… isso se não existissem humanos lá.

Mas esse nem de longe era o meu último desejo. Quem sabe ver toda a minha família, conhecer, nem que fosse por um momento, o amor da minha vida. Comer minha comida favorita. Não sabia. Não importava. E então a explosão veio…



                                                                                        […]

 

-  Olá? Olá? – Havia uma voz me chamando. A princípio escutava apenas uma barulho qualquer, nada inteligível. Mas logo meu cérebro começou a codificar e entender aquele idioma.

Isso queria dizer que eu estava vivo? Ainda vivo? Não, poderia ser um anjo. Ou um demônio.

Tentei falar, mas não consegui. Foi então que tive a certeza que estava vivo. A dor. Nossa, como doía todo o meu corpo. Estava queimando e o ar, o ar não entrava em meus pulmões. Sentia como se meu corpo estivesse sendo rasgado e esmagado ao mesmo tempo. Meus olhos pareciam estar sendo furados por agulhas e meus pulmões ardiam de tanto forçá-los a respirar. Tentei me virar, mas não conseguia, meu corpo não me obedecia. Tentei olhar em volta e vi destroços. Estava claro, o céu era azul e tinha umas coisas brancas flutuando.

- OH, MEU DEUS! ELE ESTÁ VIVO! – A voz gritava perto de mim, mas eu via apenas uma forma.

Eu sentia que cada vez mais estava doendo e me desfazendo. Dei uma olhada em meu corpo e o mesmo estava todo escuro, como se estivesse cremado e via meus membros atrofiando. Em volta havia uma grama verde muito parecia com a do meu planeta. Havia fogo também, mas não era ele que me queimava, era algo pior. Nem sabia que existia. E foi então que eu entendi… Estava na Terra… tinha sobrevivido.

- Meu Deus! O que eu faço?! – Eu podia ouvir sua voz ficando cada vez mais longe. Ela estava nervosa, eu podia sentir sua atividade alterada.

Me convida, era o que eu tentava dizer, mas não tinha forças e fôlego para tal.

Eu a identifiquei como ser uma mulher. Ela estava agitada, ajoelhou-se perto de mim e quase a todo momento tentava me ajudar de alguma forma, mas não sabia como. Não tinha, só se ela me convidasse! A cada segundo doía e piorava cada vez mais. Esforçavam-me para dizer a ela o que devia fazer, mas não conseguia. Nossa, aquela era a pior sensação. Eu já tinha ouvido falar sobre, mas nunca tinha encontrado alguém que sobreviveu a isso, muito menos eu ter passado por coisa igual. Aquela, com toda certeza, era a pior de todas as sensações. Mesmo encarando a morte, o desespero, e medo de estar em um lugar desconhecido. Supliquei ter morrido naquela nave.

Foi então que eu senti. É interessante quando se está prestes a morrer. Há uma sensação estranha. Dessa vez era definitivo, não eram as circunstâncias que diziam que eu morreria, era a certeza, o meu corpo era quem dizia, a minha alma estava saindo, eu podia sentir isso. Não há morte, ela não tem face. O que há é apenas um suplício por sair logo e uma escuridão ao ver suas pálpebras fechando…

- Me convide… – Consegui dizer.

- O que?! – Ela saltou para longe, não entendeu nada.

Não ia conseguir repetir novamente. Era o meu fim.

- Entre. Pode entrar… – Em sua fala havia dúvida e tensão. Eu conseguia senti-la como se estivesse dentro do seu próprio corpo. E havia momentos que eu poderia jurar que ela também sentia a minha dor.

De repente, senti o ar invadindo meus pulmões. Era frio. Ele começou a tirar toda aquela queimação de dentro de mim. A minha pele começou a tomar cor e meus músculos cessarem de ser atrofiados. O preto da minha pele começou a sair e eu estava voltando… estava tomando consciência. Olhei para ela rapidamente e a vi… o estranho foi que eu tinha certeza de que viveria, de que ela tinha me salvado. Mas quando olhei aqueles cabelos loiros, lisos e aqueles olhos claros… algo me confundiu completamente. Será mesmo que eu não morri? Que foi somente uma peça da minha mente imaginando que ela tinha me convidado? Pois não tinha outra explicação para ver um anjo. Ela era um anjo… um anjo…!

Mas então eu me lembrei de algo. Não podia ficar ali. E então, rapidamente, saí de sua presença.

Algo estava errado comigo. Quando tentei me levantar e correr dali, estava tão distante que nem vegetação mais havia debaixo de meus pés. Era apenas algo que parecia ser… asfalto. Isso também tem em meu planeta. Mas não tão escuro. Mas o que foi isso? Olhei para trás esperando vê-la, mas não a vi. Minha visão começou a aumentar como se houvesse lentes e mais lentes sendo colocada em meu rosto. Aquilo foi tão estranho que fiquei tonto e caí de bunda no chão. Esfreguei meus olhos e voltei a observar em volta e estava do mesmo jeito. Era como se quanto mais eu me esforçasse para enxergar longe, mais longe conseguiria – não havia limites. Deus… o que estava acontecendo comigo? Então voei para uma montanha que tinha ali. Para nós era normal voar e ter uma certa habilidade. Os nativos de outros planetas costumavam dizer isso de nós, que não éramos normais. Mas para nós isso era comum. Voar… ter poderes. Mas agora… nesse planeta... parecia que tudo estava mais… intenso.

Estava com medo.

Porém, todas as vezes que eu fechava os olhos, eu via a boca rosada daquela mulher. Nossa, ela salvou a minha vida e eu não pude agradecê-la. Mas ela não poderia me ver… ou isso significaria o fim dela. Há regras no universo que não podem ser quebradas. Nunca quis quebrar uma regra, mas cair nesse planeta foi era a primeira...

Como eu queria vê-la de novo.

Mas agora não podia pensar nisso, tinha que saber como eu ia voltar para o meu planeta. Olhei para cima e vi a camada de ozônio. Havia uma barreira de cor meio roxa. Não ia passar por ela, ela é uma proteção das regras. Droga! Eu nunca tinha ficado preso em outro planeta antes e não conhecia as regras tão bem assim para quem visita outros planetas. A única coisa que eu sabia era que para entrar em outro planeta sempre devemos ser convidados.

Precisava voltar para a minha nave, quem sabe algum tipo de comunicação tenha se mantido funcionando. Era meio difícil, mas era minha única esperança no momento.

Meu corpo estava estranho. Era como se aquela energia que estivesse em mim fosse além do que eu jamais imaginaria. Conseguia sentir cada partícula passando pelo meu corpo. Meus olhos, meus ouvidos, minhas mãos, cabeça e pensamentos. Era como se tudo tivesse sido ampliado. No entanto, não sabia a mansidão disso tudo e controlar isso se tornaria muito difícil. Mas como eu podia saber que não conseguiria controlar antes mesmo de tentar?

Inúmeros cálculos e percepções viam em mente como flash. Só que eu deveria tentar. E se fosse rápido demais? Mas se eu fosse e se ela ainda estivesse lá? Ela não podia me ver!

Bom, eu devia tentar. Porém, só foi suficiente para que eu saltasse daquela montanha que caísse no chão. O impacto abriu uma cratera. Eu esperava sair voando, mas não fiz. Novamente, enquanto caía, pensei que fosse morrer. Mas não senti dor alguma além de um formigamento no pé e um leve incômodo nas costas. Deus, o que tinha acontecido comigo? Por que não consegui voar? De todas as minhas habilidades, essa era a que eu sempre tive e sabia controlar melhor. Foi então que tentei novamente, mas só o que consegui foi uma tontura tão forte que acabei caindo ali mesmo. Fome. Essa era a resposta. Estava morrendo de fome e sede. Sim, em nosso planeta nós também comemos e bebemos água.

Foi então que ouvi passos e senti tudo indo embora, a energia, a vida.

-  Não é perigoso trazer ele para cá?

- Claro que é, mas íamos fazer o quê?

-  Meu Deus, nem roupa ele tem!

- Cobre ele com algo, Ângela.

- Tá bem, tá bem!

A conversa parecia ser a quilômetros de distância. Eu apenas escutava como sussurros, mas dava para entender. Porém, não conseguia me mover direito ou até mesmo abrir os olhos. Não havia dor alguma, apenas essa fraqueza...

Senti um pano cair sobre meu corpo. Era macio e cheiroso.

-  Agora está melhor.

- Ele só pode ser louco… peladão desse jeito… no meio da rua...

- Mais um motivo para não o contrariarmos… sabe como são esses loucos. Ficam violentos se contrariados... – Mas do que elas estavam falando…?

- Tudo bem...

- Olhe! Ele está tentando se mexer! – A voz se exaltou.

- Qual é o seu nome? – A outra voz, com tom mais rouco, me perguntou.

- Ele não consegue responder, querida – Quem disse tinha acertado. Não conseguia mesmo. Sequer conseguia enxergá-las… eu estava tão fraco… momentaneamente cego.

- Deve estar com fome – Nossa, graças a Deus haviam pessoas inteligentes aqui.

E isso que era estranho. Sempre tinha escutado histórias sobre os humanos. Que eles eram egoístas, maus, destruíam o próprio planeta e eram ambiciosos. Por isso não desenvolviam dons, era o planeta mais atrasado do sistema solar. Mas, desde que cheguei aqui… vi que haviam humanos bons.

- Vou pegar algo para ele comer – Em poucos minutos, senti algo ser colocado em minha boca. Nossa, como aquilo era bom!

Aos poucos comecei a comer e comer. Minhas forças foram voltando aos poucos, e então eu pude vê-las. Eram duas mulheres idosas. Aparentavam ter uns 350 anos.

- Obrigado… – Enfim consegui agradecer e me levantar um pouco – Vocês são adoráveis anciãs.

- O que?! – As duas exclamaram chocadas ao mesmo tempo.

- Pro seu governo, eu só tenho 50 anos, garoto! – Disse Ângela.

- Não contrarie o garoto, querida...

- Ele me chamou de velha, Titi.

- Mas você tem 50 anos…

- Você tem a mesma idade!

- Não somos velhas, querida… – Tentei segurar o riso, aquela conversa estranha era engraçada de alguma forma...

Enquanto elas discutiam sobre ser ou não ser velhas, notei que Ângela era notoriamente a de personalidade mais forte, mas era de um jeito engraçado. A Titi era mais amena e doce.

- Como é o seu nome? – Titi me perguntou.

- Meu nome é 81181827 – Respondi me levantando. Senti o pano que estava em mim caindo ao chão.

- Não, não, garoto! – As duas colocaram as mãos na frente da face.

- Você é bonito, mas não pro meu tipo – Disse Ângela.

- E é muita falta de respeito tirar a roupa na frente de senhoras de respeito.  – Pela primeira vez, repreendeu-me Titi.

- Nossa, eu me esqueci. Perdão! – Como fiquei envergonhado. Peguei rapidamente o pano que tinham colocado sobre mim. Aqui eles também usam roupas...

- Vamos ter que ir até a cidade para comprar roupas de homem para você.

- E um nome, né? Porque com tantos números... eu já até me esqueci como se chama – Ângela se levantou primeiro e foi até a geladeira beber água.

- Não posso ir até a cidade! – E não podia mesmo. As pessoas… não podiam saber de mim. Apesar que graças a Deus eu não tinha manifestado nenhuma habilidade ainda para que alguém soubesse que sou de outro planeta.

- Então você fica aqui que vamos comprar roupas pra você – Falou Titi.

- Não, ele vai sim. Fica no carro. Teve um acidente próximo da estrada. Parece que um meteoro caiu lá. Com certeza você não vai querer perder isso – Caramba, elas estavam falando da minha queda… só podia ser!

- Sim, eu vou! – Não podia perder a chance de conseguir ir até a minha nave e me comunicar com meu planeta. E, também, tirar todas as pistas para que não descobrissem que se tratava de uma nave extraterrestre.

- Mas como iremos passar até a cidade? Já deve estar cheio de soldados do governo lá, querida – Só notei ali a gravidade da situação. Claro que o governo daqui ia querer saber o que era aquela nave estranha e também aquela moça já tinha me visto e ela tinha visto a nave. A essa altura eu já estava nervoso temendo por ela e por mim.

- Vamos logo! – Tentei me levantar rapidamente, mas logo caí.

- Você ainda está fraco. Tome, coma mais alguma coisa – Titi era a mais bondosa das duas. Não que Ângela também não fosse, mas Titi tinha uma doçura no olhar.

- Eu posso ir comendo no carro? Preciso mesmo ir ver isso.

- Claro! – Ângela respondeu de imediato puxando Titi pelo braço para irmos logo para o carro.

“O que pensa que está fazendo?!” Aquela era uma voz estranha, não era das duas humanas. E ela estava falando em meu idioma.

“Quem é você? É de Thamura?” perguntei em telepatia, já que era assim que ele estava a falar comigo.

“Claro que não sou de Thamura, seu cretino! Vai estragar nossos planos!” A voz parecia bem alterada.

“Mas do que está falando?” Fiquei confuso, não estava entendendo nada. Olhei em volta para ver se conseguia enxergar alguém perto.

- O que aconteceu, garoto? – Titi perguntou.

- Nada… – Menti.

Mas quando me virei para olhá-la, vi algo atravessar o seu ombro rapidamente. Era uma lança negra, o material era claramente de Thamura.

Ângela gritou apavorada, mas no segundo seguinte, desmaiou rapidamente de forma inexplicável.

- O que está fazendo?! – Liguei rapidamente aquele acontecimento a voz em minha cabeça.

- Eu estou salvando a sua vida, desgraçado! Mas claro que só estou fazendo porque preciso que se salve, senão vou acabar me queimando e queimando todos nós! – Ele era de meu planeta. Usava um traje de lá. Um soldado. Trajava uma roupa escura, que mesmo com o sol brilhante sobre nós, parecia fosco com linhas vermelhas que moviam um líquido vermelho que chamamos de Muranta, que nos nutre, fortalece e deixa a roupa super resistente.

- Mas do que está falando?? Elas não sabiam da minha identidade e nem iam saber! – Ele estava entre mim e elas, mas tentei ir rapidamente em direção à Titi, que sangrava na minha frente.

- Idiota! – Ele segurou-me pelo ombro e me jogou longe. Cheguei a atravessar a parede da casa delas. – Melhor matar você antes que faça uma merda! – O homem saltou em minha direção.

Levantei-me irado com ele. De repente, vi seu movimento lento no ar. Pude notar cada traço de sua expressão, seus batimentos, o barulho lento do vento. Era como se tudo estivesse em câmera lenta. Esperei ele se aproximar e então o soquei forte. Esperava que ele fosse apenas cair um pouco a minha frente para chutá-lo ou imobilizá-lo para obter informações. Mas, para a minha surpresa, o soco o fez voar tão longe que tive que me esforçar para ver onde caiu.

Olhei rapidamente para as minhas mãos não entendendo. Socar um traje com Muranta sem luvas era como pedir para quebrar o pulso, mas eu não senti nada além de uma leve ardência. Aquele homem só não deve ter partido no meio graças ao traje. Pensei em ir até ele para saber se ainda estava vivo – desacreditando, claro –, mas Titi se tornou a minha prioridade. Ela era uma humana, mas me salvou. Porém, quando cheguei lá, ela estava inconsciente e sangrava demais.

- Ela precisa ir ao hospital imediatamente… – Ângela se esforçou para falar. Ela ainda estava acordando.

- Demorará para eu aprender a dirigir um carro e não sei a localização exata de algum centro de cura aqui perto – Estava realmente preocupado. Aquela mulher que sangrava no meu braço salvara a minha vida.

- Aquele homem… ele tinha coisas estranhas… – Ângela viu, mas não parecia surpresa. Talvez por ainda estar acordando de um desmaio provocado por ele.

- Você deve estar sob ef… – Ela nem esperou eu terminar.

- Eu sei o que vi – Esse era o jeito dela de falar as coisas. – E mesmo assim você venceu ele. Você também tem coisas estranhas – Eu estava entendendo o que ela estava querendo dizer. – Salve-a...!

- Se eu fizer isso, você… pode morrer – Falei.

E ela iria mesmo. Se ela ou qualquer pessoa me visse como realmente sou… digo… com todos os meus dons e poderes, morreriam…

- Faça… – Os olhos de Ângela marejaram. Ela não parecia mais aquela mulher de personalidade forte e ríspida de antes... ela só parecia alguém que chorava por amor...

Ela arrastou-se com vontade, gastando todas as suas energias para se aproximar da parceira.

- Sempre vou amar você, minha Titi – Ela lhe deu um beijo na boca e jogou-se no chão, sem forças. As suas lágrimas mancharam a testa de Titi. – Faça logo! – Ela me ordenou. E então eu fiz. Saltei voando em direção ao corpo do soldado. Ele estava morto. Seu corpo estava totalmente quebrado dentro do traje, não teria mais como conseguir informações suas.

Peguei o traje que ele usava e levei rapidamente para Titi. Seria quase impossível rasgar o traje e tirar o líquido, mas, com muito esforço, eu consegui sem as ferramentas ideais. Arranquei a lança de seu ombro com cuidado e joguei o líquido de Muranta em cima de sua ferida. Uma fumaça vermelha começou a surgir e um barulho de água fervente. Era normal, ia dar certo. Olhei feliz para Ângela, mas… ela já não estava mais lá. De Ângela havia apenas um pedaço de corpo preto que parecia que havia morrido cremado a dias.

- NÃO! – Gritei desesperadamente.

E eu, que achava que cairia em um planeta de pessoas repugnantes e vazias… agora me pegava chorando por uma delas. Mas essas duas eram pessoas boas… que me amaram rapidamente e que salvaram a minha vida sem me conhecer, sem querer nada em troca. Pessoas que dão a vida por outras pelo simples sentimento de amar. E o que me consumia era que se eu tivesse morrido naquela nave, Ângela estaria viva com o seu mal-humor e aproveitando o dia com o amor de sua vida...


Notas Finais


Me digam o que acharam! Opiniões, ideias, afinal, é diferente de tudo que eu já tenha escrito ♥


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